terça-feira, 4 de agosto de 2020

O HOMEM E O SEU TEMPO - DE 1957 A 1998

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CENTENÁRIO DE CÂMARA TORRES
1917-2017
José Augusto da Câmara Torres
(* Caicó, RN, 1917 – † Niterói, RJ, 2017)
Jornalista, Educador, Advogado, Político
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O HOMEM E O SEU TEMPO
ALGUNS FATOS DE 1957 A 1998

O PERCURSO EXISTENCIAL DE
JOSÉ AUGUSTO DA CÂMARA TORRES
DE MARÇO DE 1957
A 22 DE AGOSTO DE 1998


ALGUNS REGISTROS

  • Em março de 1957, na condição de Vice-Presidente do Aeroclube do Estado do Rio de Janeiro, o Doutor Câmara Torres e o Desembargador Pache de Faria, Presidente, participam da Revoada Comemorativa do Cinquentenário do 14-Bis, de Niterói com destino a Buenos Aires, uma das representações do Brasil nas solenidades realizadas na capital argentina. Depois, foram a Mar Del Plata. Antes e depois da sua estada na Argentina, estiveram no Uruguai, onde visitaram Montevideo e Punta Del Leste. Era a primeira vez que José Augusto saía do País.

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Crachá de Câmara Torres,
participante da Revoada de Santos Dumont.
Num monomotor Cessna, Câmara Torres,
o Desembargador Pache de Faria, Presidente do Aero-Clube,
e o piloto Cileno Rocha,
sob o comando do valoroso e experiente piloto
José Viegas dos Santos,
partiram do Aeroporto na Praia de Charitas
“numa bela e emocionante aventura”.
Primeiro pernoite em Paranaguá, PR. No dia seguinte,
escalas em Pelotas e Jaguarão, RS,
onde as aeronaves brasileiras se concentraram.
De lá, as escalas: Punta del Leste e Montevidéu,
no Uruguai, e, finalmente, Buenos Aires. Na Capital argentina,
as homenagens americanas ao Pai da Aviação.

(Acervo Marcelo Câmara)


  • A 22l.6.1957, José Augusto completou quarenta anos de vida. Na casa alugada do Deputado Estadual e Advogado, na Rua Miracema, 19, no Bairro do Pé Pequeno, Niterói, Tudinha, naquela noite de sábado, reúne os filhos e os amigos mais próximos em torno de uma mesa festiva para comemorar a data. Ao centro, um bolo confeitado com a inscrição: "A vida começa aos 40". Dos seis filhos, apenas os dois mais novos, Márcia de seiso anos e Marília de dois anos, não participam do Parabéns pra você que acontece por volta das 22 horas.


Os quarenta anos de Câmara Torres. Da esq. p/ dir.: Celso Peçanha
e sua 
mulher,  Hilka; os pais do aniversariante,
José Antunes Torres e Maria 
da Câmara Torres;
José Augusto e
Tudinha; atrás destes, Zila e seu companheiro
 Marconi da Câmara Torres, irmão de José Augusto; atrás, somente o rosto,
Paulo Fernando de Oliveira, amigo de Marta Nóbrega da Câmara Torres;
Sra. Sardo Filho; atrás Lavoisier Torres Alves, sobrinho de José Augusto;
Dayl de Almeida e sua mulher, Maria Coeli Felício dos Santos de Almeida;
Sr. Rubens, amigo de José Augusto de juventude; Jo9rnalista Sardo Filho,
diretor do jornal A Palavra
próximo à mesa: Jerônimo Torres Alves,
sobrinho de José Augusto; 
Marcelo Nóbrega da Câmara Torres; atrás dele,
a irmã Marta, seguida das irmãs Maria Beatriz 
e Maria Tereza;
Aprígio Torres Alves, sobrinho de José Augusto;
e Sabará, morador da Rua Miracema, amigo de Marcelo.

(Acervo Marcelo Câmara)

  • Em 19.7.1957, o cristão, congregado mariano e vicentino José Augusto da Câmara Torres, na condição de Presidente da Associação de Caridade São Vicente de Paulo, após anos de intenso trabalho, com a indispensável ajuda de muitos angrenses, inaugura, na presença de toda a diretoria da instituição, doadores, filantropos, contribuintes, autoridades e povo em geral, o Asilo São Vicente de Paulo, de Angra dos Reis. Idealizado por ele, a obra, além de supervisionada, foi, também, em boa parte, viabilizada com subvenções obtidas pelo Parlamentar, graças à sua ação junto ao Conselho de Serviço Social do RJ, e na Assembleia Legislativa, obtendo verbas através de Emendas às Mensagens do Governo do Estado na elaboração das sucessivas Leis dos Orçamentos Públicos.


O Deputado Estadual Câmara Torres, faz, na entrada do prédio,
o discurso de inauguração do Asilo São Vicente de Paulo.
Na fila à esq., três personalidades da vida angrense:
o empresário e filantropo Catulino Gomes Neto;
o Vereador Heitor Chagas da Rocha
e o Deputado Federal Jonas Bahiense Lyra.

(Foto Acervo Marcelo Câmara)





19.7.1957. Domingo festivo em Angra dos Reis.
 Angrenses comemoram a inauguração em frente 
ao prédio
do Asilo S. Vicente de Paulo, sonho da população:
uma instituição para abrigar  e cuidar 
da velhice desamparada.
Na primeira fila, agachados, os meninos do Grupo de Escoteiros
do Mar 
Almirante Cândido Brasil, fundado pelo e liderados
pelo querido Chefe Cotta (Roberto Seixas Cotta).
No centro da foto, de terno escuro, entre dois militares,
um dos baluartes da obra assistencial: o Prefeito Salomão Reseck.

(Acervo Marcelo Câmara)



Maio de 1958. A obra social, em pleno funcionamento.
(Acervo Marcelo Câmara)

  • A 14.12.1957, Câmara Torres paraninfou a Turma que conclui o Curso da Escola Normal Everardo Backheuser, de Angra dos Reis, naquele ano. À Sessão Solene de Formatura, presentes o Vice-Governador Roberto Silveira, autoridades civis e militares, estaduais e municipais. .
  • A 12.3.1958, Câmara Torres foi eleito para compor do Conselho Deliberativo do Iate Clube de Angra dos Reis – ICAR.
  • A 27.3.1958, foi eleito 2º Vice-Comodoro pelo Conselho Deliberativo do ICAR. Para o cargo de Comodoro foi eleito, para um segundo mandato (período 1958-1960) o seu amigo Dário Derenzi.
  • A 27 de julho de 1958, foi eleito, por unanimidade, Vice-Provedor do Hospital da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Angra dos Reis.
  • Acidente no encontro com o pai.
Por volta de agosto de 1958, o Deputado Câmara Torres estava em Paraty em companhia do seu filho Marcelo, de oito anos, em campanha eleitoral para a sua primeira reeleição à Assembleia Legislativa. O Parlamentar estava hospedado na cidade. Marcelo preferia ficar na casa do seu primeiro e maior amigo paratyense, o Senhor Otávio Gama, de 78 anos, na Praia da Jabaquara, a três quilômetros do centro da cidade. Otávio era agricultor, ex-destilador de Cachaça e Tesoureiro aposentado da Prefeitura. Patriarca de tradicional família da terra, pai de mais de duas dezenas de filhos, residia numa bela e ampla casa colonial rústica, a vinte passos do mar, no canto norte da praia. Numa tarde, o menino avistou o pai chegando de canoa à praia, onde desembarcaria vindo de alguma localidade praiana na Baía de Paraty. Era típico nessas casas existir, aberta a porta grande e alta dos fundos da residência, um portão de ripas mantido fechado com tranca, abrindo para fora, Marcelo, ansioso e alegre com a aproximação da canoa que trazia o pai, encostou no portão que estava destrancado, caindo de cabeça sobre uma grande pedra que servia como degrau para se alcançasse o chão da casa. O pior é que sobre a grande pedra havia uma pequena, em forma de triângulo. O tombo de Marcelo arremessou-o de testa sobre a pedra grande, e, certeiramente, sobre uma das pontas da pedra pequena. Muito sangue e choro. O pai foi logo avisado e Marcelo transportado, às pressas, a cavalo para a única farmácia da cidade, onde o Doutor José o aguardava. Amparado, de um lado, por Benedita Vieira de Oliveira (Dona Filhinha) e por Maria Stela de Araújo, o competente farmacêutico Senhor Hugo Miranda fechou, com suas habilidosas mãos, a importante ferida, com pontos bem ajustados, que fizeram cessar logo o sangramento e, em alguns dias, a cicatriz se formou. Até hoje, septuagenário, Marcelo traz a marca paratyana na testa.

  • A 8.9.1957, o Deputado Câmara Torres participa, em Paraty, RJ, do Dia Consagrado à Natividade de Nossa Senhora, auge do amplo Programa da “Tradicional e Soleníssima Festa de Nossa Senhora dos Remédios – Excelsa Padroeira de Paraty, que começou a ser cumprido a 30 de agosto. Ladainhas, procissões, missas, comunhão, alvoradas da Banda Sta. Cecília, sob a batuta do Maestro Benedito Flores, o Potico, leilões, apresentações do Coro Litúrgico, com a regência do Maestro J. Rubem, jogos esportivos, fogos de artifício, várias cerimônias religiosas e apresentações de música, canto, dança e folguedos do Folclore local constaram do Programa. O Festeiro foi o Sr. Ozório dos Santos, auxiliado por diversos Juízes, “honrados cidadãos da cidade”. Todos os atos religiosos da Festa foram oficiados pelo Pe. Irineu Penteado. O Vigário era o Pe. Gino Cecchin.
    • Na noite de 13.5.1959, na sede do Centro Juvenil de Orientação e Pesquisa, em Icaraí, o Deputado Câmara Torres pronunciou palestra sob o tema A importância da educação familiar e sistemática na formação integral do adolescente, seguida de debates. O Professor e Parlamentar recebeu convite do Presidente da Comissão de Pais e Educadores, o médico Doutor Walter Madeira.
    • Em 1959, o Deputado Câmara Torres idealiza e promove o certame, pela Loteria Federal, de prêmios no valor total de Cr$ 141.920,00, através de venda de tômbolas em todo o Estado do Rio, cujo lucro reverteu em benefício das obras sociais da Paróquia de Santo Antônio de Capivari, em Lídice, Rio Claro, RJ. Os prêmios foram doados pelo comércio e a indústria fluminense, a pedido do Deputado. A campanha foi um absoluto sucesso. O vigário de Lídice era o temperamental, conservador, irascível e temido sacerdote alemão Alfredo Oelkers, de tendências nazistas, adversário político de Câmara Torres por toda a vida, mesmo após o certame. Igualmente, o Padre Gad , vigário da Paróquia de Nossa Sa. da Piedade, de Rio Claro, na sede do Município, apesar de Câmara Torres advogar por décadas para a Mitra Diocesana de Barra do Piraí, e para a própria Paróquia, quase sempre gratuitamente, ter realizado várias ações de benemerência e filantropia para a Paróquia do Padre Gad, este sempre fez oposição política a Câmara Torres. A 17.7.1959, o Deputado Câmara Torres anunciou os ganhadores dos dez prêmios que couberam aos portadores dos bilhetes com os números da Loteria do Estado do Rio de Janeiro, extraída a 25 de julho de 1959. Com os recursos obtidos, o Vigário, Pe. Alfredo Oelkers, reformou a Igreja Matriz de Lídice e pôde continuar a desenvolver as obras sociais da Paróquia, que receberam notável impulso.
    • A 19.7.1959, em reunião da Associação de Caridade São Vicente de Paulo, autoridades, religiosos e filantropos, faz ampla rigorosa prestação de contas na condição de Presidente, então por dez anos, das atividades da Associação de Caridade São Vicente de Paulo, mantenedora do Asilo São Vicente de Paulo, de Angra dos Reis. Na oportunidade, deixa a presidência da entidade, desejando que os seus companheiros, associados, elejam uma nova diretoria.
    • Em 1959, o Jornalista, Professor, Advogado, Técnico de Educação e Deputado Estadual, já no segundo mandato, faz um empréstimo a um amigo de juventude, rico comerciante, a fim de pagar a entrada para a compra da sua primeira e única casa própria, pequena e modesta para a família, na Rua Presidente Backer, no Bairro de Santa Rosa, em frente ao Estádio Caio Martins. O saldo é pago diretamente ao ex-proprietário, mensalmente, por sete anos.



    Após vinte e três anos de trabalho profissional, dezoito de casamento
    e cinco como Deputado Estadual, em 1959, a mudança para a casa própria,
    pequena para a família de um casal e seis filhos, na Rua Presidente Backer.
    Ela é paga em mensalidades por sete anos. Nessa casa nasceriam mais dois filhos
    e Câmara Torres viverá até a sua partida.
    (Acervo Marcelo Câmara)

    • A 27.12.1959, nasce, em Niterói, Maria Cláudia, a última filha de José Augusto e Tudinha.
    • A 19 de julho de 1960, o Vice-Presidente do Aero Clube do Estado do Rio, Câmara Torres, apela, em nome da Diretoria da entidade, ao Governador Roberto Silveira, solicitando um auxílio de Cr$ 300 mil para recuperação de uma aeronave, na época avaliada em mais de Cr$ 2,5 milhões, “que já prestou inestimáveis serviços ao Governo e aos Estado transportando autoridades, remédios e doentes do interior para esta Capital e vice-versa”. Os serviços seriam feitos nas próprias oficinas do Aero Clube, onde se gastaria apenas o material necessário, e se feita em oficina particular se despenderia o dobro do valor. A carta, bem embasada e com dados técnicos, inclusive com o orçamento das peças e materiais necessários à recuperação, foi bem recepcionada e seu objetivo atendido pelo Governo do Estado.
    • Em dezembro de 1960, a Assembleia Geral do Aero Club do Estado do Rio de Janeiro resolveu eleger uma Junta Governativa, sob a Presidência do Deputado Câmara Torres, para conduzir a entidade por sessenta dias, em virtude de “irregularidades apontadas nas eleições para Presidente, Conselhos Deliberativo e Fiscal”.
    • Em dezembro de 1960, Câmara Torres foi reeleito para o Conselho Deliberativo do ICAR -biênio 1961-2.
    • Em dezembro de 1960, a Assembleia Geral do Aero Club do Estado do Rio de Janeiro resolveu eleger uma Junta Governativa, sob a Presidência do Deputado Câmara Torres, para conduzir a entidade por sessenta dias, em virtude de “irregularidades apontadas nas eleições para Presidente, Conselhos Deliberativo e Fiscal”.o início de fevereiro de 1961, o Deputado Câmara Torres foi eleito Presidente do Conselho Deliberativo do Aero Club do Estado do Rio de Janeiro. Como Presidente, o seu colega petebista e amigo, pré-candidato à sucessão de Roberto Silveira ao Ingá, Deputado Álvaro Fernandes.
    • No início de fevereiro de 1961, o Deputado Câmara Torres foi eleito Presidente do Conselho Deliberativo do Aero Club do Estado do Rio de Janeiro. Como Presidente, o seu colega petebista e amigo, pré-candidato à sucessão de Roberto Silveira ao Ingá, Deputado Álvaro Fernandes.
    • A 21.5.1961, o Deputado Câmara Torres coordenou e participou, em Paraty, da XVIII Concentração Mariana da Diocese de Barra do Piraí, que reuniu mais de 1 mil e 500 jovens congregados daquele Município, Angra dos Reis, Rio Claro, Barra Mansa, Volta Redonda, Barra do Piraí, Resende, Piraí, Mendes e Paulo de Frontin. A maioria deles partiu de Angra, em direção àquela cidade histórica, em diversas embarcações, formando um extenso cortejo. Presentes à Concentração, o Bispo Dom Agnelo Rossi, o Ministro do Tribunal Superior do Trabalho, Geraldo Bezerra de Menezes e os Deputados Estaduais, Dayl de Almeida e Padre João Pedron. A Imprensa considerou o evento “um grande acontecimento religioso, cívico, social e turístico”, porque “centenas de jovens de outros municípios tiveram a oportunidade de conhecer a mais original cidade do Estado do Rio”. Dividiram a coordenação do evento, Tito de Paula, presidente da Congregação Mariana da Diocese, e Aldmar Duarte, presidente da entidade de Paraty.


    1961. Líder e ativista católico desde a juventude, o Deputado Câmara Torres
    discursa na Concentração Mariana em Paraty. À dir., de branco,
    o Major Custódio de Carvalho, Delegado de Polícia do Município.
    (Acervo Marcelo Câmara)

    • Na manhã de 8.10.1961, o Deputado Câmara Torres participou da Missa dos Ex-Alunos de Dom Bosco, na Basílica de Nossa Senhora Auxiliadora, no Colégio Salesiano Santa Rosa, em Niterói, quando a sua turma comemorava 25 anos de formatura. Após a celebração, o Arcebispo da cidade, Dom Antônio de Almeida Morais Júnior, no Salão de Atos do Colégio, pronunciou palestra sob o tema O Ex-Aluno Salesiano na Sociedade Atual. O Deputado Dayl de Almeida, colega de turma de Câmara Torres, também esteve presente à comemoração.
    • A 25.3.1962, nasce, em Niterói, Marcos Augusto, o segundo filho, o caçula dos oito de José Augusto e Tudinha.
    • Na segunda-feira, 23.4.1962, em Angra dos Reis, o Deputado Câmara Torres participa de todos os eventos religiosos, dentro e fora dos templos, bem como profanos, populares e folclóricos, no principal dia de comemorações em louvor de São Benedito e São Jorge. O extenso Programa, elaborado e administrado pela Mesa Administrativa da Irmandade do Glorioso São Benedito, da qual Câmara Torres pertencia, incluiu dezenas de cerimônias (ladainhas, missas, Alvorada com Banda de Música Euterpe Angrense, foguetórios, Crisma, pregações, leilão, foguetório, retretas, dramatizações, folguedos, etc.), de 15 a 29 daquele mês e ano, na cidade.
    • A 29 de junho de 1962, o Deputado Câmara Torres foi o Paraninfo da Turma de 1961-2 do Ginásio Paratiense. A solenidade de  Formatura de dezesseis jovens realizou-se no Salão Nobre da Câmara Municipal da cidade. O educador e parlamentar não pôde comparecer e enviou uma mensagem à solenidade, lida na ocasião.
    • Em junho de 1962, o Deputado Câmara Torres e sua mulher, a Profa. Gertrudes Nóbrega da Câmara Torres, a Dona Tudinhahospedaram, em sua residência em Niterói, Maria Rita Nóbrega de Mello. Sobrinha da esposa do Parlamentar, Maria Rita representou o Estado do Ceará no Concurso de Miss Brasil daquele ano, conquistou o 7º lugar e foi eleita Miss Simpatia. Durante a sua visita ao Estado do Rio, o casal Câmara Torres e filhos levaram Maria Rita para conhecer Angra dos Reis, sua natureza, deslumbrantes praias e serras. Em Angra, foi calorosamente recebida pelos amigos da Família Nóbrega da Câmara Torres. De Niterói, Maria Rita embarcou para Brasília, onde foi homenageada, com as outras Misses do certame, pelo Presidente Juscelino Kubistchek, no Palácio do Planalto.
    • A 21.7.1962, o Deputado Estadual Câmara Torres comparece às festividades do 6º Aniversário do Clube Fazenda da Grama, em Rio Claro, RJ, do qual era Sócio Proprietário, tonando-se, depois, Sócio Benemérito. O programa inicia-se às 9h30m com Hasteamento da Bandeira e à meia-noite começou o Baile de Aniversário. Inauguração da Quadra de Futebol de Seis, Coquetel, Ginkana Infantil e o espetáculo cênico Apoteose à Grama (teatro, poesia, música, canto e dança). As canções foram compostas por José Luciano e os consagrados músicos, compositores e cantores Gilvan Chaves e Lúcio Alves. José Luciano também foi autor de algumas músicas. O apresentador foi o grande locutor Correia de Araújo. A Produção foi de Paulo Sampaio; a Direção-Geral de Orlando Bandeira; a Direção Musical de José Luciano; a Coreografia de Júlia Cunha e Lana Olivero; a Supervisão de Admar Borges; as letras de Paulo Sampaio e Gilvan Chaves. Os figurinos couberam ao famoso Sorensen.
    • A edição de 2.7.1963 do Jornal do Brasil, estampou, em sua primeira página, notícia, segundo o Deputado Câmara Torres afirmara que partes do corpo da tcheca Dana de Teffé, cujo assassinato era atribuído ao advogado criminalista Leopoldo Heitor de Andrade Mendes, haviam sido encontrados num chiqueiro da Fazenda Manga Larga, de propriedade de Leopoldo, vizinha à Fazenda da Grama, em Rio Claro, RJ. A última vez que Dana foi vista estava em companhia do seu advogado Leopoldo Heitor. A informação teria sido dada ao Parlamentar pelo Delegado de Polícia do Município, José Joaquim de Moraes Pena, que encontrara, com base em informações de uma empregada de Leopoldo, mão com dedos e unhas pintadas de Dana, e tudo já estava sob a tutela do Juiz de Direito da Comarca, Ulisses Valadares Salgado. José Pena, porém, negou que teria dado a informação ao Parlamentar, com o objetivo de manter o sigilo das investigações. A Fazenda de Leopoldo Heitor estaria interditada para o trabalho da Polícia e da Perícia Técnica. Entretanto, o Juiz e o Secretário de Segurança do Estado, Herval Basílio, confirmaram ser verdadeira a informação do Deputado. Até hoje, o corpo da milionária Dana de Tefé nunca foi encontrado. Leopoldo Heitor passou nove anos na prisão e, após vários julgamentos, foi absolvido pelo Tribunal do Júri de Rio Claro, RJ. Faleceu no Rio em 2001.
    • Em setembro de 1963, o Deputado Câmara Torres foi eleito Presidente do Conselho Deliberativo do Aero Club do Estado do Rio de Janeiro, com sede na Praia de Charitas, em Niterói. Na Presidência, o Doutor Geremias de Mattos Fontes.
    • A 5 de julho de 1964, o Doutor Câmara Torres foi reeleito como Membro do Conselho da Mesa Administrativa da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Angra dos Reis. Junto com ele, o seu amigo e adversário político, Doutor Moacyr de Paula Lobo.
    • A 13 de abril de 1966, a dor e o luto invadem o lar de Câmara Torres: falece em Angra dos Reis, a sua cunhada, a Senhora Francisca Nóbrega de Aguiar (Dona Chiquinha - *Caicó, RN, 12.6.1917), irmã de sua mulher, Gertrudes Nóbrega da Câmara Torres (Dona Tudinha)Chiquinha, natural de Caicó, RN, era doce e gentil pessoa, boníssima, mãe extremosa, casada com Francisco Pires de Aguiar, de tradicional família angrense. Muito respeitada e estimada pela comunidade, seu sepultamento reuniu centenas de famílias humildes da cidade. Deixou quatro filhos.
    • A 19.6.1966, Câmara Torres toma posse na Academia Valenciana de Letras (Valença, RJ), na Cadeira patronímica do angrense José Lopes da Silva Trovão, “O guerrilheiro da República”. Quem o recepciona é Dayl de Almeida.


    (Acervo Marcelo Câmara)



     O Deputado Dayl de Almeida em 1967,
    no exercício do seu primeiro mandato
    na Câmara Federal, em Brasília
    .

    (Foto: Câmara dos Deputados – Acervo Marcelo Câmara)

      • 26.12.1966, foi comemorada com uma Missa Solene em Ação de Graças pelas Bodas de Prata de Casamento de José Augusto da Câmara Torres e Gertrudes Nóbrega da Câmara Torres, ato religioso ao qual compareceram centenas de pessoas. Encimava o “santinho”, distribuído após a cerimônia, o seguinte texto bíblico: “Tua esposa é como a videira fecunda no interior da tua casa. / Teus filhos, como vergônteas de oliveiras ao redor de tua mesa.” (Salmo 127,3). No verso, lia-se, ainda:


      (Acervo Marcelo Câmara)



      Angra dos Reis, 6 de janeiro de 1967, aniversário da cidade.
      No Palace Hotel, da esq. p/ dir.: o servidor Jorge Pache de Faria
      e o Deputado EStadual Câmara Torres; Maria Coelis e seu marido,
      Deputado Federal Dayl de Almeida, e do outro lado da mesa,
      o Juiz de Direito da Comarca, Jorge Pache de FAria.
      (Acervo Marcelo Câmara)

      • Na noite de 13 de março de 1967, Câmara Torres ministrou, em Angra dos Reis, a Aula Inaugural daquele ano letivo do Colégio Estadual Artur Vargas, discorrendo sobre o tema Angra dos Reis: Evolução Cultural e Desenvolvimento Portuário.
      • A 30 de março de 1967, é aposentado como Consultor Técnico de Educação, do Estado do Rio de Janeiro.
      • A 1º de junho de 1967, o Deputado Câmara Torres recebe o Título de Sócio Remido do Ginásio de Halterofilismo Icaraí, de Niterói.
      • Em dezembro de 1967, Marcelo Câmara, aos dezessete anos, vestibulando de Direito, assume uma assessoria pessoal e informal, sem nomeação nem remuneração, do seu pai Deputado Câmara Torres, que tomara posse como Secretário do Interior e Justiça do Estado do Rio de Janeiro, a 5 daquele mês.
      • Vivências e convivências - Convergências e divergências
      Câmara Torres, como é assinalado num capítulo desta Biografia que trata do seu pensamento e conduta político-partidária, era um homem de Centro, mais próximo ao Trabalhismo de Roberto Silveira, do que o Liberalismo de Roberto Campos. Foi um político que respeitava e se relacionava, desenvolto, com os que pensavam e agiam diferente dele ou não exatamente como ele. Um homem de diálogo e entendimento, que buscava no dissenso e nas convergências, os caminhos e soluções para os conflitos e impasses. Eis a essência da Política. Isto acontecia com todas as correntes, e é claro, de perfis éticos, republicanos, democráticos, no amplo espectro ideológico que existiu no País enquanto viveu. Também em uma e mais partes deste trabalho, estão as razões e circunstâncias que o conduziram, após o Golpe Militar de 1964, ao partido que apoiava o Movimento, e não para a Oposição. Foram fatores, prioritariamente, de ordem regional, que o levaram à ARENA e, depois, ao PDS. Mesmo desconfortável nessas agremiações (muitos dos seus amigos e antigos pares estavam alinhados na Oposição), julgou Câmara Torres que, nestes Partidos poderia ser, como Jurista e Político, dentro do microcosmo fluminense, um ator mais democrata e produtivo a lutar pela volta ao pleno Estado de Direito, pelas Liberdades e Garantias Constitucionais, a Regularidade Institucional, a plena Liberdade de Expressão e de Imprensa, a Pluralidade partidária, a volta das eleições diretas na capital do Estado e nos municípios considerados “de segurança nacional”, como a sua amada Angra dos Reis etc. E mais, principalmente: considerou que, naqueles Partidos, como um Representante do Povo que o escolhia, ser um Operário mais consequente e eficaz para o desenvolvimento socioeconômico, político e cultural da sua Região e do Povo Fluminense.

      Politicamente, Câmara Torres e seu filho sempre concordaram nos princípios, nos fundamentos, éticos, morais, mas divergiam, ao menos se afastavam, nas posições, nas opiniões, nas circunstâncias ideológico-políticas. Mas conviviam, se respeitavam, quanto às leituras, reflexões e atitudes. Mesmo não seguindo os mesmos caminhos, o pai, político, deputado, e o filho, apenas um cidadão de Esquerda, um universitário e, depois, um profissional da Comunicação, do Jornalismo, se respeitavam, conviviam pacificamente. E se acautelavam, se cuidavam, individual e mutuamente, se protegiam, na afetiva e terna relação pai e filho.

      Um exemplo dessa convivência diversa e pacífica ocorreu ao final de 1968. O Deputado Câmara Torres não era mais o Secretário Estadual do Interior e Justiça e o fatídico Ato Institucional nº 5 entrara em vigor, com uma repressão inimaginável. Câmara Torres foi chamado ao Palácio do Ingá pelo Governador Geremias Fontes que lhe exibiu o nome “Marcelo Nóbrega da Câmara Torres”. Perguntou Geremias: “É seu parente?” Câmara Torres respondeu: “É meu filho. O que houve com ele?” O Governador disse: “Até agora, nada. Mas se continuar andando com Fulano, Beltrano e Sicrano, será preso logo. Peça para ele se afastar destas pessoas”. Eram universitários que militavam no movimento estudantil de Esquerda com Marcelo, contra a Ditadura Militar. Marcelo avisou aos colegas que eram alunos de várias Faculdades da UFF. Alguns foram presos, outros conseguiram fugir, se proteger fora da cidade ou do Estado e uns terceiros desapareceram.

      • Em outubro de 1968, o grande pintor Darwin Siqueira Pereira esteve em Angra dos Reis, reencontrando-se com o Deputado Câmara Torres e outros caros amigos como Alípio Mendes, Salomão Reseck e Heitor Chagas da Rocha. Darwin viveu e trabalhou uma temporada na cidade, na segunda metade dos anos 1940. Nessa época, pintou, a pedido de Câmara Torres, do então Prefeito Jonas Bahiense Lyra e do Vereador Heitor Chagas da Rocha, Presidente do Legislativo Municipal, o grande quadro O encontro de Anchieta e Cunhambebe, que orna o Salão Nobre da Câmara Municipal de Angra dos Reis. Um estudo preliminar da obra, miniatura colorida em óleo sobre um suporte de madeira, ele ofereceu ao então Técnico de Educação, Doutor Câmara, e, hoje, encontra-se com o seu filho Marcelo Câmara.



      • Em outubro de 1968, o Deputado Câmara Torres esteve presente no Clube Comercial, na cidade de Angra dos Reis, prestigiando o Primeiro Torneio de Canto, organizado pelo Clube dos Curiós de Angra dos Reis. Com ele, os amigos Armando de Carvalho Jordão, tabelião; José Belmiro da Paixão, vereador; e Walter Ferreira, perito policial e editor da revista Angra Starr.
      • No final de 1968, termina, com êxito absoluto, a campanha pública de iniciativa de Câmara Torres, para produção pelo escultor José Pereira Barreto, de um busto do grande escritor brasileiro, o angrense Raul Pompeia; o modelo de gesso da escultura foi doado pelo artista ao Colégio Estadual Dr. Artur Vargas, a Prefeitura de Angra construiu o pedestal e o busto foi inaugurado no ano seguinte próximo ao Mercado Municipal, ao lado de outros líderes comunitários e políticos de Angra dos Reis,
      • Grande susto.
      Na madrugada de 24.5.1970, domingo, dia dedicado à Nossa Senhora Auxiliadora, o Doutor Câmara Torres foi acordado, em sua residência em Niterói, por um telefonema do Pronto-Socorro do Hospital Universitário Antônio Pedro, informando que o seu filho Marcelo estava internado, em observação, após ter sofrido um grave acidente na Estrada Niterói-Tribobó, na “Descida da Caixa D’água”, por volta das 2 horas daquela madrugada. Perguntado sobre o estado de Marcelo, o funcionário não soube responder e solicitou a sua presença imediata no hospital. Marcelo caiu, a cem quilômetros por hora, de um fusquinha que dirigia, em direção a Niterói, de propriedade do amigo Júlio Menchise, após se chocar com obras do canteiro central entre as duas pistas que estava sendo construído. No banco de trás do automóvel, outro amigo, César Roberto Freitas Gaspar. Ambos tiveram ferimentos leves. O carro ficou muito danificado, quase com “perda total”. Chovia muito, apenas um farol do carro funcionava e a visibilidade era ruim. Marcelo foi lançado no asfalto, teve traumatismo craneano, uma fratura na articulação entre o pé esquerdo e a perna, além de várias pequenas fraturas no rosto e escoriações generalizadas. Foi socorrido por uma jovem moradora à margem da estrada, que, de camisola, arrastou o seu corpo desfalecido, ensanguentado, para o acostamento da rodovia. Somente meia hora após o acidente, Marcelo foi colocado na carroceria de uma caminhonete do Batalhão da de Cavalaria da Polícia Militar que se localizava entre o final da Alameda São Boaventura e o início da rodovia. Os raros veículos que passavam se recusam a levar o acidentado ao hospital, em virtude do seu estado, aparentemente, terminal. Não foi à cirurgia. Acordou ao meio-dia do domingo no Antônio Pedro, sendo transferido, com a perna engessada, com o rosto deformado, para uma clínica particular na antiga Avenida Estácio de Sá (atual Roberto Silveira), em Niterói, onde, depois de uma semana, recebeu alta, a fim de continuar o tratamento com remédios e curativos em casa. O médico que o assistiu foi o neurologista, clínico e cirurgião, Doutor Aluísio Tortelly. Após dois meses, estava plenamente recuperado, sem sequelas, estudando e trabalhando. Apenas cicatrizes no rosto que desapareceram com o tempo. Uma forte depressão o abateu, por outros motivos, nos dois anos seguintes, do segundo semestre de 1970 ao final de 1972. A Imprensa de Niterói noticiou o risco de vida de Marcelo e o grande susto do pai, o Deputado Câmara Torres.

      • Em abril de 1971, Câmara Torres e sua Família foram escolhidos como “Auxiliares do Festeiro” Benício de Mello Góes, na preparação e promoção da tradicionalíssima, secular, Festa do Divino de Paraty daquele ano, inclusive comparecendo e prestigiando o evento.


      Paraty, 1971. Câmara Torres na Procissão das Bandeiras,
      no dia da  Festa do Divino.
      (Acervo Marcelo Câmara) 

      • 4.5.1971, o Secretário de Serviços Sociais, Câmara Torres, participou, na Igreja Porciúncula de Santana, em Niterói, da cerimônia de casamento do engenheiro Hesíodo Mello de Castro Alves com a Professora Gilce Franco Rosas. O pai do noivo era o jornalista Hesíodo de Castro Alves, velho amigo de Câmara Torres. O noivo fora contemporâneo de Marcelo Câmara no Colégio Salesiano Santa Rosa, e o irmão do noivo, Cláudio, foi seu grande amigo, muito próximo, no mesmo Salesiano.
      •  Na noite de 21 de maio de 1971, o Secretário de Serviços Sociais, Câmara Torres, estava sendo homenageado com uma seresta no Bairro de Tenente Jardim, em Niterói, no Bangu Atlético Clube, onde é Benemérito.
      • Em março de 1972, a Imprensa registra que o Doutor Câmara Torres está em intensa atividade profissional como advogado em Niterói, no Rio e no Sul Fluminense, não lhe sobrando tempo para a Política, ele que havia sido Deputado Estadual por quatro mandatos e, em 1971, abandonara as disputas eleitorais como Primeiro Suplente de Deputado Federal da ARENA.
      • A 6.6.1972, a Câmara Municipal de Paraty aprovou, por unanimidade, Moção de Agradecimento a Câmara Torres pela sanção pelo Senhor Governador, da Lei 6.820, de 2 de junho de 1972, que criou o Centro Educacional de Paraty, um sonho de décadas daquela gente e uma luta contínua do Deputado Estadual que, por dezesseis anos, representou o Município na Assembleia Legislativa. Mais tarde, a unidade, por sugestão do mesmo Câmara Torres passou a se denominar Centro Educacional Mário Moura Brasil do Amaral – CEMBRA, em homenagem ao engenheiro e professor, pioneiro do Ensino secundário e médio em Paraty.
      • A 21.6.1972, o Secretário de Serviços Sociais do Estado do Rio de Janeiro, Ricardo Augusto de Azeredo Vianna, e a Associação Profissional dos Assistentes Sociais – APAS, oficiam ao Doutor Câmara Torres registrando “os mais sinceros agradecimentos pela consideração que dispensou à Classe por ocasião das comemorações da Semana do Assistente Social, possibilitando uma excursão ao município de Angra dos Reis, grandemente apreciada pelos participantes”.
      • Na manhã de 13.7.1972, o Doutor Câmara Torres foi vítima de gravíssimo acidente automobilístico na Serra D’Água, em Angra dos Reis, na Rodovia RJ-116, quando o carro de sua propriedade (uma caminhonete Ford, modelo Belina, ano 1970), dirigido por seu motorista particular (Câmara Torres nunca dirigiu), chocou-se, de frente, em uma curva, com um Fusca Volkswagen, que, guiado por um drogado, vinha em sentido contrário, na contramão. No Fusca, mais dois indivíduos bêbados. Um dos passageiros do veículo causador do sinistro morreu no local do acidente, os outros dois sofreram sérios ferimentos. O motorista de Câmara Torres teve apenas uma luxação no joelho. Mas a principal vítima foi Câmara Torres que esteve no limiar da morte, praticamente desenganado, pois a extremidade do painel do carro que o transportava penetrou frontalmente em seu rosto, destruindo o nariz e separando a sua face do restante do crânio. Levado às pressas para a Santa Casa de Angra dos Reis no carro de um advogado, Doutor Sepúlveda, seu colega, de lides forenses, que não o reconheceu. Estava com o rosto desfigurado e, colocado pelo seu motorista no chão, com o corpo recostado sobre a roda da Belina, dali foi transportado. O nosocômio se viu impossibilitado de socorrê-lo tal a gravidade do seu estado, com perda de muito sangue e a falta de médico especialista que pudesse assisti-lo. Foi transportado, imediatamente, em um helicóptero para o Hospital dos Acidentados do Rio de Janeiro, onde foi atendido pelo então respeitado especialista, Doutor Fernando Jordão, renomado clínico e cirurgião da Ortopedia e da Traumatologia, coincidente e felizmente, membro de família tradicional de Angra dos Reis, amiga do paciente, já à época, por mais de trinta anos. O Doutor Fernando Jordão e sua equipe realizaram o primeiro atendimento especializado de emergência para salvar a vida de Câmara Torres e recomendou que ele fosse transferido, no mais breve tempo, no mesmo dia, já tarde da noite, para Niterói, diretamente para o Hospital Santa Cruz, onde trabalhava “o maior cirurgião crânio maxilofacial do País”, o Professor e Doutor Edgard Alves Costa, consagrado internacionalmente. Após algumas semanas de tratamento para reduzir a grande contusão, o inchaço, o Doutor Edgard Costa e sua equipe puderam agendar uma grande cirurgia, quando reconstituíram o rosto de Câmara Torres, quase todo fraturado (quatorze rupturas), em pedaços, juntando-se os ossos, preservando músculos e nervos, e, diante de uma foto do paciente, o Doutor Edgar Costa deu-lhe um novo nariz e um rosto praticamente idêntico ao que tinha antes do acidente. Após meses de convalescência e recuperação, inicialmente no hospital e, depois, em casa, sob cuidados médicos e de sua esposa, Dona Tudinha, deu-se a recuperação. Semanas esteve Câmara Torres internado no Hospital Santa Cruz, em Niterói, proibidas as visitas, que eram recepcionadas pela Dona Tudinha, gente de muitos municípios fluminenses e mesmo de outros Estados: políticos, advogados, intelectuais, amigos de todos os tempos. A todos, sua esposa dava notícias sobre o seu estado. Em Sessão de 6.8 daquele ano a Academia Valenciana de Letras aprovou Moção de autoria do seu Presidente poeta Antônio Augusto de Siqueira, aprovada por unanimidade, com votos de pronto e completo restabelecimento a um de seus Membros, o Acadêmico José Augusto da Câmara Torres. Foi longa e lenta a recuperação. Mas, antes do final do ano de 1972, Câmara Torres, mesmo ainda não totalmente recuperado, e contrariando ordens médicas, já estava novamente advogando e atuando politicamente, em todas as frentes, em favor da Região que foi a sua “pátria de honra, trabalho e luta” a partir de 1942: o Extremo Sul Fluminense. A 7.10.1972, a Família de Câmara Torres, mandou celebrar Missa em Ação de Graças pelo seu pleno restabelecimento e saúde, na Basílica de Nossa Senhora Auxiliadora. Centenas de amigos de todo o Estado e da Cidade do Rio de Janeiro compareceram à cerimônia. Em janeiro de 1973, Câmara Torres, elogiava o excelente trabalho de reconstituição e plástica facial do “craque” Doutor Edgard Costa, comentando, com humor, com jornalistas: “Foi uma lanternagem perfeita”.

      Na escadaria da Basílica de N. Sa. Auxiliadora,
       Câmara Torres e 
      Tudinha ao centro na primeira fila.
      onde estão, ainda, além de familiares e amigos,
      o seu irmão Marconi na extrema esquerda
       e o ex-Deputado Estadual, Benjamin Yelpo na extrema direta. 
      (Acervo Marcelo Câmara)

      • Na noite de 2.11.1972, Câmara Torres compareceu à Sessão Solene da Câmara de Vereadores de Niterói que concedeu o Título de Cidadão Niteroiense ao Marechal Odylo Denys, natural de Santo Antônio de Pádua, RJ, e um dos protagonistas do Movimento Militar de 1964.
      • Na madrugada de 25.1.1973, falece, em casa, aos 77 anos, vítima de infarto agudo do miocárdio, Maria Câmara Torres, Dona Liquinha, mãe de José Augusto da Câmara Torres. Deixa viúvo, José Antunes Torres, um irmão, dois filhos, uma filha, treze netos, sete bisnetos. O sepultamento ocorreu, na tarde do dia seguinte, no Cemitério de Charitas. A Missa de Sétimo Dia foi celebrada na manhã de 1º fevereiro na Basílica Nossa Senhora Auxiliadora, em Santa Rosa, Niterói.

      (Imagem: FBN - Acervo Marcelo Câmara)

      • A 2.6.1973, o Acadêmico José Augusto da Câmara Torres, ocupante da Cadeira de Lopes Trovão, na Academia Valenciana de Letras, saudou o pedagogo, professor e escritor Paulo de Almeida Campos, em sua posse na entidade, onde ocupou a Cadeira nº 20, patronímica de Raimundo Corrêa. À época, o novo Acadêmico, amigo de décadas de Câmara Torres, era Presidente do Conselho Estadual de Cultura.



      Reunião social angrense. Na foto, em 1973, na residência do empresário
      Carlos Borges no Rio, cliente do advogado Câmara Torres, que está ao centro,
      vê-se, ainda, da esq. p/ direita: Eduardo Sócrates Castanheira Sarmento que,
      naquele ano, ingressava na Magistratura do Estado da Guanabara, após advogar
      e passar pelo Ministério Público e ser Juiz de Direito no Estado do Rio,
      chegando a Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro;
      Deputado Estadual João José Galindo; Almirante Jair Toscano de Brito,
      Prefeito de Angra dos Reis, e senhora.
      (Acervo Marcelo Câmara)


      • A 15 de agosto de 1973, José Augusto comparece, com Tudinha, à Missa em Ação de Graças pelas Bodas de Ouro, celebrada na Basílica de N. Sa. Senhora Auxiliadora, em Niterói, RJ, do seu amigo e mestre na juventude, Prof. Stephane Vannier


      José Augusto e Tudinha foram abraçar Stephane Vannier
      nas Bodas de Ouro do erudito professor.
      (Acervo Marcelo Câmara)

      • Em meados de dezembro de 1974, José Augusto e Tudinha compareceram ao casamento de Eloá Corrêa e Márcio Augusto Huthmacker na Capela do Instituto Abel, em Niterói.
      • A 12.2.1975, falecia, aos 83 anos, José Antunes Torres, pai de José Augusto da Câmara Torres, no viúvo de Maria Câmara Torres, e deixou dois filhos, uma filha, treze netos, sete bisnetos. O sepultamento deu-se no mesmo dia, no Cemitério de Charitas. A Missa de Sétimo Dia foi celebrada na manhã de 18 de fevereiro na Igreja Porciúncula de Santana, em Icaraí, Niterói.


