terça-feira, 4 de agosto de 2020

AÇÕES POLÍTICAS, SOCIAIS E CULTURAIS DE 1971 A 1998

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CENTENÁRIO DE CÂMARA TORRES
1917 – 2017
José Augusto da Câmara Torres
(* Caicó, RN, 1917 – † Niterói, RJ, 1998)
Jornalista, Educador, Advogado, Político

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AÇÕES POLÍTICAS, SOCIAIS E CULTURAIS
DO EX-DEPUTADO ESTADUAL, LÍDER POLÍTICO
E DIRIGENTE PARTIDÁRIO.

O ADVOGADO, O INTELECTUAL, O CIDADÃO.
DE 1971 A 1998



ATIVIDADES


Foram vinte e oito, dos cinquenta e seis, como Advogado militante. E, ainda, intelectual participante e produtivo, líder político de uma Região, sem mandato, dirigente partidário, atitudes de um cidadão e profissional que beneficiaram os municípios e comunidades fluminenses, principalmente Angra dos Reis, Paraty, Rio Claro e Mangaratiba. Avanços em todos os setores da vida social e econômica, com destaque para as áreas da Educação e da Cultura, mas, também, nos setores da Saúde, Transportes, Energia, Justiça, Segurança, Assistência Social, Comunicações, Saneamento, Meio Ambiente, Administração Pública e Turismo.

No entanto, não vão listadas aqui as ações de Câmara Torres em favor de determinado cidadão ou cidadãos, família ou grupo de famílias, que viabilizaram e efetivaram o seu acesso e/ou o cumprimento de direitos civis, legítimos, junto aos Poderes Públicos e à iniciativa privada, de acordo com a Lei e a normalidade jurídica vigente. Ações que promoveram ou beneficiaram milhares de pessoas e suas famílias, individual, pessoal, diretamente, fossem eles seus eleitores, ex-eleitores, ou não, adversários políticos ou não, amigos ou não. Foram ações como: 1) a indicação para postos de trabalho ou cargos de direção e confiança, públicos e privados, de acordo com a idoneidade moral, a aptidão e capacidade profissional de cada um, um atributo do ex-Deputado Estadual, que continuava a ter Líderança Política numa Região (não existia, na maioria dos casos, o ingresso no Serviço Público por concursos gerais, abertos, de provas e títulos); tais indicações eram ratificadas pelo crivo das autoridades públicas e lideranças comunitárias locais e/ou regionais; 2) a lotação adequada, justa e mais racional, nos serviços públicos em geral, de profissionais em unidades onde residiam os candidatos e funcionários, segundo a idoneidade, aptidão, capacidade e produtividade de cada um; 3) a recomendação aos empregadores e chefias de servidores, de promover o desenvolvimento profissional, o progresso funcional, desses trabalhadores; 4) na Educação, a efetivação de matrículas em instituições de ensino, públicas e privadas, concessão de bolsas de estudo, a pessoas carentes, entre outros benefícios; 5) na Saúde, internações, o tratamento de doenças, realização de cirurgias, obtenção de próteses e órteses, fora da região onde habitava o cidadão menos favorecido ou sem acesso a tais serviços;

6) na Assistência Social, o atendimento a idosos e pessoas Portadoras de Necessidades Especiais – PNA, de qualquer natureza, que não eram devidamente atendidos pelos órgãos públicos ou delegados para tal fim; 7) no Transporte Público, pleitos às empresas públicas e privadas, visando à expedição de passes livres de transporte urbano e intermunicipal, especialmente a professores, estudantes e trabalhadores carentes (não havia os sistemas legais de vales-transporte hoje existentes) e a cessão de ônibus para transporte de alunos e professores em atividades fora da escola; 8) na Habitação, a concessão, junto aos bancos públicos e privados, de financiamentos para compra da casa própria, reforma e restauração de imóveis, para pessoas aptas ao crédito, que não tinham acesso aos bancos ou que a burocracia irracional martirizava; 9) no Serviço Público, junto a repartições, como procurador, formal e informal, de cidadãs e cidadãos, funcionários públicos ou não, que, vivendo no Interior, em locais distantes da capital, como, em várias épocas, o Extremo Sul Fluminense, necessitavam de um documento, uma orientação, uma resposta a um direito. Câmara Torres acompanhou, durante toda a sua vida, milhares de processos de pessoas que pleiteavam seus legítimos direitos de cidadania, de qualquer classe social ou econômica, que, legal e juridicamente habilitados, não tinham acesso ou eram impedidos de usufruir direitos e benefícios; no que tange aos servidores públicos, centenas deles, talvez mais de 1 mil, foram nomeados, trabalharam durante décadas e se aposentaram sem nunca ter ido à Capital, pois Câmara Torres cuidou das suas carreiras, os representou por toda a vida.

Centenas de outras ações exitosas de Câmara Torres em favor da coletividade, seja como Jornalista, Educador, Advogado e Político, intelectual plural, foram efetivadas. Ora em razão das virtudes e elevados atributos, inerentes ao seu exitoso percurso como cidadão, homem de bem, de fé e trabalho, ora decorrentes da sua honorabilidade reconhecida, da sua integridade, personalidade e caráter admiráveis, respeitabilidade, prestígio pessoal e profissional, autoridade moral e liderança social.
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ALGUNS REGISTROS


