terça-feira, 4 de agosto de 2020

O HOMEM E O SEU TEMPO - DE 1957 A 1998



CENTENÁRIO DE CÂMARA TORRES
1917-2017
José Augusto da Câmara Torres
(* Caicó, RN, 1917 – † Niterói, RJ, 2017)
Jornalista, Educador, Advogado, Político
________________________________________

O HOMEM E O SEU TEMPO
ALGUNS FATOS DE 1957 A 1998

O PERCURSO EXISTENCIAL DE
JOSÉ AUGUSTO DA CÂMARA TORRES
DE MARÇO DE 1957
A 22 DE AGOSTO DE 1998


ALGUNS REGISTROS

  • Em março de 1957, na condição de Vice-Presidente do Aeroclube do Estado do Rio de Janeiro, o Doutor Câmara Torres e o Desembargador Pache de Faria, Presidente, participam da Revoada Comemorativa do Cinquentenário do 14-Bis, de Niterói com destino a Buenos Aires, uma das representações do Brasil nas solenidades realizadas na capital argentina. Depois, foram a Mar Del Plata. Antes e depois da sua estada na Argentina, estiveram no Uruguai, onde visitaram Montevideo e Punta Del Leste. Era a primeira vez que José Augusto saía do País.

____________________________________________

Crachá de Câmara Torres,
participante da Revoada de Santos Dumont.
Num monomotor Cessna, Câmara Torres,
o Desembargador Pache de Faria, Presidente do Aero-Clube,
e o piloto Cileno Rocha,
sob o comando do valoroso e experiente piloto
José Viegas dos Santos,
partiram do Aeroporto na Praia de Charitas
“numa bela e emocionante aventura”.
Primeiro pernoite em Paranaguá, PR. No dia seguinte,
escalas em Pelotas e Jaguarão, RS,
onde as aeronaves brasileiras se concentraram.
De lá, as escalas: Punta del Leste e Montevidéu,
no Uruguai, e, finalmente, Buenos Aires. Na Capital argentina,
as homenagens americanas ao Pai da Aviação.

(Acervo Marcelo Câmara)


  • Em 19.7.1957, o cristão, congregado mariano e vicentino Câmara Torres, na condição de Presidente da Associação de Caridade São Vicente de Paulo, após anos de intenso trabalho, com a indispensável ajuda de muitos angrenses, inaugura, na presença de toda a diretoria da instituição, doadores, filantropos, contribuintes, autoridades e povo em geral, o Asilo São Vicente de Paulo, de Angra dos Reis. Idealizado por ele, a obra, além de supervisionada, foi, também, em boa parte, viabilizada com subvenções obtidas pelo Parlamentar, graças à sua ação junto ao Conselho de Serviço Social do RJ, e na Assembleia Legislativa, obtendo verbas através de Emendas às Mensagens do Governo do Estado na elaboração das sucessivas Leis dos Orçamentos Públicos.


O Deputado Estadual Câmara Torres, faz, na entrada do prédio,
o discurso de inauguração do Asilo São Vicente de Paulo.
Na fila à esq., três personalidades da vida angrense:
o empresário e filantropo Catulino Gomes Neto;
o Vereador Heitor Chagas da Rocha
e o Deputado Federal Jonas Bahiense Lyra.

(Foto Acervo Marcelo Câmara)





19.7.1957. Domingo festivo em Angra dos Reis. Angrenses comemoram a inauguração em frente 
ao prédio
do Asilo S. Vicente de Paulo, sonho da população: uma instituição para abrigar
 e cuidar 
da velhice desamparada. Na primeira fila, agachados, os meninos do Grupo de Escoteiros
do Mar 
Almirante Cândido Brasil, fundado pelo e liderados pelo querido Chefe Cotta
(Roberto Seixas Cotta). 
No centro da foto, de terno escuro,
entre dois militares, um dos baluartes da obra assistencial: o Prefeito Salomão Reseck.

(Acervo Marcelo Câmara)

  • A 12.3.1958, Câmara Torres foi eleito para compor do Conselho Deliberativo do Iate Clube de Angra dos Reis – ICAR.
  • A 27.3.1958, foi eleito 2º Vice-Comodoro pelo Conselho Deliberativo do ICAR. Para o cargo de Comodoro foi eleito, para um segundo mandato (período 1958-1960) o seu amigo Dário Derenzi.
  • A 27 de julho de 1958, foi eleito, por unanimidade, Vice-Provedor do Hospital da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Angra dos Reis.
  • Acidente no encontro com o pai.
Por volta de agosto de 1958, o Deputado Câmara Torres estava em Paraty em companhia do seu filho Marcelo, de oito anos, em campanha eleitoral para a sua primeira reeleição à Assembleia Legislativa. O Parlamentar estava hospedado na cidade. Marcelo preferia ficar na casa do seu primeiro e maior amigo paratyense, o Senhor Otávio Gama, de 78 anos, na Praia da Jabaquara, a três quilômetros do centro da cidade. Otávio era agricultor, ex-destilador de Cachaça e Tesoureiro aposentado da Prefeitura. Patriarca de tradicional família da terra, pai de mais de duas dezenas de filhos, residia numa bela e ampla casa colonial rústica, a vinte passos do mar, no canto norte da praia. Numa tarde, o menino avistou o pai chegando de canoa à praia, onde desembarcaria vindo de alguma localidade praiana na Baía de Paraty. Era típico nessas casas existir, aberta a porta grande e alta dos fundos da residência, um portão de ripas mantido fechado com tranca, abrindo para fora, Marcelo, ansioso e alegre com a aproximação da canoa que trazia o pai, encostou no portão que estava destrancado, caindo de cabeça sobre uma grande pedra que servia como degrau para se alcançasse o chão da casa. O pior é que sobre a grande pedra havia uma pequena, em forma de triângulo. O tombo de Marcelo arremessou-o de testa sobre a pedra grande, e, certeiramente, sobre uma das pontas da pedra pequena. Muito sangue e choro. O pai foi logo avisado e Marcelo transportado, às pressas, a cavalo para a única farmácia da cidade, onde o Doutor José o aguardava. Amparado, de um lado, por Benedita Vieira de Oliveira (Dona Filhinha) e por Maria Stela de Araújo, o competente farmacêutico Senhor Hugo Miranda fechou, com suas habilidosas mãos, a importante ferida, com pontos bem ajustados, que fizeram cessar logo o sangramento e, em alguns dias, a cicatriz se formou. Até hoje, septuagenário, Marcelo traz a marca paratyana na testa.

  • A 8.9.1957, o Deputado Câmara Torres participa, em Paraty, RJ, do Dia Consagrado à Natividade de Nossa Senhora, auge do amplo Programa da “Tradicional e Soleníssima Festa de Nossa Senhora dos Remédios – Excelsa Padroeira de Paraty, que começou a ser cumprido a 30 de agosto. Ladainhas, procissões, missas, comunhão, alvoradas da Banda Sta. Cecília, sob a batuta do Maestro Benedito Flores, o Potico, leilões, apresentações do Coro Litúrgico, com a regência do Maestro J. Rubem, jogos esportivos, fogos de artifício, várias cerimônias religiosas e apresentações de música, canto, dança e folguedos do Folclore local constaram do Programa. O Festeiro foi o Sr. Ozório dos Santos, auxiliado por diversos Juízes, “honrados cidadãos da cidade”. Todos os atos religiosos da Festa foram oficiados pelo Pe. Irineu Penteado. O Vigário era o Pe. Gino Cecchin.
    • Na noite de 13.5.1959, na sede do Centro Juvenil de Orientação e Pesquisa, em Icaraí, o Deputado Câmara Torres pronunciou palestra sob o tema A importância da educação familiar e sistemática na formação integral do adolescente, seguida de debates. O Professor e Parlamentar recebeu convite do Presidente da Comissão de Pais e Educadores, o médico Doutor Walter Madeira.
    • Em 1959, o Deputado Câmara Torres idealiza e promove o certame, pela Loteria Federal, de prêmios no valor total de Cr$ 141.920,00, através de venda de tômbolas em todo o Estado do Rio, cujo lucro reverteu em benefício das obras sociais da Paróquia de Santo Antônio de Capivari, em Lídice, Rio Claro, RJ. Os prêmios foram doados pelo comércio e a indústria fluminense, a pedido do Deputado. A campanha foi um absoluto sucesso. O vigário de Lídice era o temperamental, conservador, irascível e temido sacerdote alemão Alfredo Oelkers, de tendências nazistas, adversário político de Câmara Torres por toda a vida, mesmo após o certame. Igualmente, o Padre Gad , vigário da Paróquia de Nossa Sa. da Piedade, de Rio Claro, na sede do Município, apesar de Câmara Torres advogar por décadas para a Mitra Diocesana de Barra do Piraí, e para a própria Paróquia, quase sempre gratuitamente, ter realizado várias ações de benemerência e filantropia para a Paróquia do Padre Gad, este sempre fez oposição política a Câmara Torres. A 17.7.1959, o Deputado Câmara Torres anunciou os ganhadores dos dez prêmios que couberam aos portadores dos bilhetes com os números da Loteria do Estado do Rio de Janeiro, extraída a 25 de julho de 1959. Com os recursos obtidos, o Vigário, Pe. Alfredo Oelkers, reformou a Igreja Matriz de Lídice e pôde continuar a desenvolver as obras sociais da Paróquia, que receberam notável impulso.
    • A 19.7.1959, em reunião da Associação de Caridade São Vicente de Paulo, autoridades, religiosos e filantropos, faz ampla rigorosa prestação de contas na condição de Presidente, então por dez anos, das atividades da Associação de Caridade São Vicente de Paulo, mantenedora do Asilo São Vicente de Paulo, de Angra dos Reis.
    • Em 1959, o Jornalista, Professor, Advogado, Técnico de Educação e Deputado Estadual, já no segundo mandato, faz um empréstimo a um amigo de juventude, rico comerciante, a fim de pagar a entrada para a compra da sua primeira e única casa própria, pequena e modesta para a família, na Rua Presidente Backer, no Bairro de Santa Rosa, em frente ao Estádio Caio Martins. O saldo é pago diretamente ao ex-proprietário, mensalmente, por sete anos.


    Após vinte e três anos de trabalho profissional, 
    dezoito de casamento
    e cinco como Deputado Estadual, 
    em 1959, a mudança para a casa própria, 
    pequena para a família de um casal e seis filhos, na Rua Presidente Backer.
     Ela é paga em mensalidades por sete anos. Nessa casa nasceriam mais dois filhos
    e Câmara Torres viverá até a sua partida.

