segunda-feira, 15 de junho de 2020

AÇÕES POLÍTICAS, PARLAMENTARES E PARTIDÁRIAS DE 1967 A 1970


CENTENÁRIO DE CÂMARA TORRES

1917 – 2017
José Augusto da Câmara Torres
(* Caicó, RN, 1917 – † Niterói, RJ, 1998)
Jornalista, Educador, Advogado, Político

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“O DEPUTADO DA EDUCAÇÃO,

DA CULTURA E DO DESENVOLVIMENTO”

LEGISLATURA 1967-1970



Abaixo, estão registradas as proposições legislativas (projetos: de lei Constitucional, atual Emenda à Constituição Estadual; de lei, de decreto legislativo, de resolução; pareceres, estudos, requerimentos, moções, indicações, etc.), os pronunciamentos, lidos ou de improviso, e apartes; pareceres escritos e orais, feitos no Plenário e nas Comissões da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro e em outros fóruns vinculados ao Poder Legislativo ou dele extensivos. Grande parte dos Projetos do Deputado Câmara Torres foi transformada em leis. Porém, sobre alguns, as pesquisas não permitiram concluir se passaram ou não a integrar o ordenamento jurídico do Estado. Também estão registradas  as ações, providências e posturas do Político junto aos Governos, instituições e autoridades públicas, federais, estaduais e municipais, visando à solução das demandas coletivas, da sociedade fluminense, em especial das comunidades que representava, prioritariamente, as do Sul do Estado do Rio de Janeiro e da capital. E, ainda, as gestões de Câmara Torres na sociedade, junto às empresas e instituições privadas, no sentido de responder às necessidades e anseios da população.

Foram dezesseis anos ininterruptos como Deputado Estadual, e mais trinta anos de trabalho como Político sem mandato, que beneficiaram os municípios e comunidades fluminenses, principalmente Angra dos Reis, Paraty, Rio Claro e Mangaratiba, em todos os setores da vida social e econômica, com destaque para as áreas da Educação e da Cultura, bem como as da Saúde, dos Transportes, Energia, Justiça, Segurança, Assistência Social, Comunicações, Saneamento, Meio Ambiente, Administração Pública e Turismo.

No entanto, não vão listadas aqui as ações de Câmara Torres em favor de determinado cidadão ou cidadãos, família ou grupo de famílias, que viabilizaram e efetivaram o seu acesso e/ou o cumprimento de direitos civis, legítimos, junto aos Poderes Públicos e à iniciativa privada, de acordo com a Lei e a normalidade jurídica vigente. Ações que promoveram ou beneficiaram milhares de pessoas e suas famílias, individual, pessoal, diretamente, fossem eles seus eleitores, ex-eleitores, ou não, adversários políticos ou não, amigos ou não. Foram ações como: 1) a indicação para postos de trabalho ou cargos de direção e confiança, públicos e privados, de acordo com a idoneidade moral, a aptidão e capacidade profissional de cada um, uma prerrogativa do Deputado Estadual e Líder Político de uma Região (não existia, na maioria dos casos, o ingresso no Serviço Público por concursos gerais, abertos, de provas e títulos), ratificada pelo crivo das autoridades públicas e lideranças comunitárias locais e/ou regionais; 2) a lotação adequada, justa e mais produtiva, nos serviços públicos em geral, de profissionais em unidades onde residiam os candidatos e funcionários, segundo a idoneidade, aptidão, capacidade e produtividade de cada um; 3) a recomendação aos empregadores e chefias de servidores, de promover o desenvolvimento profissional, o progresso funcional, desses trabalhadores; 4) na Educação, a efetivação de matrículas em instituições de ensino, públicas e privadas, concessão de bolsas de estudo, a pessoas carentes, entre outros benefícios; 5) na Saúde, internações, o tratamento de doenças, realização de cirurgias, obtenção de próteses e órteses, fora da região onde habitava o cidadão menos favorecido ou sem acesso a tais serviços; 6) na Assistência Social, o atendimento a idosos e pessoas Portadoras de Necessidades Especiais – PNA, de qualquer natureza, que não eram devidamente atendidos pelos órgãos públicos ou delegados para tal fim; 7) no Transporte Público, pleitos às empresas públicas e privadas, visando à expedição de passes livres de transporte urbano e intermunicipal, especialmente a professores, estudantes e trabalhadores carentes (não havia os sistemas legais de vales-transporte hoje existentes) e a cessão de ônibus para transporte de alunos e professores em atividades fora da escola; 8) na Habitação, a concessão, junto aos bancos públicos e privados, de financiamentos para compra da casa própria, reforma e restauração de imóveis, para pessoas que não tinham acesso aos bancos ou que a burocracia irracional martirizava; 9) no Serviço Público, junto a repartições, como procurador, formal e informal, de cidadãs e cidadãos, funcionários públicos ou não, que, vivendo no Interior, em locais distantes da capital, como, à época, o Extremo Sul Fluminense, necessitavam de um documento, uma orientação, uma resposta a um direito. Câmara Torres acompanhou, durante toda a sua vida, milhares de processos de pessoas que pleiteavam seus legítimos direitos de cidadania, de qualquer classe social ou econômica, que, legal e juridicamente habilitados, não tinham acesso ou eram impedidos de usufruir direitos e benefícios; no que tange aos servidores públicos, centenas deles, talvez mais de 1 mil, foram nomeados, trabalharam durante décadas e se aposentaram sem nunca ter ido à Capital, pois Câmara Torres cuidou das suas carreiras, os representou por toda a vida.

Centenas de outras ações exitosas de Câmara Torres em favor da coletividade, seja como Jornalista, Técnico de Educação, Deputado Estadual, Líder Político, Partidário e Social, Advogado, intelectual plural, foram efetivadas, ora em razão de prerrogativas inalienáveis e intransferíveis que possuía inerentes ao cargo e função pública e/ou política, eletiva ou não, que exercia, ora decorrentes da sua honorabilidade reconhecida, da respeitabilidade e prestígio pessoal e profissional, da sua autoridade moral, liderança social.
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ATIVIDADES DURANTE
QUATRO SESSÕES OU ANOS LEGISLATIVOS:
1967, 1968, 1969 e 1970.


Os acervos da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, no período de 1955 a 1971, quando estava sediada na antiga capital Niterói e, onde Câmara Torres exerceu quatro mandatos consecutivos, se encontram no Palácio Tiradentes, na Cidade do Rio de Janeiro, sem classificação, vedado o seu acesso a consultas e pesquisas.

A maioria das proposições e leis aprovadas nos setores da Educação, Cultura e Desenvolvimento Regional, de 1967 a 1970 (algumas até 1971), na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, principalmente aquelas destinadas à melhoria da Educação Pública, universal, democrática e gratuita, bem como as que objetivavam melhor remuneração e condições mais dignas e adequadas de trabalho aos profissionais do Ensino – foi de autoria de Câmara Torres ou teve o seu parecer favorável, o seu apoio e o seu voto inexorável. Igualmente, ocorreu no universo da Cultura e nos passos positivos do Desenvolvimento Socioeconômico. Também, os Serviços Públicos básicos, até hoje existentes na Região do Extremo Sul Fluminense, é resultado da sua ação política e parlamentar. Também, os empreendimentos privados de importância econômica e social sempre estiveram ligados à sua contínua e persistente atividade política. Sua atuação no Parlamento, sua voz, ação e votos, sempre foram em defesa do Desenvolvimento do Estado, do Bem Estar do Povo Fluminense, pela Paz, a Liberdade, a Democracia, em defesa da Constituição, da Ordem Jurídica, da Legalidade, do pleno exercício dos Poderes e Instituições Públicas.

Nos Anais da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, de 1955 a 1971, tanto em suas pastas de arquivo, como em volumes publicados anualmente, estão os documentos que atestam as suas iniciativas e participações, que provam a sua conduta ética, o seu comportamento partidário, a sua coerência política e parlamentar, a sua produção legislativa.

Abaixo, algumas dessas ações, talvez cerca de noventa por cento delas, cujos registros estão no acervo que Câmara Torres construiu e preservou durante décadas, herdados pelo seu filho Marcelo Câmara, identificados e classificados por este. Esse trabalho ensejou anos de pesquisas e estudos em diversas outras fontes – bibliotecas e acervos públicos e privados, entrevistas (presenciais, por telefone e virtuais) com contemporâneos do biografado – até a elaboração do texto final abaixo. Foram centenas de originais e cópias datilográficas de documentos, publicações, fotografias, mapas e manuscritos dos arquivos pessoal e profissional do Político, de seu filho e de terceiros, pessoas e instituições.

ATITUDES E FATOS POLÍTICOS
DENTRO E FORA DA ASSEMBLEIA.

PRONUNCIAMENTOS, PROPOSIÇÕES,
PARECERES, VOTOS E MISSÕES PARLAMENTARES.

