quinta-feira, 26 de março de 2020

O JOVEM TÉCNICO DE EDUCAÇÃO

CENTENÁRIO DE CÂMARA TORRES
1917  – 2017
José Augusto da Câmara Torres
(* Caicó, RN, 1917  † Niterói, RJ, 1998)
Jornalista, Educador, Advogado, Político
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CAPACIDADE E TALENTO
OUSADIA E REVOLUÇÃO

O EDUCADOR QUE TRANSFORMA UMA REGIÃO
COM CIÊNCIA, TÉCNICA E TRABALHO.



A edição de 13 de julho de 1940, o jornal A Noite, do Rio de Janeiro, divulgava uma lista de nomes que tiveram suas inscrições aprovadas, pelo Departamento de Administração do Serviço Público – DASP, da União, para o Concurso de Provas e de Títulos para provimento em cargos da classe inicial da carreira federal de Técnicos de Educação, do Ministério da Educação. O Distrito Federal - DF, a Cidade do Rio de Janeiro, trazia o maior número de candidatos. Por isto a maior concorrência. E entre eles, estava o nome do Professor, de 23 anos, José Augusto da Câmara Torres. Com ele, tiveram suas inscrições aprovadas: Adonias Filho, Gladstone Chaves de Melo, Walter Toledo Piza e Paulo de Almeida Campos, este, mais tarde, seu colega na Secretaria de Educação e Cultura do Estado do Rio de Janeiro e dileto amigo por toda a vida. Os outros inscritos eram dos Estados de São Paulo e Minas Gerais em quantidade bem inferior.

A tese (monografia) de José Augusto, Educação Moral e Cívica, teve a sua defesa oral feita na noite do dia 24 de agosto de 1940, aprovada pela Banca Examinadora, seguida da apresentação de outro candidato, José Figueiredo Costa, fundador e diretor do futuro Colégio Figueiredo Costa, que funcionou, por décadas, no Bairro de Santa Rosa, em Niterói. Na noite seguinte, a 25 de agosto, o Prof. Paulo de Almeida Campos, defendeu, oralmente, a sua tese também aprovada. Mas, não se sabe por que, tanto José Augusto como Paulo desistiram do concurso federal e não tomaram posse.

Quanto a José Augusto, certamente, a proximidade da data do seu casamento no Rio Grande do Norte, o projeto de morar em Niterói com sua mulher, bem como, os seus estudos universitários, suas atividades como professor e jornalista, de dirigente de instituições culturais e religiosas, enfim, toda a sua vida social e profissional na capital fluminense, onde se radicara desde os quatorze anos, levaram-no a desistir do emprego, cargo e função federal, preferindo concorrer para a mesma carreira, cargo e função, mas como Técnico de Educação do Estado do Rio de Janeiro, em certame semelhante, promovido quatro anos depois, pelo Governo fluminense, para o qual deveria servir dentro do seu território. 

                      7..3.1940                              18.5.1940                               11.6.1941

Ocorreu que, a 31 de março de 1942, três meses após o seu casamento, Câmara Torres é nomeado pelo Interventor Federal Amaral Peixoto para exercer, “interinamente, o cargo de Técnico de Educação, em virtude de vaga existente na lotação; devendo ter exercício no Departamento de Educação – Secretaria de Educação e Saúde”. A edição de 2 de abril do jornal carioca A Noite deu a notícia do Ato, publicado no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro. Em seguida, a edição de O Fluminense, de 3 de abril de 1942, divulga Ato de 2 de abril, do Chefe do Departamento de Educação, Rubens Falcão, “designando o técnico de Educação, José Augusto da Câmara Torres, para ter exercício na 1ª Região Escolar, com sede em Angra dos Reis”. Toma posse e entra em exercício no dia seguinte, 3 de abril de 1942. O Secretário de Educação é o Professor Ruy Buarque. O Professor José Augusto vai, por determinação do Chefe do Departamento de Educação, a Angra dos Reis e a Paraty, Mangaratiba e Rio Claro (na época, Itaverá), visita o Extremo Sul do Estado e assume a Chefia da Inspetoria Escolar da 1ª Região Escolar, que abrangia aqueles municípios. Parece um ensaio, um teste para o jovem professor e ainda acadêmico, no quarto ano de Direito. Isto porque o cargo e as funções daquela Chefia, com sede em Angra, eram um verdadeiro castigo, uma punição, um degredo funcional, a quem, nomeado, para lá fosse, pois a Região era isolada, sem infraestrutura, os serviços públicos, mínimos, as comunicações, precaríssimas, quase inexistentes, com a Capital e com os demais municípios do Estado. Somente a 13 de maio de 1943, um Ato do Interventor Federal “resolve considerar designado, a partir de 1º de janeiro” daquele ano, o Técnico de Educação na Chefia da 1ª Região. Redundante e insolitamente, a nomeação “interina” é ratificada a 24 de fevereiro de 1945.

A 19 de março de 1945, Ato do Interventor o nomeia formalmente o Técnico de Educação para Chefe da Inspetoria assumida e exercida desde 1942. Toda esta parafernália de Atos, interinidades, nomeações, considerações de designações – certamente, deveu-se à conjuntura política e consequentes injunções e interesses não republicanos que permeavam uma Interventoria do Estado Novo.

A 6 de novembro de 1945, Câmara Torres recebe do Governo do Estado, o “Certificado de Habilitação (...) para provimento de cargo de carreira de Técnico de Educação”, possibilitando que ele fosse nomeado como servidor efetivo, do “Quadro Permanente”, após rigorosíssimo Concurso Público de Provas e Títulos, com aprovação da Tese, A Inspeção Escolar na Escola Primária, e sua defesa oral, aprovada por unanimidade pela Banca Examinadora. Ao certame, realizado em 1944, no qual foi classificado em 5º lugar, acorreram mais de uma centena de candidatos, muitos vindos de outros Estados. Assim, somente em 1945 ele é nomeado “Servidor Efetivo do Quadro Permanente da Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro”.

O jovem, destemido e ousado Técnico de Educação liderou e promoveu uma verdadeira revolução no Ensino Público no Extremo Sul do Estado, conforme está destacado, em outra página desta biografia, no texto Câmara Torres e o Estado do Rio de Janeiro.

EM ANGRA,
O CHEFE DA INSPETORIA ESCOLAR
O EDUCADOR , ORADOR DE TODOS OS EVENTOS

AS GRANDES REALIZAÇÕES.