    (Acervo Marcelo Câmara)


    • A 27.12.1959, nasce, em Niterói, Maria Cláudia, a última filha de José Augusto e Tudinha.
    • A 19 de julho de 1960, o Vice-Presidente do Aero Clube do Estado do Rio, Câmara Torres, apela, em nome da Diretoria da entidade, ao Governador Roberto Silveira, solicitando um auxílio de Cr$ 300 mil para recuperação de uma aeronave, na época avaliada em mais de Cr$ 2,5 milhões, “que já prestou inestimáveis serviços ao Governo e aos Estado transportando autoridades, remédios e doentes do interior para esta Capital e vice-versa”. Os serviços seriam feitos nas próprias oficinas do Aero Clube, onde se gastaria apenas o material necessário, e se feita em oficina particular se despenderia o dobro do valor. A carta, bem embasada e com dados técnicos, inclusive com o orçamento das peças e materiais necessários à recuperação, foi bem recepcionada e seu objetivo atendido pelo Governo do Estado.
    • Em dezembro de 1960, a Assembleia Geral do Aero Club do Estado do Rio de Janeiro resolveu eleger uma Junta Governativa, sob a Presidência do Deputado Câmara Torres, para conduzir a entidade por sessenta dias, em virtude de “irregularidades apontadas nas eleições para Presidente, Conselhos Deliberativo e Fiscal”.
    • Em dezembro de 1960, Câmara Torres foi reeleito para o Conselho Deliberativo do ICAR -biênio 1961-2.
    • Em dezembro de 1960, a Assembleia Geral do Aero Club do Estado do Rio de Janeiro resolveu eleger uma Junta Governativa, sob a Presidência do Deputado Câmara Torres, para conduzir a entidade por sessenta dias, em virtude de “irregularidades apontadas nas eleições para Presidente, Conselhos Deliberativo e Fiscal”.o início de fevereiro de 1961, o Deputado Câmara Torres foi eleito Presidente do Conselho Deliberativo do Aero Club do Estado do Rio de Janeiro. Como Presidente, o seu colega petebista e amigo, pré-candidato à sucessão de Roberto Silveira ao Ingá, Deputado Álvaro Fernandes.
    • No início de fevereiro de 1961, o Deputado Câmara Torres foi eleito Presidente do Conselho Deliberativo do Aero Club do Estado do Rio de Janeiro. Como Presidente, o seu colega petebista e amigo, pré-candidato à sucessão de Roberto Silveira ao Ingá, Deputado Álvaro Fernandes.
    • A 21.5.1961, o Deputado Câmara Torres coordenou e participou, em Paraty, da XVIII Concentração Mariana da Diocese de Barra do Piraí, que reuniu mais de 1 mil e 500 jovens congregados daquele Município, Angra dos Reis, Rio Claro, Barra Mansa, Volta Redonda, Barra do Piraí, Resende, Piraí, Mendes e Paulo de Frontin. A maioria deles partiu de Angra, em direção àquela cidade histórica, em diversas embarcações, formando um extenso cortejo. Presentes à Concentração, o Bispo Dom Agnelo Rossi, o Ministro do Tribunal Superior do Trabalho, Geraldo Bezerra de Menezes e os Deputados Estaduais, Dayl de Almeida e Padre João Pedron. A Imprensa considerou o evento “um grande acontecimento religioso, cívico, social e turístico”, porque “centenas de jovens de outros municípios tiveram a oportunidade de conhecer a mais original cidade do Estado do Rio”. Dividiram a coordenação do evento, Tito de Paula, presidente da Congregação Mariana da Diocese, e Aldmar Duarte, presidente da entidade de Paraty.
    • Na manhã de 8.10.1961, o Deputado Câmara Torres participou da Missa dos Ex-Alunos de Dom Bosco, na Basílica de Nossa Senhora Auxiliadora, no Colégio Salesiano Santa Rosa, em Niterói, quando a sua turma comemorava 25 anos de formatura. Após a celebração, o Arcebispo da cidade, Dom Antônio de Almeida Morais Júnior, no Salão de Atos do Colégio, pronunciou palestra sob o tema O Ex-Aluno Salesiano na Sociedade Atual. O Deputado Dayl de Almeida, colega de turma de Câmara Torres, também esteve presente à comemoração.
    • A 25.3.1962, nasce, em Niterói, Marcos Augusto, o segundo filho, o caçula dos oito de José Augusto e Tudinha.
    • Na segunda-feira, 23.4.1962, em Angra dos Reis, o Deputado Câmara Torres participa de todos os eventos religiosos, dentro e fora dos templos, bem como profanos, populares e folclóricos, no principal dia de comemorações em louvor de São Benedito e São Jorge. O extenso Programa, elaborado e administrado pela Mesa Administrativa da Irmandade do Glorioso São Benedito, da qual Câmara Torres pertencia, incluiu dezenas de cerimônias (ladainhas, missas, Alvorada com Banda de Música Euterpe Angrense, foguetórios, Crisma, pregações, leilão, foguetório, retretas, dramatizações, folguedos, etc.), de 15 a 29 daquele mês e ano, na cidade.
    • Em junho de 1962, o Deputado Câmara Torres e sua mulher, a Profa. Gertrudes Nóbrega da Câmara Torres, a Dona Tudinha, hospedaram, em sua residência em Niterói, Maria Rita Nóbrega de Mello. Sobrinha da esposa do Parlamentar, Maria Rita representou o Estado do Ceará no Concurso de Miss Brasil daquele ano, conquistou o 7º lugar e foi eleita Miss Simpatia. Durante a sua visita ao Estado do Rio, o casal Câmara Torres e filhos levaram Maria Rita para conhecer Angra dos Reis, sua natureza, deslumbrantes praias e serras. Em Angra, foi calorosamente recebida pelos amigos da Família Nóbrega da Câmara Torres. De Niterói, Maria Rita embarcou para Brasília, onde foi homenageada, com as outras Misses do certame, pelo Presidente Juscelino Kubistchek, no Palácio do Planalto.
    • A 21.7.1962, o Deputado Estadual Câmara Torres comparece às festividades do 6º Aniversário do Clube Fazenda da Grama, em Rio Claro, RJ, do qual era Sócio Proprietário, tonando-se, depois, Sócio Benemérito. O programa inicia-se às 9h30m com Hasteamento da Bandeira e à meia-noite começou o Baile de Aniversário. Inauguração da Quadra de Futebol de Seis, Coquetel, Ginkana Infantil e o espetáculo cênico Apoteose à Grama (teatro, poesia, música, canto e dança). As canções foram compostas por José Luciano e os consagrados músicos, compositores e cantores Gilvan Chaves e Lúcio Alves. José Luciano também foi autor de algumas músicas. O apresentador foi o grande locutor Correia de Araújo. A Produção foi de Paulo Sampaio; a Direção-Geral de Orlando Bandeira; a Direção Musical de José Luciano; a Coreografia de Júlia Cunha e Lana Olivero; a Supervisão de Admar Borges; as letras de Paulo Sampaio e Gilvan Chaves. Os figurinos couberam ao famoso Sorensen.
    • A edição de 2.7.1963 do Jornal do Brasil, estampou, em sua primeira página, notícia, segundo o Deputado Câmara Torres afirmara que partes do corpo da tcheca Dana de Teffé, cujo assassinato era atribuído ao advogado criminalista Leopoldo Heitor de Andrade Mendes, haviam sido encontrados num chiqueiro da Fazenda Manga Larga, de propriedade de Leopoldo, vizinha à Fazenda da Grama, em Rio Claro, RJ. A última vez que Dana foi vista estava em companhia do seu advogado Leopoldo Heitor. A informação teria sido dada ao Parlamentar pelo Delegado de Polícia do Município, José Joaquim de Moraes Pena, que encontrara, com base em informações de uma empregada de Leopoldo, mão com dedos e unhas pintadas de Dana, e tudo já estava sob a tutela do Juiz de Direito da Comarca, Ulisses Valadares Salgado. José Pena, porém, negou que teria dado a informação ao Parlamentar, com o objetivo de manter o sigilo das investigações. A Fazenda de Leopoldo Heitor estaria interditada para o trabalho da Polícia e da Perícia Técnica. Entretanto, o Juiz e o Secretário de Segurança do Estado, Herval Basílio, confirmaram ser verdadeira a informação do Deputado. Até hoje, o corpo da milionária Dana de Tefé nunca foi encontrado. Leopoldo Heitor passou nove anos na prisão e, após vários julgamentos, foi absolvido pelo Tribunal do Júri de Rio Claro, RJ. Faleceu no Rio em 2001.
    • Em setembro de 1963, o Deputado Câmara Torres foi eleito Presidente do Conselho Deliberativo do Aero Club do Estado do Rio de Janeiro, com sede na Praia de Charitas, em Niterói. Na Presidência, o Doutor Geremias de Mattos Fontes.
    • A 5 de julho de 1964, o Doutor Câmara Torres foi reeleito como Membro do Conselho da Mesa Administrativa da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Angra dos Reis. Junto com ele, o seu amigo e adversário político, Doutor Moacyr de Paula Lobo.
    • A 13 de abril de 1966, a dor e o luto invadem o lar de Câmara Torres: falece em Angra dos Reis, a sua cunhada, a Senhora Francisca Nóbrega de Aguiar (Dona Chiquinha), irmã de sua mulher, Gertrudes Nóbrega da Câmara Torres (Dona Tudinha)Chiquinha, natural de Caicó, RN, era doce e gentil pessoa, boníssima, mãe extremosa, casada com Francisco Pires de Aguiar, de tradicional família angrense. Muito respeitada e estimada pela comunidade, seu sepultamento reuniu centenas de famílias humildes da cidade. Deixou quatro filhos.
    • A 19.6.1966, Câmara Torres toma posse na Academia Valenciana de Letras (Valença, RJ), na Cadeira patronímica do angrense José Lopes da Silva Trovão, “O guerrilheiro da República”. Quem o recepciona é Dayl de Almeida.


    (Acervo Marcelo Câmara)



     O Deputado Dayl de Almeida em 1967,
    no exercício do seu primeiro mandato
    na Câmara Federal, em Brasília
    .

    (Foto: Câmara dos Deputados – Acervo Marcelo Câmara)

      • 26.12.1966, foi comemorada com uma Missa Solene em Ação de Graças pelas Bodas de Prata de Casamento de José Augusto da Câmara Torres e Gertrudes Nóbrega da Câmara Torres, ato religioso ao qual compareceram centenas de pessoas. Encimava o “santinho”, distribuído após a cerimônia, o seguinte texto bíblico: “Tua esposa é como a videira fecunda no interior da tua casa. / Teus filhos, como vergônteas de oliveiras ao redor de tua mesa.” (Salmo 127,3). No verso, lia-se, ainda:


      (Acervo Marcelo Câmara)


      • Na noite de 13 de março de 1967, Câmara Torres ministrou, em Angra dos Reis, a Aula Inaugural daquele ano letivo do Colégio Estadual Artur Vargas, discorrendo sobre o tema Angra dos Reis: Evolução Cultural e Desenvolvimento Portuário.
      • A 30 de março de 1967, é aposentado como Consultor Técnico de Educação, do Estado do Rio de Janeiro.
      • A 1º de junho de 1967, o Deputado Câmara Torres recebe o Título de Sócio Remido do Ginásio de Halterofilismo Icaraí, de Niterói.
      • Em dezembro de 1967, Marcelo Câmara, aos dezessete anos, vestibulando de Direito, assume uma assessoria pessoal e informal, sem nomeação nem remuneração, do seu pai Deputado Câmara Torres, que tomara posse como Secretário do Interior e Justiça do Estado do Rio de Janeiro, a 5 daquele mês.
      • Vivências e convivências - Convergências e divergências
      Câmara Torres, como é assinalado num capítulo desta Biografia que trata do seu pensamento e conduta político-partidária, era um homem de Centro, mais próximo ao Trabalhismo de Roberto Silveira, do que o Liberalismo de Roberto Campos. Foi um político que respeitava e se relacionava, desenvolto, com os que pensavam e agiam diferente dele ou não exatamente como ele. Um homem de diálogo e entendimento, que buscava no dissenso e nas convergências, os caminhos e soluções para os conflitos e impasses. Eis a essência da Política. Isto acontecia com todas as correntes, e é claro, de perfis éticos, republicanos, democráticos, no amplo espectro ideológico que existiu no País enquanto viveu. Também em uma e mais partes deste trabalho, estão as razões e circunstâncias que o conduziram, após o Golpe Militar de 1964, ao partido que apoiava o Movimento, e não para a Oposição. Foram fatores, prioritariamente, de ordem regional, que o levaram à ARENA e, depois, ao PDS. Mesmo desconfortável nessas agremiações (muitos dos seus amigos e antigos pares estavam alinhados na Oposição), julgou Câmara Torres que, nestes Partidos poderia ser, como Jurista e Político, dentro do microcosmo fluminense, um ator mais democrata e produtivo a lutar pela volta ao pleno Estado de Direito, pelas Liberdades e Garantias Constitucionais, a Regularidade Institucional, a plena Liberdade de Expressão e de Imprensa, a Pluralidade partidária, a volta das eleições diretas na capital do Estado e nos municípios considerados “de segurança nacional”, como a sua amada Angra dos Reis etc. E mais, principalmente: considerou que, naqueles Partidos, como um Representante do Povo que o escolhia, ser um Operário mais consequente e eficaz para o desenvolvimento socioeconômico, político e cultural da sua Região e do Povo Fluminense.