LEGISLATURA 1967-1970

ALGUNS REGISTROS


Ano de 1967

  • A edição do jornal O Fluminense, de 6.1.1967, publicou que o Deputado Federal Dayl de Almeida “pediu ao Governador Geremias de Matos Fontes para nomear o Deputado Estadual Câmara Torres, Secretário de Educação e Cultura”. Na opinião de Dayl, “ninguém conhece mais os temas e questões da Educação no Estado do que aquele Representante do Extremo Sul Fluminense, também Professor e Técnico de Educação".
  • A 20.2.1967, o Deputado Câmara Torres escreve carta a todos os seus amigos de Angra dos Reis e de fora do Município, e a coloca nas mãos do cidadão José Mendonça, para que este, de posse da missiva, nos seus contatos, angarie qualquer contribuição para conclusão das obras da Escola do Provetá, praia e localidade da Ilha Grande, depois de ter obtido como Parlamentar e Representante político de Angra, quatro milhões de cruzeiros do Governo do Estado, oito milhões da Prefeitura Municipal, dois milhões e meio dos norte-americanos, através da Aliança entre os Estados do Rio de Janeiro e de Maryland, EUA (Companheiros de Maryland), e contribuições dos moradores e pescadores do Provetá. Faltavam, então, azulejos, forro, cerâmicas, tacos entre outros materiais. A escola foi concluída para atender aos filhos dos moradores daquela bela e aprazível comunidade praieira.
  • A 20.2.1967, o Deputado Câmara Torres escreve carta a todos os seus amigos de Angra dos Reis e de fora do Município, e a coloca nas mãos do cidadão José Mendonça, para que este, de posse da missiva, nos seus contatos, angarie qualquer contribuição para conclusão das obras da Escola do Provetá, praia e localidade da Ilha Grande, depois de ter obtido como Parlamentar e Representante político de Angra, quatro milhões de cruzeiros do Governo do Estado, oito milhões da Prefeitura Municipal, dois milhões e meio dos norte-americanos, através da Aliança entre os Estados do Rio de Janeiro e de Maryland, EUA (Companheiros de Maryland), e contribuições dos moradores e pescadores do Provetá. Faltavam, então, azulejos, forro, cerâmicas, tacos entre outros materiais. A escola foi concluída para atender aos filhos dos moradores daquela bela e aprazível comunidade praieira.
  • A 26.2.1967, o Deputado Câmara Torres, em audiência com o Governador Geremias de Matos Fontes reivindicou obras de conservação e melhorias para as Estradas Paraty-Cunha e Paraty-Angra dos Reis, restabelecendo-se o tráfego nas duas vias. 
  • A 8.3.1967, o Deputado Câmara Torres é Autor de Moção de Saudações à população de Paraty, que é aprovada por unanimidade, pela passagem do Tricentenário da Carta Régia do Rei de Portugal, de Dom Afonso VI, de 28 de fevereiro de 1667, que oficializou a autonomia da Vila, conquistada com uma Revolta Popular ocorrida sete anos antes, dando-lhe o nome e foros de Vila de Nossa Senhora dos Remédios de Paraty àquela comunidade.
  • A 8.3.1967, o Deputado Câmara Torres apresenta Projeto de Lei, que foi aprovado, considerando de Utilidade Pública o Clube Fazenda da Grama, na localidade do mesmo nome, em Rio Claro, RJ.
  • A 7.4.1967, o Deputado Câmara Torres apresentou Requerimento à Assembleia Legislativa, para que seja oficiado ao Diretor Executivo da Comissão do Plano Postal Telegráfico, solicitando providências no sentido de que seja concluído o prédio dos Correios e Telégrafos do Município de Paraty, cujas obras, em fase de acabamento, estavam paralisadas há quase dois anos. Assentou o Parlamentar que o prédio atual, alugado, oferece condições precaríssimas de funcionamento à Agência local e não está à altura do progresso da comunidade. Foi atendido, o prédio teve as suas obras terminadas.
  • A 7.4.1967, o Deputado Câmara Torres apresentou Requerimento à Assembleia Legislativa, para que seja oficiado ao Senhor Ministro da Fazenda, Delfim Neto, comunicando o desejo de todos os Deputados Estaduais fluminenses (e todos assinaram o documento e o aprovaram por unanimidade), no sentido de que não seja fechada a Exatoria de Rendas de Rendas Federais no Município de Paraty.
  • A edição de O Fluminense de 9.4.1967 traz grave Editorial na 1ª página sobre a necessidade de conclusão da Estrada Angra-Paraty sob o título Impõe-se a integração de Paraty, criticando severamente a omissão do Governo do Estado que paralisara as obras iniciadas pelo Governador Roberto Silveira e o abandono do Município, onde a precariedade e insuficiência dos serviços públicos fazia do Deputado Câmara Torres um incansável “Dom Quixote do Extremo Sul Fluminense”. A coluna Turismo. de Paulo Nogueira, na quarta página não compreende a abulia e a desinteligência do Governo frente ao imenso potencial do Município Histórico Nacional para o Turismo do Lazer e da Cultura. Nos dois meses anteriores, fevereiro e março, o legendário acadêmico Austregésilo de Athayde, bem informado e influenciado por Câmara Torres, escreve em sua coluna de O Jornal, dois textos igualmente incisivos em defesa do Turismo do Estado do Rio, de Paraty e da Baía da Ilha Grande. Em fevereiro sob o título Mentalidade antiturística; e em março Lamentação para Geremias


Paraty, 4.6.1967, Campo de Aviação da cidade.
Da esq.p/ dir.: Deputado Câmara Torres,
Prefeito Aloysio de Castro e o Governador Geremias Fontes,
este na sua primeira visita ao Município Monumento Nacional.
(Acervo Marcelo Câmara)


O Governador caminha pelas ruas de Paraty. Da dir. p/ esq.:
 o ex-Prefeito Antônio Núbile França; o Prefeito Aloysio de Castro;
o Deputado Câmara Torres; o Governador Geremias Fontes;
e o empresário da construção civil  Benedito José Alves da Cruz.
(Acervo Marcelo Câmara)

  • A 26.4.1967, às vésperas do trabalho da Assembleia Legislativa fluminense como Poder Constituinte Derivado Revisor, em virtude da Reforma na Constituição de 1946, ocorrida naquele ano, a União dos Professores Primários Estaduais – UPPE oficia ao Deputado Câmara Torres, apelando “para o alto espírito de generosidade de V. Excia. a fim de que sejam resguardados, com justiça e dignidade, os interesses do Magistério Primário Fluminense”.
  • Muito trabalho: em tempos “constituintes derivados”, a Imprensa informava que, até 25.4.1967, o Deputado Câmara Torres era o recordista de apresentação de Emendas de Adaptação ao Texto Constitucional: 54 proposições.
  • A 30.4.1967, os Deputados Câmara Torres, Estadual, e Dayl de Almeida, Federal, em audiência com o Governador Geremias Fontes, receberam do Chefe de Executivo fluminense, a garantia de que não faltariam recursos para concluir as obras da Estrada Angra-Paraty. Também ouviram do Governador que estaria assegurada a manutenção da Estrada Paraty-Cunha (SP), visando condições seguras para o seu tráfego permanente e seguro. Esta via era a única ligação terrestre do histórico município com o País.
  • Em abril de 1967, o Deputado Câmara Torres desenvolve intensa atividade em defesa da indústria de pescado em Angra dos Reis, grandes, médias e pequenas, no litoral e nas ilhas da Baía, especialmente na Ilha Grande. Ocupa várias vezes a tribuna da Assembleia Legislativa, faz contatos com aliados na Câmara dos Deputados, no Senado Federal e promove gestões junto ao Governo Estadual e Federal. As denúncias apontam arbitrariedades e ilegalidades feitas por fiscais do Ministério da Agricultura no Extremo Sul Fluminense.
  • Em abril de 1967, o Deputado Câmara Torres foi o Autor da Moção de Congratulações, assinada por outros de seus pares, dirigida à empresa Rio Light pelo início das obras de construção da nova rede de energia elétrica do Município de Rio Claro.
  • Criado, em 1967, o Instituto de Previdência da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro - IPALERJ, foi eleito o seu primeiro Tesoureiro, cargo que, abaixo da Presidência, era, e é, o mais importante, o de maior destaque, pois administra os fundos da entidade que congrega contribuintes, aposentados e pensionistas do Poder Legislativo Estadual. Muitos debates houve então quando da instalação e eleição para a Diretoria do IPALERJ, pois a maioria dos Deputados queria Câmara Torres como Presidente do órgão. Porém, como o assunto se tornou polêmico, com divergências, em função da proporcionalidade partidária na Casa, Câmara Torres preferiu não disputar a Presidência, apesar dos apelos de muitos, mas apoiar o maior dos pretendentes, o Deputado Nicanor Campanário, seu amigo, e aceitou a Tesouraria. O comportamento da maioria da Assembleia em convocar o Deputado para comandar o IPALERJ, segundo os analistas à época, justificou-se pela sua excepcional gestão como Primeiro Secretário da Casa no período 1959-1960.
  • Em abril de 1967, o Deputado Câmara Torres obteve, junto ao Governo do Estado, recursos de NCR$ 106 mil e 300 para recuperação dos túneis da Estrada Angra dos Reis –Getulândia, no Alto da Serra D’Água;


1967. Na estrada em construção, de Angra dos Reis em direção a Mangaratiba,
futura Rio-Santos, está, ao lado de Câmara Torres, o líder comunitário
do Distrito da Monsuaba,  Crisanto Carneiro,  e, atrás,
o Vereador amgrense José Belmiro da Paixão,

(Acervo Marcelo Câmara)


  • A 6.5.1967, Em maio de 1967, como participante do V Congresso da União Parlamentar Interestadual, realizado em Recife, PE, o Deputado Câmara Torres manifestou-se a favor da ideia da Primeira Dama do País, Iolanda Costa e Silva de legalizar e regulamentar o jogo do bicho nas estâncias hidrominerais do Pais, “como forma de incrementar o Turismo nas respectivas regiões”. Seria criada a “Loteria Federal Popular” A proposta dividiu parlamentares de todos os Estados. No Rio de Janeiro, a Primeira Dama Nilda Fontes posicionou-se contra. As classes produtoras de todo o País posicionaram-se a favor da ideia.
  • A edição de 7/8.5.1967 do Jornal do Brasil publicou na sua página de Editoriais a Moção que o Deputado Câmara Torres e outros dezoito Parlamentares foram signatários, aprovada pela Assembleia Legislativa, que externou “à Direção e toda equipe do Jornal do Brasil, a propósito do editorial publicado na página 6 da edição de quinta-feira p.p., 23.3.1967, intitulado Ligação Rio-São Paulo, os mais efusivos cumprimentos pela extraordinária contribuição que empresta à vida econômica e social do Brasil e de modo especial ao Estado do Rio, quando defende de forma contundente a insofismável a necessidade prementíssima da conclusão das obras da estrada BR-101, conhecidíssima Estrada do Turismo”. 
  • A 14 de maio de 1967, o Deputado Câmara Torres foi um dos legisladores, como Membro da Assembleia Constituinte Derivada, que reformou a Constituição Estadual de 1946, um dos signatários da Carta, promulgada naquela data.
  • Em maio de 1967, o Deputado Câmara Torres subscreve Moção Congratulatória dirigida ao Governador do Estado e ao Senhor Hélio Brasil Álvares, pela nomeação deste para o cargo de Vice-Presidente da Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro.
  • A 1º.6.1967, o Deputado Câmara Torres recebeu o Título de Sócio Remido do Ginásio de Halterofilismo Icaraí, de Niterói.
  • A 4.6.1967, o Governador do Estado do Rio de Janeiro, Geremias de Matos Fontes e o Governador do Estado da Guanabara, Francisco Negrão de Lima, assinaram no Plenário da Câmara Municipal de Paraty, em Sessão Solene sob a Presidência do Vereador Paulo Carijó, Convênio de Integração Turística entre, criando o Conselho Interestadual de Turismo – CITUR, integrado por oito membros de cada Estado. Pelo Convênio ficou estabelecida a mútua assistência e cooperação técnica, administrativa e operacional entre os dois Estados. Previu-se, a curto prazo, a elaboração de um Calendário Único de Turismo, com eventos que visem ao desenvolvimento comum do Turismo. Ficou acertado que os dois Governos expediriam Decretos com a inclusão de festas e roteiros de cidades e regiões fluminenses nos programas de caráter internacional da Guanabara. No verão que se iniciava naquele ano seriam beneficiadas a Região dos Lagos, a Costa Verde, que inclui Paraty, e as três principais cidades da Serra - Petrópolis, Teresópolis e Friburgo – devendo o Carnaval fluminense ganhar promoções oriundas da Cidade do Rio de Janeiro. Presentes na solenidade, além dos dois Governadores, o Presidente da FLUMITUR, Omar Fontoura, o Diretor do Departamento de Turismo da Guanabara, Carlos de Laet, o Prefeito Aloysio de Castro, e o Deputado Estadual Câmara Torres, representante de Paraty, idealizador do Convênio e articulador do encontro.