  • Mesmo sem disputar eleições e exercer mandatos a partir de 1970, Câmara Torres continuava  atuando politicamente, influindo, decisivamente, na vida política fluminense, principalmente em Angra dos Reis, Paraty e Rio Claro. Fundou e presidiu os diretórios da ARENA e do PDS em Angra dos Reis e Paraty. No primeiro município, então “área de segurança nacional”, onde o prefeito era nomeado pelo Governo Federal, atuou intensamente, no interior do Partido e, depois, em Brasília, para a volta das eleições diretas em Angra dos Reis. A luta durou dezessete anos. Em 1º de janeiro de 1986, o engenheiro angrense José Luiz Reseck toma posse como prefeito eleito pelo voto popular.
  • A edição de 4.2.1971 de O Jornal noticiava que, graças ao trabalho persistente de mais de duas décadas do ex-Deputado Câmara Torres, finalmente a Estrada Paraty-Cunha estaria pronta, inaugurada no ano seguinte, com novo traçado e condições permanentes de tráfego, não obstante as dificuldades geotopográficas e climáticas. Uma empresa vencera a concorrência pública para “realizar estudos, projeto e terraplanagem”. O DER-RJ investiria oito milhões de cruzeiros. Notícias como esta há centenas nos acervos dos jornais. Os embargos administrativos e da Justiça foram frequentes por mais de sessenta anos. Por cerca de quatro décadas Câmara Torres lutou pela Estrada. Primeiro para conservá-la, depois pela sua pavimentação.
  • A 24.3.1971, Câmara Torres foi ao Palácio Nilo Peçanha, em companhia do Deputado Estadual João José Galindo, à frente de uma comissão de autoridades, políticos e lideranças de Paraty, para audiência com o Governador Raymundo Padilha, de quem recebeu a notícia da liberação de Cr$ 22 milhões para recuperação das duas lanchas do Serviço de Navegação Sul Fluminense, que fazem o transporte de passageiros na Baía da Ilha Grande, atendendo às populações de Angra dos Reis, Paraty, Mangaratiba e Ilha Grande. Ao lado de Câmara Torres, o Prefeito de Paraty, Paulo Carijó e seu secretariado.
  • Em março de 1971, o Primeiro Suplente de Deputado Federal, Câmara Torres, atuou, intensa e positivamente, junto ao Governo do Estado para resolver graves problemas de comunicação de Paraty, atingida por grandes enchentes que isolaram a cidade de seus distritos, estes entre si, e o Município com o restante do Estado.
  • Em abril de 1971, a Câmara Municipal de São Gonçalo aprova, por unanimidade, Moção de Congratulações ao Primeiro Suplente de Deputado Federal, Câmara Torres, pela sua posse como Secretário Estadual de Serviços Sociais, proposta do Vereador Adeni Moraes Antunes.
  • A edição de 25.6.1971 do diário O Fluminense noticiou que, por interferência do Primeiro Suplente de Deputado Federal, Câmara Torres, o Náutico Clube Jabaquara, filiado à Liga Esportiva de Paraty, receberá um auxílio de NCr$ 925,00, destinados a proceder a iluminação das quadras de basquetebol, volibol e futebol de salão. O presidente do Jabaquara, Antonio Ribeiro Gonçalves Filho recebeu com alegria a notícia,segundo a qual a Secretaria Estadual de Energia atenda a determinação do Governador Geremias de Matos Fontes, dentro do seu programa de estímulo ao esporte fluminense.
  • A edição de O Fluminense de 11.10.1971 comenta, em sua coluna Plantão, que o ex-Secretário de Serviços Sociais, Câmara Torres, tinha um projeto de urbanizar as favelas de Niterói, com destaque para a do Morro do Cavalão, que começa no Bairro do Vital Brazil e ia até o Saco de São Francisco.  “Com certeza conseguiria, pois as démarches estavam bem adiantadas” – comentou o redator.
  • A 12.10.1971, Câmara Torres, na qualidade de ex-Deputado Estadual e Primeiro Suplente de Deputado Federal, Representante por dezesseis anos na Assembleia Legislativa do Extremo Sul-Fluminense, e Líder da Região, esteve em companhia do Prefeito de Paraty, Paulo Carijó, em audiência com o Governador do Estado, Raymundo Padilha, discutindo o quadro de privações e angústia, que beiravam à violência, consequência dos conflitos envolvendo os lavradores do Município e fiscais do Instituto Brasileiro de Defesa Florestal – IBDF. A ação do órgão federal inviabilizava a agricultura e a pecuária em Paraty, que passou a ter cerca de oitenta por cento de seu território incluído em áreas de preservação ambiental com a criação do Parque Nacional da Serra da Bocaina. As áreas eram, centenariamente, partes agricultáveis e ocupadas por criação de animais, vitais para a economia do Município. No encontro, foram buscadas soluções para os graves problemas que afetavam a população rural.
  • Em meados de janeiro de 1972, o Primeiro Suplente de Deputado Federal, Câmara Torres, solicitou ao Governador Raimundo Padilha, audiência, em caráter de urgência, e foi atendido, para levar ao Chefe do Executivo Estadual, o Prefeito Paulo Carijó, o Vice-Prefeito, Benedito Telmo Coupê, e mais cinco vereadores – todos eleitos pelo Partido – que ameaçavam uma renúncia conjunta de seus cargos, diante da situação de abandono que o Governo do Estado havia relegado o Município Monumento Nacional, sem qualquer presença e assistência do Poder Público à população, apesar dos seus esforços e do Deputado Estadual, João José Galindo.
  • Em janeiro de 1972, o Primeiro Suplente de Deputado Federal, Câmara Torres, e o Deputado Estadual, João José Galindo, encabeçam memorial, com milhares de assinaturas de cidadãs e cidadãos paratyenses, dirigido ao Governador Raymundo Padilha, denunciando a ausência e omissão continuadas do Juiz de Direito da Comarca, do Promotor Público e do Delegado de Polícia, que estavam levando o Município Monumento Nacional a uma situação de “desordem generalizada, à uma terra sem lei. Bandidos agiam à luz do dia na cidade, e os chamados hippies, consumindo drogas, movimentando-se seminus nas ruas históricas, praticavam furtos, invadiam residências e ameaçavam a população. Os hippies planejavam, então, um “Woodstock brasileiro” em Paraty, com a vinda destes, de todos os pontos do País.
  • A 8.2.1972, o Secretário de Estado, Chefe da Casa Civil do Governo do Estado de São Paulo, Henri C. Aidar, comunica ao Presidente da Câmara Municipal de Guaratinguetá, SP, Antônio de Pádua Fortes Azevedo, que, atendendo à solicitação do Vereador, o Governador Laudo Natel fez apelo ao Governador do Estado do Rio de Janeiro, Raymundo Padilha, para que fosse asfaltada a Estrada Paraty-Cunha. As gestões políticas nos dois Estados foram feitas pelo Líder Político do Extremo Sul do Estado e Primeiro Suplente de Deputado Federal, Câmara Torres.