Em dezembro de 1942, ainda residindo em Niterói,
 José Augusto leva Tudinha à Angra, para conhecer a cidade onde iriam viver.
 A primeira filha, Marta, nasceria na Capital, em julho do ano seguinte.
A família mudaria para Angra em maio de 1944.
(Acervo Marcelo Câmara)

Em maio de 1944, a Família – José Augusto, Tudinha e Marta, a primeira filha, nascida em Niterói dez meses antes–  chega a Angra dos Reis e vão morar no Palace Hotel, do casal alemão José e Helena Riegert.


Maio de 1944: o Técnico de Educação e a família Nóbrega da Câmara Torres
moram no Palace Hotel, em Angra dos Reis.

(Acervo Marcelo Câmara)


Resumo das realizações de Câmara Torres
como Técnico de Educação e Chefe da Inspetoria

1ª Região Escolar
– Angra dos Reis, Paraty, Rio Claro e Mangaratiba –
de 1942 a 1955


(Pontos anunciados no texto Câmara Torres e o Estado do Rio de Janeiro, integrante desta biografia)

  • Revoluciona métodos e reestrutura o Ensino na Região, dando-lhe nova dimensão humana, técnica, profissional e material, projetando-o para o futuro.
  • A Administração Escolar torna-se moderna, ágil e eficiente.
  • Adquire prédios, que passam a ser de propriedade do Estado, para a minguada “rede” pública, então existente, de Ensino Básico na Região, toda alugada a particulares. Constrói o patrimônio físico da Educação Pública no Extremo Sul Fluminense.
  • Triplica o número de matrículas de crianças na escola.
  • Triplica o número de escolas públicas, em prédios próprios estaduais ou em parceria com os municípios.

Por volta de 1944, o “Doutor José”, dois anos após assumir a 1ª Região Escolar,somente em Angra, Paraty e Mangaratiba, aumenta significativamente o número de escolas urbanas e rurais, equipa as unidadese multiplica o número de matrículas. Traz professoras de outros municípios,e até de outros Estados, para lecionar na Região, a fim de que não existam crianças sem escola, escola sem professorasregularmente lotadas, digna e maximamente, remuneradas,dispondo de equipamentos e de material didático e pedagógico necessário. Este era o norte do novo Técnico de Educação.
(Acervo Marcelo Câmara)
  • Em virtude da escassez crônica de professoras, o Técnico de Educação convidava, através de correspondência, de contatos, de anúncios que publicava, gratuitamente, em jornais da Cidade do Rio de Janeiro (Distrito Federal), que tinham circulação nacional, e de Niterói, e até de outros Estados, graças ao seu prestígio de jornalista e intelectual – profissionais formados e experientes para dirigir escolas rurais e praianas no Extremo Sul do Estado. Exemplos estão nos fac-símiles das notas que vão abaixo, mandadas publicar pelo Doutor Câmara Torres em jornais da Cidade do Rio de Janeiro:

Diário de Notícias, RJ, Edição de 4.6.1950.
(Acervo Marcelo Câmara)

Diário de Notícias, RJ, edição de 11.5.1951.
(Acervo Marcelo Câmara)


Diário de Notícias, edição de 15.4.1952
(Acervo Marcelo Câmara)

Tribuna da Imprensa, RJ, edição de 16.4.1952.
(Acervo Marcelo Câmara)

A Noite, edição de 16.4.1953.
(Acervo Marcelo Câmara)


Diário de Notícias, edição de 5.5.1953.
(Acervo Marcelo Câmara)
                    
Esse foi um dos recursos utilizados pelo Doutor Câmara para em funcionamento dezenas de escolas no Extremo Sul Fluminense: lotando-as com professoras capacitadas originárias de outros Municípios e Estados. Para ele, era inadmissível não ter escolas e, se elas existiam, não haver professoras para lecionar.
  • Planeja, constrói, equipa, lota com pessoal capacitado, originário da Região, de outros municípios, e até de fora do Estado, e mantém, toda a Rede Pública Básica de Ensino Primário da Região, urbana e rural, existente até hoje. A União dos Professores Primários Estaduais do Estado do Rio de Janeiro - UPPE, em sua reunião de 9 de novembro de 1946, aplaudiu o exemplar e bem-sucedido trabalho do Técnico de Educação, Prof. Câmara Torres, em atrair, através até de anúncios em jornais de outros Estados, professores para lecionar no Extremo Sul Fluminense, com o objetivo de não permitir que escolas permanecessem fechadas, que nenhuma criança, das áreas urbanas e rurais, ficasse sem ensino. Constrói os grandes Grupos Escolares nos distritos dos municípios, inclusive levando, heroicamente, pela primeira vez, a Educação aos pontos mais distantes, às localidades e vilas isoladas, como ilhas, praias, restingas e fiordes longínquos, costeiras de difícil desembarque, campos, serras e várzeas, áreas e grotões antes inacessíveis à Educação Pública. Nesta empreitada civilizatória estão incluídas as “as escolas isoladas”, “as de difícil acesso” de toda a Região e "as escolas oceânicas de Paraty”. 

Em 1944, o Doutor Câmara, residindo em casa alugada,
 chefiava a 1ª Região Escolar e advogava em Angra e Região.
Foi seu único endereço na Cidade enquanto lá viveu com a família.
(Acervo Marcelo Câmara)
  • Estabelece, com extrema ousadia e competência técnica e científica, moderna Administração Escolar, Pedagogia e Didática de vanguarda, inaugurando ainda a realização de eventos de periodicidade regular, enriquecedores da Educação e para a Cultura da Região como: o estabelecimentos de Caixas Escolares; Associações e Pais e Mestres; reuniões com líderes comunitários; palestras sobre a Cultura local, regional e nacional, dirigidas aos Corpos Docente e Discente, proferidas pelo Técnico Escolar e por especialistas que ele trazia à Região; realização de exposições de trabalhos escolares (textos, projetos, maquetes, peças de arte e artesanais etc.); promoção de eventos culturais vinculados à Cidadania, à consciência e responsabilidade sociais;
  • Implanta a Merenda Escolar em toda a Região, até então inexistente.
  • Em 1942, ainda no antigo e precário prédio do Grupo Escolar Lopes Trovão, sediado no Centro de Angra dos Reis, alugado pelo Estado a particulares, cria, graças ao trabalho da sua abnegada e ilustrada esposa, a Professora Gertrudes Nóbrega da Câmara Torres, e da sua auxiliar, Professora Godiva Freire, o Coro Orfeônico Padre Júlio Maria, formado por meninas estudantes, que passa a abrilhantar os eventos cívicos e culturais da cidade.
  • Em dezembro de 1942, pronuncia marcante discurso ao Professorado do Extremo Sul Fluminense, autoridades, alunos e povo de Angra dos Reis, quando presta contas de sua atuação como Técnico de Educação e Chefe da 1ª Inspetoria Escolar, após um ano de trabalho.
  • A 28 de dezembro de 1944, faz pronunciamento no Distrito de Itacurussá, Mangaratiba, no qual apresenta a realidade e as demandas da Educação na localidade e no Município, durante visita do Interventor Amaral Peixoto. Ao final, muito aplaudido, obteve do Chefe do Executivo a promessa de “construção, no ano seguinte, de um moderno Grupo Escolar para a infância de Itacurussá”. E assim se deu.