Câmara Torres, quatro vezes Deputado Estadual.
 Aloysio de Castro, três vezes Prefeito Municipal.
 Quarenta anos aliados na Política, vislumbrando e conquistando, juntos,
horizontes de paz, progresso e justiça social, para o Povo de Paraty.
(Acervo Marcelo Câmara) 

  • A 22.6.1967, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro aprova Moção de Congratulações, de iniciativa do Deputado Otávio Cabral, seguido por treze deputados da Situação e Oposição, parabenizando o Deputado Câmara Torres pelos seus cinquenta anos de vida.
  • A 22.6.1965, as lideranças políticas, os amigos e admiradores do Deputado Câmara Torres, de Angra dos Reis e Região, se reuniram, no Palace Hotel de Angra dos Reis, para comemorar o seu aniversário. Um jantar estava marcado para as 20h, mas o aniversariante chegou quase uma hora depois. O carro que viajava o Parlamentar, de Niterói para Angra, sofreu um sério acidente no sopé da Serra D'Água, a quarenta minutos da cidade. Viajavam no Aero Willians, ano 1961, modelo standart, de cor preta, de propriedade do Sr. Monteiro Filho, amigo do Deputado, que dirigia o automóvel, além do seu filho, Marcelo, os servidores do Instituto de Previdência Social – IPS, do Estado do Rio de Janeiro, o angrense Sérgio Mendes Brás, e o mangaratibano Wilson Carvalho. Chovia muito e a estrada já havia recebido uma fina camada básica de asfalto. Numa curva perigosa, de construção mal projetada, "sem rodo", como qualificam os especialistas, o veículo tombou e caiu, com as quatro rodas para cima, num riacho pedrogoso. Apenas um grande susto. Ninguém se feriu. Apenas, arranhões e muita lama. Após a chegada a Angra, onde todos estavam preocupados e ansiosos, a notícia. Trocadas as roupas dos acidentados no próprio Palace Hotel, realizou-se o jantar. Após a sobremesa, licores e café, o bolo com o "Parabéns pra você", os discursos e cumprimentos. Tudo terminou em confraternização, na paz e alegria.
  • A 26.6.1967, é o Autor do Projeto de Lei, depois sancionado pelo Governador, que denominou “Escola Estadual Inacio During”, a unidade escolar localizada em Mambucaba, 4º Distrito de Angra dos Reis. Inácio During, natural da bela Vila Histórica,  foi o inventor de uma máquina de descascar café e era tio do jornalista e historiador angrense Alípio Mendes.
  • Na manhã de 10.6.1967, o Deputado Câmara Torres está em Lídice, na abertura das Comemorações do 33º aniversário daquele Distrito de Rio Claro, RJ. “Lídice” foi o nome  dado à antiga localidade denominada Santo Antônio do Capivari, e à escola local que recebeu a denominação, em 1944, de “Grupo Escolar Presidente Benes”, na mesma vila, em homenagem ao ex-Presidente da então Tchecoslováquia, herói democrata desse país. 
No mesmo dia, vai a Angra participar do 1º Encontro Municipalista Sul Fluminense, idealizado e organizado por ele. Presentes prefeitos e vereadores de Angra dos Reis, Paraty, Rio Claro, Mangaratiba e Itaguaí, autoridades estaduais e federais, lideranças comunitárias e sindicais. 
  • Em junho de 1967, o Deputado Câmara Torres recebe ofício do Presidente da Câmara Municipal de Itaguaí agradecendo pelo seu comparecimento o 1º Encontro Municipalista Sul Fluminense, realizado em Angra dos Reis, de 9 a 11 daquele mês e pelo apoio que deu às causas e reivindicações de Itaguaí aprovadas naquele evento.
  • A 14.7.1967, o Presidente do 1º Encontro Municipalista Sul Fluminense, Benedito Adelino dos Santos, agradece ao Deputado Câmara Torres a sua decisiva participação no evento com vistas ao progresso da Região.
  • Em meados de 1968, o Deputado Câmara Torres, ao lado do Prefeito de Angra dos Reis, Jorge Paulo Whishart, é apontado comoo líder, mentor intelectual e executivo” de um sonho de população: a Fundação Cultural e Educacional de Angra dos Reis, que iria implantar o Ensino Superior no Município. Muito trabalho foi dispendido, mas a instituição não progrediu. Faleceu nos atos de criação e instalação de direção e conselhos.
  • Durante todo o primeiro semestre de 1967, o Deputado Câmara Torres liderou intensa pressão comunitária e política sobre os Governos Estadual e Federal, em especial o DER-RJ e o DNER respectivamente, através de pronunciamentos, audiências com o Governador Geremias Fontes, Secretários de Estado e órgãos técnicos do Ministério dos Transportes no Rio. Na primeira semana de junho de 1967, o Deputado Câmara Torres comunicou à Imprensa que seria reiniciada, naquele mês, a pavimentação dos últimos 27 quilômetros da RJ-16, que liga Angra dos Reis à Getulândia, na antiga Rodovia Rio-São Paulo. Explicou o Parlamentar que a pavimentação iria influir, decisivamente, no desenvolvimento do Porto de Angra dos Reis, nas atividades dos Estaleiros Verolme, na comunicação com o Colégio Naval e, naturalmente, no Turismo da Região. 


Em setembro de 1967, o Governador Geremias Fontes, os Deputados Saramago Pinheiro e Câmara Torres,
fiscalizam a construção de uma ponte na Estrada Angra-Paraty, dentro do território angrense.
(Acervo Marcelo Câmara)


