quarta-feira, 5 de agosto de 2020

O HOMEM E O SEU TEMPO - DE 1917 A 1956


CENTENÁRIO DE CÂMARA TORRES
1917-2017
José Augusto da Câmara Torres
(* Caicó, RN, 1917 – † Niterói, RJ, 2017)
Jornalista, Educador, Advogado, Político
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O HOMEM E O SEU TEMPO
DE 1917 A 1956



O PERCURSO EXISTENCIAL DE
JOSÉ AUGUSTO DA CÂMARA TORRES
DE JUNHO DE 1917
A OUTUBRO DE 1956


REGISTROS


ALGUNS ATOS E FATOS
 DE 1917 A 1956


  • Às 21h de uma sexta-feira, dia 22 de junho em 1917, Dia dos Santos ingleses John Fischer e Thomas More, na cidade de Caicó, RN, nasce, em casa, José Augusto, o mais velho dos três filhos do Senhor Torres que sobreviveram aos nove partos de Dona Liquinha. O nome escolhido é uma homenagem ao Doutor José Augusto Bezerra de Medeiros, na época ex-deputado estadual, deputado federal, depois senador e governador do Estado. Advogado, professor, chefe de polícia do Estado, magistrado, Bezerra de Medeiros exerceu sete mandatos de deputado federal pelo Rio Grande do Norte. Faleceram dias ou semanas após o parto: Denize e Dalvanira I, gêmeas (nascidas em 1916), Marconi I (nascido em 1919), Joana D’Arc (1920), Morse (1923), Ignez (1925).
  • A 26.6.1918, nasce, em Caicó, RN, Dalvanira, única irmã de José Augusto.
  • A 20.4.1921, falece em Angicos, RN, o seu avô paterno, Vicente José Ferreira da Costa Torres. (A sua avó paterna, Januária Francisca da Costa Torres, nascida em 1869, havia falecido doze anos antes, em 29 de junho de 1908.)
  • A 16.3.1922, nasce Marconi, o único irmão.
  • A 1º.3.1926, ingressa no Grupo Escolar Senador Guerra, de Caicó, como aluno do 1º ano do Curso Elementar.
  • A 1º.2.1930, entra no 1º ano do Curso Complementar do Grupo Escolar Senador Guerra.
  • A 3.5.1930, profere o primeiro discurso público, aos professores e alunos da sua escola em Caicó, sobre a polêmica da data do Descobrimento do Brasil e o “Dia da Natureza”.
  • Às 13h30m do dia 4.10.1930, “sabe-se da Revolução em Caicó”, anota José Augusto em seu diário.
  • Em maio de 1931, funda e passa a dirigir O Ideal da Juventude, “jornal mensal, literário e noticioso, ‘órgão dos interesses do Grupo Escolar Senador Guerra’, dirigido ao povo de Caicó”, onde o menino também assina editoriais, artigos e reportagens.
  • Na edição de 27.12.1931 do diário carioca O Jornal, o nome José Augusto da Câmara Torres é publicado como um dos vencedores do Concurso de Natal.
  • A 6.2.1932, José Antunes Torres e seu filho, José Augusto Torres chegam a Natal. A 19, o menino, com quatorze anos, ingressa, brilhantemente, aprovado em Exame de Admissão, no 1º ano ginasial do tradicional Colégio Santo Antônio, dos Irmãos Maristas.
  • Em 1933, a Família transfere-se para Niterói, RJ, desembarcando no Cais do Rio de Janeiro, no Armazém Cinco. José Augusto ingressa, aos 15 anos, na 2ª série Ginasial do Colégio Salesiano Santa Rosa, quando conhece e se torna amigo pela vida inteira (“irmão xifópago”) de Dayl do Carmo Guimarães de Almeida.
  • Entre 14 e 17 de setembro, José Augusto, aos dezesseis anos assiste no Cine-Theatro Imperial, na Rua Visconde do Rio Branco, em Niterói, o clássico A múmia, com Boris Karloff, Zita Johann e David Manners. 
  • Nos anos de 1933 e 1940, o Professor Joaquim Coutinho e a Professora Leonor Cavalcanti, primeiros mestres de José Augusto, de Caicó, se corresponderam intensamente com o jovem, agora morador de Niterói.
  • A 24.4.1934, José Augusto telegrafa ao Deputado Federal João Guimarães, que aniversariava no dia seguinte. Natural de Campos, RJ, militante niilista, Guimarães integrou a Aliança Liberal, que lançara Getúlio Vargas à Presidência da República. Com a Revolução de 1930, foi dos fundadores do Partido Popular Radical – PPR do Rio de Janeiro, agremiação pela qual fora eleito, em novembro de 1933, Deputado à Assembleia Nacional Constituinte, assumindo em maio de 1934.
  • Em julho de 1934, José Augusto escreve para o Desfile da Raça, um longo e bem elaborado panfleto cívico-ideológico e romântico, evocativo a Deus, à Pátria e à Família, sintetizando a ideologia e o programa integralista, quando milhares de camisas verdes marcharam em Niterói. O panfleto era adaptado às realidades de Niterói e fluminense. Repetiu o sentido e objetivos do evento que ocorrera em maio no Rio de Janeiro, realizado também em outras capitais e cidades brasileiras, alguns com conflitos. O mais grave ocorreu em São Paulo, com tiros e feridos. Não se tem notícia se o texto de cinco páginas de José Augusto foi distribuído.
  • Na manhã de 7.9.1934, houve uma Solene Comemoração ao 112º aniversário da Independência do Brasil no Colégio Salesiano Santa Rosa, em Niterói. No Auditório do Colégio, o aluno do 3º ano ginasial, José Augusto Torres, representando o Corpo Discente, foi escolhido para ler a sua dissertação sobre a efeméride, após a alocução do Prof. Francisco Portugal Neves.
  • A 7.10.1934, funda, com os irmãos Dayl do Carmo e Lyad Sebastião Guimarães de Almeida, a Academia São Francisco de Sales – A.S.F.S., instituição cultural, formada por jovens da Congregação Mariana de Nossa Senhora Auxiliadora e Dom Bosco, que viria a movimentar intensamente a vida estudantil com vasta e plural atividade artística e científica, que ultrapassaria os muros do Colégio, atingindo as cidades de Niterói e Rio de Janeiro. Naquele mesmo dia, a Academia é inaugurada e instalada no Salão de Atos do Colégio Salesiano Santa Rosa, com discurso inaugural de José Augusto, eleito o primeiro Presidente da entidade, que redige o Regulamento (Estatutos) da entidade. Este é discutido a 4 de novembro e aprovado a 16 de dezembro. Dayl é o Secretário; o Orador, Eduardo Sodré; e o Tesoureiro, Décio Afonso. Hora de Arte com Literatura, Música e Poesia, por membros da Academia e convidados. Alberto Fortuna (futuro artista popular Albertinho Fortuna) canta com seu acordeão. A Academia, “braço cultural da Congregação Mariana”, era também conhecida como seu “Departamento Literário”.
  • Na noite de 17.11.1934, no Salão de Atos do Colégio Salesiano Santa Rosa, de Niterói, RJ, o aluno José Augusto Torres, do 3º ano ginasial, fez o “discurso oficial” na “Homenagem de Apreço do Curso Ginasial Externo ao Egrégio Professor Francisco Portugal Neves”. A cerimônia contou com orquestra que inaugurou o programa, acompanhou o aluno do 2º ano, Alberto Fortuna (futuro cantor Albertinho Fortuna, astro do rádio e do disco), apresentou números populares e encerrou a cerimônia com o Hino Nacional. O leader do movimento que resultou na homenagem, o colega e amigo de José Augusto, Dayl de Almeida, também se pronunciou. Artur Torres executou número ao piano. José Augusto também foi designado para entregar “um mimo” ao homenageado.
  • Na noite de 9.12.1934, na “Solene Encerramento do ano letivo e distribuição de prêmios aos alunos Externos do Curso Primário e Secundário”, José Augusto discursou em nome dos estudantes, apresentando as “Despedidas” dos Concluintes daquele ano. O discurso ocorreu durante o cumprimento de um longo programa de arte com apresentações: de orquestra; do aluno-cantor Alberto Fortuna; de “O pintor malogrado, entremez lírico por um grupo de alunos externos”; “Miscellanea Collegial – scena lyrica em 6 quadros”; e Marcha final pela orquestra.
  • A 16.12.1934, preside e abre a Sessão Solene da A.S.F.S em Homenagem a N. Sa. da Conceição, no Salão de Atos do Colégio. É lido e aprovado o Regulamento da Academia. No programa, música, discursos, palestras sobre Literatura, Folclore e Música Popular Brasileira.
  • Em 1935, de fevereiro a outubro, a A.S.F.S. foi presidida interinamente pelo congregado Mario Gomes da Silva, quando neste último mês, José Augusto voltou a presidi-la. A 20 de novembro foi pedida uma revisão dos Estatutos. A 15 de dezembro, reuniu-se a Comissão Revisora. A 8 de fevereiro de 1936, aprovados os Estatutos revistos, ele entrou em vigor.
  • A 24.2.1935, participa da Festa de São Francisco de Sales, Padroeiro da Congregação Salesiana, no Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora, em Niterói. A extensa programação inicia-se às 7 horas: missas, música sacra, canto gregoriano, canto coral, procissão no Santuário e inauguração de lampadários em frente ao templo. À noite, Sessão Solene da A.S.F.S, com posse da nova Diretoria, presença do Bispo de Niterói, personalidades religiosas, apresentação de orquestra que apresenta o Hino Pontifício, Verdi, Suppé, A. Boieldieu, Rossini, Donizetti e, também, recital de Poesia. Antes da Marcha Finala fala de José Augusto da Câmara Torres, encerrando as solenidades.
  • Na edição de 31.6.1935 da Revista Tico´Tico, do Rio de Janeiro, o jovem José Augusto da Câmara Torres aparece como um dos vencedores nos concursos de palavras cruzadas, charadas e de conhecimentos gerais da Revista.
  • No início de outubro de 1935, José Augusto é um dos signatários entre mais de duzentos cidadãos, de eloquente telegrama da Coligação Radical-Socialista Republicana, que parte de Campos, aos Deputados Constituintes estaduais, Anthero Manhães e Arnaldo Tavares, este Presidente da Assembleia. Dizia a abertura da mensagem: “No momento em que os bravos vinte e três constituintes da Coligação Radical-Socialista Republicana selam com o sangue generoso do companheiro estoico um compromisso de honra, em torno do nome glorioso do Governador Protógenes Guimarães, para a defesa das tradições de civismo do rincão fluminense, a terra de Nilo Peçanha reafirma sua solidariedade e manda aplausos aos correligionários e aos grandes chefes da coligação”.
  • Na noite de 5.10.1935, José Augusto preside a Sessão Solene da A.S.F.S. Na primeira parte, toma posse a nova Diretoria da entidade e o Pe. Emilio Miotti é recepcionado como Membro Honorário e passa a ocupar a Cadeira de Santo Agostinho. Dayl de Almeida saúda o novo integrante da Academia. Na segunda parte da Sessão, apresentação de boa Música: Pagano, Verdi e Moskowski. E récita de Poesia. O Hino das Congregações Marianas encerrou a noite.
  • Em 1935 e 1936, em duas Sessões Ordinárias da A.S.F.S., realizaram-se duas discussões de teses, então de alta relevânciaItália e Abissínia e Monarquia e República. Na primeira, Wilton Gomes venceu Dayl de Almeida; na segunda, Dayl superou Artur Torres.
  • A 31.1.1936, José Augusto deixa de escrever o seu Diário (supostamente destruídos) e opta por escrever longas memórias, no último dia de cada ano ou nos primeiros dias do ano seguinte. O balanço da vida do jovem estudante, dos seus convívios, amizades, estudos, amores, alegrias, desafios, dores, conquistas, tristezas, derrotas, medos, ansiedades, ideais, perspectivas profissionais passam a ser registrados anualmente. Assim, além das Memórias de 1936, José Augusto registra as de 1937 e 1938.
  • De 3 a 13.1.1936, José Augusto está passeando em Nova Friburgo, com o amigo Oton Barros.
  • De 9 a 11.2,1936, José Augusto participa do Congresso Universitário em São João Del Rey, MG.
  • Na noite de 19.4.1936, no Salão de Atos do Colégio Salesiano Santa Roas, a A.S.F.S realiza Sessão Solene de Recepção ao Prof. Dr. Antonio da Silva Mendes, que passa a ocupar a Cadeira nº 1 do grupo denominado Grandes Vultos da Latinidade, da 2ª classe dos Sócios Honorários, que tinha como Patrono Luiz de Camões, “o imortal cantor dos Luziadas”. O Programa foi assim percorrido: Hino das Congregações Marianas; Abertura pelo Presidente da Academia, José Augusto Torres; Saudação ao empossado pelo acadêmico Dayl de Almeida. Seguiu-se muita Arte: peças de Schubert e Toselli; poema de Eça de Queiroz. Depois, Elogio a Luiz de Camões, pelo Prof. Antonio da Silva Mendes; Hino Português, palavras do Pe. Dr. Orlando Chaves e, finalizando, o Hino Nacional.
  • A 17.3.1936, “José Augusto Torres”, aos dezenove anos, comparece à sede do Diário de Notícias, na Rua Buenos Aires, 151, no centro do Rio, para resgatar cupons que davam direito a brindes por participar da enquete para escolha do “Melhor film da temporada de 1935, promovido pelo jornal e pelo programa Cine-Rádio-Jornal, de Celestino Silveira, da Rádio Philips do Brasil. Favela dos meus amores, de Humberto Mauro, foi uma das produções mais votadas e parece ter sido a escolha de José Augusto. Quatrocentos leitores foram contemplados: os homens com um “sabonete Eucalol” e as mulheres com “uma caixinha de pó de arroz Royal Briar”.
  • Na noite de 5.6.1936, o terceiro aniversário de Espumas, fundado por José Augusto, era comemorado com um sarau na residência do Professor Raul Stein, pai de Dayl. À época, quinzenário, a direção do jornal era dividida entre José Augusto e Dayl.
  • Na noite de 28.11.1936 o Bacharel José Augusto fez um pungente discurso denominado Adeus! no encerramento do ano letivo, do Colégio Salesiano Santa Rosa, quando ele também encerrava a sua vida como aluno no estabelecimento. Falou em nome de todos os formandos. Houve distribuição de prêmios (Menções Honrosas, Medalhas), palavras do Pe. Diretor, apresentação cênica da revista Os soldadinhos e da Orquestra de Amigos do Colégio.
  • A 13.12.1936, preside a Festa de Segundo Aniversário Congregação Mariana de Nossa Senhora Auxiliadora e São João Bosco. Pela manhã, missa, comunhão geral, posse da nova Diretoria no Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora. À noite, no Salão de Atos do Colégio Salesiano Santa Rosa, após a Recepção de Congregados e Aspirantes, Sessão Solene da A.S.F.S. para a posse do Pe. Antonio Lages como Membro Honorário na Cadeira de São Gregório Magno. José Augusto o saúda e o Pe. Lages faz o elogio ao Patrono da Cadeira. Lido Relatório dos Trabalhos da Congregação no exercício que se encerra. Cumpre-se variado programa de Arte: Canto Lírico, Pescador de Pérolas, de Biset; piano e flauta de trecho de O Guarani, de Carlos Gomes; piano a quatro mãos de Radieuse, Grande Valsa, do Concerto de Gottschalk; declamação de poemas e encerramento com o Hino Nacional.
  • No final de 1936, recebe, do Instituto Catholico de Estudos Superiores, fundado por Alceu de Amoroso Lima, sediado no Rio de Janeiro, Certificado do Curso de Sociologia. Naquele ano letivo, a Direção do Instituto estava a cargo de Sobral Pinto e o seu professor foi Magalhães Bastos.
  • Em 1936, com 19 anos, conclui o quinto e último ano Ginasial, do Colégio Salesiano Santa Rosa.
  • Na Festa de Formatura dos Bacharelandos de 1936, foi o Orador do Banquete no Colégio Salesiano, em homenagem ao Paraninfo da “Turma do José Augusto e do Dayl”, Gustavo Barroso, na época, um dos mais importantes intelectuais do País, na presença do historiador. A escolha e a efetivação de Barroso como Paraninfo foi uma conquista de José Augusto, como ele mesmo confessa para si em suas “Memórias Íntimas”, pois foi ele que a idealizou, contatou e convidou, pessoalmente, em nome dos formandos, o escritor.
  • José Augusto registra em sua “Memória de 1936”, escrita em 31 de dezembro daquele ano em Caicó: em dezembro de 1936, após muitos preparativos, autorizações dos pais, do Colégio no qual se formara (contava 17 anos), ansiedades, entusiasmo, às 9h do dia 4 de dezembro, José Augusto embarca no navio-vapor Comandante Ripper, com destino a Natal. Era a sonhada “Viagem ao Nordeste”, como dizia, “após quatro anos de saudades”. No cais do Porto do Rio de Janeiro, emoção, lágrimas e os lenços brancos do pai, do irmão Marconi e de Dayl. Desembarca em Natal, RN, a 11, sendo recebido pela avó materna, permanecendo até 14 de dezembro, quando vai de trem a Baixa Verde (atual João Câmara), encontrar-se com familiares. No dia seguinte, volta a Natal e a 17, numa “sopa” (ônibus) segue para Caicó, “minha terra!”, vibra escrevendo nas “Memórias de 1936”. Chega às 17 horas, indo direto para a casa de Eulápio, amigo de infância. Visitas, palestras, passeios, os amigos, as amigas, os colegas do Grupo Escolar, emoções, saudades exterminadas. Reencontra Tudinha, o primeiro e único amor.
  • A 2.1.1937, José Augusto, aos dezenove anos, assiste, no Cine-Theatro Pax, em Ipanema, no Rio, com início às 18h, ao filme clássico e histórico da Paramount. Cleópatra, com Claudette Colbert, Warren William e Henry Wilcoxon
  • Nos anos 1937 e 1938, é aluno do Curso Pré-Jurídico do Liceu de Humanidades Nilo Peçanha, em Niterói, RJ.
  • Na “Memória de 1937“, escrita em Nova Friburgo, a 9 de fevereiro de 1938, confessa: “Na tarde de 12 de janeiro (de 1937), “a satisfação mais íntima que me podia surgir: Tudinha e eu nos compreendemos mutuamente, amorosamente. E os compromissos se trocaram. Era a voz sentimental da minha terra que falava. Era a minha primeira sensação amorosa da vida, conservada durante 7 anos, pela distância, que recebia o seu batismo de compreensão. Eu senti, nas meias palavras que ela me dizia, um destino. Ela também me compreendeu. Foi o dia da minha alforria. Completei, afinal, um dos objetivos da minha viagem: o objetivo.” – escreveu. Às 11h30m de 14 de janeiro de 1937, deixa Caicó, de automóvel, prometendo voltar em 1941, talvez 1939. Dias 15, 16 e 17 em Natal. Dia 18, segue para Baixa Verde. A 19, o casamento de Dalvanira, sua irmã. Dia 20, segue para Touros “uma ambição da minha vida. Havia um mistério que me chamava”, revela. De caminhão, chega a Boa-Cica, de onde vai a cavalo, por três léguas, até Touros, “terra onde papai e mamãe se conheceram... Tudo exerceu uma mística profunda em meu ser.”


