domingo, 2 de fevereiro de 2020

NO LIMIAR DA MAIORIDADE


CENTENÁRIO DE CÂMARA TORRES
1917  – 2017
José Augusto da Câmara Torres
(* Caicó, RN, 1917 – † Niterói, RJ, 1998)
Jornalista, Educador, Advogado, Político
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A HERANÇA DA DÉCADA DE TRINTA

O BALANÇO DOS ANOS
DE EXTREMISMOS E PAIXÕES


O CURSO PRÉ-JURÍDICO

Com a Revolução de 1930, o Brasil saía da República Velha. Menino e rapaz, antes dos dezoito anos, em Caicó, em Natal e, mesmo, em Niterói, José Augusto foi um entusiasta do Movimento que levou Getúlio Vargas ao poder, principalmente fascinado pela sua mensagem nacionalista, patriótica, de renovação federalista, de desenvolvimento das regiões miseráveis e discriminadas, como o Nordeste, o Norte e o Centro Oeste. Em seus arquivos, maços e álbuns de recortes de jornais e revistas – e esta era uma prática do estudante aplicado e pesquisador – são muitas as notícias, reportagens e textos em geral sobre os primeiros anos de Getúlio, atos do governo, políticas públicas, cobertura de viagens do Presidente, sobretudo os consistentes e bem arquitetados artigos do culto jornalista e escritor José Soares Maciel Filho sobre “os novos tempos”, o pensamento dos revolucionários, civis e militares nacionalistas, como o General Góes Monteiro. Inicialmente, Maciel foi um crítico bem fundamentado, ideológico da Revolução e de Vargas. Sobejam os recortes do Diário Carioca e de A Nação, jornal fundado por Maciel em 1933 e dirigido por ele. Em 1935, Maciel funda O Imparcial passando a fazer ferrenha oposição a Vargas. Mas, a partir do Estado Novo, torna-se “conselheiro informal” de Getúlio, e, algumas vezes até, dizia-se, seu ghost writer, e ocupa cargos no Governo Federal até 1945.

O País era essencialmente rural, social e economicamente pobre, sem indústrias. O Integralismo fascinou multidões de jovens, universitários e mesmo cidadãos maduros, políticos, jornalistas, professores, profissionais liberais, líderes comunitários. A Igreja, quase toda, era integralista. Grandes contingentes de militares, das três armas, eram adeptos do Integralismo. Muitos intelectuais brasileiros, plenos de ideais, voluntarismo, com “sede e fome de Justiça” se filiaram ao movimento, o apoiaram ou foram seus simpatizantes. Com a morte legal, formal do Integralismo, muitos deles insistiram e pontificaram na Política e nas suas áreas profissionais, se recriaram e redobraram, os que o tinham, o brilho. A grande maioria, no entanto, se manteve discreta, não recordou ou ressuscitou cadáveres da juventude, porém não negaram suas atividades passadas nem se envergonharam dos seus desempenhos. Também a quase totalidade deles reviu seu pensamento e posições ideológicas. Alguns se transformaram em personalidades da Cultura e da Política nacionais. A maioria permaneceu conservadora, católica e à Direita no espectro político; outros se transformaram em liberais; uns terceiros, por fim, se fixaram nas várias latitudes da Esquerda, uns até foram parar no Marxismo ortodoxo. A exceção são apenas duas personalidades de dimensão nacional que permaneceram, pelo que sabemos, integralistas até a morte: Plínio Salgado e Gustavo Barroso.





José Augusto em 1937, aos dezenove anos.
(Acervo Marcelo Câmara)