      Politicamente, Câmara Torres e seu filho sempre concordaram nos princípios, nos fundamentos, éticos, morais, mas divergiam, ao menos se afastavam, nas posições, nas opiniões, nas circunstâncias ideológico-políticas. Mas conviviam, se respeitavam, quanto às leituras, reflexões e atitudes. Mesmo não seguindo os mesmos caminhos, o pai, político, deputado, e o filho, apenas um cidadão de Esquerda, um universitário e, depois, um profissional da Comunicação, do Jornalismo, se respeitavam, conviviam pacificamente. E se acautelavam, se cuidavam, individual e mutuamente, se protegiam, na afetiva e terna relação pai e filho.

      Um exemplo dessa convivência diversa e pacífica ocorreu ao final de 1968. O Deputado Câmara Torres não era mais o Secretário Estadual do Interior e Justiça e o fatídico Ato Institucional nº 5 entrara em vigor, com uma repressão inimaginável. Câmara Torres foi chamado ao Palácio do Ingá pelo Governador Geremias Fontes que lhe exibiu o nome “Marcelo Nóbrega da Câmara Torres”. Perguntou Geremias: “É seu parente?” Câmara Torres respondeu: “É meu filho. O que houve com ele?” O Governador disse: “Até agora, nada. Mas se continuar andando com Fulano, Beltrano e Sicrano, será preso logo. Peça para ele se afastar destas pessoas”. Eram universitários que militavam no movimento estudantil de Esquerda com Marcelo, contra a Ditadura Militar. Marcelo avisou aos colegas que eram alunos de várias Faculdades da UFF. Alguns foram presos, outros conseguiram fugir, se proteger fora da cidade ou do Estado e uns terceiros desapareceram.

      • Em outubro de 1968, o grande pintor Darwin Siqueira Pereira esteve em Angra dos Reis, reencontrando-se com o Deputado Câmara Torres e outros caros amigos como Alípio Mendes, Salomão Reseck e Heitor Chagas da Rocha. Darwin viveu e trabalhou uma temporada na cidade, na segunda metade dos anos 1940. Nessa época, pintou, a pedido de Câmara Torres, do então Prefeito Jonas Bahiense Lyra e do Vereador Heitor Chagas da Rocha, Presidente do Legislativo Municipal, o grande quadro O encontro de Anchieta e Cunhambebe, que orna o Salão Nobre da Câmara Municipal de Angra dos Reis. Um estudo preliminar da obra, miniatura colorida em óleo sobre um suporte de madeira, ele ofereceu ao então Técnico de Educação, Doutor Câmara, e, hoje, encontra-se com o seu filho Marcelo Câmara.



      • Em outubro de 1968, o Deputado Câmara Torres esteve presente no Clube Comercial, na cidade de Angra dos Reis, prestigiando o Primeiro Torneio de Canto, organizado pelo Clube dos Curiós de Angra dos Reis. Com ele, os amigos Armando de Carvalho Jordão, tabelião; José Belmiro da Paixão, vereador; e Walter Ferreira, perito policial e editor da revista Angra Starr.
      • No final de 1968, termina, com êxito absoluto, a campanha pública de iniciativa de Câmara Torres, para produção pelo escultor José Pereira Barreto, de um busto do grande escritor brasileiro, o angrense Raul Pompeia; o modelo de gesso da escultura foi doado pelo artista ao Colégio Estadual Dr. Artur Vargas, a Prefeitura de Angra construiu o pedestal e o busto foi inaugurado no ano seguinte próximo ao Mercado Municipal, ao lado de outros líderes comunitários e políticos de Angra dos Reis,
      • Grande susto.
      Na madrugada de 24.5.1970, domingo, dia dedicado à Nossa Senhora Auxiliadora, o Doutor Câmara Torres foi acordado, em sua residência em Niterói, por um telefonema do Pronto-Socorro do Hospital Universitário Antônio Pedro, informando que o seu filho Marcelo estava internado, em observação, após ter sofrido um grave acidente na Estrada Niterói-Tribobó, na “Descida da Caixa D’água”, por volta das 2 horas daquela madrugada. Perguntado sobre o estado de Marcelo, o funcionário não soube responder e solicitou a sua presença imediata no hospital. Marcelo caiu, a cem quilômetros por hora, de um fusquinha que dirigia, em direção a Niterói, de propriedade do amigo Júlio Menchise, após se chocar com obras do canteiro central entre as duas pistas que estava sendo construído. No banco de trás do automóvel, outro amigo, César Roberto Freitas Gaspar. Ambos tiveram ferimentos leves. O carro ficou muito danificado, quase com “perda total”. Chovia muito, apenas um farol do carro funcionava e a visibilidade era ruim. Marcelo foi lançado no asfalto, teve traumatismo craneano, uma fratura na articulação entre o pé esquerdo e a perna, além de várias pequenas fraturas no rosto e escoriações generalizadas. Foi socorrido por uma jovem moradora à margem da estrada, que, de camisola, arrastou o seu corpo desfalecido, ensanguentado, para o acostamento da rodovia. Somente meia hora após o acidente, Marcelo foi colocado na carroceria de uma caminhonete do Batalhão da de Cavalaria da Polícia Militar que se localizava entre o final da Alameda São Boaventura e o início da rodovia. Os raros veículos que passavam se recusam a levar o acidentado ao hospital, em virtude do seu estado, aparentemente, terminal. Não foi à cirurgia. Acordou ao meio-dia do domingo no Antônio Pedro, sendo transferido, com a perna engessada, com o rosto deformado, para uma clínica particular na antiga Avenida Estácio de Sá (atual Roberto Silveira), em Niterói, onde, depois de uma semana, recebeu alta, a fim de continuar o tratamento com remédios e curativos em casa. O médico que o assistiu foi o neurologista, clínico e cirurgião, Doutor Aluísio Tortelly. Após dois meses, estava plenamente recuperado, sem sequelas, estudando e trabalhando. Apenas cicatrizes no rosto que desapareceram com o tempo. Uma forte depressão o abateu, por outros motivos, nos dois anos seguintes, do segundo semestre de 1970 ao final de 1972. A Imprensa de Niterói noticiou o risco de vida de Marcelo e o grande susto do pai, o Deputado Câmara Torres.

      • Em abril de 1971, Câmara Torres e sua Família foram escolhidos como “Auxiliares do Festeiro” Benício de Mello Góes, na preparação e promoção da tradicionalíssima, secular, Festa do Divino de Paraty daquele ano, inclusive comparecendo e prestigiando o evento.
      • A 14.5.1971, o Secretário de Serviços Sociais, Câmara Torres, participou, na Igreja Porciúncula de Santana, em Niterói, da cerimônia de casamento do engenheiro Hesíodo Mello de Castro Alves com a Professora Gilce Franco Rosas. O pai do noivo era o jornalista Hesíodo de Castro Alves, velho amigo de Câmara Torres. O noivo fora contemporâneo de Marcelo Câmara no Colégio Salesiano Santa Rosa, e o irmão do noivo, Cláudio, foi seu grande amigo, muito próximo, no mesmo Salesiano.
      •  Na noite de 21 de maio de 1971, o Secretário de Serviços Sociais, Câmara Torres, estava sendo homenageado com uma seresta no Bairro de Tenente Jardim, em Niterói, no Bangu Atlético Clube, onde é Benemérito.
      • Em março de 1972, a Imprensa registra que o Doutor Câmara Torres está em intensa atividade profissional como advogado em Niterói, no Rio e no Sul Fluminense, não lhe sobrando tempo para a Política, ele que havia sido Deputado Estadual por quatro mandatos e, em 1971, abandonara as disputas eleitorais como Primeiro Suplente de Deputado Federal da ARENA.
      • A 6.6.1972, a Câmara Municipal de Paraty aprovou, por unanimidade, Moção de Agradecimento a Câmara Torres pela sanção pelo Senhor Governador, da Lei 6.820, de 2 de junho de 1972, que criou o Centro Educacional de Paraty, um sonho de décadas daquela gente e uma luta contínua do Deputado Estadual que, por dezesseis anos, representou o Município na Assembleia Legislativa. Mais tarde, a unidade, por sugestão do mesmo Câmara Torres passou a se denominar Centro Educacional Mário Moura Brasil do Amaral – CEMBRA, em homenagem ao engenheiro e professor, pioneiro do Ensino secundário e médio em Paraty.
      • A 21.6.1972, o Secretário de Serviços Sociais do Estado do Rio de Janeiro, Ricardo Augusto de Azeredo Vianna, e a Associação Profissional dos Assistentes Sociais – APAS, oficiam ao Doutor Câmara Torres registrando “os mais sinceros agradecimentos pela consideração que dispensou à Classe por ocasião das comemorações da Semana do Assistente Social, possibilitando uma excursão ao município de Angra dos Reis, grandemente apreciada pelos participantes”.
      • Na manhã de 13.7.1972, o Doutor Câmara Torres foi vítima de gravíssimo acidente automobilístico na Serra D’Água, em Angra dos Reis, na Rodovia RJ-116, quando o carro de sua propriedade (uma caminhonete Ford, modelo Belina, ano 1970), dirigido por seu motorista particular (Câmara Torres nunca dirigiu), chocou-se, de frente, em uma curva, com um Fusca Volkswagen, que, guiado por um drogado, vinha em sentido contrário, na contramão. No Fusca, mais dois indivíduos bêbados. Um dos passageiros do veículo causador do sinistro morreu no local do acidente, os outros dois sofreram sérios ferimentos. O motorista de Câmara Torres teve apenas uma luxação no joelho. Mas a principal vítima foi Câmara Torres que esteve no limiar da morte, praticamente desenganado, pois a extremidade do painel do carro que o transportava penetrou frontalmente em seu rosto, destruindo o nariz e separando a sua face do restante do crânio. Levado às pressas para a Santa Casa de Angra dos Reis no carro de um advogado, Doutor Sepúlveda, seu colega, de lides forenses, que não o reconheceu. Estava com o rosto desfigurado e, colocado pelo seu motorista no chão, com o corpo recostado sobre a roda da Belina, dali foi transportado. O nosocômio se viu impossibilitado de socorrê-lo tal a gravidade do seu estado, com perda de muito sangue e a falta de médico especialista que pudesse assisti-lo. Foi transportado, imediatamente, em um helicóptero para o Hospital dos Acidentados do Rio de Janeiro, onde foi atendido pelo então respeitado especialista, Doutor Fernando Jordão, renomado clínico e cirurgião da Ortopedia e da Traumatologia, coincidente e felizmente, membro de família tradicional de Angra dos Reis, amiga do paciente, já à época, por mais de trinta anos. O Doutor Fernando Jordão e sua equipe realizaram o primeiro atendimento especializado de emergência para salvar a vida de Câmara Torres e recomendou que ele fosse transferido, no mais breve tempo, no mesmo dia, já tarde da noite, para Niterói, diretamente para o Hospital Santa Cruz, onde trabalhava “o maior cirurgião crânio maxilofacial do País”, o Professor e Doutor Edgard Alves Costa, consagrado internacionalmente. Após algumas semanas de tratamento para reduzir a grande contusão, o inchaço, o Doutor Edgard Costa e sua equipe puderam agendar uma grande cirurgia, quando reconstituíram o rosto de Câmara Torres, quase todo fraturado (quatorze rupturas), em pedaços, juntando-se os ossos, preservando músculos e nervos, e, diante de uma foto do paciente, o Doutor Edgar Costa deu-lhe um novo nariz e um rosto praticamente idêntico ao que tinha antes do acidente. Após meses de convalescência e recuperação, inicialmente no hospital e, depois, em casa, sob cuidados médicos e de sua esposa, Dona Tudinha, deu-se a recuperação. Semanas esteve Câmara Torres internado no Hospital Santa Cruz, em Niterói, proibidas as visitas, que eram recepcionadas pela Dona Tudinha, gente de muitos municípios fluminenses e mesmo de outros Estados: políticos, advogados, intelectuais, amigos de todos os tempos. A todos, sua esposa dava notícias sobre o seu estado. Em Sessão de 6.8 daquele ano a Academia Valenciana de Letras aprovou Moção de autoria do seu Presidente poeta Antônio Augusto de Siqueira, aprovada por unanimidade, com votos de pronto e completo restabelecimento a um de seus Membros, o Acadêmico José Augusto da Câmara Torres. Foi longa e lenta a recuperação. Mas, antes do final do ano de 1972, Câmara Torres, mesmo ainda não totalmente recuperado, e contrariando ordens médicas, já estava novamente advogando e atuando politicamente, em todas as frentes, em favor da Região que foi a sua “pátria de honra, trabalho e luta” a partir de 1942: o Extremo Sul Fluminense. A 7.10.1972, a Família de Câmara Torres, mandou celebrar Missa em Ação de Graças pelo seu pleno restabelecimento e saúde, na Basílica de Nossa Senhora Auxiliadora. Centenas de amigos de todo o Estado e da Cidade do Rio de Janeiro compareceram à cerimônia. Em janeiro de 1973, Câmara Torres, elogiava o excelente trabalho de reconstituição e plástica facial do “craque” Doutor Edgard Costa, comentando, com humor, com jornalistas: “Foi uma lanternagem perfeita”.

