sábado, 11 de janeiro de 2020

INFÂNCIA: O ESTUDANTE, ORADOR E JORNALISTA

CENTENÁRIO DE CÂMARA TORRES
1917  – 2017
José Augusto da Câmara Torres
(* Caicó, RN, 1917 – † Niterói, RJ, 1998)
Jornalista, Educador, Advogado, Político
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A EDUCAÇÃO NO LAR

No início do Século XX, imaginemos como era rigorosa, severa, a educação de José Augusto, no lar modesto do telegrafista José e da sua mãe, Dona Liquinha, bordadeira e que gostava de dançar, casa onde imperavam a disciplina e obediência incondicional, a moral católica e, consequentemente, os castigos e a usual palmatória, comum na “educação” da época. José Augusto, primogênito e sobrevivente às duas irmãs gêmeas, nascidas no ano anterior e falecidas semana depois, era muito magro, pequeno, mirradinho, porém, desde menino, revela aguda inteligência, curiosidade e desassossego, frente à realidade e dentro do regime doméstico, árido e repressor.

REVELAM-SE OS TALENTOS E VOCAÇÕES
A PRIMEIRA ESCOLA

A escola, as atividades fora de casa para José Augusto era a libertação, o oxigênio que precisava para conviver, conhecer, aprender e descobrir, estudar e crescer, física, espiritual e intelectualmente. Não que os pais o maltratassem, o torturassem, mas o ambiente escolar proporcionou ao menino o convívio com outros da sua idade, inclusive meninas, a sociabilidade, a atividade escolar, as primeiras manifestações proibidas, no mínimo “inadequadas” a um menino de oito anos, naquela Caicó no início do Século XX, pequena, conservadora, de poucas famílias, unanimemente católica.

A 1º de março de 1926, aos oito anos, ele ingressa no 1º ano do Curso Elementar do Grupo Escolar Senador Guerra – GESG, dirigido pelo austero e altivo Professor Joaquim Coutinho, para ser aluno da serena e afirmativa Professora Leonor Cavalcante, muito querida por ele, por todos os estudantes. Menos de quatro anos depois, a 1º de fevereiro de 1930, ele estava no 1º ano do Curso Complementar

Grupo Escolar Senador Guerra em dezembro de 1936, cinco anos após a partida de José Augusto de Caicó para Natal, e de lá para Niterói. Aqui o menino iniciou-se na Oratória e no Jornalismo, inaugurando a sua carreira de Homem Público.
(Acervo Marcelo Câmara)

Para se avaliar do regime de disciplina excessiva, medo e repressão, até de terror, que prevalecia em casa e na escola, eis o depoimento, de próprio punho, que José Augusto, aos 20 anos, escreveu no verso da folha de rosto do seu primeiro livro no qual aprendeu a ler e a escrever:

Ontem, 21 de março de 1938, na casa de um amigo, vislumbrei esta cartilha. E a minha infância desabou sobre a minha juventude. Voltei no tempo e no espaço a 1922, 23, 24, 25... e à minha cidadezinha querida... À casa onde nasci, à nossa vida familiar, tão original e áspera, daqueles anos... Vivi a recordação das minhas horas de deslumbramento quando conseguia juntar as letras e formar uma palavra... já sabia ler!; senti a impressão boa ou má das historietas ingênuas destas páginas... Revivi também o medo terrível do castigo de não saber algumas palavras, de não as pronunciar pelo receio do acento tônico e por não compreender algum sentido... Pensei no quadro da austera e forte educação antiga, da qual meu pai foi um dos últimos “pedagogos”... E entre um passado terno e inocente, longe de um grande centro de cultura, eu vivi horas encantadoras... cada página que avançava eram dias inesquecíveis vividos há 12,, 13 ou 14 anos atrás... Esta cartilha irá para a minha estante, no lado dos complexos e folhudos livros que agora me seduzem...
José Augusto, 22.3.38