      (Imagem: FBN - Acervo Marcelo Câmara)

      • Na madrugada de 9.3.1976, falece em casa, aos 53 anos, de infarto agudo do miocárdio, Marconi da Câmara Torres, irmão de José Augusto da Câmara Torres. Era servidor público aposentado e deixou mulher e um filho. O sepultamento realizou-se na tarde do mesmo dia no Cemitério de Charitas. A Missa de Sétimo Dia foi celebrada na manhã de 16 na Basílica de Nossa Senhora Auxiliadora, em Niterói.


      (Imagem: FBN - Acervo Marcelo Câmara)

      • A edição de 17.4.1976 do Jornal do Brasil publicou carta indignada do advogado José Augusto da Câmara Torres, assinante, há três anos, de uma linha telefônica na Fazenda da Grama, 4º Distrito de Rio Claro, RJ, onde possuía uma pequena casa de campo, “a menos de meia-hora de Volta Redonda, sede do distrito telefônico que superintende o Município”. O assinante reclamava que há mais de dois anos não conseguia fazer uma ligação interurbana, nem indo ao Posto Telefônico da localidade. Por outro lado, as tentativas oriundas do Rio, São Paulo ou Niterói para se falar com a Fazenda da Grama são inviabilizadas com a informação da telefonista: “Os circuitos estão com defeito”. E conclui o Doutor Câmara Torres: “Essa é a situação de 20 mil usuários do Município de Rio Claro, terra de Fagundes Varela, cujo gênio, felizmente, não necessitou da Cia. Telefônica Brasileira – CTB para espalhar os cantos imortais dos seus poemas”.

      • Amor e proteção de pai.
      Em fevereiro de 1977, o jornalista Marcelo Câmara, filho de Câmara Torres, após exercer, em Brasília, o cargo de Assessor de Imprensa do Ministro de Estado do Trabalho, criava e assumia, em Brasília, a Assessoria de Comunicação Social da Secretaria Geral da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira – CEPLAC, e a Coordenação Nacional de Comunicação Social da entidade, depois de concorrer com vários nomes de peso da área, alguns até profissionais de prestígio internacional. A CEPLAC era um órgão com autonomia administrativa e financeira, vinculado ao Ministério da Agricultura, mantida pelos produtores de cacau no País, que funcionava qual uma empresa privada, baseada na capacidade de seus técnicos e cientistas, dentro do regime de produtividade e meritocracia. Era o único órgão público do setor no País, que unia Pesquisa, Extensão e Ensino, sob um único comando, com a supervisão de um Conselho Deliberativo interministerial. Seus recursos eram oriundos de uma “taxa de contribuição” de dez por cento sobre cada saca de cacau em amêndoas exportado, e integrava o Orçamento Cambial e não, do Orçamento da União. Seria o “lugar de realização profissional” para um jovem estudioso, aplicado, interessado em progredir. Marcelo havia, amistosamente, pedido demissão do cargo de Assessor de Imprensa do Ministro do Trabalho - MTb, Arnaldo Prieto, que muito estimava e louvava o trabalho do auxiliar. Porém, Prieto entendeu que o novo emprego era mais estável e mais lhe rendia financeiramente, além de lhe proporcionar melhores perspectivas como profissional de Comunicação Social.

      Marcelo, então, tinha acabado de se mudar com a família, de um imóvel funcional novo do MTb, a que tinha direito por contrato de trabalho, para outro mais amplo e mais bem localizado na Asa Sul da cidade, que a CEPLAC também lhe proporcionara como uma das cláusulas do novo acordo. Delfim Neto, surpreendentemente, assumira o Ministério da Agricultura – MA, virando personagem do programa de Humor, Viva o Gordo, estrelado por Jô Soares, em virtude do suposto desconhecimento do ex-Ministro da Fazenda sobre os assuntos do setor agropecuário. Ainda naquele semestre, um grupo de “Delfim boys”, tendo à frente um tal de Gustavo Silveira, numa atitude aética, covarde e criminosa, ambicionando o cobiçado cargo para um dos seus, cria uma sinistra armadilha que faz com que Delfim Neto chame. reservadamente, o Secretário-Geral da CEPLAC, o sábio e sereno José Haroldo Castro Vieira, e lhe comunica que recebera “ordem da unidade do Serviço Nacional de Informações – SNI, do MA para demitir aquele seu assessor imediatamente. Seria Marcelo “um perigoso guerrilheiro, pertencente a um aparelho na periferia de Brasília, que integrava a luta armada contra o regime militar”. José Haroldo, homem de bem, sério e prudente, que Marcelo já vinha conquistando com o seu trabalho de Assessor em Brasília, e Coordenador Nacional, elaborando o primeiro modelo de administração sistêmica da Comunicação Social, da área pública do País, conversou com Marcelo e lhe informou que não iria demiti-lo e pediu para que eu providenciasse aliados que o respaldasse para não atender Delfim e para que ele mantivesse o seu Assessor no cargo, profissional que ele confiava. Marcelo Câmara, que acabara de deixar um alto cargo no Governo. Ele que teria, precocemente, propostas para prosseguir com o novo Ministro, em outros postos do Governo e na iniciativa privada, viu-se atormentado, recém-casado, numa cidade nova para ele, com mulher e filho de dois anos. Luiza, sua mulher, afirmou-se como uma fortaleza de serenidade, fé, afeto e equilíbrio que conseguiu estabilizar o ânimo da família e a calma no lar. “Foi um sofrimento, uma sordidez, uma injustiça. Poucos, mas longos dias de ansiedade”, confessou depois. Marcelo comunicou o pai da cilada, e este, imediatamente, valendo-se da sua coragem e autoridade moral, do seu prestígio político, ele, Deputado Estadual no RJ, que integrava os quadros do partido que dava apoio ao Governo; e dos contatos e amizades que tinha em vários setores da vida nacional, levou o filho ao Coronel Pacífico, militar de suas relações particulares, Chefe de Gabinete do temível General Medeiros, Ministro-Chefe do SNI, para esclarecer e desfazer a trama. O Coronel Pacífico trancou-se com Marcelo em uma sala do Palácio e fez perguntas diretas, objetivas, sobre as suas supostas “atividades subversivas”: “Qual era a sua função no grupo armado; onde estava localizado o ‘aparelho’ que atuava”. Marcelo disse ao Coronel que, durante os nove anos, nos dois cursos superiores nos quais se formou na UFF, participou de movimento estudantil de Esquerda que reclamava o retorno à Democracia, mas que jamais pegou em armas para atos terroristas; que, à época, como Humorista profissional, com coluna semanal no Jornal de Brasília, escrevia crítica e sátira política, literária, de Humor com “H” maiúsculo, no plano das ideias, imune à pornografia, às ofensas de ordem pessoal ou moral, sem jamais ser censurado pelo Governo ou pela direção do veículo. E mais: Como ele, Marcelo, poderia ter sido, por mais de um ano e meio, Assessor de um Ministro de Estado do regime militar, cargo de confiança, demissível ad nutum, em função de Assessoramento Superior, sem restrições de qualquer espécie, e, agora, na CEPLAC, uma autarquia, repentinamente, ele surge como suspeito, e, mais grave, como militante comunista participante da luta armada? O Coronel Pacífico insistiu no interrogatório e perguntou que conhecia o pai de Marcelo, mas não ele. E se, levando em conta o que sabia de Câmara Torres e o quanto o prezava, perguntou se poderia confiar no seu filho. Marcelo afirmou, categoricamente, que “sim, poderia”. E se encerrou o tenebroso interrogatório de Marcelo e a reunião dos três. Dois dias depois, José Haroldo, assim como o seu Assessor, célula do SNI dentro da CEPLAC, comunicaram a Marcelo “que nada pesava sobre ele, que ele estava liberado”. Tudo era mentira, uma criação malévola, torpe. O grupo de delinquentes do Gabinete de Delfim usou o SNI para retirar Marcelo Câmara da CEPLAC. “O tiro saiu pela culatra”, para a frustração, horror e ódio do lulipediano Gustavo Silveira. Marcelo já estava tranquilo. “Eu tinha certeza disto”, disse ele ao seu chefe. E contou, para a surpresa deste, em detalhes, a sua ida ao Planalto com o seu pai.

      • Em julho de 1975, José Augusto e Tudinha partiram para uma viagem ao Rio Grande do Norte, terra de ambos, após dez anos do primeiro retorno ocorrido em 1965, trinta e quatro anos após o casamento, quando o casal partiu do Caicó, em lua de mel, com destino a Niterói.


      Caicó, julho de 1975. Última viagem de José Augusto e Tudinha a Caicó,
      após deixarem a terra natal, casados, em dezembro de 1941.
      (Foto: Lourdes Nóbrega – Acervo Marcelo Câmara)


      • A 7.9.1977, Dia da Pátria, o jornalista, educador, advogado e ex-Deputado Estadual, Câmara Torres, pronuncia discurso de grande repercussão na inauguração da Praça Raul Pompeia, no centro da cidade de Angra dos Reis, quando foi instalado, definitivamente, o busto do ilustre angrense, na crítica de José Saramago, “o mais importante escritor brasileiro, ao lado de Machado de Assis e Euclides da Cunha. O orador traçou o perfil biográfico do grande artista nascido na Jacuecanga e fez uma rápida análise da obra de Pompeia e lugar de honra que, meritoriamente, ocupa na Literatura e na Cultura brasileiras. O busto foi esculpido em bronze e erigido em 1968, e se encontrava em outro ponto da cidade, graças a uma campanha popular liderada, à época, pelo próprio Câmara Torres. Dez anos depois, foi construída, pelo Prefeito Jair Toscano de Brito, a Praça Raul Pompeia e a obra transferida para aquele local. Câmara Torres destacou que, com aquela Praça e aquela escultura, “Angra dos Reis completava a instalação dos bustos dos seus maiores filhos em três praças públicas: Lopes Trovão, o maior tribuno da nossa História Política; Júlio Maria, o nosso iluminado orador sacro; e Raul Pompeia, a figura de ouro das letras pátrias”.

      Raul Pompeia, além da Praça com o seu busto em bronze, tem a memória homenageada ao dar o seu nome ao edifício da Prefeitura de Angra dos Reis, nomeia uma das principais ruas centrais da cidade e uma avenida no Distrito de Jacuecanga. Em 1963, no ano do seu centenário, a Biblioteca Nacional realizou uma belíssima exposição sobre a Vida e a Obra de Pompeia, e eventos comemorativos, literários e culturais, foram promovidos pela Academia Brasileira de Letras, onde é Patrono de uma das Cadeiras. Em 2013, Marcelo Câmara, ocupante da Cadeira nº 1, patronímica de Raul Pompeia, do Ateneu Angrense de Letras e Artes, ofereceu à Angra dos Reis, espontânea e graciosamente, o Projeto Cultural Raul Pompeia volta à sua terra, que celebrava os 150 anos do nascimento do genial escritor. O trabalho foi totalmente ignorado pelos Poderes Públicos e instituições de Angra dos Reis. A “prefeita” sequer acusou o seu recebimento.




      Busto do angrense Lopes Trovão, “A Voz da República”,
      na Praça que tem o seu nome, próximo ao Porto da cidade.
      (Fotos: Ricardo Natal Bruno - Acervo Marcelo Câmara)


      Busto do genial escritor Raul Pompeia na Praça do mesmo nome,
      próximo ao Largo do Mercado de Peixe, no centro de Angra dos Reis.
      (Foto: patrimonioemfoco.blogspot.com – Acervo Marcelo Câmara)



      Busto do angrense Padre Julio Maria, considerado,
      entre os brasileiros, “o maior orador sacro do País”,
      também ganhou uma praça no centro da cidade.
      (Foto: patrimonioemfoco.blogspot.com – Acervo Marcelo Câmara)

      • A 19.10.1977, quarta-feira, às 11h, se casam no Santuário Nacional das Almas, em Niterói, Marcelo, filho de José Augusto e Tudinha, e Ana Maria Luiza, filha de Helio Arno Petersen e Helena Gonçalves Petersen. Luiza, professora e artista plástica, descende, diretamente, de famílias europeias. A dinamarquesa Petersen; as alemães: Lamb, Scheifler e Rutner; e as portuguesas: Coutinho, Barata e Gonçalves. Preside a cerimônia o ex-Professor de Marcelo, o mineiro de Ponte Nova, Pe. Nicolau Caríssimo, da Ordem dos Salesianos, ex-professor e amigo de Marcelo.
      • Em 1978, José Augusto e Tudinha partiram para uma viagem de lazer à Europa. Embarcaram a 21 de setembro e retornaram a 7 de novembro. No roteiro, Portugal, França, Espanha e Inglaterra. Foi a única vez que o casal viajou ao exterior.
      • Na tarde de 16 de novembro de 1980, o Doutor Câmara Torres comparecia, como convidado especial, à inauguração do Hotel Porto Galo, localidade de Itapinhoacanga, em Angra dos Reis, às margens da Rodovia Rio-Santos, km 71. Câmara Torres fora o consultor jurídico e advogado do empreendimento, bem como do Hotel do Frade, também em Angra, e do Hotel de Paraty, nesta cidade, todos do Grupo do empresário Carlos Borges.
      • Em abril de 1981, Câmara Torres visitava, no Museu Nacional de Belas Artes, ao lado dos seus amigos professor Marco Almir Madeira, e do crítico de arte Quirino Campofiorito, a exposição de desenhos de J. Jardim de Araújo e as esculturas de Alfredo Herculano. A exposição teve a curadoria de Campofiorito.
      • A 11 de junho de 1981, Câmara Torres, recebeu, da Câmara Municipal de Angra dos Reis, a Medalha do Mérito Lopes Trovão.
      • No dia 3 de maio de 1982, o Doutor Câmara Torres é um dos Fundadores do Trevo Clube Recreativo (Trevo Clube), de Paraty, RJ.
      • A 27.10.1982, o casal Câmara Torres esteve na festa de casamento, no Restaurante Le Buffet, dos filhos de Gilberto Carvalho e Salvador Borges, este médico cardiologista do advogado e ex-Deputado Estadual.
      • Em setembro de 1983, Câmara Torres participou da solenidade de lançamento do Selo do Centenário do Sonho de Dom Bosco sobre Brasília, no Colégio Salesiano Santa Rosa. Filatelista, quando menino e rapaz, José Augusto possuiu uma grande e rica coleção de selos de países de todo o mundo.


      Na residência de Câmara Torres, ao centro, no final dos anos 1970,
      num almoço festivo, dois grandes amigos: o advogado,
      depois juiz de direito e desembargador,

      Eduardo Sócrates Castanheira Sarmento, à esq.,
      e o advogado Camilo Silva.
      (Acervo Marcelo Câmara)

      • Na noite de 13.10.1984, Câmara Torres esteve, em Niterói, na noite de autógrafos de lançamento do livro Farpas e Floresdo seu amigo e ex-colega de Assembleia Legislativa, o jornalista e poeta João Rodrigues de Oliveira.
      • Numa noite de novembro de 1984, Câmara Torres esteve no Instituto Abel, a convite do seu amigo Deputado Flávio Palmier da Veiga, Presidente da Associação de Pais e Mestres do educandário, no 26º aniversário da entidade, para assistir a palestra do Ministro Cézar Cals sobre A atual política energética e o Desenvolvimento Nacional. Após o encontro, Câmara Torres participou de um jantar para duzentas personalidades da vida política e cultural de Niterói, na casa de Palmier da Veiga.
      • Em novembro de 1984, Câmara Torres integrou a Comissão do Sesquicentenário de Elevação de Niterói à Cidade, nomeado pelo Prefeito Waldenir de Bragança. Faziam parte do grupo, presidido pelo jornalista Alberto Torres, grandes amigos de Câmara Torres, entre eles, o festejado escritor e Membro da Academia Brasileira de Letras, José Cândido de Carvalho; o Ministro Geraldo Bezerra de Menezes; e o Professor Paulo de Almeida Campos, Presidente do Conselho Municipal de Cultura.


      Na década de 1980, o Prefeito de Niterói, Waldenir de Bragança, visita o seu amigo e
      ex-Deputado Câmara Torres, na residência deste, à Rua Presidente Backer, em Icaraí. 
      (Acervo Marcelo Câmara)

      • Na noite de 6.2.1985, Câmara Torres, ao lado de dezenas personalidades, recebia da Câmara Municipal de Niterói, a Medalha do Mérito José Clemente Pereira, Honra máxima do Poder Legislativo do Município. Presidia o Colegiado, o Vereador José Vicente Filho.
      • A 9.8.1985, Câmara Torres, na qualidade de Membro da Comissão do Sesquicentenário da Elevação de Niterói à Cidade, ex-Deputado e Líder Político de Angra dos Reis, participou da solenidade de inauguração dos festejos da Efeméride. Foram inauguradas a Praça do Sesquicentenário, no Bairro de São Domingos, a Avenida Angra dos Reis e a Avenida Campos dos Goytacazes. A Praça e as Avenidas formaram uma área de lazer de 4 mil metros2, com parque infantil, jardins e quadra de esportes, que passou a ser usufruída pelos moradores do Bairro. Juntamente com Niterói, Angra e Campos também foram elevadas à categoria de Cidades, pela mesma Lei nº 6, publicada a 8.3.1835. A solenidade foi presidida pelo Prefeito de Niterói, Waldenir de Bragança, ao lado do Prefeito de Campos, José Carlos Barbosa, e do jornalista e historiador Alípio Mendes, representando o Prefeito de Angra dos Reis, João Luiz Gibrail Rocha. Presentes: o Presidente da Comissão, Jornalista Alberto Torres; o Marechal Paulo Torres, ex-Governador e ex-Senador; o Ministro Geraldo Bezerra de Menezes, diversas autoridades e personalidades da vida política e cultural dos três Municípios. O Prefeito Waldenir de Bragança e outras autoridades plantaram cinco palmeiras imperiais. Waldenir, ainda, depositou uma coroa de flores no busto de D. Pedro I, na Praça Leone Ramos, próxima à area inaugurada. A Banda Santa Cecília, da Secretaria Municipal de Educação de Niterói, e o Coral Juca Chagas, de Campos, abrilhantaram a festa. Um amplo programa de comemorações, elaborado pela Comissão do Sesquicentenário, com diversos eventos institucionais e socioculturais foram realizados durante todo o ano de 1985 em Niterói para celebrar a Efeméride. Angra dos Reis e Campos dos Goytacazes, também, também comemoram a data histórica.
      • A 25.9.1985, na Reunião Plenária da Academia Fluminense de Letras - AFL, Câmara Torres foi indicado pelo jornalista, poeta e historiador, Emmanuel de Bragança Macedo Soares, para integrar o Quadro da Classe de Ciências Sociais e Políticas da Instituição. O seu vasto e rico curriculum literário e intelectual, não se sabe por que, nunca foi submetido à Comissão que, regimentalmente, é designada para a tarefa. Portanto, a eleição nunca se deu. E teria todas as condições para ser eleito e empossado com todas as merecidas honras. Talvez as agendas de Câmara Torres e da AFL postergaram, absurda, indefinidamente, o processo de sua eleição e consequente posse. No entanto, em algumas publicações, a Imprensa sempre registrou, e até hoje registra, quando o seu perfil é traçado, que “Câmara Torres pertencia à AFL”. A informação não procede. Câmara Torres não pertenceu à AFL, como sempre se acreditou. E, equivocadamente, sempre se publicou.


      Década de 1980; Na casa de Câmara Torres, festejando o aniversário
      do Deputado, 
      reúnem-se velhos e fiéis amigos. Da esq. p/ dir.:
      Hélvio Perorásio Tavares, Paulo de Almeida Campos, Saramago Pinheiro,
      Odovaldo Vasques e José Settilli Rangel.
      (Acervo Marcelo Câmara)

      • Na manhã de um domingo, 6.4.1986, Câmara Torres esteve no Alto do Morro da Viração, em Niterói, na inauguração do Mirante da Cidade, no Parque da Cidade, e descerramento da placa de encerramento das comemorações do Sesquicentenário da Elevação de Niterói à Cidade. Os eventos foram presididos pelo Prefeito Waldenir de Bragança, com as presenças do ex-Governador Paulo Torres, do Jornalista Alberto Torres, Presidente da Comissão do Sesquicentenário, a qual Câmara Torres integrou, e de diversas autoridades municipais e personalidades da vida niteroiense, especialmente dos setores do Turismo, Esporte e Lazer. Paralelamente aos atos oficiais, houve uma mostra de fotografias, shows de MPB e Rock e uma gincana de pintura.
      • Numa noite de setembro de 1986, Câmara Torres esteve na festa de aniversário de 50 anos do seu genro, o engenheiro Cláudio Pereira Dantas, no Iate Clube Brasileiro, em Niterói.
      • Em maio de 1987, o seu filho, Marcelo Câmara, Consultor Legislativo do Senado Federal, que assessorava, em amiúde, o Senador Jutahy Magalhães (PDS, BA), se reúne no Gabinete do Parlamentar para falar da trajetória profissional e política de seu pai e solicita ao Parlamentar que edite, dentro da sua cota de publicações, o perfil biográfico de Câmara Torres. Juthay Magalhães determina imediatamente à Direção da Gráfica que receba e trabalhe junto com Marcelo Câmara no projeto gráfico e publicação do trabalho, já finalizado e editado pelo Consultor. No início de junho, a publicação estava pronta e a mãe de Marcelo, após recebê-la de Brasília, pelos Correios, colocou a tiragem nos pés da cama, no quarto do casal, na manhã de 22 de junho de 1987. Quando o marido acordou, foi presenteado com tiragem de 1 mil exemplares da biografia Câmara Torres: 70 anos de ideias e obras. Uma surpresa, um presente, uma alegria.


      Câmara Torres aos setenta anos.
      (Acervo Marcelo Câmara)
      _______________________________________________________________________________

      MANIFESTAÇÕES SOBRE CÂMARA TORRES EM 1987,
      QUANDO COMPLETOU 70 ANOS:

      Alguns registros


      Para a família, José Augusto é amor e carinho.
      Exigente, sabe dar valor ao trabalho de cada um,
      amparando-nos e nos incentivando em todos os momentos, à perfeição.
      Para nós, ele é o timoneiro imbatível, o nosso porto seguro”.

      Gertrudes Nóbrega da Câmara Torres, Tudinha.
      Professora, sua mulher, mãe dos seus oito filhos,
       sua secretária e conselheira por toda a vida.


      José Augusto e Tudinha em 1988, na celebração dos 47 anos de casamento.
      (Acervo Marcelo Câmara)


      Câmara Torres, no Governo e na Oposição, é sempre o mesmo homem.
      Um defensor atuante e intransigente do povo que representa,
       da região que escolheu e a que vive ligado por tantos anos.
      Angra dos Reis e Paraty tem nele um representante autorizado e leal.
      Conheci-o na oposição e no governo, como correligionário e como adversário,
      por isso posso julgá-lo bem. E foi com a consciência tranquila que,
      também em homenagem à terra dos meus antepassados,
      lhe dei o voto nas últimas eleições. Pena que não tivesse sido eleito.
      Grande perda para a Política Fluminense."

      Ernâni do Amaral Peixoto
      Militar e engenheiro, foi Interventor no Estado do Rio de Janeiro,
      seu Governador, Deputado Constituinte e Federal,
      Senador da República por dois mandatos.
      Durante a 2ª Grande Guerra foi Presidente de Honra do Comitê Interaliado.
      Três vezes Ministro de Estado e Embaixador do Brasil nos Estados Unidos.


      Pela inteligência e espírito público, 
      Câmara Torres sempre esteve à altura
       das melhores tradições políticas e culturais
      da Velha Província do Rio de Janeiro

      José Cândido de Carvalho
      Jornalista, romancista, cronista, humorista,
      Membro da Academia Fluminense de Letras
      e da Academia Brasileira de Letras.


      "Câmara Torres é um nome límpido,
      que serve para identificar uma personalidade inteiriça, mas envolvente.
      Para mim, entretanto, por isso que nunca nos perdemos de vista,
      nem criamos barreiras ao afeto,antes construímos crescente amizade
      no curso de mais de meio século. Ele não é um nome,
       é José - universal, onímodo, abrangente - e José Augusto,
      com tudo que ‘augusto’ significa, como adjetivo,
      desde que esvaziado de quaisquer arrogantes majestosidades."

      Dayl de Almeida
      Ativista, líder e tribuno católico.
      Advogado, professor universitário, sociólogo,
      três vezes Deputado Estadual, Deputado Federal por dois mandatos.


      "Educador emérito, advogado culto,
      encanta-me na personalidade de Câmara Torres
      sua humildade de cristão bafejado pela fé.
      Ele é mais que um líder político. É um condutor de almas.
      Foi um privilegio conviver com ele
      na Assembleia e em Secretarias de Estado.

      Saramago Pinheiro
      Advogado, seis vezes Deputado Estadual, duas vezes Presidente da Assembleia Legislativa,
      Secretário de Estado de três governos, Deputado Federal por dois mandatos.


      "Aqui se devotou à causa da educação,
       que tanto lhe deve pela competência, pela seriedade, pelo idealismo.
      E intelectual de fecunda sensibilidade. Como político,
       prestou relevantíssimos serviços à região de Angra dos Reis,
      Paraty e Rio Claro: é exemplo de honradez, trabalho e lealdade.
      Parabéns, meu jovem Câmara!"

      Paulo de Almeida Campos
      Pedagogo, professor universitário e Técnico de Educação.


      "Câmara Torres é a própria história da Advocacia no Sul do Estado do Rio.
      Com ele aprendi o comportamento moral do verdadeiro advogado.
      Parabéns para você nesta data feliz. Parabéns a mim
      por ter acompanhado a trajetória
      do mais competente e perfeito advogado que conheço.”

      Rovane Tavares Guimarães
      Advogado, Criminalista e Defensor Publico.


      "Câmara Torres representa, sem dúvida; o idealismo na política.
      Sempre deslumbrou o interesse público como causa maior
      da atividade parlamentar. Probo, equilibrado, solidário e amigo
      – fez da vida pública um ato de fé e doação ao municipalismo do Estado do Rio.
      Convivi com ele na Assembleia Legislativa,
      e aprendi com ele que o trabalho, a lealdade,
      a gratidão e a humildade constroem 
      um mundo melhor, mais justo e democrático".

      Flávio Palmier da Veiga
      Vereador, três vezes Deputado Estadual e Deputado Federal por dois mandatos.


      "De formação religiosa, e digno, inteligente e trabalhador.
      Cedo voltou-se para o estudo do maior dos nossos problemas
      –   a Educação Popular – convencido de que é daqui
      que parte a solução para todos os outros.
      No Sul Fluminense exerceu, com uma probidade exemplar,
      as funções de Técnico de Educação.
      Depois foi Deputado, Secretário de Estado.
      No período revolucionário, não ficaria imune à maledicência
      dos invejosos e sofreu injustiças e perseguições.
      De tudo, porém, triunfou, com a consciência do dever cumprido. 
      Bom pai, bom amigo, terno esposo, e chefe de uma família exemplaríssima,
      onde os filhos são a sua alegria e o maior prêmio da vida."

      Rubens Falcão
      Técnico de Educação, pedagogo, escritor, crítico literário,
       folclorista, ex-Secretario de Educação e Cultura
      do Estado do Rio de Janeiro.


      "Os setenta anos de José Augusto da Câmara Torres constituem
      um motivo de festa para todos nós, seus amigos definitivos.
      Sua vida constitui um exemplo de sabedoria,
      de coerência e de afirmação humana."

      Anselmo Macieira
      Advogado, economista, ensaísta, 
      ex-Diretor Executivo da Fundação Casa de Oliveira Viana,
      Consultor Legislativo do Senado Federal.


      "Poucos fluminenses podem apresentar tantos e tão bons serviços à sua terra
      quanta o potiguar José Augusto da Câmara Torres.
      Fez-se professor e advogado, exercendo as duas profissões com
      zelo, probidade e eficiência. Ao Magistério, entretanto,
      serviu com idealismo incomum. No sul do Estado,
      melhorou o nível de ensino primário, implantou o ensino secundário,
      e de formação profissional de professoras
      em articulação com a iniciativa particular,
      visando tão-somente ao progresso da região.
      Desempenhou mandatos de deputado com operosidade, modéstia
      e, sobretudo, estreito relacionamento com seu eleitorado.
      Aproveitou-os para ampliar as oportunidades de ensino na região
      em que iniciara a sua carreira. Quando se escrever
      a Historia da Educação no Estado, Câmara Torres e a sua Tudinha,
      companheira laboriosa de todos os empreendimentos
      e todos os segundos, não serão nela uma simples referência;
       fazem jus a um rico capítulo à parte.”

      Renato Barbosa Fernandes
      Pedagogo, professor universitário, Técnico de Educação.


      Pela cultura, pelo talento e pelo espírito publico, 
      o Doutor José Augusto da Câmara Torres impôs-se ao respeito
      e à consideração de seus concidadãos,
      dignificando os mandatos que exerceu no Estado do Rio de Janeiro”.

      Abeylard Pereira Gomes
      Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro e escritor.


      "O Dr. Câmara Torres foi a luz na educação dos angrenses,
      possibilitando a existência de uma comunidade angrense."

      José Luiz Reseck
      Prefeito Municipal de Angra dos Reis.


      "Câmara Torres é um brilhante educador, solidário e amigo.
      Sua peregrinação alcançou fatos positivos para o Sul Fluminense
      e Paraty o tem como um dos seus maiores e incansáveis
      missionários pelo bem social.

      Edson Dídimo Lacerda
      Prefeito Municipal de Paraty por três mandatos, seu adversário político.

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      (Imagem: FBN - Acervo Marcelo Câmara)


      • A 18 de julho de 1989, no Hospital Santa Cruz, em Niterói, falece, dois dias após completar setenta anos, Gertrudes Nóbrega da Câmara Torres, a Tudinha, vítima de câncer metastático na medula, após anos de sofrimento. Professora aposentada, foi a companheira de José Augusto durante quarenta e oito anos de casamento. Na verdade, uma namorada de uma vida inteira, pois o encantamento do menino pela formosa menina, primeira aluna da classe, o “namoro” começou na infância, no Grupo Escolar Senador Guerra, ele com nove, ela com sete anos. Tudinha, além de lecionar por quatorze anos em Angra dos Reis, de 1943 a 1955, foi servidora, em Niterói, do Departamento de Ensino Médio e do Conselho Estadual de Educação, ambas unidades da Secretaria Estadual de Educação e Cultura, localizadas no centro da capital. Foi uma das fundadoras da Associação de Pais e Mestres dos Deficientes Auditivos – APADA, nascida em Niterói, hoje uma instituição nacional. Além do viúvo José Augusto da Câmara Torres, deixou oito filhos e quatorze netos. O sepultamento realizou-se no Cemitério Parque da Colina, em Niterói, na presença de centenas de familiares e amigos. A Missa de Sétimo Dia ocorreu a 25, na Basílica Nossa Senhora Auxiliadora, em Santa Rosa, na mesma cidade, que contou com a participação, também, de centenas de pessoas. Sete dias depois da partida da Dona Tudinha, a Família Nóbrega da Câmara Torres, enviou cartão a milhares de pessoas, agradecendo “as expressões de pesar pelo falecimento de sua esposa, mãe, sogra e avó”. Na mensagem, José Augusto, reproduz, em epígrafe, o seguinte trecho do livro de exemplar único, de poesia em prosa, que escreveu, com exclusividade, para a sua amada, em 1940 – O poema do meu amor: “É por isso que à sombra daqueles meus primeiros pensamentos havia muita cousa profunda, substancial, que teria de vencer e dominar o tempo e o espaço”.
      • Na manhã de um sábado, 2.9.1989, Câmara Torres esteve na Calçada da Cultura, da Livraria Mônaco, à Rua Visconde de Itaboraí, no centro de Niterói, para homenagear a memória do seu amigo, o grande jornalista e escritor, Acadêmico José Cândido de Carvalho, falecido a 1º de agosto daquele ano. Uma grande exposição sobre a sua vida e obra foi inaugurada, promovida pelo Grupo Mônaco, as Prefeituras de Niterói e de Campos, jornal O Fluminense e diversas entidades culturais. A mostra reuniu as primeiras edições dos seus célebres e premiados romances; recortes de jornais e revistas com textos de sua autoria; textos sobre as suas obras; fotografias e documentos – que ocuparam os painéis e paredes da livraria: Todos os livros do escritor estavam à venda. A viúva de José Cândido se emocionou: “Parece uma comemoração de aniversário. José Cândido está vivo aqui. Ninguém está chorando sua morte e todos convivem com sua obra como se ele estivesse presente”. Compareceram o Secretário Municipal de Cultural, Aníbal Bragança; Aloysio Picanço, do Conselho Municipal de Cultura; dezenas de escritores, jornalistas, intelectuais de Niterói e do Rio.
      • O Globo, de 24 de setembro de 1989, veiculou reportagem-entrevista com o aposentado José Augusto da Câmara Torres, “o primeiro viúvo do Brasil a receber do Estado pensão pela morte da esposa, beneficiado pela Lei da Pensão Feminina”. O beneficiado, aposentado como servidor público e advogando aos 72 anos, estranhou o interesse do jornal pelo assunto, porque se tratava, segundo ele, de um direito decorrente de lei, “tudo normal, regular”. Numa edição anterior do mesmo jornal, doze dias antes, o viúvo desabafou: “Não vejo nenhuma emoção nisso. É tão pouco o dinheiro da pensão... Preferiria mesmo era estar com minha mulher”. A quantia irrisória ele teria de dividir com uma filha solteira que vivia no exterior, mas resolveu entregar a metade ao então filho caçula e solteiro, estudante de Arquitetura. A edição de 13 do mesmo mês, do jornal O Fluminense, publicou matéria sobre o mesmo assunto, publicando na primeira página o seguinte título com foto de Câmara Torres falando à reportagem do secular diário: Ele é o primeiro viúvo com pensão da mulher.
      • Na manhã de um sábado, 15.10.1989, Câmara Torres recepcionava, na Casa da Cultura de Angra dos Reis, a Caravana da Cultura, do Grupo Mônaco, que visitava a Terra de Raul Pompeia, a convite do Prefeito José Luiz Reseck e do Presidente do Conselho Municipal de Cultura, historiador Alípio Mendes. A Caravana, sob a liderança do Presidente do Grupo, Carlos Mônaco, percorria os municípios fluminenses promovendo e participando de eventos, estimulando o intercâmbio artístico-cultural. Faziam parte da Caravana, dezenas de escritores, jornalistas e intelectuais de várias áreas, que frequentavam, a cada sábado, o Calçadão da Cultura, espaço em frente à Livraria Mônaco, no centro de Niterói. Em Angra, vários eventos culturais movimentaram aquele final de semana.
      • A 29.1.1990, falece o “irmão xifópago” de José Augusto da Câmara Torres, o “Zé”: morre em Brasília, Distrito Federal, vítima de enfisema pulmonar, Dayl, ou Dail, de Almeida (Dayl do Carmo Guimarães de Almeida). Irmão afetivo, de fé católica, intelectual, profissional, político, companheiro, amigo da vida inteira de Câmara Torres. Dias depois, o filho de José Augusto, jornalista Marcelo Câmara, escreve o artigo Quem foi Dayl, resumindo o homem e a obra, a vida fértil e produtiva de Dayl de Almeida. O texto foi publicado no Correio Braziliense, de Brasília, e em O Fluminense, de Niterói. Jornalista, Sociólogo, Professor Universitário, notável tribuno, conferencista, ativista católico, três vezes Deputado Estadual, duas vezes Deputado Federal, foi Primeiro Secretário da Câmara dos Deputados e Relator Geral das Leis Complementares à Constituição de 1969. Deixou publicados livros de ensaios nas áreas das Ciências Sociais, Direito, Política, Literatura, História, Filosofia e Religião; biografias, conferências e discursos. Durante cerca de vinte anos, dedicou-se à elaboração de duas obras, as quais não viu publicadas: um dicionário de Sociologia (que os cientistas sociais que o leram afirmaram que seria, até então, “o melhor das Américas”) e um dicionário de Mitologia Greco-romana, obra robusta, profunda, de grande amplitude. Os originais de ambas as obras, finalizadas e inéditas, foram perdidos por seus filhos. Pertencia às Academias Fluminense e Valenciana de Letras. Partiu, íntegro, digno e pobre. Sem bens a inventariar, morando num apartamento alugado. Deixou mulher, sete filhos e onze netos. Um intelectual, um pensador, um professor, um político. Cristão e democrata. Inteligência e Cultura. Um humanista. Uma vida honrada, reta, de muito estudo, ideias, ensino, trabalho. A 6 de fevereiro, Câmara Torres manda celebrar uma Missa pela alma límpida e generosa do compadre por tantas vezes, na igreja que eles, Zé e Dayl, frequentaram por quase toda a vida. Dayl era padrinho de batismo de uma filha de José Augusto. E este, de uma filha de Dayl. De outros dois filhos de José Augusto, Dayl era padrinho de casamento.


      Anúncio publicado em O Fluminense, de 6.2.2020.
      (Imagem: FBN - Acervo Marcelo Câmara)

      • A edição de 10.5.1990 de O Fluminense publicou mensagem de Câmara Torres ao seu amigo e colega de Assembleia Legislativa, Jornalista Alberto Torres, pela passagem dos 112 anos do diário. Escreveu Câmara Torres: “Felicito Prezado Amigo pela passagem dos 112 anos de O Fluminense. Mantê-lo com glória constitui um heroísmo pela dignidade profissional. Acompanhei, pelo menos, a metade dessa jornada e tenho razões para abraçá-lo”.
      • Na manhã de 18.6.1990, foi mandada celebrar por José Augusto e família, Missa de 1 Ano de Falecimento de Gertrudes Nóbrega da Câmara Torres, no Santuário Nacional das Almas, em Icaraí, Niterói.
      • Na manhã de 3 .8.1990, Câmara Torres participou da Missa em memória do seu amigo, o jornalista e escritor José Cândido de Carvalho, celebrada na Igreja Matriz de São Lourenço, no Ponto Cem Réis de Sant’Ana, uma iniciativa do jornal O Fluminense e de várias instituições culturais do Estado. O culto foi presidido pelo Cônego Luiz Gonzaga de Castro Azevedo que fez uma bela homilia sobre o homem, o escritor e sua obra, toda ela “vinculada e amante e enaltecedora da Natureza criada por Deus”. O Cônego falou das obras de José Cândido, da sua genialidade literária, do seu elevado Humor e verve original e inigualável, e, ainda, da sua precocidade com o lançamento de Olha para o céu, Frederico, que lhe abriu os pórticos das Academias para a glória e a imortalidade, representada na obra-prima de reconhecimento internacional O coronel e o lobisomem. A eloquência e a erudição do sacerdote arrebatou os presentes. Além de familiares do ilustre romancista, compareceram à cerimônia personalidades da vida cultural fluminense e de Niterói, figuras do Jornalismo, da Política e das Letras, intelectuais como, Amaro Martins de Almeida, Abeylard Pereira Gomes, Geraldo Bezerra de Menezes, Erthal Rocha, Aloysio Picanço, Horácio Pacheco, Edmo Lutterbach, João Rodrigues de Oliveira, Herval Basílio, Aníbal Bragança, Gilberto Chaudon, Waldenir de Bragança, José Pinheiro Júnior, Emílio Abunahman, Luiz Antônio Pimentel, Geraldo Victer, Alaôr Scisínio e Lou Pacheco. Os médicos Antônio Abunahman e Manoel de Almeida, que o assistiram até a sua partida, se emocionaram muito com a homenagem.


      Década de 1990. Câmara Torres na sua “pátria”: Paraty.
      Onde melhor se sentia: no meio do Povo.
      Ao seu lado, o amigo paratyense Bié, Gabriel Serra.
      Momento de Fé e Alegria: a Festa do Divino.
      Ele era, de novo, como em 1971,
      um dos “Ajudantes do Festeiro”
      (Acervo Marcelo Câmara)

      • A edição de 12.11.1991 de O Fluminense trouxe uma longa e informativa matéria sobre os 90 anos do educador, jornalista, folclorista e escritor Rubens Falcão, cearense de Baturité, que chegou a Niterói com vinte anos e se formou na Faculdade de Direito em 1933. Foi Inspetor Escolar, Técnico de Educação, Diretor do Departamento de Educação e Secretário Estadual de Educação e Cultura do Governo Miguel Couto Filho, quando se aposentou. Foi um dos executivos mais brilhantes, criativos, ousados e de vanguarda na área da Educação nas duas gestões de Amaral Peixoto e no Governo de Macedo Soares. Casado com Anete Cunha Falcão, de tradicional família de Maricá, teve dois filhos e quatro netos.
      A fonte única e exclusiva da matéria foi o jornalista, educador, advogado e ex-Deputado Estadual por quatro mandatos, Câmara Torres, que, na sua análise “Rubens Falcão se mostrou, antes de tudo, um plantador de escolas, um incentivador dos valores da terra, com fibra de aguerrido cearense que sempre soube ser”. Para Câmara Torres Rubens, homem de ideias e luta, sempre foi “o amável lidador que nunca parou de escrever e de conviver com os professores do interior e com homens de alta cultura do Estado e do País”. O entrevistado destacou o dinamismo de Rubens Falcão: “Eficaz administrador da Secretária de Educação e Cultura durante anos, ele foi sempre homem acessível, homem de diálogo, dando prestígio a quem trabalhava e sempre fiel ao seu amigo Amaral Peixoto, sem nunca se alinhar a nenhum partido, pois jamais foi político na acepção da palavra”. Câmara Torres concluiu: “Tenho por ele uma admiração profunda. Foi quem muito me ajudou na batalha da vida, com respeito e serenidade. Por isso, aqui vai o meu elogio a um homem tranquilo, que, do alto dos seus magníficos 90 anos, bem vividos no bairro do Fonseca, tem a certeza de uma velhica honrada e digna, prêmio dos justos, dos que cumpriram seu dever para com a família, a Cultura e o País.” Rubens Falcão é o autor de duas importantes obras da Bibliografia do Estado do Rio: Novos Caminhos na Educação Fluminense, estudo crítico e propositivo de um especialista; e Antologia de Poetas Fluminenses, com perfis, análise e seleção de textos dos nossos maiores poetas. Publicou, também, biografias, Crítica Literária, Folclore, estudos e artigos técnicos na área da Educação. Era Membro da Academia Fluminense de Letras e Fundador da Academia Niteroiense de Letras. Foi Secretário Geral da Comissão Fluminense de Folclore, onde criou e editou o Boletim, depois, Revista Fluminense de Folclore, e colaborador de O Globo por muitos anos.