Por outro lado, acrescentou que, mesmo com a recuperação da Estrada Angra-Paraty, no final do Governo Paulo Torres, a via foi, novamente afetada no último verão, mas estava sendo reaberta ao tráfego, pois o Governador Geremias Fontes determinara uma série de trabalhos de recuperação e conclusão da construção, após um período de paralização das obras no início da sua gestão. “Um engenheiro do DER-RJ, informou o Parlamentar, está indo, nesta semana, de Angra a Paraty, numa viagem de estudos, com um grupo de estudantes da Escola Nacional de Engenharia, do Rio. Os universitários pernoitarão em Paraty e, no dia seguinte, seguirão, pela Estrada Paraty-Cunha, até Guaratinguetá, a fim de cumprir outras visitas técnicas a indústrias do Vale do Paraíba”. Os universitários foram recepcionados em Paraty pelo Deputado Câmara Torres que, ao lado do Prefeito Aloysio de Castro, fez uma palestra aos estudantes no Paratyense Atlético Clube, sobre a importância da Estrada Angra-Paraty para o desenvolvimento do Município Histórico Nacional e a Costa Verde.
  • A 20 de agosto de 1967, foi definitivamente resolvido o problema crônico de Energia Elétrica no Município de Rio Claro, que teve como grande artífice, a operosa e persistente liderança e ação política do Deputado Estadual Câmara Torres. Em Sessão Solene Comemorativa da Câmara Municipal de Rio Claro, foi celebrada a inauguração da concessão dos serviços que passou da Empresa de Luz e Força de Rio Claro, de propriedade do empresário Raul Alves de Souza e Silva Júnior para o Estado do Rio de Janeiro. Deste para a União que fez a concessão à Rio Ligth S.A. Serviços de Eletricidade, processo que durou anos de trabalho, de muitas lutas, do Parlamentar, com a ajuda do Deputado Federal Dayl de Almeida, de prefeitos, vereadores e lideranças comunitárias rio-clarenses, servidores públicos e técnicos municipais, estaduais e federais. O Decreto nº 58,282, de 28 de abril de 1966, assinado pelo Presidente Humberto de Alencar Castello Branco e pelo Ministro das Minas e Energia, Mauro Thibau, transferiu “à Rio Light S.A – Serviços de Eletricidade, concessão para distribuir energia elétrica no Município de Rio Claro, no Estado do Rio de Janeiro”. Na referida Sessão da Câmara Municipal, presente o Governador Geremias Fontes e dezenas de autoridades dos Três Poderes federais, estaduais e municipais, o ex-Governador e então Senador Paulo Torres, que iniciou, por parte do Governo do Estado, o processo de transferência da concessão à Ligth, que mantém no Município a maioria das suas represas responsáveis pela geração de energia que abastecem a Cidade e o Estado do Rio de Janeiro, recebeu o Título de “Cidadão Rio-Clarense. A 6 de abril de 1966, a Câmara Municipal de Rio Claro já havia aprovado, por unanimidade, Moção de Agradecimento pela “atuação decisiva” de Câmara Torres na solução do problema de energia elétrica no Município.
21.5.1965. Data histórica para Rio Claro, RJ, e sua Gente. Digna de toda a gratidão e louvor por parte dos Poderes Púbicos - municipal de Rio Claro, estadual e federal - ao empresário, Senhor Raul Alves de Souza e Silva Júnior, que, como concessionário de geração e distribuição de energia elétrica ao Município, transferiu a concessão da Empresa Luz e Força de Rio Claro, RJ, de sua propriedade, ao Estado do Rio de Janeiro ou a quem este fizesse a sub-rogação. A cessão foi feita gratuitamente, renunciando o empresário aos seus direitos contratuais, sem qualquer indenização, que poderia ser de alguns milhões de cruzeiros. O empresário desvinculou a referida cessão de bens imóveis e móveis, havendo, porém a reversão do material, a partir do dia que a Empresa foi entregue ao Governo do RJ, este à União, e esta entregou à Rio Light S.A - Serviços de Eletricidade. a concessão dos serviços de distribuição em todo o município de Rio Claro. A transferência da concessão foi feita através do Decreto nº 58,282, de 28 de abril de 1966, assinado pelo Presidente Humberto de Alencar Castello Branco e pelo Ministro das Minas e Energia, Mauro Thibau. As condições da cessão de empresa rio-clarense ao Estado foram explicitadas no documento datado de 21.5.1965 assinado pelo Senhor Raul Alves de Souza e Silva Júnior, dirigido ao Secretário Estadual de Minas e Energia, Almirante Heleno Nunes. ex-Deputado Estadual, colega de Câmara Torres na Assembleia em duas legislaturas. O honrado empresário Raul Alves de Souza e Silva Júnior, conhecido na comunidade como Senhor Nonô, teve essa elevada atitude de amor a sua terra, civismo, desprendimento e generosidade. O Estado do Rio de Janeiro e a União, graças ao trabalho político articulador, do Deputado Estadual Câmara Torres, de diálogo e entendimento, entre o Governos Estadual e Federal, e o empresário Raul Alves de Souza e Silva Júnior, chegaram a bom termo . Nesse processo tecnológico e político-institucional, destaques para a atuação, ao lado do Deputado Câmara Torres, do Almirante Heleno Nunes; do ex-Governador e Senador Paulo Torres, que iniciou o processo de transferência; do Governador Geremias Fontes que o concluiu; e no Congresso Nacional, em Brasília, do Deputado Federal Dayl de Almeida. 
  • A 28.8.1967, a Câmara Municipal de Mangaratiba aprovou, por unanimidade, Voto de Agradecimento, por iniciativa do Vereador Moisés Ribeiro, ao Deputado Câmara Torres “pelos relevantes serviços prestados ao Município, especialmente por ter obtido do Governo do Estado a construção de mais uma escola para o 4º Distrito de Muriqui.
  • A 29.8.1967, a Diretoria, Quadro Social e Atletas do Clube Recreativo Alvorada, do Bairro da Engenhoca, de Niterói, agradecem ao Deputado Câmara Torres a doação feita pelo General Eloy Menezes, Presidente do Conselho Nacional de Desportos – CND, de material esportivo, obtido graças à ação do Parlamentar, de quem o militar era amigo e companheiro em várias ações cívico-esportivas.
  • De 11 a 17 de setembro de 1967, o Deputado Câmara Torres integrou a delegação de treze parlamentares do Estado do Rio de Janeiro, presente no 5º Congresso das Assembleias Legislativas, realizado em Recife, PE, que teve como Vice-Presidente o Chefe do Legislativo fluminense, Deputado Álvaro Fernandes. A Professora Gertrudes Nóbrega da Câmara Torres acompanhou o seu marido na viagem a Pernambuco. Entre as teses levadas a Recife e defendidas pela representação do Estado do Rio, as principais foram: o restabelecimento das eleições diretas nas capitais; reforma estrutural do regime pela reforma educacional; e prestígio do poder civil pela recuperação do Congresso. Foi destacada pela Imprensa a participação de Câmara Torres nos debates dos grupos e nas reuniões plenárias do Encontro, onde atuou na Comissão de Assuntos Econômicos, Financeiros e Gerais. 


Na foto de 11.9.1967, em Recife, PE, no 5º Congresso das Assembleias Legislativas,
os deputados Câmara Torres e Nicanor Campanário, amigos e colegas de Parlamento.
Ao lado de Câmara Torres, sua esposa, a Profa. Gertrudes.
(Acervo Marcelo Câmara)

  • A 22.9.1967, o Deputado Câmara Torres, manifestou, no Plenário da Assembleia Legislativa, o seu pesar pelo falecimento do penalista, Prof. José Telles Barbosa, então Diretor da Faculdade de Direito de Niterói. O Parlamentar, que foi aluno de Telles Barbosa, traçou um perfil biográfico e profissional do grande jurista que formou gerações de advogados e de muitos dos seus pares naquela Casa, registrando condolências à família enlutada. Câmara Torres foi um dos signatários da Moção de Pesar, apresentada, e aprovada por unanimidade, pelo Deputado Alberto Torres. Os Deputados João Rodrigues de Oliveira, Messias de Morais Teixeira e Flávio Palmier da Veiga também falaram sobre a personalidade, a vida e a obra do professor falecido.
  • Em Paraty, a 27.9.1968, o Deputado Câmara Torres esteve presente à Abertura do 2º Encontro Municipalista Sul Fluminense, com a participação de prefeitos, vereadores e lideranças de Angra dos Reis, Rio Claro, Paraty, Itaguaí e Mangaratiba, fórum que ele concebeu e criou. Na manhã de 29, último dia do Encontro, em Sessão Plenária presidida pelo Governador Geremias de Mattos Fontes, foi lido o Manifesto de Princípios e Reivindicações dos Municípios participantes.
  • A 28.9.1967, iniciou-se a tramitação do Projeto de Lei nº 213/67, de autoria do Deputado Câmara Torres, depois aprovado e transformado em Lei, atribuindo patronos a treze escolas estaduais do Município de Paraty, ilustres figuras históricas da tricentenária Vila. As Escolas do Corumbê, Engenho D’Água, Boa Vista, Várzea do Corumbê, Corisco, Mamanguá,Graúna, Barra Grande, Taquari, São Roque, Tarituba, São Gonçalo e Praia do Sono ganharam, respectivamente, os seguintes patronos: Francisco do Amaral Gurgel, João Apolônio dos Santos Pádua, José Mello, Professor Aquino, Maria Jácome de Mello, Domingos Gonçalves de Abreu, Doutor Mair Pena, Alberto Maranhão, Padre Manoel Brás Cordeiro, Silvio Romero, Marechal Santos Dias e Martim de Sá.


Na Festa de Nossa Senhora dos Remédios, Padroeira de Paraty,
em setembro de 1967,  da esq. p/ dir.: Deputado Saramago Pinheiro;
atrás dele, o ex-Prefeito Antônio Núbile França; Governador Geremias Fontes,
Prefeito Aloysio de Castro e Deputado Câmara Torres. 
(Acervo Marcelo Câmara)

  • A 1º.10.1967, ao lançar o primeiro número do jornal Órgão Oficial da Prefeitura Municipal de Parati, o Prefeito Aloysio de Castro, expressou um profundo agradecimento ao Deputado Câmara Torres por “toda a atenção que vem dedicando ao nosso Município.
  • A 26.10. 1968, o Deputado Câmara Torres esteve em Angra dos Reis para participar na Câmara Municipal de Angra dos Reis da solenidade de entrega dos títulos de Cidadãs Angrenses às Professoras Ruth Lair Rist Rademacker e Maria Carlota da Costa Madeira, a primeira esposa do Ministro da Marinha Almirante Augusto Rademacker, então integrante da Junta Militar que, em regime de exceção, governava o País, e que, por pouco tempo lecionou no Município; a segunda, mestra competente e querida pela população, com longa vivência e convivência na sociedade de Angra dos Reis, onde nasceram seus três filhos. A Profa. Carlota era esposa do grande médico e benfeitor de Angra dos Reis, Doutor Walter Madeira. O casal Madeira era compadre do casal Câmara Torres, padrinhos de batismo do seu filho angrense Marcelo. A iniciativa das homenagens foi feita por ex-alunos da Profa. Ruth. À época, a homenagem, que contou com banquete no Palace Hotel, e foi vista por muitos angrenses como “um evento de cunho político, destinado a cortejar e agradar a esposa do membro da Junta Militar, esquecendo-se de outras mestras com mais história e serviços prestados à Educação no Município, como a Professora Gertrudes Nóbrega da Câmara Torres, a Dona Tudinha, que morou por treze anos na Cidade, formou gerações, era integrada à vida comunitária e política e era mãe de cinco filhos angrenses, dos seus oito que gerou com o seu marido, o Técnico de Educação, depois Deputado Câmara Torres”.
  • O Deputado Câmara Torres foi o Autor do Parecer favorável, como Relator, na Comissão de Educação e Saúde, a 21.11.1967, ao Projeto de Lei 189/67, do Deputado Paulo Pfeil, que criava a Exposição Fluminense de Artes Plásticas. O Parecer foi aprovado.
  • Em outubro de 1969, o Deputado Câmara Torres obteve da Secretaria Estadual de Saúde um Serviço Médico Volante Terrestre e Marítimo, com uma lancha e uma ambulância, para atender as populações da Baía da Ilha Grande: Mangaratiba, Angra dos Reis, Paraty e as Ilhas Grande e as centenas de outras da Região.
  • Assembleia Legislativa, e a Casa aprovou, Moção de Pesar pelo falecimento, aos 101 anos de idade, do ilustre Desembargador Faria e Souza
  • A 29.11.1967, o Deputado Câmara Torres apresenta Moção de Aplausos pelo aniversário natalício, celebrado naquela data, do seu colega, o ilustre Parlamentar Michel Salim Saad, então Vice-Líder da ARENA. A Moção, assinada por dezenas de outros Deputados, foi aprovada. 
Na mesma data, às vésperas da publicação do Diário Oficial da exoneração do Sr. Hélio Monerat Solon de Pontes da Secretaria de Educação e Cultura, feita pelo Governador Geremias Fontes, novamente, o Jornal do Brasil e grande parte da Imprensa de Niterói e do Rio, voltaram a afirmar, “pela milésima vez”, isto desde 1959, que o Deputado Câmara Torres seria nomeado Secretário de Estado da Educação e Cultura, pois seria empossado “um professor, especialista e com vasta experiência na área”. Mais uma cogitação, um boato.

