terça-feira, 5 de maio de 2020

AÇÕES POLÍTICAS, PARLAMENTARES E PARTIDÁRIAS DE 1959 A 1962

 
CENTENÁRIO DE CÂMARA TORRES
1917 – 2017
José Augusto da Câmara Torres
(* Caicó, RN, 1917 – † Niterói, RJ, 1998)
Jornalista, Educador, Advogado, Político
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“O DEPUTADO DA EDUCAÇÃO, DA CULTURA
E DO DESENVOLVIMENTO”
LEGISLATURA 1959-1962


Abaixo, estão registrados as proposições legislativas (projetos: de lei Constitucional, atual Emenda à Constituição Estadual; de lei, de decreto legislativo, de resolução; pareceres, estudos, requerimentos, moções, indicações, etc.), os pronunciamentos, lidos ou de improviso, e apartes; pareceres escritos e orais, feitos no Plenário e nas Comissões da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro e em outros fóruns vinculados ao Poder Legislativo ou dele extensivos. Grande parte dos Projetos do Deputado Câmara Torres foi transformada em leis. Porém, sobre alguns, as pesquisas não permitiram concluir se passaram ou não a integrar o ordenamento jurídico do Estado. Também estão registradas  as ações, providências e posturas do Político junto aos Governos, instituições e autoridades públicas, federais, estaduais e municipais, visando à solução das demandas coletivas, da sociedade fluminense, em especial das comunidades que representava, prioritariamente, as do Sul do Estado do Rio de Janeiro e da capital. E, ainda, as gestões de Câmara Torres na sociedade, junto às empresas e instituições privadas, no sentido de responder às necessidades e anseios da população.

Foram dezesseis anos ininterruptos como Deputado Estadual, e mais trinta anos de trabalho como Político sem mandato, que beneficiaram os municípios e comunidades fluminenses, principalmente Angra dos Reis, Paraty, Rio Claro e Mangaratiba, em todos os setores da vida social e econômica, com destaque para as áreas da Educação e da Cultura, bem como as da Saúde, dos Transportes, Energia, Justiça, Segurança, Assistência Social, Comunicações, Saneamento, Meio Ambiente, Administração Pública e Turismo.

No entanto, não vão listadas aqui as ações de Câmara Torres em favor de determinado cidadão ou cidadãos, família ou grupo de famílias, que viabilizaram e efetivaram o seu acesso e/ou o cumprimento de direitos civis, legítimos, junto aos Poderes Públicos e à iniciativa privada, de acordo com a Lei e a normalidade jurídica vigente. Ações que promoveram ou beneficiaram milhares de pessoas e suas famílias, individual, pessoal, diretamente, fossem eles seus eleitores, ex-eleitores, ou não, adversários políticos ou não, amigos ou não. Foram ações como: 1) a indicação para postos de trabalho ou cargos de direção e confiança, públicos e privados, de acordo com a idoneidade moral, a aptidão e capacidade profissional de cada um, uma prerrogativa do Deputado Estadual e Líder Político de uma Região (não existia, na maioria dos casos, o ingresso no Serviço Público por concursos gerais, abertos, de provas e títulos), ratificada pelo crivo das autoridades públicas e lideranças comunitárias locais e/ou regionais; 2) a lotação adequada, justa e mais produtiva, nos serviços públicos em geral, de profissionais em unidades onde residiam os candidatos e funcionários, segundo a idoneidade, aptidão, capacidade e produtividade de cada um; 3) a recomendação aos empregadores e chefias de servidores, de promover o desenvolvimento profissional, o progresso funcional, desses trabalhadores; 4) na Educação, a efetivação de matrículas em instituições de ensino, públicas e privadas, concessão de bolsas de estudo, a pessoas carentes, entre outros benefícios; 5) na Saúde, internações, o tratamento de doenças, realização de cirurgias, obtenção de próteses e órteses, fora da região onde habitava o cidadão menos favorecido ou sem acesso a tais serviços; 6) na Assistência Social, o atendimento a idosos e pessoas Portadoras de Necessidades Especiais – PNA, de qualquer natureza, que não eram devidamente atendidos pelos órgãos públicos ou delegados para tal fim; 7) no Transporte Público, pleitos às empresas públicas e privadas, visando à expedição de passes livres de transporte urbano e intermunicipal, especialmente a professores, estudantes e trabalhadores carentes (não havia os sistemas legais de vales-transporte hoje existentes) e a cessão de ônibus para transporte de alunos e professores em atividades fora da escola; 8) na Habitação, a concessão, junto aos bancos públicos e privados, de financiamentos para compra da casa própria, reforma e restauração de imóveis, para pessoas que não tinham acesso aos bancos ou que a burocracia irracional martirizava; 9) no Serviço Público, junto a repartições, como procurador, formal e informal, de cidadãs e cidadãos, funcionários públicos ou não, que, vivendo no Interior, em locais distantes da capital, como, à época, o Extremo Sul Fluminense, necessitavam de um documento, uma orientação, uma resposta a um direito. Câmara Torres acompanhou, durante toda a sua vida, milhares de processos de pessoas que pleiteavam seus legítimos direitos de cidadania, de qualquer classe social ou econômica, que, legal e juridicamente habilitados, não tinham acesso ou eram impedidos de usufruir direitos e benefícios; no que tange aos servidores públicos, centenas deles, talvez mais de 1 mil, foram nomeados, trabalharam durante décadas e se aposentaram sem nunca ter ido à Capital, pois Câmara Torres cuidou das suas carreiras, os representou por toda a vida.

Centenas de outras ações exitosas de Câmara Torres em favor da coletividade, seja como Jornalista, Técnico de Educação, Deputado Estadual, Líder Político, Partidário e Social, Advogado, intelectual plural, foram efetivadas, ora em razão de prerrogativas inalienáveis e intransferíveis que possuía inerentes ao cargo e função pública e/ou política, eletiva ou não, que exercia, ora decorrentes da sua honorabilidade reconhecida, da respeitabilidade e prestígio pessoal e profissional, da sua autoridade moral, liderança social.

ATIVIDADES DURANTE
QUATRO SESSÕES OU ANOS LEGISLATIVOS:
1959, 1960, 1961 E 1962.

Os acervos da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, no período de 1955 a 1971, quando estava sediada na antiga capital Niterói e, onde Câmara Torres exerceu quatro mandatos consecutivos, se encontram no Palácio Tiradentes, na Cidade do Rio de Janeiro, sem classificação, vedado o seu acesso a consultas e pesquisas. 

A maioria das proposições e leis aprovadas nos setores da Educação, Cultura e Desenvolvimento Regional, de 1959 a 1962, na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, principalmente aquelas destinadas à melhoria da Educação Pública, universal, democrática e gratuita, bem como as que objetivavam melhor remuneração e condições mais dignas e adequadas de trabalho aos profissionais do Ensino – foi de autoria de Câmara Torres ou teve o seu parecer favorável, o seu apoio e o seu voto inexorável. Igualmente, ocorreu no universo da Cultura e nos passos positivos do Desenvolvimento Socioeconômico. Também, os Serviços Públicos básicos, até hoje existentes na Região do Extremo Sul Fluminense, é resultado da sua ação política e parlamentar. Também, os empreendimentos privados de importância econômica e social sempre estiveram ligados à sua contínua e persistente atividade política. Sua atuação no Parlamento, sua voz, ação e votos, sempre foram em defesa do Desenvolvimento do Estado, do Bem Estar do Povo Fluminense, pela Paz, a Liberdade, a Democracia, em defesa da Constituição, da Ordem Jurídica, da Legalidade, do pleno exercício dos Poderes e Instituições Públicas.

Nos Anais da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, estão os documentos que atestam as suas iniciativas e participações, que provam a sua conduta ética, o seu comportamento partidário, a sua coerência política e parlamentar, a sua produção legislativa.

Abaixo, algumas dessas ações, talvez cerca de noventa por cento delas, cujos registros estão no acervo que Câmara Torres construiu e preservou durante décadas, herdados pelo seu filho Marcelo Câmara, identificados e classificados por este. Esse trabalho ensejou anos de pesquisas e estudos em diversas outras fontes – bibliotecas e acervos públicos e privados, entrevistas (presenciais, por telefone e virtuais) com contemporâneos do biografado – até a elaboração do texto final abaixo. Foram centenas de originais e cópias datilográficas de documentos, publicações, fotografias, mapas e manuscritos dos arquivos pessoal e profissional do Político, de seu filho e de terceiros, pessoas e instituições.
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ATITUDES E FATOS POLÍTICOS
DENTRO E FORA DA ASSEMBLEIA.
PRONUNCIAMENTOS, PROPOSIÇÕES,
PARECERES, VOTOS E MISSÕES PARLAMENTARES.

LEGISLATURA 1959-1962

ALGUNS REGISTROS

ATIVIDADES DURANTE
QUATRO SESSÕES OU ANOS LEGISLATIVOS:
1959, 1960, 1961 E 1962.

Ano de 1959

  • A 30.1.1959, o Deputado Câmara Torres apresentou ao Plenário da Assembleia Legislativa Projeto de Lei, com cinquenta artigos, criando, alterando e extinguindo cargos, modificando remunerações, transformando funções, aperfeiçoando planos de cargos e salários, de diversos órgãos do Serviço Público Estadual, reconhecendo méritos e/ou beneficiando milhares de servidores. O Projeto é aprovado e é transformado na Lei 4.507, de 26.11.1961, sancionada pelo Governador Celso Peçanha, aplaudida pela Imprensa e pela população, consagrando, definitivamente, o Parlamentar como “O grande defensor do funcionalismo”, principalmente dos trabalhadores da Educação e da Cultura, e “O modernizador do Serviço Público Estadual”.
  • A 2.2.1959, em Sessão rápida que durou apenas cinco minutos, presidida pelo Deputado José Sally, do PSD (o mais antigo Parlamentar em atividade), foi instalada a Legislatura 1959-1963, formada e anunciadas as Bancadas. Câmara Torres integrou a terceira maior Bancada da Casa, do PSP, com oito Deputados, sendo, inicialmente, indicado pelos seus colegas de Partido, para Liderança da legenda. Porém, logo em seguida, com a eleição da Mesa, foi escolhido para ocupar a Primeira Secretaria no Ano Legislativo de 1959.
  • A 3.2.1959, na abertura dos trabalhos da Legislatura 1959-1963, o Deputado Câmara Torres foi eleito Primeiro Secretário da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. O Deputado Saramago Pinheiro foi escolhido o novo Presidente para o Ano Legislativo de 1959. O restante da Mesa ficou assim constituído: Egídio de Mendonça Thurler, 1º Vice-Presidente; José Hadad, 2º Vice-Presidente; Teotônio de Araújo, 3º Vice-Presidente; Daso Coimbra, 2º Secretário; João Fernandes, 1º Suplente; e Walter Orlandini, 2º Suplente. A gestão de Câmara Torres foi marcada pela correção e proficiência administrativa, de modernização das atividades da Casa, o que lhe valeu o desejo da maioria da Casa em promover a sua reeleição. 
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"Educador emérito, advogado culto,
encanta-me na personalidade de Câmara Torres
 sua humildade de cristão bafejado pela fé.
Ele é mais que um líder político. É um condutor de almas.
 Foi um privilégio conviver com ele na Assembleia
 e em Secretarias de Estado.”

Saramago Pinheiro
 Advogado, ruralista, seis vezes Deputado Estadual,
duas vezes Presidente da Assembleia Legislativa,
Secretário de Estado de três governos,
Deputado Federal por dois mandatos 

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  • A 16.2.1959, o Deputado Câmara Torres sobe à tribuna da Assembleia para registrar e louvar a inauguração, marcada para o dia seguinte, pelo Presidente da República, Juscelino Kubitschek de Oliveira, dos Estaleiros Reunidos Verolme do Brasil S.A. na Baía da Jacuecanga, no Município de Angra dos Reis. Informa que, além do Governador Roberto Silveira, estarão presentes à solenidade, o Rei Albert, da Holanda, o Embaixador dos Países Baixos no Brasil, os Ministros da Viação, Marinha, Exército e Aeronáutica, além de autoridades estaduais e municipais. Narra todos os passos do processo político e administrativo da União, mais precisamente nos Ministérios da Marinha e da Viação e Obras Públicas, até a licença e desapropriação da área para construção e instalação da Verolme. O fluminense, Almirante Lúcio Meira, Ministro da Viação e Obras Públicas foi protagonista e principal idealizador e artífice, o autor intelectual e material do grande plano de desenvolvimento industrial e das negociações entre o Brasil, a Holanda e a empresa naval. O competente e ousado engenheiro militar presidia o Grupo Executivo da Indústria de Construção Naval – GEICON, órgão subordinado ao Conselho de Desenvolvimento da Presidência da República, liderou a implantação dos Estaleiros Verolme em Jacuecanga. O Deputado Câmara Torres exalta a postura e a realização do Presidente da República e o grande significado para a Indústria Naval e a Economia brasileira, para Angra dos Reis e o Estado do Rio de Janeiro daquela conquista. Na sua fala acolhe apartes positivos e de confraternização dos Deputados Aécio Nanci, Rubens Ferraz, Carlos Quintella e Hamilton Xavier.
  • A 17.2.1959, o Deputado Câmara Torres, Primeiro Secretário da Assembleia Legislativa, lança o Manifesto Ao Povo Angrense congratulando-se com a população e com todo o Sul Fluminense pela grande vitória alcançada: a inauguração dos Estaleiros Verolme. Pouco antes do meio-dia, o Deputado Câmara Torres, o Governador Roberto Silveira, Ministros de Estado, autoridades civis e militares receberam o Presidente Juscelino Kubitschek na Jacuecanga. Chegava, também, a Angra dos Reis, o Príncipe Bernard, da Holanda. No texto, Câmara Torres acentuou: “A capacidade técnica e econômica dos holandeses, orientada pela admirável figura de Cornelius Verolme, transformará a várzea e praia da Baía da Jacuecanga numa grande cidade industrial – nos próximos dias, quando navios gigantescos começarem a descer as carreiras do sonhado estaleiro naval da Jacuecanga, legítima aspiração de tantos almirantes e oficiais da Marinha de Guerra do Brasil, muitos dos quais se sacrificaram na tragédia do Aquidabã”. Expressa o seu reconhecimento ao trabalho de todos que contribuíram para a conquista, do Prefeito Jorge Paulo Wishart, dos senhores Ministros da Marinha e da Viação, ao espírito criador e empreendedor de Mister Verolme e à visão,  capacidade e dinamismo do Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira.
  • A 4.3.1959, o Deputado Câmara Torres apresenta Projeto de Lei dispondo sobre a isenção do Imposto Territorial as Associações Rurais de todos os Municípios do Estado do Rio de Janeiro.
  • A 21.3.1959, o Presidente do PSP de Itaguaí comunica ao Deputado Câmara Torres que, por unanimidade, a agremiação concluiu que ele “foi o valoroso correligionário indicado para reivindicar junto ao Governador do Estado os direitos e interesses do nosso Partido no Município”.
  • No início de abril de 1959, divisão no PSP fluminense: o Deputado Jorge Bedran anuncia que o Presidente nacional do Partido, Adhemar de Barros, apoiava a candidatura do Deputado Barcelos Martins para o comando do Diretório Estadual, que teria o apoio da maioria da Bancada, e ameaçava romper com o Governador Roberto Silveira. Os Deputados Câmara Torres e Aécio Nanci manifestaram seu apoio a Roberto. Aécio, mais tarde, desmentiu qualquer dissenção no Partido, declarando que a Bancada continuava unida no apoio ao Governo Roberto Silveira.
  • A 2.4.1959, a Assembleia Legislativa concedeu reajuste dos vencimentos de algumas categorias de funcionários da Casa. A Mesa votou majoritariamente pelos aumentos, incluindo o Primeiro Secretário, Deputado Câmara Torres. A exceção foi o Presidente Saramago Pinheiro que foi contrário ao Projeto de Resolução. 
  • A 14.4.1959, o Deputado Câmara Torres apresentou Projeto de Lei denominando Escola Francisco Teixeira de Oliveira, a unidade escolar situada na Fazenda da Grama, 5º Distrito do Município de Rio Claro. A Proposição foi transformada em Lei.
  • A 28.4.1959, o Deputado Câmara Torres e os Presidentes dos Diretórios em Rio Claro do PTB, PSP e UDN (Coligação Democrática de Rio Claro) solicitaram ao Governador Roberto Silveira a construção, sempre adiada, de uma estrada de 1,5km, entre do centro do Distrito de Lídice à Estação Ferroviária, cuja verba constava do Orçamento daquele ano, por iniciativa do Parlamentar.
  • Em maio de 1958, a Imprensa fluminense divulgou que o Deputado Estadual do Pará, João Augusto Rodrigues, solicitara ao Primeiro Secretário da Assembleia Legislativa fluminense, Deputado Câmara Torres, uma cópia do “Projeto da Lei dos Lotéricos”, de autoria do Deputado Altair Lima (PSP), que, na iminência de receber um Substitutivo da UDN, da lavra do Relator Deputado Luiz Braz, na Comissão de Constituição e Justiça, haveria de ser aprovado no Plenário da Casa. Tanto o Projeto original como o Substitutivo udenista cobrava uma taxa dos bicheiros, que seria recolhida à Secretaria de Finanças ou à Secretaria do Interior e Justiça, e seria destinada ao amparo à infância desvalida e à ampliação da rede hospitalar do Estado. A Proposição foi rejeitada ainda na Comissão.
  • A 1º. 6.1959, apresenta Requerimento de sua autoria para que a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro oficie ao Secretário de Educação e Cultura acerca do Curso Normal de Cantagalo, constando as seguintes questões: seu enquadramento como Escola Normal Rural do 1º Ciclo; regulamentação visando à sua perenização; estranhamento pela continuidade de expedição de certificado de um curso intensivo de dezoito meses, plenamente exitoso, e a ausência de planejamento para se construir outras três Escolas Normais Rurais, no norte, no centro e no sul do Estado; se os referidos estudos e observações sobre a Escola de Cantagalo não autorizam a instalação de uma Escola Normal Praiana em algum lugar do litoral fluminense; porque não foi feita a revisão dos salários das professoras ruralistas, quando a legislação então em vigor assim permitia; a Secretaria vai providenciar o atendimento aos direitos dessas professoras, quando elas são as únicas que não tiveram majoração de seus vencimentos dada a todo o Magistério em maio de 1958?
  • A 1º.6.1959, o Deputado Câmara Torres apresenta o Projeto de Lei 335, de 1959, que dispõe sobre a situação das professoras ruralistas que tiveram os seus contratos terminados após cinco anos, na forma da Lei, determinando que elas sejam admitidas como professoras extranumerárias do Quadro Permanente do Magistério. O Projeto foi transformado em Lei, garantindo direitos e beneficiando milhares de professoras em todo o Estado.
  • A 1º.6.1959, o Deputado Câmara Torres apresenta o Projeto de Lei 339, de 1959, determinando que o Governo do Estado encampasse o Ginásio Paratyense, criado três anos antes, transformando-o em Ginásio Estadual, público, universal e gratuito. A ideia, a proposta e o sonho de Câmara Torres somente se efetivaram na década de 1970, transformando-se o Complexo Educacional Mário Moura Brasil do Amaral – Ginásio e Cursos de Segundo Grau – em Centro Educacional de Paraty e, em seguida, Centro Educacional Engenheiro Mário Moura Brasil do Amaral – CEMBRA, anexando inclusive o Grupo Escolar Samuel Costa, planejado, construído e inaugurado pelo Técnico de Educação Câmara Torres, em 1949.
  • A 7.6.1959, o Deputado Estadual Câmara Torres e mais dezessete Parlamentares do PSP, UDN, PR, PTN e PSB, fundaram a Frente Parlamentar Nacionalista do Estado do Rio de Janeiro, que tinha por objetivo “independente de seus compromissos de ordem partidária, encetar uma luta patriótica pela emancipação econômica do País e a defesa de suas riquezas e reservas minerais, além da preservação da Petrobrás e demais empreendimentos estatais”. Logo rotulados de “nacionalistas”, prometeram “o combate ao capital estrangeiro monopolista, a nacionalização de todos os serviços públicos e a encampação consequente de todas as empresas estrangeiras que exploram tais serviços, pela mais extrema defesa da soberania nacional, condenando toda e qualquer cessão de território nacional”. Equivocadamente, contrariando o seu programa, os Parlamentares do PTB não aderiram à Frente, considerando-a uma manifestação de “descontentamento com o Governador Roberto Silveira”, o que não procedia, pois todos os “nacionalistas” eram aliados e formavam a base de apoio ao Governo na Assembleia. Dias depois, o grupo tomou a denominação de Frente Parlamentar Independente, e o Deputado Adolfo Oliveira, da UDN, licenciado, foi convidado para presidi-la. Mas, ao retornar à Casa, encontrou-a, nas suas palavras, “esfacelada”, pois não contava mais, com a participação dos Deputados Câmara Torres, Durval Gonçalves, Aécio Nanci, do PSP; e Raimundo Aguiar, do PR, entre outros. A Frente sucumbiu com o desligamento de vários parlamentares que foram qualificados de “descontentes com o Governo, porque não tinham suas reivindicações atendidas”, o que não era verdade. Daí a sua inviabilidade e falecimento.
  • Semanas anteriores a 22.6.1959, quando Câmara Torres completaria 42 anos de vida, lideranças de Angra dos Reis se responsabilizaram por listas de subscrição de assinaturas de cidadãs e cidadãos do município que doaram dinheiro a fim de reunir importância para adquirir um presente de aniversário natalício para o Deputado. Assim, as listas ficaram a cargo das seguintes pessoas: Salomão Pedro Reseck, Armando Jordão, José França Santos, Moysés de Andrade, Silvio Galindo, José Edson Pereira, José Vianna, José Lauro da Fonseca, Benedito Braz Pereira, Luiza Olindina da Silva Alves, José Belmiro da Paixão, Benedito Carvalho Nóbrega e Orlando Oliveira. Foram arrecadados Cr$ 20mil e 200.
  • A 22.6.1959, Angra dos Reis esteve em festa com o 42º aniversário do Deputado Câmara Torres, Primeiro Secretário da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, Representante do Município e do Extremo Sul Fluminense no Parlamento fluminense. No início da manhã, revoada de aviões do Aero Club do Estado do Rio de Janeiro, com evoluções, sob o comando do piloto Comandante José Viegas dos Santos. Às 10h, Missa concorridíssima na Matriz de N. Sa. da Conceição, celebrada pelo Vigário da Paróquia, Frei Hilarião, e apresentação de músicos, organista e cantoras sacras. Às 15h, o aniversariante recebeu os angrenses no Clube Comercial com um farto e variado coquetel com doces e salgadinhos típicos da terra. A saudação, em emocionante discurso, coube ao Professor Jair Travassos que, com Câmara Torres, criou o Ginásio Angrense e a Escola Normal de Angra dos Reis. Compareceram o Deputado Saramago Pinheiro (UDN), Presidente da Assembleia Legislativa, representando o Governador RJ; o Deputado Álvaro Fernandes (PTB, Líder do Governo Roberto Silveira; Jornalista Dalvan Lima, Diretor da Agência Fluminense de Informações, que trouxe de Roberto Silveira "o abraço fraterno ao meu amigo de tantas jornadas”; o Dr. Jorge Cury (PTB), Diretor do Instituto de Previdência Social - IPS, representando o Deputado Federal e Secretário do Trabalho e Assistência Social, correligionário e amigo de Câmara Torres, Jonas Bahiense Lyra (PTB); o Comandante do Colégio Naval, Aldo Pessoal Rabelo; os prefeitos de Angra dos Reis, Jorge Whishart (UDN); de Paraty, Antônio Núbile França (UDN); de Barra Mansa, João Chiesse Filho (PTB); o ex-Prefeito de Angra, Salomão Reseck (UDN); Vereador José Joaquim de Moraes Pena (PSP), de Rio Claro, entre outros de Angra, Paraty e Mangaratiba; Sr. Edmundo Quitete, Superintendente do Serviço de Navegação Sul Fluminense; o Comodoro do Iate Clube de Angra dos Reis, Dário Derenzi (Câmara Torres, à época, era o 2º Vice-Comodoro do clube náutico); Dr. Camilo Silva, Secretáario-Geral do Movimento Popular de Alfabetização - MPA, representando o Diretório Estadual do PSP, grande amigo do aniversariante; Jarbas Pache de Faria, também grande amigo do homenageado, representando o Secretário de Obras, Bernardo Bello (PSP). À noite, no Palace Hotel, um grande banquete, culminando com um champanhe, quando falaram o Prefeito de Angra, Jorge Paulo Wishart e o Vice, Heitor Chagas da Rocha (PSP), que presenteou o aniversariante com um “mimo ofertado pelos seus amigos”. Wishart e Rocha discorreram sobre a amizade que unia Câmara Torres a eles e ao povo angrense. Antes das palavras finais de agradecimento de Câmara Torres, falaram: Antônio Núbile França, o Nhonhô, hoje considerado pela História Paratyense, “o melhor e mais popular orador político no Século XX”, que emocionou a todos com uma vibrante e comovida oração; Nhonhô, homem simples, de pouca escolaridade, mas de grande inteligência, possuía o dom da oratória e uma grande capacidade de comunicação; Irênio Marques Filho (PTB), jovem e culto advogado de muito brilho, então grande promessa política de Paraty que, também, mobilizou os presentes com um discurso iluminado; João Chiesse Filho; Jorge Cury, que previu a ida de Câmara Torres para a Secretaria de Educação e Cultura; Dário Denzi; o Deputado Saramago Pinheiro; o Doutor Camilo Silva; e, finalmente, o Deputado Álvaro Fernandes.