Entre os que foram integralistas e não negaram essa condição anos depois, e, já em 1937, gozavam de respeitabilidade nacional, registramos grandes pensadores, políticos, jornalistas, escritores, cientistas,intelectuais, artistas brasileiros. Lembremos do próprio jornalista e escritor Plínio Salgado, do jurista Miguel Reale, do pensador Alceu de Amoroso Lima, o Tristão de Ataíde; o Historiador Gustavo Barroso; o gênio plural e insuperável de Luís da Câmara Cascudo (primo de José Augusto); Antônio Galotti; o erudito jornalista e poeta Gerardo Melo Mourão (que com Darcy Ribeiro e Marcelo Câmara trabalharam, juntos, em um importante projeto editoral, tornando-se amigo do filho de José Augusto), e o poeta e diplomata Vinicius de Moraes. E mais, os notáveis brasileiros: Francisco Campos, Adonias Filho, Dom Hélder Câmara (da mesma família de José Augusto), Ariano Suassuna, Ribeiro Couto e Thiers Martins Moreira (este Chefe Provincial a A.I.B. em Niterói); Augusto Frederico Schmidt e Alcebíades Delamare Nogueira da Gama; Roland Corbisier (depois, diretor do Instituto Superior de Estudos Brasileiros - ISEB, deputado estadual e federal do PTB, pelo Estado da Guanabara, professor e pensador marxólogo respeitável); Álvaro Lins, Cassiano Ricardo, Seabra Fagundes; Fernando de Azevedo, Hélio Viana, San Tiago Dantas, Américo Jacobina Lacombe José Lins do Rego; Neiva Moreira, Raimundo Padilha, Alfredo Buzaid, Madeira de Freitas (Humorista que usava o pseudônimo Mendes Fradique, protagonista do livro História do Brasil pelo método confuso, organizado pela historiadora Isabel Lustosa, lançado em 2004) e Azevedo Amaral; Chermont de Miranda, Almir de Andrade, Plínio Doyle (amigo próximo de Carlos Drummond de Andrade e com quem Câmara Torres, mais tarde, na Advocacia, se relacionou), Nilza Perez e Cotrim Neto (na década de 1960, Secretário de Justiça da Guanabara, com quem Câmara Torres, Secretário de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, negociaria a devolução dos imóveis e prédios do  Presídio e Colônia Penal na Ilha Grande ao Governo fluminense, o que ocorreu em1994, no segundo Governo Leonel Brizola; no seu primeiro governo, Brizola havia criado as primeiras áreas de preservação ambiental na sua segunda maior ilha marinha do País); Martins Moreira e Ernani Lomba Ferraz; Menotti Del Picchia,João Cândido (líder da Revolta da Chibata) e Abdias do Nascimento (que Marcelo Câmara assessorou no Senado como Consultor Legislativo da Casa e de quem se tornaria amigo) . A propósito deste último, anote-se, ainda, outros negros que, se não militaram na A.I.B. foram, pelo menos, apoiadores e simpatizantes: Sebastião Rodrigues Alves, Ironildes Rodrigues e Arlindo Veiga dos Santos, que viriam a ser destacadas figuras do Movimento Negro Brasíleiro, em diversas áreas, épocas e vertentes. Houve, ainda, os que se isolaram socialmente, se encapsularam politicamente, preferiram o anonimato, a mudez, a discrição.

José Augusto em março de 1937, aprovado e matriculado
no Curso Pré-Jurídico do Liceu de Humanidades Nilo Peçanha,
que o prepararia para o Vestibular da Faculdade de Niterói.
As aulas começaram a 1º de abril.
(Acervo Marcelo Câmara)

O que ocorreu com as convicções e a opinião ideológica e política de Câmara Torres? Mais tarde, quando se configura a sua personalidade política, os seus caminhos ideológicos na maturidade, por volta de 1950, no momento da sua opção pela carreira político-partidária, se consolidam as ideias, o pensamento, as opções, a conduta de Câmara Torres, como veremos adiante. José Augusto não falava, não era saudosista ou fazia proselitismo sobre o Integralismo, apesar de não excomungá-lo do seu passado. Dizia: “Foram anos da juventude, de idealismo, das naturais utopias, quando queríamos mudar o Brasil e o mundo; quando repelíamos, com vigor e a emoção da idade, a desordem, a miséria e a injustiça. O cenário institucional, socioeconomico, político e cultural era outro, peculiar. E as opções ideológicas radicais. A ‘idade da razão’, o equilíbrio, se consolidam com a maturidade, o estudo, a reflexão, as vivências e convivências.”. Tanto isto é verdade, que Câmara Torres não se filia ou apoia o Partido Republicano Popular – PRP, que Plínio Salgado funda e preside depois da redemocratização de 1945, não escreve no jornal A Marcha – tentativa de ressurreição das ideias do Sigma, nem se aproxima de qualquer movimento político com os resquícios do Integralismo.