Livro editado em 1923, com o qual José Augusto se alfabetizou.
O exemplar lhe foi presenteado em 1938, com afetuosa dedicatória,
pelo Professor Raul Stein de Almeida, que lecionava Francês, Português e Matemática
no Colégio Salesiano Santa Rosa, de Niterói, e dava aulas particulares em sua residência na mesma cidade.
Homem de grande Cultura e extraordinário Humor, era Mestre formado na Sorbonne, em Paris,
e pai do maior amigo de José Augusto por toda a vida, “um irmão xifópago”, Dayl do Carmo Guimarães de Almeida.
(Acervo Marcelo Câmara)

FUNDADOR E EDITOR DE UM JORNAL AOS 13 ANOS

Inacreditável. Surpreendente. No mínimo, uma espantosa precocidade. Um menino do interior – filho do telegrafista da cidade, pobre, pequeno, esquálido, que não pertencia à família social ou politicamente poderosa ou abastada, se destaca, chama a atenção, brilha, entre a estudantada com sobrenomes tradicionais, de estatura física normal, corpulenta – funda e dirige um jornal. O Ideal da Juventude. Ele estava no primeiro ano do Curso Complementar “Mixto”, após percorrer os quatro anos do Curso Primário, básico. Um jornal que ultrapassa os muros da escola, do Grupo Escolar Senador Guerra: um “jornal mensal, literário e noticioso, órgão dos interesses do Grupo Escolar Senador Guerra – GESG, dirigido ao Povo de Caicó”. É interessante notar que o jornal, de periodicidade mensal, não circulava apenas no colégio, mas em toda a cidade. A distribuição, de início, parece que era gratuita, mas recebia assinaturas mensais (certamente, um projeto), semestral e anual, “das 12 às 2 da tarde, na residência do Director” (José Augusto), informava o “Expediente”. O jornal, de quatro páginas, era impresso na Tipografia Lebarre, propriedade de Odilon Lebarre, em Caicó.


Turma do “Curso Complementar Mixto do Grupo Escolar Senador Guerra”, a 15.6.1930.
No centro, à frente, o Diretor Professor Joaquim Coutinho.
Tudinha é a terceira, e José Augusto, o quarto, da esq. p/ dir. na segunda fila, de baixo para cima.
(Acervo Marcelo Câmara)

O jornal foi fundado pelo pequeno José Augusto Torres (“JAT”) em 1931, como “orgam do Curso Complementar Mixto”. Assim, com esse horizonte, o primeiro número é lançado num domingo, dia que não havia aulas, a 8 de maio de 1931, sob a “Direcção de José Augusto Torres”. O último número, o de nº 10, vai à luz no dia 11 de fevereiro de 1932. O número 7 de O Ideal da Juventude foge do formato 32,5cmX20cm de quatro páginas e sai, com o mesmo número de páginas, mas no tamanho de um tablóide, com um belo e substancioso artigo, como tudo que escreveu, do genial e insuperável professor Luís da Câmara Cascudo, sobre a vida e a obra de Francisco de Brito Guerra, patrono do Grupo Escolar Senador Guerra. “Cascudinho”, como é conhecido na terra potiguar, renuncia aos seus direitos autorais do texto, em favor da escola.


Sentados, da esq. p/ dir., Tudinha é a primeira e José Augusto, o terceiro.
(Acervo Marcelo Câmara)

No terceiro número, Gertrudes Nóbrega, a Tudinha, é a Secretária do jornal. Tudinha torna-se musa de José Augusto quando o casal José e Maria, pais de José Augusto, em companhia do filho de dois anos, visita, no final de julho de 1919, o casal Joaquim Gorgônio da Nóbrega (1872-1944) e Senhorinha de Araújo Nóbrega (1883-1921), uma semana após o nascimento de Tudinha, a sua sexta filha, dos nove partos da mãe. Lamentavelmente, dois anos e pouco depois, Senhorinha falece quando tenta dar a luz a mais um filho, o nono. Portanto, o encantamento de José Augusto por Tudinha se faz platônico e infantil amor, não nos primeiros dias letivos de 1926, mas, talvez, antes, metafisicamente, naquela visita no resguardo de Senhorinha.