22.6.1959. 42 anos do Deputado Câmara Torres. No Palace Hotel,
de Angra dos Reis, um lauto e festivo jantar, após um dia inteiro de comemorações.
 Ao fundo, na extrema dir., Jorge Cury (PTB); na cabeceira da mesa, da esq; p/ dir.,
Deputado Álvaro Fernandes, Jorge Wishart, Dalvan Lima, Câmara Torres,
Saramago Pinheiro; na fila perpendicular à cabeceira, da esq. p/ dir:
Antônio Núbile França,  Salomão Reseck, Edmundo Quitete
e José Joaquim de Moraes Pena.
(Acervo Marcelo Câmara)
  • Ainda em junho de 1959, a diretoria da Liga Angrense de Desportos aprovou um voto de congratulações ao Deputado Câmara Torres, pela passagem do seu aniversário, especialmente ao líder que tem feito “um brilhante trabalho na Assembleia Legislativa e junto ao Governo do Estado, em prol dos esportes de Angra dos Reis”.
  • Em junho de 1959, a Imprensa explora “um conflito”, para uns, “um mal entendido”, para outros, entre o Deputado Estadual Câmara Torres, do PSP, amigo muito próximo do Governador Roberto Silveira, e o Deputado Federal Jonas Bahiense Lyra, do PTB, então Secretário do Trabalho, também correligionário do Líder Trabalhista, em torno da nomeação do Chefe da Inspetoria da 1ª Região Escolar, com sede em Angra dos Reis, base eleitoral dos dois parlamentares. Alguns analistas concluíram que houve foi apenas “ciúmes” de Jonas, dada a proximidade e o prestígio de Câmara Torres com o Governador. À época, falava-se de uma transferência de Câmara Torres para o PTB. Mas tudo acabou em paz: o indicado de Jonas foi para a Chefia da Região Escolar, e o de Câmara Torres para a Inspetoria do Ensino Médio. Jonas Bahiense e Câmara Torres foram amigos por toda a vida, e, quase sempre, aliados políticos, em diversos governos e campanhas eleitorais.
  • Em julho de 1959, o Deputado Câmara Torres, recepcionou os Prefeitos do Sul do Estado, em Angra dos Reis, para discutir problemas da Região. O Governador Roberto Silveira esteve presente.
  • Em meados de 1959, o Deputado Câmara Torres recebe Informe do Conselho de Desenvolvimento da Presidência da República, sob o título Central de Angra, sobre os planos da Comissão Nacional de Energia Nuclear – CNEN, de instalar uma “Central Nuclear” na Baía de Angra dos Reis, parte da Baía da Ilha Grande. Os “primeiros passos” seriam dados em 1962 ou 1963. Desde essa época, o Parlamentar questionou os benefícios do projeto que colocava em risco o meio ambiente da Região e contrariava as vocações econômicas de Angra dos Reis e municípios vizinhos.
  • Em 6.8.1959, apresenta Projeto de Lei estendendo aos Membros do Ministério Público Estadual de Terceira Entrância, com mais de trinta anos de exercício, sob determinadas condições, “as honras, vencimentos, adicionais e demais vantagens” que gozavam os Desembargadores da ativa. Os Promotores de Justiça também são beneficiados. Em virtude da Proposta, o Deputado ofereceu, em sua Justificativa, novos dispositivos à Constituição Estadual e às leis pertinentes então alteráveis.
  • Na Sessão de 7.8.1959 da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, o Deputado Câmara Torres comunicou à Casa, que, no dia seguinte, 8 de agosto, nascia como um dia histórico: o Governo estadual iniciava a construção da Estrada Paraty-Angra dos Reis. Assinalou a importância do empreendimento pelo qual ele, como Homem Público, e toda a população da Região do Extremo Sul do Estado há tantos anos lutava. O Parlamentar enfatizou  que ela será “A Estrada do Progresso”, especialmente para Paraty, município que teve dias de desenvolvimento e fausto durante o Brasil Colônia e o Império, e, depois, caiu em completo abandono e desamparo dos sucessivos governos da República. A 9 de agosto de 1959 foram inauguradas, oficialmente, as obras da Estrada Paraty-Angra dos Reis, com a presença do Governador Roberto Silveira no Município Monumento Nacional.
  • A 8.8.1959, graças ao trabalho contínuo e persistente do Deputado Câmara Torres na Assembleia Legislativa e mais de uma década de gestões junto ao Governo do Estado, articulado à ação do Advogado e Professor Odovaldo Vasques, de Prefeitos, Vereadores, de lideranças, de toda a comunidade, enfim, do Município de Rio Claro, o Parlamentar inaugurava, em Rio Claro, numa reunião solene na Prefeitura do Município, o Ginásio Rio Claro, unidade da Campanha Nacional de Educandários Gratuitos – CNEC. O primeiro diretor da instituição, pela qual se empenhava, há anos, ao lado de Câmara Torres, foi Odovaldo Vasques, que era, também, Presidente da Associação Fluminense dos Advogados. Presentes à cerimônia, além de autoridades locais,  o Secretário de Administração Geral do Governo Estadual e Presidente da CNEG no Estado, Dr. Jorge Loretti. Meses depois, a 5.3.1960,  o Ginásio foi devidamente  instalado, em cerimônia no Grupo Escolar Fagundes Varel.