Na completa e  impecável biblioteca de Câmara Torres sobre o Integralismo, herdada por seu filho, algumas preciosidades. Na falsa folha de rosto de um livrinho, cuidadosamente encadernado em couro, e com anotações à lápis, e, até hoje, em perfeito estado, sob o título O que é Integralismo, de Plínio Salgado (Schmidt Editor, RJ, 1933), José Augusto, aos quinze anos, escreveu: “O livro que me fez caminhar para a grande luta do ideal”. Seu filho Marcelo, sempre interessado em conhecer a vida, o pensamento e a trajetória do pai, apropriou-se da obra em 1968, aos dezoito anos, quando a leu, criticamente segundo o respectivo contexto histórico.

10.12.1936. José Augusto, quatro anos após deixar o Rio Grande do Norte
e concluir o Ginásio no Colégio Salesiano, em Niterói, volta à sua terra.
Antes de desembarcar em Natal, uma parada na Paraíba,
onde visita o histórico Forte de Cabedelo.
 (Acervo Marcelo Câmara)
Em dezembro de 1936, José Augusto foi ao Nordeste, ao Rio Grande do Norte, voltou à sua terra, à sua cidade natal, Caicó, após quatro anos. A viagem avançou por janeiro de 1937 e incluiu um roteiro sentimental, amoroso, um périplo atávico e telúrico. Além de permanecer dias em Natal, na chegada e na partida, percorreu vários municípios potiguares, reviu familiares, amigos de infância. Visitou várias cidades do Estado, onde nasceram pai, mãe, avós, bisavós. E reencontrou Tudinha, o primeiro e único amor da sua vida, sentimento nascido na infância, sete anos antes, em 1929, quando ele tinha apenas onze anos de idade.A 11.2.1937.



8.2.1937. José Augusto, no navio Comandante Riper, retorna de Natal para o Rio.
Na terra potiguar, matou saudades, revê amigos e parentes. 
Em Caicó, reencontra Tudinha, o primeiro e único amor.
A 11, desembarca no Porto do Rio.
(Acervo Marcelo Câmara)

Com o malogrado putsch de maio de 1937, comandado por liberais, ao Palácio Guanabara, ao qual se juntaram integralistas, ou melhor, que uniu liberais e integralistas e, duvidosamente, foi chamado de “tentativa de golpe integralista”, quando o próprio Getúlio pegou em armas e houve mortos e feridos – a A.I.B. se esvai, se dissipa. É iniciada uma caçada, a perseguição indômita aos integralistas. Plínio se exila em Portugal. Outros “chefes” saem do País e se homiziam até a redemocratização de 1945. Muitos foram presos, torturados e mortos pela polícia terrível de Filinto Muller.

Os “diários” íntimos de José Augusto, findos em janeiro de 1936, transformaram-se em “anuários”,  sucedendo àqueles;. Esses escritos relatam o que ele passou nos anos 1936, 1937 e 1938, e como esses anos se passaram, revelam algumas reuniões secretas, após 1937, mais afetivas e insignificantes do que políticas, de poucos participantes integralistas. Ao 11 de maio de 1937, seguiram-se “dias cheios de sangue, de dor e de miséria moral” – escreve José Augusto. “Não fui preso por milagre que não sei explicar”, confessa. As reuniões registram ações de ajuda mútua, da solidariedade e compaixão a integralistas presos, às famílias dos assassinados, vítimas de tortura. Mas foi, também, um tempo de viagens que José Augusto, ora sozinho, ora com seus amigos mais próximos, fez aos municípios da Região Serrana fluminense, a Ouro Preto e a Belo Horizonte. Época de estudos, reflexões, críticas e autocríticas, planos de vida, acompanhados de muita angústia, solidão, ansiedade, dúvidas, questionamentos, do menino do Caicó. José Augusto se preocupava com o futuro dos colegas, com o cenário político do País, e, principalmente, é claro, com o seu futuro pessoal e profissional.

PRODUÇÃO JORNALÍSTICA
DOS 13 AOS 20 ANOS.

MATÉRIAS PUBLICADAS
DE MAIO DE 1931
A FEVEREIRO DE 1938.