  • Em Sessão de 14.11.1967,.o Deputado Câmara Torres apresentou Moção de Congratulações pelo 18º Aniversário da Valenciana de Letras, da qual é Membro, aprovada pela Casa. O Parlamentar ocupa a Cadeira Patronímica de ilustre jornalista e tribuno republicano Lopes Trovão no sodalício e, naquela Sessão, ocupou a Mesa de direção dos trabalhos. 
  • Ao final de novembro de 1967, o Governador Geremias Fontes aventou a possibilidade de mudanças no Secretariado e, mais uma vez, desde 1958, o nome do Professor e Técnico de Educação, Deputado Câmara Torres foi citado pela Imprensa como forte candidato a ocupara a Pasta da Educação e Cultura, para substituir o Prof. Hélio Monerat Solon de Pontes, então no cargo. Mas, em dezembro foi convidado, e aceitou, ser o Secretário de Estado do Interior e Justiça.


Na manhã de 5.12.1967, o Governador Geremias Fontes dá posse,
no Palácio do Ingá, ao Deputado Câmara Torres  no cargo de 
Secretário do Interior e Justiça.  Na imagem, à esq., o Deputado Estadual
Flávio Palmier da Veiga;  atrás de Câmara Torres, o Deputado Cordolino Ambrósio,
quatro vezes Presidente da Assembleia Legislativa e Governador interino em 1964;
entre o empossado e o Governador, o Deputado Federal, Luiz Braz, que deixava a Pasta.
(Foto AFI - Acervo Marcelo Câmara)

  • No final de 1967, o Deputado Câmara Torres incluiu no Orçamento para 1968 NCr$ 10 mil utilizado para aquisição do terreno destinado à construção do Estádio Municipal de Angra dos Reis, a cargo da Prefeitura Municipal. No ano seguinte, no cargo de Secretário do Interior e Justiça solicitou e obteve do Governador Geremias de Matos Fontes, mais NCr$ 10 mil para a Prefeitura para aplicação nas obras do referido Estádio.

  • Velho mantra político. A edição de 5.12.1967, do jornal O Fluminense comentava a insatisfação da Bancada arenista quanto à nomeação do Deputado Federal, Luiz Braz, para a Secretaria de Educação e Cultura. Por dois motivos. Primeiramente, porque ela não foi ouvida; e, sem segundo lugar, porque desejava, e esperava, que a Pasta da Educação e Cultura fosse destinada, naturalmente, a Câmara Torres, devido ao seu perfil profissional e político, pois, unanimemente, o considerava  o mais indicado para ocupá-la. Desde o início do segundo mandato de Câmara Torres na Assembleia Legislativa, os meios políticos, técnicos, acadêmicos, e a própria Imprensa considerava que “o posto executivo adequado” para o Parlamentar seria a Educação e Cultura, lugar que, segundo a concordância generalizada, “o Câmara é o homem que mais conhece o assunto no Estado”. Convocado e nomeado para o cargo de Secretário do Interior e Justiça, assumiu, na Assembleia Legislativa, vaga aberta com a saída de Câmara Torres, o ex-Prefeito de Teresópolis, o seu amigo Jamil Sabrá.
  • Às 15h30m do dia 5.12.1967, o Deputado Câmara Torres assume a Secretaria de Estado do Interior e Justiça do Estado do Rio de Janeiro. Foi saudado pelo seu companheiro Deputado Raul de Oliveira Rodrigues. Na solenidade, muitos juízes, promotores, defensores públicos, advogados, deputados, prefeitos e vereadores. Seu primeiro ato foi nomear o seu correligionário, velho e leal amigo, o advogado Dr. Camilo Silva, Chefe de Gabinete.


Câmara Torres, quando assumia o cargo na Secretaria do Interior e Justiça,
 firma o compromisso de “humanizar os presídios”,
promover uma ampla e profunda Reforma Penitenciária.
E a fez em boa parte, não a concluindo por ter ficado
apenas oito meses na Pasta.
(Foto: O Fluminense – Acervo Marcelo Câmara)
      
  • A 11.12.1967, foi sancionada pelo Governador do Estado a Lei nº 6.007, decorrente de Projeto do Deputado Câmara Torres, que denominou “Escola Inacio During” (hoje Escola Municipal) a então Escola Estadual localizada na Vila Histórica de Mambucaba, 4º Distrito de Angra dos Reis.
  • A 12.12.1967, a Assembleia Legislativo do Estado do Rio de Janeiro aprovou, por unanimidade, Moção de Felicitações, ao Secretário do Interior e Justiça, Deputado Câmara Torres por ter entregue a sua Assessoria de Imprensa ao inteligente e querido Jornalista Carlos Vilhena de Lacerda Soares, de O Jornal, da sucursal do diário em Niterói”. A iniciativa da Moção foi do Deputado João Rodrigues de Oliveira. Assinaram a Proposta mais trinta e dois Parlamentares.
  • A 13.12.1967 a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, aprovou, por unanimidade, Moção de Congratulações ao Governador Geremias Fontes, pela “feliz escolha” do Deputado Câmara Torres para o cargo de Secretário do Interior e Justiça, e com este pela nomeação do Doutor Camilo Silva para seu Chefe de Gabinete. A autoria da Moção coube ao Deputado João Coelho de Almeida, ratificada pelas assinaturas de mais 38 deputados da Situação e da Oposição.
  • A 10.1.1968, o Secretário do Interior e Justiça, Câmara Torres, foi comunicado pelo Presidente da Câmara Municipal de Angra dos Reis, Benedito Adelino dos Santos, que aquela Casa aprovou Moção de Aplausos ao Deputado, em virtude das firmes e fundamentadas medidas que, como Titular da Pasta do Interior e Justiça, quanto à interpretação e aplicação do Decreto-Lei 201, de 1967, que estava gerando conflitos, instabilidades e insegurança entre os Poderes Executivos e Legislativos municipais. Segundo o Presidente da Câmara, o Secretário, através de diálogos com os Prefeitos e as Câmaras de Vereadores, com Ministério da Justiça e outros órgãos da União, comprovava a sua posição "em defesa dos princípios básicos da Democracia e as tradições do Povo Brasileiro, trazendo de volta a tranquilidade à população angrense”.
  • Em janeiro de 1968, o Secretário do Interior e Justiça, Câmara Torres, representando o Governador Geremias Fontes, na recepção ao Governador Negrão de Lima, em Paraty, reuniu-se com prefeitos e lideranças do Vale do Paraíba paulista para traçar a execução da Operação Tiradentes, que uniria esforços, recursos dos Governos do Estado do Rio de Janeiro e de São Paulo, para efetivar a pavimentação da Estrada Paraty-Cunha, com a integração desses dois municípios a Guaratinguetá e municípios limítrofes paulistas.
  • Em fevereiro de 1968, o Secretário do Interior e Justiça, Câmara Torres recebeu os ex-prefeitos de Paraty, Antônio Núbile França e Norival Rubem de Oliveira, que foram reivindicar a construção de um Fórum de Justiça para a Comarca de Paraty. Câmara Torres e os políticos do Município Monumento Nacional, juntos, visitaram o Secretário de Transportes e Comunicações, Saramago Pinheiro, quando solicitaram a intensificação e a regularidade dos trabalhos de reparos e manutenção da Estrada Paraty-Cunha, única via terrestre de acesso ao município, fundamental para o Turismo, escoamento da produção agropecuária. paratyense e, ao mesmo tempo, para o seu abastecimento de gêneros oriundos de São Paulo, através da Rodovia Guaratinguetá-Cunha. Os políticos de Paraty disseram aos repórteres que os dois Secretários “são as autoridades que mais conhecem os problemas da Região e ninguém tem mais competência do que eles para solucioná-los”.
  • A 4.3.1968, a Câmara Municipal de Mangaratiba, na unanimidade de seus Membros, aprovou Voto de Congratulações ao Deputado Câmara Torres “pela sua investidura na Secretaria do Interior e Justiça, representando, desta forma, o Povo Sul Fluminense”. O Autor da Proposta foi o Presidente da Casa, Vereador Cândido Jorge, o Capixaba, do MDB.
  • A 25.5.1968, o Secretário do Interior e Justiça, Deputado Câmara Torres, ao lado de diversas autoridades federais, estaduais e municipais, estava em Angra dos Reis, onde recepcionou o Ministro dos Transportes, Mário Andreazza, que foi ao Município inaugurar obras de reparos e melhoramentos no Porto e acompanhar a Sra. Lilian Andreazza, que batizou, no Estaleiro Verolme, na Jacuecanga, o batismo e lançamento ao mar do navio Boa Esperança. As obras no Porto, bem como a anunciada pavimentação do trecho da Santa Casa à Estrada da Verolme, foram progressos alcançados por Câmara Torres e do Secretário Estadual de Transportes e Comunicações, Deputado Saramago Pinheiro.
  • A 14.6.1968, o Vereador Ruy Mattos dos Santos, da Câmara Municipal de Niterói requer à Mesa “as melhores congratulações do Legislativo ao Exmo. Sr. Secretário do Interior e Justiça, Deputado José Augusto da Câmara Torres, pela feliz indicação que fez do nome do Procurador do Estado, Doutor Hyrtis Perorázio Tavares para exercer o cargo de Diretor das Municipalidades, nomeado pelo Senhor Governador”. 
  • A 7.7.1968, foi disputado, em Bom Jesus de Itabapoana, o Troféu Câmara Torres, um jogo de futebol entre a Seleção deste Município e a Seleção de Angra dos Reis
  • A 22 de julho de 1968, o Secretário do Interior e Justiça Câmara Torres foi homenageado, no seu aniversário natalício, no Município de Rio Claro, reunindo autoridades e população. Na oportunidade, após ouvir vários oradores que louvaram a sua operosa e eficaz ação de Homem Público em favor do Município, o Secretário anunciou, “um compromisso de honra”, de entregar a Rio Claro, no ano seguinte, um novo Fórum de Justiça, contando, para isto, com o apoio do Prefeito Salim Alexandre Elias e da Câmara Municipal, quanto à doação do terreno para a construção do edifício. Os alunos do Ginásio de Rio Claro, criado graças ao seu trabalho político pela Educação Pública, cantaram Parabéns pra você e um bolo foi servido aos presentes. Em Niterói, na mesma semana, houve comemoração na Secretaria do Interior e Justiça, iniciativa dos servidores, e Missa Festiva realizada na Basílica N. Sa. Auxiliadora, mandada celebrar por parentes e amigos.
  • Em julho de 1968, o trabalho de Deputado Câmara Torres obteve a edição de Decreto do Governador do Estado que incorporava, em Angra dos Reis, o Grupo Escolar Lopes Trovão, construído por ele em 1945, ao Colégio Estadual Doutor Artur Vargas, outra obra do Representante angrense.
  • A 14.8.1968, a Assembleia Legislativa instalava o Instituto de Previdência e Assistência do Poder Legislativo do Estado do Rio de Janeiro – IPALERJ. O Deputado Câmara Torres era o candidato mais cotado para assumir a presidência da nova entidade, mas um acordo entre a ARENA e o MDB elegeu o Deputado João Smolka, deste último partido, para comandá-la. Câmara Torres ficou com o segundo cargo mais importante, o de Tesoureiro, passando a gerir a vultosa verba de NCr$ 100 mil.
  • Em agosto de 1968, em consequência da ação político-parlamentar do Deputado Câmara Torres junto ao Governo do Estado foram inauguradas mais quatorze salas de aula em Angra dos Reis: seis na Praia da Chácara; quatro no Bonfim; duas na Praia Vermelha e duas na Enseada das Estrelas. O Deputado obteve um Posto de Saúde para a Vila do Abraão, na Ilha Grande, e uma Agência do Banco do Estado do Estado do Rio de Janeiro – BANERJ, que foi instalada no Centro da Cidade.