Educadores e amigos. Câmara Torres e Odovaldo Vasques,
após anos de trabalho, inauguram e instalam o Ginásio Rio Claro,
sonho de décadas, de gerações da Terra de Fagundes Varela.
(Acervo Marcelo Câmara)
  • A 20.8.1959, o Deputado Câmara Torres apresenta à Assembleia Legislativa Moção de Congratulações ao Secretário de Energia Elétrica e Desenvolvimento Econômico, Bandeira Vaughan, ao Diretor da Cia. Elétrica do Estado do Rio de Janeiro, Valdir Ramos da Costa, pela iniciativa que tiveram de firmar contrato com empresa especializada para promoção do levantamento aerofotogramétrico da linha de transmissão Fontes-Jacuecanga, em cooperação com o Ministério da Aeronáutica. As congratulações se estenderam ao Governador Roberto Silveira que se antecipou à solicitação do Governo Federal que iria requerer a participação do Estado no projeto, “numa demonstração de que um alto sentido de progresso e de visão do futuro preside o seu governo, popular e nacionalista”.
  • A 21.8.1959, o Deputado Câmara Torres apresenta o Projeto de Lei nº 567, de 1959, que tornou obrigatório o uso de taxímetro e tabelas de preços em veículos de passageiros, a frete em todos os Municípios do Estado do Rio de Janeiro com mais de 150 mil habitantes. O Projeto fora elaborado pelo Parlamentar ainda em maio de 1958 no seu primeiro mandato como Deputado. No entanto, foi considerado “muito polêmico” e Câmara Torres resolveu amadurecê-lo, discutindo com a classe dos “motoristas de táxi” e outros segmentos, bem como com os seus pares. A proposição foi amplamente debatida entre sindicatos, associações, lideranças comunitárias. O Automóvel Clube do Brasil manifestou-se, oficialmente, a favor do Projeto. A população, feitas diversas enquetes pela Imprensa em vários bairros de Niterói, também aprovou, em esmagadora maioria, o Projeto. Por outro lado, mesmo que minoritariamente diante da classe, a direção do Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários de Niterói, declarava-se contrária à implantação do taxímetro, argumentando que as ruas da Capital “esburacadas e sem asfalto iriam desregular os aparelhos de grande sensibilidade e precisão”. A direção da entidade também justificava a sua posição dizendo que os motoristas, ao contrário do Distrito Federal, “não tinham passageiros para o retorno para onde tinham ido”. Não sendo concluído o trâmite do processo legislativo do Projeto 567 na legislatura encerrada em 1962, o Parlamentar reapresentou o Projeto na legislatura seguinte, a 3 de julho de 1963, sob 235, de 1963. A discussão e o lobby dos dirigentes sindicais foram imensos. Mas, já em 1963, a Imprensa, através de diversas enquetes, constatava que cerca de setenta por cento dos taxistas eram a favor do Projeto de Câmara Torres. Porém a procrastinação persistia. Finalmente, no seu último mandato, de 1967 a 1971, Lei tornou obrigatório o uso de taxímetro (“relógio”) nos táxis de Niterói e São Gonçalo, automóveis de transporte de passageiros então denominados “carros de praça”, que tinham a autorização para trafegarem nos dois municípios e tinham a fiscalização do Poder Público. Incluíam-se, ainda, na obrigatoriedade São Gonçalo e todos os municípios com mais de 150 mil habitantes. À época, a iniciativa da elaboração da legislação pertinente cabia ao Estado, através de Mensagem do Governador ou, concorrentemente, aos Membros do Poder Legislativo Estadual (Assembleia Legislativa). A introdução do taxímetro nos táxis despertou muitos debates, recebeu o apoio e o aplauso de várias entidades representativas da sociedade e da Imprensa. O Projeto, aprovado e sancionado pelo Governador, foi transformado em Lei, e os taxímetros (“relógios”) se tornaram obrigatórios nos táxis na Capital e em outros Municípios, nos termos da Proposta original de Câmara Torres, nascida em 1959.
  • Na Sessão de 25.8.1959, o Deputado Câmara Torres foi um dos signatários da Moção de Agradecimento ao Diário de Notícias, jornal carioca, com sucursal em Niterói, Proposta aprovada por unanimidade pela Casa, “pelo amplo, equilibrado e inteligente noticiário vem divulgando sobre o Estado do Rio de Janeiro”. Assinada por Parlamentares de todos os Partidos com assento na Casa, a Moção assinalava que o jornal vinha “prestando ao Estado do Rio os melhores serviços, divulgando suas ocorrências, contribuindo sincera e desinteressadamente para o seu progresso”. O documento manifestou “os votos do Poder Legislativo de crescente prosperidade, com os agradecimentos à equipe que mantem em Niterói e que tanto contribui para que ele se torne, dia a dia, mais procurado e mais popular entre os fluminenses”.
  • A 27.8.1959, o Deputado Câmara Torres é autor de uma Emenda ao Projeto de Lei daquele ano que tramita na Assembleia Legislativa autorizando “o Poder Executivo a abrir crédito especial de Cr$ 1 milhão, destinado a indenizar os prejuízos ocasionados, no mês de fevereiro, pelas enchentes que assolaram o Município de Paraty, conforme levantamento procedido pela Prefeitura local”.
  • A 27.8.1959, o Deputado Câmara Torres é autor de uma Emenda ao Projeto de Lei daquele ano que tramita na Assembleia Legislativa autorizando “o Poder Executivo a abrir crédito especial de Cr$ 20 milhões para aquisição de viaturas, inclusive unidades aéreas, destinadas à defesa sanitária vegetal, serviços de assistência médica e inspeções constantes do Governo em cumprimento do programa de desenvolvimento econômico do Estado, com vigência até a sua total aplicação”. O crédito atenderia, também, às despesas com reparos, aquisição de peças, equipamentos e assistência técnica.
  • Em agosto de 1959, o Primeiro Secretário da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, Deputado Câmara Torres, visitou os municípios de Santo Antônio de Pádua, Cantagalo e Duas Barras, para testemunhar a realidade das populações assoladas pela seca na região. De volta, em depoimento aos seus pares e à Imprensa, declarou: ”Fiquei desolado com a situação a que a estiagem levou o Norte Fluminense, criando um quadro de poeira e desencanto em tudo igual ao que tanto me impressionou na infância, no Nordeste do Brasil. Faltam apenas os xiques-xiques e as pedras dos serrotes para que tenhamos no Estado do Rio o apavorante cenário das secas nordestinas”. À época, dezenas de família de Aperibé, Distrito de Pádua, passavam fome por causa da seca que há oito meses flagelavam a região e se deslocavam para os municípios ao sul. O gado morria, a lavoura desaparecia e a energia elétrica era inexistente, faltando trabalho para aquela gente. Em decorrência da visita de Câmara Torres, foi constituída uma “Caravana de Socorro”, integrada por jornalistas, prefeitos, vereadores, deputados estaduais, que percorreram 31 localidades de 10 municípios, e elaboraram um “memorial-monstro” que foi encaminhado ao Presidente da República e ao Governador do Estado, solicitando providencias para acudir àqueles fluminenses. Uma comissão de Deputados Estaduais, tendo à frente o Presidente da Assembleia, Saramago Pinheiro (UDN), fez parte da Caravana.
  • Em agosto de 1959, o Deputado Câmara Torres é eleito e assume o cargo de Tesoureiro do Diretório Regional do PSP no Estado do Rio de Janeiro, durante a visita de Adhemar de Barros à sede do Partido em Niterói, quando o Prefeito de São Paulo confirma a sua candidatura à Presidência da República a realizar-se no ano seguinte.
  • A 2.9.1959, o Primeiro Secretário da Assembleia Legislativa, Deputado Estadual Câmara Torres, envia Ofício ao Deputado Federal Pereira Pinto (UDN) comunicando que a maioria do Plenário daquela Casa Legislativa aprovara Moção de Apoio à fusão dos problemas criados com a transferência da Capital do Rio de Janeiro para Brasília.
  • Na Sessão de 4.9.1959, o Deputado Aécio Nanci (PSP) ao fazer críticas ao Secretário de Educação e Cultura, Deputado Alberto Torres (UDN), “por se descuidar dos problemas de sua pasta”, recebia aparte do Deputado Jayme Justo (PSD) que afirmou que “muito em breve, os populistas deixariam de criticar o Sr. Alberto Torres, porque o Deputado Câmara Torres (PSP) seria nomeado Secretário de Educação pelo Governador Roberto Silveira”. O vaticínio do Deputado Justo jamais se concretizou.
  • Em setembro de 1959, a Imprensa fluminense e carioca, mais uma vez, noticia rumores dos bastidores políticos, dando conta de uma mudança no Secretariado estadual, cogitando-se na ida do Deputado Câmara Torres para a Pasta da Educação e Cultura. Essa notícia oriunda dos meios políticos, técnicos e da Imprensa vai acompanhar os quatro mandatos de Câmara Torres à Assembleia Legislativa, jamais efetivanso-se.
  • A 1º.10.1959, o Primeiro Secretário da Assembleia do Estado do Rio de Janeiro, Deputado Câmara Torres, após se reunir com a Mesa do Colegiado, sob a Presidência do Deputado Saramago Pinheiro, enviou ao programa radiofônico Grande Jornal Fluminense esclarecimentos desmentindo, categórica e oficialmente, falsas notícias sobre irregularidades e exorbitâncias havidas nas despesas com o uso de veículos oficiais da Assembleia. Os esclarecimentos foram ao ar no programa transmitido diariamente pela Rádio Mayrink Veiga do Rio de Janeiro.
  • A 22.10.1959, o Primeiro Secretário do Movimento Popular de Alfabetização – MPA, Camilo Silva, oficia ao Deputado Câmara Torres (PSP), autorizando-o a tomar as devidas providências, a fim de serem instados os Diretórios Municipal e Distritais da entidade, bem como as escolas nas zonas rurais dos municípios do Extremo Sul Fluminense. O MPA fora criado pelo correligionário de Câmara Torres, Governador Roberto Silveira (PTB), e com a sua diretoria sendo composta de representantes de todos os partidos aliados. O amigo de Câmara Torres e ex-Diretor da Assembleia Legislativa, Camilo Silva, fora o indicado pelo PSP para ocupar a Primeira Secretaria do MPA.
  • A 31.10.1959, o Deputado Câmara Torres recebe longa e elucidativa carta do seu amigo e correligionário, Paulo Jorge Whishart, Prefeito de Angra dos Reis, defendendo o empreendimento da Verolme na Jacuecanga, louvando a capacidade da empresa, seu redentor projeto para o Município, o Estado e o País, a competência dos engenheiros holandeses, a figura ilustre e proficiente do Almirante Artur Saldanha da Gama à frente da Frota Nacional de Petroleiros – FRONAPE e a certeza dos excelentes resultados do trabalho para a Indústria Naval brasileira. Na carta ao seu “patrício e amigo”, seu companheiro da turma de 1943 da Faculdade de Direito de Niterói, Wishart afirma que “não há de ser este ou aquele gazeteiro, movido por interesses subalternos contrariados – e merecendo a reprovação unânime dos jornalistas de verdade – que poderá quebrar a fibra e a personalidade do Vice-Presidente brasileiro da Verolme (Saldanha da Gama), acostumado aos sacrifícios e a tradição de trabalho dos homens do mar”. O Prefeito finaliza solicitando ao Parlamentar que convide “os seus nobres pares de todas as cores políticas para conheceram Angra e o trabalho dos angrenses e desses infatigáveis holandeses que estão servindo ao Brasil na Baía da Jacuecanga”. A veemência de Wishart explica que assim, os Deputados, colegas de Câmara Torres, ao chegarem à Angra, “logo compreenderão o nosso desprezo pelos caluniadores, nós que no anseio comum comungamos a aspiração de marcar nossa vida com obras para o País. E que aqui se consegue, pelo labor, o progresso da Nação, e aqui se possui o orgulho de afirmar que não desprezamos a oportunidade de, até mesmo, modificar a própria geografia do País”. Jorge Wishart, quando ainda se cogitava do investimento da Verolme no Brasil, foi à Holanda conhecer, pessoalmente, de perto, o conceito, as obras, a dimensão econômico-financeira e social da empresa naquele país. O caráter e o tom da carta do Prefeito se justificou em meio a críticas de pessimismo, agourentas, sobre o futuro dos investimentos da Verolme em Angra dos Reis.
  • Em outubro de 1959, o Deputado Câmara Torres apresentou Emenda ao Projeto de Lei nº 159/1961, conforme respectivos processos à época tramitando na Secretaria Estadual de Finanças.
  • Em outubro de 1959, o Deputado Câmara Torres, Primeiro-Secretário da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, informava à Mesa Diretora, que os gastos com combustíveis do carro oficial do Primeiro-Vice-Presidente da Casa, Deputado Mendonça Thurler, não eram exorbitantes, não havia qualquer indício ou prova de “excessos”, e que as despesas com o transporte oficial do Parlamentar nilopolitano eram normais, regulares, e estavam dentro das normas do Poder Legislativo Estadual. A falsa e insidiosa suspeita havia sido feita pelo Deputado Daso Coimbra.
  • A 16.11.1959, o Deputado Câmara Torres, em decorrência de sua representação e atuação política, é convidado a comparecer ao Palácio do Ingá para a solenidade de assinatura de autorização de ampliação e melhoramento da rede de iluminação pública da Cidade de Angra dos Reis.
  • A 20.11.1959, o Primeiro Secretário da Assembleia Legislativa, Deputado Câmara Torres comunicou à Imprensa a existência de uma crise na Coligação de apoio ao Governo Roberto Silveira, informando que uma nota dos Líderes do PTB, PSP, PSB, PR e PDC exigiram a renúncia do Líder da Bancada da UDN, Deputado Carlos Quintela que se recusou a votar o aumento do Imposto de Vendas e Consignações, com o qual o Governo pretendia cobrir as despesas com a majoração dos salários do funcionalismo estadual. A renúncia foi sugerida pelo Líder do PTB, Deputado Jaime Bitencourt, imediatamente seguido pelo Líder do PSP, Deputado Aécio Nanci. Bitencourt manifestou o descontentamento do PTB com as atitudes dos Secretários de Educação e de Administração, Alberto Torres e Jorge Loretti, indicados pela UDN, que procuraram dificultar a aprovação do aumento do referido imposto, que passou a ser cobrado em todo o Estado, na base de 4,83%. Segundo Bitencourt, o Líder Carlos Quintela, ao defender os interesses das classes produtoras, “ficou incompatibilizado com as funções de segundo porta-voz do Governo no Legislativo”. A Mensagem do Governo havia, ainda, muitos pontos polêmicos relativos a carreiras, cargos e remunerações que desagradaram aos udenistas. Concomitantemente, dias antes, o Executivo havia feito reajustes nos salários da Polícia Militar, qualificados pela classe como “irrisórios”. Todos esses fatos e fatores engendrou uma crise na base parlamentar do Governador Roberto Silveira.
  • A 27 de novembro de 1959, o Deputado Câmara Torres, na condição de 1º Secretário da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, Membro da Mesa Diretora, foi um dos signatários da Lei Constitucional nº 10, que alterou o Artigo 49 da Constituição de 1946, que tratava do mandato do Vereador.
  • A 30.11.1959, o Governador Roberto Silveira, anulou os atos de uma Comissão, nomeada por ele, para compra de um helicóptero para servir ao Chefe do Executivo estadual. Roberto, além de ser informado que não apenas uma única empresa, com exclusividade, poderia vender a aeronave. O governador, além do helicóptero, determinou que a Comissão, por meio de regular processo legal licitatório, além do helicóptero, decidiu comprar, também, um avião para pulverização agrícola, com autonomia para atingir, da Capital, ao mais distante município fluminense. O Deputado Câmara Torres era um dos membros da Comissão, por ter uma longa vivência na aviação civil, originária de uma paixão que nasceu na infância, e por participar, durante anos, de instituições do setor e a Vice-Presidência do Aero Club do Estado do Rio de Janeiro.
  • Em novembro de 1959, o Secretário do Interior e Justiça do Estado do Rio de Janeiro, Doutor Mário Guimarães, ex-Deputado Federal, após visitar a Holanda, como representante do Governador Roberto Silveira, na condição de observador e crítico, com o objetivo de conhecer de perto as atividades do grupo empresarial Verolme United Shpyard, que planejava inaugurar grande estaleiro em Jacuecanga, em Angra dos Reis, a Verolme do Brasil, um colossal empreendimento de construção naval – escreve ao Deputado Câmara Torres. Na carta, informa ao amigo o que viu naquele País, comenta a excelência do trabalho da empresa na Europa e manifesta o seu otimismo, mais que isto, “a certeza” dos reais e positivos retornos que a Verolme irá trazer para Angra, o Estado do Rio e o País. Solidariza-se com o Deputado, regozija-se com a iniciativa holandesa e a parceria com a Marinha do Brasil e a Petrobrás, parabenizando o “zeloso representante do povo”, que há muito atua como político e parlamentar, incentivando “empreendimentos como esse” para a Região do Extremo Sul do Estado. Mário Guimarães encerra a sua elegante e elogiosa carta a Câmara Torres, consignando os “aplausos do seu constante admirador”. E assina o grande advogado, que era a maior liderança política de Nova Iguaçu à época.
  • A edição de 11.12.1959, do Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro, publicou Edital para compra de um helicóptero para o Governo do Estado, prioritariamente ao Chefe do Poder Executivo. Além de exigir uma série de características quanto à autonomia de voo, número de passageiros (inclusive p/ transporte de doentes em macas), potência, velocidade mínima, capacidade de carga, equipamentos vários, lote de ferramentas para manutenção e de peças para revisão de 300 horas e outras exigências, entre elas a de possibilitar pulverização de lavouras, o Edital designou, ainda, os membros da Comissão que julgou as propostas. Além do Deputado Câmara Torres, à época, já com importantes serviços prestados à Aviação Civil no Estado, formaram a Comissão os Secretários de Finanças, Augusto De Gregório, e de Administração Jorge Loretti; o Deputado Federal Bocaiuva Cunha; o Desembargador Pache de Faria; João Gomes da Silva, Joaquim Scizino da Rocha e Geraldo Magela Wermelinguer, estes, técnicos, pilotos e instrutores do Aero Club do Estado do Rio de Janeiro.
  • A 23.12.1959, pela Deliberação 313, da Câmara Municipal de Angra dos Reis, aprovada unanimemente, é concedido ao Deputado Câmara Torres o Título de Cidadão Angrense.
  • A 30.12.1959, o Deputado Câmara Torres recebe Moção de Agradecimento da Câmara Municipal de Rio Claro, aprovada por unanimidade, pelas ações do Parlamentar junto ao Secretário de Segurança, contra ilicitudes de um Vereador do município de Mangaratiba que ameaçava a população local, ante à realização de uma solenidade no 3º Distrito rio-clarense.
  • A 30.12.1959, o Primeiro Secretário da Assembleia Legislativa, Deputado Câmara Torres, enviou Ofício ao Vice-Governador Celso Peçanha comunicando-lhe haver sido aprovado Requerimento de Congratulações a Sua Excelência, de autoria do Líder do PSD, Deputado Hamilton Xavier.
  • Em 1959, o Deputado Câmara Torres apresenta Emenda a Projeto de Lei, do mesmo ano, concedendo aposentadoria com incorporação de gratificações de cargos de comissão, de confiança ou de chefia por mais de dois anos, aos servidores que, à época, contassem mais de 60 anos, 39 dos quais de serviços exclusivamente prestados ao Estado.
  • Autor do Projeto 340, de 1959, transformado em Lei, que denominou Grupo Escolar Professora Maria Izabel do Couto Brandão, hoje Escola Estadual com o mesmo nome, em Coroa Grande, 5º Distrito do Município de Itaguaí, inclusive obtendo, na ocasião, do Governo do Estado, o preenchimento de todas as vagas de professoras da unidade, por servidoras formadas e concursadas.
  • Em 1959, o Deputado Câmara Torres apresentou Substitutivo ao Art. 2º do Projeto 251/59, que regula o ingresso na carreira de Escrevente de Justiça e demais Auxiliares, beneficiando os referidos servidores da Justiça, efetivando aqueles que contarem mais de dez anos de contínuo exercício no cargo.
  • Durante todo o ano de 1959, o Deputado Câmara Torres pugnou, ao lado do seu amigo Deputado Dayl de Almeida, pela aprovação do Projeto de Lei nº 242, de 1959, que mandava contar, para todos os efeitos, o tempo de serviço prestado pelo Servidor Público Estadual, ativo e inativo, à União e aos Municípios, bem como a órgãos autárquicos, com a percepção das respectivas gratificações adicionais que a Legislação previa.
 Ano de 1960
  • A 30.1.1960, o 1º Secretário da Assembleia Legislativa, Deputado Câmara Torres (PSP), acompanhado de uma de suas filhas, esteve presente à cerimônia de casamento do seu amigo e correligionário Deputado Federal, Jonas Bahiense de Lyra (PTB), com a Srta. Léa Graça, de tradicional família de Angra dos Reis, na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, naquela cidade do Extremo Sul Fluminense. O Governador Roberto Silveira e sra. foram um dos padrinhos e Câmara Torres formou par com a Sra. Edeltrudes Bahiense de Lyra, mãe de Jonas, no séquito de paraninfos que seguiu o casal de noivos na solene entrada na igreja.
  • Em janeiro de 1960, o 1º Secretário da Assembleia Legislativa, Deputado Câmara Torres, visitou Barra Mansa, especialmente o bairro Barbará, para acompanhar diversas obras e melhoramentos promovidos pelo Governo do Estado, então realizados graças a sua ação político-parlamentar. Constatou os melhoramentos na praça de esportes dos metalúrgicos, uma reivindicação do Parlamentar, bem como a rede de abastecimento d’água e de água potável do Grupo Escolar Miguel Couto Filho. Visitou, ainda, as obras de construção da Igreja de São José, que conta com o entusiasmo da comunidade.
 
Câmara Torres, em primeiro plano, sem paletó, examina com os técnicos
 do Estado e da Prefeitura de Barra Mansa, as obras
no Bairro Operário de Barbará, pelas quais se empenhava
na Assembleia Legislativa e junto ao Governo do Estado.
(Acervo Marcelo Câmara)
  • Em janeiro de 1960, um movimento, espontâneo, de vários Partidos, tentou reeleger o Deputado Câmara Torres para a 1ª Secretaria da Assembleia. O cargo, de acordo com a proporcionalidade partidária e parlamentar, pertencia ao PSP. Mas Câmara Torres jamais desejou continuar na função mais elevada de administração da Casa. Deu-se uma acirrada disputa, dentro e fora do Partido, entre os seus colegas e amigos, Durval Gonçalves, Barcelos Martins e Aécio Nanci, mas, afinal, o Deputado Oscar Fonseca surgiu como alternativa conciliadora. No ano seguinte Aécio Nanci foi eleito o 1º Secretário.
  • No início dos anos 1960, o Deputado Câmara Torres (PSP), convidado, participou do 1º Fórum de Angra dos Reis, Problemas do Povo debatidos pelo Povo, patrocinado pelo PSD, onde pronunciou conferência, seguido de debates com autoridades, técnicos e povo em geral, sobre o problema da Educação em Angra dos Reis.
  • A 4.2.1960, no Teatro Municipal de Niterói, o Deputado Câmara Torres assumiu um dos cargos de Conselheiro do Núcleo Fluminense, da Fundação Santos Dumont, com sede nacional em São Paulo, SP, que tinha por objetivo o desenvolvimento da Aeronáutica Civil no País. O Governador Roberto Silveira, “grande incentivador da aviação fluminense” foi eleito Presidente de Honra do Núcleo.
  • A 5.2.1960, o Primeiro Secretário da Assembleia Legislativa, Deputado Câmara Torres participou com o Presidente da Casa, Deputado Saramago Pinheiro, o Líder do Governo, Deputado Álvaro Fernandes, e outros colegas de diversos Partidos, de reunião com o Presidente e o Consultor Jurídico da Câmara Municipal de Volta Redonda, a maioria de seus Vereadores e o Presidente do PTB local, discutindo o impeachment do Prefeito daquele Município, Sr. Cézar Lemos, que seria votado na semana seguinte pelo Legislativo da Cidade do Aço, acusado de crimes de responsabilidade, corrupção, malversação de dinheiro público.
  • Em fevereiro de 1960, o Deputado Câmara Torres empenhou-se intensamente junto ao Governador do Estado e ao Secretário Estadual de Saúde para a vacinação, tratamento e erradicação de vários casos de tifo havidos no Bairro Jardim Balneário de Angra dos Reis, comunicados ao Parlamentar, por telegrama, pela Direção do Sindicato dos Arrumadores de Angra dos Reis.
  • A 13.2.1960, o Primeiro Secretário da Assembleia Legislativa, Deputado Câmara Torres, esteve presente à festa de encerramento do Curso Pré-Vestibular do Diretório Acadêmico Evaristo da Veiga, da Faculdade de Direito de Niterói.
  • Em fevereiro de 1960, o Deputado Câmara Torres empenhou-se intensamente junto ao Governador do Estado e ao Secretário Estadual de Saúde para a vacinação, tratamento e erradicação de vários casos de tifo havidos no Bairro Jardim Balneário de Angra dos Reis, comunicados ao Parlamentar, por telegrama, pela Direção do Sindicato dos Arrumadores de Angra dos Reis. 
  • A 14.3.1960, o Primeiro Secretário da Assembleia Legislativa, Deputado Câmara Torres, foi um dos protagonistas, ao lado do Presidente, Deputado Saramago Pinheiro, à homenagem à memória do Deputado Nelson Pereira Rebel, ilustre Homem Público da História Política Fluminense, que presidiu a Assembleia Constituinte de 1946.
  • A 28.3.1960, o Deputado Câmara Torres assumiu as funções de Membro das Comissão Técnica de Orçamento e da Comissão Técnica de Servidores, da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.
  • A 28.3.1960, a pedido do Doutor Câmara Torres, membro da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Paraty, fundada em 1822, o Juiz de Direito do Município, Jorge Peixoto Pache de Faria, atesta o regular e contínuo funcionamento do hospital, ambulatório, serviços de emergência e de pronto-socorro, mantidos pela Irmandade, que presta assistência médica gratuita à população de Paraty. O Atestado viabilizava o recebimento de subvenções que, a cada ano, O Deputado Câmara Torres, destinava à entidade, segundo Projetos de Lei de sua autoria às Leis do Orçamento Estadual, votadas e aprovadas pela Assembleia Legislativa. Naquele ano, graças à ação do Parlamentar, a Subvenção consignada no Orçamento Estadual foi Cr$ 100 mil, aplicada em obras, equipamentos, aquisição de medicamentos e de materiais hospitalares, segundo o Plano de Aplicação detalhado pelo Provedor Hilton Silva.
  • Na tarde de 30.3.1960, o Deputado Câmara Torres esteve presente à posse dos novos Promotores de Justiça, aprovados em concurso público de provas e títulos e nomeados pelo Governador Roberto Silveira. A solenidade realizou-se no Plenário do Tribunal de Justiça, sob a presidência do Procurador Geral do Estado, Doutor Antônio Carlos Sigmaringa Seixas, seu amigo e colega na Faculdade de Direito de Niterói na década de 1940.
  • Em março de 1960, o Deputado Câmara Torres protesta junto ao então Secretário de Educação Alberto Torres contra o fechamento das escolas Monsenhor Pinto Carvalho, em Angra dos Reis, e Várzea, em Rio Claro, deixando mais de cem crianças sem aulas, sem comunicação ao Chefe da Inspetoria de Ensino e aos respectivos prefeitos, quando professoras aguardavam designação do Estado para assumir as vagas.

  • A 1º.4.1960, o Deputado Câmara Torres vai a Paraty, de avião, em companhia do Secretário Estadual de Segurança Pública, Edésio da Cruz Nunes. O objetivo do Secretário foi fazer retornar a Niterói o reforço policial que ele havia enviado ao Município para tentar esclarecer um crime de morte ocorrido na zona rural, envolvendo disputas de terras. Mas a força-tarefa “exorbitou de suas atribuições, desagradando à população”. Daí o convite do Deputado ao Secretário para a viagem e providências. Edésio da Cruz Nunes prometeu aos lavradores paratyenses levar os problemas fundiários e agrários do Governador Roberto Silveira, juntamente com o Deputado Câmara Torres, a fim de resolvê-los pacificamente, com os recursos do Plano Piloto de Ação Agrária.
  • A 18.4.1960, o Deputado Câmara Torres recebe mensagem do Senhor Carlos Quintella, Presidente do Serviço Social do Comércio – SESC – Regional RJ, manifestando-se assim: “Os meus melhores agradecimentos pela magnífica colaboração que sempre recebi do ilustre colega, prestigiando-me em todas as iniciativas que visaram atender aos comerciários fluminenses”. Na mesma mensagem, o Senhor Carlos Quintella oferece os seus “humildes préstimos e a certeza da manutenção dos mesmos propósitos de colaboração”, quando assume a Presidência do Serviço de Aprendizagem Comercial – SENAC – Regional RJ.
  • A 28.3.1960, a pedido do Doutor Câmara Torres, membro da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Paraty, fundada em 1822, o Juiz de Direito do Município, Jorge Peixoto Pache de Faria, atesta o regular e contínuo funcionamento do hospital, ambulatório, serviços de emergência e de pronto-socorro, mantidos pela Irmandade, que presta assistência médica gratuita à população de Paraty. O Atestado viabilizava o recebimento de subvenções que, a cada ano, O Deputado Câmara Torres, destinava à entidade, segundo Projetos de Lei de sua autoria às Leis do Orçamento Estadual, votadas e aprovadas pela Assembleia Legislativa. Naquele ano, graças à ação do Parlamentar, a Subvenção consignada no Orçamento Estadual foi Cr$ 100 mil, aplicada em obras, equipamentos, aquisição de medicamentos e de materiais hospitalares, segundo o Plano de Aplicação detalhado pelo Provedor Hilton Silva.

  • Na tarde de 30.3.1960, o Deputado Câmara Torres esteve presente à posse dos novos Promotores de Justiça, aprovados em concurso público de provas e títulos e nomeados pelo Governador Roberto Silveira. A solenidade realizou-se no Plenário do Tribunal de Justiça, sob a presidência do Procurador Geral do Estado, Doutor Antônio Carlos Sigmaringa Seixas, seu amigo e colega na Faculdade de Direito de Niterói na década de 1940.