      • Na noite de 11 de fevereiro de 1992, na Faculdade de Direito de Niterói, Câmara Torres compareceu ao lançamento do livro O boi e o padre, autobiografia, livro de memórias, do jurista e político, ex-Ministro da Educação e Cultura, Professor Brígido Tinoco, então já falecido. Câmara Torres era amigo do casal Brígido Tinoco, estima que prosseguiu com a viúva Maria da Conceição de Menezes Tinoco. A edição post mortem foi iniciativa da viúva do ilustre Homem Público e patrocinada pelo Senador Áureo Mello, que, através da sua cota parlamentar, solicitou à Gráfica do Senado que a publicasse. Brígido Tinoco cumpriu cinco mandatos de Deputado Federal. Foi Professor Catedrático de Direito Administrativo da Faculdade de Direito e é autor das seguintes obras: Versos Tristes, livro de poesia editada na juventude; Uma porção de folhas mortas, idem; Fundamentos Históricos do Direito Social, obra de grande repercussão e com várias edições, premiada pela Academia Brasileira de Letras; e A Vida de Nilo Peçanha, obra considerada clássica pela crítica. O boi e o padre é um dos mais preciosos livros de memórias e da História Política fluminense, não apenas pela profusão informativa, mas também pelo estilo elevado, a elegante verve e a notável cultura do autor.


      Setembro de 1995. José Augusto em casa, já com a saúde debilitada,
      longe da Política e advogando pouco. Nessa época, além de orientar,
      passar sabedoria e experiência profissional a novos bacharéis,
      limitava-se a supervisionar o andamento de causas que lhe eram confiadas,
      transferindo-as a colegas de confiança mais jovens.
      (Acervo Marcelo Câmara)

      • A edição de 25.9.1996 do Jornal do Brasil publica carta do Senhor Câmara Torres, onde ele reclama do péssimo serviço prestado pela TELERJ, à linha de sua residência em Niterói. Esclarece o político, advogado, educador e chefe de família que “há mais de quarenta anos me comunico, todas as horas, com centenas de pessoas, sempre através de contas elevadas e quitadas em dia, sem ter tido nunca problemas com a Companhia”. No entanto, informa que “há mais de quinze dias meu telefone tem sido vítima das maiores restrições. Inicialmente, as ligações destinadas a outros números caíam em meu aparelho e sempre que fazíamos ligações, éramos interrompidos por outras vozes. Posteriormente, o telefone ficou mudo de vez, isolado. Dezenas de amigos reclamaram, a minha família também, e já há dez dias, nenhuma solução aos nossos ansiosos pedidos”. A propósito, já na década de 1960, Câmara Torres soube, pela antiga concessionária CTB, que ele “pagava, em virtude da sua atribulada vida de advogado e político, uma das maiores contas residenciais do Estado”.
      • Numa noite de novembro de 1995, Câmara Torres esteve no Clube Central, na Praia de Icaraí, para o lançamento do livro Memórias – Togo de Barros, do seu amigo e ex-colega de Assembleia Legislativa, Deputado Togo de Barros, ex-Governador do Estado do Rio de Janeiro. Na primeira página do livro, a dedicatória de Togo classificava Câmara Torres como “exemplo de integridade, cultura e trabalho” e “personalidade da História Política fluminense”. Ao lado de Câmara Torres, para abraçar o ilustre político campista, o ex-Deputado Saramago Pinheiro e o livreiro e animador cultural, Carlos Mônaco.
      • A 28.8.96, Câmara Torres foi a Aparecida do Norte visitar a Catedral, pedir e agradecer.


      • A 22.6.1997, Câmara Torres completava 80 anos. O aniversário foi comemorado com uma Missa em Ação de Graças na Basílica Nossa Senhora Auxiliadora, em Santa Rosa, Niterói. Familiares, amigos e admiradores participaram da cerimônia, gente de Niterói, do Rio e do interior do Estado. Igreja cheia.


      Sem alegria. Câmara Torres na manhã de 22 de junho de 1997,
      na Missa pelos seus oitenta anos, na Igreja dos Salesianos,
      templo que ele frequentou durante toda a vida.
      Dos quinze aos vinte e cinco anos, quase que, diariamente,
      como estudante, professor e ativista católico.
      (Foto: Renato Moreth – Acervo Marcelo Câmara)


      Curiosidades sobre a personalidade
      do cidadão, amigo e pai
      José Augusto da Câmara Torres

      Por Marcelo Câmara

      • Iniciou sua biblioteca aos nove anos.
      • Aos doze anos fundou e dirigiu um jornal de uma cidade.
      • Colecionou selos na juventude, quando teve, ainda, uma preciosa coleção de maços de cigarros (vazios), com exemplares raros do Brasil e exterior, alguns do Século XIX. Essa coleção estava com Marcelo, o filho mais velho. Quando ele se casou e mudou, deixando a coleção na casa dos pais, ela desapareceu.
      • Tentou, mas nunca conseguiu fumar.
      • Nunca dirigiu automóveis. Nem tentou.
      • Aos 20 anos, tentou aprender piano, ao comprar um Methodo e encontrar um professor.
      • Educaram os filhos, ele e Tudinha, na religião Católica, Apostólica, Romana. Ensinaram e encaminharam os filhos à prática verdadeira do Catolicismo. Todos foram batizados, fizeram Primeira Comunhão, se crismaram e se casaram na Igreja Católica. No lar, a Missa aos Domingos e Dias Santos e a abstinência de carne na Semana Santa eram rotinas compulsórias .
      • Nunca admitiu que os filhos fumassem.
      • Na sua casa, não entravam baralho nem gibis. Considerava-os nocivos à educação dos filhos. Leitura somente boa literatura, nacional e estrangeira. Aconselhava os clássicos.
      • Não admitia jogos de azar.
      • No seu prato do almoço e jantar, os alimentos não se misturavam. Ele arrumava, cuidadosamente, cada um deles na maior parte do prato: o arroz, a carne ou o peixe, a verdura, o legume etc. Em seguida, para comer, com a faca na mão direita, e o garfo na esquerda, ele recolhia porções de um ou mais deles, arrumando no garfo o que desejava, levando-o à boca.
      • Como teve uma infância pobre e sem brinquedos, era fascinado em montar miniaturas de aeródromos. Já com mais de quarenta anos, tal como um menino, comprava brinquedos de armar importados, caixas que traziam pequenas peças de plástico e cola especial, e montava aviões antigos, geralmente os primeiros monomotores fabricados no mundo.
      • Preferia dormir ou descansar numa rede nordestina do que numa cama.
      • Não comia feijão. Mas adorava feijoada.
      • Ele e Tudinha não deixavam as filhas usarem duas peças e biquinis.
      • Não conseguia dançar, fazer par a uma dama. Tudinha tentou lhe ensinar, como fez, com sucesso, com os oito filhos, mas era impossível. “Seu pai não tem ritmo”, explicava. Também não sabia nadar, jogar futebol, dançar e andar de bicicleta.
      • Ele e Tudinha obrigavam, sob chineladas, os filhos a tomar sopa antes do jantar até os dezoito anos.
      • Preferia escrever tarde da noite, no início da manhã ou de madrugada.
      • Como sempre teve vida atribulada, trabalhava muito e dormia pouco, entrava no seu carro e, em poucos minutos, já estava cochilando, o que fazia mesmo em pé em transporte público ou encostado a uma parede, quando esperava por alguém.
      • Suas bebidas preferidas: cachaça (somente de Paraty) e uísque escocês com água de coco. Mas gostava, também, de um bom vinho.
      • As frutas exóticas o fascinavam. Apaixonado por fogos, quando residia em Angra dos Reis, a cada São João, trazia do Rio um grande volume de fogos de artifício que disparava em frente à sua casa, na Rua Honório Lima, para alegria dos filhos. Em 1954, um “aviãozinho”, artefato que cruzava o céu assobiando e iluminando-o com cores, ao invés de subir, desceu sobre ele e a família, atingindo a sua filha Maria Tereza, de nove anos, que, ainda com o uniforme de educação física do Grupo Escolar, sofreu graves queimaduras, tendo de ser internada na Santa Casa da cidade. A partir desse acidente, Câmara Torres nunca mais festejou, com fogos, o São João.
      • Comia qualquer alimento do mar: peixes, moluscos, crustáceos, qualquer animal ou vegetal. Tudinha preparava, com primor, sempre reclamando, qualquer um deles. Detestava, até mesmo, o cheiro. A única exceção da esposa: comia camarão de Paraty “porque não tinha cheiro nem gosto de peixe”.
      • Em navio, traineira, rebocador, lancha, baleeira ou canoa, não temia o mar bravio. Sentia-se bem e considerava a tormenta, agradável, uma diversão. Em viagens perigosas, dormia, até mesmo em pé, segurando no mastro da embarcação, em banco ou grade de convés, enquanto os outros passageiros passavam mal, rezavam, choravam, pediam socorro etc. Jamais enjoou em mar turbulento.
      • Não sabia pilotar avião, mas era um apaixonado por aviação e adorava voar. Em 1952, ingressou no Aero Clube do Estado do Rio de Janeiro – ACERJ, localizado na Praia de Charitas, em Niterói, RJ, onde foi Vice-Presidente por várias gestões e Presidente do Conselho Deliberativo, chegando a presidi r a entidade nesta última condição. Desde que idealizou e construiu em 1954, com recursos próprios, o “Campo de Aviação da Japuíba”, em Angra dos Reis, hoje “Aeroporto de Angra dos Reis”, nunca deixou de voar em teco-tecos, mono e bimotores, para qualquer lugar. Não temia condições de tempo adversas. Os pilotos que, com frequência, viajavam com ele, indo e vindo, entre Niterói, Rio para o Sul Fluminense, contavam que alertavam Câmara Torres sobre o perigo de, muitas vezes, decolar sob chuva, tempo fechado, ou prenúncios, maus prognósticos de temporais e ventanias. Mas ele não se sensibilizava, teimava em voar, dizendo: “Não, dá pra ir sim. Essa situação ruim deve ser só por aqui. Quando ultrapassarmos aquela serra, aquela montanha, tudo fica azul, um céu de brigadeiro...” Os pilotos que conheciam a teimosia temerária de Câmara Torres, vez por outra, tinham que “endurecer” com ele, se negarem a voar, pois ele, sempre otimista, achava que, depois de determinado ponto da viagem, “tudo ia ficar azul, céu limpo”. Os pilotos José Viegas, Cileno Rocha, Wermelinger e Lacir Moraes, alguns dos que mais voaram com ele, narravam algumas ocorrências de riscos e percalços, de “sufocos” que passaram com Câmara Torres, em virtude da paixão dele de voar, da insistência em decolar de qualquer maneira, do “voluntarismo aventureiro, o otimismo perigoso do Doutor Câmara”.
      • A Marcelo, o filho mais velho, até os dezoito anos, jamais foi permitido sentar à mesa sem camisa. Nem ter cabelos longos.
      • Suas leituras e estudos prediletos: História, Literatura (Prosa e Poesia), Sociologia, Educação, Política, Cristianismo, Biografias, Crítica Literária.

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      quarta-feira, 5 de agosto de 2020

      O HOMEM E O SEU TEMPO - DE 1917 A 1956

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      CENTENÁRIO DE CÂMARA TORRES
      1917-2017
      José Augusto da Câmara Torres
      (* Caicó, RN, 1917 – † Niterói, RJ, 2017)
      Jornalista, Educador, Advogado, Político
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      O HOMEM E O SEU TEMPO
      DE 1917 A 1956



      O PERCURSO EXISTENCIAL DE
      JOSÉ AUGUSTO DA CÂMARA TORRES
      DE JUNHO DE 1917
      A OUTUBRO DE 1956


      REGISTROS


      ALGUNS ATOS E FATOS
       DE 1917 A 1956


      • Às 21h de uma sexta-feira, dia 22 de junho em 1917, Dia dos Santos ingleses John Fischer e Thomas More, na cidade de Caicó, RN, nasce, em casa, José Augusto, o mais velho dos três filhos do Senhor Torres que sobreviveram aos nove partos de Dona Liquinha. O nome escolhido é uma homenagem ao Doutor José Augusto Bezerra de Medeiros, na época ex-deputado estadual, deputado federal, depois senador e governador do Estado. Advogado, professor, chefe de polícia do Estado, magistrado, Bezerra de Medeiros exerceu sete mandatos de deputado federal pelo Rio Grande do Norte. Faleceram dias ou semanas após o parto: Denize e Dalvanira I, gêmeas, nascidas antes de José Augusto, a 9.4.1916; Marconi I, nascido em 1919; Joana D’Arc, em 1920. Morse, em 1923; e Ignez, em 1925.
      • A 26.6.1918, nasce, em Caicó, RN, Dalvanira, única irmã de José Augusto.
      • A 20.4.1921, falece em Angicos, RN, o seu avô paterno, Vicente José Ferreira da Costa Torres. (A sua avó paterna, Januária Francisca da Costa Torres, nascida em 1869, havia falecido doze anos antes, em 29 de junho de 1908.)
      • A 16.3.1922, nasce Marconi, o único irmão.
      • A 1º.3.1926, ingressa no Grupo Escolar Senador Guerra, de Caicó, como aluno do 1º ano do Curso Elementar.
      • Em 1928, o menino José Augusto planta, no portão da sua residência, em Caicó, um cajueiro. Isto o encheu de orgulho e vaidade saudável, ecológica. Tanto que, nas férias escolares 1936-7, vividas na cidade, após "bacharelar-se", ao concluir o Curso Ginasial de cinco séries, em Niterói, RJ - o rapaz, emocionado, fotografa a árvore e escreve no verso da única cópia iconográfica: "Uma fotografia de eterna saudade..."


      O cajueiro, plantado pelo menino aos dez anos, 
      no portão da casa onde ele nasceu.

      (Acervo Marcelo Câmara)
      • A 1º.2.1930, entra no 1º ano do Curso Complementar do Grupo Escolar Senador Guerra.
      • A 3.5.1930, profere o primeiro discurso público, aos professores e alunos da sua escola em Caicó, sobre a polêmica da data do Descobrimento do Brasil e o “Dia da Natureza”.
      • Às 13h30m do dia 4.10.1930, “sabe-se da Revolução em Caicó”, anota José Augusto em seu diário.
      • Em maio de 1931, funda e passa a dirigir O Ideal da Juventude, “jornal mensal, literário e noticioso, ‘órgão dos interesses do Grupo Escolar Senador Guerra’, dirigido ao povo de Caicó”, onde o menino também assina editoriais, artigos e reportagens.
      • Na edição de 27.12.1931 do diário carioca O Jornal, o nome José Augusto da Câmara Torres é publicado como um dos vencedores do Concurso de Natal.
      • A 6.2.1932, José Antunes Torres e seu filho, José Augusto Torres chegam a Natal. A 19, o menino, com quatorze anos, ingressa, brilhantemente, aprovado em Exame de Admissão, no 1º ano ginasial do tradicional Colégio Santo Antônio, dos Irmãos Maristas.
      • Em 1933, a Família transfere-se para Niterói, RJ, desembarcando no Cais do Rio de Janeiro, no Armazém Cinco. José Augusto ingressa, aos 15 anos, na 2ª série Ginasial do Colégio Salesiano Santa Rosa, quando conhece e se torna amigo pela vida inteira (“irmão xifópago”) de Dayl do Carmo Guimarães de Almeida.
      • Entre 14 e 17 de setembro, José Augusto, aos dezesseis anos assiste no Cine-Theatro Imperial, na Rua Visconde do Rio Branco, em Niterói, o clássico A múmia, com Boris Karloff, Zita Johann e David Manners. 
      • Nos anos de 1933 e 1940, o Professor Joaquim Coutinho e a Professora Leonor Cavalcanti, primeiros mestres de José Augusto, de Caicó, se corresponderam intensamente com o jovem, agora morador de Niterói.
      • A 24.4.1934, José Augusto telegrafa ao Deputado Federal João Guimarães, que aniversariava no dia seguinte. Natural de Campos, RJ, militante niilista, Guimarães integrou a Aliança Liberal, que lançara Getúlio Vargas à Presidência da República. Com a Revolução de 1930, foi dos fundadores do Partido Popular Radical – PPR do Rio de Janeiro, agremiação pela qual fora eleito, em novembro de 1933, Deputado à Assembleia Nacional Constituinte, assumindo em maio de 1934.
      • Em julho de 1934, José Augusto escreve para o Desfile da Raça, um longo e bem elaborado panfleto cívico-ideológico e romântico, evocativo a Deus, à Pátria e à Família, sintetizando a ideologia e o programa integralista, quando milhares de camisas verdes marcharam em Niterói. O panfleto era adaptado às realidades de Niterói e fluminense. Repetiu o sentido e objetivos do evento que ocorrera em maio no Rio de Janeiro, realizado também em outras capitais e cidades brasileiras, alguns com conflitos. O mais grave ocorreu em São Paulo, com tiros e feridos. Não se tem notícia se o texto de cinco páginas de José Augusto foi distribuído.
      • A 15.8.1934, José Augusto, aos dezessete anos, cursando o terceiro ano ginasial, é um dos fundadores da Congregação Mariana de Nossa Senhora Auxiliadora e de São João Bosco, com sede no Colégio Salesiano Santa Rosa, Niterói, RJ.
      • Na manhã de 7.9.1934, houve uma Solene Comemoração ao 112º aniversário da Independência do Brasil no Colégio Salesiano Santa Rosa, em Niterói. No Auditório do Colégio, o aluno do 3º ano ginasial, José Augusto Torres, representando o Corpo Discente, foi escolhido para ler a sua dissertação sobre a efeméride, após a alocução do Prof. Francisco Portugal Neves.
      • A 7.10.1934, funda, com os irmãos Dayl do Carmo e Lyad Sebastião Guimarães de Almeida, a Academia São Francisco de Sales – ASFS., instituição cultural, formada por jovens da Congregação Mariana de Nossa Senhora Auxiliadora e Dom Bosco, que viria a movimentar intensamente a vida estudantil com vasta e plural atividade artística e científica, que ultrapassaria os muros do Colégio, atingindo as cidades de Niterói e Rio de Janeiro. Naquele mesmo dia, a Academia é inaugurada e instalada no Salão de Atos do Colégio Salesiano Santa Rosa, com discurso inaugural de José Augusto, eleito o primeiro Presidente da entidade, que redige o Regulamento (Estatutos) da entidade. Este é discutido a 4 de novembro e aprovado a 16 de dezembro. Dayl é o Secretário; o Orador, Eduardo Sodré; e o Tesoureiro, Décio Afonso. Hora de Arte com Literatura, Música e Poesia, por membros da Academia e convidados. Alberto Fortuna (futuro artista popular Albertinho Fortuna) canta com seu acordeão. A Academia, “braço cultural da Congregação Mariana”, era também conhecida como seu “Departamento Literário”.


      Monumento de N. Sa. Auxiliadora, numa foto dos anos 1940.

       No alto da colina do Colégio Salesiano Santa Rosa, foi inaugurado a 8.12.1900.
      A ideia foi do terceiro 
      diretor do Colégio, criado em  1883,
      Pe. Luis Zanchetta. 
      O Monumento, uma das atrações turísticas 
      de Niterói, em estilo Bossan, um misto dos estilos gótico e árabe,
      é considerada a obra-prima 
      do engenheiro salesiano Domingos Delpiano.
      (Acervo Marcelo Câmara)
      • Na noite de 17.11.1934, no Salão de Atos do Colégio Salesiano Santa Rosa, de Niterói, RJ, o aluno José Augusto Torres, do 3º ano ginasial, fez o “discurso oficial” na “Homenagem de Apreço do Curso Ginasial Externo ao Egrégio Professor Francisco Portugal Neves”. A cerimônia contou com orquestra que inaugurou o programa, acompanhou o aluno do 2º ano, Alberto Fortuna (futuro cantor Albertinho Fortuna, astro do rádio e do disco), apresentou números populares e encerrou a cerimônia com o Hino Nacional. O leader do movimento que resultou na homenagem, o colega e amigo de José Augusto, Dayl de Almeida, também se pronunciou. Artur Torres executou número ao piano. José Augusto também foi designado para entregar “um mimo” ao homenageado.
      • Na noite de 9.12.1934, na “Solene Encerramento do ano letivo e distribuição de prêmios aos alunos Externos do Curso Primário e Secundário”, José Augusto discursou em nome dos estudantes, apresentando as “Despedidas” dos Concluintes daquele ano. O discurso ocorreu durante o cumprimento de um longo programa de arte com apresentações: de orquestra; do aluno-cantor Alberto Fortuna; de “O pintor malogrado, entremez lírico por um grupo de alunos externos”; “Miscellanea Collegial – scena lyrica em 6 quadros”; e Marcha final pela orquestra.
      • A 16.12.1934, preside e abre a 2ª Sessão Solene da ASFS com uma oração de esperança na Mocidade do País. A reunião, no Salão de Atos do Colégio, é em Homenagem a N. Sa. da Conceição, e para a posse do primeiro acadêmico, o companheiro mariano Aluisio Redig, na Cadeira de Dom Macedo Costa. no Salão de Atos do Colégio. É lido e aprovado o Regulamento da Academia. No programa, música, discursos, palestras sobre Literatura, Folclore e Música Popular Brasileira.
      • A 21.12.1934,  


      • Em 1935, de fevereiro a outubro, a ASFS. foi presidida interinamente pelo congregado Mario Gomes da Silva, quando neste último mês, José Augusto voltou a presidi-la. A 20 de novembro foi pedida uma revisão dos Estatutos. A 15 de dezembro, reuniu-se a Comissão Revisora. A 8 de fevereiro de 1936, aprovados os Estatutos revistos, ele entrou em vigor.
      • A 24.2.1935, participa da Festa de São Francisco de Sales, Padroeiro da Congregação Salesiana, no Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora, em Niterói. A extensa programação inicia-se às 7 horas: missas, música sacra, canto gregoriano, canto coral, procissão no Santuário e inauguração de lampadários em frente ao templo. À noite, Sessão Solene da ASFS, com posse da nova Diretoria, presença do Bispo de Niterói, personalidades religiosas, apresentação de orquestra que apresenta o Hino Pontifício, Verdi, Suppé, A. Boieldieu, Rossini, Donizetti e, também, recital de Poesia. Antes da Marcha Finala fala de José Augusto da Câmara Torres, encerrando as solenidades.
      • A 5.5.1935, fala, pela segunda vez, aos Camisas Verdes do Núcleo da AIB de Nova Friburgo, RJ.
      • A 10.5.1935, José Augusto escreve ensaio sobre a significação e simbologia da Bandeira do Brasil,
      • Na edição de 31.6.1935 da Revista Tico´Tico, do Rio de Janeiro, o jovem José Augusto da Câmara Torres aparece como um dos vencedores nos concursos de palavras cruzadas, charadas e de conhecimentos gerais da Revista.
      • No início de outubro de 1935, José Augusto é um dos signatários entre mais de duzentos cidadãos, de eloquente telegrama da Coligação Radical-Socialista Republicana, que parte de Campos, aos Deputados Constituintes estaduais, Anthero Manhães e Arnaldo Tavares, este Presidente da Assembleia. Dizia a abertura da mensagem: “No momento em que os bravos vinte e três constituintes da Coligação Radical-Socialista Republicana selam com o sangue generoso do companheiro estoico um compromisso de honra, em torno do nome glorioso do Governador Protógenes Guimarães, para a defesa das tradições de civismo do rincão fluminense, a terra de Nilo Peçanha reafirma sua solidariedade e manda aplausos aos correligionários e aos grandes chefes da coligação”.
      • Na noite de 5.10.1935, José Augusto preside a Sessão Solene da ASFS. Na primeira parte, toma posse a nova Diretoria da entidade e o Pe. Emilio Miotti é recepcionado como Membro Honorário e passa a ocupar a Cadeira de Santo Agostinho. Dayl de Almeida saúda o novo integrante da Academia. Na segunda parte da Sessão, apresentação de boa Música: Pagano, Verdi e Moskowski. E récita de Poesia. O Hino das Congregações Marianas encerrou a noite.
      • Em 1935 e 1936, em duas Sessões Ordinárias da ASFS, realizaram-se duas discussões de teses, então de alta relevânciaItália e Abissínia e Monarquia e República. Na primeira, Wilton Gomes venceu Dayl de Almeida; na segunda, Dayl superou Artur Torres.
      • A 31.1.1936, José Augusto deixa de escrever o seu Diário (supostamente destruídos) e opta por escrever longas memórias, no último dia de cada ano ou nos primeiros dias do ano seguinte. O balanço da vida do jovem estudante, dos seus convívios, amizades, estudos, amores, alegrias, desafios, dores, conquistas, tristezas, derrotas, medos, ansiedades, ideais, perspectivas profissionais passam a ser registrados anualmente. Assim, além das Memórias de 1936, José Augusto registra as de 1937 e 1938.
      • De 3 a 13.1.1936, José Augusto está passeando em Nova Friburgo, com o amigo Oton Barros.
      • A 10.1.1936, José Augusto vai a Bom Jardim, RJ, certamente a passeio, aproveitando as suas férias na serra.
      • De 9 a 11.2,1936, José Augusto participa do Congresso Universitário em São João Del Rey, MG.
      • Na noite de 19.4.1936, no Salão de Atos do Colégio Salesiano Santa Roas, a ASFS realiza Sessão Solene de Recepção ao Prof. Dr. Antonio da Silva Mendes, que passa a ocupar a Cadeira nº 1 do grupo denominado Grandes Vultos da Latinidade, da 2ª classe dos Sócios Honorários, que tinha como Patrono Luiz de Camões, “o imortal cantor dos Luziadas”. O Programa foi assim percorrido: Hino das Congregações Marianas; Abertura pelo Presidente da Academia, José Augusto Torres; Saudação ao empossado pelo acadêmico Dayl de Almeida. Seguiu-se muita Arte: peças de Schubert e Toselli; poema de Eça de Queiroz. Depois, Elogio a Luiz de Camões, pelo Prof. Antonio da Silva Mendes; Hino Português, palavras do Pe. Dr. Orlando Chaves e, finalizando, o Hino Nacional.
      • A 17.3.1936, “José Augusto Torres”, aos dezenove anos, comparece à sede do Diário de Notícias, na Rua Buenos Aires, 151, no centro do Rio, para resgatar cupons que davam direito a brindes por participar da enquete para escolha do “Melhor film da temporada de 1935, promovido pelo jornal e pelo programa Cine-Rádio-Jornal, de Celestino Silveira, da Rádio Philips do Brasil. Favela dos meus amores, de Humberto Mauro, foi uma das produções mais votadas e parece ter sido a escolha de José Augusto. Quatrocentos leitores foram contemplados: os homens com um “sabonete Eucalol” e as mulheres com “uma caixinha de pó de arroz Royal Briar”.
      • Na noite de 5.6.1936, o terceiro aniversário de Espumas, fundado por José Augusto, era comemorado com um sarau na residência do Professor Raul Stein, pai de Dayl. À época, quinzenário, a direção do jornal era dividida entre José Augusto e Dayl.
      • Na noite de 28.11.1936 o Bacharel José Augusto fez um pungente discurso denominado Adeus! no encerramento do ano letivo, do Colégio Salesiano Santa Rosa, quando ele também encerrava a sua vida como aluno no estabelecimento. Falou em nome de todos os formandos. Houve distribuição de prêmios (Menções Honrosas, Medalhas), palavras do Pe. Diretor, apresentação cênica da revista Os soldadinhos e da Orquestra de Amigos do Colégio.
      • A 13.12.1936, preside a Festa de Segundo Aniversário Congregação Mariana de Nossa Senhora Auxiliadora e São João Bosco. Pela manhã, missa, comunhão geral, posse da nova Diretoria no Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora. À noite, no Salão de Atos do Colégio Salesiano Santa Rosa, após a Recepção de Congregados e Aspirantes, Sessão Solene da ASFS para a posse do Pe. Antonio Lages como Membro Honorário na Cadeira de São Gregório Magno. José Augusto o saúda e o Pe. Lages faz o elogio ao Patrono da Cadeira. Lido Relatório dos Trabalhos da Congregação no exercício que se encerra. Cumpre-se variado programa de Arte: Canto Lírico, Pescador de Pérolas, de Biset; piano e flauta de trecho de O Guarani, de Carlos Gomes; piano a quatro mãos de Radieuse, Grande Valsa, do Concerto de Gottschalk; declamação de poemas e encerramento com o Hino Nacional.
      • No final de 1936, recebe, do Instituto Catholico de Estudos Superiores, fundado por Alceu de Amoroso Lima, sediado no Rio de Janeiro, Certificado do Curso de Sociologia. Naquele ano letivo, a Direção do Instituto estava a cargo de Sobral Pinto e o seu professor foi Magalhães Bastos.
      • Em 1936, com 19 anos, conclui o quinto e último ano Ginasial, do Colégio Salesiano Santa Rosa.
      • Na Festa de Formatura dos Bacharelandos de 1936, José Augusto foi o Orador do Banquete no Colégio Salesiano, em homenagem ao Paraninfo da “Turma do José Augusto e do Dayl”, Gustavo Barroso, na época, um dos mais importantes intelectuais do País, na presença do historiador. A escolha e a efetivação de Barroso como Paraninfo foi uma conquista de José Augusto, como ele mesmo confessa para si em suas “Memórias Íntimas”, pois foi ele que a idealizou, contatou e convidou, pessoalmente, em nome dos formandos, o escritor.
      • José Augusto registra em sua “Memória de 1936”, escrita em 31 de dezembro daquele ano em Caicó: em dezembro de 1936, após muitos preparativos, autorizações dos pais, do Colégio no qual se formara (contava 17 anos), ansiedades, entusiasmo, às 9h do dia 4 de dezembro, José Augusto embarca no navio-vapor Comandante Ripper, com destino a Natal. Era a sonhada “Viagem ao Nordeste”, como dizia, “após quatro anos de saudades”. No cais do Porto do Rio de Janeiro, emoção, lágrimas e os lenços brancos do pai, do irmão Marconi e de Dayl. Desembarca em Natal, RN, a 11, sendo recebido pela avó materna, permanecendo até 14 de dezembro, quando vai de trem a Baixa Verde (atual João Câmara), encontrar-se com familiares. No dia seguinte, volta a Natal e a 17, numa “sopa” (ônibus) segue para Caicó, “minha terra!”, vibra escrevendo nas “Memórias de 1936”. Chega às 17 horas, indo direto para a casa de Eulápio, amigo de infância. Visitas, palestras, passeios, os amigos, as amigas, os colegas do Grupo Escolar, emoções, saudades exterminadas. Reencontra Tudinha, o primeiro e único amor.
      • A 2.1.1937, José Augusto, aos dezenove anos, assiste, no Cine-Theatro Pax, em Ipanema, no Rio, com início às 18h, ao filme clássico e histórico da Paramount. Cleópatra, com Claudette Colbert, Warren William e Henry Wilcoxon
      • Nos anos 1937 e 1938, é aluno do Curso Pré-Jurídico do Liceu de Humanidades Nilo Peçanha, em Niterói, RJ.
      • Na “Memória de 1937“, escrita em Nova Friburgo, a 9 de fevereiro de 1938, confessa: “Na tarde de 12 de janeiro (de 1937), “a satisfação mais íntima que me podia surgir: Tudinha e eu nos compreendemos mutuamente, amorosamente. E os compromissos se trocaram. Era a voz sentimental da minha terra que falava. Era a minha primeira sensação amorosa da vida, conservada durante 7 anos, pela distância, que recebia o seu batismo de compreensão. Eu senti, nas meias palavras que ela me dizia, um destino. Ela também me compreendeu. Foi o dia da minha alforria. Completei, afinal, um dos objetivos da minha viagem: o objetivo.” – escreveu. Às 11h30m de 14 de janeiro de 1937, deixa Caicó, de automóvel, prometendo voltar em 1941, talvez 1939. Dias 15, 16 e 17 em Natal. Dia 18, segue para Baixa Verde. A 19, o casamento de Dalvanira, sua irmã. Dia 20, segue para Touros “uma ambição da minha vida. Havia um mistério que me chamava”, revela. De caminhão, chega a Boa-Cica, de onde vai a cavalo, por três léguas, até Touros, “terra onde papai e mamãe se conheceram... Tudo exerceu uma mística profunda em meu ser.”


      Janeiro de 1937. Uma viagem sentimental de José Augusto.
      No cavalo do tio, vai de Boa Cica, então Município de Angicos,
      a Touros. Hoje Boa Cica é Distrito de Touros.

      (Acervo Marcelo Câmara)


      Muita alegria, encontro com tios, primos e primas, almoços, jantares, passeios. Lágrimas ao visitar o túmulo do seu bisavô, Francisco Antunes da Costa. Dia 26, parte para Ceará-Mirim. Dia 27, Angicos, “no seio amável da família”, onde permanece até 30, quando retorna a Natal. Dias 31, 1º, 2 e 3 de 1937, espera o navio para voltar ao Rio. À meia-noite do dia 3 para 4, o mesmo Comandante Ripper deixa o Porto de Natal. Domingo de Carnaval em Salvador, BA. Segunda e terça a bordo. Na quarta-feira de cinzas, entra na Baía da Guanabara.

      José Augusto, à esq., e companheiro de viagem,
      devolta ao Rio, 
      no Comte. Ripper, em fevereiro de 1937.
      (Acervo Marcelo Câmara)

      • A 1º.4.1937, inicia as aulas no 1º Ano do Curso Pré-Jurídico, do Liceu de Humanidades Nilo Peçanha, de Niterói, RJ.
      • A 3.4.1937 dá os primeiros cinco tiros no Serviço Militar (“Tiro de Guerra”), que presta no Colégio Salesiano Santa Rosa, sob as ordens do então 3º Sargento Auxiliar Instrutor, Ariovaldo de Souza Paiva. Os últimos tiros ocorrem a 18.8 do mesmo ano. Vinte e quatro anos depois, em 1961, o então Capitão Paiva seria o professor de Educação Física, até 1965, de Marcelo, filho de José Augusto, no mesmo Colégio.
      • A 11.4.1937, faz, na condição de Presidente da ASFS, a “Alocução de Abertura” da Segunda Tertúlia da Festa de Inauguração da Sede Social da Congregação Mariana de N. S. Auxiliadora e S. J. Bosco. Pela manhã, Missa e Comunhão Pascal dos Congregados. À noite, a Segunda Tertúlia, quando a “Sala Dom Bosco” é inaugurada e o Pe. Dr. Orlando Chaves é recepcionado como Membro Honorário da Academia, ocupando a Cadeira de Santo Tomás de Aquino. Seguem-se: canto, a fala do Comandante Eulino Cardoso, Presidente da Federação Mariana do Rio de Janeiro, outros discursos e encerramento com o Hino Nacional.
      • A 18.4.1937, faz pronunciamento "Aos jovens católicos do Brasil" pela Rádio Sociedade Fluminense - PRE6, de Niterói, RJ.
      • A 25.4.1937, faz pronunciamento à "Mocidade Marina do Brasil!, pela Rádio Sociedade Fluminense - PRE6, de Niterói, RJ.
      • A 1º.5.1937, José Augusto foi reeleito para mais um mandato como Presidente da ASFS.
      • A 16.5.1937, realiza-se, no Colégio Salesiano Santa Rosa, a Festa da Saudade, com comunhão pascal dos ex-alunos salesianos. E é criada a União de Ex-Alunos de Dom Bosco do Colégio Santa Rosa. José Augusto é um dos fundadores da entidade e Conselheiro a primeira Diretoria eleita para o biênio 1937-8. Dia Festivo. Após a missa, lembranças do evento, almoço, fotografia do grupo, posse da nova diretoria, jogo de futebol entre alunos e ex-alunos. Encerrando-se o encontro, a Benção do Santíssimo Sacramento. É criado, também, o Boletim Ex-Alunos de Dom Bosco, Suplemento ao Boletim Salesiano, cujo primeiro número sai com a periodicidade bimensal: maio de junho de 1938. Marcada a Festa dos Ex-Alunos: 3 de outubro.
      • A 5.6.1937, é nomeado, interinamente, Secretário Municipal de Imprensa, do Núcleo Municipal de Niterói, da Ação Integralista Brasileira – AIB e faz discurso ideológico-político no Núcleo Santa Rosa, da AIB. na presença do Secretário Nacional de Imprensa da agremiação. Na reunião José Augusto comunica a mudança de nome do jornal, que fundou e dirige, de Espumas para A Ordem.
      • A 3.7.1937, como Presidente da ASFS, em sessão solene da entidade, saúda o Professor Antônio Latgé, que pronuncia a conferência O Monogenismo e o Poligenismo.
      • A 4.7.1937, em Maricá, RJ, faz\ vibrante discurso ideológico e político aos filiados da AIB. 
      • Na noite de sábado, 10.7.1937, preside e abre a “Sessão Solene de ALTA CULTURA dedicada aos Universitários e Ginasianos” de Niterói, na sede da Congregação Mariana N. Sa. Auxiliadora, quando o Prof. Dr. Antonio E. Latgé, Membro da Academia Fluminense de Letras, profere a conferência Monogenismo e Poligenismo. Após a conferência, a Escola Cantorum Cristo Rei, da Congregação, apresenta Salve Mundi Domina, prosa rimada famosa na Idade Média, extraída do Vol. 322, da Edição de Mone, da Biblioteca de Paris, França.
      • A 13.7.1937, faz discurso doutrinário e político no Núcleo do Fonseca da AIB.
      • A 21.9.1937, pronuncia, no Núcelo do Fonseca da AIB, em Niterói, RJ,  a conferência-ensaio doutrinária O Integralismo em face da Democracia, O mesmo trabalho é apresentado, na mesma cidade, nos Núcleos do Saco de São Francisco (14.11.1937) e do Ingá ((16.11.1937).
      • A 23.10.1937 é nomeado para exercer, em caráter definitivo, o cargo de Secretário Municipal de Imprensa, do Núcleo Municipal de Niterói, da Ação Integralista Brasileira –AIB.
      • No dia 14.11.1937, “Dia da Festa do Papa”, convidado pelo Pe. Orlando Chaves, Diretor do Colégio Salesiano Santa Rosa, José Augusto participa do “almoço íntimo” com o Núncio Apostólico do Vaticano no Brasil, na sede do Colégio.
      • A 20.11.1937, em Niterói, é expedido o seu Certificado de Reservista de 2ª Categoria, pela 1ª Região Militar, do Ministério da Guerra.
      • Na tarde de um domingo, 21.11.1937, José Augusto está presente à “Festa da Collação de Grau dos Bacharelandos” daquele ano, entre eles, o seu amigo Lyad Sebastião Guimarães de Almeida, irmão de Dayl, no Salão de Atos do Colégio Salesiano Santa Rosa. José Augusto fala na Sessão Solene em nome dos Bacharelandos de 1936.
      • Em 1937, faz pronunciamento à "Mocidade Católica da Minha Terra", pela Rádio Sociedade Fluminense - PRE6, de Niterói, RJ.
      • Em 1937, representando o Chefe Municipal de Niterói da AIB, faz a oração, em nome do Integralismo, no sepultamento de Newton de Melo Carvalho. Niterói, RJ.
      • A 1º.1.1938, José Augusto é reeleito para um quinto mandato como Presidente da ASFS.
      • José Augusto revela em sua “Memória de 1938”, escrita em janeiro de 1939, em Niterói, que, em 1938, brinca Carnaval pela primeira vez na vida. Em Nova Friburgo, RJ. Integrou-se à legendária A Turma do Barulho, naquele ano, em dois eventos: das 13h às 18h  esteve na “grandiosa matinée dansante” (“as dansas impulsionadas por excelente conjunto”), no Bar Central, e a partir das 20h se esbaldou na “magnífica batalha de confeti na Praça 15 de novembro, em homenagem ao Sr. Prefeito”. A Turma do Barulho reunia todos os blocos carnavalescos de Nova Friburgo”. Mas ele estava na cidade não só para o Carnaval. De 6 de janeiro de 1938 a fins de fevereiro, ele fica em Nova Friburgo, RJ, lendo e refletindo muito sobre Brasil, ideologias, Política, Ciências Sociais e outros temas fundamentais que plasmaram o seu caráter intelectual adulto e os rumos a seguir. É o ano da maioridade civil. Desce a Serra. Em março e abril frequenta o Instituto de Educação de Niterói. E seguem dias de muitas “palestras amáveis e inesquecíveis”, reuniões com a sua turma, “que era ótima” – José Arthur Rios, Anselmo Macieira, Celso Peçanha, Dayl de Almeida, entre outros – na Leiteria Brasil e nos jardins da Praça da República, no Centro de Niterói. Era uma turma constante em palestras políticas, literárias, filosóficas,
      • A 30.1.1938, segundo documento do Ministério da Guerra, 7ª Região Militar 16ª Circunscrição de Recrutamento do Estado do Rio Grande do Norte, “José Torres” é alistado para o Serviço Militar do Exército ativo para o sorteio da classe de 1917 a realizar-se na sede do Serviço de Recrutamento em Natal.
      • A 5.2.1938, realiza-se Sessão Solene da ASFS no Salão de Atos do Colégio Salesiano Santa Rosa, quando José Augusto é reeleito Presidente e Artur Torres Cunha, Secretário Perpétuo da Academia e Presidente da Federação Mariana de Niterói, é recepcionado como Membro Fundador da entidade. Ele é saudado por Dayl de Almeida, também reeleito como Orador Oficial da Academia. A Escola Cantorum Cristo Rei, da Congregação, apresenta dois números: Rosa Vernnas e Salve Regina. O Hino Nacional fecha a Sessão.
      • Às 19h30m de 24.2.1938, a convite do Diretor do Colégio Salesiano Santa Rosa, Pe. Orlando Chaves, o estudante José Augusto da Câmara Torres, então com vinte anos, comparecia à Diretoria da Associação dos Ex-Alunos Salesianos.
      • Na noite de 31.3.1938, José Augusto assiste no Rival Theatro, no Rio de Janeiro, a peça Marqueza de Santos, de Viriato Corrêa, estrelada  por Dulcina de Moraes, no papel de Domitilia Marquesa de Santos, e o ator Odilon, como D. Pedro I, e grande elenco, destacando-se Zilka Sallaberry, Conchita de Moraes, Manoel Pera (irmão do ator Abel Pera, pai de Marília Pera) e Aurora Aboim. A Marqueza interpreta um lundu de Villa Lobos, aprendido e ensaiado pelo compositor Fructuoso Vianna.
      • Em março de 1938, José Augusto, aos vinte anos, compra o Méthodo para piano – theorico pratico e recreativo, de A. Schmoll, Primeira parte (1ª a 30ª lição). Uma arte para a qual não tinha vocação nem habilidades. Não se tem notícia se recebeu aulas ou tentou aprender piano sozinho, sem mestre.
      • Na noite de 6.4.1938, o aluno do Curso Pré-Jurídico do Liceu de Humanidades Nilo Peçanha, José Augusto Torres faz palestra no Instituto de Educação do Estado do Rio de Janeiro, antiga Escola Normal de Niterói, sobre a vida e a obra de José Bonifácio, no dia do Centenário do grande brasileiro. Representa o Grêmio Nilo Peçanha. Na mesma solenidade, falam o Prof. Paula Aquiles e o Sr. Danton Jobim.
      • A 12.4.1938, José Augusto viaja para Ouro Preto, MG, onde permanece até 17, em estada de estudo, pesquisa, reflexões. Era Semana Santa. O projeto: escrever um romance sobre o “Drama da Inconfidência”, que o fascinava. A Revolução de Minas, Thomás Antônio Gonzaga e a musa Marília de Dirceu sempre foram paixões intelectuais, temas de estudo. Essa viagem, escreveu, “trouxe marcante efeito na minha vida”.
      • A 21.4.1938, no Instituto de Educação do Estado do Rio de Janeiro, protesta “violentamente” contra um júri simulado de Joaquim Silvério dos Reis e Tiradentes.
      • Na noite de 28.4.1938, sob a Presidência de Honra do Bispo Diocesano Dom José Pereira Alves, a ASFS. se reúne em Sessão Solene, na Sala da Congregação Mariana, para Recepção e Posse do Acadêmico Dayl de Almeida na Cadeira nº 8, patronizada pelo “genial Rui Barbosa”. Após o Hino das Congregações MarianasDayl é saudado por José Augusto. A seguir, o “Discurso-elogio” A verdade sobre Rui, na voz de Dayl. A Schola Cantorum Cristo Rei apresenta O Esca Viatorum, com o acompanhamento de órgão de Artur Torres Cunha; e Lyad de Almeida declama a Cantata ao Descobrimento do Brasil, de Olavo Bilac. Palavras finais do Bispo Diocesano e o Hino Nacional
      • A 9.5.1938, José Augusto concebe e inicia, com Dayl de Almeida, Celso Peçanha, Vasconcelos Torres, Marshall Torres de Lacerda (futuro Prefeito nomeado de Paraty em 1942 e Procurador do Estado do RJ), uma Campanha. Criaram a Comissão Universitária Fluminense Pró-Monumento à Princesa Isabel em Petrópolis. Registrou: “Muito trabalho, muitos discursos e, também, muita desilusão depois de um mês.” Participam, lembra José Augusto nos seus “anuários” (Memórias), os leais amigos Marcos Almir Madeira, futuro ensaísta nas áreas do Direito e da Sociologia, professor da Faculdade de Direito (depois de Marcelo, seu filho na mesma Faculdade), Presidente do PEN Clube do Brasil e da Academia Brasileira de Letras; e João Augusto de Araújo Castro, futuro diplomata e Ministro das Relações Exteriores do Governo João Goulart (1963-4). E por que “desilusão”? A Campanha evaporou-se porque um dos seus ativistas, o qual José Augusto sempre se negou a declarar o nome no infausto contexto, ou a lhe apontar o dedo, desapareceu com os significativos fundos arrecadados para o empreendimento.
      • Na noite de 13.5.1938, José Augusto preside na sede da ASFS, a “Sessão Solene Comemorativa do Cincoentenário da Libertação dos Escravos”. No programa: Hino das Congregações Marianas; Saudação de Dayl de Almeida ao Prof. Dr. Miguel Alvim Filho, que pronuncia conferência sob o tema O significado histórico da Abolição. Na Hora de arte: música e canto de composições de Hekel Tavares e Vicente Celestino; poemas do Conde Afonso Celso e Castro Alves. Encerramento: palavras do Pe. Diretor Orlando Chaves e o Hino Nacional .
      • A 15.5.1938, José Augusto participa, em Niterói, da Páscoa dos Ex-Alunos de Dom Bosco, presente em todos os eventos da Programação que incluíram missa, café, almoço. À tarde Hora de Arte, com música, canto e poesia. Ao final do dia a Benção do Santíssimo Sacramento.
      • Dez dias após a tentativa de Golpe Liberal-integralista de 11.5.1938, ao ataque ao Palácio Guanabara, José Augusto é forçado a sair de Niterói, e refugiar-se em Nova Friburgo, para não ser preso.
      • Na noite de sábado, 28.5.1938, no Teatro Municipal João Caetano, de Niterói, a Comissão Universitária Fluminense Pró-Monumento à Princesa Isabel promoveu Sessão Solene e Artística, “dedicada aos estudantes niteroienses em propaganda do Monumento à Redentora a ser erigido em Petrópolis. A Sessão compreendeu uma parte literária, quando diversos oradores discorreram sobre a personalidade da Redentora, e uma parte artística, “a cargo de diversos artistas do nosso Boadcasting e elementos de valor nos nossos círculos culturais”. O Interventor Federal Amaral Peixoto se fez representar, bem como a Família Imperial Brasileira. A Comissão de Petrópolis veio a Niterói prestigiar a Sessão, que transmitida, ao vivo e na íntegra, pela Rádio Sociedade Fluminense PRE6, de Niterói. Formavam a Comissão, além de José Augusto Torres, os estudantes Vasconcelos Torres (depois Deputado Estadual e Federal, e Senador da República); Dayl de Almeida, Marshall Torres de Lacerda e Cezar Tinoco Filho, que convidou, através de convites e volantes, “o povo em geral para assistir a tão vibrante demonstração de civismo”. A entrada foi franqueada a todos.
      • De 2 a 5.6.1938, José Augusto preside, em Niterói, o Tríduo Solene Comemorativo do 4º Aniversário da Congregação Mariana de N. Sa. Auxiliadora e S. João Bosco. Na noite do primeiro dia, cerimônias religiosas, canto gregoriano e palestras no Santuário N. Sa. Auxiliadora; na segunda noite, pregação no Santuário; e na sede da Congregação: pregação, cantos gregoriano e religiosos e palestra do Presidente da ASFS, José Augusto da Câmara Torres sob o tema Obrigação de Participar da Ação Católica; na terceira noite, pregação no Santuário, e na sede da Congregação: última Sessão do Tríduo sob a presidência Pe. Dr. Orlando Chaves, Diretor da entidade, cantos religiosos, palestras e o Hino das Congregações Marianas. No dia 5, missa e comunhão, seguidas de Missa Solene.
      • A 3.6.1938, José Augusto está novamente em Niterói para pronunciar na ASFS, a conferência apologética Obrigação de Participar na Ação Católica.
      • Em julho de 1938, José Augusto está trabalhando no Rio, no Serviço de Recenseamento da Prefeitura do Distrito Federal, a fim de complementar a renda mensal do estudante que dá aulas e escreve em jornais.
      • Na noite de 25.8.1938, o Presidente da ASFS, José Augusto da Câmara Torres, preside, na Sede da Congregação Mariana, no Colégio Salesiano Santa Rosa, em Niterói, a Sessão Solene em Homenagem ao Duque de Caxias. No programa: Hino das Congregações Marianas; Abertura pelo Presidente; Saudação ao novo Acadêmico, o jovem universitário Renato Cruz de Carvalho, pelo Acadêmico Artur Torres Cunha, Presidente da Congregação; Elogio ao Duque de Caxias pelo empossado; canto coral; Soldado Brasileiro!, oração de Dayl de Almeida; récita de poemas sobre o Duque de Caxias e Hino Nacional.
      • A 2.10.1938, José Augusto participa da Festa dos Ex-Alunos, cumprindo todo o programa da data: missa, café, confraternização, almoço, fotografia do grupo, sessão de cinema, incluindo filmes gravados no Colégio, Bênção do Santíssimo Sacramento.
      • Na tarde de 15.10.1938, instala-se o Grêmio Lítero-Esportivo Olavo Bilac, do Instituto de Educação do Estado do Rio de Janeiro, em Niterói. A cerimônia realiza-se no Salão Nobre da instituição, promovida pelos Departamentos Literário e Artístico e Desportivo. Nesse dia, após jogos de voleibol e basquetebol no Campo de Esporte do Instituto de Educação, foi instalada a primeira Diretoria do Grêmio, sendo Presidente, Amauri Pereira Muniz, e José Augusto Torres é empossado como Diretor Literário e Artístico. Após a posse, uma variada Hora de Arte com Canto Orfeônico; palestra de José Augusto Torres sob o título Olavo Bilac: poeta da terra e do amor; declamações de poemas de Olegário Mariano, Henri Heine, Itamar Siqueira e Olavo Bilac; solo de gaita; e Massenet (Meditação de Taís, piano e violino). O Hino Nacional fechou a Sessão.
      • Em fins de outubro de 1938, novamente, “quase uma nova embaixada”, ele e companheiros vão a São Paulo. Viagem de lazer e cultura. Hospeda-se no Palace Hotel, à Rua Florêncio de Abreu, 96, nos dias 29, 30 e 31, pagando um total de R$ 153 mil e 500 réis, somando duas diárias e meia de R$ 25 mil cada, somadas: hospedagem, refeições, bebidas e comidas extras.
      • Na noite de 5.11.1938, no Salão Nobre do Instituto de Educação de Niterói, José Augusto participa do Programa de uma Sessão Solene Lítero-Cultural do Grêmio Olavo Bilac, do Instituto de Educação do Estado do Rio de Janeiro, em homenagem ao 89º aniversário do nascimento de Ruy Barbosa. No oitavo momento da Sessão, José Augusto faz Divagações literárias sobre os olhos verdes. O trabalho se transformaria, anos mais tarde, numa Conferência-Ensaio que ele pronunciará em Angra dos Reis, publicada pela Prefeitura daquele Município.
      • Na tarde de sábado, 19.11.1938, o Grêmio Olavo Bilac do Instituto de Educação do Estado do Rio de Janeiro realizou a sua 3ª Sessão Solene, no Salão Nobre da instituição, em comemoração às festas da República e da Bandeira. Presentes, alunos, professores e convidados. No Programa, muita música, poesia e oratória: violino, piano, declamação, cantos, solos de gaita, saudação a 15 de novembro e à Bandeira. José Augusto Torres declamou um poema. A Sessão foi encerrada com palavras do Presidente do Grêmio, Amaury Pereira Muniz e o Hino Nacional.
      • As aulas no Liceu em 1938 terminam a 15 de dezembro.
      • Em 1938, José Augusto confessa que dobrou a sua biblioteca: “Li muito, aumentei o meu cabedal. Discursos. Artigos. Muitos estudos: Caxias, Bilac, alguns filósofos e sociólogos, minha terra”.
      • Na noite de 31.12.1938, no Salão de Atos do Colégio Salesiano Santa Rosa, Sessão Solene da ASFS, para a posse de José Augusto na Cadeira de D. Antonio Felipe Camarão. Na Sessão, presente o Bispo Diocesano, comemorou-se o quarto aniversário da Academia e José Augusto fez o Elogio do seu Patrono com a oração D. Antonio Felipe Camarão: uma nobreza singular do Século XVII. À segunda parte da Sessão: declamação de poesia de Olavo Bilac; execução ao piano do Largo de Haendel e canto. Ao final da noite, no Santuário, Posse da nova Diretoria da Congregação e Hora Santa.
      • O Presidente da ASFS, José Augusto da Câmara Torres, considerou 1938 “o ano mais brilhante da vida social e cultural da entidade: oito Sessões Solenes foram organizadas com belíssimos programas artísticos. O nome da Academia difundiu-se extraordinariamente e ela se tornou um baluarte da inteligência católica fluminense” – escreveu ele no Relatório que apresentou à instituição.
      • A 1º.1.1939, eleito Dayl de Almeida para Presidência da ASFS, José Augusto lhe transmitiu o cargo. Nenhuma Sessão Solene ou Ordinária foi realizada em 1939.
      • Em janeiro de 1939, após prestar exames de Vestibular à Faculdade de Direito de Niterói, faz a segunda viagem ao Rio Grande do Norte, após ter deixado a sua terra em 1932.