No terceiro número do jornal, Gertrudes Nóbrega, a Tudinha, primeira aluna da classe,
 que aos doze anos já fazia a contabilidade da casa comercial do pai,
a maior da cidade, é a Secretária de O Ideal da Juventude.
Informação de primeira página, no alto, à direita.
(Acervo Marcelo Câmara)

Adaucto Rocha era o gerente do jornal, e entre os colaboradores estavam, além do próprio Adaucto, Waldemar Nóbrega e Maria Dativa de Araújo, primos de Tudinha, Câmara Cascudo, Joel Fernandes de B. Guerra, José Lázaro Filho, Clovis Batista, Alda Fernandes, Wilson Regalado Costa, V. Gurgel, Hylarino Pereira, Carmen Dora, Josué Silva, o Diretor Joaquim Coutinho, a professora Leonor Cavalcante e muitos outros sob pseudônimos masculinos e femininos, especialmente os dois últimos.

O segundo número de O Ideal da Juventude traz o resultado de um concurso feito entre o corpo discente para que se votasse e elegesse “O aluno mais estudioso do Complementar Mixto”. E José Augusto foi o primeiro classificado com 38 votos.

José Augusto anotou num caderno de notas: “Às 5h20m da tarde de 26 de julho de 1930, o Doutor João Pessoa é assassinado na Confeitaria Glória, no Recife por Dantas Duarte”. No primeiro aniversário da morte de João Pessoa, a 26 de julho de 1931, o menino José Augusto, aos treze anos, planeja e edita uma revista especial, sob o título “26 de julho – Orgam d’”O IDEAL DA JUVENTUDE”, que traz textos do Diretor Joaquim Coutinho, da Professora Leonor Cavalcante, de membros do Corpo Redacional do jornal e onde, também, ele publica a crônica A Bandeira. Publicou-se, ainda, um trabalho de Genealogia de Manoel Fernandes de Araújo, da Associação Educadora Caicoense, fundada em 1919 pelo jornalista José Gurgel de Araújo (1892-1966) e que tinha por finalidade ser a mantenedora da Biblioteca Olegário Vale, criada em 1918.


Capa da Revista 26 de julho, publicação especial lançada pelo Ideal da Juventude,
planejada e editada por José Augusto em 1931, no primeiro ano da morte de João Pessoa.
(Acervo Marcelo Câmara)

O Ideal da Juventude se afirma magnificamente na cidade e região. O jornal já não tem “distribuição gratuita”, mas um preço, um valor é pago por cada exemplar, afora as “assinaturas”. O veículo e enviado a outros jornais e revistas do Estado e do País, ocorrendo um interessante intercâmbio.


ORADOR AOS DOZE ANOS

José Augusto foi um fenômeno da inteligência, de superações intelectuais e de exuberância do verbo. Um criador, construtor e realizador precoce, principalmente, da palavra escrita e falada. As naturais e oportunas manifestações em sala de aula ou fora dela, as perguntas, a compreensão, os comentários e as interpretações das falas e dos textos perpetrados pelo menino, franzino e lépido, no ambiente escolar, daquela criança, o menor em estatura física da turma, assombraram mestres e alunos, dadas a sua pertinência, profundidade e relevância, à boa dialética e argumentos do seu informal discurso. Essas circunstâncias o aureolaram de brilho, despertando o interesse e aproximação e a unanimidade da direção, dos mestres, dos colegas, de toda a escola à sua volta. E o elevaram, além do redator-mor, do jornalista diretor de O Ideal da Juventude, mas à condição de arauto natural, de representante da turma, no texto do papel e na dicção da voz.

Assim, com apenas doze anos idade, José Augusto, aluno do primeiro ano do Curso Complementar Mixto do Grupo Escolar Senador Guerra, se torna, como veremos, ao elencar as suas orações, não apenas o orador da turma e da escola, mas da própria infância e juventude da sua cidade. Aos doze anos, a 3 de maio de 1930, ele pronuncia o seu primeiro discurso público. Nele, trata da polêmica acerca da data do Descobrimento do Brasil e do “Dia da Natureza”, hoje “Dia da Árvore”.