      Na escadaria da Basílica de N. Sa. Auxiliadora,
       Câmara Torres e 
      Tudinha ao centro na primeira fila.
      onde estão, ainda, além de familiares e amigos,
      o seu irmão Marconi na extrema esquerda
       e o ex-Deputado Estadual, Benjamin Yelpo na extrema direta. 
      (Acervo Marcelo Câmara)

      • Na noite de 2.11.1972, Câmara Torres compareceu à Sessão Solene da Câmara de Vereadores de Niterói que concedeu o Título de Cidadão Niteroiense ao Marechal Odylo Denys, natural de Santo Antônio de Pádua, RJ, e um dos protagonistas do Movimento Militar de 1964.
      • Na madrugada de 25.1.1973, falece, em casa, aos 77 anos, vítima de infarto agudo do miocárdio, Maria Câmara Torres, Dona Liquinha, mãe de José Augusto da Câmara Torres. Deixa viúvo, José Antunes Torres, um irmão, dois filhos, uma filha, treze netos, sete bisnetos. O sepultamento ocorreu, na tarde do dia seguinte, no Cemitério de Charitas. A Missa de Sétimo Dia foi celebrada na manhã de 1º fevereiro na Basílica Nossa Senhora Auxiliadora, em Santa Rosa, Niterói.

      (Imagem: FBN - Acervo Marcelo Câmara)

      • A 2.6.1973, o Acadêmico José Augusto da Câmara Torres, ocupante da Cadeira de Lopes Trovão, na Academia Valenciana de Letras, saudou o pedagogo, professor e escritor Paulo de Almeida Campos, em sua posse na entidade, onde ocupou a Cadeira nº 20, patronímica de Raimundo Corrêa. À época, o novo Acadêmico, amigo de décadas de Câmara Torres, era Presidente do Conselho Estadual de Cultura.



      Reunião social angrense. Na foto, em 1973, na residência do empresário
      Carlos Borges no Rio, cliente do advogado Câmara Torres, que está ao centro,
      vê-se, ainda, da esq. p/ direita: Eduardo Sócrates Castanheira Sarmento que,
      naquele ano, ingressava na Magistratura do Estado da Guanabara, após advogar
      e passar pelo Ministério Público e ser Juiz de Direito no Estado do Rio,
      chegando a Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro;
      Deputado Estadual João José Galindo; Almirante Jair Toscano de Brito,
      Prefeito de Angra dos Reis, e senhora.
      (Acervo Marcelo Câmara)


      • Em meados de dezembro de 1974, José Augusto e Tudinha compareceram ao casamento de Eloá Corrêa e Márcio Augusto Huthmacker na Capela do Instituto Abel, em Niterói.
      • A 12.2.1975, falecia, aos 83 anos, José Antunes Torres, pai de José Augusto da Câmara Torres, no viúvo de Maria Câmara Torres, e deixou dois filhos, uma filha, treze netos, sete bisnetos. O sepultamento deu-se no mesmo dia, no Cemitério de Charitas. A Missa de Sétimo Dia foi celebrada na manhã de 18 de fevereiro na Igreja Porciúncula de Santana, em Icaraí, Niterói.


      (Imagem: FBN - Acervo Marcelo Câmara)

      • Na madrugada de 9.3.1976, falece em casa, aos 53 anos, de infarto agudo do miocárdio, Marconi da Câmara Torres, irmão de José Augusto da Câmara Torres. Era servidor público aposentado e deixou mulher e um filho. O sepultamento realizou-se na tarde do mesmo dia no Cemitério de Charitas. A Missa de Sétimo Dia foi celebrada na manhã de 16 na Basílica de Nossa Senhora Auxiliadora, em Niterói.


      (Imagem: FBN - Acervo Marcelo Câmara)

      • A edição de 17.4.1976 do Jornal do Brasil publicou carta indignada do advogado José Augusto da Câmara Torres, assinante, há três anos, de uma linha telefônica na Fazenda da Grama, 4º Distrito de Rio Claro, RJ, onde possuía uma pequena casa de campo, “a menos de meia-hora de Volta Redonda, sede do distrito telefônico que superintende o Município”. O assinante reclamava que há mais de dois anos não conseguia fazer uma ligação interurbana, nem indo ao Posto Telefônico da localidade. Por outro lado, as tentativas oriundas do Rio, São Paulo ou Niterói para se falar com a Fazenda da Grama são inviabilizadas com a informação da telefonista: “Os circuitos estão com defeito”. E conclui o Doutor Câmara Torres: “Essa é a situação de 20 mil usuários do Município de Rio Claro, terra de Fagundes Varela, cujo gênio, felizmente, não necessitou da Cia. Telefônica Brasileira – CTB para espalhar os cantos imortais dos seus poemas”.

      • Amor e proteção de pai.
      Em fevereiro de 1977, o jornalista Marcelo Câmara, filho de Câmara Torres, após exercer, em Brasília, o cargo de Assessor de Imprensa do Ministro de Estado do Trabalho, criava e assumia, em Brasília, a Assessoria de Comunicação Social da Secretaria Geral da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira – CEPLAC, e a Coordenação Nacional de Comunicação Social da entidade, depois de concorrer com vários nomes de peso da área, alguns até profissionais de prestígio internacional. A CEPLAC era um órgão com autonomia administrativa e financeira, vinculado ao Ministério da Agricultura, mantida pelos produtores de cacau no País, que funcionava qual uma empresa privada, baseada na capacidade de seus técnicos e cientistas, dentro do regime de produtividade e meritocracia. Era o único órgão público do setor no País, que unia Pesquisa, Extensão e Ensino, sob um único comando, com a supervisão de um Conselho Deliberativo interministerial. Seus recursos eram oriundos de uma “taxa de contribuição” de dez por cento sobre cada saca de cacau em amêndoas exportado, e integrava o Orçamento Cambial e não, do Orçamento da União. Seria o “lugar de realização profissional” para um jovem estudioso, aplicado, interessado em progredir. Marcelo havia, amistosamente, pedido demissão do cargo de Assessor de Imprensa do Ministro do Trabalho - MTb, Arnaldo Prieto, que muito estimava e louvava o trabalho do auxiliar. Porém, Prieto entendeu que o novo emprego era mais estável e mais lhe rendia financeiramente, além de lhe proporcionar melhores perspectivas como profissional de Comunicação Social.

      Marcelo, então, tinha acabado de se mudar com a família, de um imóvel funcional novo do MTb, a que tinha direito por contrato de trabalho, para outro mais amplo e mais bem localizado na Asa Sul da cidade, que a CEPLAC também lhe proporcionara como uma das cláusulas do novo acordo. Delfim Neto, surpreendentemente, assumira o Ministério da Agricultura – MA, virando personagem do programa de Humor, Viva o Gordo, estrelado por Jô Soares, em virtude do suposto desconhecimento do ex-Ministro da Fazenda sobre os assuntos do setor agropecuário. Ainda naquele semestre, um grupo de “Delfim boys”, tendo à frente um tal de Gustavo Silveira, numa atitude aética, covarde e criminosa, ambicionando o cobiçado cargo para um dos seus, cria uma sinistra armadilha que faz com que Delfim Neto chame. reservadamente, o Secretário-Geral da CEPLAC, o sábio e sereno José Haroldo Castro Vieira, e lhe comunica que recebera “ordem da unidade do Serviço Nacional de Informações – SNI, do MA para demitir aquele seu assessor imediatamente. Seria Marcelo “um perigoso guerrilheiro, pertencente a um aparelho na periferia de Brasília, que integrava a luta armada contra o regime militar”. José Haroldo, homem de bem, sério e prudente, que Marcelo já vinha conquistando com o seu trabalho de Assessor em Brasília, e Coordenador Nacional, elaborando o primeiro modelo de administração sistêmica da Comunicação Social, da área pública do País, conversou com Marcelo e lhe informou que não iria demiti-lo e pediu para que eu providenciasse aliados que o respaldasse para não atender Delfim e para que ele mantivesse o seu Assessor no cargo, profissional que ele confiava. Marcelo Câmara, que acabara de deixar um alto cargo no Governo. Ele que teria, precocemente, propostas para prosseguir com o novo Ministro, em outros postos do Governo e na iniciativa privada, viu-se atormentado, recém-casado, numa cidade nova para ele, com mulher e filho de dois anos. Luiza, sua mulher, afirmou-se como uma fortaleza de serenidade, fé, afeto e equilíbrio que conseguiu estabilizar o ânimo da família e a calma no lar. “Foi um sofrimento, uma sordidez, uma injustiça. Poucos, mas longos dias de ansiedade”, confessou depois. Marcelo comunicou o pai da cilada, e este, imediatamente, valendo-se da sua coragem e autoridade moral, do seu prestígio político, ele, Deputado Estadual no RJ, que integrava os quadros do partido que dava apoio ao Governo; e dos contatos e amizades que tinha em vários setores da vida nacional, levou o filho ao Coronel Pacífico, militar de suas relações particulares, Chefe de Gabinete do temível General Medeiros, Ministro-Chefe do SNI, para esclarecer e desfazer a trama. O Coronel Pacífico trancou-se com Marcelo em uma sala do Palácio e fez perguntas diretas, objetivas, sobre as suas supostas “atividades subversivas”: “Qual era a sua função no grupo armado; onde estava localizado o ‘aparelho’ que atuava”. Marcelo disse ao Coronel que, durante os nove anos, nos dois cursos superiores nos quais se formou na UFF, participou de movimento estudantil de Esquerda que reclamava o retorno à Democracia, mas que jamais pegou em armas para atos terroristas; que, à época, como Humorista profissional, com coluna semanal no Jornal de Brasília, escrevia crítica e sátira política, literária, de Humor com “H” maiúsculo, no plano das ideias, imune à pornografia, às ofensas de ordem pessoal ou moral, sem jamais ser censurado pelo Governo ou pela direção do veículo. E mais: Como ele, Marcelo, poderia ter sido, por mais de um ano e meio, Assessor de um Ministro de Estado do regime militar, cargo de confiança, demissível ad nutum, em função de Assessoramento Superior, sem restrições de qualquer espécie, e, agora, na CEPLAC, uma autarquia, repentinamente, ele surge como suspeito, e, mais grave, como militante comunista participante da luta armada? O Coronel Pacífico insistiu no interrogatório e perguntou que conhecia o pai de Marcelo, mas não ele. E se, levando em conta o que sabia de Câmara Torres e o quanto o prezava, perguntou se poderia confiar no seu filho. Marcelo afirmou, categoricamente, que “sim, poderia”. E se encerrou o tenebroso interrogatório de Marcelo e a reunião dos três. Dois dias depois, José Haroldo, assim como o seu Assessor, célula do SNI dentro da CEPLAC, comunicaram a Marcelo “que nada pesava sobre ele, que ele estava liberado”. Tudo era mentira, uma criação malévola, torpe. O grupo de delinquentes do Gabinete de Delfim usou o SNI para retirar Marcelo Câmara da CEPLAC. “O tiro saiu pela culatra”, para a frustração, horror e ódio do lulipediano Gustavo Silveira. Marcelo já estava tranquilo. “Eu tinha certeza disto”, disse ele ao seu chefe. E contou, para a surpresa deste, em detalhes, a sua ida ao Planalto com o seu pai.