 1º.6.1945. O Interventor Amaral Peixoto (o 4º da esq, p/ dir., de terno escuro)
chega a Angra dos Reis para inaugurar o Grupo Escolar Lopes Trovão,
 à época "a maior escola pública da Região". Câmara Torres é o último à dir. na 1ª fila.
(Acervo Marcelo Câmara)
  • Planeja, constrói e inaugura os Grupos Escolares das sedes dos municípios de Angra dos Reis, Paraty, Rio Claro e Mangaratiba, respectivamente, os Grupos Escolares: Lopes Trovão, Samuel Costa, Fagundes Varela e Coronel Moreira da Silva. Foi o responsável, também, pelos Grupos Escolares: Presidente Benes (inaugurado em 10.6.1944), de Lídice, e Alfredo Pujol (inaugurado em 4.8.1948), de Passa Três, ambos Distritos de Rio Claro. Designa professores para todas essas unidades, colocando-as em pleno funcionamento. Eram as maiores e mais bem equipadas escolas da Região, e estavam entre as mais modernas do Estado, com pessoal, equipamentos, atividades regulares e extra-classes modelares, as mais avançadas e eficazes, para a época, no Estado.
  • Planeja e realiza cursos para o professorado, exposições de trabalhos de alunos e professores, diversos eventos técnicos para o corpo docente das escolas, entre eles as célebres “Semanas de Estudos Pedagógicos”, que deixaram marcas na História da Educação da Região. 

O respeito, a consideração e a cordialidade eram ferramentas
 para o excelente relacionamento do Técnico de Educação
com o Professorado da Região.
(Acervo Marcelo Câmara)
  • Cria e executa o programa Uma biblioteca em cada escola, as “hortas escolares” e cursos pré-profissionalizantes em boa parte das escolas rurais.
  • Promove intercâmbios entre as escolas da Região: alunos que se visitam reciprocamente em passeios culturais. Na verdade, uma adaptação local das inovadoras “Excursões Culturais”, nascidas no Chile, no início do Século XX, adaptadas e implantadas no País por Rubens Falcão pioneiramente. Câmara Torres promove essas “Excursões Culturais”, intercâmbio entre corpos docente e discente de escolas de municípios da sua Inspetoria com escolas de outras regiões do Estado. Rubens Falcão foi diretor do Departamento de Educação da Secretaria de Educação e Cultura, dos Governos Amaral Peixoto e Macedo Soares, e, em seguida, Secretário de Educação e Cultura, do Governo de Miguel Couto Filho. Foi um técnico de tamanha capacidade intelectual, profissional, administrativa, capaz de ser o executivo da Educação de três governos estaduais sucessivos, indene às disputas políticas e à concorrência por cargos.
Câmara Torres em 1952, paraninfo
da primeira turma de professoras formadas em Angra dos Reis.
O educador ajudou a fundar, no Município,
o Ginásio e a Escola Normal.
(Acervo Marcelo Câmara)
  • Ajudou a criar, a manter e desenvolver ginásios e cursos de segundo grau, públicos e particulares, em Angra dos Reis, Paraty, Rio Claro e Mangaratiba.
  • Planeja e organiza dezenas de eventos cívicos e educacionais, de caráter sociocultural, que agrega e estimula o diálogo e o intercâmbio entre as escolas, professores, alunos e comunidades.

Balanço dos onze primeiros anos do “Doutor José Augusto
na Chefia da Inspetoria da 1ª Região Escolar do Estado do Rio de Janeiro.

Uma revolução de ciência, técnica, vanguardas, idoneidade,  competência,
e progresso na Educação do Extremo Sul Fluminense.
(Acervo Marcelo Câmara)

  • De dezembro de 1946 a outubro de 1953, o Técnico de Educação Professor José Augusto da Câmara Torres foi várias vezes designado pelo Secretário de Educação e Cultura do Estado do Rio de Janeiro, para: inspecionar Escolas Normais e Ginásios, inclusive provas e exames, em Niterói, Barra Mansa, Resende, Itaperuna e Angra dos Reis; e integrar Comissões de Apreciação de Trabalhos Intelectuais apresentados por professores em Concursos de Remoção do Magistério Pré-Primário e Primário.
  • Em 1948, foi designado pelo Secretário de Educação e Cultura do Estado do Rio de Janeiro, na condição de Chefe da Inspetoria da 1ª Região Escolar, com sede em Angra dos Reis, para atuar como Assessor das Comissões de Estudos da II Reunião Semestral de Prefeitos, realizada em Niterói, de 29 de setembro a 6 de outubro daquele ano.
  • De 1942 até 1955, o Técnico de Educação Doutor José Augusto da Câmara Torres é designado para integrar diversas Comissões de Inquérito, no âmbito da Secretaria de Educação e Cultura do Estado do Rio de Janeiro. Todos os trabalhos foram executados com autoridade, proficiência e exação pelo Técnico, que elogios recebeu dos seus superiores. (Todas as designações foram publicadas no DOERJ)

Outros registros da trajetória do Educador

  •  A 22.7.1945, o Professor Universitário Marcondes Verçosa, intelectual mineiro de respeitabilidade nacional, visita Angra dos Reis e se reúne com o Técnico de Educação, Doutor Câmara Torres. Na pauta, temas e questões locais e regionais da Educação e da Cultura. 
 