      No navio Afonso Penna, o Acadêmico José Augusto embarca
      no Rio, em janeiro de 1939, com destino à sua terra.
      (Acervo Marcelo Câmara)

      • A edição de 31.1.1939 do jornal A República publica Edital do Juiz de Direito de Caicó, dando conta da alteração do nome de “José Augusto Torres” para “José Augusto da Câmara Torres” no Registro Civil do “acadêmico”, no primeiro ano de sua maioridade civil.
      • Jornal do Canto do Riotradicional clube social e esportivo de Niterói, na edição de janeiro/fevereiro de 1939, registra o seu ingresso no Quadro Social.
      • Em fevereiro de 1939, o Professor José Augusto da Câmara Torres, já matriculado no primeiro ano da Faculdade de Direito, estava aprovado em concurso público de provas e títulos promovido pelo DASP, da União, e prestes a ser nomeado, para o cargo e função de “Escriturário do Ministério da Educação e Saúde”, no Rio de Janeiro. A função era inadequada às suas aptidões, pois estava bem abaixo dos seus talentos e capacidades. Certamente, as dificuldades para se manter apenas dando aulas e publicando na Imprensa levaram-no a um certame que exigia apenas nível médio, e José Augusto, já aprovado no Vestibular, iria iniciar o Curso de Direito. Mas, desistiu de tomar posse, preferindo continuar lecionando em colégios de Niterói e escrevendo para jornais e revistas dessa cidade, do Rio e de Natal, RN.
      • A 19.3.1939, o acadêmico de Direito, José Augusto, na condição de ex-aluno, professor do educandário e congregado mariano, saúda o Padre Francisco Lanna na sua posse como novo Diretor do Colégio Salesiano Santa Rosa, em substituição aos Padres Emílio Miotti e Orlando Chaves.
      • A 6.5.1939, o Acadêmico José Augusto da Câmara Torres, após eleito, tomava posse, pela primeira vez, na Associação Potiguar, em Assembleia Geral, como 2º Secretário, entidade sociocultural que reunia, na Cidade do Rio de Janeiro, os rio-grandenses do norte. Sua sede era no Edifício Jornal do Commercio, à Av. Rio Branco, 117, sala 419, no Centro carioca. Foi eleito para mais dois mandatos, em 1940 e 1941, para o mesmo cargo. Sua passagem pela Associação Potiguar lhe proporcionou a convivência com notáveis intelectuais do Rio Grande do Norte e do País. Em 1939, o Presidente era Armando Peregrino Seabra Fagundes (médico e professor da Universidade do Brasil, irmão do famoso jurista Miguel Seabra Fagundes); o Orador, Adauto da Câmara (professor, jornalista, duas vezes deputado estadual no RN, historiador, genealogista, conferencista, ensaísta, parente de José Augusto); Membro do Conselho Deliberativo, Raimundo de Brito (médico, diretor do IPASE, do HSE do RJ, futuro deputado estadual pela Guanabara e Ministro de Estado da Saúde); Diretor do Departamento Social, Edilson Cid Varela (jornalista, dirigente dos Diários Associados, futuro diretor do Correio Braziliense, no DF, e editor de trabalhos do seu filho o jornalista Marcelo Câmara na década de 1980, na Capital); Em 1940, o Presidente era Hemetério Fernandes de Queiroz (magistrado). Alguns da gestão anterior permaneceram; seus novos colegas de Diretoria foram: Vice-Presidente, José Moreira Brandão Castelo Branco (magistrado e Interventor Federal no Acre); Bibliotecário, Veríssimo de Melo (advogado, magistrado, professor, etnógrafo, antropólogo, jornalista e escritor, que se tornou seu grande amigo até o final da vida, e confrade no Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte); Diretor do Departamento Esportivo, Celso Ferreira Ramos (almirante-médico e futuro Presidente da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro); Diretor do Departamento de Publicidade e Informações, João Cláudio de Vasconcelos Machado (dirigente desportivo, que dá nome ao atual Estádio de Natal, RN, o Machadão). Em 1941, estavam ao lado de José Augusto na Diretoria: Orador, Dioclécio Duarte (futuro Deputado Federal Constituinte pelo RN na Assembleia de 1946); Membro do Conselho Fiscal, José Augusto Bezerra de Medeiros (natural de Caicó, advogado, magistrado, professor, deputado estadual, sete vezes Deputado Federal, Senador pelo RN, Governador do Rio Grande do Norte; o nome de Câmara Torres foi escolhido por seus pais em homenagem ao político caicoense). Foi colaborador da Revista Potiguar até 1942, com a edição de vários trabalhos. Já em agosto de 1939, o número 19 da Revista trazia uma grande reportagem de sua autoria, junto a trabalhos de Peregrino Júnior, Palmyra Vanderley, Eloy de Souza, Josué Montello, Auta de Souza, Veríssimo de Mello, Tristão de Athayde, Umberto Peregrino, Henrique Castriciano e outros escritores consagrados.






      Em setembro de 1939, José Augusto, de Niterói, sete meses após voltar da sua terra,
      envia esta foto da Catedral de Caicó à namorada, escrevendo no verso:
      "Tudiinha,  Um templo que há de ser um pouco da nossa vida. Assistiu
      ao nosso ingresso na comunidade cristã e há de consagrar
      a eternidade do nosso amor, em um dia muito feliz."
      (Acervo Marcelo Câmara)

      • A 6.11.1939, José Augusto da Câmara Torres, Secretário da Associação dos ex-alunos de Dom. Bosco, convoca todos os membros da entidade para a cerimônia do cinquentenário da instituição da Bandeira Nacional, a 19 de novembro, na Praia do Russel, no bairro da Glória, no Rio de Janeiro. O Governo da República resolvera glorificar o ato heroico do guarda-bandeira do batalhão colegial, ex-aluno Antonio Carlos Chagas, que, 24 anos antes, em 1915, salvara o pavilhão nacional no trágico naufrágio da Barca Sétima, no qual perderam a vida 26 alunos e o Maestro da Banda, Prof. Octacílio, do Colégio Salesiano Santa Rosa. A Barca Sétima fazia o trajeto Niterói-Rio-Niterói, atravessando a Baía da Guanabara.
      • A 13.11.1939, faz vibrante pronunciamento de caráter histórico, cívico  e político sobre a República, em comemoração pelo Cinquentenário do regime, pelas ondas da Rádio Sociedade Fluminense - PRE6. Niterói, RJ.
      • Na noite de 19.11.1939, no último dia de comemorações oficiais do Centenário da República, o Acadêmico José Augusto da Câmara Torres, primeiranista da Faculdade de Direito de Niterói, faz oração sobre Benjamin Constant, na Sessão Solene da Efeméride, no Teatro João Caetano, de Niterói, organizada pelo Departamento de Propaganda e Turismo do Estado do Rio de Janeiro, na presença do Interventor Federal Amaral Peixoto e diversas autoridades estaduais e federais. Amaral Peixoto comunicou ao Presidente Getúlio Vargas as comemorações no Estado, inclusive a Sessão no Teatro João Caetano, citando a fala de José Augusto da Câmara Torres sobre Benjamin Constant, um dos protagonistas do Movimento que extinguiu a Monarquia.
      • A 13.12.1939, o Acadêmico José Augusto da Câmara Torres, visita a Redação do jornal A Ordem, de Natal, RN, onde é colaborador, de passagem em direção a Caicó, no mesmo Estado.


      A 28.12. 1939, José Augusto é fotografado pela namorada Tudinha,
      em Caicó, onde ficará noivo quinze dias depois.

      (Acervo Marcelo Câmara)

      • Em 1939 e 1940, José Augusto frequentou várias sessões de cinema do Metro, que ficava na Rua do Passeio, 62. A sala tinha "poltronas estofadas, apparelhamento de ar condicionado Carrier, projeção impecável, o melhor som pelo último tipo de apparelhamento Western Eletric Mirrophone". Neste cinema, José Augusto assistiu a clássicos como Com os braços abertos, com Spencer Tracy e Mickey Rooney; A Grande Valsa, de Julien Duvivier; A mulher proibida, com Joan Crawford; Canção de Amor, de W. S. Van Dyke; Adeus Mr. Chips, com Robert Donat; Este mundo louco, com Norma Shearer, entre outros sucessos. Em 1939, Câmara Torres publicou, como Correspondente no Rio, artigo crítico em A Ordem, de Natal, RN, sobre a arte cinematográfica  e um panorama da exibição no Rio. Até 1941, lê peças teatrais e muito sobre cinema e escreve sobre as duas artes em jornais de Niterói. 
      • No final da década de 1930 e início dos anos 1940, em Niterói, após se tornar amigo e admirador do acordeonista e compositor Antenógenes Silva (1906-2001), muito promoveu e divulgou sua obra pela Imprensa, incentivando e auxiliando o artista em sua carreira com apresentações no Estado do Rio de Janeiro.
      • A 12.1.1940, José Augusto e Tudinha ficam noivos em Caicó.
      • No ano de 1940, a ASFS recebe, do Estado, subvenções que patrocinavam as suas atividades. Foram previstas, além das atividades administrativo-financeiras, visando à sustentabilidade da Academia e o aumento do número de seus filiados – sessões ordinárias de estudos, diversas atividades culturais (artísticas, literárias, bibliográficas, palestras, debates em diversas áreas das ciências, artes e teologia, sessão de “alta cultura artística” no Teatro João Caetano); religiosas nas sedes da Academia e da Congregação, em Santa Rosa e em outros bairros da cidade (visitas a templos e conventos e pregações populares em Niterói, São Gonçalo e Rio de Janeiro, inclusive radiofônicas); realização de conferências de intelectuais renomados, como o pensador e Prof. Alceu de Amoroso Lima (Tristão de Athayde), do Prof. Dr. Stefane Vannier, do Jurista Geraldo Bezerra de Menezes e do filólogo Ismael Coutinho; sociais (recepções a pensadores e escritores, programa de rádio comemorativo do sétimo aniversário da Academia, visitas às cidades de Vassouras, Valença e Teresópolis, etc.) 
      • A 5 de outubro de 1941, o Presidente José Augusto foi o orador na Reunião Dominical da Congregação Mariana.
      • Às nove horas da manhã de 6.7.1941, na condição de Presidente da ASFS, dirige os trabalhos na sede da Congregação Mariana N. Sa. Auxiliadora, em Santa Rosa, Niterói, e faz a apresentação aos estudantes de escolas superiores e secundárias da cidade e convidados, do Prof. Dr. Romeu Rodrigues Silva, da Faculdade Nacional de Filosofia e da Universidade Católica.
      • Na noite de 23.6.1940, o jornalista Câmara Torres assistia, no Teatro Municipal de Niterói - com a Companhia Lírica Metropolitana, sob a direção de Reis e Silva, a Orquestra, Coro e Corpo de Baile do Teatro Municipal de Rio de Janeiro - a ópera O Guarany, de Carlos Gomes, "cantado em português na versão de C. Paula Barros, em homenagem ao Exmo Sr. Prefeito de Niterói, Dr. Brandão Júnior". Era a Temporada Lírica Oficial, sob os auspícios da Prefeitura. O Regente da Orquestra foi Santiago Guerra; Os personagens Cecy e Pery foram interpretados, respectivamente, por Carmen Gomes e Reis e Silva. A 1ª Bailarina era Italia Azevedo e o 1º Bailarino e Coreógrafo , Yucko Lindberg. Câmara Torres assistiu, ainda, na referida Temporada, as óperas Tosca e La Boheme, ambas de Puccini, com  a mesma Companhia e a maioria dos artistas que atuaram em O Guarany.
      • A 4.8.1940, o Presidente da ASFS, em concorrida sessão de entidade, realizada no Teatro Municipal João Caetano, na presença do Bispo de Niterói, Dom José Pereira Alves, confirma, festivamente, os eventos culturais programados para aquele ano. Ao abrir os trabalhos, lembrou o sucesso da conferência do Professor Tristão de Athayde, em maio, para anunciar para aquela noite, a conferência do advogado e ensaísta, Professor Alcebíades Delamare. Após informar sobre uma sessão próxima em homenagem à memória do Professor Antônio Latgé, falecido recentemente, comunicou, para fins de setembro, as seguintes comemorações pela Associação: o quarto centenário da Companhia de Jesus; o oitavo da Fundação  e o terceiro da Restauração de Portugal, temas que serão desenvolvidos pelos Professores Pe. Arlindo Vieira e Pedro Calmon, respectivamente. Destacou, ainda, a realização dos tradicionais Círculos de Estudos, na sede da ASFS, onde se discutem questões de ordem científica, social, religiosa e artística. O acadêmico Lyad de Almeida saudou Alcebíades Delamare.
      • A 3.11.1940, na sede da ASFS, o seu Presidente, José Augusto da Câmara Torres, atendendo à solicitação da Federação da Congregações Marianas da Diocese de Niterói, pronuncia oração que celebra os 400 Anos da Companhia de Jesus. Presente na Sessão o Historiador Pedro Calmon. Niterói, RJ.
      • Em meados de 1941, faz vibrante elogio ao trabalho do Abrigo Cristo Redentor de Niteróiexortando os Salesianos – sacerdotes, alunos e cooperadores – a prestigiarem e auxiliarem a instituição.
      • Às nove horas da manhã de um domingo, 13.7.1941, na mesma condição e para auditório semelhante, no mesmo local, José Augusto apresenta o laureado Professor Dr. Stephane Vannier profere concorrida palestra.
      • A 5.8.1941, terça-feira, na Sala Clóvis Beviláqua, da Faculdade de Direito de Niterói, o acadêmico José Augusto da Câmara Torres, membro da Diretoria do CAEV, “em Solenidade que reúne o mundo cultural fluminense”, sob a presidência do Diretor da Escola, Des. Abel Magalhães, saúda o grande etnógrafo e historiador Luís da Câmara Cascudo, que profere a conferência As lendas e a formação social do Brasil. Abre a sessão o Presidente do CAEV, o companheiro Badger da Silveira.
      • Na noite de 13.8.1941, dentro das comemorações oficiais de Niterói do Centenário de Fagundes Varela, Câmara Torres, Presidente da ASFS, fez uma palestra sobre o grande poeta, fluminense de Rio Claro, transmitida pela Rádio Sociedade Fluminense – PRD-8, de Niterói. A fala foi ao ar às 21h30m.
      • A 13 .9.1941, o Acadêmico José Augusto da Câmara Torres participou do banquete, no Automóvel Clube do Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, que amigos e admiradores do General Antônio Fernandes Dantas oferecem ao militar pela sua nomeação para o cargo de Interventor no Rio Grande do Norte.
      • Na manhã de domingo, 14 de setembro de 1941, o Presidente da ASFS, José Augusto da Câmara Torres, fez uma “pregação pública”, católica, ao ar livre, na área da histórica Igreja de N. Sa. de Lourdes, no Saco de São Francisco, em Niterói, na visita da Congregação Mariana de N. Sa. Auxiliadora, a convite do Vigário daquela Paróquia praiana.
      • A 30.9.41 o jornal O Globo noticia que José Augusto da Câmara Torres e um grupo de acadêmicos da Faculdade de Niterói iniciam uma campanha de arrecadação de fundos, tendente a se estender pelas outras escolas superiores, secundárias e primárias fluminenses, a fim de adquirir um avião a ser oferecido para serviço oficial do Interventor Amaral Peixoto.
      • A 15.10.1941, Câmara Torres ocupa os microfones da Rádio Sociedade Fluminense, de Niterói, para fazer um discurso cívico-político, engajado na Campanha de Coleta dos Metais em Defesa do Solo Pátrio.
      • Na manhã de 19.11.1941, na Escola Profissional Aurelino Leal, no Ingá, em Niterói, houve grande comemoração alusiva ao Dia da Bandeira. Após o canto do Hino da Bandeira pelos professores, centenas de alunas da instituição, autoridades e convidados, o Acadêmico de Direito, José Augusto da Câmara Torres, a convite da direção da escola, pronunciou “vibrante e emocionada oração patriótica ao símbolo da Pátria.
      • Nesse mesmo dia, 19.11.1941, à tarde, em Bom Jardim, RJ, o jornalista, professor e acadêmico José Augusto da Câmara Torres, redator do Serviço de Propaganda e Turismo do Estado do Rio de Janeiro, a convite do Prefeito Celso Peçanha, dentro da programação das “Comemorações do Quarto Aniversário do Estado Nacional” naquela cidade, discursa na inauguração da Biblioteca Municipal.
      • De 1938 a 1941, Câmara Torres frequentou muitos cinemas e teatros em Niterói e no Rio. 


      José Augusto, na véspera do Natal de 1941,
      a bordo do Comandante Riper, chegando a Natal. De lá seguiu para o Caicó,
      onde iria se casar com Tudinha a 26.de dezembro.
      (Acervo Marcelo Câmara)

      • Às 6 horas da manhã de 26.12.1941, dia consagrado ao monge eremita Libanês São Charbel Makhlouf, na Catedral de Sant’Ana, em Caicó, RN, casa-se com Gertrudes de Araújo Nóbrega, cerimônia presidida por Monsenhor Walfredo Gurgel, futuro Senador e Governador do Estado. José Augusto e Tudinha tiveram oito filhos: dois homens e seis mulheres. O jornal Diário de Notícias, “O matutino de maior tiragem do Distrito Federal”, em sua edição de 21.12.1941, publicou, no espaço da coluna No Lar e na Sociedade, a seguinte nota:
      _______________________________________________________________

      SRTA. GERTRUDES NÓBREGA – SR. JOSÉ AUGUSTO DA CÂMARA TORRES

      No dia 26 do corrente, realizar-se-á, na cidade de Caicó, Rio Grande do Norte,
      o enlace matrimonial do jornalista e acadêmico
      sr. José Augusto da Câmara Torres
      com a srta. Gertrudes Nóbrega. Após a cerimônia,
      os nubentes embarcarão para esta cidade,
      fixando residência em Niterói.
      _______________________________________________________________

      • A 10.1.1942, voltando do casamento com Tudinha no Caicó, RN, José Augusto vai à famosa e pioneira Casa Edison – Fred. Figner & Cia., Ltda., localizada na Rua do Ouvidor, 107, no Centro da Cidade do Rio de Janeiro, e adquire, sob o contrato nº 2026, por 1 conto e 500 mil reis, uma máquina de escrever da marca Royal, portátil, modelo CD, de cor preta, tipo Pica, nº 216.606 completa. O pagamento foi feito “em 21 (vinte e uma) duplicatas de 50 mil reis, sendo uma à vista de 50 mil reis e as restantes de 72 mil e quinhentos reis, vencíveis mensalmente”.


      Contrato de José Augusto com a Casa Edison, onde comprou, no início de 1942,
      uma máquina de escrever portátil Royal, alemã, que pagou em prestações,
      em um ano e dez meses. Nela, Tudinha trabalhou por mais de vinte anos,
      datilografando os trabalhos do marido como Educador, Advogado, Parlamentar,
      Jornalista, Escritor. Uma máquina Remington, também portátil,
      substitui-a na década de 1960. Tudinha foi a secretária, a revisora,
      a assessora, a companheira de José Augusto, por toda a vida.
      (Acervo Marcelo Câmara)





      José Augusto e Tudinha em lua de mel, no Soberbo, em Teresópolis,
      Região Serrana do Rio, a 25 de janeiro de 1942.
      (Acervo Marcelo Câmara)


      • A 31.1.1942, a ASFS, em Sessão Extraordinária, realizou eleições para a sua Diretoria que atuará durante o ano que se iniciava, quando o Presidente José Augusto da Câmara Torres conduziu os trabalhos e apresentou Relatório das Atividades do ano anterior.
      • A 28.2.1942, em Campos, RJ, o casal José Augusto da Câmara Torres e Gertrudes Nóbrega da Câmara Torres foram os padrinhos do casamento religioso do jornalista e Prefeito de Bom Jardim, Celso Peçanha, com a professora Hilka de Oliveira Araújo


      Celso Peçanha: colega de Liceu e de Faculdade, correligionário na Política,
      afilhado de casamento, amigo da vida inteira de Câmara Torres.
      (Acervo Marcelo Câmara)

      • Nesse tempo Celso era colega de turma de José Augusto na Faculdade de Direito de Niterói, mas a amizade nascera no Curso Pré-Jurídico do Liceu de Humanidades Nilo Peçanha cinco anos antes e durou por toda a vida. Câmara Torres faleceu em 1998, aos 81 anos, e Celso Peçanha, em 2016, aos 99 anos. Mais tarde, Celso foi, por três vezes, Prefeito de Rio Bonito e Deputado Federal, Vice-Governador e Governador do Estado do Rio de Janeiro. Nas carreiras políticas dos dois, ora foram correligionários, até do mesmo Partido, o PSP, e adversários, quando Celso foi para o Partido Social Democrata – PSD, e Câmara Torres, continuando no PSP, apoiou a candidatura vitoriosa de Roberto Silveira, do PTB.
      • Na noite de 10.3.1942, houve Sessão para eleições na ASFS, quando o Presidente da entidade, José Augusto da Câmara Torres, apresentou minucioso Relatório de Atividades do ano anterior.


      O Professor, Jornalista e Acadêmico de Direito, Câmara Torres em março de 1942,
      quando é nomeado pelo Interventor Amaral Peixoto para exercer,
      interinamente, o cargo de Técnico de Educação, (...) devendo ter exercício
      no Departamento de Educação  – Secretaria de Educação e Saúde”.
      (Foto Marcelo Câmara)

      • Às 8 horas de 7.6.1942, José Augusto participa, em Niterói, da Missa e Comunhão Pascal promovida pela Associação dos Antigos Alunos Salesianos, da qual é Secretário, e é presidida pelo Prof. Portugal Neves. Em seguida o Pe. Diretor do Colégio Salesiano Santa Rosa oferece um café aos presentes e se realiza uma grande Assembleia Geral, franqueada a palavra a todos.
      • A 9.6.1942, o Técnico de Educação, Prof. Câmara Torres, proferiu aula na Escola Profissional Aurelino Leal, em Niterói, sob o tema A Biblioteca, dentro da série de Lições-Palestras do Programa O Livro, do Serviço de Difusão Cultural, do Governo do Estado do Rio de Janeiro.
      • A edição de 12.7.1942 do jornal A Cruz, do Rio de Janeiro, noticia que o Jornalista José Augusto Torres fora designado como Membro da Comissão de Propaganda do Primeiro Congresso Eucarístico Diocesano de Niterói, que se realizou em agosto daquele ano. O objetivo do encontro: comemorar o Jubileu de Ouro da criação do Bispado, o Centenário da Catedral São João Batista e o Bicentenário da Irmandade do Santíssimo Sacramento. O evento serviu como preparatório do IV Congresso Eucarístico Nacional, realizado em São Paulo, SP, no mês seguinte, e contou com os auspícios do Cardeal D. Sebastião Leme, a presença do Núncio Apostólico, e, como Presidentes de Honra, o Interventor Amaral Peixoto e o Bispo de Diocese de Niterói, D. José Pereira Alves.
      • A 26.7.1942, a Associação dos Ex-Alunos Salesianos, do Colégio Santa Rosa, em Niterói, realizou a Festa do Pe. Inspetor, Orlando Chaves, ex-aluno do estabelecimento. Às 10h, Missa, seguida de Assembleia Geral. Às 12h30m, o Padre Diretor, Francisco X. Lanna ofereceu um almoço festivo aos ex-alunos convidados. O Prof. Francisco Portugal Neves era o Presidente da Associação e José Augusto da Câmara Torres, o Secretário.
      • Em algum dia de 1942, o Técnico de Educação José Augusto da Câmara Torres está presente no Salão Nobre da Câmara Municipal de Paraty, na cerimônia em que o seu colega de Faculdade, Marshall Torres de Lacerda, então Prefeito do Município, nomeado pelo Interventor Amaral Peixoto, deu posse ao Dr. Alfredo Lima de Morais Coutinho no cargo de Delegado de Polícia do Município, na presença do Exmo. Sr. Juiz Pretor, Armando de Queirós Fortuna.
      • Durante cinco anos, de 1939 a 1943, cursa a Faculdade de Direito de Niterói (unidade da atual Universidade Federal Fluminense – UFF), recebendo, em dezembro deste último ano, o Título de Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais. A Formatura realizou-se no Teatro Municipal de Niterói, sendo o orador, Dayl de Almeida, o maior amigo de José Augusto. O Baile de Formatura realizou-se no dia 22 de dezembro no Rio Cricket Club. Do convite constava: “Traje: Casaca, Smoking ou Summer – Convite p/ um cavalheiro de duas damas.
      • Jornal do Canto do Rio, tradicional clube social e esportivo de Niterói, na edição de janeiro/fevereiro de 1939, registra o seu ingresso no Quadro Social.
      • A 15.1.1943, Gertrudes Nóbrega da Câmara Torres se inscreve, em Niterói, no Concurso de Ingresso ao Magistério Público, sob o nº 84, visando o “Provimento Inicial”. Em março de 1943, mesmo prestando provas em disciplinas inéditas para ela, ou seja, que não eram dadas em Natal, RN (como Estatística, por ex.), Tudinha é uma das primeiras aprovadas, colocando-se em nono lugar em todo o Estado.


      Aos vinte e três anos, grávida da primeira filha, Tudinha presta exames
      no Concurso de Ingresso ao Magistério Público fluminense
      e é uma das primeiras classificadas. Em Caicó, no Grupo Escolar
      em Natal, no Ginásio e na Escola Normal, sempre foi “primeira aluna”.
      Em Niterói, mesmo enfrentando provas de disciplinas que não constavam
      na grade curricular da Escola na qual se formou em outro Estado,
      superou obstáculos e desafios e foi brilhantemente aprovada.
      (Arquivo Marcelo Câmara)


      • A 4.7.1943, o Professor Câmara Torres participa das Santas Missões, em Angra dos Reis, comparecendo, pela manhã, no Convento do Carmo, à Recepção aos Missionários e à Santa Missa cantada, com sermão. O Programa foi percorrido de 4 de julho a 16 de agosto, em períodos de alguns dias em cada uma das dez seguintes localidades: Monsuaba, Jacareí, Ribeira, Frade, Mambucaba, Freguesia de Santana, Abraão, Colônia Penal, Parnaioca e Praia Grande. De manhã, Santa Missa com pregação; à tarde, Catecismo; e à noite, reza, sermão e Benção com o Santíssimo Sacramento. O Vigário do Município era Frei Benigno.
      • A 15.7.1943, na última Sessão Plenária e de Estudos da Federação das Congregações Marianas do Estado do Rio de Janeiro, o jovem Câmara Torres, da Congregação Mariana Nossa Sra. Auxiliadora e S. João Bosco, fez “um belíssimo e impressionante improviso” sobre as bodas de prata da Congregação Mariana de Natal, RN, seu Estado de nascimento. Também falou sobre “as últimas solenidades religiosas de Angra dos Reis e da expressiva data da chegada dos bravos evangelizadores salesianos às terras de Araribóia”. Fez, ainda, em nome dos Congregados, uma “brilhante homenagem” ao Monsenhor Barros Uchoa, Vigário da Diocese, cuja ordenação sacerdotal fazia aniversário, exaltando as suas “virtudes e extraordinária capacidade de trabalho”.
      • Às 5 horas da madrugada de um domingo, 18.6.1943, Dia de São Francisco Solano, na casa nº 115, da Rua C, da Rua Paulo César, 211, no Bairro de Santa Rosa, Niterói, nasce Marta, a primeira filha de José Augusto e Tudinha. Numa edição do início de agosto, o jornal A Ordem, de Natal, RN, registrou o nascimento de Marta.
      • A 26.11.1943, o Dr. Moacyr de Paula Lobo, Presidente do Clube Comercial de Angra dos Reis, então completando onze anos de fundação, escrevia ao sócio José Augusto da Câmara Torres, Técnico de Educação e Chefe da 1ª Inspetoria de Ensino, comunicando que a entidade iniciará “a nossa série de bailes a rigor a 31 de dezembro do corrente ano, com prêmios e surpresas encantadoras às nossas famílias. O Dr. Moacyr explicava: “As nossas festas sociais terão caráter íntimo, uma em cada mês, mas faremos realizar vários bailes a rigor no decorrer do ano, pondo, desde modo, Angra dos Reis em situação de igualdade com outras cidades da Terra Fluminense. Há uma razão de ser para que assim procedamos. Precisamos vencer a rotina e o pessimismo doentio e pernicioso dos que desejam que Angra dos Reis não saia do marasmo social em que jazeu por longos anos. É preciso que se saiba que Angra dos Reis é uma cidade de tradição social e que demos afastar de nós esse complexo de inferioridade que atormenta os vencidos. Urge que voltemos as vistas ao passado e, se recorrermos às crônicas sociais dos jornais da época, depararemos com a notícia de que em 1890 houve um baile no Paço Municipal, oferecido ao Almirante Wandenkolck, onde as damas exibiram “toiletes” de luxo e somente imperou o traje de casaca para os cavalheiros. Era essa a sociedade angrense ao alvorecer da República e sendo esse o nosso lugar, não nos podemos deixar vencer pelo derrotismo, inimigo do progresso e da civilização, próprias dos que se julgam incapazes de frequentar os salões com indumentária compatível com as festas de gala da sociedade a que pertencemos com ufania. 
      • Em dezembro de 1943, José Augusto da Câmara Torres, no mês da sua colação de grau de Bacharel em Direito e Ciências Sociais pela Faculdade de Direito de Niterói, é o Presidente da Junta Paroquial de Ação Católica em Angra dos Reis.
      • Em maio de 1944, a Família – José Augusto, Tudinha e Marta, a primeira filha de onze meses,  –  chega a Angra dos Reis e vai morar no Palace Hotel, do casal alemão José e Helena Riegert.
      • A 7.10.1943, o médico, Doutor Walter Madeira, Presidente da Liga Angrense de Futebol – LAF, envia Ofício ao Professor José Augusto da Câmara Torres, Chefe da Inspetoria Escolar, do Extremo Sul Fluminense, registrando que a LAF congratulava-se com o Técnico de Educação pela valiosa interferência” junto ao Senhor Amaral Peixoto, a fim de que a entidade recebesse subvenção destinada à construção do campo de esportes na cidade. Destaca o Presidente que a ação de Câmara Torres “em prol do empreendimento veio tornar realidade os anseios dos desportistas da terra de Lopes Trovão”.
      • A 15.11.1944, Câmara Torres participava da 25ª Reunião do Clube dos Vinte, no Palace Hotel, em Angra dos Reis. O Clube dos Vinte era um grupo social, que reunia figuras da elite da cidade, com o objetivo de promover o diálogo e o congraçamento entre as personalidades e famílias do Município. O “Diretor do Mês” foi Francisco Pereira Rocha, o Seu Chiquito, líder ruralista e político, à época Prefeito do Município. Trinta e duas pessoas estiveram no encontro e assinaram o “Cardapio
      .