      • Em julho de 1975, José Augusto e Tudinha partiram para uma viagem ao Rio Grande do Norte, terra de ambos, após dez anos do primeiro retorno ocorrido em 1965, trinta e quatro anos após o casamento, quando o casal partiu do Caicó, em lua de mel, com destino a Niterói.


      Caicó, julho de 1975. Última viagem de José Augusto e Tudinha a Caicó,
      após deixarem a terra natal, casados, em dezembro de 1941.
      (Foto: Lourdes Nóbrega – Acervo Marcelo Câmara)


      • A 7.9.1977, Dia da Pátria, o jornalista, educador, advogado e ex-Deputado Estadual, Câmara Torres, pronuncia discurso de grande repercussão na inauguração da Praça Raul Pompeia, no centro da cidade de Angra dos Reis, quando foi instalado, definitivamente, o busto do ilustre angrense, na crítica de José Saramago, “o mais importante escritor brasileiro, ao lado de Machado de Assis e Euclides da Cunha. O orador traçou o perfil biográfico do grande artista nascido na Jacuecanga e fez uma rápida análise da obra de Pompeia e lugar de honra que, meritoriamente, ocupa na Literatura e na Cultura brasileiras. O busto foi esculpido em bronze e erigido em 1968, e se encontrava em outro ponto da cidade, graças a uma campanha popular liderada, à época, pelo próprio Câmara Torres. Dez anos depois, foi construída, pelo Prefeito Jair Toscano de Brito, a Praça Raul Pompeia e a obra transferida para aquele local. Câmara Torres destacou que, com aquela Praça e aquela escultura, “Angra dos Reis completava a instalação dos bustos dos seus maiores filhos em três praças públicas: Lopes Trovão, o maior tribuno da nossa História Política; Júlio Maria, o nosso iluminado orador sacro; e Raul Pompeia, a figura de oura das letras pátrias”.

      Raul Pompeia, além da Praça com o seu busto em bronze, tem a memória homenageada ao dar o seu nome ao edifício da Prefeitura de Angra dos Reis, nomeia uma das principais ruas centrais da cidade e uma avenida no Distrito de Jacuecanga. Em 1963, no ano do seu centenário, a Biblioteca Nacional realizou uma belíssima exposição sobre a Vida e a Obra de Pompeia, e eventos comemorativos, literários e culturais, foram promovidos pela Academia Brasileira de Letras, onde é Patrono de uma das Cadeiras. Em 2013, Marcelo Câmara, ocupante da Cadeira nº 1, patronímica de Raul Pompeia, do Ateneu Angrense de Letras e Artes, ofereceu à Angra dos Reis, espontânea e graciosamente, o Projeto Cultural Raul Pompeia volta à sua terra, que celebrava os 150 anos do nascimento do genial escritor. O trabalho foi totalmente ignorado pelos Poderes Públicos e instituições de Angra dos Reis. A “prefeita” sequer acusou o seu recebimento.




      Busto do angrense Lopes Trovão, “A Voz da República”,
      na Praça que tem o seu nome, próximo ao Porto da cidade.
      (Fotos: Ricardo Natal Bruno - Acervo Marcelo Câmara)


      Busto do genial escritor Raul Pompeia na Praça do mesmo nome,
      próximo ao Largo do Mercado de Peixe, no centro de Angra dos Reis.
      (Foto: patrimonioemfoco.blogspot.com – Acervo Marcelo Câmara)



      Busto do angrense Padre Julio Maria, considerado,
      entre os brasileiros, “o maior orador sacro do País”,
      também ganhou uma praça no centro da cidade.
      (Foto: patrimonioemfoco.blogspot.com – Acervo Marcelo Câmara)

      • A 19.10.1977, quarta-feira, às 11h, se casam no Santuário Nacional das Almas, em Niterói, Marcelo, filho de José Augusto e Tudinha, e Ana Maria Luiza, filha de Helio Arno Petersen e Helena Gonçalves Petersen. Luiza, professora e artista plástica, descende, diretamente, de famílias europeias. A dinamarquesa Petersen; as alemães: Lamb, Scheifler e Rutner; e as portuguesas: Coutinho, Barata e Gonçalves. Preside a cerimônia o ex-Professor de Marcelo, o mineiro de Ponte Nova, Pe. Nicolau Caríssimo, da Ordem dos Salesianos, ex-professor e amigo de Marcelo.
      • Em 1978, José Augusto e Tudinha partiram para uma viagem de lazer à Europa. Embarcaram a 21 de setembro e retornaram a 7 de novembro. No roteiro, Portugal, França, Espanha e Inglaterra. Foi a única vez que o casal viajou ao exterior.
      • Na tarde de 16 de novembro de 1980, o Doutor Câmara Torres comparecia, como convidado especial, à inauguração do Hotel Porto Galo, localidade de Itapinhoacanga, em Angra dos Reis, às margens da Rodovia Rio-Santos, km 71. Câmara Torres fora o consultor jurídico e advogado do empreendimento, bem como do Hotel do Frade, também em Angra, e do Hotel de Paraty, nesta cidade, todos do Grupo do empresário Carlos Borges.
      • Em abril de 1981, Câmara Torres visitava, no Museu Nacional de Belas Artes, ao lado dos seus amigos professor Marco Almir Madeira, e do crítico de arte Quirino Campofiorito, a exposição de desenhos de J. Jardim de Araújo e as esculturas de Alfredo Herculano. A exposição teve a curadoria de Campofiorito.
      • A 11 de junho de 1981, Câmara Torres, recebeu, da Câmara Municipal de Angra dos Reis, a Medalha do Mérito Lopes Trovão.
      • No dia 3 de maio de 1982, o Doutor Câmara Torres é um dos Fundadores do Trevo Clube Recreativo (Trevo Clube), de Paraty, RJ.
      • A 27.10.1982, o casal Câmara Torres esteve na festa de casamento, no Restaurante Le Buffet, dos filhos de Gilberto Carvalho e Salvador Borges, este médico cardiologista do advogado e ex-Deputado Estadual.
      • Em setembro de 1983, Câmara Torres participou da solenidade de lançamento do Selo do Centenário do Sonho de Dom Bosco sobre Brasília, no Colégio Salesiano Santa Rosa. Filatelista, quando menino e rapaz, José Augusto possuiu uma grande e rica coleção de selos de países de todo o mundo.
      • Na noite de 13.10.1984, Câmara Torres esteve, em Niterói, na noite de autógrafos de lançamento do livro Farpas e Floresdo seu amigo e ex-colega de Assembleia Legislativa, o jornalista e poeta João Rodrigues de Oliveira.
      • Numa noite de novembro de 1984, Câmara Torres esteve no Instituto Abel, a convite do seu amigo Deputado Flávio Palmier da Veiga, Presidente da Associação de Pais e Mestres do educandário, no 26º aniversário da entidade, para assistir a palestra do Ministro Cézar Cals sobre A atual política energética e o Desenvolvimento Nacional. Após o encontro, Câmara Torres participou de um jantar para duzentas personalidades da vida política e cultural de Niterói, na casa de Palmier da Veiga.
      • Em novembro de 1984, Câmara Torres integrou a Comissão do Sesquicentenário de Elevação de Niterói à Cidade, nomeado pelo Prefeito Waldenir de Bragança. Faziam parte do grupo, presidido pelo jornalista Alberto Torres, grandes amigos de Câmara Torres, entre eles, o festejado escritor e Membro da Academia Brasileira de Letras, José Cândido de Carvalho; o Ministro Geraldo Bezerra de Menezes; e o Professor Paulo de Almeida Campos, Presidente do Conselho Municipal de Cultura.


      Na década de 1980, o Prefeito de Niterói, Waldenir de Bragança, visita o seu amigo
      ex-Deputado Câmara Torres na residência deste, à Rua Presidente Backer, em Icaraí. 
      (Acervo Marcelo Câmara)