  • Em março de 1960, o Deputado Câmara Torres protesta junto ao então Secretário de Educação Alberto Torres contra o fechamento das escolas Monsenhor Pinto Carvalho, em Angra dos Reis, e Várzea, em Rio Claro, deixando mais de cem crianças sem aulas, sem comunicação ao Chefe da Inspetoria de Ensino e aos respectivos prefeitos, quando professoras aguardavam designação do Estado para assumir as vagas.
  • A 1º.4.1960, o Deputado Câmara Torres vai a Paraty, de avião, em companhia do Secretário Estadual de Segurança Pública, Edésio da Cruz Nunes. O objetivo do Secretário foi fazer retornar a Niterói o reforço policial que ele havia enviado ao Município para tentar esclarecer um crime de morte ocorrido na zona rural, envolvendo disputas de terras. Mas a força-tarefa “exorbitou de suas atribuições, desagradando à população”. Daí o convite do Deputado ao Secretário para a viagem e providências. Edésio da Cruz Nunes prometeu aos lavradores paratyenses levar os problemas fundiários e agrários do Governador Roberto Silveira, juntamente com o Deputado Câmara Torres, a fim de resolvê-los pacificamente, com os recursos do Plano Piloto de Ação Agrária.
  • A 18.4.1960, o Deputado Câmara Torres recebe mensagem do Senhor Carlos Quintella, Presidente do Serviço Social do Comércio – SESC – Regional RJ, manifestando-se assim: “Os meus melhores agradecimentos pela magnífica colaboração que sempre recebi do ilustre colega, prestigiando-me em todas as iniciativas que visaram atender aos comerciários fluminenses”. Na mesma mensagem, o Senhor Carlos Quintella oferece os seus “humildes préstimos e a certeza da manutenção dos mesmos propósitos de colaboração”, quando assume a Presidência do Serviço de Aprendizagem Comercial – SENAC – Regional RJ.
  • Em abril de 1960, o Deputado Câmara Torres integrou a comitiva de Campanha Eleitoral de Adhemar de Barros, candidato à Presidência da República, ao lado do Senador Miguel Couto Filho e outros Deputados do PSP, que percorria diversos municípios do Estado do Rio de Janeiro, realizando comícios em Niterói, São Gonçalo, Baixada Fluminense e Magé.
  • A 18.5.1960, o Projeto de Lei 547, de 1959, de autoria do Deputado Câmara Torres, denominando a Rodovia RJ-121, que ligava Angra dos Reis a Paraty, foi aprovado pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, após grande discussão, pois alguns parlamentares resistiam a dar a um bem público o nome de uma pessoa viva. Três meses depois, a 10 de agosto de 1960, o Governador Roberto Silveira veta a Proposição aprovada. E telegrafa ao Deputado Câmara Torres agradecendo “a generosa homenagem” de denominar “Rodovia Roberto Silveira”, a Estrada Angra-Paraty em construção e pede que o “prezado amigo” perdoe “a indelicadeza do veto”, de não aceitar a referida homenagem. Roberto compreende o desejo de Câmara Torres corresponder à vontade que o Povo da Região lhe externou e espera que o Deputado também compreenda o veto. E complementa o Governador: “Espero agir de tal forma no Governo que, no futuro, se Deus quiser, o seu Projeto se transformará em Lei pela vontade popular, tranquilamente, sem restrições ou suspeitas hoje naturais. Abraço do Roberto Silveira”. A homenagem causou grande controvérsia na Assembleia, não somente pela homenagem a uma pessoa viva, mas pela sólida e constante amizade entre Roberto Silveira e Câmara Torres, o que provocara “ciúmes”, até mesmo dentro do próprio partido do Governador.
  • Na manhã de 10.6.1960, o Deputado Câmara Torres, representando o Secretário de Estado da Administração, comparece à abertura da II Conferência Rural Fluminense – Encontro Rural de Angra dos Reis, promovida pela Associação Rural de Angra dos Reis, - ARAR, fundada e presidida por Francisco Pereira Rocha. Na oportunidade, a entidade inaugura o Núcleo dos Associados, da Associação Rural.Presentes à cerimônia, o Presidente da Federação das Associais Rurais do Estado do Rio de Janeiro, Francelino Bastos França e sua esposa, Dra. Yeda França; Deputado Saramago Pinheiro, representando o Secretário de Estado da Agricultura - FARERJ; Jorge Wishart, Prefeito Municipal; Dr. Mário Moura Brasil do Amaral, Vice-Presidente da Associação Rural de Paraty e representante do Prefeito do mesmo município – entre outras dezenas de autoridades, técnicos do setor agrícola e lideranças rurais. O primeiro a falar no evento foi o Deputado Câmara Torres, que proferiu a palestra O Sistema de Educação de Angra dos Reis, sendo muito aplaudido, seguido de outras autoridades. Câmara Torres foi o articulador entre o Governo do Estado, a FARERJ e a ARAR que viabilizou o Encontro, participando ativamente dos debates. “Efetivou-se, pela primeira vez no Estado e, certamente, no País”, destacou a Imprensa, um plano de Reforma Agrária”. O Plano abrangeu a distribuição de títulos de propriedade de terra, que pertenciam ao Estado (terras públicas, devolutas), na região da Serra D’Água, a criação de uma cooperativa de produção, serviço de extensão rural, concessão de crédito aos agricultores – tudo sob a supervisão técnica da ARAR e o apoio do Governo do Estado e da FARERJ. Foram entregues vinte lotes a famílias numerosas, mais necessitadas, com tradição no cultivo da terra, previamente cadastradas, e programada a entrega de mais dez títulos no mais breve tempo. Ao final, o Deputado Saramago Pinheiro, Presidente da Associação de Crédito e Assistência Rural do Estado do Rio de Janeiro - ACAR-RJ, apresentou um relato das atividades de extensão rural e de natureza social da entidade em vários municípios. Uma placa de bronze doi descerrada, registrando a inauguração do Núcleo de Associados. O Relatório Final do Presidente da FARERJ, divulgado a 14 daquele mês, trouxe sínteses dos debates, dos temas apresentados, bem como as Conclusões do Encontro.
  • 22.6.1960. Feriado em Paraty: o Povo comemora o 43º aniversário natalício do Deputado Câmara Torres. De 1942 a 1955, ele fora o "Doutor José", o Técnico de Educação, o Chefe da 1ª Região Escolar, que deu a Educação Básica aos paratyenses, revolucionou o Ensino no Município, construindo e colocando em funcionamento dezenas escolas, no seu extenso litoral e interior, nos lugares mais distantes, com professores formados, unidades equipadas; erguendo, também, na sede do Município, um moderno Grupo Escolar. Implantou a Merenda Escolar; triplicou o número de escolas urbanas e rurais e o número de matrículas para as crianças. De março de 1955 até junho de 1960, isto é, em cinco anos e cinco meses de mandato como Deputado Estadual, representando Paraty e o Extremo Sul Fluminense - todos os serviços públicos básicos, essenciais, em Paraty, municipais, de responsabilidade do Estado e da União, ou que exigiam a participação ou auxílio dos Governos Estadual e Federal, além da Educação, Saúde, a Pesca, a Agricultura, Saneamento, Energia, Transporte Marítimo, contaram com a efetiva ação política e parlamentar de Câmara Torres. Os esforços para integrar Paraty ao Estado do Rio e ao Vale do Paraíba, por via terrestre, através da Estrada Paraty-Angra dos Reis e Paraty-Cunha, SP, respectivamente, eram contínuos, incessantes, de Câmara Torres, tanto na Assembleia Legislativa, legislando,  reivindicando, fiscalizando e denunciando, bem como junto às autoridades e órgãos públicos.
Assim, nas eleições de 1958, Câmara Torres recebia noventa por cento dos votos válidos de Paraty na sua primeira reeleição e, em 1960, se consolidava como o legítimo Representante de Paraty e do Extremo Sul Fluminense, o seu maior e mais importante Líder Político. Por isto é que, naquela manhã de quarta-feira, 22 de junho de 1960, quando o Deputado completava 43 anos de idade, Paraty, o seu Povo, o Prefeito, a Municipalidade, todas as autoridades que atuavam no Município, inclusive a Oposição minoritária, se confraternizaram com Câmara Torres, numa grande festa política e sociocultural de afeto, convergências  e união. Certamente, depois das Comemorações do Tricentenário de Paraty, realizadas em setembro daquele ano,  foi a maior festa havida na cidade na segunda metade do Século XX. Pela manhã, desembarcaram de um avião no Campo de Aviação de Paraty, além de Câmara Torres (PSP), o Presidente da Assembleia Legislativa, Deputado Álvaro Fernandes (PTB), representando o Governador Roberto Silveira e o Deputado Saramago Pinheiro (UDN) para participar da Festa. Foram recebidos pelo Prefeito Antônio Núbile França, e o Vicê-Prefeito, Norival Rubem de Oliveira; o Presidente da Câmara, Irênio Marques Filho; por todos os Vereadores; o Juiz de Direito, Jorge Pache de Faria e demais autoridades locais, Após a Alvorada da Banda de Música Santa Cecília e a Missa em Ação de Graças na Matriz de Nossa Senhora dos Remédios, numa Solene Sessão na Câmara Municipal, Câmara Torres foi a primeira personalidade, até então, na História do Município, a receber o Título de "Cidadão de Parati", decorrente de Projeto de Lei do Vereador Irênio Marques Filho, aprovado por unanimidade.

Câmara Torres recebe do Presidente da Câmara Municipal, 
Vereador Irênio Marques Filho, o Título de "Cidadão de Parati".
(Acervo Marcelo Câmara)

Presentes à cerimônia, prefeitos e vereadores de outros Municípios do Sul Fluminense, e lideranças comunitárias - Angra dos Reis, Rio Claro, Mangaratiba, Itaguaí, Piraí, Barra Mansa. Em agradecimento, o Deputado Câmara Torres  pronunciou o célebre discurso que a Imprensa intitulou A amizade me fez escravo dessa gente, onde o Parlamentar desenha a sua trajetória como Educador e Político em Paraty e os laços que fizeram dele um paratyense de coração, de alma, de corpo inteiro. E a visão que tinha sobre o futuro venturoso, social e econômico, de Paraty: preservados o seu Bairro Histórico, a sua Natureza, a sua fulgurante Cultura Popular e o seu Folclore, a missão de governos e povo construírem uma estrutura para o Turismo planejado e sustentado.


O Deputado Câmara Torres faz, no Salão Nobre da Câmara Municipal,
faz a oração de agradecimento após receber o Título de "Cidadão de Parati".
Na foto, da dir. p/ esq., o Presidente Irênio Marques Filho, os Deputados
Álvaro Fernandes e Saramago Pinheiro, e o Vereador Paulo Carijó.
(Foto: Diário de Notícias. RJ - Acervo Marcelo Câmara)
Após a Sessão Solene na Câmara, autoridades e convidados seguiram para o Paratiense Atlético Clube - PAC, onde foi servido um banquete, onde, ao final, falaram os Deputados Álvaro Fernandes e Saramago Pinheiro, o Prefeito Antônio Núbile França, o Presidente da Câmara, Vereador Irênio Marques Filho, e, ao final, os agradecimentos do aniversariante Deputado Câmara Torres. À noite, um baile no PAC encerrou as celebrações do aniversário de Câmara Torres.


No banquete, no PAC, pelo aniversário de Câmara Torres, discursa, de pé,
o Deputado Álvaro Fernandes (PTB), 
Presidente da Assembleia Legislativa,
representando o Governador Roberto Silveira. 
Na foto, da dir. p/ esq.:
os Deputados Saramago Pinheiro (UDN) e Câmara Torres (PSP),

Jango Pádua (PSD, Ex-Prefeito e adversário político de Câmara Torres)
e Marcelo Câmara, filho do homenageado, aos dez anos, de colete e gravata.
(Acervo Marcelo Câmara)
  • A 22.6.1960, ascendeu à tribuna da Assembleia Legislativa o Deputado Dayl de Almeida (PDC) para congratular-se, em nome da Casa, com o Deputado Câmara Torres (PSP), que completava 43 anos naquele dia. Recebeu apartes, que se somaram à sua manifestação, de vários pares.
  • A 25.6.1960, o Deputado Câmara Torres, na condição de Vice-Provedor da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Angra dos Reis, mantenedora do único hospital público do Município, solicita ao Governador Roberto Silveira um aparelho de iluminação cirúrgica. E é atendido.
 
Julho de 1960. O Governador Roberto Silveira inaugura um novo gerador
 para a usina termoelétrica de Paraty.
(Acervo Marcelo Câmara)
  • Aberto o caminho para a redenção de Paraty. Com esta manchete, o jornal O Fluminense sintetizou a visita do Governador Roberto Silveira, a 23 de julho de 1960, ao município fluminense, até então desprezado pelos governos fluminenses, com a ausência dos serviços públicos essenciais ou com evidente precariedade, o que colocava Paraty em situação de deplorável abandono. O Governador, acompanhado por todo o seu Secretariado, foi efusiva e festivamente recebido pelo povo e autoridades municipais, desembarcando no cais da cidade histórica, ao lado do seu correligionário e aliado Deputado Câmara Torres, representante do Município e do Extremo Sul Fluminense, e do Diretor do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, Rodrigo Melo Franco de Andrade.  Logo após o desembarque, a comitiva, autoridades e munícipes dirigiram-se à Praia da Jabaquara, no limite da cidade, onde o Governador, numa rápida solenidade, inaugurou, numa ponte, os primeiros 7,5km da Estrada Paraty-Angra dos Reis, que visava integrar Paraty ao Estado do Rio, no ano que comemorava o seu Tricentenário de elevação à categoria política de vila. Na oportunidade, falaram o Governador Roberto Silveira, o Deputado Câmara Torres, o Prefeito Antônio Núbile França e o Diretor do Departamento de Estradas e Rodagens – DER, engenheiro, Dilson Feliciano Pinto. Em seguida, o Governador Roberto Silveira e comitiva rumaram para o Bairro da Chácara, onde inaugurou um novo gerador de 200kwa para a usina termoelétrica do Município, acionando a chave que melhorou, significativamente, a oferta de energia à população e pôs em funcionamento o novo sistema de iluminação pública da cidade.  
 
Julho de 1960. Roberto Silveira, ao centro, examina a planta do Projeto
 da Estrada Paraty-Angra dos Reis e inaugura oficialmente as obras. 
(Acervo Marcelo Câmara)


Dirigiu-se, também, à casa de um operário paratyense onde ligou o imóvel à rede elétrica,  iluminando a residência. Em praça pública, em meio à multidão o Governador foi saudado        pelo Secretário de Energia Elétrica, Bandeira Vaughan, e ouviu discursos de lideranças locais. O Governador  pronunciou  vibrante discurso: “Estamos ligando  Paraty ao Estado do Rio, através da estrada de 94 quilômetros , em direção  a Angra dos Reis. Ainda este ano, ficarão prontos mais quarenta  quilômetros, pois mais dez quilômetros já estão abertos, partindo de Angra. Hoje já temos 17,5km de estrada entre Paraty e Angra. Paraty contava apenas com 60kwa de energia. Agora, temos 200kwa com a termoelétrica. E com a recuperação da antiga hidroelétrica teremos mais 10kwa, que atenderá plenamente à demanda local. A rede de distribuição de energia foi, também, totalmente reconstruída.Congratulou-se com o povo paratyense pelos avanços que, juntos, Governo e Paratyenses, estão alcançando nos setores de energia e comunicações. Um banquete foi oferecido ao Governador e comitiva. Na Câmara Municipal, Roberto Silveira recebeu o Título de Cidadão Honorário de Paraty, e foi saudado pelo Vereador José Gibrail, orador oficial designado pela Casa. Os Secretários de Estado Bandeira Vaughan (Energia) e Mário Guimarães (Interior e Justiça), o Prefeito Antônio Núbile França, o Presidente da Câmara Irênio Marques Filho, os Vereadores Lessa e Lacerda também discursaram agradecendo e louvando Roberto Silveira. Um baile no Paratyense Atlético Clube - PAC, em homenagem ao Governador, encerrou a programação.


Julho de 1960, em Paraty. Da esq. p/ dir.: o Deputado Câmara Torres;
 o Governador Roberto Silveira, ao centro, abraça um casal de moradores
da periferia do Bairro Histórico;  e o Vereador Derly Helena.
(Acervo Marcelo Câmara)
  • Em meados de agosto de 1960, o Jornal do Brasil publicou matéria com o Deputado Câmara Torres, na qual o Parlamentar qualificava de “impatriótica” a campanha movida contra o Aero Club do Estado do Rio de Janeiro. Vice-Presidente da entidade, o Parlamentar denunciou que a campanha atendia a interesses comerciais de proprietários de lotes, que objetivavam retalhar a área da pista de pouso para construção de casas. Câmara Torres informou que os habitantes da Praia de Charitas, localizada na extremidade sul da pista, nunca reclamaram das atividades do Aero Club, nem que sofriam perigo de vida. “Somente os herdeiros da família Vasconcelos e outros adquirentes dos lotes situados na extremidade sul é que fazem campanha terrorista, envolvendo senhoras e crianças e procurando prejudicar a formação dos pilotos fluminenses” – esclareceu o Parlamentar. Acrescentou que o Governador Roberto Silveira desapropriou uma área no Colubandê para construção do Aeroporto de Niterói e que a escola de pilotagem deverá ser transferida para lá. Mas, até que o novo aeroporto seja concluído, o Ministério da Aeronáutica autorizou o funcionamento da pista de Charitas. Concluiu Câmara Torres que alguns elementos exaltados, em ações descabidas e criminosas, estão ameaçando depredar o Aero Club, e, na época, a Polícia Militar protegia os bens da instituição. “Nos hangares estão guardados aviões pertencentes ao clube, a particulares e aos Governos Federal e Estadual”. A luta do Deputado, um incentivador da Aviação Civil no Estado não foi exitosa: ainda na década de 1960, governos posteriores ao de Roberto Silveira não se dispuseram a lutar pelo Aero Club que, indignamente, faleceu. Uma história e um patrimônio material e imaterial, de conquistas e façanhas, foram lançados ao lixo, após décadas de grandes serviços prestados ao Estado e seu povo. As suas instalações foram destruídas, a pista invadida, dividida em lotes que foram comercializados e o Aeroporto de Niterói não foi construído. Os aero clubes de Nova Iguaçu e de Jacarepaguá receberam os aviões e os bens remanescentes da escola de aviação e aeromodelismo.
  • A 25 de julho de 1960, o Deputado Câmara Torres apresenta Projeto de Lei, aprovado por unanimidade, declarando de Utilidade Pública o Grupo de Escoteiros do Mar Almirante João Cândido Brasil, de Angra dos Reis, que tinha o comando do Chefe Cotta (Roberto Seixas Cotta).
  • A 24.8.1960, Virgínio Santa Rosa, Secretário Geral, do Diretório Nacional do Partido Social Progressista – PSP, escreve ao Deputado Câmara Torres solicitando que este entre em entendimentos com o Sr. Walter Marçal Coelho, Presidente da Associação dos Trabalhadores Marítimos e Portuários do Sul Fluminense, pois a entidade tinha reivindicações ao Governo do Estado do Rio de Janeiro e desejava apresentá-la ao Parlamentar. Ao mesmo tempo, a Associação demonstra simpatia e solidariedade à candidatura de Adhemar de Barros à Presidência da República.
  • A edição de 1º.9.1960, do jornal Última Hora, do Rio de Janeiro, noticia, com destaque, sob o título Câmara Torres apoia João Goulart, que o PSP dos municípios de Angra dos Reis, Rio Claro e Mangaratiba apoiará o candidato João Goulart à Vice-Presidência da República. Explica a matéria que essa decisão “resultou de reuniões realizadas sob a presidência do Deputado Câmara Torres e com o apoio integral dos pessepistas do Sul Fluminense". Acrescenta o diário: “Ainda recentemente, em comício realizado em Paraty, o Deputado Câmara Torres lançou oficialmente a chapa ADHEMAR-JANGO, declarando mesmo que o fazia não só em homenagem justa ao líder trabalhista, valendo-se da liberdade que o PSP dava aos seus correligionários, mas, também, num preito de consideração ao Governador Roberto Silveira, que tanto tem feito pelo Sul Fluminense”.
  • No início de setembro de 1960, o Deputado Câmara Torres entrega ao Deputado Álvaro Fernandes, Presidente da Assembleia Legislativa documento com dezenas de assinaturas das mais importantes lideranças de Angra dos Reis, solicitando o apoio e a intervenção do Chefe do Legislativo no sentido de elevar a Comarca do município à categoria de Segunda Entrância. Álvaro Fernandes prometeu empenho. Somente em 1981, o ex-Deputado Câmara Torres, como Presidente da Subseção da OAB de Angra dos Reis, liderou movimento e a Comarca alcançou a graduação judiciária.
  • A 6, 7 e 8 de setembro de setembro de 1960, realizaram-se, com grande pompa, as comemorações do Tricentenário da Vila de Nossa Senhora dos Remédios de Paraty. O vasto programa contou com eventos institucionais, cívico-culturais, religiosos, sociais, folclóricos, políticos e econômicos. O ponto alto dos das comemorações foi a realização, na noite do dia 6, de um grande e belo desfile histórico dramatizado na dicção amplificada dos versos do poeta, cantor e ator paratyense José Kleber, quando se contou a história da Revolta Popular de 1660, liderada por Domingos Gonçalves de Abreu, que elevou Paraty à categoria de Vila autônoma a Angra dos Reis. O elenco de oitenta personagens do desfile foi formado pelos próprios moradores da cidade que assumiram os papeis como atores. O cortejo percorreu as principais ruas da cidade chegando a um amplo palco armado ao lado da Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios, onde culminou o relato histórico com a apresentação de corais. Também nesse momento, foi apresentado ao público o Brasão de Paraty, iniciativa do Deputado Câmara Torres, elaborado pelo heraldista Alberto Lima, com a assessoria do Parlamentar, que, depois, aprovado pela Câmara Municipal, passou a ser o principal símbolo do Município. Na manhã de 7 de setembro, Dia da Pátria, um desfile cívico-escolar reuniu todos os estudantes da cidade, e, à noite, num grande espetáculo de música e dança, foi apresentado um painel do riquíssimo e plural Folclore paratyense, preparado pela Profa. Benedita Calixto, o advogado Doutor José Kleber Martins Cruz e pelo Sr. Nestor Miranda. A 8 de setembro, Dia consagrado à Padroeira de Paraty, Nossa Senhora dos Remédios, um festivo programa de eventos religiosos, profanos e folclóricos foi cumprido. Graças à ação do Deputado Câmara Torres junto à Presidência dos Correios, um Selo Especial Comemorativo, criado por Alberto Lima, no valor de Cr$ 2,50, foi emitido. Uma bela flâmula comemorativa da Efeméride foi fabricada e distribuída, sob o patrocínio do industrial paratyense, Doutor Gibrail Núbile Tannus. Presidiu a Comissão Organizadora das Comemorações do Tricentenário de Paraty o Governador Roberto Silveira, representado pelo Deputado Câmara Torres, e pelas seguintes personalidades: o Prefeito Municipal, Antônio Núbile França; o Vereador Irênio Marques Filho, Presidente da Câmara Municipal; o Príncipe Dom João de Orleans e Bragança; e o Educador,  Doutor Mário Moura Brasil do Amaral, Diretor do Ginásio Paratyense. O Deputado Câmara Torres também obteve do Governador Roberto Silveira uma verba de Cr$ 200 mil, que ajudou a viabilizar o evento. A cidade esteve repleta de paratyenses residentes fora do município (trazidos em parte, de Mangaratiba pelo Aviso da Marinha, Rio das Contas), de visitantes e turistas do Estado e de outras partes do País. Ao final de setembro, foi lançada a pedra fundamental de construção do parque industrial da Cia. Florestal e Agrícola Selvamar, presidida pelo Príncipe Dom João, com a finalidade de fabricar alimentos tendo como matéria-prima a banana, principal fruta da terra, principalmente um esperado creme de banana, cuja receita já estava pronta, testada e guardada, à sete chaves, no sobrado de Sua Alteza, em rua limítrofe ao mar, na cidade.
 