Todos os textos, cujos títulos estão ordenados cronologicamente abaixo, foram escritos por José Augusto dos treze aos vinte anos de idade, e publicados nos seguintes veículos: O Ideal da Juventude, jornal que fundou e dirigiu aos treze anos,  e na revista 26 de Julho, ambos de Caicó, RN; em O Sete de Setembro, do Colégio Santo Antônio, de Natal, RN; na Folha Colegial, do Colégio Salesiano Santa Rosa; em Espumas, depois denominada A Ordem, de Niterói, RJ, jornal que fundou e dirigiu por mais de cinco anos.

As matérias estão coladas em páginas de papel cartão, são assinados por “José Augusto Torres” (JAT) em sua maioria. Algumas trazem como autor “José Augusto da Câmara Torres” (JACT), seu nome civil definitivo, legal e juridicamente estabelecido em 1939, por decisão judicial, quando da sua maioridade, conforme o registro acima. Todos os textos estão cuidadosamente encadernados em um volume de capa dura, com a inscrição exterior: JOSÉ AUGUSTO TORRES – 7 ANOS (1931-1937). Porém, na realidade, as publicações avançam até o ano de 1938.

Não estão aqui listados centenas de editoriais, artigos de fundo, matérias da Editoria, não assinadas, e aquelas sob pseudônimo, que José Augusto da Câmara Torres escreveu para os referidos veículos e publicou em Caicó e em Niterói. Abaixo, os títulos das matérias jornalísticas assinadas por José Augusto da Câmara Torres, de 1931 a 1937:

  •   A árvore, in O Ideal da Juventude, nº 1, de 8.5.31, curiosamente, assinado por “José Augusto da C. Torres” – JACT.
  • Galeria Histórica in O Ideal da Juventude, nº 2, de 3.6.31, idem.
  • A Bandeira, na revista 26 de Julho, órgão de O Ideal da Juventude, de 26.7.31, publicação especial, que celebrou um ano da morte de João Pessoa.
  •  A Guerra in O Ideal da Juventude, nº 3, de 3.7.31, curiosamente, assinado por “José Augusto da C. Torres” – JACT.
  • O Rio Grande do Norte em marcha para uma nova fase, in O Ideal da Juventude, nº 4, de 7.9.31.
  • Patriotismo, in O Ideal da Juventude, nº 5, de 22.9.31.
  • A Navegação, in O Ideal da Juventude, nº 6, de 15.10.31.
  • As riquezas do Brasil, in O Ideal da Juventude, nº 7, de 19.11.31.
  • A Paz mundial alterada, in O Ideal da Juventude, nº 8, de 16.12.31.
  • A Constituinte, in O Ideal da Juventude, nº 9, de 13.1.32.
  • O Século XX e o momento-máquina, in O Ideal da Juventude, nº 10, de 11.2.32.
  • Trabalhemos, in O Sete de Setembro, nº 2, de 4.9.1932.
  • Riachuelo, in Espumas, nº 1, de 5.6.33.
  • São João, in Espumas, nº 2, de 20.6.33.
  • Impressões (De bordo do Itanagé), nº 3, de 1º.9.33.
  • Renovar, in Espumas, nº 4, 15.9.33.
  • O que a Natureza faz, in Espumas, nº 5, de 5.10. 1933.
  • O exemplo de Minas Gerais, in Espumas, nº 6, de 5.1.34.
  • A Nossa Realidade, in Espumas, nº 7, de 6.4.34.
  • Um Estado laicista, in Espumas, nº 8, de 1º.4.34.
  • No regimen Corporativo, in Espumas, nº 9, de 22.4.34.
  • O ideal dos abolicionistas, in Espumas, nº 10, de 27.5.34.
  • A epopéa de Riachuelo, in Espumas, nº11, 3.6.34.
  • Um ano, in Espumas, nº 12, de 19.8.34.
  • A extensão da fé, in Espumas, nº 12, de 19.8.34.
  • O Grande Chefe, in Espumas, nº 13, de 28.10.34.
  • 50%, in Espumas, nº 14, de 22.9.35.
  • Alma do Sertão, in Espumas, nº 14, de 22.9.35.
  • Primavera eterna, in Espumas, nº 15, de 134.10.35.
  • Visões de Esperanças, in Espumas, nº 16, de 27.10.35.
  • A Volta à Verdade, in Espumas, nº 17-18, de 17.11.35.
  • 15 de Novembro, in Espumas, nº 17-18, de 17.11.35.
  • O Natal da Pátria, in Espumas, nº 19, de 15.12.35.
  • Terra baiana, in Espumas, nº 20, de 28.12.35.
  • Continuando, in Espumas, nº 21, de 19.1.36.
  • Plinio Salgado, in Espumas, nº 21, de 19.1.36.
  • Nordeste, in Espumas, nº 22, de 31.1.36.
  • Depois, in Espumas, nº 23, de 23.2.36.
  • De Cesar a Cristo, in Espumas, nº 24, de 15.3.36.
  • À beira do abysmo, in Espumas, nº 24, de 15.3.36.
  • Na hora H, in Espumas, nº 24, de 15.3.36.
  • O Chefe... , in Espumas, nº 24, de 19.7.36.
  • Exaltação da Dor, in Espumas, nº 25, de 29.3.36.
  • Da terra dos outros – Diplomacia de medo ou de boa vontade, in Espumas, nº 25, de 29.3.36.
  • O drama do Calvário, in Espumas, nº 26, de 12.4.36.
  • Abril, in Espumas, nº 27, de 26.4.36.
  • De nossa terra, in Espumas, nº 27, de 26.4.36.
  • ‘Espumas’ e a P.R.E. 6, in Espumas, nº 27, de 26.4.36.
  • O homem das contradições, in Espumas, nº 28, de 10.5.36.
  • De nossa terra, in Espumas, nº 28, de 10.5.36.
  • O ouro da  ‘A Nota’, in Espumas, nº 29, de 1.6.36.
  • Junho, in Espumas, nº 29, de 1.5.36.
  • As Capitais brasileiras, in Espumas, nº 29, de 1.5.36.
  • Quando a Natureza fala..., in A Folha Colegial, de 10.5.1936.
  • O silencio de uma geração, in Espumas, nº 30, de 5.7.36.
  • Razão de uma alegria, in Espumas, nº 30, de 5.7.36.
  • Dr. Vital Brasil Filho, in Espumas, nº 31, de 19.7.36.
  • O primeiro duque e as duquesas do Imperio, in Espumas, nº 33, de 28.8.36.
  • Um programa que não foi traçado, in Espumas, nº 34, de 7 .9.36.
  • Tambores da glória e de triunfo – Tambores de mágoa e de angústia, in Espumas, nº 37, de 4.10.36.
  • Pessoa e Indivíduo, in Espumas, nº 38, de 25.10.36.
  • Discurso – Trechos do discurso pronunciado por José Augusto Torres por ocasião do almoço oferecido pela Diretoria do Colégio Santa Rosa aos bacharelandos de 1936, em 15 de novembro, estando presente o companheiro Gustavo Barroso, superiores e professores da casa, in Espumas, nº 39, de 27.11.36.
  • A colação de grau dos bacharelandos de 1936 do Colégio Santa Rosa – Como transcorreram as solenidades, in Espumas, nº 40, de .12.36.
  • A base de uma grande obra, in Espumas, nº 40, de 4.12.36.
  • Da Província Mártir (Baía 7.12.36), in Espumas, nº 42, de 17.12.36.
  • Nos sertões da minha terra, in Espumas, nº 43, de 5.1.37.
  • Impressões de Viagem, in Espumas, nº 44, de 10.1.37.
  • O Escândalo Algodoerio no Nordeste, in Espumas, nº 45, de 10.2.37.
  • Castro Alves, in Espumas, nº 49, de 16.3.37.
  • O drama eterno do Calvário, in Espumas, nº 50, de 28.3.37.
  • O que a Natureza não quis dizer, in Espumas, nº 51, de 1º.4.37.
  • Uma luta de brasilidade, in Espumas, nº 47, de 27.2.37.
  • Num grande desfile..., in Espumas, nº 49, de 10.3.37.
  • Nosso primeiro anúncio, in Espumas, nº 52, de 13.4.37.
  • A glória de ser pequena, in A Ordem, nº 57, de 10.3.37.
  • Quando chega para nós... , in A Ordem, nº 59, de 2.9.37.
  • O Dia da Pátria – A expressão cívica, in A Ordem, nº 60, de 10.9.37.
  • D. Pedro Henrique, in A Ordem, nº 61, de 20.9.37
  • 10 verdades contra 10 mentiras, in A Ordem, s/ registro do número do jornal e sua data.