      (Frente)

      (Verso)
      A assinatura do Prof. Câmara Torres
      é a primeira no verso do "Cardápi
      o".
      (Acervo Marcelo Câmara)



      • A 16.11.1944, realizou-se na Catedral de Niterói, a última Sessão Plenária da Federação das Congregações Marianas do Estado do Rio de Janeiro, sob a direção do Monsenhor Barros Uchoa, Vigário Geral da Diocese, que completava aniversário de ordenação sacerdotal. Após as falas do Ministro Geraldo Bezerra de Menezes, Presidente da Federação, e do Prof. Dayl de Almeida, o Advogado e Técnico de Educação, Prof. José Augusto da Câmara Torres, em nome dos congregados e dos católicos fluminenses, fez emocionante oração de fé e de exaltação ao apostolado mariano, quando destacou as grandes virtudes do Monsenhor Uchoa e a sua extraordinária capacidade de trabalho, sendo muito aplaudido pelos presentes.
      • Às 20h de 25.1.1945, o Técnico de Educação, Prof. Câmara Torres, se encontrava em frente ao Convento do Carmo, em Angra dos Reis, para recepcionar Frei Antonino Galvão Coimbra, novo Vigário que assumia a Paróquia da cidade.
      • A 3.6.1945, o advogado e amigo do colega recém-formado Doutor José Augusto da Câmara Torres, o já famoso causídico Braz Felício Panza (mais tarde, o ilustre Desembargador Braz Felício Panza, Presidente do Tribunal de Justiça), em afetuosa carta, pede para o primeiro assumir a defesa de um réu, acusado de homicídio, cuja absolvição por legítima defesa foi anulada pelo Tribunal de Justiça. (Felício Panza foi o paraninfo da formatura do Curso Ginasial de Marcelo, filho de Câmara Torres, no Colégio Salesiano Santa Rosa, em 1964.)
      • Na noite de 23.6.1944, a convite do Sr. J. B. Oliveira, Gerente da Fazenda Pontal, em Angra dos Reis, o Técnico de Educação, Professor José Augusto da Câmara Torres participa dos festejos de São João e pelo início da safra.
      • A 28.6.1944, o jornalista Maurício Caminha de Lacerda (irmão de Carlos Lacerda), escreve a Câmara Torres, seu fiel amigo e colega de redação, agradecendo-lhe o telegrama de felicitações por ter assumida o Departamento de Imprensa e Propaganda – DEIP, do Estado do Rio de Janeiro, na Interventoria de Amaral Peixoto, durante o Estado Novo de Vargas. Maurício fora socialista, comunista militante e, por fim, um prócer da União Democrática Nacional – UDN. Porém suas ideias políticas, as diferenças ideológicas entre os dois nunca abalaram a amizade fraterna que nutriam mutuamente.
      • A 20.8.1944, domingo, pela manhã, o Técnico de Educação e Chefe da 1ª Região Escolar, José Augusto da Câmara Torres, na qualidade de Presidente da Ação Católica de Angra dos Reis, ao lado do Prefeito Moacyr de Paula Lobo, recebe uma comitiva de jornalistas e intelectuais católicos, vindos do Rio de Janeiro, tendo à frente o Professor do Colégio Pedro II, Jonatas Serrano, para inaugurar a Herma do Padre Júlio Maria, o maior orador sacro brasileiro, natural daquela cidade. Após a Missa na Matriz, celebrado por um sacerdote redentorista (mesma Ordem do Pe. Júlio Maria), deu-se a inauguração, falando as seguintes personalidades: em nome da Associação dos Jornalistas Católicos, Osorio Lopes: pelo Município, o Prefeito Paula Lobo; e, ainda, o Prof. Zair Rocha. O Orfeão Pe. Júlio Maria, do Grupo Escolar Lopes Trovão, coral criado por Câmara Torres e sua esposa, a Profa. Gertrudes, que participou da cerimônia, entoou hinos, sob a regência da Profa. Godivia Freire. À noite, no Palace Hotel, o Prefeito ofereceu um banquete à comitiva e a “uma embaixada cultural a serviço do Estado”, que percorria o Município, idealizada por Câmara Torres, observando a vida comunitária e educacional, que, então, era modificada pela ação do Técnico de Educação. No banquete, discursaram, “com eloquência” o Prefeito, o Juiz de Direito Danilo Brígido e, “aclamadíssimo”, o Prof. Jonatas Serrano. Os visitantes receberam muitas deferências do Vigário, Frei Antonio Galvão Coimbra, e do Capitão dos Portos em Angra, Comandante Joaquim José de Araújo.
      • A 21.8.1944, em Angra dos Reis, RJ, nasce Maria Tereza, a segunda filha de José Augusto e Tudinha.
      • A 7.11.1944, falece, em Caicó, o sogro de Câmara Torres, Joaquim Gorgônio da Nóbrega, comerciante e fazendeiro. (Em 1921, havia falecido a mãe de Tudinha, Senhorinha de Araújo Nóbrega.)
      • A 20.12.1944, Câmara Torres recebe carta do Secretário de Governo, transmitindo os elogios do Senhor Interventor Federal, Amaral Peixoto, pela sua participação nas exitosas Missões Culturais, organizadas pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro “em face do entusiasmo, dedicação e eficiência demonstrados no desempenho das funções que couberam ao Técnico de Educação”.
      • A 27.6.1945, o Doutor Câmara Torres foi o orador oficial nas homenagens prestadas no aniversário natalício do Doutor Moacyr de Paula Lobo, médico e ex-prefeito de Angra dos Reis, depois Deputado Estadual Constituinte e Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro.
      • A 30 de junho de 1945, José Augusto da Câmara Torres participa, pela primeira vez, da reunião semanal da Conferência Vicentina Nossa Senhora do Carmo, de Angra dos Reis, nascida em março do ano anterior, desmembrada que foi da Conferência Vicentina Imaculada Conceição, da mesma cidade. Instituição católica que tinha como objetivo, além do estudo bíblico e a oração espiritual coletiva, a prática da caridade cristã, de socorro, acolhimento e proteção ao próximo, através da doação de valores em dinheiro dos confrades, arrecadados a cada encontro. A Conferência foi fundada por: Zair de Carvalho Rocha, Miguel Gabriel (designados Presidente e Vice-Presidente respectivamente), Irineu Vieira de Souza, Paulo Pimentel de Oliveira Lima, Antonio Nogueira Braz, Abdo Antonio, Osvaldo Paixão e Manoel Sales de Souza e Jorge Daher e Zephret Caram, os dois últimos, designados Secretário e Tesoureiro, segundo o Histórico da Conferência. A Conferência se reunia todos os domingos na Igreja do Convento do Carmo, após a missa das 7 horas. Naquela data, José Augusto presidiu a 13ª reunião da Conferência como Presidente do Conselho. Neste cargo permaneceu até a 92ª reunião da Conferência, que se tem notícia, realizada a 20 de maio de 1947, cuja Ata é assinada pelo confrade Assistente do encontro, José Magalhães de Castro. A Ata dessa reunião, bem como as anteriores, e o Histórico da Conferência estão lavradas num livro sem capa, encontrado por seu filho, Marcelo, nos arquivos de Câmara Torres. Marcelo Câmara recorda-se que seu pai se identificou como “vicentino” durante toda a vida, tanto em Angra como em Niterói, onde também pertenceu à entidade dessa natureza, desde a juventude. A Conferência parece ter sido a semente da Associação de Caridade São Vicente de Paula, de Angra dos Reis, que Câmara Torres fundou e presidiu por muitos anos, responsável pela criação e construção do Asilo São Vicente de Paula, de assistência à velhice desamparada, inaugurada por ele em 1957. Na realidade, em dezembro de 1946, o Prefeito Municipal de Angra dos Reis, Francisco Pereira Rocha, oficia ao Doutor José Augusto da Câmara Torres, na condição de Presidente do Conselho dos Vicentinos de Angra dos Reis, escrevendo: “A fim de que seja preenchidos os verdadeiros fins de caridade, faço entrega a Vossa Excelência do prédio e instalações do recolhimento de mendigos existentes à Rua São Bento.
      • A 31.5.1946, nasce Maria Beatriz, a terceira filha, em Angra dos Reis.
      • Em carta de 8 de agosto de 1946, Câmara Torres recebe da Associação Potiguar, com sede no Rio de Janeiro, assinada pelo seu 1º Secretário Petrarca Maranhão, informando que aquela entidade aprovou, em sessão de 27 de julho daquele ano, “Voto de Congratulações pelo modo brilhante como vem conduzindo suas atividades profissionais e extra-funcionais em Angra dos Reis e Região”.
      • A 20.6.1947 – ao lado do Deputado Constituinte, Moacyr de Paula Lobo, e do Prefeito nomeado de Angra dos Reis, Jonas Bahiense de Lyra –  Câmara Torres, como Técnico de Educação, Chefe da 1ª Inspetoria de Ensino e, principalmente, na condição de membro do Diretório Municipal do PSD, comparece à solenidade de Promulgação da Constituição na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.
      • A 23.7.1947, Câmara Torres recebe carta do Prefeito Municipal de Angra dos Reis, Jonas Bahiense Lyra, comunicando que o Técnico de Educação fora escolhido para integrar a Comissão Municipal de Preços e Abastecimento.
      • Na noite de 1º.8.1947, no Salão Nobre da Prefeitura Municipal de Angra dos Reis, Câmara Torres, como membro da Comissão Municipal de Preços e Abastecimentos, participa da reunião da entidade que deu posse a novos membros do colegiado e discutiu “o problema do pão”.
      • A 11.3.1948, Câmara Torres recebe carta do então Comandante da Escola Almirante Batista das Neves (Escola de Grumetes), Capitão de Fragata, Oswaldo de Alvarenga Gáudio, agradecendo as “inúmeras gentilezas e atenções” de que foi alvo, durante a sua gestão, por parte do Técnico de Educação.
      • A 30.3.1948, o Governador do Estado do Rio de Janeiro, Edmundo de Macedo Soares e Silva, recebeu no Palácio do Ingá, uma comitiva de líderes do PSD de Angra dos Reis, que foi prestar apoio e solidariedade ao Chefe do Executivo estadual. O Professor José Augusto da Câmara Torres, Técnico de Educação e Chefe da 1ª Região Escolar, entregou ao Governador uma “expressiva Moção de Solidariedade, renovando-lhe o apoio daquele partido, exprimindo a confiança da população do Município na obra administrativa do governo do Estado” e discursou em nome do grupo. Câmara Torres e os demais pessedistas mantiveram produtiva palestra com o Governador sobre os problemas e necessidades da comunidade angrense.
      • A 25.9.1948, Chefe da 1ª Região Escolar, Doutor Câmara Torres, é o orador oficial da cerimônia de recepção em Angra dos Reis, do Secretário de Segurança Pública, do Estado do Rio de Janeiro, Luiz de Almeida Pinto, que representando o Governador Macedo Soares, entrega melhorias da iluminação pública à cidade. Câmara Torres atende à solicitação do Prefeito Municipal, Antônio José da Silva Jordão. O Secretário estava acompanhado do "Grupo de Valença", do qual era um dos integrantes, ao lado do Prefeito do Município serrano. O Grupo integrado por políticos e ilustres personalidades de Marquês de Valença, ocupando cargos importantes, mantinha influência na gestão do General Macedo Soares.
      • A 19.6.1948, Câmara Torres fez a Apresentação da Noite de Arte, em benefício da Caixa Escolar de Angra dos Reis, da “consagrada soprano dramático Guiomar Franco, interpretando peças eruditas e populares (brasileiras italianas, francesas e trechos líricos), acompanhada pelo piano da própria cantora, no Grupo Escolar Lopes Trovão, com a participação da Professora Jacíra de Castro que declamou poemas de Olegário Mariano. A promoção foi do Técnico de Educação, Doutor Câmara Torres.
      • A 17.10.1948, o advogado Câmara Torres escreve grave carta ao Juiz da Comarca de Angra dos Reis, Armando Prestes de Menezes, protestando contra o tratamento profissional que o magistrado lhe prestava no ambiente forense, não despachando suas petições, protelando decisões, não o recebendo em seu gabinete, dando-lhe, enfim, um tratamento desigual, injusto, relativamente aos advogados de fora do município, bem como aos tabeliães, escrivães e serventuários. Ademais, o juiz se lamuriava por estar lotado em Angra, não se adaptara à terra e tecia comentários públicos desairosos A terra e ao seu povo. Câmara Torres encerra a carta, consignando a sua intenção, caso a situação de irregularidades e desconforto permanecesse, de denunciá-lo às autoridades superiores do Estado, ou seja, principalmente à Corregedoria Geral de Justiça. Dias depois, o Juiz foi removido para outra Comarca.
      • A 18.11.1948, o Governador Macedo Soares esteve em Muriqui, Distrito de Mangaratiba, em companhia do Secretário de Educação e Cultura, Ismael Coutinho; do Chefe da 1ª Região Escolar, Prof. Câmara Torres; do Prefeito Victor Breves e vereadores. O Governador inaugurou uma escola pública, reivindicada e cuja construção foi supervisionada por Câmara Torres, e fez o lançamento da pedra fundamental do Muriqui Iate Club, destinado a desenvolver os esportes náuticos no Município. Ao final, autoridades e convidados se confraternizaram com um “drink”.
      • Na noite de 8.1.1949, durante as solenidades do Jubileu Áureo da Congregação das Pequenas Irmãs da Divina Providência, em Angra dos Reis, profere a conferência Madre Tereza, Rainha da Caridade e da Virtude, no Auditório do Convento do Carmo. A Congregação foi fundada na Itália em 1899, pela então Veneranda Madre Tereza Michel.
      • Em maio de 1949, durante as comemorações do segundo aniversário da Associação dos Escoteiros do Mar Almirante Brasil, de Angra dos Reis, o Técnico de Educação, Professor José Augusto da Câmara Torres, proferiu palestra pública sobre tema cívico, pelo serviço de alto-falantes da cidade.
      • Em julho de 1949, o Doutor Câmara Torres é eleito, pela unanimidade dos seus filiados, Presidente da Associação de Caridade São Vicente de Paulo, de Angra dos Reis, mantenedora do Asilo da Velhice Desamparada São Vicente de Paulo, sob a direção interna das Pequenas Irmãs da Divina Providência. Ocupa a Presidência até 1961.
      • A edição de 28.12.1949, do jornal O Litoral, de Angra dos Reis, publica matéria sob o título Dr. Câmara Torres, acerca do belo trabalho do Técnico de Educação na Região, assinalando que o município “muito lhe deve. Informa que, quando o educador chegou à Angra, em 1942, encontrou no 6º Distrito, território da Ilha Grande, além da escola da Vila do Abraão, apenas uma segunda escola na localidade de Matariz, “em ruínas”. Graças à sua competência e dedicação, assinala o jornal, ele conseguiu criar as escolas de Freguezia, Bananal, Tapera, Praia da Longa, Araçatiba, Praia Vermelha, Provetá, Aventureiros e Provetá. Noticia, ainda, que a 20 daquele mês, o Professor Câmara Torres esteve na Praia da Parnaioca, em companhia, do Vereador Casemiro Barra, visitando o local para construção de uma nova escola, dentro das mais modernas técnicas da engenharia e da arquitetura à época, sendo festivamente recebido pelos moradores. Assinala, ainda, a matéria, que o Técnico de Educação e o Vereador estão empenhados em promover “grandes melhoramentos” no 6º Distrito.
      • Na década de 1940, quando se comemorou os quinze anos da instituição canônica da Congregação Mariana de Angra dos Reis, o Doutor Câmara Torres, ativista e líder católico e congregado mariano, desde a juventude, foi o orador oficial das celebrações. A sua longa e vibrante fala saudando a efeméride teve fortes bases bíblica, teológica e católica, conclamando a mocidade angrense a se engajar no Marianismo.


      Marcelo, após o nascimento de três irmãs, outras três viriam.
      Por isto a mãe o chamava de “o bendito fruto entre as mulheres”.
      Somente em 1962 outro homem chega,
      o oitavo filho, Marcos Augusto, o caçula.
      (Acervo Marcelo Câmara)




      • A 21.1.1950, no terceiro sábado do mês, Dia de Santa Inês, considerada “a mais bela santa da Igreja Católica”, às 22h53m, na Santa Casa de Misericórdia Codrato de Vilhena, em Angra dos Reis, nasce Marcelo, o primeiro filho-homem, o quarto dos oito de José Augusto e Tudinha. O menino mede 54cm e pesa 3k750g. O parto foi normal, assistido pelo Doutor Walter Madeira, amigo dos pais do bebê, que viria a ser, com a sua mulher, Professora Maria Carlota da Costa Madeira, padrinhos de batismo da criança naquele ano. Nesse mesmo dia 21, o Doutor Câmara Torres recebeu de presente do Frei Ludovico, da Ordem dos Carmelitas, do Convento do Carmo, em Angra dos Reis, o livro Brasileiros Heroes da Fé, de Manoel E. Altenfelder Silva (Livraria Salesiana Ed., SP, 1928), com a seguinte dedicatória: “Ao Exmo. Sr. Dr. José Augusto da Câmara Torres, por ocasião do nascimento do seu filho Marcelo, oferece Frei Ludovico van Tienen / Prior do Convento do Carmo. Angra, 21.1.50”.


      Cinco dias após o nascimento do primeiro filho-homem de José Augusto
      Tudinhaa edição de 26 de janeiro de 1950 do jornal
      O Estado, de Niterói, RJ, publicou a notícia.
      (Acervo Marcelo Câmara)



      Até 1962, por doze anos, Marcelo foi o único homem dos sete filhos de José Augusto e Tudinha, entre seis meninas, três mais velhas e três mais novas. Era chamado pela mãe de “O bendito fruto entre as mulheres”. Isto não o beneficiava em nada, não lhe concedia privilégios ou prêmios. Ao contrário. Magrinho e pequeno, brincava muito na rua, onde apanhava sempre, pois os pais eram prevenidos: “A convivência diária e contínua com seis meninas poderia afeminar o Marcelo”. Por ser “o único homem da casa”, e com o pai, advogado e político, sempre em ritmo de vida agitada e atribulada, trabalhando muito, viajando quase sempre nos finais de semana, a Marcelo eram atribuídas as tarefas domésticas e missões familiares tipicamente masculinas, mais ingratas, penosas e espinhosas. Exemplos: auxiliar a mãe nas compras do mercado e mercearia, inclusive indo várias vezes à rua para comprar o que ela se esquecia (desde os quatro anos de idade); ir às 4h30m da madrugada para a “fila do leite”, acompanhando a mãe, nos períodos de falta do produto, no início da década de 1960 (“A família não pode viver sem tomar leite de vaca”; leite em pó solúvel ou outros sucedâneos não eram aceitáveis); sanar problemas físicos da casa derivados de ocorrências diversas, acidentes e incidentes; atender, no portão, visitas, desconhecidos, pedintes etc. Esse “principado” indesejável durou até os dezoito anos. Menino inteligente, criativo, travesso, quando a mãe voltava do trabalho no Departamento do Ensino Médio e, depois, do Conselho Estadual de Educação, do centro de Niterói, as chineladas eram quase diárias. Isto porque havia seis vozes femininas uníssonas denunciando as “artes” de Marcelo que importunavam as seis meninas. Os presentes, as benesses, ele era o último a receber, pois a máxima “Primeiro as damas” não valia nos momentos de reprimendas, castigos, quando ele mais uma ou mais irmãs eram alvos: era o primeiro a levar chineladas. A educação familiar, moral e religiosa, rígida, inflexível, também sob a ameaça de punição do castigo e do chinelo, tinham normas implacáveis: o filho homem, enquanto com os pais habitassem, não podia estar em casa ou sentar à mesa de refeições sem camisa, e, inexoravelmente, devia cortar o cabelo à moda “Príncipe Danilo” na infância e “meia-cabeleira” na puberdade, cabeleira com topete à la Elvis Presley. Depois, cabelo grande até os ombros à la Beatles – jamais. No jantar, a sopa antes da comida, era obrigatória para todos os filhos. As punições aos atos que contrariassem o corte de cabelo, bem como a sopa antes do jantar, poderiam ser, como sempre, as chineladas e os castigos. Igualmente, compulsórias eram a missa aos domingos e dias santos e a abstinência de carne de vaca e de porco durante toda a Semana Santa, da segunda após o Domingo de Ramos ao Sábado de Aleluia, inclusive. Os filhos que saíssem à noite deveriam estar em casa até as 22 horas. As meninas, enquanto viveram sob o teto da família, eram proibidas de usar maiô de duas peças ou biquinis. No lar do Dr. Câmara e da Dona Tudinha não entravam gibis (revistas em quadrinhos), nem era permitido os jogos de cartas (baralho).


      Marcelo com um ano de idade,
      na varanda da sua casa em Angra dos Reis.

      (Acervo Marcelo Câmara)



      Aos quatro anos, Marcelo começou a acompanhar o pai nas suas atividades como  Técnico de Educação, Advogado e Político. Em casa e fora do lar. Nas saídas à rua, o pai  lhe dava o dedo mínimo para ele segurar e o levava às escolas, aos cartórios, às reuniões com clientes, outros advogados, promotores públicos, escrivães, tabeliães, juízes; e, no âmbito político, encontros, comícios etc.. As idas a cartórios nunca agradavam a Marcelo, que as consideravam cacetes, entediantes, uma burocracia que não suportava. Parecia um prenúncio, um vaticínio, um aviso que o menino recebia, pois iniciara a sua vida como servidor público aos vinte anos, após ser aprovado em concurso público, no cargo de Secretário de Juízo (Escrivão de Justiça), função e emprego que detestava, demitindo-se em menos de sete anos. 

      O que fascinava o menino eram as reuniões e viagens  políticas, comitivas oficiais de  Presidentes da República, governadores, ministros, secretários de Estado e prefeitos; reuniões partidárias, pré-eleitorais, nos âmbitos local, regional e nacional. Foram nelas que ele conheceu de perto, com alguns até convivendo, grandes líderes da Política fluminense e nacional, como Adhemar de Barros, Roberto Silveira, Amaral Peixoto, Miguel Couto Filho, governadores, senadores, deputados federais e estaduais, prefeitos e vereadores, que conviveram com seu pai. Políticos, correligionários e adversários de Câmara Torres. Assim, conheceu os bastidores, diálogos, as negociações, as discussões, os impasses e acordos da Política

      A partir dos treze, quatorze anos, Marcelo, entre as tarefas de estudante e agitada vida de jovem católico pariticpante de entidades e movimentos, passou a auxiliar, diretamente, o pai, ajudando-o, acompanhando-o e resolvendo questões políticas e a administrativas de interesse do Extremo Sul do Fluminense, em Secretarias e órgão públicos estaduais e federais, verificar andamentos de processos nos Fóruns da Justiça, de Niterói e do Rio,  onde o advogado possuía causas das quais era patrono. Dos dezoito aos vinte anos, muitas vezes, substituía o motorista do político e advogado, em viagens pelo interior do Estado. Em 1970, viajou por todo o Estado com o pai,  em campanha, quando este concorreu a uma cadeira na Câmara Federal.
      • A 3.9.1950, o Doutor Câmara Torres foi o orador oficial do Encontro das Congregações Marianas da Diocese de Barra do Piraí, que reuniu milhares de congregados marianos, na sua maioria, moços de vários municípios do Sul Fluminense. Presença do Bispo José André Coimbra, do Presidente da Federação das Congregações Marianas do Estado do Rio de Janeiro, autoridades civis, militares e eclesiásticas. Angra dos Reis, RJ.
      • A 11.3.1951, nasce, em Angra dos Reis, Márcia, quarta filha de José Augusto e Tudinha. Um ano mais nova que Marcelo, foi a irmã mais próxima a ele durante a infância e juventude.
      • Em agosto de 1951, o Técnico de Educação, Professor José Augusto da Câmara Torres, é eleito um dos festeiros das celebrações do Segundo Centenário da Igreja da Lapa e Boa Morte, de Angra dos Reis.
      • Em novembro de 1951, o Técnico de Educação recebe carta pessoal do Senhor Nelson Roméro, agradecendo a conferência Vida e Obra de Sylvio Roméro, proferida em 1949, em Paraty, sobre seu pai, o grande Silvio Romero.
      • Em 1951, Câmara Torres, Presidente da Associação de Caridade São Vicente de Paulo, lança a pedra fundamental do Asilo São Vicente de Paulo e inicia as suas obras, inaugurado em 1957.
      • No início de 1952, Câmara Torres ingressa no Aero Clube do Estado do Rio de Janeiro - ACERJ, uma escola de aviação de formação, treinamento e aperfeiçoamento de pilotos, e de aeromodelismo, sediado na Praia das Charitas, em Niterói. A paixão pela Aviação é construída nos estudos de dois de seus ídolos da infância e juventude: seu conterrâneo Augusto Severo (*Macaíba, RN, 1864 – †Paris, França, 1902) e Santos Dumont (*Palmira, MG, 1872 – †Guarujá, SP, 1932). Dois anos depois, é eleito Vice-Presidente da entidade, onde realiza trabalho notável pelo desenvolvimento da Aviação Civil no Estado, destacadamente no Extremo Sul Fluminense, onde constrói o Aeroporto de Angra dos Reis com recursos próprios, e realiza os primeiros pousos e decolagens na Região. O ACERJ desaparece na década de 1970.


      Carteira do sócio de Câmara Torres no ACERJ em 1952, ano do seu ingresso,
      que possuía a matrícula nº 1081. Já em 1954, é o Vice-Presidente da entidade,
      tendo na Presidência o Desembargador Pache de Faria,
       depois Presidente do Conselho Deliberativo,
       e, num período de crise, Interventor com poderes de Presidente.
       
       (Acervo Marcelo Câmara)

      • A 27.6.1952, o Técnico de Educação, Professor José Augusto da Câmara Torres, participa de um banquete no Palace Hotel, em Angra dos Reis, em comemoração ao aniversário natalício do médico, ex-prefeito e ex-deputado estadual Moacyr de Paula Lobo, dirigente do PSD e chefe político no Município.
      • A 25.9.1952, foi lançado o Concurso da Rainha da Primavera de Angra dos Reis, com a participação de escolas, clubes e associações de classe do Município, que se destinava “a realçar os dotes de beleza e de simpatia da mulher angrense”. A renda obtida com o evento teve por objetivo a arrecadação de fundos para a continuação das obras do Asilo da Velhice Desamparada de Angra dos Reis. A ideia do certame e à frente da Comissão Central estava o Técnico de Educação, Professor José Augusto da Câmara Torres. A 20.12.1952, dia da coroação da Rainha e das Princesas, o advogado fez oração agradecendo e felicitando as eleitas. E saudou a beleza e a simpatia da mulher angrense: "Vibra em cada um de nós a eloquência e o explendor da mocidade e da vida".
      • A 31.10.1952, após convocar lideranças comunitárias e empresariais de Angra dos Reis, realiza reunião visando a “combinar providências sobre a organização de uma sociedade destinada ao desenvolvimento cultural do município, com base na criação de um órgão de imprensa com oficinas próprias”.
      • Por volta de 1953, o advogado Doutor Câmara Torres telegrafa ao Secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, Milton Carvalho Braga, denunciando o cidadão e servidor público, João Matos Travassos Filho, que, em Angra dos Reis, todos os dias, “durante seis horas, desliga todo o fornecimento de força e luz à cidade, ligando apenas o Entreposto de Gelo que foi arrendado pelo mesmo Travassos, sem concorrência, obtendo grandes lucros, em monopólio, com prejuízos à população”. O Doutor Câmara Torres assinou o telegrama como “Advogado”. O Governo do Estado agiu, abriu inquérito e resolveu o problema.
      • A 6.1.1953, os conterrâneos, amigos e correligionários do Prefeito de Angra dos Reis, João Gregório Galindo, lhe ofereceram um banquete para saudar e festejar sua formatura como Bacharel em Direito, pela Faculdade de Direito de Niterói. A ágape realizou-se no Palace Hotel, e, entre os convidados, um dos primeiros a usar da palavra para felicitá-lo foi o Técnico de Educação, Professor José Augusto da Câmara Torres.


      Pela manhã do mesmo dia do banquete oferecido ao Prefeito João Gregório Galindo
      pelos seus amigos e correligionários, Em homenagem à formatura como Bacharel em Direito,
      alguns destes mesmos admiradores se reuniram no famoso Bar do Bruno (Bar Iracema),
      no centro de Angra dos Reis. Na foto, sentados (da esq. p/ dir.), Cassemiro Barra,
      Câmara Torres, Paulo Queixinho, Nair de Almeida e Jorge Daher; em pé, no mesmo sentido,
      Dona Olimpia  Bruno (esposa de Bruno Andrea), Natal, João Galindo, Jaurez Portugal,
      Orlando Gonçalves, Bruno Andrea (dono do Bar), Emilio (sobrinho do Sr. Bruno),
      e Jair Vasconcelos. O Bar do Bruno foi um dos mais emblemáticos pontos de encontro
      da sociedade angrense, principalmente de empresários e políticos, dos anos 1930 a 1970,
      onde eram primorosos os croquetes de carne, as empadinhas e outros salgados.
      (Foto do Acervo de Ricardo Natal Bruno, filho de Bruno Andrea - Acervo Marcelo Câmara)

      • A 24.1.1953, o Técnico de Educação, Professor José Augusto da Câmara Torres, foi o paraninfo da Turma das Professoras, formadas pelo Curso Normal anexo do Ginásio Angrense.
      • Em fevereiro de 1953, com a iniciativa e a coordenação do Técnico de Educação, Professor José Augusto da Câmara Torres, foi realizada de mais uma Colônia de Férias para estudantes do Curso Primário, realizada nas dependências do Grupo Escolar Lopes Trovão, na cidade de Angra dos Reis. Desta vez, Angra recebeu estudantes da Região Serrana fluminense. As atividades esportivas, lúdicas e de lazer foram dirigidas pelo Prof. Cândido Rodrigues Brasileiro e sua esposa, a Profa. Maria José Brasileiro. As Colônias de Férias objetivavam o intercâmbio, o conhecimento e a troca de experiências culturais e educacionais entre os municípios.
      • A edição de 15.3.1953 do jornal O Litoral, de Angra dos Reis, publica a relação dos sócios-proprietários do Clube Comercial, que acabara de ganhar uma bela e moderna sede própria, à Rua do Comércio. Entre os fundadores, incluídos na relação, está o nome do Doutor José Augusto da Câmara Torres.
      • A 10 de maio de 1953, Câmara Torres está na Matriz de Nossa Senhora dos Remédios, como Congregado Mariano e Chefe da Inspetoria Estadual de Ensino, participando da Páscoa dos alunos do Grupo Escolar Samuel Costa, em Missa cantada pelos estudantes e consagração das Famílias à Padroeira do Município. O evento fez parte do Programa Ave Maria Gratia Plena - Maio – Mês de Maria, cumprido de 3 a 31 de maio daquele ano, que incluiu Missa pela alma do Monsenhor Hélio Pires, célebre Vigário da Paróquia, de 1910 ao seu falecimento a 21.6.1952, e romaria ao seu túmulo no Cemitério local de todas as associações religiosas e povo católico.
      • A 4.7.1953, na cidade de Angra dos Reis, o Técnico de Educação, Prof. José Augusto da Câmara Torres, com centenas de cidadãos e cidadãs angrenses, “chefes-de-família, educadores e responsáveis pela juventude de nossa terra”, encabeça um Manifesto Público de Protesto, distribuído em toda a cidade, e acompanhando a edição de 12 do mesmo mês, do jornal O Angrense, da Congregação Mariana, semanário dirigido pelo legendário e popular Frei Hugo Brasil, contra a exposição de “cartazes indecentes expostos nas ruas de Angra pelo proprietário do Cine Araribóia”. O Manifesto foi consequência da promessa não cumprida pelo empresário de retirar, dias antes, “dentro de dez minutos”, os cartazes, após receber em comissão um grupo de lideranças comunitárias, tendo à frente o Congregado Mariano, Câmara Torres, a pedido do Sr. Vigário da Paróquia. O Manifesto protestava “contra a exposição de cartazes indecorosos, que só servem para corromper a juventude a arrancar das criancinhas a inocência.(...) Fazemos um apelo aos Srs. Pais, a fim de que não permitam que seus filhos assistam a filmes, que neles possam despertar sentimentos menos honestos” – acrescentava o volante. O Manifesto arrematava: “Esperamos que os responsáveis levem em conta nosso protesto, porque somos nós e nossas famílias que frequentamos o único cinema da nossa terra”.
      • Em 1953, governava o Estado do Rio de Janeiro Amaral Peixoto, e Paraty, o Vice-Prefeito Antonio Mário Pompeu Nardelli, no impedimento do Prefeito Derly Helena, ambos do Partido Trabalhista Brasileiro - PTB. A 6 de março daquele ano, o vereador da União Democrática Nacional - UDN, Antônio Núbile França, o Nhonhô, telegrafa ao Doutor Câmara Torres, então Técnico de Educação, Advogado na Região, Presidente do Diretório do Partido Social Progressita - PSP, de Angra dos Reis, e Líder Adhemarista na Região, lamentando não poder comparecer a uma reunião que o político organizara com o então Diretor do DER-RJ, Engenheiro Saturnino Braga, para tratar da abertura da Estrada Paraty-Cunha. No telegrama, Nhonhô pede para que o Doutor Câmara o recomende ao Doutor Saturnino e reivindica a necessidade primordial da construção da Estrada para o Município. O telegrama é o documento mais antigo do Acervo Marcelo Câmara, onde um vereador de Paraty reivindica, oficial e expressamente, ao Governo do Estado, a abertura da Estrada Paraty-Cunha.


      O histórico telegrama do Vereador Nhonhô a Câmara Torres.
      (Acervo Marcelo Câmara)

      • Em outubro de 1953, Câmara Torres integra a Comissão Organizadora da Campanha que angariava fundos para compra de uma ambulância para a Santa Casa de Misericórdia de Angra dos Reis e para as obras do Asilo São Vicente de Paulo. O principal instrumento de arrecadação foi a eleição da Rainha da Cidade, quando cada clube social e esportivo possuía uma candidata que vendia votos para a sua vitória. A Campanha foi idealizada e teve o apoio do jornal O Angrense, órgão da Congregação Mariana, sob a direção geral de Frei Hugo Brasil.
      • A 19.11.1953, Câmara Torres está em Lídice, Distrito de Rio Claro, RJ, na Festa de Santa Maria.
      • De 20.11 a 7.12.1953, Câmara Torres participa das Solenidades do Ano Jubilar Mariano, por ocasião do Centenário do Dogma da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, Padroeira da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Angra dos Reis. No dia 8 de dezembro, acontece a tradicional Festa na Cidade e Município.
      • A 26.12.1953, Câmara Torres está presente na posse do Poeta Brasil dos Reis na Academia Valenciana de Letras, em Valença, RJ. A saudação é feita pelo Promotor Público de Angra dos Reis e Acadêmico daquele sodalício, João Fausto de Magalhães, futuro Juiz da Comarca angrense, hoje nome do Fórum da Comarca, edifício planejado por Câmara Torres, quando Secretário do Interior e Justiça, e, depois, oficializado com o nome do magistrado, graças à iniciativa e trabalho junto ao Tribunal de Justiça, do advogado José Augusto da Câmara Torres, então Presidente da Subseção da OAB em Angra dos Reis, unidade que este criou e instalou.
      • A 22. 4.1954, nasce, em Angra dos Reis, Marília, a quinta filha de José Augusto e Tudinha. Inicialmente, se pensou no nome “Margarida”, a ser dado à menina, mas, depois, prevaleceu o nome da musa de Thomaz Antônio Gonzaga, personagem poética que fascinou, por toda a vida, o pai, que era historiador e professor de Literatura.



      1955. Famílias católicas angrenses depois da Missa de domingo
      na Matriz. Na sacristia, o casal à esq. é o Deputado Estadual
      Câmara Torres e sua esposa, a Profa. Gertrudes, com os filhos,
      ambos de branco, Marcelo e Márcia; mais à dir., de terno branco,
      o Deputado Federal Jonas Bahiense Lira e sra., com os dois filhos,
      Jonas e Márcio; mais à dir., ao lado, abaixo da imagem da Madona,
      e ao lado do padre, o Prefeito Salomão Reseck e a Profa. Dulce,
      com os três filhos de branco e de gravata borboleta:
      Pedro Abílio, José Luiz e Carlos Alberto.
      Atrás dos três filhos de Salomão, o farmacêutico e Vereador
      Benedito Braz Pereira, também de terno branco,
      ao lado da matriarca Senhora Nazira Salomão, mãe do Prefeito.
      (Acervo Marcelo Câmara)


      • A 12.12.1954, o Técnico de Educação, Prof. Câmara Torres, está em Passa Três, Rio Claro, RJ, participando da “Grande e Tradicional Festa em louvor à Nossa Senhora da Conceição. De 7 a 12 houve Ladainhas e seis Leilões; no Dia 8, Missa cantada. No dia 12, Alvorada Musical às 8h, Missa Festiva às 8h, Missa Solene com o Coro Santa Cecília de Passa Três que cantou o Te Deum Laudames, de Perosi. Às 17 horas, Procissão, com as crianças do Distrito vestidas de anjos e as casas iluminadas e decoradas. Abrilhantou os festejos a “famosa Banda de Música de Queimados”, de Nova Iguaçu. O Vigário era o Padre Cornélio Strooband.
      • Em 1954, o Doutor Câmara Torres planeja e constrói, por sua iniciativa e com recursos próprios, na Várzea da Japuíba, 1º Distrito de Angra dos Reis, o primeiro Campo de Aviação do Município, depois Campo de Aviação de Angra dos Reis, e, hoje, Aeroporto de Angra dos Reis, de médio porte, que está para receber o nome de Câmara Torres, em homenagem à sua memória, ao seu trabalho pioneiro, de realizador e grande incentivador do transporte aéreo, da Aviação no Extremo Sul Fluminense.


      1954. Da dir. p/ esq.: Câmara Torres e sua esposa Tudinha, encostados em um avião monomotor
      Cessna, certamente o primeiro a pousar no Campo de Aviação da Japuíba, que ele construiu
      com recursos próprios, hoje Aeroporto de Angra dos Reis, que, em breve, será denominado
      Aeroporto Câmara Torres, segundo desejo antigo da população e da Câmara Municipal
      à época da sua partida em 1998.
      (Acervo Marcelo Câmara)


      Quem trabalhou or mais de um ano, preparando o terreno e a grama para o pouso de pequenas aviões, tudo sob a orientação e pago por Câmara Torres, foi o então agricultor angrense, o saudoso João Cândido Teixeira, o Joãozinho, que vivia na própria Japuíba, hoje bairro próximo à cidade de Angra dos Reis. Um dia de vitória, feliz para os dois, foi quando a biruta, indicando a direção dos ventos, começou a orientar os aeronautas. Mais tarde, na década de 1960, Joãozinho mudou-se para o Morro do Carmo na cidade de Angra dos Reis, onde trabalhou muitos anos como motorista de táxi, ficando conhecido como Joãozinho do Táxi, e, também como Joãozinho do Sindicato. Aposentou-se como operário do Sindicato dos Arrumadores de Angra dos Reis (“Sindicato da Resistência”), falecendo na década de 2010. De 1954 até 1970, Câmara Torres ficou conhecido no Estado como “O Deputado Teco-Teco”, ou “O Deputado dos Aeroclubes” ou “O Deputado da Aviação”, pois se utilizava muito do transporte aéreo em suas atividades políticas entre a Capital, Niterói, e Angra dos Reis, Paraty, Mangaratiba e Rio Claro, levando autoridades a esses municípios, bem como socorrendo os mais pobres e as populações que viviam em lugares mais remotos, e que precisavam de socorro em situação de risco à saúde e à vida e em outras emergências. Foi Sócio Remido, Presidente do Conselho Deliberativo e Vice-Presidente do Aeroclube do Estado do Rio de Janeiro e integrou o Conselho Fiscal do Serviço Estadual de Transportes Aéreos – SETA, cooperativa privada que reunia empresas e profissionais da aviação civil. Também, foi Conselheiro da Fundação Santos Dumont no Estado do Rio de Janeiro, órgão nacional de estudos, apoio e estímulo à Aviação Civil.

      • A 24.2.1955, o Deputado Câmara Torres recebe gentil e fraterna carta, pessoal e manuscrita, do Bispo de Barra do Piraí, Dom José André Coimbra, reiterando o seu pedido, feito no ano anterior, em Angra dos Reis, no sentido de angariar donativos, entre os círculos de amizade e convivência do Parlamentar, para a instalação da Casa N. Sa. de Fátima daquela cidade, primeiro Palácio do Bispado, que estava sendo reconstruído e ampliado, e serviria de residências às Irmãs de Jesus Crucificado, e pensionato para moças e dispensário para os pobres. O pensionato, explicou o Bispo, irá auxiliar na manutenção das Irmãs, cuja obra principal de apostolado social e espiritual será a catequese de crianças e adultos O Deputado conseguiu, junto aos seus amigos, vários donativos à obra assistencial e espiritual.
      • Por volta de 1955, Câmara Torres faz os primeiros voos em direção a Paraty, que construiu o seu “Campo de Pouso” em 1952, quando houve a fuga de mais de uma centena de presidiários de alta periculosidade da Colônia Correcional da Ilha de Anchieta, no litoral norte de São Paulo. (Hoje, o referido Campo de Pouso ou de Aviação de Paraty é denominado Aeroporto Dom João de Orleans e Bragança, em memória do ilustre morador da Família Real Brasileira que viveu e foi empresário na cidade por mais de trinta anos.). Os presos se espalharam pela Serra do Mar, nos municípios de Ubatuba, Caraguatatuba e Paraty. Morreram mais de uma centena de fugitivos, soldados e guardas penitenciários. Aquele “Campo de Pouso” foi criado, emergencialmente, numa operação de guerra, conjunta e rápida, entre os Governos dos Estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, com a ajuda do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, no sentido de desembarcar tropas e armas a fim de recapturar os temíveis “fugitivos da Ilha de Anchieta”. Câmara Torres realizou, a partir de Angra, os primeiros voos para Niterói e Rio, principalmente com duas finalidades. A primeira, para socorrer o povo pobre, sem recursos, doente ou acidentado que necessitava de socorro médico, ainda mais, num tempo, em que Angra dos Reis e Região não tinham ou possuíam precaríssimos meios de transporte e comunicação com os grandes centros; e, segundo, para levar a Angra autoridades estaduais e federais que precisavam ir, a trabalho, ao Município. Câmara Torres, iniciou as viagens a Paraty com os mesmos objetivos. A partir do seu primeiro mandato, e até 1970, o Deputado nunca deixou de incluir no Orçamento do Estado verbas para conservação e ampliação do aeródromo de Paraty.


      1954. O Deputado Câmara Torres, vindo de Angra, pousa, pela primeira vez, em Paraty,
      com um pequeno avião monomotor Cessna, com um piloto-instrutor do Aero Clube
      do Estado do Rio de Janeiro, do qual o Parlamentar era Vice-Presidente.
      Ao “Campo de Aviação”, acorreram dezenas de amigos e curiosos. Por mais de trinta anos,
      ele aterrissou na cidade e dela decolou, atendendo à população que necessitava
      de assistência médica e social, e levando autoridades para ouvir as demandas do Município.
      Na primeira fila, da dir. p/ esq., o Deputado é o quinto, de terno branco.
      (Acervo Marcelo Câmara)


      • Na noite de 10.12.1955, o Deputado Câmara Torres comparecia à Câmara Municipal de Angra dos Reis, a fim de participar da solenidade de entrega de certificados e diplomas aos concluintes dos cursos ginasial, normal e de técnico em contabilidade, do Ginásio Angrense, instituição que ajudou a fundar anos antes.
      • De 24.3 a 2.4.1956, o Doutor Câmara Torres, na qualidade de Irmão Provedor da Secretaria da Irmandade do Glorioso São Benedito, lidera, na Cidade de Angra dos Reis, as “Festividades em Louvor ao nosso orago, Glorioso São Benedito”. O extenso Programa foi inaugurado na tarde do Sábado da Paixão, 24.3, com Procissão que levou a imagem do Santo, da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, acompanhada de sua Irmandade e do Povo, até a Igreja Matriz de N. Sa. da Conceição, por se achar em obras a Igreja de Santa Luzia. Nesse mesmo dia, Missa Cantada, Primeira Ladainha de São Benedito e Bênção do SS. Sacramento, acompanhado do Coro da mesma Igreja, sob a direção da organista Maria Ondina Coelho de Andrade, que iria abrilhantar todos os atos da Festa. Em seguida, apresentação da Banda de Música Euterpe Angrense, sob a regência do Maestro Fúcio Ignácio Brasil. No Domingo de Ramos, Levantamento do Mastro, Procissão do Painel com o emblema do orago e Segunda Ladainha com Bênção do Santíssimo. Na noite do Domingo da Ressureição, recepção ao Bispo de Marquês de Valença, Dom Rodolfo das Mercês de Oliveira Pena, que chega a Angra para participar das solenidades da Festa e, no dia seguinte, administra o Santo Crisma, e realização da Terceira Ladainha. Na “Segunda-feira de São Benedito”, 2 de abril: Alvorada com a Euterpe Angrense, Missa com cânticos, celebrada pelo Bispo e Comunhão Geral, Missa Cantada pelo Vigário Carmelita, Padre Frei Policardo, seguida de passeio festivo da Banda de Música pelas ruas da cidade e visita às residências dos Juízes da Irmandade. Finalmente, à tarde, “Imponente Procissão de São Benedito”, em majestoso andor, ricamente ornado, percorrendo tradicional roteiro urbano, ao som de cânticos e da Banda de Música Euterpe Angrense. A Procissão de São Benedito, em Angra dos Reis, era uma das maiores manifestações religiosas do Estado. Uma multidão, vinda de todos os cantos de Angra, de outros Municípios e Estados, participava da bissecular manifestação de fé e devoção. A 31 de março, ônibus especiais partiram da Pça. Mauá, no centro do Rio, em direção a Angra, com centenas de fiéis. Após a Procissão, no Largo da Matriz, fala do Pe. Abílio Raul Martins, Ladainha, Atos protocolares da Mesa da Irmandade, o famoso Leilão de Prendas, mais Música e o grandioso espetáculo dos fogos de artifício. A 8 de abril, “Domingo da Pascoéla”, à tarde, o “descimento do Mastro, a última ladainha e a solene Procissão de retorno da Imagem de São Benedito à Igreja da Ordem Terceira de São Francisco. Encerrando as Festividades, o último Leilão de Prendas no Largo da Matriz.