18.8.1968. Amplia-se a Rede Escolar em Angra. Dia de inaugurações.
A Escola na Praia do Bonfim ganha mais quatro salas. Na foto, em primeiro plano,
discursa o Prefeito Jorge Wishart. Da esq. p/ dir., o Deputado Saramago Pinheiro,
 Secretário de Estado dos Transportes e Comunicações, representando
o Governador Geremias Fontes; o Vereador Benedito Adelino dos Santos,
Presidente da Câmara Municipal; o Depútado Câmara Torres;
e o Vereador Carlos Alberto Gibrail Rocha.
(Acervo Marcelo Câmara)

  • Condições permanentes de tráfego”, assim o DER-RJ, em agosto de 1968, com as conclusão das pontes sobre os Rios da Guarda, da Ponte e do Ariró Pequeno, informou sobre o fim das obras da RJ-129, que ligaria Angra dos Reis a Paraty, uma estrada pela qual o Deputado Câmara Torres lutou por quase vinte anos junto aos Governos Estadual e Federal. A estrada, considerada “a mais bela do País”, serpenteando a Costa Verde, o litoral da Baía da Ilha Grande, deu origem à Rodovia Rio-Santos, trecho da BR-101. A configuração de uma estrada de baixa velocidade, turística, pontilhada de pousadas e pequenos hotéis e restaurantes típicos caiçaras, com belvederes e pontos de avistar paisagens – era o sonho de Câmara Torres. Na verdade, a estrada ainda não estava pronta. Somente anos depois a Angra-Paraty recebeu tráfego regulaar. Infelizmente, uma autoestrada foi construída, rodovia de alta velocidade, que aterrou ou afetou dezenas de praias e mangues, arrasou matas, afastou a pesca artesanal, farta e próxima do litoral. 
Anos depois, o jornalista Marcelo Câmara, filho de Câmara Torres, repórter do Jornal do Brasil em 1974, à época o mais importante do País, com pauta própria, denunciou, indiretamente, em matéria de primeira página que a Rio-Santos jamais seria inaugurada, pois a construção era ambientalmente insustentável: cortava áreas inclinadas, morros de matas virgens e bananais, terrenos quartenários onde muitas pedras e muita água sobre blocos matrizes rolavam sem cessar em direção ao mar, às várzeas, às pequenas planícies, aos vértices entre montanhas. Tanto isto é verdade, que até hoje o Governo Federal não inaugurou a rodovia, pois os desmoronamentos de encostas e destruição de seus trechos são frequentes. Câmara Torres, atuando junto ao então Ministro dos Transportes, Mário Andreazza e o Diretor do DNER, Eliseu Resende, conseguiu salvar vilas e tesouros ecológicos e históricos do projeto monstruoso da Rio –Santos. Assim Câmara Torres conseguiu que o Governo Federal alterasse o projeto da Rio-Santos, que passaria por cima de Mambucaba, Vila colonial, histórica, tombada pelo IPHAN, destruindo-a. E a localidade de Campinho, resquício de quilombo, próximo a Paraty desaparecesse, porque, segundo o projeto federal, o sítio de inestimável valor histórico e cultural, onde viviam e vivem dezenas de famílias afrodescendentes de escravos africanos desapareceria.

  • Em agosto de 1968, a atuação do Deputado Câmara Torres na Assembleia Legislativa e junto ao Governo do Estado leva para Angra dos Reis novos ramais de transmissão da Companhia de Eletricidade Fluminense – CELF, atendendo a periferia da cidade.
  • Em agosto de 1968, a Imprensa especulava que o Deputado Câmara Torres seria o tercius, o nome para ocupar a Liderança da ARENA na Assembleia Legislativa, pacificando o Partido que se conflitava internamente e se dividia em grupos. O Parlamentar, porém, jamais pretendeu ou se candidatou ao cargo. 
  • A edição de 22.9.1969 de O Fluminense, informou que o Deputado Câmara Torres foi eleito, pela Ala Jovem do Palácio do Ingá, o parlamentar mais assíduo nos corredores governamentais após 13 de dezembro do ano anterior até aquela data.
  • A 26 e 27 de setembro de 1968, o Deputado Câmara Torres é o “Convidado Especial” do II Encontro Municipalista Sul Fluminense, que se realizou em Paraty, evento político que idealizou e teve a sua primeira versão em Angra dos Reis um ano antes. No evento, foram discutidos os principais problemas e entraves ao desenvolvimento da Região  e feitas propostas encaminhadas aos Governos Estadual e Federal.


O Deputado Câmara Torres discursa na abertura

do II Encontro Municipalista Sul Fluminense, na Câmara Municipal de Paraty.

(Acervo Marcelo Câmara)

  • No início de novembro de 1968, o jornal carioca Correio da Manhã publicava ampla, demagógica e sensacionalista matéria sobre mais uma tentativa de um grupo de pessoas de Paraty tentando, inutilmente, mobilizar a população para um movimento de anexação do Município ao Estado de São Paulo. Novamente, o corretor de seguros e pecuarista Antônio Conti atacava, sem razões, injusta e absurdamente, a dedicação extrema do Deputado Câmara Torres às causas da comunidade, bradando e divulgando, ao vento, bordões vazios contra o Parlamentar, sem qualquer consequência ou adesão dos paratyenses. A revolta dos habitantes contra o abandono e a omissão a que os Poderes Públicos relegaram o Município era justificável e compreendida pelo Deputado Câmara Torres. Porém, o Parlamentar jamais concordou com campanhas separatistas, e a Imprensa sempre registrou e louvou, profusamente, o trabalho de Câmara Torres na tribuna da Assembleia e junto aos Governos, na obtenção de instrumentos, recursos e melhoramentos para o Município, em todas as áreas, que determinavam a sua integração ao resto do Estado e que impulsionavam o seu desenvolvimento socioeconômico e a preservação do seu patrimônio cultural e ecológico. O curioso é que, apesar das fanfarronices separatistas de Antônio Conti, que continuaram até a sua velhice, pelo que se sabe, ele nunca deixou de ser um eleitor fiel de Câmara Torres, enquanto este participou de disputas políticas, até 1970.
  • O Deputado Câmara Torres dá entrevista a O Globo, publicada na edição de 4.11.1968, afirmando que o movimento separatista de Paraty, visando integrá-lo ao Estado de São Paulo “não passa de campanha demagógica daqueles que procuram, por interesses contrariados, negar uma obra de verdadeira integração que o Governo Geremias Fontes está fazendo naquele município. Não é a primeira vez que enfrentamos tal engodo. Essa campanha é pura balela e não chegou a sensibilizar as autoridades de Paraty, avessas a jogadas de puro teor eleitoreiro”. O deputado, após citar a união do Prefeito Aloysio de Castro, seu Vice e dos nove vereadores contra o movimento, citou as obras pelas quais tem pugnado naquele momento como representante de Paraty e sendo atendido: “O Governo Estadual entregou oito salas de aula à Comunidade e serão mais quatro até o final do ano; o Grupo Escolar Samuel Costa, na sede do município, ganhará mais seis salas de aula e será completamente reformado, uma reivindicação de mais de vinte anos da população; as 31 escolas do município funcionam regularmente, bem equipadas, em perfeitas condições; o atual governo bateu um recorde na concessão de bolsas de estudo para os cursos ginasial, normal e de contabilidade; na área da Saúde, foi contratado mais um médico para o município, que conta agora com três, o posto médico local foi reformado, ampliado e com mais recursos está o consultório dentário e são iniciadas as construções dos postos médicos nos Distritos de Tarituba e Patrimônio; no setor de energia, estamos negociando com o Príncipe Dom João de Orleans e Bragança o aproveitamento pelo município da eletricidade gerada na usina de sua indústria, e viabilizando a construção de uma linha de transmissão da Usina de Furnas para o município”. 
  • Em novembro de 1968, uma comissão integrada pelo Prefeito de Paraty, Aloysio de Castro, o Vice-Prefeito, Aldmar Duarte, os Deputados Estaduais Câmara Torres e José Miguel Olímpio Simões, além de sete dos nove vereadores do Município Monumento Nacional – estiveram no Gabinete do Governador Geremias de Matos Fontes “para lhe hipotecar irrestrito apoio e total solidariedade, condenando qualquer movimento separatista de Paraty no sentido de se integrar a São Paulo”. A comissão informou à Imprensa que o Governo tem dado atenção a Paraty e renovou apelo a Geremias para continuar se empenhando junto ao Ministério dos Transportes para que sejam agilizadas as obras da Estrada Angra dos Reis-Paraty, responsabilidade do Governo Federal. Reiteraram ao Governador melhorias para a Estrada Paraty-Cunha, SP, única via de comunicação terrestre do Município. O Governador comunicou à comissão as obras do Estado em andamento em Paraty: reforma do Grupo Escolar Samuel Costa com a construção de mais seis salas de aula; construção dos prédios do Fórum de Justiça da Comarca e do Posto de Saúde da cidade; mais uma ambulância para o Serviço Médico-Volante da Santa Casa e melhoria no Campo de Aviação. “Essas e outras iniciativas do meu Governo – frisou Geremias – provam o interesse do meu Governo por Paraty”. Revelou, ainda uma importante iniciativa no campo dos Transportes e do Turismo, graças a negociações do Governo com a empresa italiana Leopoldo Rodriguez Shipyard para um contrato com ônus para ela, visando à utilização de aerobarcos na Baía da Ilha Grande, trazidos pelo Deputado Câmara Torres e pelo Secretário de Transportes e Comunicações, Saramago Pinheiro, para a Baía da Guanabara, onde já navegavam algumas unidades, fazendo o trajeto Rio-Niterói-Rio; o Governador autorizou a doação de aparelho de RX para a Santa Casa e determinou aos Secretários de Obras e Energia melhoramentos no abastecimento d’água e de força e luz para o Município. Também ordenou à Secretaria de Educação atender, através de bolsas de estudo, mais apoio aos estudantes sem recursos para cursar o ginásio, os cursos normal e de contabilidade na única escola particular que ofereciam essas formações no Município. “Diante desses fatos, concluiu o Governador, só um insano mental poderá afirmar que o Governo do Estado do Rio relegou Paraty ao abandono”. Durante o encontro, o Governador informou à comissão que estava autorizando, extraordinariamente, a liberação imediata de R$ 2 milhões para obras emergenciais de reconstrução e transitabilidade para a Estrada Paraty-Cunha (SP).