Janeiro de 1937. Uma viagem sentimental de José Augusto.
No cavalo do tio, vai de Boa Cica, então Município de Angicos,
a Touros. Hoje Boa Cica é Distrito de Touros.

(Acervo Marcelo Câmara)


Muita alegria, encontro com tios, primos e primas, almoços, jantares, passeios. Lágrimas ao visitar o túmulo do seu bisavô, Francisco Antunes da Costa. Dia 26, parte para Ceará-Mirim. Dia 27, Angicos, “no seio amável da família”, onde permanece até 30, quando retorna a Natal. Dias 31, 1º, 2 e 3 de 1937, espera o navio para voltar ao Rio. À meia-noite do dia 3 para 4, o mesmo Comandante Ripper deixa o Porto de Natal. Domingo de Carnaval em Salvador, BA. Segunda e terça a bordo. Na quarta-feira de cinzas, entra na Baía da Guanabara.


  • A 1º.4.1937, inicia as aulas no 1º Ano do Curso Pré-Jurídico, do Liceu de Humanidades Nilo Peçanha, de Niterói, RJ.
  • A 3.4.1937 dá os primeiros cinco tiros no Serviço Militar (“Tiro de Guerra”), que presta no Colégio Salesiano Santa Rosa, sob as ordens do então 3º Sargento Auxiliar Instrutor, Ariovaldo de Souza Paiva. Os últimos tiros ocorrem a 18.8 do mesmo ano. Vinte e quatro anos depois, em 1961, o então Capitão Paiva seria o professor de Educação Física, até 1965, de Marcelo, filho de José Augusto, no mesmo Colégio.
  • A 11.4.1937, faz, na condição de Presidente da A.S.F.S., a “Alocução de Abertura” da Segunda Tertúlia da Festa de Inauguração da Sede Social da Congregação Mariana de N. S. Auxiliadora e S. J. Bosco. Pela manhã, Missa e Comunhão Pascal dos Congregados. À noite, a Segunda Tertúlia, quando a “Sala Dom Bosco” é inaugurada e o Pe. Dr. Orlando Chaves é recepcionado como Membro Honorário da Academia, ocupando a Cadeira de Santo Tomás de Aquino. Seguem-se: canto, a fala do Comandante Eulino Cardoso, Presidente da Federação Mariana do Rio de Janeiro, outros discursos e encerramento com o Hino Nacional.
  • A 1º.5.1937, José Augusto foi reeleito para mais um mandato como Presidente da A.S.F.S.
  • A 16.5.1937, realiza-se, no Colégio Salesiano Santa Rosa, a Festa da Saudade, com comunhão pascal dos ex-alunos salesianos. E é criada a União de Ex-Alunos de Dom Bosco do Colégio Santa Rosa. José Augusto é um dos fundadores da entidade e Conselheiro a primeira Diretoria eleita para o biênio 1937-8. Dia Festivo. Após a missa, lembranças do evento, almoço, fotografia do grupo, posse da nova diretoria, jogo de futebol entre alunos e ex-alunos. Encerrando-se o encontro, a Benção do Santíssimo Sacramento. É criado, também, o Boletim Ex-Alunos de Dom Bosco, Suplemento ao Boletim Salesiano, cujo primeiro número sai com a periodicidade bimensal: maio de junho de 1938. Marcada a Festa dos Ex-Alunos: 3 de outubro.
  • A 5.6.1937, é nomeado, interinamente, Secretário Municipal de Imprensa, do Núcleo Municipal de Niterói, da Ação Integralista Brasileira – A.I.B.
  • Na noite de sábado, 10.7.1937, preside e abre a “Sessão Solene de ALTA CULTURA dedicada aos Universitários e Ginasianos” de Niterói, na sede da Congregação Mariana N. Sa. Auxiliadora, quando o Prof. Dr. Antonio E. Latgé, Membro da Academia Fluminense de Letras, profere a conferência Monogenismo e Poligenismo. Após a conferência, a Escola Cantorum Cristo Rei, da Congregação, apresenta Salve Mundi Domina, prosa rimada famosa na Idade Média, extraída do Vol. 322, da Edição de Mone, da Biblioteca de Paris, França.
  • A 23.10.1937 é nomeado para exercer, em caráter definitivo, o cargo de Secretário Municipal de Imprensa, do Núcleo Municipal de Niterói, da Ação Integralista Brasileira –A.I.B.
  • No dia 14.11.1937, “Dia da Festa do Papa”, convidado pelo Pe. Orlando Chaves, Diretor do Colégio Salesiano Santa Rosa, José Augusto participa do “almoço íntimo” com o Núncio Apostólico do Vaticano no Brasil, na sede do Colégio.
  • A 20.11.1937, em Niterói, é expedido o seu Certificado de Reservista de 2ª Categoria, pela 1ª Região Militar, do Ministério da Guerra.
  • Na tarde de um domingo, 21.11.1937, José Augusto está presente à “Festa da Collação de Grau dos Bacharelandos” daquele ano, entre eles, o seu amigo Lyad Sebastião Guimarães de Almeida, irmão de Dayl, no Salão de Atos do Colégio Salesiano Santa Rosa. José Augusto fala na Sessão Solene em nome dos Bacharelandos de 1936.
  • A 1º.1.1938, José Augusto é reeleito para um quinto mandato como Presidente da A.S.F.S.
  • José Augusto revela em sua “Memória de 1938”, escrita em janeiro de 1939, em Niterói, que, em 1938, brinca Carnaval pela primeira vez na vida. Em Nova Friburgo, RJ. Integrou-se à legendária A Turma do Barulho, naquele ano, em dois eventos: das 13h às 18h  esteve na “grandiosa matinée dansante” (“as dansas impulsionadas por excelente conjunto”), no Bar Central, e a partir das 20h se esbaldou na “magnífica batalha de confeti na Praça 15 de novembro, em homenagem ao Sr. Prefeito”. A Turma do Barulho reunia todos os blocos carnavalescos de Nova Friburgo”. Mas ele estava na cidade não só para o Carnaval. De 6 de janeiro de 1938 a fins de fevereiro, ele fica em Nova Friburgo, RJ, lendo e refletindo muito sobre Brasil, ideologias, Política, Ciências Sociais e outros temas fundamentais que plasmaram o seu caráter intelectual adulto e os rumos a seguir. É o ano da maioridade civil. Desce a Serra. Em março e abril frequenta o Instituto de Educação de Niterói. E seguem dias de muitas “palestras amáveis e inesquecíveis”, reuniões com a sua turma, “que era ótima” – José Arthur Rios, Anselmo Macieira, Celso Peçanha, Dayl de Almeida, entre outros – na Leiteria Brasil e nos jardins da Praça da República, no Centro de Niterói. Era uma turma constante em palestras políticas, literárias, filosóficas,
  • A 30.1.1938, segundo documento do Ministério da Guerra, 7ª Região Militar 16ª Circunscrição de Recrutamento do Estado do Rio Grande do Norte, “José Torres” é alistado para o Serviço Militar do Exército ativo para o sorteio da classe de 1917 a realizar-se na sede do Serviço de Recrutamento em Natal.
  • A 5.2.1938, realiza-se Sessão Solene da A.S.F.S. no Salão de Atos do Colégio Salesiano Santa Rosa, quando José Augusto é reeleito Presidente e Artur Torres Cunha, Secretário Perpétuo da Academia e Presidente da Federação Mariana de Niterói, é recepcionado como Membro Fundador da entidade. Ele é saudado por Dayl de Almeida, também reeleito como Orador Oficial da Academia. A Escola Cantorum Cristo Rei, da Congregação, apresenta dois números: Rosa Vernnas e Salve Regina. O Hino Nacional fecha a Sessão.
  • Às 19h30m de 24.2.1938, a convite do Diretor do Colégio Salesiano Santa Rosa, Pe. Orlando Chaves, o estudante José Augusto da Câmara Torres, então com vinte anos, comparecia à Diretoria da Associação dos Ex-Alunos Salesianos.
  • Na noite de 31.3.1938, José Augusto assiste no Rival Theatro, no Rio de Janeiro, a peça Marqueza de Santos, de Viriato Corrêa, estrelada  por Dulcina de Moraes, no papel de Domitilia Marquesa de Santos, e o ator Odilon, como D. Pedro I, e grande elenco, destacando-se Zilka Sallaberry, Conchita de Moraes, Manoel Pera (irmão do ator Abel Pera, pai de Marília Pera) e Aurora Aboim. A Marqueza interpreta um lundu de Villa Lobos, aprendido e ensaiado pelo compositor Fructuoso Vianna.
  • Em março de 1938, José Augusto, aos vinte anos, compra o Méthodo para piano – theorico pratico e recreativo, de A. Schmoll, Primeira parte (1ª a 30ª lição). Uma arte para a qual não tinha vocação nem habilidades. Não se tem notícia se recebeu aulas ou tentou aprender piano sozinho, sem mestre.
  • Na noite de 6.4.1938, o aluno do Curso Pré-Jurídico do Liceu de Humanidades Nilo Peçanha, José Augusto Torres faz palestra no Instituto de Educação do Estado do Rio de Janeiro, antiga Escola Normal de Niterói, sobre a vida e a obra de José Bonifácio, no dia do Centenário do grande brasileiro. Representa o Grêmio Nilo Peçanha. Na mesma solenidade, falam o Prof. Paula Aquiles e o Sr. Danton Jobim.
  • A 12.4.1938, José Augusto viaja para Ouro Preto, MG, onde permanece até 17, em estada de estudo, pesquisa, reflexões. Era Semana Santa. O projeto: escrever um romance sobre o “Drama da Inconfidência”, que o fascinava. A Revolução de Minas, Thomás Antônio Gonzaga e a musa Marília de Dirceu sempre foram paixões intelectuais, temas de estudo. Essa viagem, escreveu, “trouxe marcante efeito na minha vida”.
  • A 21.4.1938, no Instituto de Educação do Estado do Rio de Janeiro, protesta “violentamente” contra um júri simulado de Joaquim Silvério dos Reis e Tiradentes.
  • Na noite de 28.4.1938, sob a Presidência de Honra do Bispo Diocesano Dom José Pereira Alves, a A.S.F.S. se reúne em Sessão Solene, na Sala da Congregação Mariana, para Recepção e Posse do Acadêmico Dayl de Almeida na Cadeira nº 8, patronizada pelo “genial Rui Barbosa”. Após o Hino das Congregações MarianasDayl é saudado por José Augusto. A seguir, o “Discurso-elogio” A verdade sobre Rui, na voz de Dayl. A Schola Cantorum Cristo Rei apresenta O Esca Viatorum, com o acompanhamento de órgão de Artur Torres Cunha; e Lyad de Almeida declama a Cantata ao Descobrimento do Brasil, de Olavo Bilac. Palavras finais do Bispo Diocesano e o Hino Nacional.
  • A 9.5.1938, José Augusto concebe e inicia, com Dayl de Almeida, Celso Peçanha, Vasconcelos Torres, Marshall Torres de Lacerda (futuro Prefeito nomeado de Paraty em 1942 e Procurador do Estado do RJ), uma Campanha. Criaram a Comissão Universitária Fluminense Pró-Monumento à Princesa Isabel em Petrópolis. Registrou: “Muito trabalho, muitos discursos e, também, muita desilusão depois de um mês.” Participam, lembra José Augusto nos seus “anuários” (Memórias), os leais amigos Marcos Almir Madeira, futuro ensaísta nas áreas do Direito e da Sociologia, professor da Faculdade de Direito (depois de Marcelo, seu filho na mesma Faculdade), Presidente do PEN Clube do Brasil e da Academia Brasileira de Letras; e João Augusto de Araújo Castro, futuro diplomata e Ministro das Relações Exteriores do Governo João Goulart (1963-4). E por que “desilusão”? A Campanha evaporou-se porque um dos seus ativistas, o qual José Augusto sempre se negou a declarar o nome no infausto contexto, ou a lhe apontar o dedo, desapareceu com os significativos fundos arrecadados para o empreendimento.
  • Na noite de 13.5.1938, José Augusto preside na sede da A.S.F.S., a “Sessão Solene Comemorativa do Cincoentenário da Libertação dos Escravos”. No programa: Hino das Congregações Marianas; Saudação de Dayl de Almeida ao Prof. Dr. Miguel Alvim Filho, que pronuncia conferência sob o tema O significado histórico da Abolição. Na Hora de arte: música e canto de composições de Hekel Tavares e Vicente Celestino; poemas do Conde Afonso Celso e Castro Alves. Encerramento: palavras do Pe. Diretor Orlando Chaves e o Hino Nacional .
  • A 15.5.1938, José Augusto participa, em Niterói, da Páscoa dos Ex-Alunos de Dom Bosco, presente em todos os eventos da Programação que incluíram missa, café, almoço. À tarde Hora de Arte, com música, canto e poesia. Ao final do dia a Benção do Santíssimo Sacramento.
  • Dez dias após a tentativa de Golpe Liberal-integralista de 11.5.1938, ao ataque ao Palácio Guanabara, José Augusto é forçado a sair de Niterói, e refugiar-se em Nova Friburgo, para não ser preso.