      (Foto em edição)




      • Em março de 1956, participava do extenso programa da Semana Santa na Cidade de Angra dos Reis, organizada pela Venerável Ordem Terceira do Carmo, à qual pertencia.
      • Em março de 1956, José Augusto, Tudinha e os seis filhos mudam da Cidade de Angra dos Reis para Niterói, onde uma casa é alugada na Rua Miracema, nº19,no Bairro do Pé Pequeno.

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      Março de 1956: o Advogado e Deputado, com a família, muda para Niterói,
      mas mantém o antigo endereço residencial e escritório em Angra.
      (Acervo Marcelo Câmara)


      • A 13.5.1956, o Deputado Câmara Torres está no 3º Distrito de Angra dos Reis, participando da Festa do Glorioso São Benedito. No dia 4, iniciaram-se as Novenas e a 12, houve Confissão Geral. No dia da Festa, pela manhã, após a Missa com Comunhão Geral às 7h e Missa Solene às 10h. À tarde, houve corrida de resistência, de Jacuecanga e Monsuaba; colheita de prendas para o Leilão; corrida de saco e pau-de-sebo. Às 17h, Procissão, Ladainha de Encerramento e leitura do festeiro, juízes e comissionado para a Festa do ano seguinte, 1957. Às 20h, Leilão de Prendas e Fogos de Artifício. O Festeiro de 1956 foi Armando Jordão Carneiro.
      • A 4.7.1956, funda na sede do Clube Comercial, o Aero Clube de Angra dos Reis, sendo eleito o seu primeiro presidente.
      • A 13.7.1956, o Deputado Estadual, Câmara Torres (PSP) e o seu correligionário, Deputado Federal Jonas Bahiense Lyra (PTB) patrocinam a Oitava Ladainha da “Grandiosa Festa de Nossa Senhora do Carmo”, da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Angra dos Reis. O “Dia da Festa”, com Missas Festiva e Cantada, e “Imponente Procissão”, deu-se no domingo, 15 de julho, sob a responsabilidade do Comando e alunos do Colégio Naval. No dia seguinte, “Dia Litúrgico de N. Sa. do Carmo”, ocorreu a “Bênção Papal”. Naquele ano, a Festa foi histórica, porque comemorou os cinquenta anos, desde 1906, quando a Comunidade Carmelita se encarregou da Paróquia. O programa inaugurou-se a 6 de julho indo até a noite de 16.
      • Na tarde de 1º.9.1956, o Deputado Câmara Torres participava, na condição de Vice-Presidente, da Reunião Conjunta de Conselheiros e Diretores do Aero Clube do Estado do Rio de Janeiro, na Praia de Charitas, em Niterói, convocada pelo Presidente Desembargador Gastão de Castro Pache de Faria, a fim de “estudar e estabelecer as diretrizes a serem tomadas pela nova Diretoria”.
      • Em setembro de 1956, era Presidente do Conselho Administrativo do Aero Clube do Estado do Rio de Janeiro, com sede na Avenida Quintino Bocaiuva, na Praia de Charitas, em Niterói. Em seguida, ocupou a Vice-Presidência da entidade em várias gestões presididas pelo Desembargador Pache de Faria.
      • A 21 de outubro de 1956, o Deputado Câmara Torres recebeu documento da Diretoria da Associação N. Sa. das Graças, da localidade de Patrimônio, 2º Distrito de Paraty, RJ, solicitando ajuda financeira, uma oferta, para construção de capela em louvor da “Mãe do Salvador”, para realização da Festa em honra da Santa.


      23.10.1956, o Deputado Câmara Torres, ao centro, Vice-Presidente
      do Aero-Clube do Estado do Rio de Janeiro numa reunião
      da Diretoria da entidade. À dir., o Presidente, Desembargador Pache de Faria
      e, à esq., o Governador Miguel Couto Filho.
      (Acervo Marcelo Câmara)

      • A 31.10.1956, na condição de Congregado Mariano, Líder Católico e Político, pronuncia, em Sessão Solene da Câmara Municipal de Rio Claro, RJ, Oração que saudava o Bispo da Diocese de Barra do Piraí, RJ, Dom Agnelo Rossi, em nome da Paróquia de N. Sa. da Piedade, na Visita Pastoral do prelado àquela cidade.
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      quarta-feira, 5 de agosto de 2020

      O HOMEM E O SEU TEMPO - DE 1917 A 1956

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      CENTENÁRIO DE CÂMARA TORRES
      1917-2017
      José Augusto da Câmara Torres
      (* Caicó, RN, 1917 – † Niterói, RJ, 2017)
      Jornalista, Educador, Advogado, Político
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      O HOMEM E O SEU TEMPO
      DE 1917 A 1956



      O PERCURSO EXISTENCIAL DE
      JOSÉ AUGUSTO DA CÂMARA TORRES
      DE JUNHO DE 1917
      A OUTUBRO DE 1956


      REGISTROS


      ALGUNS ATOS E FATOS
       DE 1917 A 1956


      • Às 21h de uma sexta-feira, dia 22 de junho em 1917, Dia dos Santos ingleses John Fischer e Thomas More, na cidade de Caicó, RN, nasce, em casa, José Augusto, o mais velho dos três filhos do Senhor Torres que sobreviveram aos nove partos de Dona Liquinha. O nome escolhido é uma homenagem ao Doutor José Augusto Bezerra de Medeiros, na época ex-deputado estadual, deputado federal, depois senador e governador do Estado. Advogado, professor, chefe de polícia do Estado, magistrado, Bezerra de Medeiros exerceu sete mandatos de deputado federal pelo Rio Grande do Norte. Faleceram dias ou semanas após o parto: Denize e Dalvanira I, gêmeas, nascidas antes de José Augusto, a 9.4.1916; Marconi I, nascido em 1919; Joana D’Arc, em 1920. Morse, em 1923; e Ignez, em 1925.
      • A 26.6.1918, nasce, em Caicó, RN, Dalvanira, única irmã de José Augusto.
      • A 20.4.1921, falece em Angicos, RN, o seu avô paterno, Vicente José Ferreira da Costa Torres. (A sua avó paterna, Januária Francisca da Costa Torres, nascida em 1869, havia falecido doze anos antes, em 29 de junho de 1908.)
      • A 16.3.1922, nasce Marconi, o único irmão.
      • A 1º.3.1926, ingressa no Grupo Escolar Senador Guerra, de Caicó, como aluno do 1º ano do Curso Elementar.
      • Em 1928, o menino José Augusto planta, no portão da sua residência, em Caicó, um cajueiro. Isto o encheu de orgulho e vaidade saudável, ecológica. Tanto que, nas férias escolares 1936-7, vividas na cidade, após "bacharelar-se", ao concluir o Curso Ginasial de cinco séries, em Niterói, RJ - o rapaz, emocionado, fotografa a árvore e escreve no verso da única cópia iconográfica: "Uma fotografia de eterna saudade..."


      O cajueiro, plantado pelo menino aos dez anos, 
      no portão da casa onde ele nasceu.

      (Acervo Marcelo Câmara)
      • A 1º.2.1930, entra no 1º ano do Curso Complementar do Grupo Escolar Senador Guerra.
      • A 3.5.1930, profere o primeiro discurso público, aos professores e alunos da sua escola em Caicó, sobre a polêmica da data do Descobrimento do Brasil e o “Dia da Natureza”.
      • Às 13h30m do dia 4.10.1930, “sabe-se da Revolução em Caicó”, anota José Augusto em seu diário.
      • Em maio de 1931, funda e passa a dirigir O Ideal da Juventude, “jornal mensal, literário e noticioso, ‘órgão dos interesses do Grupo Escolar Senador Guerra’, dirigido ao povo de Caicó”, onde o menino também assina editoriais, artigos e reportagens.
      • Na edição de 27.12.1931 do diário carioca O Jornal, o nome José Augusto da Câmara Torres é publicado como um dos vencedores do Concurso de Natal.
      • A 6.2.1932, José Antunes Torres e seu filho, José Augusto Torres chegam a Natal. A 19, o menino, com quatorze anos, ingressa, brilhantemente, aprovado em Exame de Admissão, no 1º ano ginasial do tradicional Colégio Santo Antônio, dos Irmãos Maristas.
      • Em 1933, a Família transfere-se para Niterói, RJ, desembarcando no Cais do Rio de Janeiro, no Armazém Cinco. José Augusto ingressa, aos 15 anos, na 2ª série Ginasial do Colégio Salesiano Santa Rosa, quando conhece e se torna amigo pela vida inteira (“irmão xifópago”) de Dayl do Carmo Guimarães de Almeida.
      • Entre 14 e 17 de setembro, José Augusto, aos dezesseis anos assiste no Cine-Theatro Imperial, na Rua Visconde do Rio Branco, em Niterói, o clássico A múmia, com Boris Karloff, Zita Johann e David Manners. 
      • Nos anos de 1933 e 1940, o Professor Joaquim Coutinho e a Professora Leonor Cavalcanti, primeiros mestres de José Augusto, de Caicó, se corresponderam intensamente com o jovem, agora morador de Niterói.
      • A 24.4.1934, José Augusto telegrafa ao Deputado Federal João Guimarães, que aniversariava no dia seguinte. Natural de Campos, RJ, militante niilista, Guimarães integrou a Aliança Liberal, que lançara Getúlio Vargas à Presidência da República. Com a Revolução de 1930, foi dos fundadores do Partido Popular Radical – PPR do Rio de Janeiro, agremiação pela qual fora eleito, em novembro de 1933, Deputado à Assembleia Nacional Constituinte, assumindo em maio de 1934.
      • Em julho de 1934, José Augusto escreve para o Desfile da Raça, um longo e bem elaborado panfleto cívico-ideológico e romântico, evocativo a Deus, à Pátria e à Família, sintetizando a ideologia e o programa integralista, quando milhares de camisas verdes marcharam em Niterói. O panfleto era adaptado às realidades de Niterói e fluminense. Repetiu o sentido e objetivos do evento que ocorrera em maio no Rio de Janeiro, realizado também em outras capitais e cidades brasileiras, alguns com conflitos. O mais grave ocorreu em São Paulo, com tiros e feridos. Não se tem notícia se o texto de cinco páginas de José Augusto foi distribuído.
      • A 15.8.1934, José Augusto, aos dezessete anos, cursando o terceiro ano ginasial, é um dos fundadores da Congregação Mariana de Nossa Senhora Auxiliadora e de São João Bosco, com sede no Colégio Salesiano Santa Rosa, Niterói, RJ.
      • Na manhã de 7.9.1934, houve uma Solene Comemoração ao 112º aniversário da Independência do Brasil no Colégio Salesiano Santa Rosa, em Niterói. No Auditório do Colégio, o aluno do 3º ano ginasial, José Augusto Torres, representando o Corpo Discente, foi escolhido para ler a sua dissertação sobre a efeméride, após a alocução do Prof. Francisco Portugal Neves.
      • A 7.10.1934, funda, com os irmãos Dayl do Carmo e Lyad Sebastião Guimarães de Almeida, a Academia São Francisco de Sales – ASFS., instituição cultural, formada por jovens da Congregação Mariana de Nossa Senhora Auxiliadora e Dom Bosco, que viria a movimentar intensamente a vida estudantil com vasta e plural atividade artística e científica, que ultrapassaria os muros do Colégio, atingindo as cidades de Niterói e Rio de Janeiro. Naquele mesmo dia, a Academia é inaugurada e instalada no Salão de Atos do Colégio Salesiano Santa Rosa, com discurso inaugural de José Augusto, eleito o primeiro Presidente da entidade, que redige o Regulamento (Estatutos) da entidade. Este é discutido a 4 de novembro e aprovado a 16 de dezembro. Dayl é o Secretário; o Orador, Eduardo Sodré; e o Tesoureiro, Décio Afonso. Hora de Arte com Literatura, Música e Poesia, por membros da Academia e convidados. Alberto Fortuna (futuro artista popular Albertinho Fortuna) canta com seu acordeão. A Academia, “braço cultural da Congregação Mariana”, era também conhecida como seu “Departamento Literário”.


      Monumento de N. Sa. Auxiliadora, numa foto dos anos 1940.

       No alto da colina do Colégio Salesiano Santa Rosa, foi inaugurado a 8.12.1900.
      A ideia foi do terceiro 
      diretor do Colégio, criado em  1883,
      Pe. Luis Zanchetta. 
      O Monumento, uma das atrações turísticas 
      de Niterói, em estilo Bossan, um misto dos estilos gótico e árabe,
      é considerada a obra-prima 
      do engenheiro salesiano Domingos Delpiano.
      (Acervo Marcelo Câmara)
      • Na noite de 17.11.1934, no Salão de Atos do Colégio Salesiano Santa Rosa, de Niterói, RJ, o aluno José Augusto Torres, do 3º ano ginasial, fez o “discurso oficial” na “Homenagem de Apreço do Curso Ginasial Externo ao Egrégio Professor Francisco Portugal Neves”. A cerimônia contou com orquestra que inaugurou o programa, acompanhou o aluno do 2º ano, Alberto Fortuna (futuro cantor Albertinho Fortuna, astro do rádio e do disco), apresentou números populares e encerrou a cerimônia com o Hino Nacional. O leader do movimento que resultou na homenagem, o colega e amigo de José Augusto, Dayl de Almeida, também se pronunciou. Artur Torres executou número ao piano. José Augusto também foi designado para entregar “um mimo” ao homenageado.
      • Na noite de 9.12.1934, na “Solene Encerramento do ano letivo e distribuição de prêmios aos alunos Externos do Curso Primário e Secundário”, José Augusto discursou em nome dos estudantes, apresentando as “Despedidas” dos Concluintes daquele ano. O discurso ocorreu durante o cumprimento de um longo programa de arte com apresentações: de orquestra; do aluno-cantor Alberto Fortuna; de “O pintor malogrado, entremez lírico por um grupo de alunos externos”; “Miscellanea Collegial – scena lyrica em 6 quadros”; e Marcha final pela orquestra.
      • A 16.12.1934, preside e abre a 2ª Sessão Solene da ASFS com uma oração de esperança na Mocidade do País. A reunião, no Salão de Atos do Colégio, é em Homenagem a N. Sa. da Conceição, e para a posse do primeiro acadêmico, o companheiro mariano Aluisio Redig, na Cadeira de Dom Macedo Costa. no Salão de Atos do Colégio. É lido e aprovado o Regulamento da Academia. No programa, música, discursos, palestras sobre Literatura, Folclore e Música Popular Brasileira.
      • A 21.12.1934,  


      • Em 1935, de fevereiro a outubro, a ASFS. foi presidida interinamente pelo congregado Mario Gomes da Silva, quando neste último mês, José Augusto voltou a presidi-la. A 20 de novembro foi pedida uma revisão dos Estatutos. A 15 de dezembro, reuniu-se a Comissão Revisora. A 8 de fevereiro de 1936, aprovados os Estatutos revistos, ele entrou em vigor.
      • A 24.2.1935, participa da Festa de São Francisco de Sales, Padroeiro da Congregação Salesiana, no Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora, em Niterói. A extensa programação inicia-se às 7 horas: missas, música sacra, canto gregoriano, canto coral, procissão no Santuário e inauguração de lampadários em frente ao templo. À noite, Sessão Solene da ASFS, com posse da nova Diretoria, presença do Bispo de Niterói, personalidades religiosas, apresentação de orquestra que apresenta o Hino Pontifício, Verdi, Suppé, A. Boieldieu, Rossini, Donizetti e, também, recital de Poesia. Antes da Marcha Finala fala de José Augusto da Câmara Torres, encerrando as solenidades.
      • A 5.5.1935, fala, pela segunda vez, aos Camisas Verdes do Núcleo da AIB de Nova Friburgo, RJ.
      • A 10.5.1935, José Augusto escreve ensaio sobre a significação e simbologia da Bandeira do Brasil,
      • Na edição de 31.6.1935 da Revista Tico´Tico, do Rio de Janeiro, o jovem José Augusto da Câmara Torres aparece como um dos vencedores nos concursos de palavras cruzadas, charadas e de conhecimentos gerais da Revista.
      • No início de outubro de 1935, José Augusto é um dos signatários entre mais de duzentos cidadãos, de eloquente telegrama da Coligação Radical-Socialista Republicana, que parte de Campos, aos Deputados Constituintes estaduais, Anthero Manhães e Arnaldo Tavares, este Presidente da Assembleia. Dizia a abertura da mensagem: “No momento em que os bravos vinte e três constituintes da Coligação Radical-Socialista Republicana selam com o sangue generoso do companheiro estoico um compromisso de honra, em torno do nome glorioso do Governador Protógenes Guimarães, para a defesa das tradições de civismo do rincão fluminense, a terra de Nilo Peçanha reafirma sua solidariedade e manda aplausos aos correligionários e aos grandes chefes da coligação”.
      • Na noite de 5.10.1935, José Augusto preside a Sessão Solene da ASFS. Na primeira parte, toma posse a nova Diretoria da entidade e o Pe. Emilio Miotti é recepcionado como Membro Honorário e passa a ocupar a Cadeira de Santo Agostinho. Dayl de Almeida saúda o novo integrante da Academia. Na segunda parte da Sessão, apresentação de boa Música: Pagano, Verdi e Moskowski. E récita de Poesia. O Hino das Congregações Marianas encerrou a noite.
      • Em 1935 e 1936, em duas Sessões Ordinárias da ASFS, realizaram-se duas discussões de teses, então de alta relevânciaItália e Abissínia e Monarquia e República. Na primeira, Wilton Gomes venceu Dayl de Almeida; na segunda, Dayl superou Artur Torres.
      • A 31.1.1936, José Augusto deixa de escrever o seu Diário (supostamente destruídos) e opta por escrever longas memórias, no último dia de cada ano ou nos primeiros dias do ano seguinte. O balanço da vida do jovem estudante, dos seus convívios, amizades, estudos, amores, alegrias, desafios, dores, conquistas, tristezas, derrotas, medos, ansiedades, ideais, perspectivas profissionais passam a ser registrados anualmente. Assim, além das Memórias de 1936, José Augusto registra as de 1937 e 1938.
      • De 3 a 13.1.1936, José Augusto está passeando em Nova Friburgo, com o amigo Oton Barros.
      • A 10.1.1936, José Augusto vai a Bom Jardim, RJ, certamente a passeio, aproveitando as suas férias na serra.
      • De 9 a 11.2,1936, José Augusto participa do Congresso Universitário em São João Del Rey, MG.
      • Na noite de 19.4.1936, no Salão de Atos do Colégio Salesiano Santa Roas, a ASFS realiza Sessão Solene de Recepção ao Prof. Dr. Antonio da Silva Mendes, que passa a ocupar a Cadeira nº 1 do grupo denominado Grandes Vultos da Latinidade, da 2ª classe dos Sócios Honorários, que tinha como Patrono Luiz de Camões, “o imortal cantor dos Luziadas”. O Programa foi assim percorrido: Hino das Congregações Marianas; Abertura pelo Presidente da Academia, José Augusto Torres; Saudação ao empossado pelo acadêmico Dayl de Almeida. Seguiu-se muita Arte: peças de Schubert e Toselli; poema de Eça de Queiroz. Depois, Elogio a Luiz de Camões, pelo Prof. Antonio da Silva Mendes; Hino Português, palavras do Pe. Dr. Orlando Chaves e, finalizando, o Hino Nacional.
      • A 17.3.1936, “José Augusto Torres”, aos dezenove anos, comparece à sede do Diário de Notícias, na Rua Buenos Aires, 151, no centro do Rio, para resgatar cupons que davam direito a brindes por participar da enquete para escolha do “Melhor film da temporada de 1935, promovido pelo jornal e pelo programa Cine-Rádio-Jornal, de Celestino Silveira, da Rádio Philips do Brasil. Favela dos meus amores, de Humberto Mauro, foi uma das produções mais votadas e parece ter sido a escolha de José Augusto. Quatrocentos leitores foram contemplados: os homens com um “sabonete Eucalol” e as mulheres com “uma caixinha de pó de arroz Royal Briar”.
      • Na noite de 5.6.1936, o terceiro aniversário de Espumas, fundado por José Augusto, era comemorado com um sarau na residência do Professor Raul Stein, pai de Dayl. À época, quinzenário, a direção do jornal era dividida entre José Augusto e Dayl.
      • Na noite de 28.11.1936 o Bacharel José Augusto fez um pungente discurso denominado Adeus! no encerramento do ano letivo, do Colégio Salesiano Santa Rosa, quando ele também encerrava a sua vida como aluno no estabelecimento. Falou em nome de todos os formandos. Houve distribuição de prêmios (Menções Honrosas, Medalhas), palavras do Pe. Diretor, apresentação cênica da revista Os soldadinhos e da Orquestra de Amigos do Colégio.
      • A 13.12.1936, preside a Festa de Segundo Aniversário Congregação Mariana de Nossa Senhora Auxiliadora e São João Bosco. Pela manhã, missa, comunhão geral, posse da nova Diretoria no Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora. À noite, no Salão de Atos do Colégio Salesiano Santa Rosa, após a Recepção de Congregados e Aspirantes, Sessão Solene da ASFS para a posse do Pe. Antonio Lages como Membro Honorário na Cadeira de São Gregório Magno. José Augusto o saúda e o Pe. Lages faz o elogio ao Patrono da Cadeira. Lido Relatório dos Trabalhos da Congregação no exercício que se encerra. Cumpre-se variado programa de Arte: Canto Lírico, Pescador de Pérolas, de Biset; piano e flauta de trecho de O Guarani, de Carlos Gomes; piano a quatro mãos de Radieuse, Grande Valsa, do Concerto de Gottschalk; declamação de poemas e encerramento com o Hino Nacional.
      • No final de 1936, recebe, do Instituto Catholico de Estudos Superiores, fundado por Alceu de Amoroso Lima, sediado no Rio de Janeiro, Certificado do Curso de Sociologia. Naquele ano letivo, a Direção do Instituto estava a cargo de Sobral Pinto e o seu professor foi Magalhães Bastos.
      • Em 1936, com 19 anos, conclui o quinto e último ano Ginasial, do Colégio Salesiano Santa Rosa.
      • Na Festa de Formatura dos Bacharelandos de 1936, José Augusto foi o Orador do Banquete no Colégio Salesiano, em homenagem ao Paraninfo da “Turma do José Augusto e do Dayl”, Gustavo Barroso, na época, um dos mais importantes intelectuais do País, na presença do historiador. A escolha e a efetivação de Barroso como Paraninfo foi uma conquista de José Augusto, como ele mesmo confessa para si em suas “Memórias Íntimas”, pois foi ele que a idealizou, contatou e convidou, pessoalmente, em nome dos formandos, o escritor.
      • José Augusto registra em sua “Memória de 1936”, escrita em 31 de dezembro daquele ano em Caicó: em dezembro de 1936, após muitos preparativos, autorizações dos pais, do Colégio no qual se formara (contava 17 anos), ansiedades, entusiasmo, às 9h do dia 4 de dezembro, José Augusto embarca no navio-vapor Comandante Ripper, com destino a Natal. Era a sonhada “Viagem ao Nordeste”, como dizia, “após quatro anos de saudades”. No cais do Porto do Rio de Janeiro, emoção, lágrimas e os lenços brancos do pai, do irmão Marconi e de Dayl. Desembarca em Natal, RN, a 11, sendo recebido pela avó materna, permanecendo até 14 de dezembro, quando vai de trem a Baixa Verde (atual João Câmara), encontrar-se com familiares. No dia seguinte, volta a Natal e a 17, numa “sopa” (ônibus) segue para Caicó, “minha terra!”, vibra escrevendo nas “Memórias de 1936”. Chega às 17 horas, indo direto para a casa de Eulápio, amigo de infância. Visitas, palestras, passeios, os amigos, as amigas, os colegas do Grupo Escolar, emoções, saudades exterminadas. Reencontra Tudinha, o primeiro e único amor.
      • A 2.1.1937, José Augusto, aos dezenove anos, assiste, no Cine-Theatro Pax, em Ipanema, no Rio, com início às 18h, ao filme clássico e histórico da Paramount. Cleópatra, com Claudette Colbert, Warren William e Henry Wilcoxon
      • Nos anos 1937 e 1938, é aluno do Curso Pré-Jurídico do Liceu de Humanidades Nilo Peçanha, em Niterói, RJ.
      • Na “Memória de 1937“, escrita em Nova Friburgo, a 9 de fevereiro de 1938, confessa: “Na tarde de 12 de janeiro (de 1937), “a satisfação mais íntima que me podia surgir: Tudinha e eu nos compreendemos mutuamente, amorosamente. E os compromissos se trocaram. Era a voz sentimental da minha terra que falava. Era a minha primeira sensação amorosa da vida, conservada durante 7 anos, pela distância, que recebia o seu batismo de compreensão. Eu senti, nas meias palavras que ela me dizia, um destino. Ela também me compreendeu. Foi o dia da minha alforria. Completei, afinal, um dos objetivos da minha viagem: o objetivo.” – escreveu. Às 11h30m de 14 de janeiro de 1937, deixa Caicó, de automóvel, prometendo voltar em 1941, talvez 1939. Dias 15, 16 e 17 em Natal. Dia 18, segue para Baixa Verde. A 19, o casamento de Dalvanira, sua irmã. Dia 20, segue para Touros “uma ambição da minha vida. Havia um mistério que me chamava”, revela. De caminhão, chega a Boa-Cica, de onde vai a cavalo, por três léguas, até Touros, “terra onde papai e mamãe se conheceram... Tudo exerceu uma mística profunda em meu ser.”


      Janeiro de 1937. Uma viagem sentimental de José Augusto.
      No cavalo do tio, vai de Boa Cica, então Município de Angicos,
      a Touros. Hoje Boa Cica é Distrito de Touros.

      (Acervo Marcelo Câmara)


      Muita alegria, encontro com tios, primos e primas, almoços, jantares, passeios. Lágrimas ao visitar o túmulo do seu bisavô, Francisco Antunes da Costa. Dia 26, parte para Ceará-Mirim. Dia 27, Angicos, “no seio amável da família”, onde permanece até 30, quando retorna a Natal. Dias 31, 1º, 2 e 3 de 1937, espera o navio para voltar ao Rio. À meia-noite do dia 3 para 4, o mesmo Comandante Ripper deixa o Porto de Natal. Domingo de Carnaval em Salvador, BA. Segunda e terça a bordo. Na quarta-feira de cinzas, entra na Baía da Guanabara.

      José Augusto, à esq., e companheiro de viagem,
      devolta ao Rio, 
      no Comte. Ripper, em fevereiro de 1937.
      (Acervo Marcelo Câmara)

      • A 1º.4.1937, inicia as aulas no 1º Ano do Curso Pré-Jurídico, do Liceu de Humanidades Nilo Peçanha, de Niterói, RJ.
      • A 3.4.1937 dá os primeiros cinco tiros no Serviço Militar (“Tiro de Guerra”), que presta no Colégio Salesiano Santa Rosa, sob as ordens do então 3º Sargento Auxiliar Instrutor, Ariovaldo de Souza Paiva. Os últimos tiros ocorrem a 18.8 do mesmo ano. Vinte e quatro anos depois, em 1961, o então Capitão Paiva seria o professor de Educação Física, até 1965, de Marcelo, filho de José Augusto, no mesmo Colégio.
      • A 11.4.1937, faz, na condição de Presidente da ASFS, a “Alocução de Abertura” da Segunda Tertúlia da Festa de Inauguração da Sede Social da Congregação Mariana de N. S. Auxiliadora e S. J. Bosco. Pela manhã, Missa e Comunhão Pascal dos Congregados. À noite, a Segunda Tertúlia, quando a “Sala Dom Bosco” é inaugurada e o Pe. Dr. Orlando Chaves é recepcionado como Membro Honorário da Academia, ocupando a Cadeira de Santo Tomás de Aquino. Seguem-se: canto, a fala do Comandante Eulino Cardoso, Presidente da Federação Mariana do Rio de Janeiro, outros discursos e encerramento com o Hino Nacional.
      • A 18.4.1937, faz pronunciamento "Aos jovens católicos do Brasil" pela Rádio Sociedade Fluminense - PRE6, de Niterói, RJ.
      • A 25.4.1937, faz pronunciamento à "Mocidade Marina do Brasil!, pela Rádio Sociedade Fluminense - PRE6, de Niterói, RJ.
      • A 1º.5.1937, José Augusto foi reeleito para mais um mandato como Presidente da ASFS.
      • A 16.5.1937, realiza-se, no Colégio Salesiano Santa Rosa, a Festa da Saudade, com comunhão pascal dos ex-alunos salesianos. E é criada a União de Ex-Alunos de Dom Bosco do Colégio Santa Rosa. José Augusto é um dos fundadores da entidade e Conselheiro a primeira Diretoria eleita para o biênio 1937-8. Dia Festivo. Após a missa, lembranças do evento, almoço, fotografia do grupo, posse da nova diretoria, jogo de futebol entre alunos e ex-alunos. Encerrando-se o encontro, a Benção do Santíssimo Sacramento. É criado, também, o Boletim Ex-Alunos de Dom Bosco, Suplemento ao Boletim Salesiano, cujo primeiro número sai com a periodicidade bimensal: maio de junho de 1938. Marcada a Festa dos Ex-Alunos: 3 de outubro.
      • A 5.6.1937, é nomeado, interinamente, Secretário Municipal de Imprensa, do Núcleo Municipal de Niterói, da Ação Integralista Brasileira – AIB e faz discurso ideológico-político no Núcleo Santa Rosa, da AIB. na presença do Secretário Nacional de Imprensa da agremiação. Na reunião José Augusto comunica a mudança de nome do jornal, que fundou e dirige, de Espumas para A Ordem.
      • A 3.7.1937, como Presidente da ASFS, em sessão solene da entidade, saúda o Professor Antônio Latgé, que pronuncia a conferência O Monogenismo e o Poligenismo.
      • A 4.7.1937, em Maricá, RJ, faz\ vibrante discurso ideológico e político aos filiados da AIB. 
      • Na noite de sábado, 10.7.1937, preside e abre a “Sessão Solene de ALTA CULTURA dedicada aos Universitários e Ginasianos” de Niterói, na sede da Congregação Mariana N. Sa. Auxiliadora, quando o Prof. Dr. Antonio E. Latgé, Membro da Academia Fluminense de Letras, profere a conferência Monogenismo e Poligenismo. Após a conferência, a Escola Cantorum Cristo Rei, da Congregação, apresenta Salve Mundi Domina, prosa rimada famosa na Idade Média, extraída do Vol. 322, da Edição de Mone, da Biblioteca de Paris, França.
      • A 13.7.1937, faz discurso doutrinário e político no Núcleo do Fonseca da AIB.
      • A 21.9.1937, pronuncia, no Núcelo do Fonseca da AIB, em Niterói, RJ,  a conferência-ensaio doutrinária O Integralismo em face da Democracia, O mesmo trabalho é apresentado, na mesma cidade, nos Núcleos do Saco de São Francisco (14.11.1937) e do Ingá ((16.11.1937).
      • A 23.10.1937 é nomeado para exercer, em caráter definitivo, o cargo de Secretário Municipal de Imprensa, do Núcleo Municipal de Niterói, da Ação Integralista Brasileira –AIB.
      • No dia 14.11.1937, “Dia da Festa do Papa”, convidado pelo Pe. Orlando Chaves, Diretor do Colégio Salesiano Santa Rosa, José Augusto participa do “almoço íntimo” com o Núncio Apostólico do Vaticano no Brasil, na sede do Colégio.
      • A 20.11.1937, em Niterói, é expedido o seu Certificado de Reservista de 2ª Categoria, pela 1ª Região Militar, do Ministério da Guerra.
      • Na tarde de um domingo, 21.11.1937, José Augusto está presente à “Festa da Collação de Grau dos Bacharelandos” daquele ano, entre eles, o seu amigo Lyad Sebastião Guimarães de Almeida, irmão de Dayl, no Salão de Atos do Colégio Salesiano Santa Rosa. José Augusto fala na Sessão Solene em nome dos Bacharelandos de 1936.
      • Em 1937, faz pronunciamento à "Mocidade Católica da Minha Terra", pela Rádio Sociedade Fluminense - PRE6, de Niterói, RJ.
      • Em 1937, representando o Chefe Municipal de Niterói da AIB, faz a oração, em nome do Integralismo, no sepultamento de Newton de Melo Carvalho. Niterói, RJ.
      • A 1º.1.1938, José Augusto é reeleito para um quinto mandato como Presidente da ASFS.
      • José Augusto revela em sua “Memória de 1938”, escrita em janeiro de 1939, em Niterói, que, em 1938, brinca Carnaval pela primeira vez na vida. Em Nova Friburgo, RJ. Integrou-se à legendária A Turma do Barulho, naquele ano, em dois eventos: das 13h às 18h  esteve na “grandiosa matinée dansante” (“as dansas impulsionadas por excelente conjunto”), no Bar Central, e a partir das 20h se esbaldou na “magnífica batalha de confeti na Praça 15 de novembro, em homenagem ao Sr. Prefeito”. A Turma do Barulho reunia todos os blocos carnavalescos de Nova Friburgo”. Mas ele estava na cidade não só para o Carnaval. De 6 de janeiro de 1938 a fins de fevereiro, ele fica em Nova Friburgo, RJ, lendo e refletindo muito sobre Brasil, ideologias, Política, Ciências Sociais e outros temas fundamentais que plasmaram o seu caráter intelectual adulto e os rumos a seguir. É o ano da maioridade civil. Desce a Serra. Em março e abril frequenta o Instituto de Educação de Niterói. E seguem dias de muitas “palestras amáveis e inesquecíveis”, reuniões com a sua turma, “que era ótima” – José Arthur Rios, Anselmo Macieira, Celso Peçanha, Dayl de Almeida, entre outros – na Leiteria Brasil e nos jardins da Praça da República, no Centro de Niterói. Era uma turma constante em palestras políticas, literárias, filosóficas,
      • A 30.1.1938, segundo documento do Ministério da Guerra, 7ª Região Militar 16ª Circunscrição de Recrutamento do Estado do Rio Grande do Norte, “José Torres” é alistado para o Serviço Militar do Exército ativo para o sorteio da classe de 1917 a realizar-se na sede do Serviço de Recrutamento em Natal.
      • A 5.2.1938, realiza-se Sessão Solene da ASFS no Salão de Atos do Colégio Salesiano Santa Rosa, quando José Augusto é reeleito Presidente e Artur Torres Cunha, Secretário Perpétuo da Academia e Presidente da Federação Mariana de Niterói, é recepcionado como Membro Fundador da entidade. Ele é saudado por Dayl de Almeida, também reeleito como Orador Oficial da Academia. A Escola Cantorum Cristo Rei, da Congregação, apresenta dois números: Rosa Vernnas e Salve Regina. O Hino Nacional fecha a Sessão.
      • Às 19h30m de 24.2.1938, a convite do Diretor do Colégio Salesiano Santa Rosa, Pe. Orlando Chaves, o estudante José Augusto da Câmara Torres, então com vinte anos, comparecia à Diretoria da Associação dos Ex-Alunos Salesianos.
      • Na noite de 31.3.1938, José Augusto assiste no Rival Theatro, no Rio de Janeiro, a peça Marqueza de Santos, de Viriato Corrêa, estrelada  por Dulcina de Moraes, no papel de Domitilia Marquesa de Santos, e o ator Odilon, como D. Pedro I, e grande elenco, destacando-se Zilka Sallaberry, Conchita de Moraes, Manoel Pera (irmão do ator Abel Pera, pai de Marília Pera) e Aurora Aboim. A Marqueza interpreta um lundu de Villa Lobos, aprendido e ensaiado pelo compositor Fructuoso Vianna.
      • Em março de 1938, José Augusto, aos vinte anos, compra o Méthodo para piano – theorico pratico e recreativo, de A. Schmoll, Primeira parte (1ª a 30ª lição). Uma arte para a qual não tinha vocação nem habilidades. Não se tem notícia se recebeu aulas ou tentou aprender piano sozinho, sem mestre.
      • Na noite de 6.4.1938, o aluno do Curso Pré-Jurídico do Liceu de Humanidades Nilo Peçanha, José Augusto Torres faz palestra no Instituto de Educação do Estado do Rio de Janeiro, antiga Escola Normal de Niterói, sobre a vida e a obra de José Bonifácio, no dia do Centenário do grande brasileiro. Representa o Grêmio Nilo Peçanha. Na mesma solenidade, falam o Prof. Paula Aquiles e o Sr. Danton Jobim.
      • A 12.4.1938, José Augusto viaja para Ouro Preto, MG, onde permanece até 17, em estada de estudo, pesquisa, reflexões. Era Semana Santa. O projeto: escrever um romance sobre o “Drama da Inconfidência”, que o fascinava. A Revolução de Minas, Thomás Antônio Gonzaga e a musa Marília de Dirceu sempre foram paixões intelectuais, temas de estudo. Essa viagem, escreveu, “trouxe marcante efeito na minha vida”.
      • A 21.4.1938, no Instituto de Educação do Estado do Rio de Janeiro, protesta “violentamente” contra um júri simulado de Joaquim Silvério dos Reis e Tiradentes.
      • Na noite de 28.4.1938, sob a Presidência de Honra do Bispo Diocesano Dom José Pereira Alves, a ASFS. se reúne em Sessão Solene, na Sala da Congregação Mariana, para Recepção e Posse do Acadêmico Dayl de Almeida na Cadeira nº 8, patronizada pelo “genial Rui Barbosa”. Após o Hino das Congregações MarianasDayl é saudado por José Augusto. A seguir, o “Discurso-elogio” A verdade sobre Rui, na voz de Dayl. A Schola Cantorum Cristo Rei apresenta O Esca Viatorum, com o acompanhamento de órgão de Artur Torres Cunha; e Lyad de Almeida declama a Cantata ao Descobrimento do Brasil, de Olavo Bilac. Palavras finais do Bispo Diocesano e o Hino Nacional
      • A 9.5.1938, José Augusto concebe e inicia, com Dayl de Almeida, Celso Peçanha, Vasconcelos Torres, Marshall Torres de Lacerda (futuro Prefeito nomeado de Paraty em 1942 e Procurador do Estado do RJ), uma Campanha. Criaram a Comissão Universitária Fluminense Pró-Monumento à Princesa Isabel em Petrópolis. Registrou: “Muito trabalho, muitos discursos e, também, muita desilusão depois de um mês.” Participam, lembra José Augusto nos seus “anuários” (Memórias), os leais amigos Marcos Almir Madeira, futuro ensaísta nas áreas do Direito e da Sociologia, professor da Faculdade de Direito (depois de Marcelo, seu filho na mesma Faculdade), Presidente do PEN Clube do Brasil e da Academia Brasileira de Letras; e João Augusto de Araújo Castro, futuro diplomata e Ministro das Relações Exteriores do Governo João Goulart (1963-4). E por que “desilusão”? A Campanha evaporou-se porque um dos seus ativistas, o qual José Augusto sempre se negou a declarar o nome no infausto contexto, ou a lhe apontar o dedo, desapareceu com os significativos fundos arrecadados para o empreendimento.
      • Na noite de 13.5.1938, José Augusto preside na sede da ASFS, a “Sessão Solene Comemorativa do Cincoentenário da Libertação dos Escravos”. No programa: Hino das Congregações Marianas; Saudação de Dayl de Almeida ao Prof. Dr. Miguel Alvim Filho, que pronuncia conferência sob o tema O significado histórico da Abolição. Na Hora de arte: música e canto de composições de Hekel Tavares e Vicente Celestino; poemas do Conde Afonso Celso e Castro Alves. Encerramento: palavras do Pe. Diretor Orlando Chaves e o Hino Nacional .
      • A 15.5.1938, José Augusto participa, em Niterói, da Páscoa dos Ex-Alunos de Dom Bosco, presente em todos os eventos da Programação que incluíram missa, café, almoço. À tarde Hora de Arte, com música, canto e poesia. Ao final do dia a Benção do Santíssimo Sacramento.
      • Dez dias após a tentativa de Golpe Liberal-integralista de 11.5.1938, ao ataque ao Palácio Guanabara, José Augusto é forçado a sair de Niterói, e refugiar-se em Nova Friburgo, para não ser preso.
      • Na noite de sábado, 28.5.1938, no Teatro Municipal João Caetano, de Niterói, a Comissão Universitária Fluminense Pró-Monumento à Princesa Isabel promoveu Sessão Solene e Artística, “dedicada aos estudantes niteroienses em propaganda do Monumento à Redentora a ser erigido em Petrópolis. A Sessão compreendeu uma parte literária, quando diversos oradores discorreram sobre a personalidade da Redentora, e uma parte artística, “a cargo de diversos artistas do nosso Boadcasting e elementos de valor nos nossos círculos culturais”. O Interventor Federal Amaral Peixoto se fez representar, bem como a Família Imperial Brasileira. A Comissão de Petrópolis veio a Niterói prestigiar a Sessão, que transmitida, ao vivo e na íntegra, pela Rádio Sociedade Fluminense PRE6, de Niterói. Formavam a Comissão, além de José Augusto Torres, os estudantes Vasconcelos Torres (depois Deputado Estadual e Federal, e Senador da República); Dayl de Almeida, Marshall Torres de Lacerda e Cezar Tinoco Filho, que convidou, através de convites e volantes, “o povo em geral para assistir a tão vibrante demonstração de civismo”. A entrada foi franqueada a todos.
      • De 2 a 5.6.1938, José Augusto preside, em Niterói, o Tríduo Solene Comemorativo do 4º Aniversário da Congregação Mariana de N. Sa. Auxiliadora e S. João Bosco. Na noite do primeiro dia, cerimônias religiosas, canto gregoriano e palestras no Santuário N. Sa. Auxiliadora; na segunda noite, pregação no Santuário; e na sede da Congregação: pregação, cantos gregoriano e religiosos e palestra do Presidente da ASFS, José Augusto da Câmara Torres sob o tema Obrigação de Participar da Ação Católica; na terceira noite, pregação no Santuário, e na sede da Congregação: última Sessão do Tríduo sob a presidência Pe. Dr. Orlando Chaves, Diretor da entidade, cantos religiosos, palestras e o Hino das Congregações Marianas. No dia 5, missa e comunhão, seguidas de Missa Solene.
      • A 3.6.1938, José Augusto está novamente em Niterói para pronunciar na ASFS, a conferência apologética Obrigação de Participar na Ação Católica.
      • Em julho de 1938, José Augusto está trabalhando no Rio, no Serviço de Recenseamento da Prefeitura do Distrito Federal, a fim de complementar a renda mensal do estudante que dá aulas e escreve em jornais.
      • Na noite de 25.8.1938, o Presidente da ASFS, José Augusto da Câmara Torres, preside, na Sede da Congregação Mariana, no Colégio Salesiano Santa Rosa, em Niterói, a Sessão Solene em Homenagem ao Duque de Caxias. No programa: Hino das Congregações Marianas; Abertura pelo Presidente; Saudação ao novo Acadêmico, o jovem universitário Renato Cruz de Carvalho, pelo Acadêmico Artur Torres Cunha, Presidente da Congregação; Elogio ao Duque de Caxias pelo empossado; canto coral; Soldado Brasileiro!, oração de Dayl de Almeida; récita de poemas sobre o Duque de Caxias e Hino Nacional.
      • A 2.10.1938, José Augusto participa da Festa dos Ex-Alunos, cumprindo todo o programa da data: missa, café, confraternização, almoço, fotografia do grupo, sessão de cinema, incluindo filmes gravados no Colégio, Bênção do Santíssimo Sacramento.
      • Na tarde de 15.10.1938, instala-se o Grêmio Lítero-Esportivo Olavo Bilac, do Instituto de Educação do Estado do Rio de Janeiro, em Niterói. A cerimônia realiza-se no Salão Nobre da instituição, promovida pelos Departamentos Literário e Artístico e Desportivo. Nesse dia, após jogos de voleibol e basquetebol no Campo de Esporte do Instituto de Educação, foi instalada a primeira Diretoria do Grêmio, sendo Presidente, Amauri Pereira Muniz, e José Augusto Torres é empossado como Diretor Literário e Artístico. Após a posse, uma variada Hora de Arte com Canto Orfeônico; palestra de José Augusto Torres sob o título Olavo Bilac: poeta da terra e do amor; declamações de poemas de Olegário Mariano, Henri Heine, Itamar Siqueira e Olavo Bilac; solo de gaita; e Massenet (Meditação de Taís, piano e violino). O Hino Nacional fechou a Sessão.
      • Em fins de outubro de 1938, novamente, “quase uma nova embaixada”, ele e companheiros vão a São Paulo. Viagem de lazer e cultura. Hospeda-se no Palace Hotel, à Rua Florêncio de Abreu, 96, nos dias 29, 30 e 31, pagando um total de R$ 153 mil e 500 réis, somando duas diárias e meia de R$ 25 mil cada, somadas: hospedagem, refeições, bebidas e comidas extras.
      • Na noite de 5.11.1938, no Salão Nobre do Instituto de Educação de Niterói, José Augusto participa do Programa de uma Sessão Solene Lítero-Cultural do Grêmio Olavo Bilac, do Instituto de Educação do Estado do Rio de Janeiro, em homenagem ao 89º aniversário do nascimento de Ruy Barbosa. No oitavo momento da Sessão, José Augusto faz Divagações literárias sobre os olhos verdes. O trabalho se transformaria, anos mais tarde, numa Conferência-Ensaio que ele pronunciará em Angra dos Reis, publicada pela Prefeitura daquele Município.
      • Na tarde de sábado, 19.11.1938, o Grêmio Olavo Bilac do Instituto de Educação do Estado do Rio de Janeiro realizou a sua 3ª Sessão Solene, no Salão Nobre da instituição, em comemoração às festas da República e da Bandeira. Presentes, alunos, professores e convidados. No Programa, muita música, poesia e oratória: violino, piano, declamação, cantos, solos de gaita, saudação a 15 de novembro e à Bandeira. José Augusto Torres declamou um poema. A Sessão foi encerrada com palavras do Presidente do Grêmio, Amaury Pereira Muniz e o Hino Nacional.
      • As aulas no Liceu em 1938 terminam a 15 de dezembro.
      • Em 1938, José Augusto confessa que dobrou a sua biblioteca: “Li muito, aumentei o meu cabedal. Discursos. Artigos. Muitos estudos: Caxias, Bilac, alguns filósofos e sociólogos, minha terra”.
      • Na noite de 31.12.1938, no Salão de Atos do Colégio Salesiano Santa Rosa, Sessão Solene da ASFS, para a posse de José Augusto na Cadeira de D. Antonio Felipe Camarão. Na Sessão, presente o Bispo Diocesano, comemorou-se o quarto aniversário da Academia e José Augusto fez o Elogio do seu Patrono com a oração D. Antonio Felipe Camarão: uma nobreza singular do Século XVII. À segunda parte da Sessão: declamação de poesia de Olavo Bilac; execução ao piano do Largo de Haendel e canto. Ao final da noite, no Santuário, Posse da nova Diretoria da Congregação e Hora Santa.
      • O Presidente da ASFS, José Augusto da Câmara Torres, considerou 1938 “o ano mais brilhante da vida social e cultural da entidade: oito Sessões Solenes foram organizadas com belíssimos programas artísticos. O nome da Academia difundiu-se extraordinariamente e ela se tornou um baluarte da inteligência católica fluminense” – escreveu ele no Relatório que apresentou à instituição.
      • A 1º.1.1939, eleito Dayl de Almeida para Presidência da ASFS, José Augusto lhe transmitiu o cargo. Nenhuma Sessão Solene ou Ordinária foi realizada em 1939.
      • Em janeiro de 1939, após prestar exames de Vestibular à Faculdade de Direito de Niterói, faz a segunda viagem ao Rio Grande do Norte, após ter deixado a sua terra em 1932.