Primeira página do primeiro discurso,
escrito e lido por José Augusto aos doze anos, a 3.5.1930.
(Acervo Marcelo Câmara)

A 7 de setembro de 1930, aos treze anos, ele vai agora escrever e dizer um discurso aos seus professores e colegas, fazer da sua voz e sentimento, a voz e o sentimento de todos. É a solenidade do Dia da Pátria na escola. José Augusto diz longa, rica e surpreendente oração. Discorre sobre a nossa História, o heroísmo dos nossos ancestrais, mártires que lutaram pela Independência. Percorre as principais lutas que precederam o Grito do Ipiranga, desde Bernardo Vieira de Melo, do Padre Miguelinho e seus companheiros da Revolução Pernambucana de 1817, do suplício de Felipe dos Santos em 1720, da Revolução de Minas e o martírio de Tiradentes. Relembra fatos e personagens que prenunciam a República proclamada em 1889. Tudo isto para defender “o Patriotismo, fé e consciência, o Civismo, pensamento e conduta, a necessidade de nos mantermos unidos, conscientes e responsáveis pelo presente e o futuro, pela paz e o progresso do País”. Arremata a sua fala, erguendo um “Viva ao Sete de Setembro e ao nosso amado Brasil!”.

No Dia do Mestre, a 15 de outubro de 1930, novamente o menino José Augusto é escolhido para, em nome dos alunos, discursar. Escreve e faz uma preleção laudatória à Educação, à Escola, aos Professores, destacando a importância do processo, do lugar e dos agentes respectivamente na instrução intelectual e profissional, na formação moral e cívica das crianças e jovens. Reúne todas as homenagens, ramalhetes de gratidão e carinho, à Dona Leonor Cavalcante (Maria Leonor Cavalcante), sua professora.

Seguiram-se, em Efemérides Nacionais, discursos de José Augusto, em nome do corpo discente, dirigidos a autoridades locais e regionais, aos professores e alunos do GESG, e ao Povo de Caicó.


DISCURSANDO PARA O GOVERNADOR

A 25 de agosto de agosto de 1931, o Governador do Estado do Rio Grande do Norte, Hercolino Cascardo, Interventor nomeado por Getúlio Vargas, após a Revolução de 1930, faz uma visita oficial a Caicó. José Augusto, aos quatorze anos, é designado orador oficial do município, indicado para saudar o Governador em nome das crianças, da juventude da terra. A sua missão: dizer àquela autoridade que a “mocidade das escolas, a infância estudiosa, esta entusiástica legião a quem estarão entregues amanhã os destinos da Pátria, se associa cheia de ardor cívico para expandir também o seu júbilo pela presença do eminente Chefe do Estado e render o seu preito de admiração ao bravo marinheiro, sentinela indômita na defesa dos brios e da dignidade da nossa querida Pátria”.

É o início da sua Vida Pública.

Hercolino Cascardo (*Rio de Janeiro, RJ, 1900 - †idem,1967) era oficial da Marinha de Guerra, participou do movimento tenentista, foi revolucionário ao lado de Getúlio Vargas, teve vida militar e política movimentada e acidentada. Começou na Coluna Prestes, depois do Levante Comunista de 1935, esteve preso “por engano” sendo libertado em 1937. Foi afastado da vida militar até a redemocratização de 1945, quando se filiou ao Partido Socialista Brasileiro. Em 1954, reintegrado, foi transferido para a reserva como Almirante de Esquadra.

O curioso deste pronunciamento é que ele não foi escrito por José Augusto. Mas, elaborado à última hora, à lápis, “em cima da perna”, qual um rascunho, cheio de riscos e emendas. José Augusto leu três folhas soltas de papel timbrado do advogado Doutor Renato Celso Dantas, que foi o autor do texto, à época um respeitado intelectual da região do Seridó. No verso da terceira página, o orador escreveu em tinta roxa: “ Feito por Dr. Renato – José Augusto – 25-8-1931”. Neste dia, o menino tomou vinho pela primeira vez. “Inesquecível”, lembrava-se, já casado, com um sorriso.