  • Na noite de sábado, 28.5.1938, no Teatro Municipal João Caetano, de Niterói, a Comissão Universitária Fluminense Pró-Monumento à Princesa Isabel promoveu Sessão Solene e Artística, “dedicada aos estudantes niteroienses em propaganda do Monumento à Redentora a ser erigido em Petrópolis. A Sessão compreendeu uma parte literária, quando diversos oradores discorreram sobre a personalidade da Redentora, e uma parte artística, “a cargo de diversos artistas do nosso Boadcasting e elementos de valor nos nossos círculos culturais”. O Interventor Federal Amaral Peixoto se fez representar, bem como a Família Imperial Brasileira. A Comissão de Petrópolis veio a Niterói prestigiar a Sessão, que transmitida, ao vivo e na íntegra, pela Rádio Sociedade Fluminense PRE6, de Niterói. Formavam a Comissão, além de José Augusto Torres, os estudantes Vasconcelos Torres (depois Deputado Estadual e Federal, e Senador da República); Dayl de Almeida, Marshall Torres de Lacerda e Cezar Tinoco Filho, que convidou, através de convites e volantes, “o povo em geral para assistir a tão vibrante demonstração de civismo”. A entrada foi franqueada a todos.
  • De 2 a 5.6.1938, José Augusto preside, em Niterói, o Tríduo Solene Comemorativo do 4º Aniversário da Congregação Mariana de N. Sa. Auxiliadora e S. João Bosco. Na noite do primeiro dia, cerimônias religiosas, canto gregoriano e palestras no Santuário N. Sa. Auxiliadora; na segunda noite, pregação no Santuário; e na sede da Congregação: pregação, cantos gregoriano e religiosos e palestra do Presidente da A.S.F.S., José Augusto da Câmara Torres sob o tema Obrigação de Participar da Ação Católica; na terceira noite, pregação no Santuário, e na sede da Congregação: última Sessão do Tríduo sob a presidência Pe. Dr. Orlando Chaves, Diretor da entidade, cantos religiosos, palestras e o Hino das Congregações Marianas. No dia 5, missa e comunhão, seguidas de Missa Solene.
  • A 3.6.1938, José Augusto está novamente em Niterói para pronunciar na A.S.F.S., a conferência apologética Obrigação de Participar na Ação Católica.
  • Em julho de 1938, José Augusto está trabalhando no Rio, no Serviço de Recenseamento da Prefeitura do Distrito Federal, a fim de complementar a renda mensal do estudante que dá aulas e escreve em jornais.
  • Na noite de 25.8.1938, o Presidente da A.S.F.S., José Augusto da Câmara Torres, preside, na Sede da Congregação Mariana, no Colégio Salesiano Santa Rosa, em Niterói, a Sessão Solene em Homenagem ao Duque de Caxias. No programa: Hino das Congregações Marianas; Abertura pelo Presidente; Saudação ao novo Acadêmico, o jovem universitário Renato Cruz de Carvalho, pelo Acadêmico Artur Torres Cunha, Presidente da Congregação; Elogio ao Duque de Caxias pelo empossado; canto coral; Soldado Brasileiro!, oração de Dayl de Almeida; récita de poemas sobre o Duque de Caxias e Hino Nacional.
  • A 2.10.1938, José Augusto participa da Festa dos Ex-Alunos, cumprindo todo o programa da data: missa, café, confraternização, almoço, fotografia do grupo, sessão de cinema, incluindo filmes gravados no Colégio, Bênção do Santíssimo Sacramento.
  • Na tarde de 15.10.1938, instala-se o Grêmio Lítero-Esportivo Olavo Bilac, do Instituto de Educação do Estado do Rio de Janeiro, em Niterói. A cerimônia realiza-se no Salão Nobre da instituição, promovida pelos Departamentos Literário e Artístico e Desportivo. Nesse dia, após jogos de voleibol e basquetebol no Campo de Esporte do Instituto de Educação, foi instalada a primeira Diretoria do Grêmio, sendo Presidente, Amauri Pereira Muniz, e José Augusto Torres é empossado como Diretor Literário e Artístico. Após a posse, uma variada Hora de Arte com Canto Orfeônico; palestra de José Augusto Torres sob o título Olavo Bilac: poeta da terra e do amor; declamações de poemas de Olegário Mariano, Henri Heine, Itamar Siqueira e Olavo Bilac; solo de gaita; e Massenet (Meditação de Taís, piano e violino). O Hino Nacional fechou a Sessão.
  • Em fins de outubro de 1938, novamente, “quase uma nova embaixada”, ele e companheiros vão a São Paulo. Viagem de lazer e cultura. Hospeda-se no Palace Hotel, à Rua Florêncio de Abreu, 96, nos dias 29, 30 e 31, pagando um total de R$ 153 mil e 500 réis, somando duas diárias e meia de R$ 25 mil cada, somadas: hospedagem, refeições, bebidas e comidas extras.
  • Na noite de 5.11.1938, no Salão Nobre do Instituto de Educação de Niterói, José Augusto participa do Programa de uma Sessão Solene Lítero-Cultural do Grêmio Olavo Bilac, do Instituto de Educação do Estado do Rio de Janeiro, em homenagem ao 89º aniversário do nascimento de Ruy Barbosa. No oitavo momento da Sessão, José Augusto faz Divagações literárias sobre os olhos verdes. O trabalho se transformaria, anos mais tarde, numa Conferência-Ensaio que ele pronunciará em Angra dos Reis, publicada pela Prefeitura daquele Município.
  • Na tarde de sábado, 19.11.1938, o Grêmio Olavo Bilac do Instituto de Educação do Estado do Rio de Janeiro realizou a sua 3ª Sessão Solene, no Salão Nobre da instituição, em comemoração às festas da República e da Bandeira. Presentes, alunos, professores e convidados. No Programa, muita música, poesia e oratória: violino, piano, declamação, cantos, solos de gaita, saudação a 15 de novembro e à Bandeira. José Augusto Torres declamou um poema. A Sessão foi encerrada com palavras do Presidente do Grêmio, Amaury Pereira Muniz e o Hino Nacional.
  • As aulas no Liceu em 1938 terminam a 15 de dezembro.
  • Em 1938, José Augusto confessa que dobrou a sua biblioteca: “Li muito, aumentei o meu cabedal. Discursos. Artigos. Muitos estudos: Caxias, Bilac, alguns filósofos e sociólogos, minha terra”.
  • Na noite de 31.12.1938, no Salão de Atos do Colégio Salesiano Santa Rosa, Sessão Solene da A.S.F.S., para a posse de José Augusto na Cadeira de D. Antonio Felipe Camarão. Na Sessão, presente o Bispo Diocesano, comemorou-se o quarto aniversário da Academia e José Augusto fez o Elogio do seu Patrono com a oração D. Antonio Felipe Camarão: uma nobreza singular do Século XVII. À segunda parte da Sessão: declamação de poesia de Olavo Bilac; execução ao piano do Largo de Haendel e canto. Ao final da noite, no Santuário, Posse da nova Diretoria da Congregação e Hora Santa.
  • O Presidente da A.S.F.S., José Augusto da Câmara Torres, considerou 1938 “o ano mais brilhante da vida social e cultural da entidade: oito Sessões Solenes foram organizadas com belíssimos programas artísticos. O nome da Academia difundiu-se extraordinariamente e ela se tornou um baluarte da inteligência católica fluminense” – escreveu ele no Relatório que apresentou à instituição.
  • A 1º.1.1939, eleito Dayl de Almeida para Presidência da A.S.F.S., José Augusto lhe transmitiu o cargo. Nenhuma Sessão Solene ou Ordinária foi realizada em 1939.
  • Em janeiro de 1939, após prestar exames de Vestibular à Faculdade de Direito de Niterói, faz a segunda viagem ao Rio Grande do Norte, após ter deixado a sua terra em 1932.


No navio Afonso Penna, o Acadêmico José Augusto embarca
no Rio, em janeiro de 1939, com destino à sua terra.
(Acervo Marcelo Câmara)

  • A edição de 31.1.1939 do jornal A República publica Edital do Juiz de Direito de Caicó, dando conta da alteração do nome de “José Augusto Torres” para “José Augusto da Câmara Torres” no Registro Civil do “acadêmico”, no primeiro ano de sua maioridade civil.
  • Jornal do Canto do Riotradicional clube social e esportivo de Niterói, na edição de janeiro/fevereiro de 1939, registra o seu ingresso no Quadro Social.
  • Em fevereiro de 1939, o Professor José Augusto da Câmara Torres, já matriculado no primeiro ano da Faculdade de Direito, estava aprovado em concurso público de provas e títulos promovido pelo DASP, da União, e prestes a ser nomeado, para o cargo e função de “Escriturário do Ministério da Educação e Saúde”, no Rio de Janeiro. A função era inadequada às suas aptidões, pois estava bem abaixo dos seus talentos e capacidades. Certamente, as dificuldades para se manter apenas dando aulas e publicando na Imprensa levaram-no a um certame que exigia apenas nível médio, e José Augusto, já aprovado no Vestibular, iria iniciar o Curso de Direito. Mas, desistiu de tomar posse, preferindo continuar lecionando em colégios de Niterói e escrevendo para jornais e revistas dessa cidade, do Rio e de Natal, RN.
  • A 6.5.1939, o Acadêmico José Augusto da Câmara Torres, após eleito, tomava posse, pela primeira vez, na Associação Potiguar, em Assembleia Geral, como 2º Secretário, entidade sociocultural que reunia, na Cidade do Rio de Janeiro, os rio-grandenses do norte. Sua sede era no Edifício Jornal do Commercio, à Av. Rio Branco, 117, sala 419, no Centro carioca. Foi eleito para mais dois mandatos, em 1940 e 1941, para o mesmo cargo. Sua passagem pela Associação Potiguar lhe proporcionou a convivência com notáveis intelectuais do Rio Grande do Norte e do País. Em 1939, o Presidente era Armando Peregrino Seabra Fagundes (médico e professor da Universidade do Brasil, irmão do famoso jurista Miguel Seabra Fagundes); o Orador, Adauto da Câmara (professor, jornalista, duas vezes deputado estadual no RN, historiador, genealogista, conferencista, ensaísta, parente de José Augusto); Membro do Conselho Deliberativo, Raimundo de Brito (médico, diretor do IPASE, do HSE do RJ, futuro deputado estadual pela Guanabara e Ministro de Estado da Saúde); Diretor do Departamento Social, Edilson Cid Varela (jornalista, dirigente dos Diários Associados, futuro diretor do Correio Braziliense, no DF, e editor de trabalhos do seu filho o jornalista Marcelo Câmara na década de 1980, na Capital); Em 1940, o Presidente era Hemetério Fernandes de Queiroz (magistrado). Alguns da gestão anterior permaneceram; seus novos colegas de Diretoria foram: Vice-Presidente, José Moreira Brandão Castelo Branco (magistrado e Interventor Federal no Acre); Bibliotecário, Veríssimo de Melo (advogado, magistrado, professor, etnógrafo, antropólogo, jornalista e escritor, que se tornou seu grande amigo até o final da vida, e confrade no Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte); Diretor do Departamento Esportivo, Celso Ferreira Ramos (almirante-médico e futuro Presidente da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro); Diretor do Departamento de Publicidade e Informações, João Cláudio de Vasconcelos Machado (dirigente desportivo, que dá nome ao atual Estádio de Natal, RN, o Machadão). Em 1941, estavam ao lado de José Augusto na Diretoria: Orador, Dioclécio Duarte (futuro Deputado Federal Constituinte pelo RN na Assembleia de 1946); Membro do Conselho Fiscal, José Augusto Bezerra de Medeiros (natural de Caicó, advogado, magistrado, professor, deputado estadual, sete vezes Deputado Federal, Senador pelo RN, Governador do Rio Grande do Norte; o nome de Câmara Torres foi escolhido por seus pais em homenagem ao político caicoense). Foi colaborador da Revista Potiguar até 1942, com a edição de vários trabalhos. Já em agosto de 1939, o número 19 da Revista trazia uma grande reportagem de sua autoria, junto a trabalhos de Peregrino Júnior, Palmyra Vanderley, Eloy de Souza, Josué Montello, Auta de Souza, Veríssimo de Mello, Tristão de Athayde, Umberto Peregrino, Henrique Castriciano e outros escritores consagrados.