1968. Campo de Aviação de Paraty. Desembarcam, de mais uma das dezenas de voos que sempre faziam

à Cidade Histórica, os Deputados Câmara Torres e Saramago Pinheiro (o segundo e o terceiro, da esq. p/ dir.).
Na pauta, as principais demandas da população: Transportes, Educação, Comunicações, Saúde, Agricultura
Pesca, Cultura, Meio Ambiente e Turismo. E eram recebidos (da dir. p/ esq.) pelo Vereador Paulo Carijó,
Presidente da Cãmara; Aloysio de Castro, Prefeito; e o Vereador Agílio Ramos.

(Acervo Marcelo Câmara)

  • Na edição do Jornal do Brasil de 15.9.1968, o Deputado Câmara Torres denuncia que continuam paralisadas as obras de abertura da Estrada Angra dos Reis- Paraty e desmente um “novo movimento articulado pelo Prefeito Aloysio de Castro, visando a anexação de Paraty a São Paulo”. Três dias depois, o Deputado, em audiência com o Governador Geremias Fontes, reclama da paralisação da estrada, iniciada em 1959 pelo Governador Roberto Silveira, e também da ausência de conservação por parte do DER-RJ da Estrada Paraty-Cunha. No encontro, Câmara Torres reitera uma série de obras públicas solicitadas ao Estado pela Prefeitura de Paraty e obtêm uma ambulância para a Santa Casa do Município.
  • A 16.9.1968, recebe ofício de Vivaldo Eloy da Silva Passos, Presidente da Associação Mantenedora do Hospital de Mangaratiba, agradecendo os relevantes serviços prestados pelo Parlamentar àquela entidade, atendendo às suas solicitações.
  • Em setembro de 1968, o Deputado Câmara Torres é o Autor da Proposta de Moção de Congratulações à Marinha de Guerra do Brasil, aprovada pela maioria da Assembleia Legislativa, pela posse do Vice-Almirante José de Carvalho Jordão no Comando do 1º Distrito Naval, sediado na Cidade do Rio de Janeiro.
  • Em outubro de 1968, o Deputado Câmara Torres foi o Coordenador da Barraca de Angra dos Reis, na Feira da Bondade, promovida pelo Governo do Estado, em Niterói. O Presidente da Câmara Municipal de Angra dos Reis, Benedito Adelino Santos de Souza, enviou ofício ao Parlamentar agradecendo “o desprendimento e a boa vontade de Câmara Torres, causa do sucesso e promoção alcançados pelo município no evento”. 
  • Em outubro de 1968, atendendo à reiterada reivindicação do Deputado Câmara Torres, o Governo do Estado concedeu reajuste salarial de 26% aos servidores da Administração Central dos Portos de Angra dos Reis e Niterói.
  • A 6.11.1968, o Deputado Câmara Torres subiu à tribuna da Assembleia Legislativa para responder a acusações contra o Príncipe Dom João de Orleans de Bragança, feitas por outro parlamentar, segundo as quais, o membro da Família Real seria “o principal mentor do movimento separatista que visa transferir o município de Paraty para São Paulo”. Câmara Torres disse tratar-se de “uma campanha de cunho demagógico, fomentada apenas por grupos interessados apenas em tumultuar a vida dessa cidade”. Acrescentou que o Governo do Estado “estava atento e iria abortar a manobra”. Dias antes, o Secretário de Transportes, Saramago Pinheiro, declarava à Imprensa que “o Deputado Câmara Torres e o Prefeito Aloysio de Castro têm sido incansáveis no trabalho junto ao Governo Estadual para atendimento das demandas do Povo de Paraty em todas as áreas”. Acrescentou que “o Governador Geremias Fontes tem dialogado com o Ministro dos Transportes Mário Andreazza, no sentido de pleitear recursos federais para concluir a Estrada Angra-Paraty, de responsabilidade da União”.
  • A 7.11.1968, a reivindicação do Deputado Câmara Torres ao Governador para que autorizasse um aumento digno e justo para os servidores do Serviço de Navegação Sul Fluminense foi concedido. O Gabinete Civil comunicou ao Representante do Extremo Sul Fluminense que a base do reajuste foi de dezoito por cento. 
  • Na tarde de 18 de novembro de 1968, o Deputado Câmara Torres levou à presença do Governador Geremias Fontes, um grupo de autoridades municipais de Paraty, formada pelo Prefeito Aloysio de Castro, o Vice-Prefeito Aldmar Duarte, o Presidente da Câmara, Paulo Carijó, e Vereadores, a fim de explicar o porque do novo movimento separatista, o quarto nos últimos dezoito anos, que pretende transferir o Município para São Paulo. A comitiva apresentou a Geremias as dificuldades enfrentadas pelos paratyenses em todos os setores, especialmente na Comunicação com os demais municípios, pois a Estrada Angra-Paraty, iniciada em 1959, não se conclui e a ligação Paraty-Cunha (SP), estava, quase sempre, comprometida no seu tráfego regular. O Governador, o Deputado e os Líderes debateram, à exaustão, as soluções para os diversos problemas do Município, chegando-se à conclusão de que somente as ações efetivas e imediatas do Estado e da União em favor de Paraty trariam progresso e bem-estar ao seu sofrido povo e esvaziariam as repetidas tentativas de se organizar movimentos separatistas. A comitiva renovou a confiança nas palavras positivas de ação do Governador em favor do Município “condenando qualquer movimento separatista de Paraty para São Paulo”. Dias antes, o Deputado Câmara Torres já havia declarado à Imprensa que “a anexação de Paraty a São Paulo, além de social, política e economicamente, inviável, era flagrantemente inconstitucional”. Acrescentara que o Governador Geremias Fontes estava comprometido em resolver os problemas do Município: “Dezenove escolas estaduais ou em convênio da Prefeitura com o Estado estavam em pleno funcionamento e a deficiência no fornecimento e distribuição de energia elétrica estava sendo solucionada pelas Centrais Elétricas Fluminenses – CELF, por determinação expressa do Governador”. 
  • A 8.12.1968, embarcou para Salvador, BA, o Deputado Câmara Torres integrando a Delegação da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro ao Congresso Extraordinário da União Parlamentar Interestadual.
  • Em dezembro de 1968, o Deputado Câmara Torres é Autor da Proposta de Moção de Congratulações com o Povo de Rio Claro, RJ, o Governo Estadual e Federal, aprovada pela Assembleia Legislativa, referente à solução definitiva do abastecimento e distribuição de energia elétrica daquele Município. A conquista para Rio Claro desse fundamental fator para o seu desenvolvimento deveu-se ao trabalho político-parlamentar de anos, contínuo e persistente, do Deputado Câmara Torres.
  • A 30.12.1968, o Governador Geremias Fontes, em reunião com o seu secretariado, anunciou a sua saída da ARENA, em virtude dos conflitos desarrazoados e em desacordo com o interesse público do Partido, manifestando a sua fidelidade aos “ideais e compromissos da Revolução de 1964 que não se compatibilizavam com a conduta do Partido no Estado”. No início de janeiro de 1969, os Deputados Câmara Torres e Sebastião Bruno estiveram no Palácio de Despachos do Horto Botânico, no bairro do Fonseca, em Niterói, para, pessoalmente, prestar solidariedade ao ato de coragem e coerência política do Governador.
  • No segundo semestre de 1968, restabeleceram-se os embarques de café no Porto de Angra dos Reis, graças às ações político-parlamentares firmes e contínuas do Deputado Câmara Torres, juntos aos Governos Estadual e Federal.



O aerobarco que o Deputado Câmara Torres e o Secretário de Transportes e Comunicações,
 Deputado Saramago Pinheiro, tentaram introduzir no transporte de passageiros na Ilha Grande.
(Acervo Marcelo Câmara)

  • Em 1968, o Deputado Câmara Torres articulou as negociações entre o Governo do Estado do Rio de Janeiro, através da Secretaria de Transportes e Comunicações, sob a administração de Saramago Pinheiro, e uma empresa italiana para introdução no Brasil do aerobarco, que transitou, na Baía da Guanabara, fazendo o trajeto Rio-Niterói por vários anos. O Parlamentar tentou introduzir o modal de transporte na Baía da Ilha Grande, mas o Governo fluminense não implantou o projeto. Ainda em 1968, Câmara Torres conseguiu do Governo a ampliação da capacidade do Porto de Angra dos Reis, aumentando a  exportação do ferro gusa e a importação de carvão para a Cia. Siderúrgica de Volta Redonda, o desenvolvimento da indústria da pesca na Baía da Ilha Grande e a melhoria do transporte de cargas e passageiros pelo Serviço de Navegação Sul Fluminense.
  • Em janeiro de 1969, o Deputado Câmara Torres unia-se à população de Paraty e clamava ao Governo estadual atendimento às demandas do Município, frente a mais uma iniciativa de alguns que levantavam mais um natimorto movimento separatista, que tentava anexar o Município Monumento Nacional ao Estado de São Paulo.
  • Em meados de fevereiro de 1969, a Imprensa carioca e fluminense informam que o Deputado Câmara Torres passará o Carnaval com a família em Angra dos Reis
  • Em abril de 1969, o jornal carioca Correio da Manhã publica: A Cobiça – O deputado Câmara Torres acusa determinados círculos paulistas, os quais não quis nomear, de fomentarem o movimento de anexação de Paraty a São Paulo. Explica: O que eles querem é possuir um centro turístico de inigualável beleza, como Paraty, coisa que os paulistas sempre cobiçaram”.