O Professor Marcondes Verçosa (ao centro, de terno escuro) visita Angra.
e é recepcionado pelo Técnico de Educação, Doutor Câmara Torres
(à extrema esq., de branco).
(Acervo Marcelo Câmara)
  • Em junho de 1950, o Secretário Estadual de Educação e Cultura assina Portaria designando a Profa. Luiza Erundina da Silva Alves, para substituir o Titular na Chefia da Inspetoria da 1ª Região Escolar, com sede em Angra dos Reis, o Técnico de Educação, Prof. José Augusto da Câmara Torres, em virtude de férias a este deferidas.
  • Em dezembro de 1952, forma-se a primeira turma da Escola Normal de Angra dos Reis, da qual é Paraninfo, futura Escola Normal Everardo Beckhausen, que ele criou com o Professor Jair Travassos.
  • A edição de 4.1.1953, do jornal carioca Diário de Notícias, publica carta do Chefe da Inspetoria da 1ª Região Escolar do Estado do Rio de Janeiro, Doutor José Augusto da Câmara Torres, louvando a iniciativa do diário que lançava o Suplemento de Natal, dirigido ao público infantil e juvenil, que ele considerou “uma publicação que, realmente, significa leitura sadia e educativa para a infância”. Na carta, o Técnico de Educação refere-se a 1948, quando o Diário de Notíciasiniciou uma campanha patriótica contra a literatura infantil perniciosa”, tendo como consequência uma Circular da Inspetoria ao Professorado “dando orientação contra aquelas leituras que foram chamadas de fontes de infecção pública”. A Circular de Câmara Torres foi publicada, à época, pelo jornal, com comentários positivos. que tiveram ampla repercussão no meio educacional do Estado e da Cidade do Rio, então Distrito Federal. O Técnico aproveitou o seu louvor ao órgão de Imprensa para solicitar alguns exemplares do Suplemento de Natal, para distribuir entre “os melhores alunos de nossas escolas a fim de premiá-los no fim do ano letivo”. Acrescentou o Professor que o jornal prova que “é possível se dar boa leitura às crianças sem lançar mão de histórias de crimes que nada têm de moral ou de cívico que enriqueça a formação delas”.
  • A 9.8.1954, o Diretor de Ensino Médio, da Secretaria de Educação e Cultura, do Estado do Rio de Janeiro, Doutor Paulo de Almeida Campos, designa o Técnico de Educação Professor José Augusto da Câmara Torres “para o trabalho de inspeção permanente junto das seguintes Escolas Normais, sob regime de mandato: Everardo Backeuser, de Angra dos Reis; Nossa Senhora do Amparo, de Barra Mansa; Santa Ângela, de Resende; do Colégio Bittencourt Silva, de Niterói; do Colégio Anchieta, de Niterói” (Designação publicada na p. 10 do DOERJ, de 5.8.1954). E tudo foi cumprido pelo Professor Câmara Torres “com correção, zelo e eficiência”, de agosto de 1954 até a sua posse como Deputado Estadual a 31 de janeiro de 1955, quando se licenciou do cargo e função para assumir uma Cadeira de Deputado Estadual na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Naquele período, enviou, regularmente, ao Diretor do Departamento de Ensino Médio, os respectivos e indispensáveis Questionários-Relatórios e cumpriu todas as disposições legais pertinentes. Com a instalação do Departamento de Ensino Médio, cujo primeiro Diretor foi o pedagogo, professor universitário e Técnico de Educação, Doutor Paulo de Almeida Campos, a criação e aplicação das instruções, normas, critérios, procedimentos e recomendações das inspeções quanto à organização, realização e desenvolvimento do ensino dos Cursos Ginasial, Normal, Científico e de Contabilidade, tornaram-se rotineiros, precisos, rígidos, aperfeiçoados dia a dia, através das experiências, estudos, pesquisas e debates entre os Técnicos de Educação, Professores e Gestores, pais e responsáveis, nas unidades de ensino, órgãos do governo e nos meios acadêmicos.
  • Na tarde de 12.10.1954, o Técnico de Educação Doutor José Augusto da Câmara Torres participa de uma reunião técnica, de trabalho, com o Diretor do Departamento de Ensino Médio, Paulo de Almeida Campos, no Instituto de Educação de Niterói.
  •  A 8.5.1955, o Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro publica Portaria do Diretor de Ensino Médio, Professor Doutor Paulo de Almeida Campos, que, ao se afastar do cargo, apresenta ao Técnico de Educação as mais sinceras expressões de agradecimento à eficiente colaboração prestada durante a sua gestão, ao tempo que louva o “elevado espírito de compreensão e constante interesse pelo trabalho”.
  • A 22.9.1956, com a criação da Associação dos Técnicos de Educação e Inspetores de Ensino do Estado do Rio, durante o II Seminário Pedagógico do Estado do Rio, realizado em Paraíba do Sul, o professor José Augusto da Câmara Torres foi eleito para Conselho Deliberativo da novel instituição.
  • A 14.3.1962, no Palácio do Ingá, o Governador Celso Peçanha deu posse ao Técnico de Educação e Deputado Câmara Torres, como Membro do Conselho Estadual de Educação, para um mandato de quatro anos, em cumprimento à Lei 5.044, de 7.3.1962, que enquadrou o Sistema Estadual de Ensino de acordo com o Art. 8º da Lei de Diretrizes e Bases da Educação.
  • A 26.4.1962, convocado pelo Presidente do Conselho Estadual de Educação, Professor Ismael de Lima Coutinho, o Técnico de Educação, José Augusto da Câmara Torres comparece à Reunião do colegiado, do qual é Membro, na sede da União dos Professores Públicos no Estado – UPPE, a fim de “definir a amplitude dos programas em cada ciclo”, nos termos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação do Estado do Rio de Janeiro.
  • Na tarde de 17.5.1962, o Membro do Conselho Estadual de Educação Doutor José Augusto da Câmara Torres participa de Reunião do Colegiado no Salão da Academia Fluminense de Letras. Na pauta, dois palpitantes assuntos para discussão e deliberação: Os currículos do Ensino Primário e Registro do Professor de Ensino Médio
  • A 26.6; 16 e 20.7; e 9.9 de 1962, o Técnico de Educação Doutor José Augusto da Câmara Torres comparece a quatro Reuniões do Conselho Estadual de Educação, no Salão da Academia Fluminense de Letras. Nas respectivas “Ordens do Dia”, amplas pautas de assuntos de competência do colegiado.
  • A 2 de janeiro de 1963, o Técnico de Educação, José Augusto da Câmara Torres, em Sessão do Conselho Estadual de Educação, tem o seu Parecer contrário à “contratação e entrada em exercício de Professores de Ensino Médio durante as férias escolares, por configurar-se ilegal e inoportuno”, aprovado por unanimidade.
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Com o trabalho do Técnico de Educação Câmara Torres na Chefia da Primeira Região Escolar, a Educação Pública do Extremo Sul do Estado do Rio de Janeiro atingiu altos níveis de qualidade, excelência e eficácia.