  • A 6.11.1939, José Augusto da Câmara Torres, Secretário da Associação dos ex-alunos de Dom. Bosco, convoca todos os membros da entidade para a cerimônia do cinquentenário da instituição da Bandeira Nacional, a 19 de novembro, na Praia do Russel, no bairro da Glória, no Rio de Janeiro. O Governo da República resolvera glorificar o ato heroico do guarda-bandeira do batalhão colegial, ex-aluno Antonio Carlos Chagas, que, 24 anos antes, em 1915, salvara o pavilhão nacional no trágico naufrágio da Barca Sétima, no qual perderam a vida 26 alunos e o Maestro da Banda, Prof. Octacílio, do Colégio Salesiano Santa Rosa. A Barca Sétima fazia o trajeto Niterói-Rio-Niterói, atravessando a Baía da Guanabara.
  • Na noite de 19.11.1939, no último dia de comemorações oficiais do Centenário da República, o Acadêmico José Augusto da Câmara Torres, primeiranista da Faculdade de Direito de Niterói, faz oração sobre Benjamin Constant, na Sessão Solene da Efeméride, no Teatro João Caetano, de Niterói, organizada pelo Departamento de Propaganda e Turismo do Estado do Rio de Janeiro, na presença do Interventor Federal Amaral Peixoto e diversas autoridades estaduais e federais. Amaral Peixoto comunicou ao Presidente Getúlio Vargas as comemorações no Estado, inclusive a Sessão no Teatro João Caetano, citando a fala de José Augusto da Câmara Torres sobre Benjamin Constant, um dos protagonistas do Movimento que extinguiu a Monarquia.
  • A 13.12.1939, o Acadêmico José Augusto da Câmara Torres, visita a Redação do jornal A Ordem, de Natal, RN, onde é colaborador, de passagem em direção a Caicó, no mesmo Estado.
  • Em 1939 e 1940, José Augusto frequentou várias sessões de cinema do Metro, que ficava na Rua do Passeio, 62. A sala tinha "poltronas estofadas, apparelhamento de ar condicionado Carrier, projeção impecável, o melhor som pelo último tipo de apparelhamento Western Eletric Mirrophone". Neste cinema, José Augusto assistiu a clássicos como Com os braços abertos, com Spencer Tracy e Mickey Rooney; A Grande Valsa, de Julien Duvivier; A mulher proibida, com Joan Crawford; Canção de Amor, de W. S. Van Dyke; Adeus Mr. Chips, com Robert Donat; Este mundo louco, com Norma Shearer, entre outros sucessos. Em 1939, Câmara Torres publicou, como Correspondente no Rio, artigo crítico em A Ordem, de Natal, RN, sobre a arte cinematográfica  e um panorama da exibição no Rio. Até 1941, lê peças teatrais e muito sobre cinema e escreve sobre as duas artes em jornais de Niterói. 
  • No final da década de 1930 e início dos anos 1940, em Niterói, após se tornar amigo e admirador do acordeonista e compositor Antenógenes Silva (1906-2001), muito promoveu e divulgou sua obra pela Imprensa, incentivando e auxiliando o artista em sua carreira com apresentações no Estado do Rio de Janeiro.
  • A 12.1.1940, José Augusto e Tudinha ficam noivos em Caicó.o Estado, subvenções que patrocinavam as suas atividades. Foram previstas, além das atividades administrativo-financeiras, visando à sustentabilidade da Academia e o aumento do número de seus filiados – sessões ordinárias de estudos, diversas atividades culturais (artísticas, literárias, bibliográficas, palestras, debates em diversas áreas das ciências, artes e teologia, sessão de “alta cultura artística” no Teatro João Caetano); religiosas nas sedes da Academia e da Congregação, em Santa Rosa e em outros bairros da cidade (visitas a templos e conventos e pregações populares em Niterói, São Gonçalo e Rio de Janeiro, inclusive radiofônicas); realização de conferências de intelectuais renomados, como o pensador e Prof. Alceu de Amoroso Lima (Tristão de Athayde), do Prof. Dr. Stefane Vannier, do Jurista Geraldo Bezerra de Menezes e do filólogo Ismael Coutinho; sociais (recepções a pensadores e escritores, programa de rádio comemorativo do sétimo aniversário da Academia, visitas às cidades de Vassouras, Valença e Teresópolis, etc.) A 5 de outubro de 1941, o Presidente José Augusto foi o orador na Reunião Dominical da Congregação Mariana.
  • Às nove horas da manhã de 6.7.1941, na condição de Presidente da A.S.F.S, dirige os trabalhos na sede da Congregação Mariana N. Sa. Auxiliadora, em Santa Rosa, Niterói, e faz a apresentação aos estudantes de escolas superiores e secundárias da cidade e convidados, do Prof. Dr. Romeu Rodrigues Silva, da Faculdade Nacional de Filosofia e da Universidade Católica.
  • Na noite de 23.6.1940, o jornalista Câmara Torres assistia no Teatro Municipal de Niterói - com a Companhia Lírica Metropolitana, sob a direção de Reis e Silva, a Orquestra, Coro e Corpo de Baile do Teatro Municipal de Rio de Janeiro - a ópera O Guarany, de Carlos Gomes, "cantado em português na bersão de C. Paula Barros, em homenagem ao Exsmo Sr. Prefeito de Niterói, Dr. Brandão Júnior". Era a Temporada Lírica Oficial, sob os auspícios da Prefeitura. O Regente da Orquestra foi Santiago Gurerra; Os personagens Cecy e Pery foram interpretados, respectivamente, por Carmen Gomes e Reis e Silva. A 1ª Bailarina era Italia Azevedo e o 1º Bailarino e Coreógrafo , Yucko Lindberg. Câmara Torres assistiu, ainda, na referida Temporada, as óperas Tosca e La Boheme, ambas de Puccini, com  a mesma Companhia e a a maioria dos artistas que atuaram em O Guarany.
  • Em meados de 1941, faz vibrante elogio ao trabalho do Abrigo Cristo Redentor de Niteróiexortando os Salesianos – sacerdotes, alunos e cooperadores – a prestigiarem e auxiliarem a instituição.
  • Às nove horas da manhã de um domingo, 13.7.1941, na mesma condição e para auditório semelhante, no mesmo local, José Augusto apresenta o laureado Professor Dr. Stephane Vannier profere concorrida palestra.
  • A 5.8.1941, terça-feira, na Sala Clóvis Beviláqua, da Faculdade de Direito de Niterói, o acadêmico José Augusto da Câmara Torres, membro da Diretoria do CAEV, “em Solenidade que reúne o mundo cultural fluminense”, sob a presidência do Diretor da Escola, Des. Abel Magalhães, saúda o grande etnógrafo e historiador Luís da Câmara Cascudo, que profere a conferência As lendas e a formação social do Brasil. Abre a sessão o Presidente do CAEV, o companheiro Badger da Silveira.
  • Na noite de 13.8.1941, dentro das comemorações oficiais de Niterói do Centenário de Fagundes Varela, Câmara Torres, Presidente da A.S.F.S, fez uma palestra sobre o grande poeta, fluminense de Rio Claro, transmitida pela Rádio Sociedade Fluminense – PRD-8, de Niterói. A fala foi ao ar às 21h30m.
  • A 13 .9.1941, o Acadêmico José Augusto da Câmara Torres participou do banquete, no Automóvel Clube do Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, que amigos e admiradores do General Antônio Fernandes Dantas oferecem ao militar pela sua nomeação para o cargo de Interventor no Rio Grande do Norte.
  • Na manhã de domingo, 14 de setembro de 1941, o Presidente da A.S.F.S., José Augusto da Câmara Torres, fez uma “pregação pública”, católica, ao ar livre, na área da histórica Igreja de N. Sa. de Lourdes, no Saco de São Francisco, em Niterói, na visita da Congregação Mariana de N. Sa. Auxiliadora, a convite do Vigário daquela Paróquia praiana.
  • A 30.9.41 o jornal O Globo noticia que José Augusto da Câmara Torres e um grupo de acadêmicos da Faculdade de Niterói iniciam uma campanha de arrecadação de fundos, tendente a se estender pelas outras escolas superiores, secundárias e primárias fluminenses, a fim de adquirir um avião a ser oferecido para serviço oficial do Interventor Amaral Peixoto.
  • A 15.10.1941, Câmara Torres ocupa os microfones da Rádio Sociedade Fluminense, de Niterói, para fazer um discurso cívico-político, engajado na Campanha de Coleta dos Metais em Defesa do Solo Pátrio.
  • Na manhã de 19.11.1941, na Escola Profissional Aurelino Leal, no Ingá, em Niterói, houve grande comemoração alusiva ao Dia da Bandeira. Após o canto do Hino da Bandeira pelos professores, centenas de alunas da instituição, autoridades e convidados, o Acadêmico de Direito, José Augusto da Câmara Torres, a convite da direção da escola, pronunciou “vibrante e emocionada oração patriótica ao símbolo da Pátria.
  • Nesse mesmo dia, 19.11.1941, à tarde, em Bom Jardim, RJ, o jornalista, professor e acadêmico José Augusto da Câmara Torres, redator do Serviço de Propaganda e Turismo do Estado do Rio de Janeiro, a convite do Prefeito Celso Peçanha, dentro da programação das “Comemorações do Quarto Aniversário do Estado Nacional” naquela cidade, discursa na inauguração da Biblioteca Municipal.
  • De 1938 a 1941, Câmara Torres frequentou muitos cinemas e teatros em Niterói e no Rio. 


José Augusto, na véspera do Natal de 1941,
a bordo do Comandante Riper, chegando a Natal. De lá seguiu para o Caicó,
onde iria se casar com Tudinha a 26.de dezembro.
(Acervo Marcelo Câmara)

  • Às 6 horas da manhã de 26.12.1941, dia consagrado ao monge eremita Libanês São Charbel Makhlouf, na Catedral de Sant’Ana, em Caicó, RN, casa-se com Gertrudes de Araújo Nóbrega, cerimônia presidida por Monsenhor Walfredo Gurgel, futuro Senador e Governador do Estado. José Augusto e Tudinha tiveram oito filhos: dois homens e seis mulheres. O jornal Diário de Notícias, “O matutino de maior tiragem do Distrito Federal”, em sua edição de 21.12.1941, publicou, no espaço da coluna No Lar e na Sociedade, a seguinte nota:
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SRTA. GERTRUDES NÓBREGA – SR. JOSÉ AUGUSTO DA CÂMARA TORRES

No dia 26 do corrente, realizar-se-á, na cidade de Caicó, Rio Grande do Norte,
o enlace matrimonial do jornalista e acadêmico
sr. José Augusto da Câmara Torres
com a srta. Gertrudes Nóbrega. Após a cerimônia,
os nubentes embarcarão para esta cidade,
fixando residência em Niterói.
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  • A 10.1.1942, voltando do casamento com Tudinha no Caicó, RN, José Augusto vai à famosa e pioneira Casa Edison – Fred. Figner & Cia., Ltda., localizada na Rua do Ouvidor, 107, no Centro da Cidade do Rio de Janeiro, e adquire, sob o contrato nº 2026, por 1 conto e 500 mil reis, uma máquina de escrever da marca Royal, portátil, modelo CD, de cor preta, tipo Pica, nº 216.606 completa. O pagamento foi feito “em 21 (vinte e uma) duplicatas de 50 mil reis, sendo uma à vista de 50 mil reis e as restantes de 72 mil e quinhentos reis, vencíveis mensalmente”.


Contrato de José Augusto com a Casa Edison, onde comprou, no início de 1942,
uma máquina de escrever portátil Royalalemã, que pagou em prestações,
em um ano e dez meses. Nela, Tudinha trabalhou por mais de vinte anos,
datilografando os trabalhos do marido como Educador, Advogado, Parlamentar,
Jornalista, Escritor. Uma máquina Remingtontambém portátil,
substitui-a na década de 1960. Tudinha foi a secretária, a revisora,
a assessora, a companheira de José Augusto, por toda a vida.
(Acervo Marcelo Câmara)





José Augusto e Tudinha em lua de mel, no Soberbo, em Teresópolis,
Região Serrana do Rio, a 25 de janeiro de 1942.
(Acervo Marcelo Câmara)


  • A 31.1.1942, a ASFS, em Sessão Extraordinária, realizou eleições para a sua Diretoria que atuará durante o ano que se iniciava, quando o Presidente José Augusto da Câmara Torres conduziu os trabalhos e apresentou Relatório das Atividades do ano anterior.
  • A 28.2.1942, em Campos, RJ, o casal José Augusto da Câmara Torres e Gertrudes Nóbrega da Câmara Torres foram os padrinhos do casamento religioso do jornalista e Prefeito de Bom Jardim, Celso Peçanha, com a professora Hilka de Oliveira Araújo. Nesse tempo Celso era colega de turma de José Augusto na Faculdade de Direito de Niterói, mas a amizade nascera no Curso Pré-Jurídico do Liceu de Humanidades Nilo Peçanha cinco anos antes e durou por toda a vida. Câmara Torres faleceu em 1998, aos 81 anos, e Celso Peçanha, em 2016, aos 99 anos. Mais tarde, Celso foi, por três vezes, Prefeito de Rio Bonito e Deputado Federal, Vice-Governador e Governador do Estado do Rio de Janeiro. Nas carreiras políticas dos dois, ora foram correligionários, até do mesmo Partido, o PSP, e adversários, quando Celso foi para o Partido Social Democrata – PSD, e Câmara Torres, continuando no PSP, apoiou a candidatura vitoriosa de Roberto Silveira, do PTB.
  • Na noite de 10.3.1942, houve Sessão para eleições na A.S.F.S., quando o Presidente da entidade, José Augusto da Câmara Torres, apresentou minucioso Relatório de Atividades do ano anterior.