  • Em fevereiro de 1972, às vésperas do Carnaval de 1972, o Primeiro Suplente de Deputado Federal Câmara Torres, atendendo a telegrama do Vereador e Líder Comunitário da Ilha Grande, Nacib Monteiro Queiroz, atua junto ao Governo do Estado, a fim de restabelecer a normalidade do transporte marítimo com o litoral oferecido pelo Serviço de Navegação Sul Fluminense. As comunidades da Ilha Grande e os turistas que visitam a região protestavam contra a precariedade do transporte, ora ausente, ora sem cumprir os horários estabelecidos. No sábado de Carnaval, tudo estava regularizado.
  • A 25.2.1972, o Primeiro Suplente de Deputado Federal pela ARENA, Câmara Torres, é escolhido Membro do Diretório Estadual do Partido no Estado do Rio de Janeiro.
  • No reinício do segundo período dos trabalhos do Ano Legislativo, 1972, o Deputado João José Galindo comunicou à Casa do grave acidente que sofrera o ex-Deputado Estadual e Primeiro Suplente de Deputado Federal, Câmara Torres, a 13 de julho daquele ano, na Estrada Getulândia-Angra dos Reis. O Presidente Deputado Joaquim de Freitas lamentando o ocorrido, imediatamente, designou uma comissão formada pelos Deputado João José Galindo, Geraldo Di Biase e Jorge David para, representando a Assembleia Legislativa, fazer uma visita a Câmara Torres, que estava internado no Hospital Santa Cruz, na capital fluminense.
  • Em março de 1972, atendendo às inúmeras e insistentes solicitações do Primeiro Suplente de Deputado Federal, Câmara Torres, o Chefe do Gabinete Civil do Governador do Estado do Rio de Janeiro, Mário Gliosci, telegrafou ao Prefeito de Paraty, Paulo Carijó, comunicando-lhe que Raymundo Padilha dera a respectiva Ordem de Serviço para início das obras da Estrada Paraty-Cunha, já que todas as providências legais necessárias estavam concluídas.
  • A 12.5.1972, a Setal Engenharia Empreendimentos, firma vencedora da licitação para asfaltamento da Estrada Paraty-Divisa RJ/SP, comunica ao Prefeito de Paraty, Paulo Carijó, e ao Vice-Prefeito Benedito Telmo Coupê, que, por instruções do DER-RJ, engenheiros da empresa estarão na cidade cinco dias depois, a 17 de maio, para início das obras “retardadas até agora por exigências federais. Trabalho do Primeiro Suplente de Deputado Federal, Câmara Torres.
  • A 6 de junho de 1972, a Câmara Municipal de Paraty aprovou, por unanimidade, Moção de Agradecimento a Câmara Torres pela sanção pelo Senhor Governador, da Lei 6.820, de 2.6.1972, que criou o Centro Educacional de Paraty, um sonho de décadas daquela gente e uma luta contínua do Deputado Estadual que, por dezesseis anos, representou o Município na Assembleia Legislativa. Mais tarde, a unidade, por sugestão do mesmo Câmara Torres passou a se denominar Centro Educacional Mário Moura Brasil do Amaral – CEMBRA, em homenagem ao engenheiro e professor, pioneiro do Ensino secundário e médio em Paraty.
  • Em junho de 1972, atendendo pedido do Vereador Benedito Nunes da Silva, o Pelinho, o Doutor Câmara Torres obteve do Governo do Estado melhoria da iluminação para o prédio da Santa Casa de Misericórdia de Paraty e da rua onde está localizado o nosocômio.
  • A 6.1.1973, Câmara Torres esteve em Angra dos Reis, no “Dia do Município”, participando de diversos eventos ao lado do Governador Raymundo Padilha, melhoramentos para a cidade, obras públicas pelas quais lutou durante anos. Na inauguração da Biblioteca Moacir Padilha, no Centro Estadual de Ensino, discursou antes do Governador. Este, por sua vez, enalteceu muito a vida pública de Câmara Torres.
  • No final de fevereiro de 1973, a Imprensa noticiava que um Deputado Federal da ARENA viesse a ocupar a Secretaria do Interior e Justiça, abrindo-se uma vaga na Câmara Torres para a representação fluminense do Partido na Câmara dos Deputados, pois era o Primeiro Suplente. Pura especulação. Câmara Torres permaneceu na Primeira Suplência até o final da Legislatura, em 1974, abandonando as disputas eleitorais. Nesse tempo, e até a sua partida, dedicou-se, prioritária e intensamente, à Advocacia, no Sul Fluminense, em Niterói e no Rio. As atividades políticas e partidárias, mesmo sem mandato, perturbaram bastante o seu trabalho profissional.
  • Em meados de abril de 1973, a Imprensa noticia que, sob a liderança do Primeiro Suplente de Deputado Federal, Câmara Torres, se reorganiza a ARENA de Paraty, após a derrota para o MDB nas eleições municipais do ano anterior. Todos os membros do Diretório renunciam. É eleito Presidente, o ex-Prefeito por dois mandatos, Aloysio de Castro; na Vice-Presidência o empresário, e ex-Vice-Prefeito, Benedito Coupê. O plano é revitalizar o Partido para as eleições gerais de 1974, com perspectivas para o próximo pleito municipal de 1976.
  • Na segunda quinzena de abril de 1973, o Suplente de Deputado Federal Câmara Torres foi o protagonista da solenidade de instalação do Centro Educacional de Paraty – CEP, luta de décadas do educador e líder político do Município e Região. O evento ocorreu no Paratiense Atlético Clube – PAC, com a presença do Deputado Estadual João José Galindo e do Professor Jair Travassos, diretor da unidade similar de Angra dos Reis, que representou a Secretária Estadual de Educação, Marília Veloso. Para primeiro diretor do CEP foi nomeado o Professor Benedito Melo da Silva. Após a cerimônia, o advogado Barreto Borges ofereceu um churrasco em seu sítio, nos pés da Serra de Paraty.
  • A 24.4.1973, a Câmara Municipal de Paraty, por unanimidade, aprovou Moção de Agradecimento “pela iniciativa brilhante” do Primeiro Suplente de Deputado Federal, Câmara Torres de, “graças aos incansáveis esforços do ilustre amigo de Paraty”, que obtém do Governo do Estado a nomeação de mais dois médicos para o Município, amenizando assim o angustiante problema do atendimento aos doentes da Comunidade. A comunicação da Moção foi feita pelo Presidente da Câmara Municipal, Vereador Newton Cananéa, do MDB.
  • A 15.5.1973, o Primeiro Suplente de Deputado Federal, Câmara Torres, e o Deputado Estadual João José Galindo telegrafam ao Governador Raymundo Padilha, ao Chefe da Casa Civil, Mário Gliosci, ao Gal. Rubens Rosado, Secretário de Comunicações e Transportes e ao Diretor do DER-RJ, Ivan Mondim, transmitindo a decepção do Povo de Paraty, que, após “tantas esperanças” e dez anos do início dos trabalhos da Estrada RJ-130, Paraty-Cunha, com a obtenção, graças ao trabalho do então Deputado Estadual Câmara Torres, empréstimo externo para realização das obras – estas, naquele momento, estavam paralisadas. Apontaram a responsabilidade à firma empreiteira “que pouco produziu e retirou equipamento pesado que se encontrava no Alto da Serra, deixando poucas máquinas”. Solicitam urgente “esforço e eficiência” do Governo Estadual, antes que surjam repercussões políticas e sociais desagradáveis”.
  • Em meados de maio de 1973, a Imprensa dá como “certa” a candidatura de Câmara Torres à Câmara Federal. Isto não aconteceu.