Sempre foi considerado, no País, um dos maiores conhecedores da problemática da Educação e apontado como “O grande realizador da Educação no Sul Fluminense”.

Câmara Torres foi apontado, diversas vezes, por seus superiores, nos meios técnicos e científicos, acadêmicos e políticos, e pela Imprensa, como “o mais capacitado e brilhante profissional da Educação no Estado do Rio de Janeiro”.

Após conhecer o trabalho de Câmara Torres na Educação, o antropólogo e educador,
Professor Darcy Ribeiro o qualificou como “O Anísio Teixeira do Extremo Sul Fluminense”.

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FALAS, DISCURSOS,
PALESTRAS, CONFERÊNCIAS,
E PROMOÇÃO DE EVENTOS,

DE 1942 A 1955,
DOS 24 AOS 37 ANOS,
NA CONDIÇÃO DE TÉCNICO DE EDUCAÇÃO
EM ANGRA DOS REIS E EXTREMO SUL FLUMINENSE

ALGUNS REGISTROS

(Abaixo não estão listadas as centenas de falas por ele escritas e lidas, mas não arquivadas, bem como aquelas feitas de improviso)

Desde que chegou a Angra, em 1942, O Professor e Advogado, José Augusto da Câmara Torres, tornou-se o Orador dos grandes eventos cívicos, sociais, econômicos e culturais, não apenas no ambiente educacional, pedagógico, das escolas, mas, também, no Município e em toda a Região. Inteligente, culto, talentoso e hábil na arte da palavra falada e escrita, ele era convidado ou “escalado” para falar em quase todas as solenidades públicas e privadas. Somam-se às centenas as suas orações na Região, desde que a ela chegou em 1942 como Técnico de Educação até a sua partida em 1998, quando ainda advogava, passando pela fértil e rica carreira política de quatro décadas, com ou sem mandatos.

Interessante foi a elaboração e distribuição, logo que chegou a Angra, de um texto de apenas duas laudas e meia, no qual Câmara Torres faz uma síntese sobre o Município, com informações básicas sobre os seus aspectos históricos, político-administrativos, culturais, geográficos, vias de comunicação, serviços públicos, Imprensa, Turismo, etc. Naquela primeira metade da década de 1940, raras eram as publicações sobre Angra dos Reis. O Técnico de Educação não assinou o trabalho. Apenas o marcou com um carimbo: “Departamento de Educação – 1ª Região Escolar – Angra dos Reis”, multiplicou-o em centenas de cópias mimeografadas e distribuiu nas escolas e unidades públicas do Município.

Destacam-se, entre os seus discursos e orações, como Técnico de Educação, de 1942 a 1955, no Extremo Sul Fluminense, as seguintes falas:
  • A 13 de maio de 1942, no 54º aniversário de promulgação da Lei Áurea, pronuncia culta oração, de caráter histórico, cívico e educativo, quando tomam posse os novos membros da Caixa Escolar de Angra dos Reis. Trata de Angra, seu passado e presente; da contribuição do Negro à Nação; da Abolição da Escravatura; da República que teve no angrense Lopes Trovão a suprema voz e guerrilheiro; e da Educação, como principal processo civilizatório, de formação da Cidadania e forjadora indispensável do seu futuro de paz e desenvolvimento para Angra dos Reis e Região.
  • A 12 de julho de 1942, faz o Discurso que dá posse aos primeiros Membros da Diretoria da Caixa Escolar de Mangaratiba.
  • Sentido de Luta. Eloquente discurso pronunciado a 7.9.1942, saudando a Independência do Brasil, de caráter cívico, histórico, religioso, cultural e pedagógico, na Sede da Sociedade União dos Estivadores, em Angra dos Reis, por ocasião da Sessão Solene em Comemoração da Semana da Pátria.
  • Discurso de Apresentação de Dayl de Almeida que proferiu conferência sobre Lopes Trovão, a 16 de julho de 1942, no Salão Nobre da Prefeitura Municipal de Angra dos Reis, trabalho publicado pela Biblioteca Municipal Guilherme Briggs.
  • A 1º de maio de 1945, pronuncia vibrante Discurso na Inauguração da Biblioteca Codrato de Vilhena, na Escola do Bonfim, em Angra dos Reis, tratando da importância daquela unidade pedagógica para o desenvolvimento da Educação e Cultura daquela Comunidade.
  • Na manhã de 24 de maio de 1945, diante de autoridades e lideranças municipais, estudantes e comunidade, faz emocionante discurso na Inauguração da Escola Estadual do Pontal, localizada na Fazenda do Pontal, 2º Distrito de Angra dos Reis, inicialmente com a abertura de matrícula para sessenta crianças.
  • A 1º de junho de 1945, após execução do Hino Nacional e estrondoso foguetório, na presença do Interventor Amaral Peixoto e grande comitiva, Prefeito Paula Lobo, Juiz de Direito Ary Fontenelle, Comandante e Vice Comandante da Escola Batista da Neves, autoridades federais, estaduais e municipais, líderes comunitários e de centenas de estudantes, pronuncia o primeiro e marcante Discurso, de ampla repercussão, no Grupo Escolar Lopes Trovão, durante a cerimônia de sua inauguração. Discorreu sobre o significado da unidade e a importância da Educação Pública para a cidade e Região, abrindo as comemorações de inauguração da então “maior escola do Extremo Sul Fluminense”. Na edição da Folha de Angra, três dias depois, o Professor Jair Travassos, futuro fundador e diretor do Ginásio Angrense, saudou a obra como “O Palácio da Instrução”, e chamou Câmara Torres de “O Pestalozzi do Sul Fluminense”.
  • A Educação Pública na Terra de Lopes Trovão. História, Política, Educação, Desenvolvimento, Civismo, Cidadania. A 23 de maio de 1947, o Técnico de Educação e Chefe da Inspetoria da 1ª Região Escolar, Doutor José Augusto da Câmara Torres, fez um histórico Discurso de recepção ao Governador Edmundo de Macedo Soares e Silva, na sua visita ao Grupo Escolar Lopes Trovão. Presentes ainda: Secretários de Estado, o Prefeito de Angra dos Reis, membros da Família de Lopes Trovão, autoridades civis, militares, religiosas, professores, estudantes e povo. No ano que precedia o Centenário do “grande publicista da História Política do Brasil, Câmara Torres traçou um belíssimo retrato da “maior tribuna política, escrita e falada da pregação anterior a 89 (...) um idealista puro que transformava multidões fascinadas em ponderáveis fatores de vitória”. Uma empolgante e emocionada oração “do maior dos gipoianos” e o seu protagonismo na Luta Republicana, na História do Brasil. O Governador, antes de desembarcar na cidade de Angra dos Reis, visitou a casa da fazenda da Família de Lopes Trovão, na Ilha da Gipóia, exatamente no dia em que se completavam 99 anos e 2 meses de nascimento do ilustre republicano, descerrou uma placa comemorativa do Centenário do ilustre angrense às vésperas da Efeméride e inaugurou uma ampla e moderna escola para atender à infância da ilha, planejada e construída por Câmara Torres, em terras da Família de Lopes Trovão. Em seguida, esteve na Escola Almirante Batista das Neves (Escola de Grumetes) e, dali, foi participar de um churrasco no Distrito de Monsuaba, onde, antes, inaugurou a Ponte Raul Pompeia e assistiu a um grande desfile militar-escolar.