      No navio Afonso Penna, o Acadêmico José Augusto embarca
      no Rio, em janeiro de 1939, com destino à sua terra.
      (Acervo Marcelo Câmara)

      • A edição de 31.1.1939 do jornal A República publica Edital do Juiz de Direito de Caicó, dando conta da alteração do nome de “José Augusto Torres” para “José Augusto da Câmara Torres” no Registro Civil do “acadêmico”, no primeiro ano de sua maioridade civil.
      • Jornal do Canto do Riotradicional clube social e esportivo de Niterói, na edição de janeiro/fevereiro de 1939, registra o seu ingresso no Quadro Social.
      • Em fevereiro de 1939, o Professor José Augusto da Câmara Torres, já matriculado no primeiro ano da Faculdade de Direito, estava aprovado em concurso público de provas e títulos promovido pelo DASP, da União, e prestes a ser nomeado, para o cargo e função de “Escriturário do Ministério da Educação e Saúde”, no Rio de Janeiro. A função era inadequada às suas aptidões, pois estava bem abaixo dos seus talentos e capacidades. Certamente, as dificuldades para se manter apenas dando aulas e publicando na Imprensa levaram-no a um certame que exigia apenas nível médio, e José Augusto, já aprovado no Vestibular, iria iniciar o Curso de Direito. Mas, desistiu de tomar posse, preferindo continuar lecionando em colégios de Niterói e escrevendo para jornais e revistas dessa cidade, do Rio e de Natal, RN.
      • A 19.3.1939, o acadêmico de Direito, José Augusto, na condição de ex-aluno, professor do educandário e congregado mariano, saúda o Padre Francisco Lanna na sua posse como novo Diretor do Colégio Salesiano Santa Rosa, em substituição aos Padres Emílio Miotti e Orlando Chaves.
      • A 6.5.1939, o Acadêmico José Augusto da Câmara Torres, após eleito, tomava posse, pela primeira vez, na Associação Potiguar, em Assembleia Geral, como 2º Secretário, entidade sociocultural que reunia, na Cidade do Rio de Janeiro, os rio-grandenses do norte. Sua sede era no Edifício Jornal do Commercio, à Av. Rio Branco, 117, sala 419, no Centro carioca. Foi eleito para mais dois mandatos, em 1940 e 1941, para o mesmo cargo. Sua passagem pela Associação Potiguar lhe proporcionou a convivência com notáveis intelectuais do Rio Grande do Norte e do País. Em 1939, o Presidente era Armando Peregrino Seabra Fagundes (médico e professor da Universidade do Brasil, irmão do famoso jurista Miguel Seabra Fagundes); o Orador, Adauto da Câmara (professor, jornalista, duas vezes deputado estadual no RN, historiador, genealogista, conferencista, ensaísta, parente de José Augusto); Membro do Conselho Deliberativo, Raimundo de Brito (médico, diretor do IPASE, do HSE do RJ, futuro deputado estadual pela Guanabara e Ministro de Estado da Saúde); Diretor do Departamento Social, Edilson Cid Varela (jornalista, dirigente dos Diários Associados, futuro diretor do Correio Braziliense, no DF, e editor de trabalhos do seu filho o jornalista Marcelo Câmara na década de 1980, na Capital); Em 1940, o Presidente era Hemetério Fernandes de Queiroz (magistrado). Alguns da gestão anterior permaneceram; seus novos colegas de Diretoria foram: Vice-Presidente, José Moreira Brandão Castelo Branco (magistrado e Interventor Federal no Acre); Bibliotecário, Veríssimo de Melo (advogado, magistrado, professor, etnógrafo, antropólogo, jornalista e escritor, que se tornou seu grande amigo até o final da vida, e confrade no Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte); Diretor do Departamento Esportivo, Celso Ferreira Ramos (almirante-médico e futuro Presidente da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro); Diretor do Departamento de Publicidade e Informações, João Cláudio de Vasconcelos Machado (dirigente desportivo, que dá nome ao atual Estádio de Natal, RN, o Machadão). Em 1941, estavam ao lado de José Augusto na Diretoria: Orador, Dioclécio Duarte (futuro Deputado Federal Constituinte pelo RN na Assembleia de 1946); Membro do Conselho Fiscal, José Augusto Bezerra de Medeiros (natural de Caicó, advogado, magistrado, professor, deputado estadual, sete vezes Deputado Federal, Senador pelo RN, Governador do Rio Grande do Norte; o nome de Câmara Torres foi escolhido por seus pais em homenagem ao político caicoense). Foi colaborador da Revista Potiguar até 1942, com a edição de vários trabalhos. Já em agosto de 1939, o número 19 da Revista trazia uma grande reportagem de sua autoria, junto a trabalhos de Peregrino Júnior, Palmyra Vanderley, Eloy de Souza, Josué Montello, Auta de Souza, Veríssimo de Mello, Tristão de Athayde, Umberto Peregrino, Henrique Castriciano e outros escritores consagrados.






      Em setembro de 1939, José Augusto, de Niterói, sete meses após voltar da sua terra,
      envia esta foto da Catedral de Caicó à namorada, escrevendo no verso:
      "Tudiinha,  Um templo que há de ser um pouco da nossa vida. Assistiu
      ao nosso ingresso na comunidade cristã e há de consagrar
      a eternidade do nosso amor, em um dia muito feliz."
      (Acervo Marcelo Câmara)

      • A 6.11.1939, José Augusto da Câmara Torres, Secretário da Associação dos ex-alunos de Dom. Bosco, convoca todos os membros da entidade para a cerimônia do cinquentenário da instituição da Bandeira Nacional, a 19 de novembro, na Praia do Russel, no bairro da Glória, no Rio de Janeiro. O Governo da República resolvera glorificar o ato heroico do guarda-bandeira do batalhão colegial, ex-aluno Antonio Carlos Chagas, que, 24 anos antes, em 1915, salvara o pavilhão nacional no trágico naufrágio da Barca Sétima, no qual perderam a vida 26 alunos e o Maestro da Banda, Prof. Octacílio, do Colégio Salesiano Santa Rosa. A Barca Sétima fazia o trajeto Niterói-Rio-Niterói, atravessando a Baía da Guanabara.
      • A 13.11.1939, faz vibrante pronunciamento de caráter histórico, cívico  e político sobre a República, em comemoração pelo Cinquentenário do regime, pelas ondas da Rádio Sociedade Fluminense - PRE6. Niterói, RJ.
      • Na noite de 19.11.1939, no último dia de comemorações oficiais do Centenário da República, o Acadêmico José Augusto da Câmara Torres, primeiranista da Faculdade de Direito de Niterói, faz oração sobre Benjamin Constant, na Sessão Solene da Efeméride, no Teatro João Caetano, de Niterói, organizada pelo Departamento de Propaganda e Turismo do Estado do Rio de Janeiro, na presença do Interventor Federal Amaral Peixoto e diversas autoridades estaduais e federais. Amaral Peixoto comunicou ao Presidente Getúlio Vargas as comemorações no Estado, inclusive a Sessão no Teatro João Caetano, citando a fala de José Augusto da Câmara Torres sobre Benjamin Constant, um dos protagonistas do Movimento que extinguiu a Monarquia.
      • A 13.12.1939, o Acadêmico José Augusto da Câmara Torres, visita a Redação do jornal A Ordem, de Natal, RN, onde é colaborador, de passagem em direção a Caicó, no mesmo Estado.


      A 28.12. 1939, José Augusto é fotografado pela namorada Tudinha,
      em Caicó, onde ficará noivo quinze dias depois.

      (Acervo Marcelo Câmara)

      • Em 1939 e 1940, José Augusto frequentou várias sessões de cinema do Metro, que ficava na Rua do Passeio, 62. A sala tinha "poltronas estofadas, apparelhamento de ar condicionado Carrier, projeção impecável, o melhor som pelo último tipo de apparelhamento Western Eletric Mirrophone". Neste cinema, José Augusto assistiu a clássicos como Com os braços abertos, com Spencer Tracy e Mickey Rooney; A Grande Valsa, de Julien Duvivier; A mulher proibida, com Joan Crawford; Canção de Amor, de W. S. Van Dyke; Adeus Mr. Chips, com Robert Donat; Este mundo louco, com Norma Shearer, entre outros sucessos. Em 1939, Câmara Torres publicou, como Correspondente no Rio, artigo crítico em A Ordem, de Natal, RN, sobre a arte cinematográfica  e um panorama da exibição no Rio. Até 1941, lê peças teatrais e muito sobre cinema e escreve sobre as duas artes em jornais de Niterói. 
      • No final da década de 1930 e início dos anos 1940, em Niterói, após se tornar amigo e admirador do acordeonista e compositor Antenógenes Silva (1906-2001), muito promoveu e divulgou sua obra pela Imprensa, incentivando e auxiliando o artista em sua carreira com apresentações no Estado do Rio de Janeiro.
      • A 12.1.1940, José Augusto e Tudinha ficam noivos em Caicó.
      • No ano de 1940, a ASFS recebe, do Estado, subvenções que patrocinavam as suas atividades. Foram previstas, além das atividades administrativo-financeiras, visando à sustentabilidade da Academia e o aumento do número de seus filiados – sessões ordinárias de estudos, diversas atividades culturais (artísticas, literárias, bibliográficas, palestras, debates em diversas áreas das ciências, artes e teologia, sessão de “alta cultura artística” no Teatro João Caetano); religiosas nas sedes da Academia e da Congregação, em Santa Rosa e em outros bairros da cidade (visitas a templos e conventos e pregações populares em Niterói, São Gonçalo e Rio de Janeiro, inclusive radiofônicas); realização de conferências de intelectuais renomados, como o pensador e Prof. Alceu de Amoroso Lima (Tristão de Athayde), do Prof. Dr. Stefane Vannier, do Jurista Geraldo Bezerra de Menezes e do filólogo Ismael Coutinho; sociais (recepções a pensadores e escritores, programa de rádio comemorativo do sétimo aniversário da Academia, visitas às cidades de Vassouras, Valença e Teresópolis, etc.) 
      • A 5 de outubro de 1941, o Presidente José Augusto foi o orador na Reunião Dominical da Congregação Mariana.
      • Às nove horas da manhã de 6.7.1941, na condição de Presidente da ASFS, dirige os trabalhos na sede da Congregação Mariana N. Sa. Auxiliadora, em Santa Rosa, Niterói, e faz a apresentação aos estudantes de escolas superiores e secundárias da cidade e convidados, do Prof. Dr. Romeu Rodrigues Silva, da Faculdade Nacional de Filosofia e da Universidade Católica.
      • Na noite de 23.6.1940, o jornalista Câmara Torres assistia, no Teatro Municipal de Niterói - com a Companhia Lírica Metropolitana, sob a direção de Reis e Silva, a Orquestra, Coro e Corpo de Baile do Teatro Municipal de Rio de Janeiro - a ópera O Guarany, de Carlos Gomes, "cantado em português na versão de C. Paula Barros, em homenagem ao Exmo Sr. Prefeito de Niterói, Dr. Brandão Júnior". Era a Temporada Lírica Oficial, sob os auspícios da Prefeitura. O Regente da Orquestra foi Santiago Guerra; Os personagens Cecy e Pery foram interpretados, respectivamente, por Carmen Gomes e Reis e Silva. A 1ª Bailarina era Italia Azevedo e o 1º Bailarino e Coreógrafo , Yucko Lindberg. Câmara Torres assistiu, ainda, na referida Temporada, as óperas Tosca e La Boheme, ambas de Puccini, com  a mesma Companhia e a maioria dos artistas que atuaram em O Guarany.
      • A 4.8.1940, o Presidente da ASFS, em concorrida sessão de entidade, realizada no Teatro Municipal João Caetano, na presença do Bispo de Niterói, Dom José Pereira Alves, confirma, festivamente, os eventos culturais programados para aquele ano. Ao abrir os trabalhos, lembrou o sucesso da conferência do Professor Tristão de Athayde, em maio, para anunciar para aquela noite, a conferência do advogado e ensaísta, Professor Alcebíades Delamare. Após informar sobre uma sessão próxima em homenagem à memória do Professor Antônio Latgé, falecido recentemente, comunicou, para fins de setembro, as seguintes comemorações pela Associação: o quarto centenário da Companhia de Jesus; o oitavo da Fundação  e o terceiro da Restauração de Portugal, temas que serão desenvolvidos pelos Professores Pe. Arlindo Vieira e Pedro Calmon, respectivamente. Destacou, ainda, a realização dos tradicionais Círculos de Estudos, na sede da ASFS, onde se discutem questões de ordem científica, social, religiosa e artística. O acadêmico Lyad de Almeida saudou Alcebíades Delamare.
      • A 3.11.1940, na sede da ASFS, o seu Presidente, José Augusto da Câmara Torres, atendendo à solicitação da Federação da Congregações Marianas da Diocese de Niterói, pronuncia oração que celebra os 400 Anos da Companhia de Jesus. Presente na Sessão o Historiador Pedro Calmon. Niterói, RJ.
      • Em meados de 1941, faz vibrante elogio ao trabalho do Abrigo Cristo Redentor de Niteróiexortando os Salesianos – sacerdotes, alunos e cooperadores – a prestigiarem e auxiliarem a instituição.
      • Às nove horas da manhã de um domingo, 13.7.1941, na mesma condição e para auditório semelhante, no mesmo local, José Augusto apresenta o laureado Professor Dr. Stephane Vannier profere concorrida palestra.
      • A 5.8.1941, terça-feira, na Sala Clóvis Beviláqua, da Faculdade de Direito de Niterói, o acadêmico José Augusto da Câmara Torres, membro da Diretoria do CAEV, “em Solenidade que reúne o mundo cultural fluminense”, sob a presidência do Diretor da Escola, Des. Abel Magalhães, saúda o grande etnógrafo e historiador Luís da Câmara Cascudo, que profere a conferência As lendas e a formação social do Brasil. Abre a sessão o Presidente do CAEV, o companheiro Badger da Silveira.
      • Na noite de 13.8.1941, dentro das comemorações oficiais de Niterói do Centenário de Fagundes Varela, Câmara Torres, Presidente da ASFS, fez uma palestra sobre o grande poeta, fluminense de Rio Claro, transmitida pela Rádio Sociedade Fluminense – PRD-8, de Niterói. A fala foi ao ar às 21h30m.
      • A 13 .9.1941, o Acadêmico José Augusto da Câmara Torres participou do banquete, no Automóvel Clube do Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, que amigos e admiradores do General Antônio Fernandes Dantas oferecem ao militar pela sua nomeação para o cargo de Interventor no Rio Grande do Norte.
      • Na manhã de domingo, 14 de setembro de 1941, o Presidente da ASFS, José Augusto da Câmara Torres, fez uma “pregação pública”, católica, ao ar livre, na área da histórica Igreja de N. Sa. de Lourdes, no Saco de São Francisco, em Niterói, na visita da Congregação Mariana de N. Sa. Auxiliadora, a convite do Vigário daquela Paróquia praiana.
      • A 30.9.41 o jornal O Globo noticia que José Augusto da Câmara Torres e um grupo de acadêmicos da Faculdade de Niterói iniciam uma campanha de arrecadação de fundos, tendente a se estender pelas outras escolas superiores, secundárias e primárias fluminenses, a fim de adquirir um avião a ser oferecido para serviço oficial do Interventor Amaral Peixoto.
      • A 15.10.1941, Câmara Torres ocupa os microfones da Rádio Sociedade Fluminense, de Niterói, para fazer um discurso cívico-político, engajado na Campanha de Coleta dos Metais em Defesa do Solo Pátrio.
      • Na manhã de 19.11.1941, na Escola Profissional Aurelino Leal, no Ingá, em Niterói, houve grande comemoração alusiva ao Dia da Bandeira. Após o canto do Hino da Bandeira pelos professores, centenas de alunas da instituição, autoridades e convidados, o Acadêmico de Direito, José Augusto da Câmara Torres, a convite da direção da escola, pronunciou “vibrante e emocionada oração patriótica ao símbolo da Pátria.
      • Nesse mesmo dia, 19.11.1941, à tarde, em Bom Jardim, RJ, o jornalista, professor e acadêmico José Augusto da Câmara Torres, redator do Serviço de Propaganda e Turismo do Estado do Rio de Janeiro, a convite do Prefeito Celso Peçanha, dentro da programação das “Comemorações do Quarto Aniversário do Estado Nacional” naquela cidade, discursa na inauguração da Biblioteca Municipal.
      • De 1938 a 1941, Câmara Torres frequentou muitos cinemas e teatros em Niterói e no Rio. 


      José Augusto, na véspera do Natal de 1941,
      a bordo do Comandante Riper, chegando a Natal. De lá seguiu para o Caicó,
      onde iria se casar com Tudinha a 26.de dezembro.
      (Acervo Marcelo Câmara)

      • Às 6 horas da manhã de 26.12.1941, dia consagrado ao monge eremita Libanês São Charbel Makhlouf, na Catedral de Sant’Ana, em Caicó, RN, casa-se com Gertrudes de Araújo Nóbrega, cerimônia presidida por Monsenhor Walfredo Gurgel, futuro Senador e Governador do Estado. José Augusto e Tudinha tiveram oito filhos: dois homens e seis mulheres. O jornal Diário de Notícias, “O matutino de maior tiragem do Distrito Federal”, em sua edição de 21.12.1941, publicou, no espaço da coluna No Lar e na Sociedade, a seguinte nota:
      _______________________________________________________________

      SRTA. GERTRUDES NÓBREGA – SR. JOSÉ AUGUSTO DA CÂMARA TORRES

      No dia 26 do corrente, realizar-se-á, na cidade de Caicó, Rio Grande do Norte,
      o enlace matrimonial do jornalista e acadêmico
      sr. José Augusto da Câmara Torres
      com a srta. Gertrudes Nóbrega. Após a cerimônia,
      os nubentes embarcarão para esta cidade,
      fixando residência em Niterói.
      _______________________________________________________________

      • A 10.1.1942, voltando do casamento com Tudinha no Caicó, RN, José Augusto vai à famosa e pioneira Casa Edison – Fred. Figner & Cia., Ltda., localizada na Rua do Ouvidor, 107, no Centro da Cidade do Rio de Janeiro, e adquire, sob o contrato nº 2026, por 1 conto e 500 mil reis, uma máquina de escrever da marca Royal, portátil, modelo CD, de cor preta, tipo Pica, nº 216.606 completa. O pagamento foi feito “em 21 (vinte e uma) duplicatas de 50 mil reis, sendo uma à vista de 50 mil reis e as restantes de 72 mil e quinhentos reis, vencíveis mensalmente”.


      Contrato de José Augusto com a Casa Edison, onde comprou, no início de 1942,
      uma máquina de escrever portátil Royal, alemã, que pagou em prestações,
      em um ano e dez meses. Nela, Tudinha trabalhou por mais de vinte anos,
      datilografando os trabalhos do marido como Educador, Advogado, Parlamentar,
      Jornalista, Escritor. Uma máquina Remington, também portátil,
      substitui-a na década de 1960. Tudinha foi a secretária, a revisora,
      a assessora, a companheira de José Augusto, por toda a vida.
      (Acervo Marcelo Câmara)





      José Augusto e Tudinha em lua de mel, no Soberbo, em Teresópolis,
      Região Serrana do Rio, a 25 de janeiro de 1942.
      (Acervo Marcelo Câmara)


      • A 31.1.1942, a ASFS, em Sessão Extraordinária, realizou eleições para a sua Diretoria que atuará durante o ano que se iniciava, quando o Presidente José Augusto da Câmara Torres conduziu os trabalhos e apresentou Relatório das Atividades do ano anterior.
      • A 28.2.1942, em Campos, RJ, o casal José Augusto da Câmara Torres e Gertrudes Nóbrega da Câmara Torres foram os padrinhos do casamento religioso do jornalista e Prefeito de Bom Jardim, Celso Peçanha, com a professora Hilka de Oliveira Araújo


      Celso Peçanha: colega de Liceu e de Faculdade, correligionário na Política,
      afilhado de casamento, amigo da vida inteira de Câmara Torres.
      (Acervo Marcelo Câmara)

      • Nesse tempo Celso era colega de turma de José Augusto na Faculdade de Direito de Niterói, mas a amizade nascera no Curso Pré-Jurídico do Liceu de Humanidades Nilo Peçanha cinco anos antes e durou por toda a vida. Câmara Torres faleceu em 1998, aos 81 anos, e Celso Peçanha, em 2016, aos 99 anos. Mais tarde, Celso foi, por três vezes, Prefeito de Rio Bonito e Deputado Federal, Vice-Governador e Governador do Estado do Rio de Janeiro. Nas carreiras políticas dos dois, ora foram correligionários, até do mesmo Partido, o PSP, e adversários, quando Celso foi para o Partido Social Democrata – PSD, e Câmara Torres, continuando no PSP, apoiou a candidatura vitoriosa de Roberto Silveira, do PTB.
      • Na noite de 10.3.1942, houve Sessão para eleições na ASFS, quando o Presidente da entidade, José Augusto da Câmara Torres, apresentou minucioso Relatório de Atividades do ano anterior.


      O Professor, Jornalista e Acadêmico de Direito, Câmara Torres em março de 1942,
      quando é nomeado pelo Interventor Amaral Peixoto para exercer,
      interinamente, o cargo de Técnico de Educação, (...) devendo ter exercício
      no Departamento de Educação  – Secretaria de Educação e Saúde”.
      (Foto Marcelo Câmara)

      • Às 8 horas de 7.6.1942, José Augusto participa, em Niterói, da Missa e Comunhão Pascal promovida pela Associação dos Antigos Alunos Salesianos, da qual é Secretário, e é presidida pelo Prof. Portugal Neves. Em seguida o Pe. Diretor do Colégio Salesiano Santa Rosa oferece um café aos presentes e se realiza uma grande Assembleia Geral, franqueada a palavra a todos.
      • A 9.6.1942, o Técnico de Educação, Prof. Câmara Torres, proferiu aula na Escola Profissional Aurelino Leal, em Niterói, sob o tema A Biblioteca, dentro da série de Lições-Palestras do Programa O Livro, do Serviço de Difusão Cultural, do Governo do Estado do Rio de Janeiro.
      • A edição de 12.7.1942 do jornal A Cruz, do Rio de Janeiro, noticia que o Jornalista José Augusto Torres fora designado como Membro da Comissão de Propaganda do Primeiro Congresso Eucarístico Diocesano de Niterói, que se realizou em agosto daquele ano. O objetivo do encontro: comemorar o Jubileu de Ouro da criação do Bispado, o Centenário da Catedral São João Batista e o Bicentenário da Irmandade do Santíssimo Sacramento. O evento serviu como preparatório do IV Congresso Eucarístico Nacional, realizado em São Paulo, SP, no mês seguinte, e contou com os auspícios do Cardeal D. Sebastião Leme, a presença do Núncio Apostólico, e, como Presidentes de Honra, o Interventor Amaral Peixoto e o Bispo de Diocese de Niterói, D. José Pereira Alves.
      • A 26.7.1942, a Associação dos Ex-Alunos Salesianos, do Colégio Santa Rosa, em Niterói, realizou a Festa do Pe. Inspetor, Orlando Chaves, ex-aluno do estabelecimento. Às 10h, Missa, seguida de Assembleia Geral. Às 12h30m, o Padre Diretor, Francisco X. Lanna ofereceu um almoço festivo aos ex-alunos convidados. O Prof. Francisco Portugal Neves era o Presidente da Associação e José Augusto da Câmara Torres, o Secretário.
      • Em algum dia de 1942, o Técnico de Educação José Augusto da Câmara Torres está presente no Salão Nobre da Câmara Municipal de Paraty, na cerimônia em que o seu colega de Faculdade, Marshall Torres de Lacerda, então Prefeito do Município, nomeado pelo Interventor Amaral Peixoto, deu posse ao Dr. Alfredo Lima de Morais Coutinho no cargo de Delegado de Polícia do Município, na presença do Exmo. Sr. Juiz Pretor, Armando de Queirós Fortuna.
      • Durante cinco anos, de 1939 a 1943, cursa a Faculdade de Direito de Niterói (unidade da atual Universidade Federal Fluminense – UFF), recebendo, em dezembro deste último ano, o Título de Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais. A Formatura realizou-se no Teatro Municipal de Niterói, sendo o orador, Dayl de Almeida, o maior amigo de José Augusto. O Baile de Formatura realizou-se no dia 22 de dezembro no Rio Cricket Club. Do convite constava: “Traje: Casaca, Smoking ou Summer – Convite p/ um cavalheiro de duas damas.
      • Jornal do Canto do Rio, tradicional clube social e esportivo de Niterói, na edição de janeiro/fevereiro de 1939, registra o seu ingresso no Quadro Social.
      • A 15.1.1943, Gertrudes Nóbrega da Câmara Torres se inscreve, em Niterói, no Concurso de Ingresso ao Magistério Público, sob o nº 84, visando o “Provimento Inicial”. Em março de 1943, mesmo prestando provas em disciplinas inéditas para ela, ou seja, que não eram dadas em Natal, RN (como Estatística, por ex.), Tudinha é uma das primeiras aprovadas, colocando-se em nono lugar em todo o Estado.


      Aos vinte e três anos, grávida da primeira filha, Tudinha presta exames
      no Concurso de Ingresso ao Magistério Público fluminense
      e é uma das primeiras classificadas. Em Caicó, no Grupo Escolar
      em Natal, no Ginásio e na Escola Normal, sempre foi “primeira aluna”.
      Em Niterói, mesmo enfrentando provas de disciplinas que não constavam
      na grade curricular da Escola na qual se formou em outro Estado,
      superou obstáculos e desafios e foi brilhantemente aprovada.
      (Arquivo Marcelo Câmara)


      • A 4.7.1943, o Professor Câmara Torres participa das Santas Missões, em Angra dos Reis, comparecendo, pela manhã, no Convento do Carmo, à Recepção aos Missionários e à Santa Missa cantada, com sermão. O Programa foi percorrido de 4 de julho a 16 de agosto, em períodos de alguns dias em cada uma das dez seguintes localidades: Monsuaba, Jacareí, Ribeira, Frade, Mambucaba, Freguesia de Santana, Abraão, Colônia Penal, Parnaioca e Praia Grande. De manhã, Santa Missa com pregação; à tarde, Catecismo; e à noite, reza, sermão e Benção com o Santíssimo Sacramento. O Vigário do Município era Frei Benigno.
      • A 15.7.1943, na última Sessão Plenária e de Estudos da Federação das Congregações Marianas do Estado do Rio de Janeiro, o jovem Câmara Torres, da Congregação Mariana Nossa Sra. Auxiliadora e S. João Bosco, fez “um belíssimo e impressionante improviso” sobre as bodas de prata da Congregação Mariana de Natal, RN, seu Estado de nascimento. Também falou sobre “as últimas solenidades religiosas de Angra dos Reis e da expressiva data da chegada dos bravos evangelizadores salesianos às terras de Araribóia”. Fez, ainda, em nome dos Congregados, uma “brilhante homenagem” ao Monsenhor Barros Uchoa, Vigário da Diocese, cuja ordenação sacerdotal fazia aniversário, exaltando as suas “virtudes e extraordinária capacidade de trabalho”.
      • Às 5 horas da madrugada de um domingo, 18.6.1943, Dia de São Francisco Solano, na casa nº 115, da Rua C, da Rua Paulo César, 211, no Bairro de Santa Rosa, Niterói, nasce Marta, a primeira filha de José Augusto e Tudinha. Numa edição do início de agosto, o jornal A Ordem, de Natal, RN, registrou o nascimento de Marta.
      • A 26.11.1943, o Dr. Moacyr de Paula Lobo, Presidente do Clube Comercial de Angra dos Reis, então completando onze anos de fundação, escrevia ao sócio José Augusto da Câmara Torres, Técnico de Educação e Chefe da 1ª Inspetoria de Ensino, comunicando que a entidade iniciará “a nossa série de bailes a rigor a 31 de dezembro do corrente ano, com prêmios e surpresas encantadoras às nossas famílias. O Dr. Moacyr explicava: “As nossas festas sociais terão caráter íntimo, uma em cada mês, mas faremos realizar vários bailes a rigor no decorrer do ano, pondo, desde modo, Angra dos Reis em situação de igualdade com outras cidades da Terra Fluminense. Há uma razão de ser para que assim procedamos. Precisamos vencer a rotina e o pessimismo doentio e pernicioso dos que desejam que Angra dos Reis não saia do marasmo social em que jazeu por longos anos. É preciso que se saiba que Angra dos Reis é uma cidade de tradição social e que demos afastar de nós esse complexo de inferioridade que atormenta os vencidos. Urge que voltemos as vistas ao passado e, se recorrermos às crônicas sociais dos jornais da época, depararemos com a notícia de que em 1890 houve um baile no Paço Municipal, oferecido ao Almirante Wandenkolck, onde as damas exibiram “toiletes” de luxo e somente imperou o traje de casaca para os cavalheiros. Era essa a sociedade angrense ao alvorecer da República e sendo esse o nosso lugar, não nos podemos deixar vencer pelo derrotismo, inimigo do progresso e da civilização, próprias dos que se julgam incapazes de frequentar os salões com indumentária compatível com as festas de gala da sociedade a que pertencemos com ufania. 
      • Em dezembro de 1943, José Augusto da Câmara Torres, no mês da sua colação de grau de Bacharel em Direito e Ciências Sociais pela Faculdade de Direito de Niterói, é o Presidente da Junta Paroquial de Ação Católica em Angra dos Reis.
      • Em maio de 1944, a Família – José Augusto, Tudinha e Marta, a primeira filha de onze meses,  –  chega a Angra dos Reis e vai morar no Palace Hotel, do casal alemão José e Helena Riegert.
      • A 7.10.1943, o médico, Doutor Walter Madeira, Presidente da Liga Angrense de Futebol – LAF, envia Ofício ao Professor José Augusto da Câmara Torres, Chefe da Inspetoria Escolar, do Extremo Sul Fluminense, registrando que a LAF congratulava-se com o Técnico de Educação pela valiosa interferência” junto ao Senhor Amaral Peixoto, a fim de que a entidade recebesse subvenção destinada à construção do campo de esportes na cidade. Destaca o Presidente que a ação de Câmara Torres “em prol do empreendimento veio tornar realidade os anseios dos desportistas da terra de Lopes Trovão”.
      • A 15.11.1944, Câmara Torres participava da 25ª Reunião do Clube dos Vinte, no Palace Hotel, em Angra dos Reis. O Clube dos Vinte era um grupo social, que reunia figuras da elite da cidade, com o objetivo de promover o diálogo e o congraçamento entre as personalidades e famílias do Município. O “Diretor do Mês” foi Francisco Pereira Rocha, o Seu Chiquito, líder ruralista e político, à época Prefeito do Município. Trinta e duas pessoas estiveram no encontro e assinaram o “Cardapio
      .

      (Frente)

      (Verso)
      A assinatura do Prof. Câmara Torres
      é a primeira no verso do "Cardápi
      o".
      (Acervo Marcelo Câmara)