      • Na noite de 6.2.1985, Câmara Torres, ao lado de dezenas personalidades, recebia da Câmara Municipal de Niterói, a Medalha do Mérito José Clemente Pereira, Honra máxima do Poder Legislativo do Município. Presidia o Colegiado, o Vereador José Vicente Filho.
      • A 9.8.1985, Câmara Torres, na qualidade de Membro da Comissão do Sesquicentenário da Elevação de Niterói à Cidade, ex-Deputado e Líder Político de Angra dos Reis, participou da solenidade de inauguração dos festejos da Efeméride. Foram inauguradas a Praça do Sesquicentenário, no Bairro de São Domingos, a Avenida Angra dos Reis e a Avenida Campos dos Goytacazes. A Praça e as Avenidas formaram uma área de lazer de 4 mil metros2, com parque infantil, jardins e quadra de esportes, que passou a ser usufruída pelos moradores do Bairro. Juntamente com Niterói, Angra e Campos também foram elevadas à categoria de Cidades, pela mesma Lei nº 6, publicada a 8.3.1835. A solenidade foi presidida pelo Prefeito de Niterói, Waldenir de Bragança, ao lado do Prefeito de Campos, José Carlos Barbosa, e do jornalista e historiador Alípio Mendes, representando o Prefeito de Angra dos Reis, João Luiz Gibrail Rocha. Presentes: o Presidente da Comissão, Jornalista Alberto Torres; o Marechal Paulo Torres, ex-Governador e ex-Senador; o Ministro Geraldo Bezerra de Menezes, diversas autoridades e personalidades da vida política e cultural dos três Municípios. O Prefeito Waldenir de Bragança e outras autoridades plantaram cinco palmeiras imperiais. Waldenir, ainda, depositou uma coroa de flores no busto de D. Pedro I, na Praça Leone Ramos, próxima à area inaugurada. A Banda Santa Cecília, da Secretaria Municipal de Educação de Niterói, e o Coral Juca Chagas, de Campos, abrilhantaram a festa. Um amplo programa de comemorações, elaborado pela Comissão do Sesquicentenário, com diversos eventos institucionais e socioculturais foram realizados durante todo o ano de 1985 em Niterói para celebrar a Efeméride. Angra dos Reis e Campos dos Goytacazes, também, também comemoram a data histórica.
      • A 25.9.1985, na Reunião Plenária da Academia Fluminense de Letras - AFL, Câmara Torres foi indicado pelo jornalista, poeta e historiador, Emmanuel de Bragança Macedo Soares, para integrar o Quadro da Classe de Ciências Sociais e Políticas da Instituição. O seu vasto e rico curriculum literário e intelectual, não se sabe por que, nunca foi submetido à Comissão que, regimentalmente, é designada para a tarefa. Portanto, a eleição nunca se deu. E teria todas as condições para ser eleito e empossado com todas as merecidas honras. Talvez as agendas de Câmara Torres e da AFL postergaram, absurda, indefinidamente, o processo de sua eleição e consequente posse. No entanto, em algumas publicações, a Imprensa sempre registrou, e até hoje registra, quando o seu perfil é traçado, que “Câmara Torres pertencia à AFL”. A informação não procede. Câmara Torres não pertenceu à AFL, como sempre se acreditou. E, equivocadamente, sempre se publicou.
      • Na manhã de um domingo, 6.4.1986, Câmara Torres esteve no Alto do Morro da Viração, em Niterói, na inauguração do Mirante da Cidade, no Parque da Cidade, e descerramento da placa de encerramento das comemorações do Sesquicentenário da Elevação de Niterói à Cidade. Os eventos foram presididos pelo Prefeito Waldenir de Bragança, com as presenças do ex-Governador Paulo Torres, do Jornalista Alberto Torres, Presidente da Comissão do Sesquicentenário, a qual Câmara Torres integrou, e de diversas autoridades municipais e personalidades da vida niteroiense, especialmente dos setores do Turismo, Esporte e Lazer. Paralelamente aos atos oficiais, houve uma mostra de fotografias, shows de MPB e Rock e uma gincana de pintura.
      • Numa noite de setembro de 1986, Câmara Torres esteve na festa de aniversário de 50 anos do seu genro, o engenheiro Cláudio Pereira Dantas, no Iate Clube Brasileiro, em Niterói.
      • Em maio de 1987, o seu filho, Marcelo Câmara, Consultor Legislativo do Senado Federal, que assessorava, em amiúde, o Senador Jutahy Magalhães (PDS, BA), se reúne no Gabinete do Parlamentar para falar da trajetória profissional e política de seu pai e solicita ao Parlamentar que edite, dentro da sua cota de publicações, o perfil biográfico de Câmara Torres. Juthay Magalhães determina imediatamente à Direção da Gráfica que receba e trabalhe junto com Marcelo Câmara no projeto gráfico e publicação do trabalho, já finalizado e editado pelo Consultor. No início de junho, a publicação estava pronta e a mãe de Marcelo, após recebê-la de Brasília, pelos Correios, colocou a tiragem nos pés da cama, no quarto do casal, na manhã de 22 de junho de 1987. Quando o marido acordou, foi presenteado com tiragem de 1 mil exemplares da biografia Câmara Torres: 70 anos de ideias e obras. Uma surpresa, um presente, uma alegria.


      Câmara Torres aos setenta anos.
      (Acervo Marcelo Câmara)
      _______________________________________________________________________________

      MANIFESTAÇÕES SOBRE CÂMARA TORRES EM 1987,
      QUANDO COMPLETOU 70 ANOS:

      Alguns registros


      Para a família, José Augusto é amor e carinho.
      Exigente, sabe dar valor ao trabalho de cada um,
      amparando-nos e nos incentivando em todos os momentos, à perfeição.
      Para nós, ele é o timoneiro imbatível, o nosso porto seguro”.

      Gertrudes Nóbrega da Câmara Torres, Tudinha.
      Professora, sua mulher, mãe dos seus oito filhos,
       sua secretária e conselheira por toda a vida.


      José Augusto e Tudinha em 1988, na celebração dos 47 anos de casamento.
      (Acervo Marcelo Câmara)


      Câmara Torres, no Governo e na Oposição, é sempre o mesmo homem.
      Um defensor atuante e intransigente do povo que representa,
       da região que escolheu e a que vive ligado por tantos anos.
      Angra dos Reis e Paraty tem nele um representante autorizado e leal.
      Conheci-o na oposição e no governo, como correligionário e como adversário,
      por isso posso julgá-lo bem. E foi com a consciência tranquila que,
      também em homenagem à terra dos meus antepassados,
      lhe dei o voto nas últimas eleições. Pena que não tivesse sido eleito.
      Grande perda para a Política Fluminense."

      Ernâni do Amaral Peixoto
      Militar e engenheiro, foi Interventor no Estado do Rio de Janeiro,
      seu Governador, Deputado Constituinte e Federal,
      Senador da República por dois mandatos.
      Durante a 2ª Grande Guerra foi Presidente de Honra do Comitê Interaliado.
      Três vezes Ministro de Estado e Embaixador do Brasil nos Estados Unidos.


      Pela inteligência e espírito público, 
      Câmara Torres sempre esteve à altura
       das melhores tradições políticas e culturais
      da Velha Província do Rio de Janeiro

      José Cândido de Carvalho
      Jornalista, romancista, cronista, humorista,
      Membro da Academia Fluminense de Letras
      e da Academia Brasileira de Letras.


      "Câmara Torres é um nome límpido,
      que serve para identificar uma personalidade inteiriça, mas envolvente.
      Para mim, entretanto, por isso que nunca nos perdemos de vista,
      nem criamos barreiras ao afeto,antes construímos crescente amizade
      no curso de mais de meio século. Ele não é um nome,
       é José - universal, onímodo, abrangente - e José Augusto,
      com tudo que ‘augusto’ significa, como adjetivo,
      desde que esvaziado de quaisquer arrogantes majestosidades."

      Dayl de Almeida
      Ativista, líder e tribuno católico.
      Advogado, professor universitário, sociólogo,
      três vezes Deputado Estadual, Deputado Federal por dois mandatos.


      "Educador emérito, advogado culto,
      encanta-me na personalidade de Câmara Torres
      sua humildade de cristão bafejado pela fé.
      Ele é mais que um líder político. É um condutor de almas.
      Foi um privilegio conviver com ele
      na Assembleia e em Secretarias de Estado.

      Saramago Pinheiro
      Advogado, seis vezes Deputado Estadual, duas vezes Presidente da Assembleia Legislativa,
      Secretário de Estado de três governos, Deputado Federal por dois mandatos.


      "Aqui se devotou à causa da educação,
       que tanto lhe deve pela competência, pela seriedade, pelo idealismo.
      E intelectual de fecunda sensibilidade. Como político,
       prestou relevantíssimos serviços à região de Angra dos Reis,
      Paraty e Rio Claro: é exemplo de honradez, trabalho e lealdade.
      Parabéns, meu jovem Câmara!"

      Paulo de Almeida Campos
      Pedagogo, professor universitário e Técnico de Educação.


      "Câmara Torres é a própria história da Advocacia no Sul do Estado do Rio.
      Com ele aprendi o comportamento moral do verdadeiro advogado.
      Parabéns para você nesta data feliz. Parabéns a mim
      por ter acompanhado a trajetória
      do mais competente e perfeito advogado que conheço.”

      Rovane Tavares Guimarães
      Advogado, Criminalista e Defensor Publico.


      "Câmara Torres representa, sem dúvida; o idealismo na política.
      Sempre deslumbrou o interesse público como causa maior
      da atividade parlamentar. Probo, equilibrado, solidário e amigo
      – fez da vida pública um ato de fé e doação ao municipalismo do Estado do Rio.
      Convivi com ele na Assembleia Legislativa,
      e aprendi com ele que o trabalho, a lealdade,
      a gratidão e a humildade constroem 
      um mundo melhor, mais justo e democrático".

      Flávio Palmier da Veiga
      Vereador, três vezes Deputado Estadual e Deputado Federal por dois mandatos.


      "De formação religiosa, e digno, inteligente e trabalhador.
      Cedo voltou-se para o estudo do maior dos nossos problemas
      –   a Educação Popular – convencido de que é daqui
      que parte a solução para todos os outros.
      No Sul Fluminense exerceu, com uma probidade exemplar,
      as funções de Técnico de Educação.
      Depois foi Deputado, Secretário de Estado.
      No período revolucionário, não ficaria imune à maledicência
      dos invejosos e sofreu injustiças e perseguições.
      De tudo, porém, triunfou, com a consciência do dever cumprido. 
      Bom pai, bom amigo, terno esposo, e chefe de uma família exemplaríssima,
      onde os filhos são a sua alegria e o maior prêmio da vida."

      Rubens Falcão
      Técnico de Educação, pedagogo, escritor, crítico literário,
       folclorista, ex-Secretario de Educação e Cultura
      do Estado do Rio de Janeiro.


      "Os setenta anos de José Augusto da Câmara Torres constituem
      um motivo de festa para todos nós, seus amigos definitivos.
      Sua vida constitui um exemplo de sabedoria,
      de coerência e de afirmação humana."

      Anselmo Macieira
      Advogado, economista, ensaísta, 
      ex-Diretor Executivo da Fundação Casa de Oliveira Viana,
      Consultor Legislativo do Senado Federal.


      "Poucos fluminenses podem apresentar tantos e tão bons serviços à sua terra
      quanta o potiguar José Augusto da Câmara Torres.
      Fez-se professor e advogado, exercendo as duas profissões com
      zelo, probidade e eficiência. Ao Magistério, entretanto,
      serviu com idealismo incomum. No sul do Estado,
      melhorou o nível de ensino primário, implantou o ensino secundário,
      e de formação profissional de professoras
      em articulação com a iniciativa particular,
      visando tão-somente ao progresso da região.
      Desempenhou mandatos de deputado com operosidade, modéstia
      e, sobretudo, estreito relacionamento com seu eleitorado.
      Aproveitou-os para ampliar as oportunidades de ensino na região
      em que iniciara a sua carreira. Quando se escrever
      a Historia da Educação no Estado, Câmara Torres e a sua Tudinha,
      companheira laboriosa de todos os empreendimentos
      e todos os segundos, não serão nela uma simples referência;
       fazem jus a um rico capítulo à parte.”

      Renato Barbosa Fernandes
      Pedagogo, professor universitário, Técnico de Educação.


      Pela cultura, pelo talento e pelo espírito publico, 
      o Doutor José Augusto da Câmara Torres impôs-se ao respeito
      e à consideração de seus concidadãos,
      dignificando os mandatos que exerceu no Estado do Rio de Janeiro”.

      Abeylard Pereira Gomes
      Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro e escritor.


      "O Dr. Câmara Torres foi a luz na educação dos angrenses,
      possibilitando a existência de uma comunidade angrense."

      José Luiz Reseck
      Prefeito Municipal de Angra dos Reis.


      "Câmara Torres é um brilhante educador, solidário e amigo.
      Sua peregrinação alcançou fatos positivos para o Sul Fluminense
      e Paraty o tem como um dos seus maiores e incansáveis
      missionários pelo bem social.

      Edson Dídimo Lacerda
      Prefeito Municipal de Paraty por três mandatos, seu adversário político.