Escola da Ilha da Gipóia, planejada e solicitada, em 1945, por Câmara Torres
ao Governo do Estado,  que a construiu sob o acompanhamento do Técnico
de Educação. Este a equipou e designou professoras para que ela funcionasse
no ano seguinte. Ficava "a dez passos da casa onde nasceu o maior tribuno
da nossa história política" - escreveu o Doutor José no verso desta foto.
Dois anos depois, foi, oficialmente, inaugurada pelo Governador Macedo Soares,
e, nela, fixada uma placa de bronze alusiva ao centenário de Trovão,
que seria celebrado em 1948. A escola ficava nas terras da fazenda, que pertenceu
aos pais do ilustre angrense, que, bem antes de falecer em 1925,
dividiu-a em onze glebas, doadas por ele: uma para seus primos e dez para moradores,
pescadores e lavradores, da Ilha. Na década de 1950, Câmara Torres obteve
do Governo do Estado  o tombamento da casa onde Trovão nasceu.
Infelizmente, a incúria e a irresponsabilidade sociopolítica e cultural
dos sucessivos governos, aliadas ao turismo devastador, criminoso, não preservaram
nem a casa do republicano, nem a escola que exibia a placa alusiva ao seu centenário.
Hoje, em 2020, nem ruínas restam dos dois prédios.
(Acervo Marcelo Câmara)
  • Em setembro de 1947, pronuncia impactante Discurso, perante o Governador Edmundo de Macedo Soares e Silva, numa escola típica rural de Paraty, quando apresentou o quadro da realidade educacional do Município, a revolução que estava promovendo, as dificuldades que encontrou desde que chegou à Região cinco anos antes e que futuro, professores e governos, poderiam, juntos, construir. O Governador fazia uma viagem de reconhecimento e inspeção a Paraty, seus problemas e o estudo das soluções, especialmente nas áreas das Comunicações, da Saúde, Pesca, Agricultura e da Educação. Neste setor, visitou as obras de construção do Grupo Escolar Samuel Costa, na sede do Município, que seria inaugurado dois anos depois, em 1949.
  • A Criança, a Educação e a Pátria. Educação, Cultura, Política, Sociologia, Antropologia, Saúde Pública. A 22 de outubro de 1947, em Angra dos Reis, no Grupo Escolar Lopes Trovão, faz brilhante discurso, pela síntese e conteúdo, dirigido aos professores e alunos, por ocasião da Semana da Criança, evento que promovia, a cada ano, em todas as escolas da 1ª Região Escolar. Oração pedagógica em defesa das crianças brasileiras, especialmente das desvalidas, sem alimentação, sem saúde, sem escola, sem futuro; contra o alto índice de mortalidade infantil, quando desapareciam cento e cinquenta em cada um mil nascidas, antes de completarem um ano de idade. Condena os flagelos da miséria, da doença e da ignorância. Distingue “a pobreza limpa e inteligente” da “pobreza miserável e ignorante”. Assevera: “A Pátria é o berço da criança; a criança é a Pátria nos berços”. Faz veemente crítica às políticas públicas, ausentes e insuficientes, e brada pela salvação da criança, a educação das mães antes do parto, as orientações de higiene, nutrição, puericultura, de saúde integral, a educação infantil (pré-primária) e primária, que cabem ao Estado. Destaca o papel múltiplo e indispensável do professor na sociedade, que “não deve ser apenas um alfabetizador, um agente de ensino do alfabeto, da escrita, da leitura”, mas um educador pela redenção da criança brasileira.
  • Discurso em comemoração ao Dia do Marinheiro, na Escola Almirante Batista das Neves, em Angra dos Reis, em dezembro de 1947.
  • A 21 de abril de 1948, fez o discurso, em nome dos advogados da Comarca, na Homenagem ao Juiz de Direito de Angra dos Reis, Ary Penna Fontenelle, prestada por seus amigos e admiradores.
  • Discurso de Inauguração do Grupo Escolar Fagundes Varela, na Cidade de Rio Claro, a 19 de junho de 1948, na condição de Técnico de Educação e Chefe da Inspetoria da 1ª Região Escolar, presentes o Governador Edmundo de Macedo Soares e Silva, autoridades estaduais e municipais, professores, alunos e povo em geral. A unidade foi solicitada ao Governo do Estado e planejada por Câmara Torres, e sua construção teve a sua administração e acompanhamento.