Em setembro de 1960, prontos para a festa do Tricentenário de Paraty:
o Deputado Câmara Torres entre o  o Juiz de Direito da Comarca,
Jorge Pache de Faria, à esq., e o Príncipe Dom João de Orleans e Bragança.
(Acervo Marcelo Câmara)
  • A 12.9.1960, o Deputado Câmara Torres lança a PROCLAMAÇÃO AO POVO DO SUL FLUMINENSE comprometendo-se integralmente com a Candidatura de Adhemar de Barros à Presidência da República. Solicita votos e apoio do Povo da Região a Adhemar, ao qual ele tem plena identidade política, livre e incondicional acesso para resolver os problemas do Extremo Sul do Estado do Rio de Janeiro. Também destaca a aliança do líder pessepista com o correligionário Senador Miguel Couto Filho, bem como a sólida e histórica amizade com o Governador Roberto Silveira (PTB), que o Partido e o próprio Adhemar ajudou a eleger nas últimas eleições de 1958. Câmara Torres e o PSP da Região apoiam a Candidatura de João Goulart à Vice-Presidência da República.
  • A 10.9.1960, o Diretório Estadual do PSP faz um Comunicado ao Povo, principalmente aos amigos e correligionários do Deputado Câmara Torres, afirmando que Adhemar de Barros obteve, em Angra dos Reis, Paraty, Rio Claro e Mangaratiba, municípios onde atua o Parlamentar, 2.122 votos. Considera o Partido uma “expressiva vitória, tendo em vista que o Deputado lutara sem qualquer ajuda extrapartidária e em curto espaço de tempo”. Assinala, ainda, a nota que os integrantes do PSP na região “sentem-se desobrigados dos compromissos que assumiram com o seu candidato às eleições presidenciais e deram uma demonstração de confiança no seu líder, Deputado Câmara Torres”.
  • Em meados de setembro, em virtude das ações conjuntas dos Deputados Estadual Câmara Torres (PSP) e Federal Jonas Bahiense Lyra (PTB) junto ao Governador Roberto Silveira, foram conciliados os interesses dos grupos de empregados dos Portos de Angra dos Reis e de Niterói, tendo, ambos, as suas reivindicações de ordem econômica e trabalhista atendidas.
  • Em setembro de 1960 o Deputado Câmara Torres solicitou ao Governador Roberto Silveira reparos na Estrada Getulândia-Angra dos Reis, sendo atendido.
  • Em setembro de 1960 reivindicou junto ao Governador Roberto Silveira verba de sessenta milhões de cruzeiros para o exercício de 1961, em favor do Serviço de Navegação Sul Fluminense, que fazia o transporte entre os municípios e localidades da Baía da Ilha Grande.
  • A 7 de outubro de 1960, a Coligação Democrática de Paraty (PSP-PTB-UDN), tendo em vista a vitória esmagadora nas eleições em 1958, faz Comunicado ao Povo ratificando seu apoio ao Governador Roberto Silveira e ao Deputado Câmara Torres, pelo progresso do Município.
  • Em meados de outubro de 1960, o Deputado Câmara Torres, entre outros Parlamentares, recebeu o Título de Sócio Benemérito da Casa do Educador Fluminense, iniciativa do Sindicato dos Professores de Niterói e São Gonçalo, projeto finalmente considerado viável, graças a destinação de uma parcela da sua cota orçamentária de Parlamentar para o exercício de 1961 para o empreendimento.
  • A 30 de outubro de 1960, no cais de Mangaratiba, foi reintegrado à frota do Serviço de Navegação Sul Fluminense, completamente recuperado, após dez anos de consertos e reparos nos Estaleiros da Secretaria de Comunicações e Transportes do Estado do Rio de Janeiro, o legendário rebocador Brasil, que fazia o trajeto daquela cidade a Paraty. O Deputado Câmara Torres foi o principal responsável pela recuperação e modernização do rebocador, graças a sua ação político-parlamentar. A embarcação recebeu motor mais possante e diversos melhoramentos que proporcionaram mais conforto e segurança à população da região. Na primeira viagem, além de Câmara Torres, o Secretário de Comunicações e Transportes, Deputado Paiva Muniz, o Superintendente do SNSF, Edmundo Collares Quitete, entre outras autoridades e convidados. Em Paraty, a comitiva foi festivamente recepcionada pela população e o Prefeito Antônio Núbile França, Nhonhô, ofereceu um almoço aos visitantes. Em seguida, visitaram as obras da Rodovia RJ-121 e os trabalhos de melhoria no cais da cidade. À noite, uma mesa-redonda na Câmara Municipal, reuniu Câmara Torres, Paiva Muniz, o Prefeito Nhonhô, o Presidente da Câmara, Irênio Marques Filho, vereadores e lideranças para discutir os principais problemas da Região.
  • Na sessão de 20.10.1960, na Assembleia Legislativa, o Deputado Câmara Torres denunciou a paralização das obras complementares de construção do Aeroporto de Angra dos Reis, estando elas “ameaçadas de ruína, pois as águas das chuvas estão levando o aterro da pista inutilizando-o em certos trechos”. Dirigiu, então, apelo ao Ministro da Aeronáutica, através da 3ª Zona Aérea, no sentido de determinar o imediato reinício das obras, "pois a União já havia ali gasto cerca de 21 milhões de cruzeiros. Câmara Torres foi o idealizador que planejou e construiu, com recursos próprios, em 1954, o “Campo de Pouso da Japuíba”, antes de assumir o seu primeiro mandato. Depois o Campo, projetou-se como Aeroporto de Angra dos Reis, até hoje, 2020, não concluído e sem linhas aéreas regulares, especialmente entre as capitais e cidades dos Estados do Rio e São Paulo, projeto que sonhou e pelo qual lutou por toda a vida. A população e os Poderes Públicos de Angra dos Reis sempre se manifestaram, desde a morte do Deputado em 1998, desejosos em homenagear a memória do Homem Público, denominando o aeródromo de Aeroporto Câmara Torres.
  • A 28.10.1960, Adhemar de Barros, candidato à Presidência da República pelo PSP, escreve uma carta pessoal, afetiva, ao seu amigo Deputado Câmara Torres, ao mesmo tempo um compromisso político com o Povo do Extremo Sul Fluminense.