      ____________________________________________________________________________



      (Imagem: FBN - Acervo Marcelo Câmara)


      • A 18 de julho de 1989, no Hospital Santa Cruz, em Niterói, falece, dois dias após completar setenta anos, Gertrudes Nóbrega da Câmara Torres, a Tudinha, vítima de câncer metastático na medula, após anos de sofrimento. Professora aposentada, foi a companheira de José Augusto durante quarenta e oito anos de casamento. Na verdade, uma namorada de uma vida inteira, pois o encantamento do menino pela formosa menina, primeira aluna da classe, o “namoro” começou na infância, no Grupo Escolar Senador Guerra, ele com nove, ela com sete anos. Tudinha, além de lecionar por quatorze anos em Angra dos Reis, de 1943 a 1955, foi servidora, em Niterói, do Departamento de Ensino Médio e do Conselho Estadual de Educação, ambas unidades da Secretaria Estadual de Educação e Cultura, localizadas no centro da capital. Foi uma das fundadoras da Associação de Pais e Mestres dos Deficientes Auditivos – APADA, nascida em Niterói, hoje uma instituição nacional. Além do viúvo José Augusto da Câmara Torres, deixou oito filhos e quatorze netos. O sepultamento realizou-se no Cemitério Parque da Colina, em Niterói, na presença de centenas de familiares e amigos. A Missa de Sétimo Dia ocorreu a 25, na Basílica Nossa Senhora Auxiliadora, em Santa Rosa, na mesma cidade, que contou com a participação, também, de centenas de pessoas. Sete dias depois da partida da Dona Tudinha, a Família Nóbrega da Câmara Torres, enviou cartão a milhares de pessoas, agradecendo “as expressões de pesar pelo falecimento de sua esposa, mãe, sogra e avó”. Na mensagem, José Augusto, reproduz, em epígrafe, o seguinte trecho do livro de exemplar único, de poesia em prosa, que escreveu, com exclusividade, para a sua amada, em 1940 – O poema do meu amor: “É por isso que à sombra daqueles meus primeiros pensamentos havia muita cousa profunda, substancial, que teria de vencer e dominar o tempo e o espaço”.
      • Na manhã de um sábado, 2.9.1989, Câmara Torres esteve na Calçada da Cultura, da Livraria Mônaco, à Rua Visconde de Itaboraí, no centro de Niterói, para homenagear a memória do seu amigo, o grande jornalista e escritor, Acadêmico José Cândido de Carvalho, falecido a 1º de agosto daquele ano. Uma grande exposição sobre a sua vida e obra foi inaugurada, promovida pelo Grupo Mônaco, as Prefeituras de Niterói e de Campos, jornal O Fluminense e diversas entidades culturais. A mostra reuniu as primeiras edições dos seus célebres e premiados romances; recortes de jornais e revistas com textos de sua autoria; textos sobre as suas obras; fotografias e documentos – que ocuparam os painéis e paredes da livraria: Todos os livros do escritor estavam à venda. A viúva de José Cândido se emocionou: “Parece uma comemoração de aniversário. José Cândido está vivo aqui. Ninguém está chorando sua morte e todos convivem com sua obra como se ele estivesse presente”. Compareceram o Secretário Municipal de Cultural, Aníbal Bragança; Aloysio Picanço, do Conselho Municipal de Cultura; dezenas de escritores, jornalistas, intelectuais de Niterói e do Rio.
      • O Globo, de 24 de setembro de 1989, veiculou reportagem-entrevista com o aposentado José Augusto da Câmara Torres, “o primeiro viúvo do Brasil a receber do Estado pensão pela morte da esposa, beneficiado pela Lei da Pensão Feminina”. O beneficiado, aposentado como servidor público e advogando aos 72 anos, estranhou o interesse do jornal pelo assunto, porque se tratava, segundo ele, de um direito decorrente de lei, “tudo normal, regular”. Numa edição anterior do mesmo jornal, doze dias antes, o viúvo desabafou: “Não vejo nenhuma emoção nisso. É tão pouco o dinheiro da pensão... Preferiria mesmo era estar com minha mulher”. A quantia irrisória ele teria de dividir com uma filha solteira que vivia no exterior, mas resolveu entregar a metade ao então filho caçula e solteiro, estudante de Arquitetura. A edição de 13 do mesmo mês, do jornal O Fluminense, publicou matéria sobre o mesmo assunto, publicando na primeira página o seguinte título com foto de Câmara Torres falando à reportagem do secular diário: Ele é o primeiro viúvo com pensão da mulher.
      • Na manhã de um sábado, 15.10.1989, Câmara Torres recepcionava, na Casa da Cultura de Angra dos Reis, a Caravana da Cultura, do Grupo Mônaco, que visitava a Terra de Raul Pompeia, a convite do Prefeito José Luiz Reseck e do Presidente do Conselho Municipal de Cultura, historiador Alípio Mendes. A Caravana, sob a liderança do Presidente do Grupo, Carlos Mônaco, percorria os municípios fluminenses promovendo e participando de eventos, estimulando o intercâmbio artístico-cultural. Faziam parte da Caravana, dezenas de escritores, jornalistas e intelectuais de várias áreas, que frequentavam, a cada sábado, o Calçadão da Cultura, espaço em frente à Livraria Mônaco, no centro de Niterói. Em Angra, vários eventos culturais movimentaram aquele final de semana.
      • A 29.1.1990, falece o “irmão xifópago” de José Augusto da Câmara Torres, o “Zé”: morre em Brasília, Distrito Federal, vítima de enfisema pulmonar, Dayl, ou Dail, de Almeida (Dayl do Carmo Guimarães de Almeida). Irmão afetivo, de fé católica, intelectual, profissional, político, companheiro, amigo da vida inteira de Câmara Torres. Dias depois, o filho de José Augusto, jornalista Marcelo Câmara, escreve o artigo Quem foi Dayl, resumindo o homem e a obra, a vida fértil e produtiva de Dayl de Almeida. O texto foi publicado no Correio Braziliense, de Brasília, e em O Fluminense, de Niterói. Jornalista, Sociólogo, Professor Universitário, notável tribuno, conferencista, ativista católico, três vezes Deputado Estadual, duas vezes Deputado Federal, foi Primeiro Secretário da Câmara dos Deputados e Relator Geral das Leis Complementares à Constituição de 1969. Deixou publicados livros de ensaios nas áreas das Ciências Sociais, Direito, Política, Literatura, História, Filosofia e Religião; biografias, conferências e discursos. Durante cerca de vinte anos, dedicou-se à elaboração de duas obras, as quais não viu publicadas: um dicionário de Sociologia (que os cientistas sociais que o leram afirmaram que seria, até então, “o melhor das Américas”) e um dicionário de Mitologia Greco-romana, obra robusta, profunda, de grande amplitude. Os originais de ambas as obras, finalizadas e inéditas, foram perdidos por seus filhos. Pertencia às Academias Fluminense e Valenciana de Letras. Partiu, íntegro, digno e pobre. Sem bens a inventariar, morando num apartamento alugado. Deixou mulher, sete filhos e onze netos. Um intelectual, um pensador, um professor, um político. Cristão e democrata. Inteligência e Cultura. Um humanista. Uma vida honrada, reta, de muito estudo, ideias, ensino, trabalho. A 6 de fevereiro, Câmara Torres manda celebrar uma Missa pela alma límpida e generosa do compadre por tantas vezes, na igreja que eles, Zé e Dayl, frequentaram por quase toda a vida. Dayl era padrinho de batismo de uma filha de José Augusto. E este, de uma filha de Dayl. De outros dois filhos de José Augusto, Dayl era padrinho de casamento.


      Anúncio publicado em O Fluminense, de 6.2.2020.
      (Imagem: FBN - Acervo Marcelo Câmara)

      • A edição de 10.5.1990 de O Fluminense publicou mensagem de Câmara Torres ao seu amigo e colega de Assembleia Legislativa, Jornalista Alberto Torres, pela passagem dos 112 anos do diário. Escreveu Câmara Torres: “Felicito Prezado Amigo pela passagem dos 112 anos de O Fluminense. Mantê-lo com glória constitui um heroísmo pela dignidade profissional. Acompanhei, pelo menos, a metade dessa jornada e tenho razões para abraçá-lo”.
      • Na manhã de 18.6.1990, foi mandada celebrar por José Augusto e família, Missa de 1 Ano de Falecimento de Gertrudes Nóbrega da Câmara Torres, no Santuário Nacional das Almas, em Icaraí, Niterói.
      • Na manhã de 3 .8.1990, Câmara Torres participou da Missa em memória do seu amigo, o jornalista e escritor José Cândido de Carvalho, celebrada na Igreja Matriz de São Lourenço, no Ponto Cem Réis de Sant’Ana, uma iniciativa do jornal O Fluminense e de várias instituições culturais do Estado. O culto foi presidido pelo Cônego Luiz Gonzaga de Castro Azevedo que fez uma bela homilia sobre o homem, o escritor e sua obra, toda ela “vinculada e amante e enaltecedora da Natureza criada por Deus”. O Cônego falou das obras de José Cândido, da sua genialidade literária, do seu elevado Humor e verve original e inigualável, e, ainda, da sua precocidade com o lançamento de Olha para o céu, Frederico, que lhe abriu os pórticos das Academias para a glória e a imortalidade, representada na obra-prima de reconhecimento internacional O coronel e o lobisomem. A eloquência e a erudição do sacerdote arrebatou os presentes. Além de familiares do ilustre romancista, compareceram à cerimônia personalidades da vida cultural fluminense e de Niterói, figuras do Jornalismo, da Política e das Letras, intelectuais como, Amaro Martins de Almeida, Abeylard Pereira Gomes, Geraldo Bezerra de Menezes, Erthal Rocha, Aloysio Picanço, Horácio Pacheco, Edmo Lutterbach, João Rodrigues de Oliveira, Herval Basílio, Aníbal Bragança, Gilberto Chaudon, Waldenir de Bragança, José Pinheiro Júnior, Emílio Abunahman, Luiz Antônio Pimentel, Geraldo Victer, Alaôr Scisínio e Lou Pacheco. Os médicos Antônio Abunahman e Manoel de Almeida, que o assistiram até a sua partida, se emocionaram muito com a homenagem.


      Câmara Torres na sua “pátria”: Paraty.
      Onde melhor se sentia: no meio do Povo.
      Ao seu lado, o amigo paratyense Bié, Gabriel Serra.
      Momento de Fé e Alegria: a Festa do Divino.
      Década de 1990. Ele era um dos “Ajudantes do Festeiro”
      (Acervo Marcelo Câmara)

      • A edição de 12.11.1991 de O Fluminense trouxe uma longa e informativa matéria sobre os 90 anos do educador, jornalista, folclorista e escritor Rubens Falcão, cearense de Baturité, que chegou a Niterói com vinte anos e se formou na Faculdade de Direito em 1933. Foi Inspetor Escolar, Técnico de Educação, Diretor do Departamento de Educação e Secretário Estadual de Educação e Cultura do Governo Miguel Couto Filho, quando se aposentou. Foi um dos executivos mais brilhantes, criativos, ousados e de vanguarda na área da Educação nas duas gestões de Amaral Peixoto e no Governo de Macedo Soares. Casado com Anete Cunha Falcão, de tradicional família de Maricá, teve dois filhos e quatro netos.
      A fonte única e exclusiva da matéria foi o jornalista, educador, advogado e ex-Deputado Estadual por quatro mandatos, Câmara Torres, que, na sua análise “Rubens Falcão se mostrou, antes de tudo, um plantador de escolas, um incentivador dos valores da terra, com fibra de aguerrido cearense que sempre soube ser”. Para Câmara Torres Rubens, homem de ideias e luta, sempre foi “o amável lidador que nunca parou de escrever e de conviver com os professores do interior e com homens de alta cultura do Estado e do País”. O entrevistado destacou o dinamismo de Rubens Falcão: “Eficaz administrador da Secretária de Educação e Cultura durante anos, ele foi sempre homem acessível, homem de diálogo, dando prestígio a quem trabalhava e sempre fiel ao seu amigo Amaral Peixoto, sem nunca se alinhar a nenhum partido, pois jamais foi político na acepção da palavra”. Câmara Torres concluiu: “Tenho por ele uma admiração profunda. Foi quem muito me ajudou na batalha da vida, com respeito e serenidade. Por isso, aqui vai o meu elogio a um homem tranquilo, que, do alto dos seus magníficos 90 anos, bem vividos no bairro do Fonseca, tem a certeza de uma velhica honrada e digna, prêmio dos justos, dos que cumpriram seu dever para com a família, a Cultura e o País.” Rubens Falcão é o autor de duas importantes obras da Bibliografia do Estado do Rio: Novos Caminhos na Educação Fluminense, estudo crítico e propositivo de um especialista; e Antologia de Poetas Fluminenses, com perfis, análise e seleção de textos dos nossos maiores poetas. Publicou, também, biografias, Crítica Literária, Folclore, estudos e artigos técnicos na área da Educação. Era Membro da Academia Fluminense de Letras e Fundador da Academia Niteroiense de Letras. Foi Secretário Geral da Comissão Fluminense de Folclore, onde criou e editou o Boletim, depois, Revista Fluminense de Folclore, e colaborador de O Globo por muitos anos.