Março de 1972: Câmara Torres leva uma comitiva de líderes políticos de Paraty a Raymundo Padilha, 
com uma pauta de demandas da população que o Governador havia prometido ao então Deputado
atender  no início do seu governo: as construções e pavimentações das Estradas Angra-Paraty
e Paraty-até a divisa RJ-SP, em Cunha; a situação aflitiva dos agricultores e pecuaristas
impedidos de produzir, e que, há décadas, habitavam o recém criado Parque Nacional
da Serra da Bocaina; águas e saneamento básico, estímulo ao Turismo,
a maior proteção do Bairro Histórico etc. Na foto, na primeira fila, de costas,
da esq. p/dir., Vice-Prefeito Benedito Telmo Coupê, ex-Prefeito Antônio Núbile França,
 Deputado João José Galindo; na cabeceira, o Governador Raymundo Padilha;
na segunda fila, Câmara Torres, o Prefeito Paulo Carijó
e José Plínio Rubem de Oliveira, Secretário de Obras de Paraty.
(Foto: AFI – Acervo Marcelo Câmara)

  • Em outubro de 1973, o repórter Luiz Carlos Azedo, de O Fluminense, publica uma série de reportagens sobre a “eternidade, as grandes dificuldades, devido à natureza física, a incompetência e a burocracia institucional, incluindo as irregularidades das empreiteiras contratadas, para a conclusão da Rodovia Rio-Santos.
  • O ‘prefeito’ de Paraty, Edson Lacerda, é mentiroso, despeitado, e não tem moral para tecer considerações sobre qualquer Homem Público, muito menos, mentir e reduzir o edificante trabalho de décadas do Doutor Câmara Torres em favor de todo o Extremo Sul Fluminense”. A declaração, feita em Sessão da Câmara Municipal de Angra dos Reis, em novembro de 1973, foi feita pelo Vereador José Belmiro da Paixão, em defesa do ex-Deputado Estadual e Primeiro Suplente de Deputado Federal, ao declarar a um jornal local que “Câmara Torres atrapalhava a sua administração com sua política e não o ajudava em nada”. O Vereador Paixão rechaçou, com veemência, as ofensas de Lacerda, o que foi apoiado por toda a Câmara, com aparte vigoroso em favor de Câmara Torres do Vereador Manoel Jordão.
  • Em dezembro de 1973, a Imprensa voltou a colocar o nome do Primeiro Suplente de Deputado Federal, Câmara Torres, entre os candidatos arenistas à Câmara Federal na eleição de 1974, o que não se confirmou. Câmara Torres, mesmo atuando e influindo politicamente no Sul Fluminense, organizando e reestruturando Diretórios do Partido, não desejava mais concorrer em eleições. Dedicava-se intensamente à Advocacia. Ajudou, sim, vários políticos correligionários a se elegerem para Assembleia Legislativa e a Câmara Federal, pois, mesmo fora das disputas, tinha prestígio, votos, capital eleitoral na Região.




  • Em janeiro de 1974, a Imprensa noticiou a decisão definitiva do Primeiro Suplente de Deputado Federal, Câmara Torres, de não concorrer à Câmara dos Deputados, de “se retirar da Vida Pública” e trabalhar apenas como Advogado no setor privado. Realmente, não se candidatou e dedicou o maior parte do seu tempo à sua atividade profissional, a Advocacia, iniciada em 1942. Mas, isto não se deu rigorosamente, como este capítulo da sua biografia registra.
  • A 16.3.1974, o Provedor da Santa Casa de Misericórdia de Paraty, em Reunião Solene da Irmandade, fazia um detalhado balanço das obras que culminaram com a ampliação e reforma do único hospital do Município, ao tempo que inaugurava o Laboratório de Análises Clínicas. Toda a melhoria dos serviços do nosocômio, o aperfeiçoamento e capacidade de suas unidades de atendimento, aumento dos seus recursos tecnológicos e humanos, equipamentos e materiais – era creditado, em sua grande parte, ao trabalho do ex- Deputado Estadual e, à época, Primeiro Suplente de Deputado Federal, Câmara Torres


Início da década de 1970, o Doutor Câmara Torres obtém para a Santa Casa de Misericórdia de Paraty,
 recursos para sua ampliação e modernização, além de aparelhos, equipamentos e materiais
 de medicina diagnóstica, clínica e cirúrgica da população. Na foto, o Deputado Federal, Dayl de Almeida,
à esq., que se juntou a Câmara Torres nessas conquistas, assiste à operação desses equipamentos
feita pelo Dr. Agostinho Martins de Oliveira Filho, valoroso Diretor do Hospital,
que, durante 33 anos comandou, com dedicação e proficiência, a Saúde no Município.
 Atrás, o comerciante José Murilo Melo da Silva, integrante da Irmandade
que administrava o nosocômio.
(Acervo Marcelo Câmara)