Na inauguração do Grupo Escolar Fagundes Varela, de Rio Claro,
em junho de 1948,  o jovem e revolucionário Câmara Torres,
Chefe da Inspetoria da 1ª Região, caminha, de terno cinza, na extrema esquerda
da Comitiva do Governador Macedo Soares que vai à frente, ao centro.
(Acervo Marcelo Câmara)
  • A 19 de julho de 1948, Câmara Torres promoveu e fez a Apresentação da Noite de Arte, em benefício da Caixa Escolar de Angra dos Reis, da “consagrada soprano dramático Guiomar Franco”, interpretando peças eruditas e populares (brasileiras italianas, francesas e trechos líricos), acompanhada pelo piano da própria cantora, no Grupo Escolar Lopes Trovão, com a participação da Professora Jacíra de Castro, que declamou poemas de Olegário Mariano.
  • Na manhã de 17 de novembro de 1948, em Muriqui, Discurso de Saudação ao Governador Cel. Edmundo de Macedo Soares e Silva e comitiva, em nome do Prefeito Vitor Breves, ao visitar, oficialmente, Mangaratiba. Educação e Política.
  • O Escotismo, a Educação e a República. Discurso pronunciado em Angra dos Reis no segundo aniversário da Associação dos Escoteiros do Mar Almirante Brasil, daquele Município, no 102º ano de nascimento do gipoiano Lopes Trovão, a 23 de maio de 1949.
  • A 18 de novembro de 1949, pronuncia primoroso Discurso na Inauguração do Grupo Escolar Samuel Costa, em Paraty, diante do Governador Macedo Soares, autoridades estaduais e municipais, professores, estudantes e povo, traçando o primeiro perfil biográfico do ilustre paratyense, cujo nome foi dado por ele à nova unidade.
  • A 24 de janeiro de 1953, o Doutor e Professor José Augusto da Câmara Torres pronuncia uma erudita e sábia Oração de Paraninfo da primeira turma da Escola Normal do Ginásio Angrense, com brilhantes interpretações e lições de Filosofia, Pedagogia, Psicologia, bem como sobre a vocação, a arte e o ofício do Magistério, eternizada nos olhos, nas mentes e nos corações daquelas jovens formandas e do público, dos que tiveram o privilégio de ouvir aquela evocação à nobre missão de ensinar e educar.
  • Discurso principal na solenidade de inauguração do novo edifício do Grupo Escolar Cel. Moreira da Silva, no Centro da Cidade de Mangaratiba, diante do Governador Amaral Peixoto, autoridades estaduais e municipais, professorado, estudantes e povo em geral, comemorando o 122º aniversário da independência política do Município, a 11 de novembro de 1953.
Após servir ao Departamento de Ensino Médio da Secretaria de Educação e Cultura do Estado do Rio de Janeiro, no final de 1954 e início do ano seguinte, licenciou-se como Técnico de Educação, de 1955 a 1962, no cumprimento de dois mandatos de Deputado Estadual à Assembleia Legislativa. Em novembro de 1962, o Professor e Técnico de Educação, José Augusto da Câmara Torres, servidor concursado e efetivo da Secretaria de Educação e Cultura do Estado do Rio de Janeiro, foi nomeado Consultor Técnico de Educação. De 1962 a 1966, cumulativamente ao trabalho de Deputado, foi Membro do Conselho Estadual de Educação. A 30 de março de 1967, após 25 anos de exercício como Servidor Público, é aposentado como Consultor Técnico de Educação do Estado do Rio de Janeiro.
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O que pensava o Educador e Político José Augusto da CÂMARA TORRES:

Somente pelo Ensino Público básico, sólido, de qualidade, universal e gratuito, eficiente e eficaz, com professoras bem formadas e bem remuneradas, utilizando pedagogia e didática adequadas, em escolas próprias, funcionalmente construídas e bem equipadas, é que toda esta Região – Angra dos Reis, Paraty, Rio Claro e Mangaratiba – poderá se libertar, sair das trevas do analfabetismo, do isolamento, da doença, da pobreza e do atraso, se integrar definitivamente ao Estado do Rio de Janeiro e aspirar ao desenvolvimento socioeconômico e cultural. Para isto é preciso idealismo, estudo, trabalho, dedicação, união e solidariedade, humildade e coragem para criar, mudar e construir. É o que peço e espero de todos desta terra, que me ajudem nessa missão.”
(1942)

“Cada escola, urbana e rural, é um núcleo de convergência de causas e interesses da infância, dos jovens, das famílias. Cada grade curricular, cada disciplina, deve respeitar e compreender os valores e a história de cada um, o lugar onde está a Escola, se adaptar à Cultura onde ela vive. A Família e o Lar, a Escola e a Sociedade, forjam e reproduzem a Cultura. A Escola deve funcionar como um centro de ideias, de saberes, de debates, de convivência da criança e da comunidade. Na escola, o aluno cresce em saber, aprende sobre a vida e o mundo, forma a personalidade e o caráter, evolui como ser humano, indivíduo social e político, orgulhoso da sua origem, das suas tradições. Avista o futuro. A boa e verdadeira escola tem a finalidade de instruir e formar, educar plenamente, para que as crianças e jovens se tornem cidadãs e cidadãos, retos, honrados, dignos, livres para viver vocações, fazer e dirigir os seus próprios destinos, iluminar e trilhar caminhos. E conquistar, pelo mérito, os prêmios do Estudo, do Amor e do Trabalho.”
(1954)

“O Professor não é apenas um profissional que ensina, o agente da instrução, um veículo transmissor de conhecimentos, um informante. O trabalho do professor é libertário, emancipador, agregador. É mais que um serviço: é uma missão civilizatória, fecunda, eterna, edificante, na vida de cada um de nós. E, por causa disto, a Sociedade e o Estado devem valorizar, ao máximo, o trabalho do Professor. A ele devem ser dadas as melhores condições e instrumentos para atuar e se aperfeiçoar, liberdade para pensar, agir e ensinar, ser, dignamente, respeitado e recompensado, com justiça, pelas suas jornadas de fé, doação, trabalho e luta.”
(1968)

A Educação liberta e salva. Além de introduzir a criança na civilização letrada, é a Escola, junto com o Lar e a Família, que orienta e ajuda a desenvolvê-la, social e culturalmente, estimulando a sua inteligência e criatividade, provocando o seu olhar e o seu senso crítico, diante da vida e do mundo. Na Escola, a criança começa a se socializar e ingressa, ainda, no mundo do lúdico, do brincar, do exercício físico e do esporte, atividades vitais para toda a sua vida. A Escola oferece e explica até a idade adulta, os valores e categorias fundamentais da Ética, da Vida Social, da Política, da Cultura, em todas as suas dimensões, formas e realidades. E será na Escola e com a Escola, que o Homem conhecerá o respeito humano que engrandece, a amizade que anima, a solidariedade que soma, a fraternidade que individualiza, distingue e fortalece. Será a Escola que despertará vocações, realizando-as no trabalho, na sociedade e na vida, e formará, da alfabetização à universidade, mulheres e homens sadios, educados na sabedoria, na liberdade, na democracia e na justiça.”
(1980)

Minha vida foi toda tecida no estudo, no trabalho, na solidariedade, no serviço. No serviço ao outro, aos outros, a tantos, pessoas e comunidades, que me pediram a mão, uma palavra, uma atenção, uma atitude, uma obra, nos meus limites de pessoa imperfeita, falível. Fossem eles – comunidades ou indivíduos – amigos, adversários, companheiros, desconhecidos. O sentido que tomei na existência foi o de criar, contribuir e construir. É certo que errei, perdi batalhas, pequei. Pouco fiz para mim, é verdade. Deveria ter dado mais aos meus, à minha família – criticam alguns. Porém, durante o tempo que representava e assistia uma coletividade ou quando ajudava alguém que de mim necessitasse – sempre acreditei, e acredito, – que estava fazendo também aos meus filhos e netos, elevando-os, dignificando-os. Não amealhei nem deixarei riqueza. Mas, certamente, um legado de honradez, honestidade, de coerência e lutas, será recebido pelos que sobrevivam a este modesto e frágil filho de Deus, que buscou apenas o Bem e o Justo.”
(1997)
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SOBRE O EDUCADOR CÂMARA TORRES

ALGUNS REGISTROS

O Pestalozzi do Sul Fluminense
Jair Travassos, em 1945
Professor, fundador, com Câmara Torres, do Ginásio Angrense e da Escola Normal Everardo Bakenhauser, diretor dessas duas instituições, e Professor do Colégio Naval, todas unidades de ensino em Angra dos Reis.