Neste volume, onde estão os artigos publicados de 1931 a 1938, há quatro páginas em branco, de onde os artigos impressos foram descolados e desaparecidos. Eles, provavelmente foram textos ideológico-políticos contundentes, agressivos, publicados no final de 1937 e início de 1938, ou seja, logo após o início do Estado Novo e a extinção dos partidos políticos. Esses textos, certamente, levariam o jovem José Augusto, então Secretário de Imprensa da A.I.B. na cidade de Niterói, à prisão numa época de perseguição implacável aos adeptos do Integralismo. Talvez isto o tenha levado a se livrar dos artigos, ao tempo que esconderia, no fundo dos armários, seu uniforme, símbolos, adereços, bem como livros e publicações do Sigma.

O CURSO PRÉ-JURÍDICO DO LICEU
ANTES DE INGRESSAR NA FACULDADE


Nos anos de 1937 e 1938, José Augusto é aluno do Curso Pré-Jurídico do Liceu de Humanidades Nilo Peçanha, em Niterói, preparando-se para ingressar na Faculdade de Direito de Niterói. Muitos colegas do Santa Rosa são seus colegas na nova escola, como Dayl de Almeida e José Arthur Rios, depois professor e sociólogo de respeitabilidade nacional. E novas amizades surgem e se consolidam, prosseguindo depois na Faculdade: Anselmo Macieira, jornalista, futuro Diretor da Casa de Oliveira Vianna, advogado, economista, Consultor Legislativo do Senado Federal, intelectual brilhante, notável ensaísta nas áreas da Economia, Política, História e Ciências Sociais, de quem Marcelo Câmara se tornaria amigo fraterno e seu discípulo; Celso Peçanha, jornalista, que fez carreira política iniciando-se como Prefeito de Bom Jardim e Rio Bonito, em seguida deputado federal, chegando a Governador do Estado do Rio de Janeiro; Marshall Torres de Lacerda, futuro  Prefeito nomeado de Paraty, advogado respeitável e procurador do Estado do Rio de Janeiro; Fernanda Barcelos, professora e pensadora da Psicologia, área onde fez escola, carreira internacionalmente reconhecida; Vasconcelos Torres, deputado estadual e federal, e Senador da República; João Lopes Filho, destacado nome da história do Ministério Público fluminense; João Augusto de Andrade, na década de 1940, duas vezes prefeito de Itaboraí, depois, Procurador do Estado. Também um novo amigo, do Complementar de Engenharia, foi Amaury Pereira Muniz, amigo de toda a vida, que se tornou brilhante educador, pedagogo, professor universitário e diretor, por muitos anos, do célebre Colégio Nova Friburgo, Diretor do Departamento de Ensino Médio, da Secretaria Estadual de Educação; criador e Presidente da Academia Fluminense de Educação, Membro do Conselho Estadual de Educação, Diretor do Colégio Universitário da UFF e, seu último cargo público, Diretor do Conselho Municipal de Educação, de Niterói.


O sociológo e professor José Arthur Rios, companheiro de José Augusto,
do Ginásio à Faculdade.E amigo por toda a vida. Na foto, Rios ministra
conferência na Academia Brasileira de Letras em 2013.
(Foto ABL - Acervo Marcelo Câmara)

No Liceu, foram seus professores: Silvio Júlio (Literatura), Letalba Brito (psicanalista), Carlos Tinoco (Biologia), Paulo Gomes (História da Civilização), Eduardo Guidão da Cruz (Estatística e Economia), Padre Jacarandá (Latim). Além desses, alguns mestres importantes em suas áreas de estudo e trabalho, influenciaram na sua formação e pensamento, como, por exemplo, os filólogos e latinistas: Ismael de Lima Coutinho, Silvio Elia e Serafim da Silva Neto.