  • A 16.3.1974, o Provedor da Santa Casa de Misericórdia de Paraty, em Reunião Solene, entrega ao Povo o Hospital ampliado e reformado, o único do Município, graças à atuação de Câmara Torres na Assembleia Legislativa e junto ao Governo Estadual.
  • A 20.10.1974, o Primeiro Suplente de Deputado Federal, Câmara Torres, lança Manifestos políticos aos seus amigos, correligionários, seguidores, de Angra dos Reis e Paraty, pedindo votos e apoio a diversos candidatos da ARENA. Até o final da vida, mesmo deixando de exercer mandatos desde 1971, Câmara Torres possuía um cabedal eleitoral de milhares de votos. Tanto isto é verdade que, mesmo nos anos 1990, já afastado da Política, quando partiu no final da década, ainda dirigiu votos de seus correligionários e seguidores a políticos amigos, filiados a diversos partidos.
  • A primeira página da edição do Jornal do Brasil, de 3.3.1975, trouxe a seguinte chamada: Contenção de encosta atrasa a Rio-Santos. Seguiu-se o texto, ainda na primeira página:
Problemas de ordem geológica, como a necessidade da construção de grandes muros para a contenção das encostas, uma orografia acidentada e um terreno quaternário em processo de decomposição, condições não previstas pelas firmas construtoras estão atrasando a conclusão da Rodovia BR-101, Rio-Santos; Os engenheiros argumentam que o terreno úmido conhecido como talus provoca um perigoso processo geológico: gigantescas pedras se deslocam sobre blocos-matrizes, invadindo o leito da estrada. No trecho Rio-Angra dos Reis, túneis, pontes e viadutos, estão ainda em fase de acabamento, não se podendo prever, com exatidão, a data de sua conclusão(Página 11).

A autoria da matéria era de um jovem repórter, estudante de Jornalismo, estagiário, Marcelo Câmara, filho de Câmara Torres, que, dois meses depois, era promovido a Repórter Especial, o mais alto lugar da Reportagem do Jornal do Brasil, à época, o mais importante do País. A pauta, sugerida pelo próprio Marcelo Câmara, um angrense, à Chefia de Reportagem do jornal, era uma previsão do seu pai, feita anos antes, logo no início da construção da Rio-Santos, que executava uma projeto sempre questionado por Câmara Torres. A grande matéria, não assinada por Marcelo, foi editada com foto, também não assinada, do então veterano e competentíssimo Ronald Theobald. Note-se que, no final do texto-chamada da primeira página, estava, indiretamente, dito o que sempre previu o Deputado Câmara Torres e era o resumo da mensagem jornalística da reportagem: A Rio-Santos jamais será inaugurada. E não foi. Até hoje. E por quê? Porque, como temia e vaticinava Câmara Torres, e denunciou o seu filho, a Rio-Santos é uma estrada burra, irracional, criminosa. Destruiu, ao menos deteriorou, precarizou, cerca de cem praias, eliminou paisagens, afetou, gravemente, a flora e fauna terrestre e marinha. Agrediu, tangeu ou deslocou sítios inteiros da Mata Atlântica e de plantações. Como imaginar uma grande rodovia, de alta velocidade, avassaladora, num litoral encantado, recortado de baías, enseadas, angras e sacos, povoada de praias, natureza tropical, rica, plural, exuberante? Nunca a estrada esteve livre, limpa, desimpedida.

A estrada ideal, adequada, seria, como queria o Deputado Câmara Torres, de baixa-velocidade, economicamente inteligente, acompanhando o recorte, o desenho do litoral, cheia de belvederes, de platôs de avistamento da paisagem, de mirantes, de "paradas" para o visitante. Uma estrada para o viajante, o turista ver, vislumbrar, sentir, parar, extasiar-se, fotografar, filmar, dormir, comprar, gastar, comer, beber, consumir, amar, voltar.


1966. Abertura da Estrada Angra-Paraty. Essa era a estrada litorânea que nascia,

sonhada por Câmara Torres: a "Riviera da Costa Verde". Uma rodovia estreita,
de apenas duas pistas, de baixa velocidade,  ambientalmente sustentada,
integrada à natureza, 
que agredisse, o mínimo possível,  o solo, a mata,
a flora e a fauna  terrestre e marítima, 
serpenteando a costa,
"uma estrada, como dizia, para ver, sentir  e amar,

ir e voltar, sempre". Fizeram tudo ao contrário.

(Acervo Marcelo Câmara)


Desde que foi aberta, a cada chuva, uma encosta, uma barreira cai, despenca, toma conta da estrada. A autoridade, se fosse inaugurá-la algum dia, correria o risco de morrer soterrada. Com a sua comitiva, é claro. Por isto, ela é a única grande estrada federal que nunca foi inaugurada. Nem será. O terreno da Serra do Mar, de Mangaratiba a São Vicente, é, como escreveu Marcelo Câmara no Jornal do Brasil em 1975, um terreno quaternário, em decomposição, com muita água, numa orografia muito acidentada, repleta de pedras imensas, grandes e médias, que se deslocam sobre blocos-matrizes. Há muita umidade, muita água no solo desse litoral. Na Costa Verde, em Angra, Paraty e Mangaratiba, as montanhas descem íngremes até o mar, as matas beijam o mar. Por isto, Costa Verde. A Mata Atlântica refletida no azul do mar. Em Angra, você pode tomar banho de cachoeira, banhar-se na água doce, no mar, dentro de uma canoa. As montanhas da Costa Verde mergulham no mar. Elas estão sempre descendo, mergulhando no mar. Terra, mata e... os bananais. A bananeira, cultura perfeita e adequada à terra úmida e molhada, típica da região, quase “um mato da região”, afofa a terra, retem água, encharca mais o terreno, umedece-o ainda mais, tornando o solo fofo, areado, frágil, solto. E, em Angra, do Rio a Santos, a banana, uma planta de origem asiática, parece que é nativa. Os bananais têm séculos, se reproduzem naturalmente, como mato, relva, capim. Lúcio Costa escreveu que "Paraty" - cidade construída no fundo da baía, na planície, que mesmo não sofrendo com os desmoronamentos - "é a cidade onde os caminhos do mar e os caminhos da terra se encontram, melhor, se entrosam". De novembro a abril, chove quase todos os dias entre Rio e Santos. Quase sempre, intensa e longamente. Todos os caiçaras, mangaratibanos, angrenses, paratyenses, ubatubenses, vicentinos, sabem disto. Têm consciência dos perigos das chuvas, das marés, do vento sudoeste impiedoso, das mudanças bruscas no céu e na temperatura. As autoridades públicas sempre souberam. Ou fingem que nunca souberam. Câmara Torres estava certo.