      • A 16.11.1944, realizou-se na Catedral de Niterói, a última Sessão Plenária da Federação das Congregações Marianas do Estado do Rio de Janeiro, sob a direção do Monsenhor Barros Uchoa, Vigário Geral da Diocese, que completava aniversário de ordenação sacerdotal. Após as falas do Ministro Geraldo Bezerra de Menezes, Presidente da Federação, e do Prof. Dayl de Almeida, o Advogado e Técnico de Educação, Prof. José Augusto da Câmara Torres, em nome dos congregados e dos católicos fluminenses, fez emocionante oração de fé e de exaltação ao apostolado mariano, quando destacou as grandes virtudes do Monsenhor Uchoa e a sua extraordinária capacidade de trabalho, sendo muito aplaudido pelos presentes.
      • Às 20h de 25.1.1945, o Técnico de Educação, Prof. Câmara Torres, se encontrava em frente ao Convento do Carmo, em Angra dos Reis, para recepcionar Frei Antonino Galvão Coimbra, novo Vigário que assumia a Paróquia da cidade.
      • A 3.6.1945, o advogado e amigo do colega recém-formado Doutor José Augusto da Câmara Torres, o já famoso causídico Braz Felício Panza (mais tarde, o ilustre Desembargador Braz Felício Panza, Presidente do Tribunal de Justiça), em afetuosa carta, pede para o primeiro assumir a defesa de um réu, acusado de homicídio, cuja absolvição por legítima defesa foi anulada pelo Tribunal de Justiça. (Felício Panza foi o paraninfo da formatura do Curso Ginasial de Marcelo, filho de Câmara Torres, no Colégio Salesiano Santa Rosa, em 1964.)
      • Na noite de 23.6.1944, a convite do Sr. J. B. Oliveira, Gerente da Fazenda Pontal, em Angra dos Reis, o Técnico de Educação, Professor José Augusto da Câmara Torres participa dos festejos de São João e pelo início da safra.
      • A 28.6.1944, o jornalista Maurício Caminha de Lacerda (irmão de Carlos Lacerda), escreve a Câmara Torres, seu fiel amigo e colega de redação, agradecendo-lhe o telegrama de felicitações por ter assumida o Departamento de Imprensa e Propaganda – DEIP, do Estado do Rio de Janeiro, na Interventoria de Amaral Peixoto, durante o Estado Novo de Vargas. Maurício fora socialista, comunista militante e, por fim, um prócer da União Democrática Nacional – UDN. Porém suas ideias políticas, as diferenças ideológicas entre os dois nunca abalaram a amizade fraterna que nutriam mutuamente.
      • A 20.8.1944, domingo, pela manhã, o Técnico de Educação e Chefe da 1ª Região Escolar, José Augusto da Câmara Torres, na qualidade de Presidente da Ação Católica de Angra dos Reis, ao lado do Prefeito Moacyr de Paula Lobo, recebe uma comitiva de jornalistas e intelectuais católicos, vindos do Rio de Janeiro, tendo à frente o Professor do Colégio Pedro II, Jonatas Serrano, para inaugurar a Herma do Padre Júlio Maria, o maior orador sacro brasileiro, natural daquela cidade. Após a Missa na Matriz, celebrado por um sacerdote redentorista (mesma Ordem do Pe. Júlio Maria), deu-se a inauguração, falando as seguintes personalidades: em nome da Associação dos Jornalistas Católicos, Osorio Lopes: pelo Município, o Prefeito Paula Lobo; e, ainda, o Prof. Zair Rocha. O Orfeão Pe. Júlio Maria, do Grupo Escolar Lopes Trovão, coral criado por Câmara Torres e sua esposa, a Profa. Gertrudes, que participou da cerimônia, entoou hinos, sob a regência da Profa. Godivia Freire. À noite, no Palace Hotel, o Prefeito ofereceu um banquete à comitiva e a “uma embaixada cultural a serviço do Estado”, que percorria o Município, idealizada por Câmara Torres, observando a vida comunitária e educacional, que, então, era modificada pela ação do Técnico de Educação. No banquete, discursaram, “com eloquência” o Prefeito, o Juiz de Direito Danilo Brígido e, “aclamadíssimo”, o Prof. Jonatas Serrano. Os visitantes receberam muitas deferências do Vigário, Frei Antonio Galvão Coimbra, e do Capitão dos Portos em Angra, Comandante Joaquim José de Araújo.
      • A 21.8.1944, em Angra dos Reis, RJ, nasce Maria Tereza, a segunda filha de José Augusto e Tudinha.
      • A 7.11.1944, falece, em Caicó, o sogro de Câmara Torres, Joaquim Gorgônio da Nóbrega, comerciante e fazendeiro. (Em 1921, havia falecido a mãe de Tudinha, Senhorinha de Araújo Nóbrega.)
      • A 20.12.1944, Câmara Torres recebe carta do Secretário de Governo, transmitindo os elogios do Senhor Interventor Federal, Amaral Peixoto, pela sua participação nas exitosas Missões Culturais, organizadas pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro “em face do entusiasmo, dedicação e eficiência demonstrados no desempenho das funções que couberam ao Técnico de Educação”.
      • A 27.6.1945, o Doutor Câmara Torres foi o orador oficial nas homenagens prestadas no aniversário natalício do Doutor Moacyr de Paula Lobo, médico e ex-prefeito de Angra dos Reis, depois Deputado Estadual Constituinte e Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro.
      • A 30 de junho de 1945, José Augusto da Câmara Torres participa, pela primeira vez, da reunião semanal da Conferência Vicentina Nossa Senhora do Carmo, de Angra dos Reis, nascida em março do ano anterior, desmembrada que foi da Conferência Vicentina Imaculada Conceição, da mesma cidade. Instituição católica que tinha como objetivo, além do estudo bíblico e a oração espiritual coletiva, a prática da caridade cristã, de socorro, acolhimento e proteção ao próximo, através da doação de valores em dinheiro dos confrades, arrecadados a cada encontro. A Conferência foi fundada por: Zair de Carvalho Rocha, Miguel Gabriel (designados Presidente e Vice-Presidente respectivamente), Irineu Vieira de Souza, Paulo Pimentel de Oliveira Lima, Antonio Nogueira Braz, Abdo Antonio, Osvaldo Paixão e Manoel Sales de Souza e Jorge Daher e Zephret Caram, os dois últimos, designados Secretário e Tesoureiro, segundo o Histórico da Conferência. A Conferência se reunia todos os domingos na Igreja do Convento do Carmo, após a missa das 7 horas. Naquela data, José Augusto presidiu a 13ª reunião da Conferência como Presidente do Conselho. Neste cargo permaneceu até a 92ª reunião da Conferência, que se tem notícia, realizada a 20 de maio de 1947, cuja Ata é assinada pelo confrade Assistente do encontro, José Magalhães de Castro. A Ata dessa reunião, bem como as anteriores, e o Histórico da Conferência estão lavradas num livro sem capa, encontrado por seu filho, Marcelo, nos arquivos de Câmara Torres. Marcelo Câmara recorda-se que seu pai se identificou como “vicentino” durante toda a vida, tanto em Angra como em Niterói, onde também pertenceu à entidade dessa natureza, desde a juventude. A Conferência parece ter sido a semente da Associação de Caridade São Vicente de Paula, de Angra dos Reis, que Câmara Torres fundou e presidiu por muitos anos, responsável pela criação e construção do Asilo São Vicente de Paula, de assistência à velhice desamparada, inaugurada por ele em 1957. Na realidade, em dezembro de 1946, o Prefeito Municipal de Angra dos Reis, Francisco Pereira Rocha, oficia ao Doutor José Augusto da Câmara Torres, na condição de Presidente do Conselho dos Vicentinos de Angra dos Reis, escrevendo: “A fim de que seja preenchidos os verdadeiros fins de caridade, faço entrega a Vossa Excelência do prédio e instalações do recolhimento de mendigos existentes à Rua São Bento.
      • A 31.5.1946, nasce Maria Beatriz, a terceira filha, em Angra dos Reis.
      • Em carta de 8 de agosto de 1946, Câmara Torres recebe da Associação Potiguar, com sede no Rio de Janeiro, assinada pelo seu 1º Secretário Petrarca Maranhão, informando que aquela entidade aprovou, em sessão de 27 de julho daquele ano, “Voto de Congratulações pelo modo brilhante como vem conduzindo suas atividades profissionais e extra-funcionais em Angra dos Reis e Região”.
      • A 20.6.1947 – ao lado do Deputado Constituinte, Moacyr de Paula Lobo, e do Prefeito nomeado de Angra dos Reis, Jonas Bahiense de Lyra –  Câmara Torres, como Técnico de Educação, Chefe da 1ª Inspetoria de Ensino e, principalmente, na condição de membro do Diretório Municipal do PSD, comparece à solenidade de Promulgação da Constituição na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.
      • A 23.7.1947, Câmara Torres recebe carta do Prefeito Municipal de Angra dos Reis, Jonas Bahiense Lyra, comunicando que o Técnico de Educação fora escolhido para integrar a Comissão Municipal de Preços e Abastecimento.
      • Na noite de 1º.8.1947, no Salão Nobre da Prefeitura Municipal de Angra dos Reis, Câmara Torres, como membro da Comissão Municipal de Preços e Abastecimentos, participa da reunião da entidade que deu posse a novos membros do colegiado e discutiu “o problema do pão”.
      • A 11.3.1948, Câmara Torres recebe carta do então Comandante da Escola Almirante Batista das Neves (Escola de Grumetes), Capitão de Fragata, Oswaldo de Alvarenga Gáudio, agradecendo as “inúmeras gentilezas e atenções” de que foi alvo, durante a sua gestão, por parte do Técnico de Educação.
      • A 30.3.1948, o Governador do Estado do Rio de Janeiro, Edmundo de Macedo Soares e Silva, recebeu no Palácio do Ingá, uma comitiva de líderes do PSD de Angra dos Reis, que foi prestar apoio e solidariedade ao Chefe do Executivo estadual. O Professor José Augusto da Câmara Torres, Técnico de Educação e Chefe da 1ª Região Escolar, entregou ao Governador uma “expressiva Moção de Solidariedade, renovando-lhe o apoio daquele partido, exprimindo a confiança da população do Município na obra administrativa do governo do Estado” e discursou em nome do grupo. Câmara Torres e os demais pessedistas mantiveram produtiva palestra com o Governador sobre os problemas e necessidades da comunidade angrense.
      • A 25.9.1948, Chefe da 1ª Região Escolar, Doutor Câmara Torres, é o orador oficial da cerimônia de recepção em Angra dos Reis, do Secretário de Segurança Pública, do Estado do Rio de Janeiro, Luiz de Almeida Pinto, que representando o Governador Macedo Soares, entrega melhorias da iluminação pública à cidade. Câmara Torres atende à solicitação do Prefeito Municipal, Antônio José da Silva Jordão. O Secretário estava acompanhado do "Grupo de Valença", do qual era um dos integrantes, ao lado do Prefeito do Município serrano. O Grupo integrado por políticos e ilustres personalidades de Marquês de Valença, ocupando cargos importantes, mantinha influência na gestão do General Macedo Soares.
      • A 19.6.1948, Câmara Torres fez a Apresentação da Noite de Arte, em benefício da Caixa Escolar de Angra dos Reis, da “consagrada soprano dramático Guiomar Franco, interpretando peças eruditas e populares (brasileiras italianas, francesas e trechos líricos), acompanhada pelo piano da própria cantora, no Grupo Escolar Lopes Trovão, com a participação da Professora Jacíra de Castro que declamou poemas de Olegário Mariano. A promoção foi do Técnico de Educação, Doutor Câmara Torres.
      • A 17.10.1948, o advogado Câmara Torres escreve grave carta ao Juiz da Comarca de Angra dos Reis, Armando Prestes de Menezes, protestando contra o tratamento profissional que o magistrado lhe prestava no ambiente forense, não despachando suas petições, protelando decisões, não o recebendo em seu gabinete, dando-lhe, enfim, um tratamento desigual, injusto, relativamente aos advogados de fora do município, bem como aos tabeliães, escrivães e serventuários. Ademais, o juiz se lamuriava por estar lotado em Angra, não se adaptara à terra e tecia comentários públicos desairosos A terra e ao seu povo. Câmara Torres encerra a carta, consignando a sua intenção, caso a situação de irregularidades e desconforto permanecesse, de denunciá-lo às autoridades superiores do Estado, ou seja, principalmente à Corregedoria Geral de Justiça. Dias depois, o Juiz foi removido para outra Comarca.
      • A 18.11.1948, o Governador Macedo Soares esteve em Muriqui, Distrito de Mangaratiba, em companhia do Secretário de Educação e Cultura, Ismael Coutinho; do Chefe da 1ª Região Escolar, Prof. Câmara Torres; do Prefeito Victor Breves e vereadores. O Governador inaugurou uma escola pública, reivindicada e cuja construção foi supervisionada por Câmara Torres, e fez o lançamento da pedra fundamental do Muriqui Iate Club, destinado a desenvolver os esportes náuticos no Município. Ao final, autoridades e convidados se confraternizaram com um “drink”.
      • Na noite de 8.1.1949, durante as solenidades do Jubileu Áureo da Congregação das Pequenas Irmãs da Divina Providência, em Angra dos Reis, profere a conferência Madre Tereza, Rainha da Caridade e da Virtude, no Auditório do Convento do Carmo. A Congregação foi fundada na Itália em 1899, pela então Veneranda Madre Tereza Michel.
      • Em maio de 1949, durante as comemorações do segundo aniversário da Associação dos Escoteiros do Mar Almirante Brasil, de Angra dos Reis, o Técnico de Educação, Professor José Augusto da Câmara Torres, proferiu palestra pública sobre tema cívico, pelo serviço de alto-falantes da cidade.
      • Em julho de 1949, o Doutor Câmara Torres é eleito, pela unanimidade dos seus filiados, Presidente da Associação de Caridade São Vicente de Paulo, de Angra dos Reis, mantenedora do Asilo da Velhice Desamparada São Vicente de Paulo, sob a direção interna das Pequenas Irmãs da Divina Providência. Ocupa a Presidência até 1961.
      • A edição de 28.12.1949, do jornal O Litoral, de Angra dos Reis, publica matéria sob o título Dr. Câmara Torres, acerca do belo trabalho do Técnico de Educação na Região, assinalando que o município “muito lhe deve. Informa que, quando o educador chegou à Angra, em 1942, encontrou no 6º Distrito, território da Ilha Grande, além da escola da Vila do Abraão, apenas uma segunda escola na localidade de Matariz, “em ruínas”. Graças à sua competência e dedicação, assinala o jornal, ele conseguiu criar as escolas de Freguezia, Bananal, Tapera, Praia da Longa, Araçatiba, Praia Vermelha, Provetá, Aventureiros e Provetá. Noticia, ainda, que a 20 daquele mês, o Professor Câmara Torres esteve na Praia da Parnaioca, em companhia, do Vereador Casemiro Barra, visitando o local para construção de uma nova escola, dentro das mais modernas técnicas da engenharia e da arquitetura à época, sendo festivamente recebido pelos moradores. Assinala, ainda, a matéria, que o Técnico de Educação e o Vereador estão empenhados em promover “grandes melhoramentos” no 6º Distrito.
      • Na década de 1940, quando se comemorou os quinze anos da instituição canônica da Congregação Mariana de Angra dos Reis, o Doutor Câmara Torres, ativista e líder católico e congregado mariano, desde a juventude, foi o orador oficial das celebrações. A sua longa e vibrante fala saudando a efeméride teve fortes bases bíblica, teológica e católica, conclamando a mocidade angrense a se engajar no Marianismo.


      Marcelo, após o nascimento de três irmãs, outras três viriam.
      Por isto a mãe o chamava de “o bendito fruto entre as mulheres”.
      Somente em 1962 outro homem chega,
      o oitavo filho, Marcos Augusto, o caçula.
      (Acervo Marcelo Câmara)




      • A 21.1.1950, no terceiro sábado do mês, Dia de Santa Inês, considerada “a mais bela santa da Igreja Católica”, às 22h53m, na Santa Casa de Misericórdia Codrato de Vilhena, em Angra dos Reis, nasce Marcelo, o primeiro filho-homem, o quarto dos oito de José Augusto e Tudinha. O menino mede 54cm e pesa 3k750g. O parto foi normal, assistido pelo Doutor Walter Madeira, amigo dos pais do bebê, que viria a ser, com a sua mulher, Professora Maria Carlota da Costa Madeira, padrinhos de batismo da criança naquele ano. Nesse mesmo dia 21, o Doutor Câmara Torres recebeu de presente do Frei Ludovico, da Ordem dos Carmelitas, do Convento do Carmo, em Angra dos Reis, o livro Brasileiros Heroes da Fé, de Manoel E. Altenfelder Silva (Livraria Salesiana Ed., SP, 1928), com a seguinte dedicatória: “Ao Exmo. Sr. Dr. José Augusto da Câmara Torres, por ocasião do nascimento do seu filho Marcelo, oferece Frei Ludovico van Tienen / Prior do Convento do Carmo. Angra, 21.1.50”.


      Cinco dias após o nascimento do primeiro filho-homem de José Augusto
      Tudinhaa edição de 26 de janeiro de 1950 do jornal
      O Estado, de Niterói, RJ, publicou a notícia.
      (Acervo Marcelo Câmara)



      Até 1962, por doze anos, Marcelo foi o único homem dos sete filhos de José Augusto e Tudinha, entre seis meninas, três mais velhas e três mais novas. Era chamado pela mãe de “O bendito fruto entre as mulheres”. Isto não o beneficiava em nada, não lhe concedia privilégios ou prêmios. Ao contrário. Magrinho e pequeno, brincava muito na rua, onde apanhava sempre, pois os pais eram prevenidos: “A convivência diária e contínua com seis meninas poderia afeminar o Marcelo”. Por ser “o único homem da casa”, e com o pai, advogado e político, sempre em ritmo de vida agitada e atribulada, trabalhando muito, viajando quase sempre nos finais de semana, a Marcelo eram atribuídas as tarefas domésticas e missões familiares tipicamente masculinas, mais ingratas, penosas e espinhosas. Exemplos: auxiliar a mãe nas compras do mercado e mercearia, inclusive indo várias vezes à rua para comprar o que ela se esquecia (desde os quatro anos de idade); ir às 4h30m da madrugada para a “fila do leite”, acompanhando a mãe, nos períodos de falta do produto, no início da década de 1960 (“A família não pode viver sem tomar leite de vaca”; leite em pó solúvel ou outros sucedâneos não eram aceitáveis); sanar problemas físicos da casa derivados de ocorrências diversas, acidentes e incidentes; atender, no portão, visitas, desconhecidos, pedintes etc. Esse “principado” indesejável durou até os dezoito anos. Menino inteligente, criativo, travesso, quando a mãe voltava do trabalho no Departamento do Ensino Médio e, depois, do Conselho Estadual de Educação, do centro de Niterói, as chineladas eram quase diárias. Isto porque havia seis vozes femininas uníssonas denunciando as “artes” de Marcelo que importunavam as seis meninas. Os presentes, as benesses, ele era o último a receber, pois a máxima “Primeiro as damas” não valia nos momentos de reprimendas, castigos, quando ele mais uma ou mais irmãs eram alvos: era o primeiro a levar chineladas. A educação familiar, moral e religiosa, rígida, inflexível, também sob a ameaça de punição do castigo e do chinelo, tinham normas implacáveis: o filho homem, enquanto com os pais habitassem, não podia estar em casa ou sentar à mesa de refeições sem camisa, e, inexoravelmente, devia cortar o cabelo à moda “Príncipe Danilo” na infância e “meia-cabeleira” na puberdade, cabeleira com topete à la Elvis Presley. Depois, cabelo grande até os ombros à la Beatles – jamais. No jantar, a sopa antes da comida, era obrigatória para todos os filhos. As punições aos atos que contrariassem o corte de cabelo, bem como a sopa antes do jantar, poderiam ser, como sempre, as chineladas e os castigos. Igualmente, compulsórias eram a missa aos domingos e dias santos e a abstinência de carne de vaca e de porco durante toda a Semana Santa, da segunda após o Domingo de Ramos ao Sábado de Aleluia, inclusive. Os filhos que saíssem à noite deveriam estar em casa até as 22 horas. As meninas, enquanto viveram sob o teto da família, eram proibidas de usar maiô de duas peças ou biquinis. No lar do Dr. Câmara e da Dona Tudinha não entravam gibis (revistas em quadrinhos), nem era permitido os jogos de cartas (baralho).


      Marcelo com um ano de idade,
      na varanda da sua casa em Angra dos Reis.

      (Acervo Marcelo Câmara)



      Aos quatro anos, Marcelo começou a acompanhar o pai nas suas atividades como  Técnico de Educação, Advogado e Político. Em casa e fora do lar. Nas saídas à rua, o pai  lhe dava o dedo mínimo para ele segurar e o levava às escolas, aos cartórios, às reuniões com clientes, outros advogados, promotores públicos, escrivães, tabeliães, juízes; e, no âmbito político, encontros, comícios etc.. As idas a cartórios nunca agradavam a Marcelo, que as consideravam cacetes, entediantes, uma burocracia que não suportava. Parecia um prenúncio, um vaticínio, um aviso que o menino recebia, pois iniciara a sua vida como servidor público aos vinte anos, após ser aprovado em concurso público, no cargo de Secretário de Juízo (Escrivão de Justiça), função e emprego que detestava, demitindo-se em menos de sete anos. 

      O que fascinava o menino eram as reuniões e viagens  políticas, comitivas oficiais de  Presidentes da República, governadores, ministros, secretários de Estado e prefeitos; reuniões partidárias, pré-eleitorais, nos âmbitos local, regional e nacional. Foram nelas que ele conheceu de perto, com alguns até convivendo, grandes líderes da Política fluminense e nacional, como Adhemar de Barros, Roberto Silveira, Amaral Peixoto, Miguel Couto Filho, governadores, senadores, deputados federais e estaduais, prefeitos e vereadores, que conviveram com seu pai. Políticos, correligionários e adversários de Câmara Torres. Assim, conheceu os bastidores, diálogos, as negociações, as discussões, os impasses e acordos da Política

      A partir dos treze, quatorze anos, Marcelo, entre as tarefas de estudante e agitada vida de jovem católico pariticpante de entidades e movimentos, passou a auxiliar, diretamente, o pai, ajudando-o, acompanhando-o e resolvendo questões políticas e a administrativas de interesse do Extremo Sul do Fluminense, em Secretarias e órgão públicos estaduais e federais, verificar andamentos de processos nos Fóruns da Justiça, de Niterói e do Rio,  onde o advogado possuía causas das quais era patrono. Dos dezoito aos vinte anos, muitas vezes, substituía o motorista do político e advogado, em viagens pelo interior do Estado. Em 1970, viajou por todo o Estado com o pai,  em campanha, quando este concorreu a uma cadeira na Câmara Federal.
      • A 3.9.1950, o Doutor Câmara Torres foi o orador oficial do Encontro das Congregações Marianas da Diocese de Barra do Piraí, que reuniu milhares de congregados marianos, na sua maioria, moços de vários municípios do Sul Fluminense. Presença do Bispo José André Coimbra, do Presidente da Federação das Congregações Marianas do Estado do Rio de Janeiro, autoridades civis, militares e eclesiásticas. Angra dos Reis, RJ.
      • A 11.3.1951, nasce, em Angra dos Reis, Márcia, quarta filha de José Augusto e Tudinha. Um ano mais nova que Marcelo, foi a irmã mais próxima a ele durante a infância e juventude.
      • Em agosto de 1951, o Técnico de Educação, Professor José Augusto da Câmara Torres, é eleito um dos festeiros das celebrações do Segundo Centenário da Igreja da Lapa e Boa Morte, de Angra dos Reis.
      • Em novembro de 1951, o Técnico de Educação recebe carta pessoal do Senhor Nelson Roméro, agradecendo a conferência Vida e Obra de Sylvio Roméro, proferida em 1949, em Paraty, sobre seu pai, o grande Silvio Romero.
      • Em 1951, Câmara Torres, Presidente da Associação de Caridade São Vicente de Paulo, lança a pedra fundamental do Asilo São Vicente de Paulo e inicia as suas obras, inaugurado em 1957.
      • No início de 1952, Câmara Torres ingressa no Aero Clube do Estado do Rio de Janeiro - ACERJ, uma escola de aviação de formação, treinamento e aperfeiçoamento de pilotos, e de aeromodelismo, sediado na Praia das Charitas, em Niterói. A paixão pela Aviação é construída nos estudos de dois de seus ídolos da infância e juventude: seu conterrâneo Augusto Severo (*Macaíba, RN, 1864 – †Paris, França, 1902) e Santos Dumont (*Palmira, MG, 1872 – †Guarujá, SP, 1932). Dois anos depois, é eleito Vice-Presidente da entidade, onde realiza trabalho notável pelo desenvolvimento da Aviação Civil no Estado, destacadamente no Extremo Sul Fluminense, onde constrói o Aeroporto de Angra dos Reis com recursos próprios, e realiza os primeiros pousos e decolagens na Região. O ACERJ desaparece na década de 1970.


      Carteira do sócio de Câmara Torres no ACERJ em 1952, ano do seu ingresso,
      que possuía a matrícula nº 1081. Já em 1954, é o Vice-Presidente da entidade,
      tendo na Presidência o Desembargador Pache de Faria,
       depois Presidente do Conselho Deliberativo,
       e, num período de crise, Interventor com poderes de Presidente.
       
       (Acervo Marcelo Câmara)

      • A 27.6.1952, o Técnico de Educação, Professor José Augusto da Câmara Torres, participa de um banquete no Palace Hotel, em Angra dos Reis, em comemoração ao aniversário natalício do médico, ex-prefeito e ex-deputado estadual Moacyr de Paula Lobo, dirigente do PSD e chefe político no Município.
      • A 25.9.1952, foi lançado o Concurso da Rainha da Primavera de Angra dos Reis, com a participação de escolas, clubes e associações de classe do Município, que se destinava “a realçar os dotes de beleza e de simpatia da mulher angrense”. A renda obtida com o evento teve por objetivo a arrecadação de fundos para a continuação das obras do Asilo da Velhice Desamparada de Angra dos Reis. A ideia do certame e à frente da Comissão Central estava o Técnico de Educação, Professor José Augusto da Câmara Torres. A 20.12.1952, dia da coroação da Rainha e das Princesas, o advogado fez oração agradecendo e felicitando as eleitas. E saudou a beleza e a simpatia da mulher angrense: "Vibra em cada um de nós a eloquência e o explendor da mocidade e da vida".
      • A 31.10.1952, após convocar lideranças comunitárias e empresariais de Angra dos Reis, realiza reunião visando a “combinar providências sobre a organização de uma sociedade destinada ao desenvolvimento cultural do município, com base na criação de um órgão de imprensa com oficinas próprias”.
      • Por volta de 1953, o advogado Doutor Câmara Torres telegrafa ao Secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, Milton Carvalho Braga, denunciando o cidadão e servidor público, João Matos Travassos Filho, que, em Angra dos Reis, todos os dias, “durante seis horas, desliga todo o fornecimento de força e luz à cidade, ligando apenas o Entreposto de Gelo que foi arrendado pelo mesmo Travassos, sem concorrência, obtendo grandes lucros, em monopólio, com prejuízos à população”. O Doutor Câmara Torres assinou o telegrama como “Advogado”. O Governo do Estado agiu, abriu inquérito e resolveu o problema.
      • A 6.1.1953, os conterrâneos, amigos e correligionários do Prefeito de Angra dos Reis, João Gregório Galindo, lhe ofereceram um banquete para saudar e festejar sua formatura como Bacharel em Direito, pela Faculdade de Direito de Niterói. A ágape realizou-se no Palace Hotel, e, entre os convidados, um dos primeiros a usar da palavra para felicitá-lo foi o Técnico de Educação, Professor José Augusto da Câmara Torres.


      Pela manhã do mesmo dia do banquete oferecido ao Prefeito João Gregório Galindo
      pelos seus amigos e correligionários, Em homenagem à formatura como Bacharel em Direito,
      alguns destes mesmos admiradores se reuniram no famoso Bar do Bruno (Bar Iracema),
      no centro de Angra dos Reis. Na foto, sentados (da esq. p/ dir.), Cassemiro Barra,
      Câmara Torres, Paulo Queixinho, Nair de Almeida e Jorge Daher; em pé, no mesmo sentido,
      Dona Olimpia  Bruno (esposa de Bruno Andrea), Natal, João Galindo, Jaurez Portugal,
      Orlando Gonçalves, Bruno Andrea (dono do Bar), Emilio (sobrinho do Sr. Bruno),
      e Jair Vasconcelos. O Bar do Bruno foi um dos mais emblemáticos pontos de encontro
      da sociedade angrense, principalmente de empresários e políticos, dos anos 1930 a 1970,
      onde eram primorosos os croquetes de carne, as empadinhas e outros salgados.
      (Foto do Acervo de Ricardo Natal Bruno, filho de Bruno Andrea - Acervo Marcelo Câmara)

      • A 24.1.1953, o Técnico de Educação, Professor José Augusto da Câmara Torres, foi o paraninfo da Turma das Professoras, formadas pelo Curso Normal anexo do Ginásio Angrense.
      • Em fevereiro de 1953, com a iniciativa e a coordenação do Técnico de Educação, Professor José Augusto da Câmara Torres, foi realizada de mais uma Colônia de Férias para estudantes do Curso Primário, realizada nas dependências do Grupo Escolar Lopes Trovão, na cidade de Angra dos Reis. Desta vez, Angra recebeu estudantes da Região Serrana fluminense. As atividades esportivas, lúdicas e de lazer foram dirigidas pelo Prof. Cândido Rodrigues Brasileiro e sua esposa, a Profa. Maria José Brasileiro. As Colônias de Férias objetivavam o intercâmbio, o conhecimento e a troca de experiências culturais e educacionais entre os municípios.
      • A edição de 15.3.1953 do jornal O Litoral, de Angra dos Reis, publica a relação dos sócios-proprietários do Clube Comercial, que acabara de ganhar uma bela e moderna sede própria, à Rua do Comércio. Entre os fundadores, incluídos na relação, está o nome do Doutor José Augusto da Câmara Torres.
      • A 10 de maio de 1953, Câmara Torres está na Matriz de Nossa Senhora dos Remédios, como Congregado Mariano e Chefe da Inspetoria Estadual de Ensino, participando da Páscoa dos alunos do Grupo Escolar Samuel Costa, em Missa cantada pelos estudantes e consagração das Famílias à Padroeira do Município. O evento fez parte do Programa Ave Maria Gratia Plena - Maio – Mês de Maria, cumprido de 3 a 31 de maio daquele ano, que incluiu Missa pela alma do Monsenhor Hélio Pires, célebre Vigário da Paróquia, de 1910 ao seu falecimento a 21.6.1952, e romaria ao seu túmulo no Cemitério local de todas as associações religiosas e povo católico.
      • A 4.7.1953, na cidade de Angra dos Reis, o Técnico de Educação, Prof. José Augusto da Câmara Torres, com centenas de cidadãos e cidadãs angrenses, “chefes-de-família, educadores e responsáveis pela juventude de nossa terra”, encabeça um Manifesto Público de Protesto, distribuído em toda a cidade, e acompanhando a edição de 12 do mesmo mês, do jornal O Angrense, da Congregação Mariana, semanário dirigido pelo legendário e popular Frei Hugo Brasil, contra a exposição de “cartazes indecentes expostos nas ruas de Angra pelo proprietário do Cine Araribóia”. O Manifesto foi consequência da promessa não cumprida pelo empresário de retirar, dias antes, “dentro de dez minutos”, os cartazes, após receber em comissão um grupo de lideranças comunitárias, tendo à frente o Congregado Mariano, Câmara Torres, a pedido do Sr. Vigário da Paróquia. O Manifesto protestava “contra a exposição de cartazes indecorosos, que só servem para corromper a juventude a arrancar das criancinhas a inocência.(...) Fazemos um apelo aos Srs. Pais, a fim de que não permitam que seus filhos assistam a filmes, que neles possam despertar sentimentos menos honestos” – acrescentava o volante. O Manifesto arrematava: “Esperamos que os responsáveis levem em conta nosso protesto, porque somos nós e nossas famílias que frequentamos o único cinema da nossa terra”.
      • Em 1953, governava o Estado do Rio de Janeiro Amaral Peixoto, e Paraty, o Vice-Prefeito Antonio Mário Pompeu Nardelli, no impedimento do Prefeito Derly Helena, ambos do Partido Trabalhista Brasileiro - PTB. A 6 de março daquele ano, o vereador da União Democrática Nacional - UDN, Antônio Núbile França, o Nhonhô, telegrafa ao Doutor Câmara Torres, então Técnico de Educação, Advogado na Região, Presidente do Diretório do Partido Social Progressita - PSP, de Angra dos Reis, e Líder Adhemarista na Região, lamentando não poder comparecer a uma reunião que o político organizara com o então Diretor do DER-RJ, Engenheiro Saturnino Braga, para tratar da abertura da Estrada Paraty-Cunha. No telegrama, Nhonhô pede para que o Doutor Câmara o recomende ao Doutor Saturnino e reivindica a necessidade primordial da construção da Estrada para o Município. O telegrama é o documento mais antigo do Acervo Marcelo Câmara, onde um vereador de Paraty reivindica, oficial e expressamente, ao Governo do Estado, a abertura da Estrada Paraty-Cunha.


      O histórico telegrama do Vereador Nhonhô a Câmara Torres.
      (Acervo Marcelo Câmara)

      • Em outubro de 1953, Câmara Torres integra a Comissão Organizadora da Campanha que angariava fundos para compra de uma ambulância para a Santa Casa de Misericórdia de Angra dos Reis e para as obras do Asilo São Vicente de Paulo. O principal instrumento de arrecadação foi a eleição da Rainha da Cidade, quando cada clube social e esportivo possuía uma candidata que vendia votos para a sua vitória. A Campanha foi idealizada e teve o apoio do jornal O Angrense, órgão da Congregação Mariana, sob a direção geral de Frei Hugo Brasil.
      • A 19.11.1953, Câmara Torres está em Lídice, Distrito de Rio Claro, RJ, na Festa de Santa Maria.
      • De 20.11 a 7.12.1953, Câmara Torres participa das Solenidades do Ano Jubilar Mariano, por ocasião do Centenário do Dogma da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, Padroeira da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Angra dos Reis. No dia 8 de dezembro, acontece a tradicional Festa na Cidade e Município.
      • A 26.12.1953, Câmara Torres está presente na posse do Poeta Brasil dos Reis na Academia Valenciana de Letras, em Valença, RJ. A saudação é feita pelo Promotor Público de Angra dos Reis e Acadêmico daquele sodalício, João Fausto de Magalhães, futuro Juiz da Comarca angrense, hoje nome do Fórum da Comarca, edifício planejado por Câmara Torres, quando Secretário do Interior e Justiça, e, depois, oficializado com o nome do magistrado, graças à iniciativa e trabalho junto ao Tribunal de Justiça, do advogado José Augusto da Câmara Torres, então Presidente da Subseção da OAB em Angra dos Reis, unidade que este criou e instalou.
      • A 22. 4.1954, nasce, em Angra dos Reis, Marília, a quinta filha de José Augusto e Tudinha. Inicialmente, se pensou no nome “Margarida”, a ser dado à menina, mas, depois, prevaleceu o nome da musa de Thomaz Antônio Gonzaga, personagem poética que fascinou, por toda a vida, o pai, que era historiador e professor de Literatura.



      1955. Famílias católicas angrenses depois da Missa de domingo
      na Matriz. Na sacristia, o casal à esq. é o Deputado Estadual
      Câmara Torres e sua esposa, a Profa. Gertrudes, com os filhos,
      ambos de branco, Marcelo e Márcia; mais à dir., de terno branco,
      o Deputado Federal Jonas Bahiense Lira e sra., com os dois filhos,
      Jonas e Márcio; mais à dir., ao lado, abaixo da imagem da Madona,
      e ao lado do padre, o Prefeito Salomão Reseck e a Profa. Dulce,
      com os três filhos de branco e de gravata borboleta:
      Pedro Abílio, José Luiz e Carlos Alberto.
      Atrás dos três filhos de Salomão, o farmacêutico e Vereador
      Benedito Braz Pereira, também de terno branco,
      ao lado da matriarca Senhora Nazira Salomão, mãe do Prefeito.
      (Acervo Marcelo Câmara)


      • A 12.12.1954, o Técnico de Educação, Prof. Câmara Torres, está em Passa Três, Rio Claro, RJ, participando da “Grande e Tradicional Festa em louvor à Nossa Senhora da Conceição. De 7 a 12 houve Ladainhas e seis Leilões; no Dia 8, Missa cantada. No dia 12, Alvorada Musical às 8h, Missa Festiva às 8h, Missa Solene com o Coro Santa Cecília de Passa Três que cantou o Te Deum Laudames, de Perosi. Às 17 horas, Procissão, com as crianças do Distrito vestidas de anjos e as casas iluminadas e decoradas. Abrilhantou os festejos a “famosa Banda de Música de Queimados”, de Nova Iguaçu. O Vigário era o Padre Cornélio Strooband.
      • Em 1954, o Doutor Câmara Torres planeja e constrói, por sua iniciativa e com recursos próprios, na Várzea da Japuíba, 1º Distrito de Angra dos Reis, o primeiro Campo de Aviação do Município, depois Campo de Aviação de Angra dos Reis, e, hoje, Aeroporto de Angra dos Reis, de médio porte, que está para receber o nome de Câmara Torres, em homenagem à sua memória, ao seu trabalho pioneiro, de realizador e grande incentivador do transporte aéreo, da Aviação no Extremo Sul Fluminense.


      1954. Da dir. p/ esq.: Câmara Torres e sua esposa Tudinha, encostados em um avião monomotor
      Cessna, certamente o primeiro a pousar no Campo de Aviação da Japuíba, que ele construiu
      com recursos próprios, hoje Aeroporto de Angra dos Reis, que, em breve, será denominado
      Aeroporto Câmara Torres, segundo desejo antigo da população e da Câmara Municipal
      à época da sua partida em 1998.
      (Acervo Marcelo Câmara)


      Quem trabalhou or mais de um ano, preparando o terreno e a grama para o pouso de pequenas aviões, tudo sob a orientação e pago por Câmara Torres, foi o então agricultor angrense, o saudoso João Cândido Teixeira, o Joãozinho, que vivia na própria Japuíba, hoje bairro próximo à cidade de Angra dos Reis. Um dia de vitória, feliz para os dois, foi quando a biruta, indicando a direção dos ventos, começou a orientar os aeronautas. Mais tarde, na década de 1960, Joãozinho mudou-se para o Morro do Carmo na cidade de Angra dos Reis, onde trabalhou muitos anos como motorista de táxi, ficando conhecido como Joãozinho do Táxi, e, também como Joãozinho do Sindicato. Aposentou-se como operário do Sindicato dos Arrumadores de Angra dos Reis (“Sindicato da Resistência”), falecendo na década de 2010. De 1954 até 1970, Câmara Torres ficou conhecido no Estado como “O Deputado Teco-Teco”, ou “O Deputado dos Aeroclubes” ou “O Deputado da Aviação”, pois se utilizava muito do transporte aéreo em suas atividades políticas entre a Capital, Niterói, e Angra dos Reis, Paraty, Mangaratiba e Rio Claro, levando autoridades a esses municípios, bem como socorrendo os mais pobres e as populações que viviam em lugares mais remotos, e que precisavam de socorro em situação de risco à saúde e à vida e em outras emergências. Foi Sócio Remido, Presidente do Conselho Deliberativo e Vice-Presidente do Aeroclube do Estado do Rio de Janeiro e integrou o Conselho Fiscal do Serviço Estadual de Transportes Aéreos – SETA, cooperativa privada que reunia empresas e profissionais da aviação civil. Também, foi Conselheiro da Fundação Santos Dumont no Estado do Rio de Janeiro, órgão nacional de estudos, apoio e estímulo à Aviação Civil.

      • A 24.2.1955, o Deputado Câmara Torres recebe gentil e fraterna carta, pessoal e manuscrita, do Bispo de Barra do Piraí, Dom José André Coimbra, reiterando o seu pedido, feito no ano anterior, em Angra dos Reis, no sentido de angariar donativos, entre os círculos de amizade e convivência do Parlamentar, para a instalação da Casa N. Sa. de Fátima daquela cidade, primeiro Palácio do Bispado, que estava sendo reconstruído e ampliado, e serviria de residências às Irmãs de Jesus Crucificado, e pensionato para moças e dispensário para os pobres. O pensionato, explicou o Bispo, irá auxiliar na manutenção das Irmãs, cuja obra principal de apostolado social e espiritual será a catequese de crianças e adultos O Deputado conseguiu, junto aos seus amigos, vários donativos à obra assistencial e espiritual.
      • Por volta de 1955, Câmara Torres faz os primeiros voos em direção a Paraty, que construiu o seu “Campo de Pouso” em 1952, quando houve a fuga de mais de uma centena de presidiários de alta periculosidade da Colônia Correcional da Ilha de Anchieta, no litoral norte de São Paulo. (Hoje, o referido Campo de Pouso ou de Aviação de Paraty é denominado Aeroporto Dom João de Orleans e Bragança, em memória do ilustre morador da Família Real Brasileira que viveu e foi empresário na cidade por mais de trinta anos.). Os presos se espalharam pela Serra do Mar, nos municípios de Ubatuba, Caraguatatuba e Paraty. Morreram mais de uma centena de fugitivos, soldados e guardas penitenciários. Aquele “Campo de Pouso” foi criado, emergencialmente, numa operação de guerra, conjunta e rápida, entre os Governos dos Estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, com a ajuda do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, no sentido de desembarcar tropas e armas a fim de recapturar os temíveis “fugitivos da Ilha de Anchieta”. Câmara Torres realizou, a partir de Angra, os primeiros voos para Niterói e Rio, principalmente com duas finalidades. A primeira, para socorrer o povo pobre, sem recursos, doente ou acidentado que necessitava de socorro médico, ainda mais, num tempo, em que Angra dos Reis e Região não tinham ou possuíam precaríssimos meios de transporte e comunicação com os grandes centros; e, segundo, para levar a Angra autoridades estaduais e federais que precisavam ir, a trabalho, ao Município. Câmara Torres, iniciou as viagens a Paraty com os mesmos objetivos. A partir do seu primeiro mandato, e até 1970, o Deputado nunca deixou de incluir no Orçamento do Estado verbas para conservação e ampliação do aeródromo de Paraty.


      1954. O Deputado Câmara Torres, vindo de Angra, pousa, pela primeira vez, em Paraty,
      com um pequeno avião monomotor Cessna, com um piloto-instrutor do Aero Clube
      do Estado do Rio de Janeiro, do qual o Parlamentar era Vice-Presidente.
      Ao “Campo de Aviação”, acorreram dezenas de amigos e curiosos. Por mais de trinta anos,
      ele aterrissou na cidade e dela decolou, atendendo à população que necessitava
      de assistência médica e social, e levando autoridades para ouvir as demandas do Município.
      Na primeira fila, da dir. p/ esq., o Deputado é o quinto, de terno branco.
      (Acervo Marcelo Câmara)


      • Na noite de 10.12.1955, o Deputado Câmara Torres comparecia à Câmara Municipal de Angra dos Reis, a fim de participar da solenidade de entrega de certificados e diplomas aos concluintes dos cursos ginasial, normal e de técnico em contabilidade, do Ginásio Angrense, instituição que ajudou a fundar anos antes.
      • De 24.3 a 2.4.1956, o Doutor Câmara Torres, na qualidade de Irmão Provedor da Secretaria da Irmandade do Glorioso São Benedito, lidera, na Cidade de Angra dos Reis, as “Festividades em Louvor ao nosso orago, Glorioso São Benedito”. O extenso Programa foi inaugurado na tarde do Sábado da Paixão, 24.3, com Procissão que levou a imagem do Santo, da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, acompanhada de sua Irmandade e do Povo, até a Igreja Matriz de N. Sa. da Conceição, por se achar em obras a Igreja de Santa Luzia. Nesse mesmo dia, Missa Cantada, Primeira Ladainha de São Benedito e Bênção do SS. Sacramento, acompanhado do Coro da mesma Igreja, sob a direção da organista Maria Ondina Coelho de Andrade, que iria abrilhantar todos os atos da Festa. Em seguida, apresentação da Banda de Música Euterpe Angrense, sob a regência do Maestro Fúcio Ignácio Brasil. No Domingo de Ramos, Levantamento do Mastro, Procissão do Painel com o emblema do orago e Segunda Ladainha com Bênção do Santíssimo. Na noite do Domingo da Ressureição, recepção ao Bispo de Marquês de Valença, Dom Rodolfo das Mercês de Oliveira Pena, que chega a Angra para participar das solenidades da Festa e, no dia seguinte, administra o Santo Crisma, e realização da Terceira Ladainha. Na “Segunda-feira de São Benedito”, 2 de abril: Alvorada com a Euterpe Angrense, Missa com cânticos, celebrada pelo Bispo e Comunhão Geral, Missa Cantada pelo Vigário Carmelita, Padre Frei Policardo, seguida de passeio festivo da Banda de Música pelas ruas da cidade e visita às residências dos Juízes da Irmandade. Finalmente, à tarde, “Imponente Procissão de São Benedito”, em majestoso andor, ricamente ornado, percorrendo tradicional roteiro urbano, ao som de cânticos e da Banda de Música Euterpe Angrense. A Procissão de São Benedito, em Angra dos Reis, era uma das maiores manifestações religiosas do Estado. Uma multidão, vinda de todos os cantos de Angra, de outros Municípios e Estados, participava da bissecular manifestação de fé e devoção. A 31 de março, ônibus especiais partiram da Pça. Mauá, no centro do Rio, em direção a Angra, com centenas de fiéis. Após a Procissão, no Largo da Matriz, fala do Pe. Abílio Raul Martins, Ladainha, Atos protocolares da Mesa da Irmandade, o famoso Leilão de Prendas, mais Música e o grandioso espetáculo dos fogos de artifício. A 8 de abril, “Domingo da Pascoéla”, à tarde, o “descimento do Mastro, a última ladainha e a solene Procissão de retorno da Imagem de São Benedito à Igreja da Ordem Terceira de São Francisco. Encerrando as Festividades, o último Leilão de Prendas no Largo da Matriz.



      (Foto em edição)




      • Em março de 1956, participava do extenso programa da Semana Santa na Cidade de Angra dos Reis, organizada pela Venerável Ordem Terceira do Carmo, à qual pertencia.
      • Em março de 1956, José Augusto, Tudinha e os seis filhos mudam da Cidade de Angra dos Reis para Niterói, onde uma casa é alugada na Rua Miracema, nº19,no Bairro do Pé Pequeno.

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      Março de 1956: o Advogado e Deputado, com a família, muda para Niterói,
      mas mantém o antigo endereço residencial e escritório em Angra.
      (Acervo Marcelo Câmara)


      • A 13.5.1956, o Deputado Câmara Torres está no 3º Distrito de Angra dos Reis, participando da Festa do Glorioso São Benedito. No dia 4, iniciaram-se as Novenas e a 12, houve Confissão Geral. No dia da Festa, pela manhã, após a Missa com Comunhão Geral às 7h e Missa Solene às 10h. À tarde, houve corrida de resistência, de Jacuecanga e Monsuaba; colheita de prendas para o Leilão; corrida de saco e pau-de-sebo. Às 17h, Procissão, Ladainha de Encerramento e leitura do festeiro, juízes e comissionado para a Festa do ano seguinte, 1957. Às 20h, Leilão de Prendas e Fogos de Artifício. O Festeiro de 1956 foi Armando Jordão Carneiro.
      • A 4.7.1956, funda na sede do Clube Comercial, o Aero Clube de Angra dos Reis, sendo eleito o seu primeiro presidente.
      • A 13.7.1956, o Deputado Estadual, Câmara Torres (PSP) e o seu correligionário, Deputado Federal Jonas Bahiense Lyra (PTB) patrocinam a Oitava Ladainha da “Grandiosa Festa de Nossa Senhora do Carmo”, da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Angra dos Reis. O “Dia da Festa”, com Missas Festiva e Cantada, e “Imponente Procissão”, deu-se no domingo, 15 de julho, sob a responsabilidade do Comando e alunos do Colégio Naval. No dia seguinte, “Dia Litúrgico de N. Sa. do Carmo”, ocorreu a “Bênção Papal”. Naquele ano, a Festa foi histórica, porque comemorou os cinquenta anos, desde 1906, quando a Comunidade Carmelita se encarregou da Paróquia. O programa inaugurou-se a 6 de julho indo até a noite de 16.
      • Na tarde de 1º.9.1956, o Deputado Câmara Torres participava, na condição de Vice-Presidente, da Reunião Conjunta de Conselheiros e Diretores do Aero Clube do Estado do Rio de Janeiro, na Praia de Charitas, em Niterói, convocada pelo Presidente Desembargador Gastão de Castro Pache de Faria, a fim de “estudar e estabelecer as diretrizes a serem tomadas pela nova Diretoria”.
      • Em setembro de 1956, era Presidente do Conselho Administrativo do Aero Clube do Estado do Rio de Janeiro, com sede na Avenida Quintino Bocaiuva, na Praia de Charitas, em Niterói. Em seguida, ocupou a Vice-Presidência da entidade em várias gestões presididas pelo Desembargador Pache de Faria.
      • A 21 de outubro de 1956, o Deputado Câmara Torres recebeu documento da Diretoria da Associação N. Sa. das Graças, da localidade de Patrimônio, 2º Distrito de Paraty, RJ, solicitando ajuda financeira, uma oferta, para construção de capela em louvor da “Mãe do Salvador”, para realização da Festa em honra da Santa.


      23.10.1956, o Deputado Câmara Torres, ao centro, Vice-Presidente
      do Aero-Clube do Estado do Rio de Janeiro numa reunião
      da Diretoria da entidade. À dir., o Presidente, Desembargador Pache de Faria
      e, à esq., o Governador Miguel Couto Filho.
      (Acervo Marcelo Câmara)

      • A 31.10.1956, na condição de Congregado Mariano, Líder Católico e Político, pronuncia, em Sessão Solene da Câmara Municipal de Rio Claro, RJ, Oração que saudava o Bispo da Diocese de Barra do Piraí, RJ, Dom Agnelo Rossi, em nome da Paróquia de N. Sa. da Piedade, na Visita Pastoral do prelado àquela cidade.
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