O Anísio Teixeira do Extremo Sul Fluminense
Darcy Ribeiro, em 1991
Sociólogo, professor universitário, educador, Senador da República, durante o trabalho de elaboração da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, assessorado pelo Consultor Legislativo do Senado Federal, Marcelo Câmara, em Brasília, DF.

Aqui, (no Estado do Rio de Janeiro) se devotou à causa da educação, que tanto lhe deve pela competência, pela seriedade, pelo idealismo. E intelectual de fecunda sensibilidade. Como político, prestou relevantíssimos serviços à região de Angra dos Reis, Paraty, Rio Claro e Mangaratiba: é exemplo de honradez, trabalho e lealdade."
Paulo de Almeida Campos, em 1987
Pedagogo, professor universitário e Técnico de Educação, membro destacado da equipe de Darcy Ribeiro no Ministério da Educação e Cultura e na criação e, depois, na Reitoria, da Fundação Universidade de Brasília – UnB

De formação religiosa, e digno, inteligente e trabalhador. Cedo voltou-se para o estudo do maior dos nossos problemas – a Educação Popular – convencido de que é daqui que parte a solução para todos os outros. No Sui Fluminense exerceu, com uma probidade exemplar e notável proficiência, as funções de Técnico de Educação.
Rubens Falcão em 1987
Técnico de Educacão, pedagogo, crítico literário, folclorista, escritor, Executivo e Secretario Estadual de Educação e Cultura do RJ em três sucessivos governos estaduais.

"Poucos fluminenses podem apresentar tantos e tâo bons servlços à sua terra quanta o potiguar José Augusto da Camara Torres. Fez-se professor e advogado, exercendo as duas profissões com zelo, probidade e eficiência. Ao Magistério, entretanto, serviu com idealismo incomum. No Sul do Estado, melhorou o nível de ensino primário, implantou o ensino secundario, e de formação profissional de professoras em articulacão com a iniciativa particular, visando tão –somente ao progresso da região. Desempenhou mandatos de deputado com operosidade, modestia e, sobretudo, estreito relacionamento com seu eleitorado. Aproveitou-os para ampliar as oportunidades de ensino na região em que iniciara a sua carreira. Quando se escrever a Historia da Educacão no Estado, Câmara Torres e a sua Tudinha, companheira laboriosa de todos os empreendimentos e todos os segundos, não serão nela uma simples referência; fazem jus a um rico capítulo à parte.
Renato Barbosa Fernandes, em 1987
Pedagogo, professor universitário, Técnico de Educação.

"O Doutor Câmara Torres foi a luz na Educação dos angrenses, possibilitando a existência de uma comunidade angrense."
José Luiz Ribeiro Reseck, em 1987
Engenheiro Civil, ex-Prefeito Municipal de Angra dos Reis, RJ.

"Câmara Torres é um brilhante educador, solidário e amigo. Sua peregrinação alcançou fatos positivos para o Sul Fluminense e Paraty o tem como um dos seus maiores e incansáveis missionários pelo bem social"
Edson Dídimo Lacerda, em 1987
Empresário, ex-Prefeito Municipal de Paraty, RJ, por três mandatos.

"O Doutor Câmara Torres foi um Educador, um Homem Público, a quem Rio Claro muito deve em todas as áreas da vida do Município, especialmente na Educação. A partir da década de 1940, como Técnico de Educação, mudou mentalidades, nos ensinou  a aprender e a pensar criticamente, com os olhos no futuro. Indicou os nossos caminhos. Construiu, equipou e modernizou toda a rede pública de Ensino Básico do Município e criou os cursos de nível médio. Enquanto foi Chefe da Inspetoria da 1ª Região Escolar, não havia localidade sem escola, nem escola sem professora, sem aulas. Depois, como nosso representante na Assembleia Legislativa, por quatro mandatos sucessivos, continuou a ser "o deputado da Educação", do Ensino Público de qualidade, universal e gratuito. Um Educador e um Político, cujo cotidiano era trabalhar, trabalhar e servir. Sempre. Com correção e lealdade."
Sidney Panaino, em 2020
Servidor Público, aposentado. Exerceu seis mandatos à Câmara Municipal de Rio Claro, RJ.







Emil de Castro, em 2020
Professor, jornalista, poeta, historiador, ex-Prefeito de Mangaratiba.

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No setor da Educação,
entre os amigos e interlocutores do Consultor Técnico de Educação,
Doutor e Professor José Augusto da Câmara Torres,
estavam (por ordem alfabética):


Jair Natalino Espindola Travassos, professor e pedagogo, lecionou no Colégio Naval,
de Angra dos Reis e, com Câmara Torres,  criou os Cursos Ginasial e Normal (de Formação
de Professores) no Município. Ele foi um dos maiores amigos
e um dos principais interlocutores do Consultor Técnico de Educação.
(Acervo Marcelo Câmara)
Aldo Muylaert, Amaury Pereira Muniz, Antônio de Barros Neto; Antônio José Novaes Jordão, Dayl de Almeida; Durval Baptista Fernandes; Emil de Castro; Fernanda Barcelos; Francisco Portugal Neves; Hélio da Rocha Pitta, Ismael de Lima Coutinho; Jacy Montenegro Magalhães; Jair Natalino Espindola Travassos; José Antônio Maia Vinagre; José Edson Pereira, Luís da Câmara Cascudo; Luiz Gonzaga Malheiros; Margarida Thompson; Mário Moura Brasil do Amaral; Odovaldo Vasques; Paulo de Almeida Campos; Pe. Antônio Lages; Pe. Emílio Miotti; Raul Stein de Almeida; Renato Barbosa Fernandes; Rubens Falcão; Silvio de Castro Galindo; Violeta Campofiorito Saldanha da Gama – entre outros.
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