Falas dos 12 aos 14 anos,
de maio de 1930 a novembro de 1931
em Caicó, RN


  • A 3.5.1930, acerca da polêmica sobre a data do Descobrimento do Brasil e sobre o “Dia da Natureza”, numa praça pública da cidade, próxima ao GESG.
  • A 25.8.1931, “em nome da mocidade de Caicó”, para o Governador do Estado, autoridades e Povo da cidade, no lugar oficial de recepção à autoridade.
  • A 7.9.1931, sobre a Independência do Brasil, no “Dia da Pátria”, no GESC.
  • A 26.7.1931, no primeiro aniversário da morte de João Pessoa, oração sobre a sua vida, trajetória e obra, no GESG.
  • A 15.10.1931, no “Dia do Professor”, faz profunda reflexão sobre o lugar, a saúde e o bem-estar da criança, da infância, do jovem, no lar, na escola, na sociedade, lançando suas expectativas sobre o futuro das gerações que são instruídas e educadas. No GESG.
  • A 17.10.1931, pelo “Dia do Professor” em homenagem ao Diretor do GESG, Professor Joaquim Coutinho, em recepção na residência deste.
  • A 24.10.1931, narra e exalta a Revolução de 1930, antevendo um futuro de paz, prosperidade e progresso para o Brasil, no GESG.
  • A 19.11.1931, no “Dia da Bandeira”, oração cívica sobre a história do símbolo pátrio, seu significado social e político, diante do Doutor Nestor Lima, Chefe da Instrução Pública Estadual, professores e alunos do GESG.


PRIMEIROS INTERESSES
PRIMEIRAS INFLUÊNCIAS


A Língua Portuguesa, a Literatura Portuguesa e Brasileira, a História do Brasil, a História da Civilização, a Política Nacional e o cenário político, socioeconômico e cultural internacional, depois da Primeira Grande Guerra, inclusive as conquistas das Ciências e Tecnologias – esses foram os primeiros interesses do menino José Augusto ainda em Caicó, nos seus primeiros anos na escola. Os livros didáticos adotados e as indicações de leitura, inclusive em atividades extraclasses, foram as suas primeiras leituras. Os exemplares davam início a sua biblioteca, que, doados ao seu filho Marcelo, antes de falecer, ultrapassavam 2 mil volumes. E os autores dessas obras forjaram as primeiras influências e ideias na formação do estudante, do estudioso, do jornalista e orador, do futuro intelectual, fértil e produtivo. Havia apenas uma sala de leitura na cidade: a Biblioteca Olegário Vale que funcionava num dos salões da Intendência Municipal, no mesmo prédio que também estava o Grupo Escolar Senador Guerra, mantida pela Associação Educadora Caicoense.

As primeiras idéias e doutrinas até os quinze anos vieram prioritária e diretamente, dos seus primeiros mestres, seus professores em Caicó e em Natal. Era nas aulas do Grupo Escolar e, em seguida, no Colégio Santo Antônio, dos Irmãos Maristas, em Natal, que o menino ouvia as recomendações sobre nomes e obras fundamentais para a formação dos “homens cristãos e de bem, cultos, íntegros, patriotas, futuros cidadãos, prontos para enfrentar a vida”. E a Igreja Católica foi a mais forte influência de indicações e aconselhamentos: a Bíblia, o Catecismo, as Encíclicas papais, a Hagiologia.

Os livros dirigidos à segunda infância e à primeira adolescência sobre aquelas matérias que o seduziram desde que aprendera a ler e a escrever tinham as autorias, entre outras, dos poetas Castro Alves e Gonçalves Dias; dos romancistas José de Alencar e Machado de Assis; dos historiadores Varnhagen, os Taunay (o Visconde e Afonso Escragnolle) e Capistrano de Abreu. Os textos do Professor Luís da Câmara Cascudo sobre História, Literatura e Folclore, juntamente com os trabalhos dos escritores e políticos da terra, eram leituras quase obrigatórias no ambiente escolar e cultural de Caicó e Natal, como as poetisas Auta de Souza (segundo Cascudo “a maior poetisa mística do Brasil”), Nísia Floresta (também educadora e escritora, primeira feminista da América Latina) e a então contemporânea jornalista e poetisa Palmyra Wanderley; e os políticos Pedro Velho, Alberto Maranhão, João Pessoa, Eloy de Souza, Juvenal Lamartine, José Augusto Bezerra de Medeiros, entre outros.

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