Carta de Adhemar de Barros ao amigo e correligionário Câmara Torres
justificando-se por não poder ir, na campanha eleitoral de 1960,
ao Extremo Sul do Estado, como fizera em 1954 e se comprometendo com aquelas populações
quanto ao desenvolvimento da Região. Esta é uma das várias cartas de Adhemar a Câmara Torres,
amizade que nasce desde quando o último ingressa no PSP em 1950. A aviação civil
foi um dos fatores que aproxima particularmente os dois. Além de médico e empresário,
Adhemar era piloto civil e a aviação era uma das paixões de Câmara Torres.
Certa vez, Adhemar, ao se encontrar com Câmara Torres no Rio, no Aeroporto Santos Dumont,
estando o Deputado atrasado para um voo de teco-teco em direção a Angra dos Reis,
empresta o seu bimotor particular ao amigo e ao piloto que o acompanhava,
por tempo indeterminado, embarcando num voo da Ponte Aérea para São Paulo.
Câmara Torres ficou meses com o avião de Adhemar.
(Acervo Marcelo Câmara)
  • Em outubro de 1960, recebe do Governador Roberto Silveira a notícia da determinação de reparos e a conservação permanente da Estrada Getulândia-Angra dos Reis.
  • Em outubro de 1960, manifesta ao Governador sua preocupação sobre os materiais e a qualidade da nova ala que, a seu pedido, está sendo construída no Grupo Escolar Lopes Trovão, na Cidade de Angra dos Reis e suas dúvidas são esclarecidas pelo Departamento de Engenharia do Estado, através de ofício do Secretário de Viação e Obras, Bernardo Bello.
  • Em outubro de 1960, elogia, como Autor de Moção na Assembleia Legislativa e em telegrama, a gestão do Diretor do Instituto de Previdência Social – IPS, Jairo Pombo do Amaral, recebendo, em ofício específico, os agradecimentos deste.
  • A edição do jornal Última Hora, do Rio de Janeiro, de 5.11.1960, informou que o Deputado “Câmara Torres está com o pé no PTB. Segundo a notícia, a transferência do Parlamentar do PSP para o PTB, de Roberto Silveira, justifica-se pela sua proximidade pessoal com o Governador e identidade ideológica com o Trabalhismo, além das suas inúmeras amizades com políticos da agremiação criada por Getúlio Vargas. Vários veículos da Imprensa comentavam, incessantemente, à época, a transferência, dando-a como “certa”
  • Novamente, e sempre, o assunto "Câmara Torres na Secretaria de Educação". O Deputado Câmara Torres compareceu à Assembleia Legislativa para a Sessão de 8.11.1960. Mas ela não foi aberta por falta de quórum. No encontro com jornalistas, distribuiu a seguinte Nota à Imprensa:
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“Em face do noticiário de alguns jornais de que as suas recentes atividades políticas têm relação com a sua possível nomeação para a Secretaria de Educação e Cultura, o deputado Câmara Torres declara à Imprensa que não existe o menor vínculo entre um fato e outro. Qualquer possível modificação em sua atitude partidária decorrerá exclusivamente de motivos de ordem regional, no interesse da política e da administração dos municípios do sul fluminense. O Governador Roberto Silveira jamais ventilou com o deputado Câmara Torres qualquer assunto referente à Secretaria de Educação e Cultura, atualmente nas mãos dignas do senhor Alberto Torres. Declara, mais uma vez, o deputado Câmara Torres que não tem, no momento, desejo algum de ocupar a referida Secretaria, a qual não pode ser, pela sua importância, objeto de transações políticas”.
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  • A 11.11.1960, o Deputado Câmara Torres esteve em solenidade no Palácio do Ingá, quando o Governador Roberto Silveira entregou à Escola de Enfermagem do Estado do Rio de Janeiro, um ônibus para uso dos alunos da instituição, uma reivindicação antiga do corpo discente. 
  • Em novembro de 1960, a Câmara Municipal de Mangaratiba, por iniciativa do Vereador Barros Neto aprova Moção de Agradecimento ao Deputado Câmara Torres pelas Subvenções no Orçamento daquele ano, consignadas em favor de várias entidades educacionais, de saúde, socioculturais e de assistência social do Município.
  • A 26.12.1960, o Deputado Câmara Torres apresentou, à Mesa da Assembleia Legislativa, Moção de Congratulações ao empresário holandês Sr. Cornélio Verolme, Presidente da United Shipyards, por haver sido condecorado, pelo Presidente Juscelino Kubitschek, com a Ordem do Cruzeiro do Sul. O Sr. Verolme estava construindo, na Baía da Jacuecanga, em Angra dos Reis, um dos maiores estaleiros de construção naval da América do Sul, que grandes benefícios econômicos e sociais traria ao Município, ao Estado e ao País.
  • A 17.12.1960, a pedido do Vice-Provedor da Irmandade da Santa Misericórdia de Angra dos Reis, conhecida também como Santa Casa de Misericórdia, Doutor Câmara Torres, solicita à Mesa de Rendas Alfandegária de Angra dos Reis, do Ministério da Fazenda que atestasse, no que foi atendido, que a entidade mantém em perfeito e regular funcionamento o seu Hospital naquela Cidade, com serviços de assistência médica e hospitalar gratuitas, não só ao Município de Angra dos Reis, como aos Municípios vizinhos de Rio Claro e Paraty. A Mesa atestou ainda sobre a direção administrativa da Irmandade, constituída por, além do requerente, Senhor Leandro José de Figueiredo, Provedor; Doutor Érico da Fonseca, Secretário; e Senhor José de Faria Barbosa, Tesoureiro. O Atestado viabilizava a continuação de recebimento de subvenções que, a cada ano, O Deputado Câmara Torres, destinava à entidade, segundo Projeto de Lei de sua autoria à Lei do Orçamento Estadual, votada e aprovada pela Assembleia Legislativa.
  • No espaço das “Comunicações” da Sessão da Assembleia Legislativa de 20.12.1960, o Deputado Estadual Câmara Torres solicitou providências da 3ª Zona Aérea, visando a ultimar as obras de construção do Aeroporto de Angra dos Reis. O aeródromo (campo de pouso), na Japuíba, próximo à sede do Município, foi iniciado, com recursos próprios, pelo então Técnico de Educação e Chefe da Inspetoria da 1ª Região Escolar, Prof. Câmara Torres, apaixonado pela Aviação Civil e um pioneiro do setor no Extremo Sul do Estado.
  • A 21.12.1960, é promulgada a Lei 4172, de autoria do Deputado Câmara Torres, que considera de Utilidade Pública a Irmandade de Nossa Senhora de Nazareth, de Saquarema, RJ.
  • A edição de 22.12.1960, do jornal carioca Última Hora anuncia Modificações no secretariado fluminense, informando que “o Deputado Câmara Torres (PSP) deverá ocupar a Secretaria de Estado de Educação e Cultura, substituindo o Deputado Alberto Torres (UDN), que iria para a Secretaria do Interior e Justiça, ambos da Coligação Nacionalista (PTB-PSP-UDN), que elegeu Roberto Silveira governador”. Durante os quatro mandatos de Câmara Torres à Assembleia Legislativa, várias vezes, em diferentes governos, o nome de Câmara Torres era citado pela Imprensa para ocupar a Pasta da Educação e Cultura, o que nunca ocorreu. Contingências e arranjos políticos, e até sentimentos menores, sempre impediram a designação, contrariando a opinião generalizada e corrente durante décadas, entre técnicos e políticos, de que “o Doutor Professor Câmara Torres é a pessoa que mais entende de Educação no Estado”. 
  • Em dezembro de 1960, solicita ao Governador Roberto Silveira a criação de 500 cargos de professoras para os municípios do Extremo Sul Fluminense.
  • Em 1960, o Deputado Câmara Torres engajou-se na Campanha Natal da Criança Pobre, do Governo Roberto Silveira, trabalhando bastante pelos seus nobres objetivos e excelentes resultados.
  • Ao apagar das luzes de 1960, a Imprensa fluminense e carioca voltou a especular a ida do Deputado Câmara Torres para a Secretaria Estadual de Educação e Cultura, substituindo o udenista Deputado Alberto Torres. Este assumiria a Pasta do Interior e Justiça. 
  • Em 1960, o Deputado Câmara Torres foi um dos signatários da Moção de Louvor ao Secretário Estadual de Finanças Augusto De Gregório pelo seu excelente trabalho à frente da Pasta, pela correção e proficiência no desempenho nas funções.
  • Passadas as eleições para Presidente e Vice-Presidente da República, recebe telegramas: do Governador Roberto Silveira pelo apoio do PSP à vitoriosa candidatura de João Goulart nos municípios de Angra dos Reis, Paraty, Rio Claro e Mangaratiba.
  • Na década de 1960, decorrente da ação político-parlamentar do Deputado Câmara Torres na Assembleia Legislativa e junto aos Governadores, Secretarias e órgãos empresas públicas, Angra dos Reis recebeu os seguintes melhoramentos do Departamento de Estradas de Rodagem – DER-RJ: recuperação asfáltica do trecho da RJ-116, Getulândia-Rio-Claro; “uma nova estrada, moderna, totalmente asfaltada, com acostamentos e sinalizada para o trecho Rio Claro-Lídice-Jurumirim”; melhoramentos do trecho Jurumirim-Angra dos Reis, criando condições ideais de tráfego; na RJ-116 foi executado um moderno sistema de sinalização, com a plantação de 3 mil e 500 árvores, a “sinalização viva”, pioneira no Brasil. As principais consequências dessas melhorias para Angra foram: “um novo porto para o progresso fluminense”, com maior movimento e desenvolvimento (capacidade) tecnológica e logística do Porto de Angra dos Reis, recebendo navios de todos os calados, consolidando-se como o porto natural de Volta Redonda e Vale do Paraíba, das regiões vizinhas de São Paulo e Minas Gerais; com os melhoramentos a nova estrada está integrada aos três Estados; acesso rápido por terra, em qualquer época do ano, aos Estaleiros Verolme; integração de Angra e sua economia a todo o Estado do Rio de Janeiro; ligação de Angra ao Colégio Naval; novo impulso ao Turismo de uma das mais belas regiões do mundo. A RJ-116, Getulândia-Angra dos Reis, foi incluída no Plano Rodoviário Nacional com a designação de BR-464, porque mesmo integralmente construída pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, fará a interligação entre a Rodovia Rio-São Paulo com a futura BR-101 (Rio-Santos). A RJ-116 passou a se denominar “Estrada Francisco Saturnino Braga”, em homenagem a um dos mais ilustres engenheiros rodoviários brasileiros, primeiro Diretor do DER-RJ e Diretor-Geral do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem. 
  Ano de 1961
  • A 11.1.1961, , que a pedido do Deputado Câmara Torres, o seu amigo e correligionário Governador Roberto Silveira dirige clara e objetiva carta pessoal ao Diretor Nacional de Obras e Saneamento – DNOS, Doutor Camilo Menezes, solicitando àquele órgão “que seja feita, com urgência, em Paraty, a dragagem dos leitos dos rios Perequê e Mateus Nunescorrem de cada lado da cidade e que foram dragados há mais de 10 anos pela própria repartição que o amigo dirige”. Roberto Silveira expõe razões de ordem técnica, social e econômica para a necessidade imperiosa do trabalho para evitar as enchentes que vinham “causando o assoreamento de suas barras, prejudicando os lavradores e a população urbana, ameaçando inclusive, o patrimônio histórico da cidade, o qual cabe o Governo defender”. O Governador assinala que o serviço de dragagem seja feito “com a possível urgência, já que hoje as condições locais e de transporte são um pouco mais fáceis que há dez anos, em vista do trânsito pelo Estrada de Cunha”. Ao final, o Governador autoriza “o Deputado Câmara Torres a discutir o assunto com o prezado amigo, para quem solicito toda a atenção em virtude do alto interesse público de um problema que é especificamente da competência do ilustre Diretor, que se tem mostrado tão amigo dos fluminenses”.
  • Em janeiro de 1961, o Deputado Câmara Torres recebe, de Roterdam, Holanda, carta pessoal do Doutor Cornelius Verolme, proprietário e presidente da Verolme United Shipyards, que, respondendo à Moção de Congratulações do Parlamentar, aprovada pela Assembleia, após a inauguração dos Estaleiros Verolme em Angra dos Reis, assinala:
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...desejo deixar registrado o meu sentimento de profundo reconhecimento pelo apoio moral indispensável de Vossa Excelência com que me sentirei estimulado para elevar à mais alta expressão o índice de realizações, não somente de sentido industrial, mas, também, de latitude social com que estarei apenas fazendo jus ao crédito de confiança ora a mim, generosamente, atribuído.”
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  • Em princípios de 1961, o Deputado Câmara Torres faz “veemente apelo” ao Governador Roberto Silveira, no sentido de manter verba de 20 milhões de cruzeiros destinados ao Serviço de Navegação Sul Fluminense. Essa verba recuperaria o motor do rebocador Patrício com trinta anos de uso, na iminência de um colapso. Enfatiza o Deputado a falta de segurança e conforto dos 60 mil habitantes da Baía da Ilha Grande que utilizam o transporte marítimo da empresa e o alto preço das tarifas de ônibus entre Angra e o Rio de Janeiro.
  • Em janeiro de 1961, o Deputado Câmara Torres, como faz a cada início dos anos letivos, obtém, para meninas que terminaram o Curso Primário no Município de Rio Claro, matrículas gratuitas nos Ginásios particulares que possuem internatos em Valença, Barra do Piraí e Barra Mansa.
  • A 23 de fevereiro de 1961, o Deputado Câmara Torres subiu à Tribuna da Assembleia Legislativa a fim de rebater acusações feitas por um suplente de Vereador da Câmara Municipal de Angra dos Reis, segundo as quais “o Parlamentar havia apadrinhado o ex-Delegado de Polícia Abdala, envolvido no contrabando do navio Aletes”. Câmara Torres refutou, veemente, as acusações, esclarecendo: “Muito ao contrário foi eu quem pedi ao Governo do Estado a exoneração desse Delegado, que foi substituído pelo Dr. Mauro Magalhães. Acrescentou que o suplente de Vereador deve ter me confundido com outro parlamentar que apadrinha Abdala”. Câmara Torres recebeu o apoio de vários de seus pares.
  •  Na Sessão Extraordinária da Assembleia Legislativa de 23.2.1961, o Deputado Câmara Torres ascende à Tribuna do Plenário para destruir e desmascarar, ponto a ponto, as insinuações e falsas denúncias, irresponsáveis e criminosas, do Governador da Guanabara, que o envolviam bem como ao seu correligionário do PTB, Deputado Federal, Jonas Bahiense. Câmara Torres recebeu, então, a repulsa dos seus pares às mentiras e calúnias de Carlos Lacerda que atingiram outras personalidades e a própria integridade do Povo de Angra dos Reis, o apoio pleno e irrestrito, a solidariedade dos Deputados Joadélio Codeço, Palmir Silva, Simão Mansur, Gouvêa de Abreu, Nicanor Campanário, Adolfo de Oliveira e Durval Gonçalves, que as integrou à sua veemente e irrefutável fala.
  • Em fevereiro de 1961, foi interceptado pela Marinha de Guerra, em Angra dos Reis, o navio de bandeira inglesa Aletes, carregado de produtos contrabandeados: cinco automóveis, dezenas de aparelhos de TV e de ar condicionado, caixas de uísque e de cigarros. A embarcação tinha uma proa adaptada, para dar aparência de um iate particular, de recreio, de algum magnata e, segundo a Imprensa, à época, fora preparado para fazer contrabando de café do Porto de Angra dos Reis para o Uruguai. O Governador Carlos Lacerda, contumaz vigarista, oportunista e sensacionalista (hoje o qualificativo seria “mediático”), useiro e vezeiro em pontificar com doestos dessa natureza a honra alheia, sem provas, nem ao menos indícios, pegou carona na ação da Marinha, através da sua insidiosa Tribuna da Imprensa, para ofender e caluniar o Deputado Câmara Torres, acusando-o de ser um quadrilheiro responsável do referido contrabando e, pior, um dos receptores da carga. A reação do parlamentar, um altivo e enérgico protesto em pronunciamento, feito a 23 de fevereiro, na tribuna da Assembleia Legislativa, recebeu a solidariedade unânime da Casa e o apoio, também, da Imprensa fluminense, emudecendo o detrator. Na oportunidade, Câmara Torres defendeu, igualmente, a honra e a honestidade do seu companheiro do PTB, Deputado Federal Jonas Bahiense Lyra, também atingido pelas descabidas ofensas do udenista. A resposta cabal do Parlamentar sepultou a calúnia. Também, em enfáticas e irrespondíveis entrevistas à Imprensa, Câmara Torres sepultou o absurdo e a mentira. Lacerda foi também para a TV insinuar o envolvimento de ambos os parlamentares, mas, diante da reação de Câmara Torres, da Assembleia e da Imprensa fluminense, esmoreceu combalido.
  • A 13.3.1961, o Deputado Câmara Torres, “O Deputado da Educação”, como era conhecido estava presente na solenidade, no Ginásio Esportivo Caio Martins, em Niterói que encerrou o preenchimento de 256 vagas nas escolas primárias, em todos os municípios fluminenses, decorrente do Concurso de Ingresso ao Magistério. Ao Ato, presidido pela Primeira Dama do Estado, Hilka de Araújo Peçanha, compareceram, também, o Secretário de Educação e Cultura, Tobias Tostes Machado, o Diretor do Departamento de Educação Primária, Luiz Gonzaga Malheiros, e os Deputados Estaduais, José Kezen e Nicanor Campanário.
  • A 6.4.1961, graças ao intenso e persistente trabalho do Deputado Câmara Torres junto ao Governo do Estado e órgãos da União, foi editada a Portaria B-777, do Ministro da Viação e Obras Públicas, Clóvis Pestana, que, em substituição ao que dispunha Portaria anterior, aprovou “nova relação-programa de obras, aquisições e melhoramentos do Porto de Angra dos Reis”, que totalizavam o valor de dezenove milhões e cem mil reais.
  • A 9.4.1961, o Deputado Câmara Torres compareceu à recepção oferecida pelo Senador Miguel Couto Filho (PSP-RJ), aos seus amigos, jornalistas, principais correligionários e auxiliares durante a sua gestão como Governador do Estado (1955-8). Na ocasião, registrou a cronista social Lou, do diário Última Hora, o Parlamentar comentou a possibilidade do seu grande amigo Jorge Paulo Wishart, Prefeito de Angra dos Reis, “deixar o celibato, pois os munícipes querem uma primeira dama”.
  • A 12.4.1962, o Deputado Câmara Torres reage às determinações do Governador da Guanabara de mandar desmontar a Colônia Penal da Ilha Grande: “Os bens existentes na Ilha pertencem ao Estado do Rio de Janeiro. A depredação do Presídio Cândido Mendes faz parte de um plano do Governador Carlos Lacerda para que a Ilha Grande, ao ser devolvida ao Estado do Rio, esteja transformada num deserto difícil de ser habitado”.
  • A edição do jornal carioca Última Hora de 21.4.1961, noticia a formação de uma "Coligação contra Celso". Referia-se o diário ao Governador Celso Peçanha que deixaria o Palácio do Ingá para concorrer pelo PSD a uma vaga no Senado, pretendendo eleger o pessedista José Kezen para a Presidência da Assembleia Legislativa. Uniram-se, então, o PTB, UDN, PSP, PDC, PSB e PTN a fim de derrotar o candidato governista. Entre os nomes cotados para presidir a Casa Legislativa, em oposição a Kezen, estavam: Câmara Torres, Altair Lima, Oscar Fonseca, Luís Guimarães, Álvaro Fernandes e Luís Braz.
  • A 7.5.1961, o Deputado Câmara Torres representou o Governador Roberto Silveira na solenidade de encerramento do Jubileu de Prata da Congregação Mariana de São Lourenço, da Igreja Matriz de São Lourenço, em Niterói, RJ. Antes da celebração do Te Deum pelo Arcebispo Dom Antônio de Almeida Morais Júnior, que fez “eloquente oração”, ocorreu uma concentração Mariana, quando falaram o Deputado Dayl de Almeida, o Pe. Hugo Rêgo e o Monsenhor Júlio de Barata Uchoa. Quando da leitura solene da Ata do Jubileu pelo Sr. Célio Almeida, o Congregado Mariano Câmara Torres saudou a Congregação aniversariante.
  • Na Sessão Ordinária de 15.5.1961 da Assembleia Legislativa, o Deputado Câmara fez candente pronunciamento, de repercussão nacional, sobre várias questões do Extremo Sul Fluminense, pelos quais vem se dedicando com afinco e persistência. O primeiro deles, em defesa da Estrada Paraty-Angra dos Reis, vital para a Região, que não prosseguem no ritmo desejado pela população, apesar das verbas destacadas pela União. Clamou pelo início imediato das obras de restauração do cais de Paraty, obras já orçadas que vem sendo prorrogadas sem justificativas, pondo em risco a segurança do povo, o transporte de cargas e passageiros, a economia do Município. Discorreu, ainda, sobre o crônico problema das inundações em Paraty dos rios que circundam a cidade que tem levado a população ao sofrimento e a perdas irreparáveis e contínuas, recebendo sempre as promessas, sempre bem intencionadas e não cumpridas, do DNOS, do Ministério da Viação e Obras Públicas, de resolver a correção e dragagem dos rios Perequê-Açu e Mateus Nunes, alegadas falta de equipamentos. Argumentou técnica e historicamente sobre a necessidade de enfrentar o assoreamento daqueles canais que cortam a cidade. Defendeu a proteção plena e incondicional ao Patrimônio Histórico e Cultural da Cidade de Paraty, tombada em 1944, agredida, abandonada pelos sucessivos governos estaduais, apesar dos esforços elogiáveis do Doutor Rodrigo de Melo Franco e do órgão que dirige, que, mesmo sem recursos, luta incansavelmente pela joia colonial única incrustada no fundo da Baía da Ilha Grande. Por último, defendeu e aplaudiu o trabalho da Verolme Estaleiros Reunidos do Brasil, que vinha sendo efetivado na Baía da Jacuecanga em Angra dos Reis, das superações dos engenheiros e técnicos holandeses no trabalho heroico de construir o estaleiro, instalações, logística, enfim, de executar o imenso e pioneiro projeto de construção naval, a despeito do não cumprimento pelos governos federal e estadual dos compromissos assumidos em relação à construção de estradas e energia para o empreendimento, além de não contar com financiamentos do BNDE, enfim, contra todas as adversidades então postas. Louvou a coragem, a capacidade técnica, a tenacidade, o trabalho admirável, o empreendedorismo dos holandeses em Angra dos Reis, rebatendo os agouros e as infâmias dos críticos sem autoridade, sem argumentos, sem razões, que combatem o exemplar trabalho da Verolme, gerando empregos e promovendo desenvolvimento econômico e social para Angra dos Reis, o Estado e o País. A propósito, leu, da Tribuna, os seguintes documentos, cartas dirigidas a ele, Câmara Torres: do Secretário do Interior e Justiça, Mário Guimarães, que, representando o Governador Roberto Silveira, foi à Holanda conhecer de perto as atividades do Grupo Verolme, retornando muito bem impressionado, com opinião muito positiva sobre a empresa, sua tecnologia, suas conquistas econômicas e sociais e a realidade do país europeu; do Prefeito de Angra dos Reis, Jorge Paulo Wishart, que também visitou a Holanda para avaliar o magnífico trabalho do Grupo Verolme, registrando a certeza, em função da história da empresa e do que já vinha realizando em Angra, do grandioso futuro, do pleno êxito do Estaleiro no litoral fluminense em benefício da indústria naval brasileira. Câmara Torres leu, ainda, a gentil carta pessoal, de reconhecimento e agradecimento, do Presidente do Grupo, Doutor Cornelius Verolme, ao seu trabalho político-parlamentar de confiança e apoio. Por fim, Câmara Torres enalteceu a figura ínclita e competentíssima do Almirante Arthur Oscar Saldanha da Gama, “com longa e brilhante folha de serviços prestados à nossa Marinha de Guerra e à Petrobrás, de onde se afastou para se entregar de corpo e alma ao trabalho de secunda a ação dos técnicos holandeses”.
  • A 9.5.1961, o Deputado Câmara Torres, juntamente com o Doutor Derly Ellena, ex-Prefeito e ex-Vereador de Paraty, , no Palácio do Ingá, para tratar dos problemas da saúde pública que afligem as cofoi recebido pelo Governador Celso Peçanhamunidades do Município. À saída, Derly Ellena informou à Imprensa que, durante o encontro, enalteceu a obra do Governador em favor de Paraty, e reafirmou o compromisso do Povo paratyense em apoiá-lo nas próximas eleições ao Senado de República.
  • A 5 de junho de 1961, o Presidente do PSP de Angra dos Reis, Câmara Torres, assina e distribui Manifesto sob o título O P.S.P. AO POVO, onde comunica à população os passos do Partido daquela data em diante: o firme propósito de lançar o Governador Celso Peçanha ao Senado; a realização da Convenção Municipal com a indicação de Heitor Chagas da Rocha à Prefeitura, presente o Senador Miguel Couto Filho; a formação da maioria pessepista na Câmara Municipal com o ingresso em suas fileiras de quatro vereadores de outras legendas; aumentar o número de filiados ao Diretório do município; o cumprimento dos compromissos do Governador de atender diversas demandas necessárias ao desenvolvimento de Angra; e a constatação de que o PSP já era “a mais poderosa corrente de opinião política em nossa terra”, rumo às eleições de 1962.


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Com a liderança do Deputado Câmara Torres,
o PSP de Angra dos Reis se fortalece política e eleitoralmente,
e se compromete em apoiar o Governador Celso Peçanha
para o Senado em troca do desenvolvimento do Município.
(Acervo Marcelo Câmara)
  • A 14 de julho de 1961, o Governador Celso Peçanha sanciona lei prorrogando por noventa dias o prazo de validade do último concurso para Promotor da Justiça Estadual. A lei deriva de Projeto aprovado, vindo do Legislativo, de autoria do Deputado Câmara Torres.
  • A 22.6.1961, o Deputado Câmara Torres completava 44 anos de idade em Rio Claro, RJ, um dos municípios que representava na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Uma vasta programação de eventos homenagearam o homem público e sua família, a partir das dez horas da manhã até a noite daquele dia, culminando com um banquete no Hotel Fazenda da Grama, onde deputados estaduais, prefeitos e vereadores de vários municípios do Sul Fluminense, amigos e admiradores, convidados de todo o Estado, foram abraçar o político, advogado e educador, em lauta recepção pelo casal Severino e Thereza Campos de Oliveira, proprietários da fazenda. À tarde, os estudante do Grupo Escolar Fagundes Varela e do Ginásio Rio Claro recepcionaram o aniversariante e sua família, bem como os convidados. Em seguida Missa Solene na Igreja-Matriz de Nossa Senhora da Piedade. No início da noite, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Rio Claro, o aniversariante recebeu das mãos do seu Presidente, Vereador João Sales, o Título de Cidadão Rio-Clarense, concedido por unanimidade por aquela Casa Legislativa. E Recepção no Clube Lítero-Esportivo Fagundes Varela. 

Câmara Torres recebe o Título de Cidadão Rio-Clarense
do Presidente da Câmara Municipal, Vereador João Sales.
(Acervo Marcelo Câmara)

Meses antes, a edição de 7.12.1960 do jornal carioca Última Hora noticiava a decisão unânime da Câmara, e referindo-se ao agraciado, insistia, como quase toda a Imprensa, que “o Deputado pessepista estava de malas prontas para o PTB, dependendo do Diretório de Angra dos Reis, que está nas mãos do Deputado Jonas Bahiense, o qual deverá deixar aquele cargo proximamente”. Estiveram presentes às solenidades, representando o Governador Celso Peçanha, o Chefe do Gabinete Civil, Deputado José Maria Ribeiro; os seus colegas, deputados Nicanor Campanário, Durval Gonçalves, Ordener Veloso, Luiz Braz, Álvaro Fernandes, Aécio Nanci, Heleno Nunes e Waldir Medeiros; os jornalistas João Baptista da Costa e Cardim Gonçalves; além de diversas autoridades municipais e estaduais. No jantar na Fazenda da Grama, o anfitrião, Severino Campos de Oliveira, fez a principal saudação a Câmara Torres, seguida de manifestações de deputados, prefeitos e vereadores, com destaque para a fala do ex-prefeito de Paraty, Antônio Núbile França, que emocionou a todos pelas suas virtudes de orador consagrado na Região. Entre os convidados, muitos empresários e sindicalistas, entre eles, o casal Henrique Neves, proprietário da Fonte N. Sra. das Graças, da Indústria de Água Mineral Passa Três, em Rio Claro, próxima à Fazenda da Grama.



  • A 27.6.1961, na reunião do Diretório Estadual do PSP, o Deputado Câmara Torres, bem como o Senador Miguel Couto Filho e outros Parlamentares da legenda, homenagearam o excelente trabalho do Doutor Camilo Silva, membro daquele Diretório, como Presidente do Instituto de Previdência Social – IPS. Além da lhaneza com que atendia a todos que o procuravam, a correção e modernização administrativa com as quais conduzia a instituição, Camilo Silva vinha dando notáveis impulsos, em presteza e efetividade, nos serviços de atendimento às demandas sociais dos servidores públicos do Estado do Rio de Janeiro.
  • A 27 de junho de 1961, é um dos signatários da Moção de Congratulações aos Senhores Governador do Estado do Rio de Janeiro e ao seu Secretário de Educação e Cultura pela atuação proveitosa e eficiente da Técnica de Ensino, Margarida Fialho Thompson Leite, Chefe da Inspetoria da 4ª Região Escolar do Estado.
  • Em junho de 1961, o Deputado Câmara Torres, em Sessão na Assembleia Legislativa, apoia integralmente, juntamente com outros Parlamentares, as denúncias feitas pelo Deputado Adolfo de Oliveira contra as ilegalidades, arbitrariedades e abusos de autoridade cometidos pelas Polícias Civil e Militar do Estado da Guanabara no território do Estado do Rio de Janeiro. Os Deputados solicitaram à Mesa que oficie ao Governador Carlos Lacerda relatando os gravíssimos casos e solicitando explicações e providências.
  • A 2.7.1961, o Diretório Municipal de Angra dos Reis do PSP, sob a presidência do Deputado Câmara Torres, se reuniu para escolha dos candidatos a Prefeito e a Vereadores do Município. Deputados pessepistas na Assembleia Legislativa, convidados para o evento, compareceram para prestigiar Câmara Torres e o Partido. Foi indicado para Prefeito o Sr. Heitor Chagas da Rocha, o Rochinha, que venceu as eleições no ano seguinte.
  • A 28.7.1961, o Deputado Estadual Câmara Torres organiza, em Angra dos Reis, uma Audiência Pública do Governador Celso Peçanha às lideranças políticas, comunitárias, sindicais, empresariais  e o Povo em geral do Município, quando ouve as demandas e atende várias reivindicações encaminhadas pelo Parlamentar representante da Terra de Raul Pompeia. A principal solicitação foi a pavimentação asfáltica da Rodovia que liga Angra à Getulândia, Distrito de Rio Claro, em ponto da antiga Rodovia Rio-São Paulo, prometendo o Chefe do Executivo o início imediato das obras. O Governador autorizou as seguintes ações em favor do desenvolvimento de Angra dos Reis: auxílio financeiro para a construção do Abrigo das Irmãs; no Grupo Escolar Lopes Trovão, instalação de gabinete dentário; promessa de construção de um Ginásio Estadual; fornecimento de material escolar e recursos financeiros para a merenda escolar. Promoveu, ainda, os seguintes atos: concedeu auxílio à Santa Casa de Misericórdia; doação de um caminhão para Associação Rural de Angra dos Reis; ordenou serviços de reparos ao gerador de energia elétrica que atende ao município; obras de dragagem do cais da cidade; criação de mais um posto médico; verba para a construção de um estádio desportivo; mais uma lancha de transporte de passageiros para o Serviço de Navegação Sul Fluminense que atendia à população da Baía da Ilha Grande; designação de uma professora, fornecimento de vacina Salk e subsídio para as atividades sociais do Sindicato dos Arrumadores de Angra dos Reis; abono salarial e salário-família para os funcionários do Porto de Angra dos Reis; ao Secretário do Trabalho determinou estudos visando a concessão de abono de insalubridade aos portuários.

O Governador Celso Peçanha, ao centro de terno escuro,
conversa com alunos do Grupo Escolar Lopes Trovão, em Angra dos Reis.
À esq., o empresário Eduardo Rabha* e à dir. o Deputado Câmara Torres. 
(Acervo Marcelo Câmara)

(*) Eduardo Rabha, nascido em 1913, nos deixou aos cem anos, um dos patriarcas de uma Família de gente honesta, trabalhadora, que participou, e participa, com destaque, da vida social,econômica, política e cultural do Município, Imigrantes de todos os continentes chegaram a Angra na passagem dos Séculos XIX e XX - famílias árabes e europeias, (italianas, portuguesas, espanholas, ingleses, eslavas) que foram fundamentais para a formação dos alicerces urbanos e o desenvolvimento econômico, social, político, educacional e cultural do Município; A Família Rabha, por exemplo, ao lado de outras famílias libanesas, como os Elias, Salomão, Daher, Assad, Henne. Miguel, Kapaz, bem como as gregas Koracakis e Alexiou, apenas para citar algumas, se tornaram grandes empreendedoras, constituíram pequenos negócios que se expandiram, se firmaram em empresas sólidas, especialmente nos setores do Comércio, Indústria, Serviços, das Profissões Liberais, Construção Civil, Transportes, Magistério,  Mercado Imobiliário, Produção Cultural, Artes, e em ações de Assistência Social e Filantropia.. 