O Professor, Jornalista e Acadêmico de Direito, Câmara Torres em março de 1942,
quando é nomeado pelo Interventor Amaral Peixoto para exercer,
interinamente, o cargo de Técnico de Educação, (...) devendo ter exercício
no Departamento de Educação  – Secretaria de Educação e Saúde”.
(Foto Marcelo Câmara)

  • Às 8 horas de 7.6.1942, José Augusto participa, em Niterói, da Missa e Comunhão Pascal promovida pela Associação dos Antigos Alunos Salesianos, da qual é Secretário, e é presidida pelo Prof. Portugal Neves. Em seguida o Pe. Diretor do Colégio Salesiano Santa Rosa oferece um café aos presentes e se realiza uma grande Assembleia Geral, franqueada a palavra a todos.
  • A 9.6.1942, o Técnico de Educação, Prof. Câmara Torres, proferiu aula na Escola Profissional Aurelino Leal, em Niterói, sob o tema A Biblioteca, dentro da série de Lições-Palestras do Programa O Livro, do Serviço de Difusão Cultural, do Governo do Estado do Rio de Janeiro.
  • A edição de 12.7.1942 do jornal A Cruz, do Rio de Janeiro, noticia que o Jornalista José Augusto Torres fora designado como Membro da Comissão de Propaganda do Primeiro Congresso Eucarístico Diocesano de Niterói, que se realizou em agosto daquele ano. O objetivo do encontro: comemorar o Jubileu de Ouro da criação do Bispado, o Centenário da Catedral São João Batista e o Bicentenário da Irmandade do Santíssimo Sacramento. O evento serviu como preparatório do IV Congresso Eucarístico Nacional, realizado em São Paulo, SP, no mês seguinte, e contou com os auspícios do Cardeal D. Sebastião Leme, a presença do Núncio Apostólico, e, como Presidentes de Honra, o Interventor Amaral Peixoto e o Bispo de Diocese de Niterói, D. José Pereira Alves.
  • A 26.7.1942, a Associação dos Ex-Alunos Salesianos, do Colégio Santa Rosa, em Niterói, realizou a Festa do Pe. Inspetor, Orlando Chaves, ex-aluno do estabelecimento. Às 10h, Missa, seguida de Assembleia Geral. Às 12h30m, o Padre Diretor, Francisco X. Lanna ofereceu um almoço festivo aos ex-alunos convidados. O Prof. Francisco Portugal Neves era o Presidente da Associação e José Augusto da Câmara Torres, o Secretário.
  • Em algum dia de 1942, o Técnico de Educação José Augusto da Câmara Torres está presente no Salão Nobre da Câmara Municipal de Paraty, na cerimônia em que o seu colega de Faculdade, Marshall Torres de Lacerda, então Prefeito do Município, nomeado pelo Interventor Amaral Peixoto, deu posse ao Dr. Alfredo Lima de Morais Coutinho no cargo de Delegado de Polícia do Município, na presença do Exmo. Sr. Juiz Pretor, Armando de Queirós Fortuna.
  • Durante cinco anos, de 1939 a 1943, cursa a Faculdade de Direito de Niterói (unidade da atual Universidade Federal Fluminense – UFF), recebendo, em dezembro deste último ano, o Título de Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais. A Formatura realizou-se no Teatro Municipal de Niterói, sendo o orador, Dayl de Almeida, o maior amigo de José Augusto. O Baile de Formatura realizou-se no dia 22 de dezembro no Rio Cricket Club. Do convite constava: “Traje: Casaca, Smoking ou Summer – Convite p/ um cavalheiro de duas damas.
  • Jornal do Canto do Rio, tradicional clube social e esportivo de Niterói, na edição de janeiro/fevereiro de 1939, registra o seu ingresso no Quadro Social.
  • A 15.1.1943, Gertrudes Nóbrega da Câmara Torres se inscreve, em Niterói, no Concurso de Ingresso ao Magistério Público, sob o nº 84, visando o “Provimento Inicial”. Em março de 1943, mesmo prestando provas em disciplinas inéditas para ela, ou seja, que não eram dadas em Natal, RN (como Estatística, por ex.), Tudinha é uma das primeiras aprovadas, colocando-se em nono lugar em todo o Estado.


Aos vinte e três anos, grávida da primeira filha, Tudinha presta exames
no Concurso de Ingresso ao Magistério Público fluminense
e é uma das primeiras classificadas. Em Caicó, no Grupo Escolar
em Natal, no Ginásio e na Escola Normal, sempre foi “primeira aluna”.
Em Niterói, mesmo enfrentando provas de disciplinas que não constavam
na grade curricular da Escola na qual se formou em outro Estado,
superou obstáculos e desafios e foi brilhantemente aprovada.
(Arquivo Marcelo Câmara)


  • A 4.7.1943, o Professor Câmara Torres participa das Santas Missões, em Angra dos Reis, comparecendo, pela manhã, no Convento do Carmo, à Recepção aos Missionários e à Santa Missa cantada, com sermão. O Programa foi percorrido de 4 de julho a 16 de agosto, em períodos de alguns dias em cada uma das dez seguintes localidades: Monsuaba, Jacareí, Ribeira, Frade, Mambucaba, Freguesia de Santana, Abraão, Colônia Penal, Parnaioca e Praia Grande. De manhã, Santa Missa com pregação; à tarde, Catecismo; e à noite, reza, sermão e Benção com o Santíssimo Sacramento. O Vigário do Município era Frei Benigno.
  • A 15.7.1943, na última Sessão Plenária e de Estudos da Federação das Congregações Marianas do Estado do Rio de Janeiro, o jovem Câmara Torres, da Congregação Mariana Nossa Sra. Auxiliadora e S. João Bosco, fez “um belíssimo e impressionante improviso” sobre as bodas de prata da Congregação Mariana de Natal, RN, seu Estado de nascimento. Também falou sobre “as últimas solenidades religiosas de Angra dos Reis e da expressiva data da chegada dos bravos evangelizadores salesianos às terras de Araribóia”. Fez, ainda, em nome dos Congregados, uma “brilhante homenagem” ao Monsenhor Barros Uchoa, Vigário da Diocese, cuja ordenação sacerdotal fazia aniversário, exaltando as suas “virtudes e extraordinária capacidade de trabalho”.
  • Às 5 horas da madrugada de um domingo, 18.6.1943, Dia de São Francisco Solano, na casa nº 115, da Rua C, da Rua Paulo César, 211, no Bairro de Santa Rosa, Niterói, nasce Marta, a primeira filha de José Augusto e Tudinha. Numa edição do início de agosto, o jornal A Ordem, de Natal, RN, registrou o nascimento de Marta.
  • A 26.11.1943, o Dr. Moacyr de Paula Lobo, Presidente do Clube Comercial de Angra dos Reis, então completando onze anos de fundação, escrevia ao sócio José Augusto da Câmara Torres, Técnico de Educação e Chefe da 1ª Inspetoria de Ensino, comunicando que a entidade iniciará “a nossa série de bailes a rigor a 31 de dezembro do corrente ano, com prêmios e surpresas encantadoras às nossas famílias. O Dr. Moacyr explicava: “As nossas festas sociais terão caráter íntimo, uma em cada mês, mas faremos realizar vários bailes a rigor no decorrer do ano, pondo, desde modo, Angra dos Reis em situação de igualdade com outras cidades da Terra Fluminense. Há uma razão de ser para que assim procedamos. Precisamos vencer a rotina e o pessimismo doentio e pernicioso dos que desejam que Angra dos Reis não saia do marasmo social em que jazeu por longos anos. É preciso que se saiba que Angra dos Reis é uma cidade de tradição social e que demos afastar de nós esse complexo de inferioridade que atormenta os vencidos. Urge que voltemos as vistas ao passado e, se recorrermos às crônicas sociais dos jornais da época, depararemos com a notícia de que em 1890 houve um baile no Paço Municipal, oferecido ao Almirante Wandenkolck, onde as damas exibiram “toiletes” de luxo e somente imperou o traje de casaca para os cavalheiros. Era essa a sociedade angrense ao alvorecer da República e sendo esse o nosso lugar, não nos podemos deixar vencer pelo derrotismo, inimigo do progresso e da civilização, próprias dos que se julgam incapazes de frequentar os salões com indumentária compatível com as festas de gala da sociedade a que pertencemos com ufania. 
  • Em dezembro de 1943, José Augusto da Câmara Torres, no mês da sua colação de grau de Bacharel em Direito e Ciências Sociais pela Faculdade de Direito de Niterói, é o Presidente da Junta Paroquial de Ação Católica em Angra dos Reis.
  • Em maio de 1944, a Família – José Augusto, Tudinha e Marta, a primeira filha de onze meses,  –  chega a Angra dos Reis e vai morar no Palace Hotel, do casal alemão José e Helena Riegert.
  • A 7.10.1943, o médico, Doutor Walter Madeira, Presidente da Liga Angrense de Futebol – LAF, envia Ofício ao Professor José Augusto da Câmara Torres, Chefe da Inspetoria Escolar, do Extremo Sul Fluminense, registrando que a LAF congratulava-se com o Técnico de Educação pela valiosa interferência” junto ao Senhor Amaral Peixoto, a fim de que a entidade recebesse subvenção destinada à construção do campo de esportes na cidade. Destaca o Presidente que a ação de Câmara Torres “em prol do empreendimento veio tornar realidade os anseios dos desportistas da terra de Lopes Trovão”.
  • A 15.11.1944, Câmara Torres participava da 25ª Reunião do Clube dos Vinte, no Palace Hotel, em Angra dos Reis. O Clube dos Vinte era um grupo social, que reunia figuras da elite da cidade, com o objetivo de promover o diálogo e o congraçamento entre as personalidades e famílias do Município. O “Diretor do Mês” foi Francisco Pereira Rocha, o Seu Chiquito, líder ruralista e político, à época Prefeito do Município. Trinta e duas pessoas estiveram no encontro e assinaram o “Cardapio
.

(Frente)

(Verso)
A assinatura do Prof. Câmara Torres
é a primeira no verso do "Cardápi
o".

(Acervo Marcelo Câmara)