  • A primeira edição, do jornal Giro, de Angra dos Reis, de 7.8.1975, publica carta do ex-Vereador Benedito Braz Pereira (do extinto PTB), dirigida à Gazeta de Angra, de Alípio Mendes, jornal centenário que deixava de ser distribuído na cidade, lembrando a todos que “o nosso ilustre amigo e ex-deputado José Augusto da Câmara Torres, foi um grande batalhador para a melhoria do ensino neste município quando Sua Excelência exerceu os cargos de Chefe da Inspetoria da 1ª Região Escolar e, depois, como Parlamentar na Assembleia Legislativa, representante do Extremo Sul do Estado. Lamento que o seu nome seja hoje esquecido. Esse cidadão deveria ter o seu busto colocado no pedestal dos amigos de Angra dos Reis”.
  • Em setembro de 1975, Câmara Torres reunia membros da ARENA de Angra dos Reis e Paraty a fim de discutir problemas que afligiam os dois municípios, tendo em vista a abertura da Rodovia Rio-Santos, aumentando com as populações locais, a demanda turística, o trânsito nos municípios e o movimento no Hospital e Maternidade da Santa Casa Codrato de Vilhena, de Angra, o único com capacidade para atender às vítimas de acidentes rodoviários que tem ocorrido na região.
  • A 10.11.1976, o Governo do Estado inaugurou o fornecimento e distribuição de energia elétrica em Paraty, pela Usina Nuclear, da Itaorna, à margem da Rodovia Rio-Santos, substituindo a geração de energia termoelétrica, os motores a diesel que representaram uma economia de 100 mil litros mensais de combustível. O Governador Faria Lima ligou, oficialmente, o novo sistema. Paraty foi a última sede municipal a ter a sua freqüência de energia aumentada de 50 para 60 ciclos. Os técnicos das Centrais Elétricas Fluminenses – CELF informaram que, a partir daquela data, seria possível atender ao pedido de novas ligações, pois o equipamento estava em estado caótico, com carga e capacidade esgotadas, à beira de um colapso total. O trabalho de Câmara Torres junto às autoridades, como dirigente partidário e líder político em Paraty e Região, foi decisivo para a efetivação do melhoramento.
  • Em outubro de 1977, o ex-Deputado Câmara Torres estava exultante com a inauguração da primeira linha regular de ônibus entre as cidades de Angra dos Reis e Paraty, resultado de sua ação junto à iniciativa privada durante muitos anos.
  • Nas décadas de 1960 e 1970, o Líder Político do Extremo Sul Fluminense, Doutor Câmara Torres obteve do Governo do Estado do Rio de Janeiro todas as concessões das linhas de ônibus que servem às populações de Angra dos Reis e Paraty.
  • A 8.11.1983, a pedido do Doutor Câmara Torres, o Deputado Estadual João José Galindo apresentou. e a Assembleia Legislativa aprovou, por unanimidade, Moção de Pesar pelo falecimento de Paulo Sodré da Nóbrega, ex-Vereador de Angra dos Reis, Titular aposentado do Cartório do 2º Distrito do Frade, grande Líder Comunitário daquela comunidade, que deve muito ao seu trabalho como Cidadão e Político em favor da população. A manifestação da Câmara Municipal de Angra dos Reis foi enviada à Família enlutada na pessoa de seu filho Luiz Sodré da Nóbrega.
  • A edição de 2.9.1979 do Jornal do Brasil publicou ampla e detalhada matéria sobre a intenção do Deputado Adhemar de Barros Filho (ARENA-SP) de ressuscitar o Partido Social Progressista – PSP, fundado por seu pai, Adhemar de Barros, em todo o País, ou agremiação com aquele perfil, arregimentando políticos cassados ou que deixaram a Política espontaneamente, de vários partidos, especialmente do PSP. No Estado do Rio, Adhemarzinho, como era conhecido, entrou em entendimentos, inicialmente com o Governador Chagas Freitas, convidando-o para a organização do novo Partido. Chagas pediu “tempo para pensar”. Vários pessepistas foram procurados pelo Parlamentar paulista, inclusive Câmara Torres, quatro vezes Deputado Estadual, três pelo Partido de Adhemar de Barros de quem era amigo. Mas, desestimulado e distante das disputas eleitorais desde 1970, dedicava-se, quase que integralmente, à Advocacia e não se animou com a empreitada. Adhemarzinho, que conhecia Câmara Torres, através do pai desde a década de 1950, queria lhe entregar a organização do novo Partido no Extremo Sul Fluminense. Mas o projeto não caminhou em nenhum Estado. Apenas um sonho de um legado político que o Deputado paulista não conseguiu viabilizar.
  • Em outubro de 1980, Câmara Torres, como Presidente do PDS de Angra dos Reis, defende, publicamente, através da Imprensa, as eleições diretas para prefeito em Angra dos Reis, contrariando as orientações nacional e regional do partido, que defendia a permanência do Município como “Área de Segurança Nacional”. O semanário local e regional, Maré – Jornal Comunitário, assim como vários veículos do Estado, divulgam, em muitas das suas edições, manifestações do ex-deputado em favor da normalidade democrática em Angra e em todo o País.