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Jorge Elias Miguel (1920-2008), libanês naturalizado brasileiro, chegou a Angra em 1924.
 Trabalhou muito e, nas décadas de 1950 e 1960, era o comerciante mais próspero do Município.
Atuou em vários ramos, gerou centenas de empregos, participou, ativamente, do desenvolvimento
 socioeconômico do Município e da vida angrense em todos os setores
Foi uma das personalidades de destaque da Assistência Médica, Social e da Filantropia da cidade.
Foi Provedor, por muitos anos da Santa Casa, Hospital e Maternidade Codrato de Vilhena,
liderou e participou de inúmeras ações comunitárias de atendimento às camadas mais pobres 
e comunidades mais carentes.  Ele, bem como seus irmãos e membros da Família Elias,
são exemplos de honradez, trabalho e amor à Angra dos Reis, onde, no centro da cidade,
uma escultura, de corpo inteiro, homenageia a memória do querido Jorge Elias.
Todas essas famílias imigrantes angrenses mantiveram, sempre, excelentes relações
de amizade e afeto com o educador, advogado e político Câmara Torres,
independentemente de serem ou não seus eleitores.
(Foto: Francinete Fróes/site da PMAR - Acervo Marcelo Câmara)

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Grande parte dos descendentes desses imigrantes, brasileiros, angrenses natos ou adotivos (Eduardo Rabha, por ex. nascido no Rio de Janeiro, antigo Distrito Federal, a Angra recém-nascido), se ergueram como importantes líderes empresariais, comunitários e políticos, alguns chegando a ocupar cargos de relevo na vida política local e regional, a se elegerem Prefeitos e Vice-Prefeitos do Município, compuseram a Câmara Municipal de Vereadores e comandaram agremiações político-partidárias. Somente a Família Salomão deu ao Município dois Prefeitos: Salomão Pedro Reseck (1955-1958) e seu filho, José Luiz Ribeiro Reseck (1986-1988), este o primeiro Prefeito eleito pelo voto popular, após dezoito anos de regime militar, com o retorno das eleições diretas no Município. A grande família japonesa Nagae, que se fixou na Ilha Grande e na Ilha da Gipóia, no início do Século XX, se dedicando, principalmente, à industrialização da sardinha, teve, também, proeminência política, elegendo um de seus membros, no final da década de 1980, Neirobis Nagae, Prefeito de Angra dos Reis. 

  • A 11.8.1961, em consequência da ação e entendimentos do Deputado Câmara Torres com o Governador Celso Peçanha, a Presidente da Legião Brasileira de Assistência – LBA no Estado do Rio, Primeira Dama, Profa. Hilka de Araújo Peçanha, autorizou a assinatura de convênio para a reabertura da Maternidade de Santa Casa de Misericórdia de Paraty, concedidos recursos financeiros e materiais para o atendimento de centenas de gestantes do município. No encontro do Deputado Câmara Torres, acompanhado do médico Doutor Derly Ellena de Paraty, com o Secretário Estadual de Saúde, Nelson Rocha, foram tratados assuntos da saúde pública no Município, bem como ficou estabelecida a duplicação da cota de medicamentos e de leite em pó para o Posto de Saúde.
  • A 4.9.1961, o Deputado Câmara Torres foi o Autor do Parecer favorável da Comissão de Constituição Interior e Justiça da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro à Mensagem 22/61, do Governador do Estado, que criou o Fundo Estadual de Cultura Musical, aprovado no Colegiado.
  • A 4.10.1961, o Deputado Câmara Torres apresenta à Assembleia Legislativa, Projeto de Lei que permitia que o Departamento do Patrimônio do Estado do Rio de Janeiro autorizasse aos lavradores, ocupantes de terras devolutas ou próprias do Estado, mediante inscrição prévia nesse órgão, a contraírem pequenos empréstimos agrícolas ou pecuários para sustentar as suas atividades, junto ao Banco do Brasil ou ao Banco do Estado, na forma dos seus respectivos regulamentos. A Proposição visava estimular a produção agropecuária, a geração de renda das famílias e a fixação do homem no campo
  • A 4.10.1961, o Deputado Câmara Torres apresenta Projeto de Lei considerando de Utilidade Pública a Província Carmelitana Fluminense, com sede no então Estado da Guanabara e obras sociais e religiosas nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Minas Gerais. A Proposição foi transformado em Lei.
  • A 4.10.1961, o Deputado Câmara Torres apresenta à Assembleia Legislativa Projeto de Lei que revoga o Artigo 3º da Lei 4.627, de 19.5.61, que consolida jurisprudência , segundo a qual o Poder Público não pode desapropriar bens em favor de terceiros, especialmente em favor de entidades civis. O objetivo principal do Parlamentar era preservar o Aero Club do Estado do Rio de Janeiro, que poderia sobreviver, sendo instalado na área desapropriada mediante convênio entre a entidade e o Governo do Estado.
  • A 4.10.1961, o Deputado Câmara Torres apresenta à Assembleia Legislativa o Projeto de Lei nº 161/1961 que fixa o número de Vereadores às Câmaras Municipais de Angra dos Reis e Paraty em 13 e 9 respectivamente, com base nos critérios populacionais, estabelecidos na Lei 109, de 16.2.1948, então em vigor. A Proposição foi transformada em Lei e esta, cumprida.
  • A 21.10.de 1961, o Deputado Câmara Torres apoiou a Moção de Congratulações, sendo um dos signatários, proposta de autoria do Deputado Carlos Quintela, e aprovada pela Assembleia Legislativa, pelo aniversário do Sr. Paulo Araújo, Presidente da UDN fluminense.
  • A 24.10.1961, o Deputado Câmara Torres defendeu, na Tribuna da Assembleia Legislativa, com veemência e sólida argumentação histórica e jurídica, a manutenção de mais de uma dezena de Comarcas de Municípios fluminenses, especialmente, as de Rio Claro, Mangaratiba e Duas Barras. Um anteprojeto de Reforma Judiciária, elaborada pelo Poder Judiciário, que ainda não havia chegado à Assembleia, pretendia a extinção de diversas Comarcas. O Parlamentar provou a viabilidade e imprescindibilidade das Comarcas, consentâneas com o desenvolvimento socioeconômico dos respectivos municípios e com a demanda forense que as exigiam. Finalizou asseverando que defenderia, com toda a sua energia, as citadas Comarcas. Foi acompanhado de manifestações de solidariedade e apoio pelos deputados Aécio Nanci, Walter Orlandini e Morais Dias.
  • A 26.10.1961, o Deputado Câmara Torres comunicou aos seus pares, na Assembleia Legislativa, que no dia seguinte, 27, os Estaleiros Verolme, em Angra dos Reis, lançaria ao mar o navio Henrique Lage, o primeiro de 15 mil toneladas construído na América do Sul. À solenidade, irá comparecer o Governador Celso Peçanha. O Deputado apresentou e aprovou Moção de Congratulações à empresa de construção naval e solicitou ao Presidente Adolfo de Oliveira que designasse uma Comissão que representasse o Poder Legislativo na cerimônia. Atendido, foram designados, além do próprio Câmara Torres e o Presidente Adolfo de Oliveira, os Deputados Freire de Morais, Nicanor Campanário, Câmara Pinto e Antonio Curvelo Benjamin.
  • A 6 de novembro de 1961, o Deputado Câmara Torres foi recebido em audiência pelo Governador Celso Peçanha, quando tratou de demandas dos Municípios e do Povo do Extremo Sul Fluminense.
  • A 14.11.1961, o Deputado Câmara Torres apoiou e votou pela aprovação do Substituto da Comissão de Finanças, que concedeu aumento ao funcionalismo, reestruturou as carreiras de nível universitário, ao tempo que elevou o Imposto de Vendas e Consignações. A aprovação suspendeu as greves do pessoal universitário, que estavam deflagradas em todo o Estado. As professoras primárias e “o pessoal de obras” permaneceram insatisfeitos pois a melhoria nos seus proventos foi pequena. A Sessão na Assembleia Legislativa durou quatorze horas, iniciando-se às 14h do dia 13 e encerrando-se na madrugada de 14. Os novos salários passaram a vigir a 1º de janeiro de 1962. As emendas de Câmara Torres objetivando que beneficiavam o professor primário não foram aceitas pelo Relator.
  • A 20.11.1961, o Deputado Câmara Torres, foi recebido pelo Governador Celso Peçanha, em audiência no Palácio do Ingá. Na pauta: demandas das populações de Angra dos Reis, Paraty, Rio Claro e Mangaratiba.
  • No final de novembro de 1961, o Deputado Câmara Torres denuncia, através dos jornais e das estações de rádio, a firma paulista Cia. Madeirense de São Paulo, que invade terras públicas estaduais (devolutas) e destrói florestas em Paraty, RJ, ricas regiões de fauna e flora. A empresa adquiriu alguns alqueires de terra ao sul do Município, desertificou-as, retirando toda a madeira, e, se apossa de quinhentos alqueires de terras públicas, devastando, retirando toda a madeira da Mata Atlântica. “A madeireira é insaciável, age fora da lei, nada respeita, comete crimes hediondos contra Paraty, o meio-ambiente, o Estado do Rio, que tem no Município uma das mais ricas reservas florestais”. O fiscal do Patrimônio do Estado em Paraty se diz “impotente”, nada podendo fazer, sem pessoal e sem recursos, para anular a sanha devastadora da Companhia. Câmara Torres afirma que “a ação destruidora da Cia. Madeirense precisa ser refreada imediatamente, sob pena de surgiram novos e verdadeiros desertos em Paraty”. O Parlamentar chama a Companhia de “autêntica pirata das florestas” e exige, de imediato, “que o Governo do Estado a responsabilize criminalmente por invasão de terras e destruição das matas de Paraty". Na Assembleia Legislativa, Câmara Torres reiterou suas denúncias que repercutiu no Legislativo e em todo o Estado, recebendo o apoio dos Deputados Dayl de Almeida (PDC) e Palmir Silva (PTB). Câmara Torres e seus colegas solicitaram ao Presidente Carvalho Janotti que oficiasse, com urgência, ao Governador Celso Peçanha solicitando providências contra a empresa criminosa.
  • A 7.12.1961, o Deputado Câmara Torres, em nova audiência com o Governador, quando tratou especialmente dos temas e problemas da Educação, comunicou ao Chefe do Executivo, que estavam em pleno funcionamento as obras do Estado reivindicadas por ele para Angra dos Reis e Paraty. Informou, ainda, que dez escolas, estaduais e municipais, estas que recebiam ajuda do Estado, “estavam sendo completamente remodeladas.
  • Na noite de 30.12.1961, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Paraty, o Deputado Câmara Torres foi o Patrono da Turma de concluintes do Ginásio Paratiense daquele ano.
  Ano de 1962
  • No início de 1962, como faz todos os anos, o Deputado Câmara Torres obtém do Governo do Estado do Rio de Janeiro, centenas de bolsas de estudo para os estudantes carentes, desejosos em prosseguiram seus estudos nos ginásios e cursos de segundo grau particulares, de municípios do Extremo Sul e de outras regiões fluminenses.
  • A 6 de janeiro de 1962, o Deputado Câmara Torres exibia à Imprensa uma relação de 36 processos de subvenções e auxílios do Orçamento Estadual para Angra dos Reis e Paraty, cujos pagamentos estava obtendo junto à Secretaria de Finanças.
  • A 19.1.1962, é um dos signatários de Moção de Aplauso e Louvor da Assembleia Legislativa ao Governo Celso Peçanha.
  • A 23.1.1962, em Sessão Plenária da Assembleia Legislativa, o Deputado Câmara Torres criticou severamente o Departamento Nacional dos Correios e Telégrafos em retardar, indefinida e injustificadamente, a mudança da sua Agência em Angra dos Reis, de um sobrado colonial em ruínas para um prédio novo construído para abrigar os seus serviços. E, também, denunciou a insensatez de da Direção dos Correios de  transformar as cinquentenárias Agências de Mambucaba, em Angra dos Reis, e Getulândia, em Rio Claro, em simples postos de vendas de selo, quando a demanda das unidades justifica o status administrativo de ambas. O Parlamentar encerrou com ironia o seu discurso: “Isto é Brasil, Senhores Deputados...” A imprensa repercutiu a denúncia do Deputado.
  • Em janeiro de 1962, o Deputado Câmara Torres, a pedido do Dr. Derly Ellena, médico e vereador em Paraty, faz com que a Secretaria Estadual de Saúde, envie, em caráter de urgência, vacinas contra a poliomielite para ser aplicada em toda a população, depois que um caso da doença é registrado no Município.
  • Em fins de janeiro de 1962, o Deputado Câmara Torres vai a Paraty para, com o Juiz de Direito da Comarca, resolver grave incidente envolvendo a Delegacia de Polícia da cidade e atitudes desarrazoadas, ilegais e truculentas de um advogado que atua no Município.
  • Em janeiro de 1962, o Deputado Câmara Torres obteve do Governador Celso Peçanha o compromisso de resolver, definitivamente, a deficiência de geração e distribuição de energia elétrica para o Município de Angra dos Reis, através da Comissão Estadual de Energia Elétrica, com o aumento do número de geradores termoelétricos a serem instalados e colocados em funcionamento. E assim foi feito.
  • A 3.2.1962, o Deputado Câmara Torres, a convite do Sindicato dos Professores de Niterói e São Gonçalo, participa, após uma Feijoada, no Estádio Caio Martins, da inauguração da sede própria da entidade no Centro da Cidade, da Diplomação de Autoridades que contribuíram para que a sede fosse adquirida e da entrega do Certificado de Conclusão do Curso Dinâmica da Alfabetização, seguido de coquetel. Na oportunidade, Câmara Torres recebeu o Título de Sócio Benemérito do Sindicato.
  • Na Sessão de 8.2.1962, da Assembleia Legislativa, o Deputado Câmara Torres, criticou, com gravidade, a precariedade dos serviços da Cia. Telefônica Brasileira – CTB, em Angra dos Reis, para onde, e de onde, somente depois de doze horas se consegue uma ligação. Argumentou que nos últimos anos, o número de ligações interurbanas saltou de 5 mil para 30 mil mensais, “o que já justificaria plenamente a melhoria substancial dos serviços da CTB no Município”. O Parlamentar pediu, ainda, o aumento de mais trezentos aparelhos para a rede urbana e a instalação de postos telefônicos na Serra D’Água, no Iate Clube Angra dos Reis e no Aeroporto da Japuíba.
  • A 12.2.1962, o PSP, em reunião da sua bancada na Assembleia Legislativa, encontro presidido pelo Senador Miguel Couto Filho, presente o Deputado Câmara Torres, rompeu com o Governo Celso Peçanha (PSD). Em nota, o Partido informou que “a agremiação passará a manter atitude de independência frente ao Executivo, examinando cada problema conforme as circunstâncias e restringindo seu apoio somente a medidas de interesse público que dependam da colaboração do Legislativo”. Decidiu-se, ainda, recomendar “a elaboração de um programa de ação política, social e administrativa conveniente aos anseios do povo fluminense”. Em consequência, o Deputado pessepista Ordener Veloso, que ocupava a Vice-Liderança do Governo na Assembleia, renunciou e outros membros do PSP que ocupavam posições no Governo, inclusive os Deputados José Maria Ribeiro, Jorge Bedran e Barcelos Martins, colocaram seus cargos à disposição, bem como os Srs. Camilo Silva e Raul de Oliveira Rodrigues Filho.
  • A 13.2.1962, a Direção do PSP fluminense se reuniu com a bancada do Partido, incluindo o Deputado Câmara Torres, para discutir e deliberar quais os projetos em andamento na Assembleia receberiam apoio. Decidiu-se que as proposições só receberiam os votos do PSP, se sofressem alterações em sua forma original, entre elas o Código do Ministério Público, do qual deve ser retirado do texto o dispositivo que criava 27 cargos de Defensor Público. Para os pessepistas, o assunto devia ser objeto de projeto em separado.
  • A 15 de março de 1962, ao final da eleição para a Mesa da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, no último ano da Legislatura 1959-1962, houve uma suspeita de fraude na contagem dos votos para a Presidência da Casa, eclodindo um séria divergência e conflito entre os Parlamentares, uma grave crise na Política fluminense. Um jornal carioca estampou “Escândalo sensacional na eleição da mesa da Assembleia do E. do Rio”. Celso Peçanha era o Governador. Anunciado o resultado, foi proclamado vencedor o Deputado Carvalho Janotti, do PSD, com 42 votos, contra 12 votos dados ao Deputado José Kezen, também do PSD. Entretanto, trinta e três Deputados declararam que votaram em José Kezen. Se a Assembleia possuía cinquenta e quatro cadeiras, como Janotti obteve a maioria dos votos? Deu-se o impasse, o conflito. Os situacionistas deixaram o Plenário.
Os Deputados que divergiram do resultado entregaram à Mesa dos Trabalhos o seguinte documento de impugnação curto e direto:

Impugnamos a Ata, negando-lhe aprovação, porque o resultado da eleição para a Mesa da Assembleia Legislativa, nela consignado, não exprime a veracidade da votação. Em consequência, consideramos sem efeito a proclamação e posse dos que foram indicados como eleitos, devendo, imediatamente, nesta própria reunião, ser realizada nova eleição, pois os signatários representam a maioria absoluta dos Deputados.”

Vinte e nove Deputados assinam a Impugnação. Ladino, Janotti recebe e qualifica o documento como “Requerimento”. Os aliados de José Kezen não aceitaram o resultado, a eleição de Janotti, e 26 deles rumam ao Palácio do Ingá a fim de comunicarem “a fraude” do Governador Celso Peçanha, que mesmo apresentando “tranquilidade”, se confessou “surpreso”, dizendo que esperava “a vitória de Kezen”

A 17 de março, manifestam a decisão de formar uma nova Assembleia sob a Presidência de Kezen. O Governador se encontra com Janotti a 19 e pede para que este renuncie e nova eleição seja realizada. Janotti considera o apelo uma “confissão de fraude”. Os Parlamentares inconformados insistem no desejo de instalar uma dualidade legislativa, uma segunda Casa Legislativa, “enquanto a Justiça não se manifeste”. E decidiram: 1º) recorrer ao Judiciário contra a eleição; 2º) recusar quórum à Assembleia presidida por Janotti

Todos os quinze Parlamentares do PSD de Janotti, com exceção dele próprio, rumaram para a “Assembleia 2”, inclusive o Líder Hamilton Xavier. Antes, a 15 de março, os Deputados que votaram contra Janotti haviam lançado o seguinte Manifesto:

“Os abaixo-assinados, Deputados à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, declaram, para todos os efeitos, que votaram na chapa encabeçada pelo Deputado José Kezen para a Presidência da referida Assembleia Legislativa. Ass. Sávio Gama, Bernardo Benfeito, Jaime Bittencourt, José Salli, Durval Gonçalves, Câmara Torres, Teixeira Campos, Domingos Correia, Zulmar Batista, Murilo Cabral, Geraldo Dibiase, Heleno Nunes, Hamilton Xavier, Álvaro Fernandes, José Adad, João da Silveira, Altineu Côrtes, Daso Coimbra, Walter Orlandini, Jorge Bedran, Oscar Fonseca, José Kezen, Ari Squiavo, Padre Pedron, Luiz Braz, Altair Lima, Rubens Ferraz, Antônio Benjamin, Benjamim Ielpo, Foão Fernandes, Zeir Porto, Neselino Batista e Simão Mansur.”

A Mesa presidida por José de Carvalho Janotti tinha Sá Rego como Primeiro Vice-Presidente; Edésio da Cruz Nunes como Segundo Vice; Nicanor Campanário como Terceiro; Barcellos Martins como Primeiro Secretário; Waldyr Medeiros como Segundo Secretário; Lucas de Andrade Figueira, como Terceiro Secretário. Primeiro, Segundo e Terceiro Suplentes: Tito Nunes, João Fernandes e Mendonça Thurler – respectivamente

A 19 de março, o Ministro da Justiça Alfredo Nasser, provocado por Janotti que ameaça pedir Intervenção Federal, vem a Niterói, se reúne, no Palácio do Ingá, com os Deputados do Governo e da Oposição. Porém, não se chega a qualquer solução. Apenas a promessa mútua de uma trégua de 24 horas. No dia seguinte, 20 de março, os dissidentes instalam a “Assembleia 2” no Salão da Academia Fluminense de Letras, no prédio do Arquivo Público Estadual, do outro lado da Praça da República, em frente ao palácio legislativo.