  • A 16.11.1944, realizou-se na Catedral de Niterói, a última Sessão Plenária da Federação das Congregações Marianas do Estado do Rio de Janeiro, sob a direção do Monsenhor Barros Uchoa, Vigário Geral da Diocese, que completava aniversário de ordenação sacerdotal. Após as falas do Ministro Geraldo Bezerra de Menezes, Presidente da Federação, e do Prof. Dayl de Almeida, o Advogado e Técnico de Educação, Prof. José Augusto da Câmara Torres, em nome dos congregados e dos católicos fluminenses, fez emocionante oração de fé e de exaltação ao apostolado mariano, quando destacou as grandes virtudes do Monsenhor Uchoa e a sua extraordinária capacidade de trabalho, sendo muito aplaudido pelos presentes.
  • Às 20h de 25.1.1945, o Técnico de Educação, Prof. Câmara Torres, se encontrava em frente ao Convento do Carmo, em Angra dos Reis, para recepcionar Frei Antonino Galvão Coimbra, novo Vigário que assumia a Paróquia da cidade.
  • A 3.6.1945, o advogado e amigo do colega recém-formado Doutor José Augusto da Câmara Torres, o já famoso causídico Braz Felício Panza (mais tarde, o ilustre Desembargador Braz Felício Panza, Presidente do Tribunal de Justiça), em afetuosa carta, pede para o primeiro assumir a defesa de um réu, acusado de homicídio, cuja absolvição por legítima defesa foi anulada pelo Tribunal de Justiça. (Felício Panza foi o paraninfo da formatura do Curso Ginasial de Marcelo, filho de Câmara Torres, no Colégio Salesiano Santa Rosa, em 1964.)
  • Na noite de 23.6.1944, a convite do Sr. J. B. Oliveira, Gerente da Fazenda Pontal, em Angra dos Reis, o Técnico de Educação, Professor José Augusto da Câmara Torres participa dos festejos de São João e pelo início da safra.
  • A 28.6.1944, o jornalista Maurício Caminha de Lacerda (irmão de Carlos Lacerda), escreve a Câmara Torres, seu fiel amigo e colega de redação, agradecendo-lhe o telegrama de felicitações por ter assumida o Departamento de Imprensa e Propaganda – DEIP, do Estado do Rio de Janeiro, na Interventoria de Amaral Peixoto, durante o Estado Novo de Vargas. Maurício fora socialista, comunista militante e, por fim, um prócer da União Democrática Nacional – UDN. Porém suas ideias políticas, as diferenças ideológicas entre os dois nunca abalaram a amizade fraterna que nutriam mutuamente.
  • A 20.8.1944, domingo, pela manhã, o Técnico de Educação e Chefe da 1ª Região Escolar, José Augusto da Câmara Torres, na qualidade de Presidente da Ação Católica de Angra dos Reis, ao lado do Prefeito Moacyr de Paula Lobo, recebe uma comitiva de jornalistas e intelectuais católicos, vindos do Rio de Janeiro, tendo à frente o Professor do Colégio Pedro II, Jonatas Serrano, para inaugurar a Herma do Padre Júlio Maria, o maior orador sacro brasileiro, natural daquela cidade. Após a Missa na Matriz, celebrado por um sacerdote redentorista (mesma Ordem do Pe. Júlio Maria), deu-se a inauguração, falando as seguintes personalidades: em nome da Associação dos Jornalistas Católicos, Osorio Lopes: pelo Município, o Prefeito Paula Lobo; e, ainda, o Prof. Zair Rocha. O Orfeão Pe. Júlio Maria, do Grupo Escolar Lopes Trovão, coral criado por Câmara Torres e sua esposa, a Profa. Gertrudes, que participou da cerimônia, entoou hinos, sob a regência da Profa. Godivia Freire. À noite, no Palace Hotel, o Prefeito ofereceu um banquete à comitiva e a “uma embaixada cultural a serviço do Estado”, que percorria o Município, idealizada por Câmara Torres, observando a vida comunitária e educacional, que, então, era modificada pela ação do Técnico de Educação. No banquete, discursaram, “com eloquência” o Prefeito, o Juiz de Direito Danilo Brígido e, “aclamadíssimo”, o Prof. Jonatas Serrano. Os visitantes receberam muitas deferências do Vigário, Frei Antonio Galvão Coimbra, e do Capitão dos Portos em Angra, Comandante Joaquim José de Araújo.
  • A 21.8.1944, em Angra dos Reis, RJ, nasce Maria Tereza, a segunda filha de José Augusto e Tudinha.
  • A 7.11.1944, falece, em Caicó, o sogro de Câmara Torres, Joaquim Gorgônio da Nóbrega, comerciante e fazendeiro. (Em 1921, havia falecido a mãe de Tudinha, Senhorinha de Araújo Nóbrega.)
  • A 20.12.1944, Câmara Torres recebe carta do Secretário de Governo, transmitindo os elogios do Senhor Interventor Federal, Amaral Peixoto, pela sua participação nas exitosas Missões Culturais, organizadas pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro “em face do entusiasmo, dedicação e eficiência demonstrados no desempenho das funções que couberam ao Técnico de Educação”.
  • A 30 de junho de 1945, José Augusto da Câmara Torres participa, pela primeira vez, da reunião semanal da Conferência Vicentina Nossa Senhora do Carmo, de Angra dos Reis, nascida em março do ano anterior, desmembrada que foi da Conferência Vicentina Imaculada Conceição, da mesma cidade. Instituição católica que tinha como objetivo, além do estudo bíblico e a oração espiritual coletiva, a prática da caridade cristã, de socorro, acolhimento e proteção ao próximo, através da doação de valores em dinheiro dos confrades, arrecadados a cada encontro. A Conferência foi fundada por: Zair de Carvalho Rocha, Miguel Gabriel (designados Presidente e Vice-Presidente respectivamente), Irineu Vieira de Souza, Paulo Pimentel de Oliveira Lima, Antonio Nogueira Braz, Abdo Antonio, Osvaldo Paixão e Manoel Sales de Souza e Jorge Daher e Zephret Caram, os dois últimos, designados Secretário e Tesoureiro, segundo o Histórico da Conferência. A Conferência se reunia todos os domingos na Igreja do Convento do Carmo, após a missa das 7 horas. Naquela data, José Augusto presidiu a 13ª reunião da Conferência como Presidente do Conselho. Neste cargo permaneceu até a 92ª reunião da Conferência, que se tem notícia, realizada a 20 de maio de 1947, cuja Ata é assinada pelo confrade Assistente do encontro, José Magalhães de Castro. A Ata dessa reunião, bem como as anteriores, e o Histórico da Conferência estão lavradas num livro sem capa, encontrado por seu filho, Marcelo, nos arquivos de Câmara Torres. Marcelo Câmara recorda-se que seu pai se identificou como “vicentino” durante toda a vida, tanto em Angra como em Niterói, onde também pertenceu à entidade dessa natureza, desde a juventude. A Conferência parece ter sido a semente da Associação de Caridade São Vicente de Paula, de Angra dos Reis, que Câmara Torres fundou e presidiu por muitos anos, responsável pela criação e construção do Asilo São Vicente de Paula, de assistência à velhice desamparada, inaugurada por ele em 1957. Na realidade, em dezembro de 1946, o Prefeito Municipal de Angra dos Reis, Francisco Pereira Rocha, oficia ao Doutor José Augusto da Câmara Torres, na condição de Presidente do Conselho dos Vicentinos de Angra dos Reis, escrevendo: “A fim de que seja preenchidos os verdadeiros fins de caridade, faço entrega a Vossa Excelência do prédio e instalações do recolhimento de mendigos existentes à Rua São Bento.
  • A 31.5.1946, nasce Maria Beatriz, a terceira filha, em Angra dos Reis.
  • Em carta de 8 de agosto de 1946, Câmara Torres recebe da Associação Potiguar, com sede no Rio de Janeiro, assinada pelo seu 1º Secretário Petrarca Maranhão, informando que aquela entidade aprovou, em sessão de 27 de julho daquele ano, “Voto de Congratulações pelo modo brilhante como vem conduzindo suas atividades profissionais e extra-funcionais em Angra dos Reis e Região”.
  • A 20.6.1947 – ao lado do Deputado Constituinte, Moacyr de Paula Lobo, e do Prefeito nomeado de Angra dos Reis, Jonas Bahiense de Lyra –  Câmara Torres, como Técnico de Educação, Chefe da 1ª Inspetoria de Ensino e, principalmente, na condição de membro do Diretório Municipal do PSD, comparece à solenidade de Promulgação da Constituição na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.
  • A 23.7.1947, Câmara Torres recebe carta do Prefeito Municipal de Angra dos Reis, Jonas Bahiense Lyra, comunicando que o Técnico de Educação fora escolhido para integrar a Comissão Municipal de Preços e Abastecimento.
  • Na noite de 1º.8.1947, no Salão Nobre da Prefeitura Municipal de Angra dos Reis, Câmara Torres, como membro da Comissão Municipal de Preços e Abastecimentos, participa da reunião da entidade que deu posse a novos membros do colegiado e discutiu “o problema do pão”.
  • A 11.3.1948, Câmara Torres recebe carta do então Comandante da Escola Almirante Batista das Neves (Escola de Grumetes), Capitão de Fragata, Oswaldo de Alvarenga Gáudio, agradecendo as “inúmeras gentilezas e atenções” de que foi alvo, durante a sua gestão, por parte do Técnico de Educação.
  • A 30.3.1948, o Governador do Estado do Rio de Janeiro, Edmundo de Macedo Soares e Silva, recebeu no Palácio do Ingá, uma comitiva de líderes do PSD de Angra dos Reis, que foi prestar apoio e solidariedade ao Chefe do Executivo estadual. O Professor José Augusto da Câmara Torres, Técnico de Educação e Chefe da 1ª Região Escolar, entregou ao Governador uma “expressiva Moção de Solidariedade, renovando-lhe o apoio daquele partido, exprimindo a confiança da população do Município na obra administrativa do governo do Estado” e discursou em nome do grupo. Câmara Torres e os demais pessedistas mantiveram produtiva palestra com o Governador sobre os problemas e necessidades da comunidade angrense.
  • A 19.6.1948, Câmara Torres fez a Apresentação da Noite de Arte, em benefício da Caixa Escolar de Angra dos Reis, da “consagrada soprano dramático Guiomar Franco, interpretando peças eruditas e populares (brasileiras italianas, francesas e trechos líricos), acompanhada pelo piano da própria cantora, no Grupo Escolar Lopes Trovão, com a participação da Professora Jacíra de Castro que declamou poemas de Olegário Mariano. A promoção foi do Técnico de Educação, Doutor Câmara Torres.
  • A 17.10.1948, o advogado Câmara Torres escreve grave carta ao Juiz da Comarca de Angra dos Reis, Armando Prestes de Menezes, protestando contra o tratamento profissional que o magistrado lhe prestava no ambiente forense, não despachando suas petições, protelando decisões, não o recebendo em seu gabinete, dando-lhe, enfim, um tratamento desigual, injusto, relativamente aos advogados de fora do município, bem como aos tabeliães, escrivães e serventuários. Ademais, o juiz se lamuriava por estar lotado em Angra, não se adaptara à terra e tecia comentários públicos desairosos A terra e ao seu povo. Câmara Torres encerra a carta, consignando a sua intenção, caso a situação de irregularidades e desconforto permanecesse, de denunciá-lo às autoridades superiores do Estado, ou seja, principalmente à Corregedoria Geral de Justiça. Dias depois, o Juiz foi removido para outra Comarca.
  • A 18.11.1948, o Governador Macedo Soares esteve em Muriqui, Distrito de Mangaratiba, em companhia do Secretário de Educação e Cultura, Ismael Coutinho; do Chefe da 1ª Região Escolar, Prof. Câmara Torres; do Prefeito Victor Breves e vereadores. O Governador inaugurou uma escola pública, reivindicada e cuja construção foi supervisionada por Câmara Torres, e fez o lançamento da pedra fundamental do Muriqui Iate Club, destinado a desenvolver os esportes náuticos no Município. Ao final, autoridades e convidados se confraternizaram com um “drink”.
  • Na noite de 8.1.1949, durante as solenidades do Jubileu Áureo da Congregação das Pequenas Irmãs da Divina Providência, em Angra dos Reis, profere a conferência Madre Tereza, Rainha da Caridade e da Virtude, no Auditório do Convento do Carmo. A Congregação foi fundada na Itália em 1899, pela então Veneranda Madre Tereza Michel.
  • Em maio de 1949, durante as comemorações do segundo aniversário da Associação dos Escoteiros do Mar Almirante Brasil, de Angra dos Reis, o Técnico de Educação, Professor José Augusto da Câmara Torres, proferiu palestra pública sobre tema cívico, pelo serviço de alto-falantes da cidade.
  • Em julho de 1949, o Doutor Câmara Torres é eleito, pela unanimidade dos seus filiados, Presidente da Associação de Caridade São Vicente de Paulo, de Angra dos Reis, mantenedora do Asilo da Velhice Desamparada São Vicente de Paulo, sob a direção interna das Pequenas Irmãs da Divina Providência. Ocupa a Presidência até 1961.
  • A edição de 28.12.1949, do jornal O Litoral, de Angra dos Reis, publica matéria sob o título Dr. Câmara Torres, acerca do belo trabalho do Técnico de Educação na Região, assinalando que o município “muito lhe deve. Informa que, quando o educador chegou à Angra, em 1942, encontrou no 6º Distrito, território da Ilha Grande, além da escola da Vila do Abraão, apenas uma segunda escola na localidade de Matariz, “em ruínas”. Graças à sua competência e dedicação, assinala o jornal, ele conseguiu criar as escolas de Freguezia, Bananal, Tapera, Praia da Longa, Araçatiba, Praia Vermelha, Provetá, Aventureiros e Provetá. Noticia, ainda, que a 20 daquele mês, o Professor Câmara Torres esteve na Praia da Parnaioca, em companhia, do Vereador Casemiro Barra, visitando o local para construção de uma nova escola, dentro das mais modernas técnicas da engenharia e da arquitetura à época, sendo festivamente recebido pelos moradores. Assinala, ainda, a matéria, que o Técnico de Educação e o Vereador estão empenhados em promover “grandes melhoramentos” no 6º Distrito.


Marcelo, após o nascimento de três irmãs, outras três viriam.Por isto a mãe o chamava
de “o bendito fruto entre as mulheres”. Somente em 1962 outro homem chega,
o oitavo filho, Marcos Augusto, o caçula.
(Acervo Marcelo Câmara)




  • A 21.1.1950, no terceiro sábado do mês, Dia de Santa Inês, considerada “a mais bela santa da Igreja Católica”, às 22h53m, na Santa Casa de Misericórdia Codrato de Vilhena, em Angra dos Reis, nasce Marcelo, o primeiro filho-homem, o quarto dos oito de José Augusto e Tudinha. O menino mede 54cm e pesa 3k750g. O parto foi normal, assistido pelo Doutor Walter Madeira, amigo dos pais do bebê, que viria a ser, com a sua mulher, Professora Maria Carlota da Costa Madeira, padrinhos de batismo da criança naquele ano. Nesse mesmo dia 21, o Doutor Câmara Torres recebeu de presente do Frei Ludovico, da Ordem dos Carmelitas, do Convento do Carmo, em Angra dos Reis, o livro Brasileiros Heroes da Fé, de Manoel E. Altenfelder Silva (Livraria Salesiana Ed., SP, 1928), com a seguinte dedicatória: “Ao Exmo. Sr. Dr. José Augusto da Câmara Torres, por ocasião do nascimento do seu filho Marcelo, oferece Frei Ludovico van Tienen / Prior do Convento do Carmo. Angra, 21.1.50”.


Cinco dias após o nascimento do primeiro filho-homem de José Augusto e Tudinha,
a edição de 26 de janeiro de 1950 do jornal O Estado, de Niterói, RJ, publicou a notícia.
(Acervo Marcelo Câmara)



Até 1962, por doze anos, Marcelo foi o único homem dos sete filhos de José Augusto e Tudinha, entre seis meninas, três mais velhas e três mais novas. Era chamado pela mãe de “O bendito fruto entre as mulheres”. Isto não o beneficiava em nada, não lhe concedia privilégios ou prêmios. Ao contrário. Magrinho e pequeno, brincava muito na rua, onde apanhava sempre, pois os pais eram prevenidos: “A convivência diária e contínua com seis meninas poderia afeminar o Marcelo”. Por ser “o único homem da casa”, e com o pai, advogado e político, sempre em ritmo de vida agitada e atribulada, trabalhando muito, viajando quase sempre nos finais de semana, a Marcelo eram atribuídas as tarefas domésticas e missões familiares tipicamente masculinas, mais ingratas, penosas e espinhosas. Exemplos: auxiliar a mãe nas compras do mercado e mercearia, inclusive indo várias vezes à rua para comprar o que ela se esquecia (desde os quatro anos de idade); ir às 4h30m da madrugada para a “fila do leite”, acompanhando a mãe, nos períodos de falta do produto, no início da década de 1960 (“A família não pode viver sem tomar leite de vaca”; leite em pó solúvel ou outros sucedâneos não eram aceitáveis); sanar problemas físicos da casa derivados de ocorrências diversas, acidentes e incidentes; atender, no portão, visitas, desconhecidos, pedintes etc. Esse “principado” indesejável durou até os dezoito anos. Menino inteligente, criativo, travesso, quando a mãe voltava do trabalho no Departamento do Ensino Médio e, depois, do Conselho Estadual de Educação, do centro de Niterói, as chineladas eram quase diárias. Isto porque havia seis vozes femininas uníssonas denunciando as “artes” de Marcelo que importunavam as seis meninas. Os presentes, as benesses, ele era o último a receber, pois a máxima “Primeiro as damas” não valia nos momentos de reprimendas, castigos, quando ele mais uma ou mais irmãs eram alvos: era o primeiro a levar chineladas. A educação familiar, moral e religiosa, rígida, inflexível, também sob a ameaça de punição do castigo e do chinelo, tinham normas implacáveis: o filho homem, enquanto com os pais habitassem, não podia estar em casa ou sentar à mesa de refeições sem camisa, e, inexoravelmente, devia cortar o cabelo à moda “Príncipe Danilo” na infância e “meia-cabeleira” na puberdade, cabeleira com topete à la Elvis Presley. Depois, cabelo grande até os ombros à la Beatles – jamais. No jantar, a sopa antes da comida, era obrigatória para todos os filhos. As punições aos atos que contrariassem o corte de cabelo, bem como a sopa antes do jantar, poderiam ser, como sempre, as chineladas e os castigos. Igualmente, compulsórias eram a missa aos domingos e dias santos e a abstinência de carne de vaca e de porco durante toda a Semana Santa, da segunda após o Domingo de Ramos ao Sábado de Aleluia, inclusive. Os filhos que saíssem à noite deveriam estar em casa até as 22 horas. As meninas, enquanto viveram sob o teto da família, eram proibidas de usar maiô de duas peças ou biquinis. No lar do Dr. Câmara e da Dona Tudinha não entravam gibis (revistas em quadrinhos), nem era permitido os jogos de cartas (baralho).


Marcelo aos dez meses de idade, na varanda da sua casa em Angra dos Reis.