Em outubro de 1980, o Senador Amaral Peixoto, à esq., então no PDS,
se encontra com Câmara Torres, à dir., em Angra dos Reis,
a fim de articular estratégias para que o município não fosse mais considerado
“área de segurança nacional” e retornasse à normalidade democrática,
podendo a população escolher livremente, pelo voto direto, o seu prefeito.
(Foto Jornal Maré, Angra dos Reis, Ano I nº 2, nov. 1980)

  • Na noite de 8.12.1980, no Auditório da Universidade Federal Fluminense – UFF, o Doutor José Augusto da Câmara Torres, recebia o Título de Cidadão do Estado do Rio de Janeiro, do (novo) Estado do Rio de Janeiro, surgido da fusão entre o eterno Estado do Rio de Janeiro e o efêmero Estado da Guanabara. A láurea foi concedida por lei promulgada pela Assembleia Legislativa, decorrente de Projeto do Deputado Flávio Palmier da Veiga.


Em 1980, aos 63 anos, o potiguar José Augusto
da Câmara Torres é, pela segunda vez,
Cidadão do Estado do Rio de Janeiro,
desta vez do novo Estado, resultado da fusão de 1975.
(Acervo Marcelo Câmara)

  • Em abril de 1981, Câmara Torres, após anos de muito diálogo e articulações políticas no Rio e, depois, em Brasília, com o Deputado Federal Saramago Pinheiro, obteve, junto à Presidência da República, através do Ministério da Justiça, o afastamento prefeito nomeado Roberto Carlos de Valle Ferreira. Câmara Torres e Saramago Pinheiro trabalharam intensamente, em Brasília, dialogando com ministros e com a cúpula federal do Partido Democrático Social – PDS, cujo Diretório de Angra dos Reis o primeiro presidia, para que o município deixasse ser considerado “área de segurança nacional”, e voltasse a eleger, em pleitos livres, democráticos e diretos, o seu prefeito. A luta foi longa e árdua. Eram nomeações de militares e de pessoas ligadas e de confiança do regime militar, todas estranhas à história e à sociedade angrense, feitas pelo Presidente da República. O primeiro passo foi dado com a nomeação de um angrense para a Prefeitura: o empresário de tradicional família local, João Luiz Gibrail Rocha. Este governou de setembro de 1983 a dezembro de 1985. Além de ser uma liderança popular, foi um bom administrador e um hábil artífice da transição da Ditadura para a Democracia. Em seguida, livrando-se das restrições de “área de segurança” e restabelecidas as eleições diretas, Angra Reis elegeu, pelo voto popular, o engenheiro José Luiz Reseck, também de tradicional família da terra, que governou de 1º.1.1986 a 31.12.1988. A partir de então, Angra dos Reis retoma a sua história política de normalidade.
  • A 9.11.1981, com as presenças do Vice-Governador, Hamilton Xavier, do Prefeito de Niterói, Moreira Franco, do ex-Vice-Governador, João Batista da Costa, do Deputado Federal, Saramago Pinheiro, do Deputado Estadual Flávio Palmier da Veiga e do Prefeito de Angra dos Reis, Toscano de Brito – Câmara Torres, Presidente do PDS da Angra dos Reis, inaugurou a sede do partido em Angra dos Reis, ”uma pequena loja da Travessa Vereador Vilas Boas”, no centro da cidade. Na oportunidade, Câmara Torres exaltou a união de todos os membros da agremiação, dos políticos presentes e de toda a população a prosseguir na luta pela autonomia política de Angra, pelas eleições diretas para prefeito e vice-prefeito.
  • A 24.8.1981, Câmara Torres, por motivos particulares, inclusive o de não residir em Angra dos Reis, solicita exoneração do cargo para o qual foi eleito de Vice-Presidente do Diretório Municipal do Partido Democrático Social – PDS, daquele Município, após o mandato de um ano. No entanto, se coloca à disposição, dentro das suas possibilidades, a continuar, como filiado e combatente, apoiando, aconselhando, auxiliando o Partido. Mas parece que o pedido foi negado, pois dois anos depois presidia, novamente, o Diretório.
  • A 9.11.1981, com as presenças do Vice-Governador, Hamilton Xavier, do Prefeito de Niterói, Moreira Franco, do ex-Vice-Governador, João Batista da Costa, do Deputado Federal, Saramago Pinheiro, do Deputado Estadual Flávio Palmier da Veiga e do Prefeito de Angra dos Reis, Toscano de Brito – Câmara Torres, Presidente do PDS da Angra dos Reis, inaugurou a sede do partido em Angra dos Reis, ”uma pequena loja da Travessa Vereador Vilas Boas”, no centro da cidade. Na oportunidade, Câmara Torres exaltou a união de todos os membros da agremiação, dos políticos presentes e de toda a população a prosseguir na luta pela autonomia política de Angra, pelas eleições diretas para prefeito e vice-prefeito
  • Em 1981, o Advogado Câmara Torres, liderou o movimento, com o então Prefeito, a Câmara Municipal, a Associação Comercial e Industrial e a Subseção da OAB de Angra dos Reis, obtendo do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro, a elevação da Comarca de Angra dos Reis à categoria de Segunda Entrância
  • A 27.7.1982, na condição de Presidente do Diretório Municipal do PDS, de Angra dos Reis, Câmara Torres, telegrafou ao Presidente Nacional do Partido, Senador José Sarney, denunciando a “prisão ilegal e agressão verbal ao vereador Arquileu Moreira Gomes”, da legenda naquele município. Segundo telegrama encaminhado por Sarney ao Ministro da Justiça Ibrahim Abi-Ackel, “o vereador foi vítima das Polícias Militar e Civil do Governo Chagas Freitas”. Câmara Torres informou que Arquileu “foi preso e arrastado pelas ruas da cidade, tendo como única culpa pertencer ao partido do Governo Federal” e acrescentou que “a alegação para a prisão foi a de que o vereador estava aproveitando a vitória da Seleção Brasileira para fins políticos, o que bem demonstra aonde chega a paixão política dos membros do partido do Governo Estadual”. O Ministro da Justiça pediu rigorosa apuração ao Governador Chagas Freitas.