O Deputado Câmara Torres passou a integrar a Assembleia 2 (“Assembleia da Legalidade”), aliada ao Governador Celso Peçanha. 
 
A 20 de março, o Deputado Câmara Torres (PSP) secretariou, ao lado do colega Jayme Bittencourt (PTB), sob a Presidência do Deputado José Sally (PSD), a Reunião de instalação e eleição do Presidente da Assembleia 2, que elegeu e confirmou, formalmente, o Deputado José Kezen (PSD), como Presidente do Poder Legislativo.



Cinco dias após a eleição de Janotti considerada “fraudulenta”
pelos Deputados situacionistas, foi instalada a “Assembleia 2”
 com a maioria dos 52 deputados, que funcionando no Salão
da Academia Fluminense de Letras – AFL, no prédio do Arquivo Público,
não deu quórum para o funcionamento da "Assembleia 1", que ficou um mês
sem funcionar. Na foto, o Deputado Câmara Torres (no fundo, à esq., de terno claro)
secretaria a Sessão de instalação da Assembleia dissidente e a eleição de José Kezen.
(Foto Jornal do Brasil – Acervo Marcelo Câmara)

Janotti, frente à resistência e ao determinismo dos dissidentes, que eram maioria, alega que eles renunciaram aos mandatos e convoca os suplentes. Um mandado de segurança faz Janotti mudar, parcialmente, de posição: considera os dissidentes licenciados para tratarem de assuntos particulares, convoca os suplentes, porém não se atreve a convocar qualquer sessão

Este "cisma", que dividiu o Poder Legislativo fluminense, criou uma grave crise no limiar de uma Intervenção Federal. Dias depois, a "Assembleia 2", de Kezen, contava com 34 Deputados (um a mais quando da cisão) contra 20 da “Assembleia 1”, de Janotti, que não conseguia reunir a “Assembleia 1”, por falta de quórum. Deflagrou-se uma renhida luta política entre o Governador Celso Peçanha e o Deputado Carvalho Janotti, seu virtual sucessor no Governo do Estado, em função do afastamento legal, compulsório, de Celso para concorrer ao Senado, que ocasionou reuniões dos três Poderes estaduais, bem como a mediação do Presidente do PSD fluminense, Deputado Federal Amaral Peixoto, que, após reuniões com ambos as partes e a intransigência de Janotti em não renunciar, abandonou as negociações.

Surge uma fórmula conciliatória, tudo para evitar que a crise se aprofunde e advenha uma Intervenção Federal: uma Reforma Constitucional afastaria Janotti e Kezen da disputa e os dois colegiados, o oficial e o divergente, reunidos, elegeriam o Deputado Teotônio Araújo, então ocupando a Secretaria Estadual de Agricultura. A ideia foi aceita pelo Governador, pelos dissidentes e agradou, também, o Presidente da República João Goulart. Celso leva a proposta pessoalmente a Janotti, em Petrópolis. Janotti a rejeita, não desiste da Presidência da Assembleia.



20.3.1962, Câmara Torres (PSP), o quarto da esq. p/ dir., logo após ter
secretariado a instalação da "Assembleia 2", dos "dissidentes",
no Salão da Academia Fluminense de Letras. À sua esq. está 
o Deputado Sávio Gama (PSD) e, em primeiro plano, com a mão no rosto,
o candidato à Presidência da Casa mais votado,
que teve a eleição "fraudada", o Deputado José Kezen (PSD).
(Acervo Marcelo Câmara)
O Presidente João Goulart, avesso à Intervenção, manda, novamente, o seu Ministro da Justiça a Niterói, a fim de tentar a reunificação dos dois colegiados dentro de 48 horas, enquanto o Projeto de Emenda Constitucional é apresentado a 28 de março na “Assembleia 2”. No dia seguinte, o Ministro Alfredo Nasser se reúne com dois Parlamentares de cada Assembleia, na tentativa de um diálogo produtivo e consequente. Mas não há avanço.

A 7 de abril, três deputados aliados a Janotti levam relatório circunstanciado ao Ministro Nasser solicitando a Intervenção Federal no Estado. O Ministro nada decide e concede novo prazo de 48 horas para a solução da crise. Esgotado o prazo, o Governo Federal interviria. O Governador reconhecia essa “situação anômala” e suspendeu a sanção dos atos emanados das duas Assembleias. Cinco dias depois, os Deputados chegam a um acordo e Janotti transige em parte. Este renuncia e, em seguida, é reeleito, e a Assembleia, única, unida, aprova a Emenda Constitucional nº 12, que elegeria José Kezen Vice-Governador

A 16 de abril, as duas Assembleias se reúnem cordial e festivamente, Janotti renuncia e é eleito Presidente em novo pleito. O Ministro Alfredo Nasser recebe o título de Cidadão Fluminense. No dia seguinte a Emenda Constitucional nº 12 é aprovada. E, a 18, Kezen é eleito Vice-Governador por com 39 dos 48 votos, e toma posse imediatamente. Iniciada a suposta pacificação, o Deputado Nicanor Campanário pesquisa e encontra uma decisão do Supremo Tribunal Federal – STF que anula Emenda Constitucional semelhante, do Estado do Rio Grande do Sul. A 27 de abril é protocolado o Recurso de Campanário no STF, que questiona a constitucionalidade da Emenda 12. De 8 a 10 de junho, Celso Peçanha participa de uma conferência de governadores em Minas Gerais, e Kezen, sob a égide da referida Emenda, assume e governa por dois dias. A 5 de julho, Celso Peçanha se desincompatibiliza para concorrer ao Senado, e, no mesmo dia, o STF decide pela inconstitucionalidade da Emenda que autorizada a eleição do Vice-Governador, com base em parecer do Procurador Geral da República, Evandro Lins e Silva. Relata a matéria o Ministro Ari Franco, que concede liminar ao reclamante e o Governador Celso Peçanha recebe ofício, comunicando que ele deve ser substituído pelo Presidente da Assembleia Legislativa, José de Carvalho Janotti, que é empossado a 6 de julho.

No dia 20 de julho, o Plenário do Supremo derruba, no mérito, a Emenda 12, por 6 votos contra 5. Porém a novela não havia acabado. No Acórdão do STF, um novo Governador deveria ser eleito sob a regência da Constituição de 1947. E não poderia ser Janotti nem Kezen, ambos incompatibilizados. Mas, a Emenda Constitucional nº 9, de 1958, que alterou a Carta Magna, garantia a posse do Presidente da Assembleia no impedimento do Governador sem Vice. O argumento de Janotti: a anulação da Emenda 12, favorável a Kezen, não revogava a Emenda nº 9, de 1958. Resultado: Janotti agravou, substituiu Celso Peçanha, governou até janeiro do ano seguinte, quando assumiu o cargo de Ministro (hoje Conselheiro) do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. Kezen, em seguida, também, impetrou Agravo de Instrumento, mas ele foi pautado para uma data na qual o período do Governo Celso Peçanha já havia expirado. 

  • A 7.4.1962, o Deputado Câmara Torres participa de um jantar festivo, no Palácio Itaboraí, em Petrópolis, oferecido pelo Governador Celso Peçanha e Sra., Profa. Hilka de Araújo Peçanha, aos Bacharelandos de 1943 da Faculdade de Direito de Niterói, turma da qual o Chefe do Executivo e o Parlamentar integravam. Além de Câmara Torres, formaram Comissão Organizadora do evento e estiveram presentes à confraternização, os Deputados Estaduais Dayl de Almeida, Wilson Peçanha Frederici, Messias Morais Teixeira e Paulo Couto Pfeil, e o Procurador do Estado Marshall Torres de Lacerda, todos colegas da Turma que se bacharelou na Faculdade de Direito de Niterói em dezembro de 1943, e, que continuavam amigos próximos.
  • Numa sexta-feira, 27.4.1962, o Deputado Câmara Torres entregou ao Presidente da Assembleia Legislativa, Carvalho Janotti, Mensagem do Governador Celso Peçanha propondo a abertura de crédito de 60 milhões de cruzeiros, destinados à aquisição de duas embarcações para o Serviço de Navegação Sul Fluminense - SNSF, que faz o transporte de passageiros e de carga na Baía da Ilha Grande, entre os Municípios de Mangaratiba, Angra dos Reis e Paraty. O crédito foi obtido graças à ação do Deputado junto ao Governo do Estado. As embarcações seriam m construídas pelo Estaleiro São José e teriam capacidade, cada uma, para receber 230 passageiros sentados. A pedido de Câmara Torres, a Mensagem foi incluída na Ordem do Dia da segunda-feira, 30 de abril, discutida e aprovada. Entretanto, apesar do empenho de Câmara Torres, não há registro se as embarcações foram construídas e entregues ao SNSF, em virtude da turbulência e insegurança que estavam instaladas na Política fluminense, com a crise do Legislativo que gerou duas Assembleias. E, no horizonte, a saída de Celso Peçanha do Governo, desincompatibilizando-se para se candidatar ao Senado e as eleições estaduais de outubro, que deu a vitória a Badger Silveira, do PTB, para Chefia do Executivo fluminense.
  • Em abril de 1962, o Deputado Câmara Torres, atendendo a pleito do Despachante Aduaneiro de Angra dos Reis, Camerino Telles de Souza, atua junto ao Governo do Estado em defesa do Porto de Angra dos Reis, à época sem reaparelhamento (novas instalações e ramais ferroviários) e sem modernização frente a outros portos do País, especialmente quanto à carga e descarga de minérios e café. Solicita, então, o Deputado ao Governador que promova urgentes gestões junto ao Ministério de Viação, no sentido de prosseguir no desenvolvimento do Porto, protestando contra o aumento abusivo das taxas portuárias, de cem a duzentos por cento, consideradas “altas e absurdas”, que estariam reduzindo sensivelmente o movimento do Porto de Angra dos Reis e levando-o à paralisação e aniquilamento. O Deputado informou que as novas tarifas baixadas a 27 de março para o Porto de Angra eram bem superiores às praticadas nos Portos de Niterói e Rio de Janeiro. O Governador Celso Peçanha, a pedido do Deputado, agiu e o Presidente João Goulart determinou os estudos e obras reclamadas. O Porto de Angra dos Reis, seu aparelhamento, modernização, expansão, movimentação, especialmente de café e minérios, e desenvolvimento tecnológico, logístico e humano, sempre foi, durante toda a sua atividade política, com ou sem mandatos como Deputado Estadual, uma causa, uma luta permanente.
  • A edição de 1º.5.1962 do jornal O Fluminense informa que o Deputado Estadual, Dayl de Almeida, o maior amigo do Deputado Estadual Câmara Torres, “sonha com a governança do Estado, ocupando o Palácio do Ingá em 1967”. Dayl afirma que, se eleito, daria prioridade absoluta ao Ensino Técnico, a fim de prover de pessoal qualificado a Cia. Siderúrgica Nacional, a Cia. Nacional de Álcalis, a Fábrica Nacional de Motores, a Refinaria Duque de Caxias e outras importantes indústrias que se instalaram em solo fluminense. Mas, em 1966, Dayl foi candidato, e se elegeu, à Câmara Federal, e Câmara Torres se reelegeu para a Assembleia Legislativa. Nesta mesma edição do tradicional diário niteroiense, especula-se que o Deputado Câmara Torres se transferiria para o PSD, junto com outros colegas pessepistas, para apoiar o Senador Paulo Fernandes para Governador do Estado, em oposição a Badger da Silveira (PTB), o que não ocorreu. O PDC de Dayl apoiou a candidatura vitoriosa de Badger, e Câmara Torres, a de Miguel Couto Filho (PSP-UDN-MTR), que ficou em terceiro lugar.
  • Na noite de 13.5.1962, o Deputado Câmara Torres participa da Convenção do PSP em Venda das Pedras, Município de Itaboraí, juntamente com outros Parlamentares e candidatos do Partido.
  • Na noite de 16.5.1962, o Deputado Câmara Torres esteve, com o Senador Miguel Couto e outros parlamentares do PSP, na Convenção do Partido em São Gonçalo, RJ, reunião presidida pelo seu colega e amigo Aécio Nanci, principal líder pessepista do Município.
  • Em maio de 1962, a Imprensa fluminense levantou a possibilidade de o Deputado Câmara Torres, e mais quatro parlamentares do PSP, que integraram, durante o “Cisma Legislativo”, a “Assembleia 2”, sob a presidência de José Kezen, solidários a Celso Peçanha, deixarem o Partido, ingressando no PSD para apoiar o Senador Paulo Fernandes na sua candidatura ao Ingá. Tudo não passou de especulação.
  • A 20.6.1962, o Deputado Câmara Torres foi o orador oficial da Sessão “festiva e evocativa”, realizada no Plenário da Assembleia Legislativa, que comemorou os quinze anos da Constituição do Estado do Rio de Janeiro. Presidida pelo Deputado Carvalho Janotti, presentes dezenove parlamentares, o Governador Celso Peçanha, Secretários de Estado, autoridades federais, estaduais e do município de Niterói. O pronunciamento de Câmara Torres foi considerado pela Imprensa “sucinto e expressivo”, quando o Parlamentar salientou que a Carta Estadual “está carecendo de algumas correções”. O Deputado foi muito aplaudido. Em seguida, discursou o Governador agradecendo à Assembleia a participação e colaboração de todos os Parlamentares, da situação e da oposição, ao seu governo. Encerrando a Sessão, falou o Presidente Carvalho Janotti.
  • A 27.6.1962, a Assembleia Legislativa aprovou Emenda de autoria do Deputado Câmara Torres ao Projeto de Lei 123, de 1962, abrindo crédito especial de dois milhões de cruzeiros para a Prefeitura de Paraty, "município que, sem direito às cotas constitucionais, está em verdadeira penúria”, argumentou o Parlamentar.
  •  Em junho de 1962, o Deputado Câmara Torres subiu à Tribuna da Assembleia Legislativa para protestar contra a possibilidade de extinção do Curso Normal Rural de Cantagalo, que há dez anos formava “excelentes professoras ruralistas para o Estado do Rio de Janeiro”. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação de então previa que, se o Curso não se transformasse em Escola Normal poderia desaparecer. O Deputado falou, também, à Imprensa sobre a possível perda para a Educação fluminense se o fato ocorresse. 
  •  A 30.7.1963, o Deputado Câmara Torres é o Autor da Moção de Congratulações ao Secretário de Obras, Egício Mendonça Thurler, pelos reparos executados na rede de disttibuição de água de Angra dos Reis.
  • Em meados de 1962, o Deputado Câmara Torres aciona, em caráter de emergência, o Governo do Estado, no sentido de promover reparos urgentes em dois motores da usina termoelétrica de Paraty que apresentam panes, deixando a cidade sem energia. E os problemas foram solucionados em tempo recorde.
  • Câmara Torres foi um dos vinte e um Deputados a integrar a Ação Democrática Parlamentar - ADP, criada a 7.8.1962, por parlamentares do PSD, UDN, PSP, PR e PTN, que teve por objetivos, a exemplo daquela que funcionava na Câmara dos Deputados, “combater toda a sorte de extremismos, o falso nacionalismo, a exploração do povo pelos oportunistas e defender as verdadeiras reivindicações dos trabalhadores”. Por outro lado, prometeram “apoiar a estabilização monetária e lutar pela reforma agrária”. A ADP assinalou que se inspirava “na defesa da família constituída, do direito de propriedade e da igualdade das classes”.
  • A 28 de agosto de 1962, o Deputado Câmara Torres distribui veemente, longo e esclarecedor Manifesto intitulado Dizendo a verdade – Aos Trabalhadores Angrenses, informando sobre a sua atuação na Assembleia e junto aos Governos Estadual e Federal, Ministérios e órgãos técnicos em defesa do Porto de Angra dos Reis, dos seus trabalhadores, do comércio do café e minérios, “contra a demagogia, a mentira, o ódio, a inveja, a intriga irresponsável”. Tranquilizou a população com dados oficiais, atos e fatos irretorquíveis, “os estivadores, os comerciantes, os portuários, os estudantes, os trabalhadores em geral”, quanto ao seu compromisso permanente e ações comprovadas com o desenvolvimento socioeconômico do Município.
  • Em agosto de 1962, o Deputado Câmara Torres levou a Paraty o Senador Miguel Couto Filho (PSP) e os Deputados Estadual Saramago Pinheiro (UDN) e Federal Adão Pereira Nunes (PSP) para ver de perto os problemas que afligem a população. Naquele ano, Miguel era o candidato a Governador, Saramago a Vice, e Pereira Nunes à reeleição para a Câmara dos Deputados - todos pela Coligação PSP-UDN. Miguel asseverou que, se eleito, iria acabar com o isolamento de Paraty com o Estado. Badger da Silveira (PTB) foi eleito. Deposto e cassado em 1964.
  • Em setembro de 1962, a liderança e a ação providencial do Deputado Câmara Torres evitou a paralização, por demandas salariais, dos trabalhadores do Serviço de Navegação Sul Fluminense, que poderia trazer grandes prejuízos às comunidades da Baía da Ilha Grande. O Parlamentar conseguiu que o Governo do Estado atendesse as reivindicações dos funcionários.
  • Na sessão de 25.10.1962, o Deputado Câmara Torres denunciou na tribuna da Assembleia, o abandono a que foi relegada a Rodovia RJ-16, que liga Angra dos Reis a Paraty, que se encontrava sem a devida pavimentação concluída e conservação rotineira, impedindo o tráfego entre os dois municípios. O Parlamentar apelou para as urgentes providências do Governador Carvalho Janotti, ao qual havia telegrafado, argumentando que a estrada, iniciada no Governo Roberto Silveira, é de vital importância para a Região, especialmente para a cidade histórica.
  • Ao final de outubro de 1962, o Deputado Câmara Torres telegrafou ao Governador Carvalho Janotti lhe informando sobre a grave situação em que se encontra a Rodovia RJ-116, que liga Angra dos Reis ao Distrito de Getulândia, Rio Claro, na antiga Rio-São Paulo. O Sindicato dos Motoristas de Angra dos Reis interditou a estrada em protesto contra as inúmeras solicitações que fez aos Poderes Públicos para que ela, em estado precário, esburacada, com barreiras sobre o seu leito, com trechos intransitáveis, fosse reparada e se tornasse transitável e segura. O Parlamentar e o Sindicato não eram atendidos em suas reiteradas reclamações.
  • A 23 de novembro de 1962, o Deputado Câmara Torres, com o apoio e assinaturas de mais cinco parlamentares, requereu Urgência para discussão e aprovação do Projeto de Lei 370, de 1962, que concedia gratificação às professoras da Zona Rural de Angra dos Reis e Paraty.
  • Em dezembro de 1962, Câmara Torres é diplomado pelo TRE-RJ, Primeiro Suplente de Deputado Estadual pelo PSP, com 3.194 votos. Convocado, assume em abril do ano seguinte uma cadeira na Assembleia Legislativa.
  • No segundo semestre de 1962, o Deputado Câmara Torres e o Prefeito Norival Rubem de Oliveira viabilizaram a concessão, pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, dos serviços de telefonia em Paraty da Cia. Telefônica Tupi, com sede matriz em Taubaté, SP, que passou a explorá-los no município com ligações para todo País, com linhas de transmissão para Cunha e Ubatuba.
  • Em 1962 foi o Autor de Requerimento da Assembleia Legislativa ao Secretário de Saúde para a nomeação de um médico anestesista para o Hospital Infantil Getúlio Vargas Filho, localizado no bairro do Fonseca, em Niterói, cujo cumprimento da agenda de cirurgias estava paralisada pela falta de especialista. Um médico foi nomeado.
  • Foi o Autor da Emenda ao Projeto de Lei nº 198, de 1962, que reclassificou no padrão “V”, o cargo de Secretária da Inspetoria das Escolas Típicas Rurais, com o respectivo ocupante.
  • Em 1962, atendendo a pleito do Deputado Câmara Torres em discurso na tribuna da Assembleia Legislativa e em telegrama ao Governador Celso Peçanha, este regularizou o pagamento dos funcionários dos serviços de águas e esgotos de Angra dos Reis.
  • Em 1962, o Governador Celso Peçanha, por solicitação do Deputado Câmara Torres determinou providências visando à regularização dos serviços de força e luz de Angra dos Reis.
  • Em 1962, o Deputado Câmara Torres obtém junto ao Governo do Estado um jipe para servir à Delegacia de Polícia de Paraty, até então sem viaturas para cumprir diligências, mandados e transporte de presos.
  • Em 1962, foi o Autor da Proposição transformada em Lei, que criou um Cartório Criminal privativo da Terceira Vara Criminal da Comarca de Duque de Caxias, atribuindo ao Juiz de Direito a adequação e distribuição dos demais serviços da mesma natureza nas outras Varas e Cartórios. 
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