(Acervo Marcelo Câmara)



Aos quatro anos, Marcelo começou a acompanhar o pai nas suas atividades como  Técnico de Educação, Advogado e Político. Em casa e fora do lar. Nas saídas à rua, o pai  lhe dava o dedo mínimo para ele segurar e o levava às escolas, aos cartórios, às reuniões com clientes, outros advogados, promotores públicos, escrivães, tabeliães, juízes; e, no âmbito político, encontros, comícios etc.. As idas a cartórios nunca agradavam a Marcelo, que as consideravam cacetes, entediantes, uma burocracia que não suportava. Parecia um prenúncio, um vaticínio, um aviso que o menino recebia, pois iniciara a sua vida como servidor público aos vinte anos, após ser aprovado em concurso público, no cargo de Secretário de Juízo (Escrivão de Justiça), função e emprego que detestava, demitindo-se em menos de sete anos. 

O que fascinava o menino eram as reuniões e viagens  políticas, comitivas oficiais de  Presidentes da República, governadores, ministros, secretários de Estado e prefeitos; reuniões partidárias, pré-eleitorais, nos âmbitos local, regional e nacional. Foram nelas que ele conheceu de perto, com alguns até convivendo, grandes líderes da Política fluminense e nacional, como Adhemar de Barros, Roberto Silveira, Amaral Peixoto, Miguel Couto Filho, governadores, senadores, deputados federais e estaduais, prefeitos e vereadores, que conviveram com seu pai. Políticos, correligionários e adversários de Câmara Torres. Assim, conheceu os bastidores, diálogos, as negociações, as discussões, os impasses e acordos da Política

A partir dos treze, quatorze anos, Marcelo, entre as tarefas de estudante e agitada vida de jovem católico pariticpante de entidades e movimentos, passou a auxiliar, diretamente, o pai, ajudando-o, acompanhando-o e resolvendo questões políticas e a administrativas de interesse do Extremo Sul do Fluminense, em Secretarias e órgão públicos estaduais e federais, verificar andamentos de processos nos Fóruns da Justiça, de Niterói e do Rio,  onde o advogado possuía causas das quais era patrono. Dos dezoito aos vinte anos, muitas vezes, substituía o motorista do político e advogado, em viagens pelo interior do Estado. Em 1970, viajou por todo o Estado com o pai,  em campanha, quando este concorreu a uma cadeira na Câmara Federal.

  • A 11.3.1951, nasce, em Angra dos Reis, Márcia, quarta filha de José Augusto e Tudinha. Um ano mais nova que Marcelo, foi a irmã mais próxima a ele durante a infância e juventude.
  • Em agosto de 1951, o Técnico de Educação, Professor José Augusto da Câmara Torres, é eleito um dos festeiros das celebrações do Segundo Centenário da Igreja da Lapa e Boa Morte, de Angra dos Reis.
  • Em novembro de 1951, o Técnico de Educação recebe carta pessoal do Senhor Nelson Roméro, agradecendo a conferência Vida e Obra de Sylvio Roméro, proferida em 1949, em Paraty, sobre seu pai, o grande Silvio Romero.
  • Em 1951, Câmara Torres, Presidente da Associação de Caridade São Vicente de Paulo, lança a pedra fundamental do Asilo São Vicente de Paulo e inicia as suas obras, inaugurado em 1957.
  • No início de 1952, Câmara Torres ingressa no Aero Clube do Estado do Rio de Janeiro - ACERJ, uma escola de aviação de formação, treinamento e aperfeiçoamento de pilotos, e de aeromodelismo, sediado na Praia das Charitas, em Niterói. A paixão pela Aviação é construída nos estudos de dois de seus ídolos da infância e juventude: seu conterrâneo Augusto Severo (*Macaíba, RN, 1864 – †Paris, França, 1902) e Santos Dumont (*Palmira, MG, 1872 – †Guarujá, SP, 1932). Dois anos depois, é eleito Vice-Presidente da entidade, onde realiza trabalho notável pelo desenvolvimento da Aviação Civil no Estado, destacadamente no Extremo Sul Fluminense, onde constrói o Aeroporto de Angra dos Reis com recursos próprios, e realiza os primeiros pousos e decolagens na Região. O ACERJ desaparece na década de 1970.


Carteira do sócio de Câmara Torres no ACERJ em 1952, ano do seu ingresso,
que possuía a matrícula nº 1081. Já em 1954, é o Vice-Presidente da entidade,
tendo na Presidência o Desembargador Pache de Faria.
Depois, Presidente do Conselho Deliberativo,
e, num período de crise, Interventor com poderes de Presidente.
(Acervo Marcelo Câmara)

  • A 27.6.1952, o Técnico de Educação, Professor José Augusto da Câmara Torres, participa de um banquete no Palace Hotel, em Angra dos Reis, em comemoração ao aniversário natalício do médico, ex-prefeito e ex-deputado estadual Moacyr de Paula Lobo, dirigente do PSD e chefe político no Município.
  • A 25.9.1952, foi lançado o Concurso da Rainha da Primavera de Angra dos Reis, com a participação de escolas, clubes e associações de classe do Município, que se destinava “a realçar os dotes de beleza e de simpatia da mulher angrense”. A renda obtida com o evento teve por objetivo a arrecadação de fundos para a continuação das obras do Asilo da Velhice Desamparada de Angra dos Reis. A ideia do certame e à frente da Comissão Central estava o Técnico de Educação, Professor José Augusto da Câmara Torres.
  • A 31.10.1952, após convocar lideranças comunitárias e empresariais de Angra dos Reis, realiza reunião visando a “combinar providências sobre a organização de uma sociedade destinada ao desenvolvimento cultural do município, com base na criação de um órgão de imprensa com oficinas próprias”.
  • Por volta de 1953, o advogado Doutor Câmara Torres telegrafa ao Secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, Milton Carvalho Braga, denunciando o cidadão e servidor público, João Matos Travassos Filho, que, em Angra dos Reis, todos os dias, “durante seis horas, desliga todo o fornecimento de força e luz à cidade, ligando apenas o Entreposto de Gelo que foi arrendado pelo mesmo Travassos, sem concorrência, obtendo grandes lucros, em monopólio, com prejuízos à população”. O Doutor Câmara Torres assinou o telegrama como “Advogado”. O Governo do Estado agiu, abriu inquérito e resolveu o problema.
  • A 6.1.1953, os conterrâneos, amigos e correligionários do Prefeito de Angra dos Reis, João Gregório Galindo, lhe ofereceram um banquete para saudar e festejar sua formatura como Bacharel em Direito, pela Faculdade de Direito de Niterói. A ágape realizou-se no Palace Hotel, e, entre os convidados, um dos primeiros a usar da palavra para felicitá-lo foi o Técnico de Educação, Professor José Augusto da Câmara Torres.


Pela manhã do mesmo dia do banquete oferecido ao Prefeito João Gregório Galindo
pelos seus amigos e correligionários, Em homenagem à formatura como Bacharel em Direito,
alguns destes mesmos admiradores se reuniram no famoso Bar do Bruno (Bar Iracema),
no centro de Angra dos Reis. Na foto, sentados (da esq. p/ dir.), Cassemiro Barra,
Câmara Torres, Paulo Queixinho, Nair de Almeida e Jorge Daher; em pé, no mesmo sentido,
Dona Olimpia  Bruno (esposa de Bruno Andrea), Natal, João Galindo, Jaurez Portugal,
Orlando Gonçalves, Bruno Andrea (dono do Bar), Emilio (sobrinho do Sr. Bruno),
e Jair Vasconcelos. O Bar do Bruno foi um dos mais emblemáticos pontos de encontro
da sociedade angrense, principalmente de empresários e políticos, dos anos 1930 a 1970,
onde eram primorosos os croquetes de carne, as empadinhas e outros salgados.
(Foto do Acervo de Ricardo Natal Bruno, filho de Bruno Andrea - Acervo Marcelo Câmara)

  • A 24.1.1953, o Técnico de Educação, Professor José Augusto da Câmara Torres, foi o paraninfo da Turma das Professoras, formadas pelo Curso Normal anexo do Ginásio Angrense.
  • Em fevereiro de 1953, com a iniciativa e a coordenação do Técnico de Educação, Professor José Augusto da Câmara Torres, foi realizada de mais uma Colônia de Férias para estudantes do Curso Primário, realizada nas dependências do Grupo Escolar Lopes Trovão, na cidade de Angra dos Reis. Desta vez, Angra recebeu estudantes da Região Serrana fluminense. As atividades esportivas, lúdicas e de lazer foram dirigidas pelo Prof. Cândido Rodrigues Brasileiro e sua esposa, a Profa. Maria José Brasileiro. As Colônias de Férias objetivavam o intercâmbio, o conhecimento e a troca de experiências culturais e educacionais entre os municípios.
  • A edição de 15.3.1953 do jornal O Litoral, de Angra dos Reis, publica a relação dos sócios-proprietários do Clube Comercial, que acabara de ganhar uma bela e moderna sede própria, à Rua do Comércio. Entre os fundadores, incluídos na relação, está o nome do Doutor José Augusto da Câmara Torres.
  • A 10 de maio de 1953, Câmara Torres está na Matriz de Nossa Senhora dos Remédios, como Congregado Mariano e Chefe da Inspetoria Estadual de Ensino, participando da Páscoa dos alunos do Grupo Escolar Samuel Costa, em Missa cantada pelos estudantes e consagração das Famílias à Padroeira do Município. O evento fez parte do Programa Ave Maria Gratia Plena - Maio – Mês de Maria, cumprido de 3 a 31 de maio daquele ano, que incluiu Missa pela alma do Monsenhor Hélio Pires, célebre Vigário da Paróquia, de 1910 ao seu falecimento a 21.6.1952, e romaria ao seu túmulo no Cemitério local de todas as associações religiosas e povo católico.
  • A 4.7.1953, na cidade de Angra dos Reis, o Técnico de Educação, Prof. José Augusto da Câmara Torres, com centenas de cidadãos e cidadãs angrenses, “chefes-de-família, educadores e responsáveis pela juventude de nossa terra”, encabeça um Manifesto Público de Protesto, distribuído em toda a cidade, e acompanhando a edição de 12 do mesmo mês, do jornal O Angrense, da Congregação Mariana, semanário dirigido pelo legendário e popular Frei Hugo Brasil, contra a exposição de “cartazes indecentes expostos nas ruas de Angra pelo proprietário do Cine Araribóia”. O Manifesto foi consequência da promessa não cumprida pelo empresário de retirar, dias antes, “dentro de dez minutos”, os cartazes, após receber em comissão um grupo de lideranças comunitárias, tendo à frente o Congregado Mariano, Câmara Torres, a pedido do Sr. Vigário da Paróquia. O Manifesto protestava “contra a exposição de cartazes indecorosos, que só servem para corromper a juventude a arrancar das criancinhas a inocência.(...) Fazemos um apelo aos Srs. Pais, a fim de que não permitam que seus filhos assistam a filmes, que neles possam despertar sentimentos menos honestos” – acrescentava o volante. O Manifesto arrematava: “Esperamos que os responsáveis levem em conta nosso protesto, porque somos nós e nossas famílias que frequentamos o único cinema da nossa terra”.
  • Em 1953, governava o Estado do Rio de Janeiro Amaral Peixoto, e Paraty, o Vice-Prefeito Antonio Mário Pompeu Nardelli, no impedimento do Prefeito Derly Helena, ambos do Partido Trabalhista Brasileiro - PTB. A 6 de março daquele ano, o vereador da União Democrática Nacional - UDN, Antônio Núbile França, o Nhonhô, telegrafa ao Doutor Câmara Torres, então Técnico de Educação, Advogado na Região, Presidente do Diretório do Partido Social Progressita - PSP, de Angra dos Reis, e Líder Adhemarista na Região, lamentando não poder comparecer a uma reunião que o político organizara com o então Diretor do DER-RJ, Engenheiro Saturnino Braga, para tratar da abertura da Estrada Paraty-Cunha. No telegrama, Nhonhô pede para que o Doutor Câmara o recomende ao Doutor Saturnino e reivindica a necessidade primordial da construção da Estrada para o Município. O telegrama é o documento mais antigo do Acervo Marcelo Câmara, onde um vereador de Paraty reivindica, oficial e expressamente, ao Governo do Estado, a abertura da Estrada Paraty-Cunha.


O histórico telegrama do Vereador Nhonhô a Câmara Torres.

(Acervo Marcelo Câmara)

  • Em outubro de 1953, Câmara Torres integra a Comissão Organizadora da Campanha que angariava fundos para compra de uma ambulância para a Santa Casa de Misericórdia de Angra dos Reis e para as obras do Asilo São Vicente de Paulo. O principal instrumento de arrecadação foi a eleição da Rainha da Cidade, quando cada clube social e esportivo possuía uma candidata que vendia votos para a sua vitória. A Campanha foi idealizada e teve o apoio do jornal O Angrense, órgão da Congregação Mariana, sob a direção geral de Frei Hugo Brasil.
  • A 19.11.1953, Câmara Torres está em Lídice, Distrito de Rio Claro, RJ, na Festa de Santa Maria.
  • De 20.11 a 7.12.1953, Câmara Torres participa das Solenidades do Ano Jubilar Mariano, por ocasião do Centenário do Dogma da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, Padroeira da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Angra dos Reis. No dia 8 de dezembro, acontece a tradicional Festa na Cidade e Município.
  • A 26.12.1953, Câmara Torres está presente na posse do Poeta Brasil dos Reis na Academia Valenciana de Letras, em Valença, RJ. A saudação é feita pelo Promotor Público de Angra dos Reis e Acadêmico daquele sodalício, João Fausto de Magalhães, futuro Juiz da Comarca angrense, hoje nome do Fórum da Comarca, edifício planejado por Câmara Torres, quando Secretário do Interior e Justiça, e, depois, oficializado com o nome do magistrado, graças à iniciativa e trabalho junto ao Tribunal de Justiça, do advogado José Augusto da Câmara Torres, então Presidente da Subseção da OAB em Angra dos Reis, unidade que este criou e instalou.
  • A 22. 4.1954, nasce, em Angra dos Reis, Marília, a quinta filha de José Augusto e Tudinha. Inicialmente, se pensou no nome “Margarida”, a ser dado à menina, mas, depois, prevaleceu o nome da musa de Thomaz Antônio Gonzaga, personagem poética que fascinou, por toda a vida, o pai, que era historiador e professor de Literatura.