José Augusto no segundo ano do Liceu, em meados de 1938, aos 21 anos,
iniciando-se como Jornalista Profissional em Niterói, no Rio e Natal.
(Acervo Marcelo Câmara)

No final de 1937, após a instalação do Estado Novo, que extinguiu todos os partidos e agremiações políticas, incluindo a A.I.B., e, antes, a 11 de maio de 1937 com a tentativa de golpe liberal-integralista contra Getúlio, o ataque ao Palácio Guanabara, apesar de contar apenas 20 anos e não chefiar “Núcleo”, José Augusto era o Secretário Municipal de Imprensa da A.I.B. de Niterói, desenvolvia intensa atividade política, publicando e discursando em eventos. Por isto, foi obrigado a se refugiar em Nova Friburgo para não ser preso. Em 1937 e 1938, anos de perseguição implacável de Getúlio Vargas ao Integralismo, aos seus críticos e opositores, José Augusto esteve em Nova Friburgo, “uma linda e boa terra”, assinalou, por dois meses, em companhia do amigo Roberto (nome que este biógrafo não conseguiu identificar o sobrenome). De 6 de janeiro ao final de fevereiro de 1938, encontrou naquela cidade o seu oásis, a sua salvação e liberdade, longe da capital fluminense e do Rio, do tumulto urbano, avaliou José Augusto, do terrorismo oficial, das prisões, torturas, mortes, da boataria assustadora que nem sempre se transformava em dramas e tragédias, mas o perturbava em demasiado.


Fevereiro de 1938, em Nova Friburgo, o "exílio" político e existencial:
leituras, críticas,  reflexões, novos rumos aos vinte anos..
(Acervo Marcelo Câmara) 

1937 e 1938 foram anos agitados, de turbulências surpreendentes. Venturosas e doridas. Além das viagens a Nova Friburgo, duas a Minas Gerais, uma a Ouro Preto, outra a Belo Horizonte. E em outubro de 1938, José Augusto e sua turma de amigos vão a São Paulo passear. Uma viagem de lazer e, ao mesmo tempo, um tour cultural: visita a museus, monumentos, teatros, exposições, principais pontos históricos e de turismo da capital paulista. A "embaixada", como chamavam tais viagens, a São Paulo, reuniu José Augusto, Dayl, João Augusto de Andrade, Alberto Grabowsky (o amigo e companheiro do Salesiano e no jornal Espumas, mais tarde professor universitário), Paulo de Sales Guerra (depois, advogado), Roberto (outro grande amigo, certamente o mesmo que esteve com José Augusto em Nova Friburgo, este fugindo das perseguições de Vargas, após o Levante de 1937) e José Arthur Rios.

Outubro de 1938, Parque do Anhangabaú, São Paulo, SP,
em frente ao Monumento a Rui Barbosa, a "Embaixada" de Niterói:
da esq. p/ dir., João Augusto, José Augusto, Alberto Grabowsky
(do falecido Espumas), Evelina (uma amiga de SP), Paulo de Sales Guerra,
Roberto (o amigo de Friburgo) e Artur Rios.
(Acervo Marcelo Câmara)

Tempos de muitas leituras, estudos, reflexões, ansiedades, indecisões, medos, passeios, descobertas, projetos, reformulações ideológicas, consolidações filosóficas, fortes emoções, namoricos, flairts, inseguranças, vitórias, dúvidas, inquietações, decepções, avanços existenciais. Mas houve anúncios profissionais alvissareiros, promissores. Dificuldades financeiras, muitas. Atividades intelectuais: muito discursa, escreve, publica.

Tarde de 30.10.1938. Nos jardins da Colina do Ipiranga, com o Museu ao fundo,
na capital bandeirante. Da esq. p/ dir.: José Augusto,
João Augusto, Dayl e Moacir (amigo paulista).
(Acervo Marcelo Câmara)


Aos 21 anos, funda, com os amigos Dayl de Almeida, Marcos Almir Madeira e João Augusto de Andrade, o terceiro jornal em sua vida: Aríete. Em Niterói. À época, confessa, lhe falta entusiasmo. Apenas dois números... e o falecimento do jornal. Debates, conferências, publicações em vários veículos. Na verdade, imposições da sobrevivência. E, claro, ainda o Idealismo, que o acompanha durante toda a vida. É aprovado ao final do 1º Ano do Curso Pré-Jurídico (Complementar de Direito) com a média 57. No final de 1938, apesar do seu temor em perder o ano por faltas, pois muito viajou, as suas notas nas provas parciais foram excelentes, quase todas entre 90 e 100, e a média geral das provas finais ficou em 79. Apenas um sonho e uma certeza nessa época. O sonho, a Faculdade. A certeza: o Amor por Tudinha, o futuro com ela. Amor correspondido, decidido, assumido, formalizado, por ambos, no noivado que irá ocorrer em 1939.
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