  • A 18.1983, como Presidente do Diretório Municipal do PDS, de Angra dos Reis, Câmara Torres lança veemente Manifesto sob o título Ao Povo Angrense, afirmando que “O Povo Angrense não mais pode adiar a luta pela AUTONOMIA MUNICIPAL. ELEIÇÕES DIRETAS PARA PREFEITO MUNICIPAL, DE IMEDIATO, É O QUE TODOS PEDEM”. E complementa: “É a bandeira de Angra dos Reis, e será levada a todas as praias, sertões, vilas, povoados, morros, comunidades de trabalhadores e entidades de classe, para que o Povo vá às urnas e escolha, já, agora, de pronto, o seu Prefeito legítimo. Cremos que todos os Partidos estarão unidos em um só pensamento: CRIAR UM CLIMA DE ABERTURA...” Na mesma data os seis Vereadores do PDS lançam a Carta aos Angrenses ratificando o Manifesto de Câmara Torres, manifestando “repulsa à estranha e incômoda situação de área de segurança, e consequente nomeação de Prefeitos, a que estamos submetidos”.
  • A 28.8.1982, Câmara Torres está presente no ato de assinatura de posse de Tito Marçal, Presidente da Câmara Municipal de Angra dos Reis, como Chefe do Poder Executivo de Angra dos Reis, em decorrência da renúncia do Capitão de Mar e Guerra, da Reserva, Vale Ferreira.
  • A 5.9.1982, Câmara Torres, na condição de Presidente do PDS de Angra dos Reis, discursa no Salão da Câmara Municipal de Angra dos Reis, na posse do prefeito nomeado de Angra dos Reis, Almirante Jair Toscano de Brito. Na sua fala, enalteceu o protagonismo, no episódio da renúncia de Vale Ferreira, do Deputado Federal Saramago Pinheiro, que anunciou a volta das eleições diretas para prefeito do Município, processo e causa da qual, ele, Câmara Torres, estava, há anos, empenhado.
  • Na edição de O Fluminense de 14.9.1986, o jornalista Eraldo Quintanilha, em sua prestigiosa coluna política, com um texto intitulado A voltasaúda o retorno às disputas eleitorais, entre outros, do ex-Deputado Estadual Câmara Torres nas eleições daquele ano, visando ocupar uma Cadeira na Assembleia Legislativa. Dezesseis anos afastado dos pleitos, Câmara Torres foi, praticamente, instado a concorrer por amigos e correligionários de Angra dos Reis e Paraty. Mas, na verdade, após esse longo jejum e com graves problemas de saúde na família, não era o seu desejo participar daquela eleição. Quintanilha, no entanto, o qualifica como “um político brilhante, (...) um nome que se transformou em legenda nos municípios que representou, que não está esquecido, e, agora, quer demonstrar isso”. Era o olhar crítico e otimista de um comentarista da vida política fluminense. Mas “a volta” não aconteceu.
  • A 22.6.1987, aprovaram, por unanimidade, Moções de Felicitações pelos 70 Anos de Câmara Torres, as Câmaras Municipais de: Angra dos Reis, Paraty, Rio Claro, todas por unanimidade.
  • Câmara Torres participou da Sessão Solene de 26.11.1987 da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, que homenageou os vinte e cinco anos de atuação do seu amigo e ex-colega naquela Casa, Jorge David. Ao evento acorreram autoridades dos três Poderes, das esferas estaduais e federais.
  • A 19.10.1989, a Câmara Municipal de Angra dos Reis expediu Diploma de Participação Cultural ao Doutor José Augusto da Câmara Torres “por ter honrado esta Casa Legislativa com sua presença e seus Trabalhos, e palestra, na Instalação da Assembleia Municipal Constituinte”. Na oportunidade, o ex-Deputado Estadual proferiu aplaudida palestra sobre o tema O Municipalismo. Presidia a Câmara Municipal, o Vereador Arquileu Moreira Gomes.
  • A 14.8.1992, a Prefeitura Municipal de Rio Claro, durante as Festividades alusivas aos 151 anos de Luiz Nicolau Fagundes Varela, em Sessão Solene da Câmara Municipal, o ex-Técnico de Educação, Chefe da Inspetoria Estadual de Ensino e ex-Deputado Estadual, Doutor Câmara Torres recebeu a Medalha do Mérito Fagundes Varela, a mais alta condecoração do Município, “uma homenagem que o povo rio-clarense presta a quem se distinguiu no esforço e no devotamento a ações que resultaram em benefício para a comunidade. Trata-se de consignar, oficialmente, a gratidão do Povo de Rio Claro, distinguido com atenta operosidade de Vossa Senhoria”. E acrescenta o então Prefeito Raul Machado em sua comunicação: “A possibilidade de prestar a homenagem é tida por nós como muito honrosa, porque plena de humilde reconhecimento e profunda admiração”.



Da esq. p/ dir.: Príncipe Dom João de Orleans e Bragança, Enélio Lima Petrovich,
Presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte,
e Câmara Torres, em frente ao sobrado do nobre, na Rua Fresca, em Paraty, RJ.
(Acervo Marcelo Câmara)



Câmara Torres e seu amigo Enélio Lima Petrovich,
visitam, no início dos anos 1990, em Itapinhoacanga, Angra dos Reis, RJ,
o Centro Municipal de Ensino Deputado Câmara Torres. 
(Acerco Marcelo Câmara)

  • Em maio de 1994, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro aprovou Projeto do Deputado Palmir Silva (PDT), que concedeu ao ex-Deputado Estadual Câmara Torres, a Medalha Tiradentes, a mais alta honraria do Poder Legislativo fluminense. Palmir justificou: “Trata-se de reconhecimento a quem se destacou na vida pública fluminense, não apenas no exercício do mandato popular, como também nas atividade de jornalista, escritor, advogado e professor”.
  • Na noite de 23.11.1994, na solenidade comemorativa dos 49 anos de fundação da Associação dos Servidores Públicos do Estado do Rio de Janeiro – ASPERJ, Câmara Torres foi homenageado pela entidade pelos relevantes serviços prestados à categoria

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