1955. Famílias católicas angrenses depois da Missa de domingo na Matriz.
Na sacristia, o casal à esq. é o Deputado Estadual Câmara Torres e sua esposa,
a Profa. Gertrudes, com os filhos, ambos de branco, Marcelo e Márcia;
mais à dir., de terno branco, o Deputado Federal Jonas Bahiense Lira e sra.,
com os dois filhos, Jonas e Márcio; mais à dir., ao lado, abaixo da imagem da Madona,
e ao lado do padre, o Prefeito Salomão Reseck e a Profa. Dulce,
com os três filhos de branco e de gravata borboleta: Pedro Abílio, José Luiz e Carlos Alberto.
Atrás dos três filhos de Salomão, o farmacêutico e Vereador Benedito Braz Pereira
também de terno branco, ao lado da matriarca
Senhora Nazira Salomão, mãe do Prefeito.
(Acervo Marcelo Câmara)


  • A 12.12.1954, o Técnico de Educação, Prof. Câmara Torres, está em Passa Três, Rio Claro, RJ, participando da “Grande e Tradicional Festa em louvor à Nossa Senhora da Conceição. De 7 a 12 houve Ladainhas e seis Leilões; no Dia 8, Missa cantada. No dia 12, Alvorada Musical às 8h, Missa Festiva às 8h, Missa Solene com o Coro Santa Cecília de Passa Três que cantou o Te Deum Laudames, de Perosi. Às 17 horas, Procissão, com as crianças do Distrito vestidas de anjos e as casas iluminadas e decoradas. Abrilhantou os festejos a “famosa Banda de Música de Queimados”, de Nova Iguaçu. O Vigário era o Padre Cornélio Strooband.
  • Em 1954, o Doutor Câmara Torres planeja e constrói, por sua iniciativa e com recursos próprios, na Várzea da Japuíba, 1º Distrito de Angra dos Reis, o primeiro Campo de Aviação do Município, depois Campo de Aviação de Angra dos Reis, e, hoje, Aeroporto de Angra dos Reis, de médio porte, que está para receber o nome de Câmara Torres, em homenagem à sua memória, ao seu trabalho pioneiro, de realizador e grande incentivador do transporte aéreo, da Aviação no Extremo Sul Fluminense.


1954. Da dir. p/ esq.: Câmara Torres e sua esposa Tudinha, encostados em um avião monomotor
Cessna, certamente o primeiro a pousar no Campo de Aviação da Japuíba, que ele construiu
com recursos próprios, hoje Aeroporto de Angra dos Reis, que, em breve, será denominado
Aeroporto Câmara Torres, segundo desejo antigo da população e da Câmara Municipal
à época da sua partida em 1998.
(Acervo Marcelo Câmara)


Quem trabalhou or mais de um ano, preparando o terreno e a grama para o pouso de pequenas aviões, tudo sob a orientação e pago por Câmara Torres, foi o então agricultor angrense, o saudoso João Cândido Teixeira, o Joãozinho, que vivia na própria Japuíba, hoje bairro próximo à cidade de Angra dos Reis. Um dia de vitória, feliz para os dois, foi quando a biruta, indicando a direção dos ventos, começou a orientar os aeronautas. Mais tarde, na década de 1960, Joãozinho mudou-se para o Morro do Carmo na cidade de Angra dos Reis, onde trabalhou muitos anos como motorista de táxi, ficando conhecido como Joãozinho do Táxi, e, também como Joãozinho do Sindicato. Aposentou-se como operário do Sindicato dos Arrumadores de Angra dos Reis (“Sindicato da Resistência”), falecendo na década de 2010. De 1954 até 1970, Câmara Torres ficou conhecido no Estado como “O Deputado Teco-Teco”, ou “O Deputado dos Aeroclubes” ou “O Deputado da Aviação”, pois se utilizava muito do transporte aéreo em suas atividades políticas entre a Capital, Niterói, e Angra dos Reis, Paraty, Mangaratiba e Rio Claro, levando autoridades a esses municípios, bem como socorrendo os mais pobres e as populações que viviam em lugares mais remotos, e que precisavam de socorro em situação de risco à saúde e à vida e em outras emergências. Foi Sócio Remido, Presidente do Conselho Deliberativo e Vice-Presidente do Aeroclube do Estado do Rio de Janeiro e integrou o Conselho Fiscal do Serviço Estadual de Transportes Aéreos – SETA, cooperativa privada que reunia empresas e profissionais da aviação civil. Também, foi Conselheiro da Fundação Santos Dumont no Estado do Rio de Janeiro, órgão nacional de estudos, apoio e estímulo à Aviação Civil.

  • A 24.2.1955, o Deputado Câmara Torres recebe gentil e fraterna carta, pessoal e manuscrita, do Bispo de Barra do Piraí, Dom José André Coimbra, reiterando o seu pedido, feito no ano anterior, em Angra dos Reis, no sentido de angariar donativos, entre os círculos de amizade e convivência do Parlamentar, para a instalação da Casa N. Sa. de Fátima daquela cidade, primeiro Palácio do Bispado, que estava sendo reconstruído e ampliado, e serviria de residências às Irmãs de Jesus Crucificado, e pensionato para moças e dispensário para os pobres. O pensionato, explicou o Bispo, irá auxiliar na manutenção das Irmãs, cuja obra principal de apostolado social e espiritual será a catequese de crianças e adultos O Deputado conseguiu, junto aos seus amigos, vários donativos à obra assistencial e espiritual.
  • Por volta de 1955, Câmara Torres faz os primeiros voos em direção a Paraty, que construiu o seu “Campo de Pouso” em 1952, quando houve a fuga de mais de uma centena de presidiários de alta periculosidade da Colônia Correcional da Ilha de Anchieta, no litoral norte de São Paulo. (Hoje, o referido Campo de Pouso ou de Aviação de Paraty é denominado Aeroporto Dom João de Orleans e Bragança, em memória do ilustre morador da Família Real Brasileira que viveu e foi empresário na cidade por mais de trinta anos.). Os presos se espalharam pela Serra do Mar, nos municípios de Ubatuba, Caraguatatuba e Paraty. Morreram mais de uma centena de fugitivos, soldados e guardas penitenciários. Aquele “Campo de Pouso” foi criado, emergencialmente, numa operação de guerra, conjunta e rápida, entre os Governos dos Estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, com a ajuda do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, no sentido de desembarcar tropas e armas a fim de recapturar os temíveis “fugitivos da Ilha de Anchieta”. Câmara Torres realizou, a partir de Angra, os primeiros voos para Niterói e Rio, principalmente com duas finalidades. A primeira, para socorrer o povo pobre, sem recursos, doente ou acidentado que necessitava de socorro médico, ainda mais, num tempo, em que Angra dos Reis e Região não tinham ou possuíam precaríssimos meios de transporte e comunicação com os grandes centros; e, segundo, para levar a Angra autoridades estaduais e federais que precisavam ir, a trabalho, ao Município. Câmara Torres, iniciou as viagens a Paraty com os mesmos objetivos. A partir do seu primeiro mandato, e até 1970, o Deputado nunca deixou de incluir no Orçamento do Estado verbas para conservação e ampliação do aeródromo de Paraty.


1954. O Deputado Câmara Torres, vindo de Angra, pousa, pela primeira vez, em Paraty,
com um pequeno avião monomotor Cessna, com um piloto-instrutor do Aero Clube
do Estado do Rio de Janeiro, do qual o Parlamentar era Vice-Presidente.
Ao “Campo de Aviação”, acorreram dezenas de amigos e curiosos. Por mais de trinta anos,
ele aterrissou na cidade e dela decolou, atendendo à população que necessitava
de assistência médica e social, e levando autoridades para ouvir as demandas do Município.
Na primeira fila, da dir. p/ esq., o Deputado é o quinto, de terno branco.
(Acervo Marcelo Câmara)


  • Na noite de 10.12.1955, o Deputado Câmara Torres comparecia à Câmara Municipal de Angra dos Reis, a fim de participar da solenidade de entrega de certificados e diplomas aos concluintes dos cursos ginasial, normal e de técnico em contabilidade, do Ginásio Angrense, instituição que ajudou a fundar anos antes.
  • De 24.3 a 2.4.1956, o Doutor Câmara Torres, na qualidade de Irmão Provedor da Secretaria da Irmandade do Glorioso São Benedito, lidera, na Cidade de Angra dos Reis, as “Festividades em Louvor ao nosso orago, Glorioso São Benedito”. O extenso Programa foi inaugurado na tarde do Sábado da Paixão, 24.3, com Procissão que levou a imagem do Santo, da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, acompanhada de sua Irmandade e do Povo, até a Igreja Matriz de N. Sa. da Conceição, por se achar em obras a Igreja de Santa Luzia. Nesse mesmo dia, Missa Cantada, Primeira Ladainha de São Benedito e Bênção do SS. Sacramento, acompanhado do Coro da mesma Igreja, sob a direção da organista Maria Ondina Coelho de Andrade, que iria abrilhantar todos os atos da Festa. Em seguida, apresentação da Banda de Música Euterpe Angrense, sob a regência do Maestro Fúcio Ignácio Brasil. No Domingo de Ramos, Levantamento do Mastro, Procissão do Painel com o emblema do orago e Segunda Ladainha com Bênção do Santíssimo. Na noite do Domingo da Ressureição, recepção ao Bispo de Marquês de Valença, Dom Rodolfo das Mercês de Oliveira Pena, que chega a Angra para participar das solenidades da Festa e, no dia seguinte, administra o Santo Crisma, e realização da Terceira Ladainha. Na “Segunda-feira de São Benedito”, 2 de abril: Alvorada com a Euterpe Angrense, Missa com cânticos, celebrada pelo Bispo e Comunhão Geral, Missa Cantada pelo Vigário Carmelita, Padre Frei Policardo, seguida de passeio festivo da Banda de Música pelas ruas da cidade e visita às residências dos Juízes da Irmandade. Finalmente, à tarde, “Imponente Procissão de São Benedito”, em majestoso andor, ricamente ornado, percorrendo tradicional roteiro urbano, ao som de cânticos e da Banda de Música Euterpe Angrense. A Procissão de São Benedito, em Angra dos Reis, era uma das maiores manifestações religiosas do Estado. Uma multidão, vinda de todos os cantos de Angra, de outros Municípios e Estados, participava da bissecular manifestação de fé e devoção. A 31 de março, ônibus especiais partiram da Pça. Mauá, no centro do Rio, em direção a Angra, com centenas de fiéis. Após a Procissão, no Largo da Matriz, fala do Pe. Abílio Raul Martins, Ladainha, Atos protocolares da Mesa da Irmandade, o famoso Leilão de Prendas, mais Música e o grandioso espetáculo dos fogos de artifício. A 8 de abril, “Domingo da Pascoéla”, à tarde, o “descimento do Mastro, a última ladainha e a solene Procissão de retorno da Imagem de São Benedito à Igreja da Ordem Terceira de São Francisco. Encerrando as Festividades, o último Leilão de Prendas no Largo da Matriz.



(Foto em edição)




  • Em março de 1956, participava do extenso programa da Semana Santa na Cidade de Angra dos Reis, organizada pela Venerável Ordem Terceira do Carmo, à qual pertencia.
  • Em março de 1956, José Augusto, Tudinha e os seis filhos mudam da Cidade de Angra dos Reis para Niterói, onde uma casa é alugada na Rua Miracema, nº19,no Bairro do Pé Pequeno.

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Março de 1956: o Advogado e Deputado, com a família, muda para Niterói,
mas mantém o antigo endereço residencial e escritório em Angra.
(Acervo Marcelo Câmara)


  • A 13.5.1956, o Deputado Câmara Torres está no 3º Distrito de Angra dos Reis, participando da Festa do Glorioso São Benedito. No dia 4, iniciaram-se as Novenas e a 12, houve Confissão Geral. No dia da Festa, pela manhã, após a Missa com Comunhão Geral às 7h e Missa Solene às 10h. À tarde, houve corrida de resistência, de Jacuecanga e Monsuaba; colheita de prendas para o Leilão; corrida de saco e pau-de-sebo. Às 17h, Procissão, Ladainha de Encerramento e leitura do festeiro, juízes e comissionado para a Festa do ano seguinte, 1957. Às 20h, Leilão de Prendas e Fogos de Artifício. O Festeiro de 1956 foi Armando Jordão Carneiro.
  • A 4.7.1956, funda na sede do Clube Comercial, o Aero Clube de Angra dos Reis, sendo eleito o seu primeiro presidente.
  • A 13.7.1956, o Deputado Estadual, Câmara Torres (PSP) e o seu correligionário, Deputado Federal Jonas Bahiense Lyra (PTB) patrocinam a Oitava Ladainha da “Grandiosa Festa de Nossa Senhora do Carmo”, da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Angra dos Reis. O “Dia da Festa”, com Missas Festiva e Cantada, e “Imponente Procissão”, deu-se no domingo, 15 de julho, sob a responsabilidade do Comando e alunos do Colégio Naval. No dia seguinte, “Dia Litúrgico de N. Sa. do Carmo”, ocorreu a “Bênção Papal”. Naquele ano, a Festa foi histórica, porque comemorou os cinquenta anos, desde 1906, quando a Comunidade Carmelita se encarregou da Paróquia. O programa inaugurou-se a 6 de julho indo até a noite de 16.
  • Na tarde de 1º.9.1956, o Deputado Câmara Torres participava, na condição de Vice-Presidente, da Reunião Conjunta de Conselheiros e Diretores do Aero Clube do Estado do Rio de Janeiro, na Praia de Charitas, em Niterói, convocada pelo Presidente Desembargador Gastão de Castro Pache de Faria, a fim de “estudar e estabelecer as diretrizes a serem tomadas pela nova Diretoria”.
  • Em setembro de 1956, era Presidente do Conselho Administrativo do Aero Clube do Estado do Rio de Janeiro, com sede na Avenida Quintino Bocaiuva, na Praia de Charitas, em Niterói. Em seguida, ocupou a Vice-Presidência da entidade em várias gestões presididas pelo Desembargador Pache de Faria.
  • A 21 de outubro de 1956, o Deputado Câmara Torres recebeu documento da Diretoria da Associação N. Sa. das Graças, da localidade de Patrimônio, 2º Distrito de Paraty, RJ, solicitando ajuda financeira, uma oferta, para construção de capela em louvor da “Mãe do Salvador”, para realização da Festa em honra da Santa.


23.10.1956, o Deputado Câmara Torres, ao centro, Vice-Presidente
do Aero-Clube do Estado do Rio de Janeiro numa reunião
da Diretoria da entidade. À dir., o Presidente, Desembargador Pache de Faria
e, à esq., o Governador Miguel Couto Filho.
(Acervo Marcelo Câmara)

  • A 31.10.1956, na condição de Congregado Mariano, Líder Católico e Político, pronuncia, em Sessão Solene da Câmara Municipal de Rio Claro, RJ, Oração que saudava o Bispo da Diocese de Barra do Piraí, RJ, Dom Agnelo Rossi, em nome da Paróquia de N. Sa. da Piedade, na Visita Pastoral do prelado àquela cidade.
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