      • Na noite de 11 de fevereiro de 1992, na Faculdade de Direito de Niterói, Câmara Torres compareceu ao lançamento do livro O boi e o padre, autobiografia, livro de memórias, do jurista e político, ex-Ministro da Educação e Cultura, Professor Brígido Tinoco, então já falecido. Câmara Torres era amigo do casal Brígido Tinoco, estima que prosseguiu com a viúva Maria da Conceição de Menezes Tinoco. A edição post mortem foi iniciativa da viúva do ilustre Homem Público e patrocinada pelo Senador Áureo Mello, que, através da sua cota parlamentar, solicitou à Gráfica do Senado que a publicasse. Brígido Tinoco cumpriu cinco mandatos de Deputado Federal. Foi Professor Catedrático de Direito Administrativo da Faculdade de Direito e é autor das seguintes obras: Versos Tristes, livro de poesia editada na juventude; Uma porção de folhas mortas, idem; Fundamentos Históricos do Direito Social, obra de grande repercussão e com várias edições, premiada pela Academia Brasileira de Letras; e A Vida de Nilo Peçanha, obra considerada clássica pela crítica. O boi e o padre é um dos mais preciosos livros de memórias e da História Política fluminense, não apenas pela profusão informativa, mas também pelo estilo elevado, a elegante verve e a notável cultura do autor.


      Setembro de 1995. José Augusto em casa, já com a saúde debilitada,
      longe da Política e advogando pouco. Nessa época, além de orientar,
      passar sabedoria e experiência profissional a novos bacharéis,
      limitava-se a supervisionar o andamento de causas que lhe eram confiadas,
      transferindo-as a colegas de confiança mais jovens.
      (Acervo Marcelo Câmara)

      • A edição de 25.9.1996 do Jornal do Brasil publica carta do Senhor Câmara Torres, onde ele reclama do péssimo serviço prestado pela TELERJ, à linha de sua residência em Niterói. Esclarece o político, advogado, educador e chefe de família que “há mais de quarenta anos me comunico, todas as horas, com centenas de pessoas, sempre através de contas elevadas e quitadas em dia, sem ter tido nunca problemas com a Companhia”. No entanto, informa que “há mais de quinze dias meu telefone tem sido vítima das maiores restrições. Inicialmente, as ligações destinadas a outros números caíam em meu aparelho e sempre que fazíamos ligações, éramos interrompidos por outras vozes. Posteriormente, o telefone ficou mudo de vez, isolado. Dezenas de amigos reclamaram, a minha família também, e já há dez dias, nenhuma solução aos nossos ansiosos pedidos”. A propósito, já na década de 1960, Câmara Torres soube, pela antiga concessionária CTB, que ele “pagava, em virtude da sua atribulada vida de advogado e político, uma das maiores contas residenciais do Estado”.
      • Numa noite de novembro de 1995, Câmara Torres esteve no Clube Central, na Praia de Icaraí, para o lançamento do livro Memórias – Togo de Barros, do seu amigo e ex-colega de Assembleia Legislativa, Deputado Togo de Barros, ex-Governador do Estado do Rio de Janeiro. Na primeira página do livro, a dedicatória de Togo classificava Câmara Torres como “exemplo de integridade, cultura e trabalho” e “personalidade da História Política fluminense”. Ao lado de Câmara Torres, para abraçar o ilustre político campista, o ex-Deputado Saramago Pinheiro e o livreiro e animador cultural, Carlos Mônaco.
      • A 22.6.1997, Câmara Torres completava 80 anos. O aniversário foi comemorado com uma Missa em Ação de Graças na Basílica Nossa Senhora Auxiliadora, em Santa Rosa, Niterói. Familiares, amigos e admiradores participaram da cerimônia, gente de Niterói, do Rio e do interior do Estado. Igreja cheia.


      Sem alegria. Câmara Torres na manhã de 22 de junho de 1997,
      na Missa pelos seus oitenta anos, na Igreja dos Salesianos,
      templo que ele frequentou durante toda a vida.
      Dos quinze aos vinte e cinco anos, quase que, diariamente,
      como estudante, professor e ativista católico.
      (Foto: Renato Moreth – Acervo Marcelo Câmara)


      Curiosidades sobre a personalidade
      do cidadão, amigo e pai
      José Augusto da Câmara Torres

      Por Marcelo Câmara

      • Iniciou sua biblioteca aos nove anos.
      • Aos doze anos fundou e dirigiu um jornal de uma cidade.
      • Colecionou selos na juventude, quando teve, ainda, uma preciosa coleção de maços de cigarros (vazios), com exemplares raros do Brasil e exterior, alguns do Século XIX. Essa coleção estava com Marcelo, o filho mais velho. Quando ele se casou e mudou, deixando a coleção na casa dos pais, ela desapareceu.
      • Tentou, mas nunca conseguiu fumar.
      • Nunca dirigiu automóveis. Nem tentou.
      • Aos 20 anos, tentou aprender piano, ao comprar um Methodo e encontrar um professor.
      • Educaram os filhos, ele e Tudinha, na religião Católica, Apostólica, Romana. Ensinaram e encaminharam os filhos à prática verdadeira do Catolicismo. Todos foram batizados, fizeram Primeira Comunhão, se crismaram e se casaram na Igreja Católica. No lar, a Missa aos Domingos e Dias Santos e a abstinência de carne na Semana Santa eram rotinas compulsórias .
      • Nunca admitiu que os filhos fumassem.
      • Na sua casa, não entravam baralho nem gibis. Considerava-os nocivos à educação dos filhos. Leitura somente boa literatura, nacional e estrangeira. Aconselhava os clássicos.
      • Não admitia jogos de azar.
      • No seu prato do almoço e jantar, os alimentos não se misturavam. Ele arrumava, cuidadosamente, cada um deles na maior parte do prato: o arroz, a carne ou o peixe, a verdura, o legume etc. Em seguida, para comer, com a faca na mão direita, e o garfo na esquerda, ele recolhia porções de um ou mais deles, arrumando no garfo o que desejava, levando-o à boca.
      • Como teve uma infância pobre e sem brinquedos, era fascinado em montar miniaturas de aeródromos. Já com mais de quarenta anos, tal como um menino, comprava brinquedos de armar importados, caixas que traziam pequenas peças de plástico e cola especial, e montava aviões antigos, geralmente os primeiros monomotores fabricados no mundo.
      • Preferia dormir ou descansar numa rede nordestina do que numa cama.
      • Não comia feijão. Mas adorava feijoada.
      • Ele e Tudinha não deixavam as filhas usarem duas peças e biquinis.
      • Não conseguia dançar, fazer par a uma dama. Tudinha tentou lhe ensinar, como fez, com sucesso, com os oito filhos, mas era impossível. “Seu pai não tem ritmo”, explicava. Também não sabia nadar, jogar futebol, dançar e andar de bicicleta.
      • Ele e Tudinha obrigavam, sob chineladas, os filhos a tomar sopa antes do jantar até os dezoito anos.
      • Preferia escrever tarde da noite, no início da manhã ou de madrugada.
      • Como sempre teve vida atribulada, trabalhava muito e dormia pouco, entrava no seu carro e, em poucos minutos, já estava cochilando, o que fazia mesmo em pé em transporte público ou encostado a uma parede, quando esperava por alguém.
      • Suas bebidas preferidas: cachaça (somente de Paraty) e uísque escocês com água de coco. Mas gostava, também, de um bom vinho.
      • As frutas exóticas o fascinavam. Apaixonado por fogos, quando residia em Angra dos Reis, a cada São João, trazia do Rio um grande volume de fogos de artifício que disparava em frente à sua casa, na Rua Honório Lima, para alegria dos filhos. Em 1954, um “aviãozinho”, artefato que cruzava o céu assobiando e iluminando-o com cores, ao invés de subir, desceu sobre ele e a família, atingindo a sua filha Maria Tereza, de nove anos, que, ainda com o uniforme de educação física do Grupo Escolar, sofreu graves queimaduras, tendo de ser internada na Santa Casa da cidade. A partir desse acidente, Câmara Torres nunca mais festejou, com fogos, o São João.
      • Comia qualquer alimento do mar: peixes, moluscos, crustáceos, qualquer animal ou vegetal. Tudinha preparava, com primor, sempre reclamando, qualquer um deles. Detestava, até mesmo, o cheiro. A única exceção da esposa: comia camarão de Paraty “porque não tinha cheiro nem gosto de peixe”.
      • Em navio, traineira, rebocador, lancha, baleeira ou canoa, não temia o mar bravio. Sentia-se bem e considerava a tormenta, agradável, uma diversão. Em viagens perigosas, dormia, até mesmo em pé, segurando no mastro da embarcação, em banco ou grade de convés, enquanto os outros passageiros passavam mal, rezavam, choravam, pediam socorro etc. Jamais enjoou em mar turbulento.
      • Não sabia pilotar avião, mas era um apaixonado por aviação e adorava voar. Em 1952, ingressou no Aero Clube do Estado do Rio de Janeiro – ACERJ, localizado na Praia de Charitas, em Niterói, RJ, onde foi Vice-Presidente por várias gestões e Presidente do Conselho Deliberativo, chegando a presidi r a entidade nesta última condição. Desde que idealizou e construiu em 1954, com recursos próprios, o “Campo de Aviação da Japuíba”, em Angra dos Reis, hoje “Aeroporto de Angra dos Reis”, nunca deixou de voar em teco-tecos, mono e bimotores, para qualquer lugar. Não temia condições de tempo adversas. Os pilotos que, com frequência, viajavam com ele, indo e vindo, entre Niterói, Rio para o Sul Fluminense, contavam que alertavam Câmara Torres sobre o perigo de, muitas vezes, decolar sob chuva, tempo fechado, ou prenúncios, maus prognósticos de temporais e ventanias. Mas ele não se sensibilizava, teimava em voar, dizendo: “Não, dá pra ir sim. Essa situação ruim deve ser só por aqui. Quando ultrapassarmos aquela serra, aquela montanha, tudo fica azul, um céu de brigadeiro...” Os pilotos que conheciam a teimosia temerária de Câmara Torres, vez por outra, tinham que “endurecer” com ele, se negarem a voar, pois ele, sempre otimista, achava que, depois de determinado ponto da viagem, “tudo ia ficar azul, céu limpo”. Os pilotos José Viegas, Cileno Rocha, Wermelinger e Lacir Moraes, alguns dos que mais voaram com ele, narravam algumas ocorrências de riscos e percalços, de “sufocos” que passaram com Câmara Torres, em virtude da paixão dele de voar, da insistência em decolar de qualquer maneira, do “voluntarismo aventureiro, o otimismo perigoso do Doutor Câmara”.
      • A Marcelo, o filho mais velho, até os dezoito anos, jamais foi permitido sentar à mesa sem camisa. Nem ter cabelos longos.
      • Suas leituras e estudos prediletos: História, Literatura (Prosa e Poesia), Sociologia, Educação, Política, Cristianismo, Biografias, Crítica Literária.

      Nenhum comentário:

      Postar um comentário