Da esq. p/ dir., três grandes Homens Públicos, honrados e probos,

que lutaram pelo Desenvolvimento Político, Socioeconômico e Cultural
de Paraty: Aloysio de Castro, três vezes Prefeito; Benedito Telmo Coupê,
Vereador e Vice-prefeito; e Câmara Torres, que exerceu quatro mandatos
de Deputado Estadual, representando o Município Monumento Nacional
e Patrimônio Mundial da Humanidade.

(Acervo Marcelo Câmara)

  • A 4.6.1969, o Deputado Câmara Torres e o Prefeito de Paraty Aloysio de Castro, em audiência com o Governador Geremias de Matos Fontes, receberam do Chefe do Executivo Fluminense uma série de boas notícias com relação ao Município Monumento Nacional: 1) urgência nas obras da Estrada Paraty-Cunha, com a destinação imediata de NCR$ 2 milhões para o empreendimento; 2) doação de uma ambulância ao Serviço Médico Volante do Município; 3) auxílio para aquisição de um gabinete dentário para o Grupo Escolar Samuel Costa; 4) abertura de concorrência pública naquele mês para construção do novo serviço de abastecimento d’água da cidade; 5) melhoria nos serviços de força e luz; 6) recursos estaduais para reconstrução do prédio da Prefeitura e para ampliação do campo de aviação; 7) auxílio do Estado para auxiliar na produção do filme O alienista, sob a direção de Nelson Pereira dos Santos, baseado no romance do mesmo nome de Machado de Assis. Além de Câmara Torres e Aloysio de Castro, participaram da reunião, o Vice-Prefeito Aldmar Duarte, o Presidente da Câmara Municipal Paulo Carijó, o diretor da Divisão de Obras da Prefeitura, José Plínio Rubem de Oliveira, e o ex-Vereador e Presidente da Câmara, Irênio Marques Filho, da produção do referido filme. então sendo rodado em Paraty. 
  • A 9.6.1969, é inaugurado o asfaltamento da RJ-16, Rodovia Angra-Getulândia, pelo Ministro Mário Andreazza e o Governador Geremias Fontes, com a presença do Deputado Câmara Torres, a autoridade mais festejada no evento. Desde 1947, quando da sua abertura, primeiro como Técnico de Educação e Líder Político e Comunitário, e, a partir de 1955, como Parlamentar representante de Angra dos Reis e Região, Câmara Torres lutou, incansavelmente, pela pavimentação da estrada. A edição fluminense do Diário de Notícias, do Rio de Janeiro, daquele dia, dedicou uma página inteira a manifestações de lideranças angrenses e rio-clarenses sobre a melhoria sonhada há vinte e dois anos, sendo o nome do Deputado Câmara Torres o mais citado e saudado.
  • Na década de 1960, o Deputado Câmara Torres apresentou à Assembleia Legislativa, que aprovou, Moção de profundo pesar, à Família e aos angrenses, pelo falecimento de Frederico de Carvalho Azevedo, natural da Praia do Provetá, na Ilha Grande, Angra dos Reis, várias vezes Diretor do antigo Departamento de Educação, Membro do Conselho Administrativo do Estado do Rio de Janeiro. “De uma modéstia admirável, de uma tranquilidade impressionante e um bom sendo o tornou conselheiro de várias gerações de Homens Públicos fluminense. Seu nome será sempre lembrado pelos educadores fluminenses” – justificou o Parlamentar. 
  • A edição de 5.1.1968 de O Globo trouxe, com chamada e foto na primeira página com o título A esquecida, ampla reportagem com fotos na terceira página, sobre o abandono que o Governo do Estado do Rio relegava a Paraty. Na matéria os repórteres contam detalhadamente a “aventura”, “o risco” de visitar a “bela e preciosa Paraty”, com chuva, através da Estrada Paraty-Cunha, este município paulista limítrofe.
  • Em janeiro de 1970, a primeira página da edição do Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro mancheteou: “Tratamento sem privilégio dará futuro melhor aos paratienses”. A matéria informou sobre os investimentos do Estado no Município, todos decorrentes da ação político-parlamentar do Deputado Câmara Torres: 1) melhoria, ampliação do sistema de esgoto sanitário da cidade, visando ao desenvolvimento do Turismo; 2) construção pelo Governo Federal da BR-101, Rodovia Rio-Santos, que resolve o projeto antigo da ligação Paraty-Angra dos Reis; 3) recuperação da Estrada Paraty-Cunha que tem viabilizado o aumento de visitantes de São Paulo e do Sul do País a Paraty; 4) articulação constante com o IPHAN, com o apoio da Secretaria de Segurança Pública e do Ministério Público Estadual, nas ações de proteção ao Bairro Histórico do Paraty.
  • Em fevereiro de 1970, a Imprensa, em meio a uma reforma do Secretariado do Governador Geremias Fontes, volta a especular o nome do Deputado Câmara Torres para voltar à Pasta do Interior e Justiça. A edição de 5.2.1970 de O Fluminense informava que o Parlamentar não aceitaria o convite por dois motivos: 1º) já tinha ocupado a Secretaria e foi exonerado por acomodações políticas entre o Governador, sua base na Assembleia e os “moderados “ do MDB, sem prévio conhecimento do Ato de Geremias; a exoneração abriu uma grande e longa crise na ARENA; e 2º) porque o Parlamentar não abriria mão de sua candidatura à Câmara Federal, tendo que se desincompatibilizar até 14 de maio daquele ano.
  • Na edição de 6.2.1970, o colunista Carlos Ruas, de O Fluminense, publica que o Deputado Câmara Torres está exultante com as perspectivas do número de turistas que visitarão Paraty no Carnaval. Segundo o Parlamentar, os hotéis, motéis e pousadas estão com as reservas esgotadas. O Parlamentar, que representava o Município há dezesseis anos na Assembleia e era um apaixonado pela cidade histórica, a maior “coqueluche” na cidade, naquele momento, era o Hotel Coxixo, da atriz Maria DellaCosta e do seu marido Sandro Polônio. Hotel, bar e restaurante, no Coxixo, se reúnem, toda semana, gente famosa, do Rio e São Paulo, como o Príncipe Dom João de Orleans e Bragança, empresário no Município, onde possui um belo sobrado na cidade; Odete Matarazzo; o pintor Frank Scheffer e sua mulher, também pintora, Nana Viego; o poeta, cantor e compositor da terra, o advogado Jose Kleber; Baby Cerquinho; Fábio Villaboim; além de Câmara Torres, o Prefeito Aluysio de Castro e o Presidente da Câmara de Vereadores, Paulo Carijó.





A dez graus de temperatura, Câmara Torres, com um cobertor sobre os ombros, após tempestuosa
viagem marítima, chega à Trindade, com uma equipe de médicos, dentistas, assistentes sociais,
sociólogos, antropólogos, professores, paramédicos, empresários, políticos, religiosos
e técnicos de várias áreas. À esq. do Deputado, o comandante
 da traineira Irmãos Unidos, Zeca Ananias, pescador e vereador em Angra dos Reis.
Atrás, de cachecol e gorro, o Prof. José Benedito elo da Silva, o Dedé, futuro Prefeito de Paraty.

(Foto: AFI RJ - Acervo Marcelo Câmara)

  • No início de junho de 1970, o Deputado, Câmara Torres, com a ajuda da Assistente Social e Professora Doutora Violeta Campofiorito Saldanha da Gama, Diretora da Escola de Serviço Social, da Universidade Federal Fluminense, com o apoio do Governo do Estado, da UFF e da Prefeitura de Paraty, na pessoa do Prefeito Aloysio de Castro, planejaram, lideraram e realizaram a memorável Operação Trindade, na Praia da Trindade, uma localidade de Paraty, a três horas por mar da sede do município, a 42km de distância terrestre, por caminhos e trilhas (não havia estradas), cuja comunidade de 1 mil pessoas vivia há mais de duzentos anos isolada da civilização. 


A equipe pioneira vai à terra. O mar aberto, agitado, na Praia da Trindade

só permitia o desembarque através de transbordo cuidadoso para uma canoa. 

( Foto: AFI RJ - Acervo Marcelo Câmara)

Um grupo de médicos, dentistas, sociólogos, engenheiros, professores e assistentes sociais, além de cientistas e tecnólogos da Fundação de Estudos do Mar, pessoal da Prefeitura de Paraty – fez um diagnóstico antropológico, sociocultural e econômico da localidade, de uma população que vivia, e vive, numa belíssima praia de três quilômetros, em mar aberto e se alimentavam da pesca, raízes, legumes, hortaliças, caça e frutas. Universitários do Projeto Rondon e professores residentes e que trabalhavam na Cidade de Paraty, bem como servidores públicos do Estado e da Prefeitura se juntaram ao grupo para o trabalho pioneiro, quase uma Descoberta do Brasil séculos depois, um reconhecimento da terra. Destaque, também para o médico Theodoro Machado, o Vereador e empresário Antônio Mello e a professora Geísa Panaro Ramiro, entre os paratyenses. O objetivo de Câmara Torres era, a partir do levantamento da realidade local, suas necessidades e carências em todas as áreas, proteger a comunidade e a sua Cultura, promover o bem-estar e a felicidade da população, planejando e promovendo a sua integração ao Município, ao Estado, ao País, visando à melhor qualidade de vida dos trindadeiros, a elevação do Índice de Desenvolvimento Humano - IDH da comunidade.


A Operação Trindade reuniu dezenas de cientistas, tecnólogos, políticos, professores, médicos, engenheiros,
arquitetos, pedagogos,  servidores públicos, empresários, religiosos, universitários, cidadãs
e cidadãos de Paraty,  da Capital Niterói, de outros Municípios e Estados, com o objetivo de estudar
e socorrer uma população de 1 mil pessoas, pescadores e lavradores, ignorados, desassistidos,
há mais de cem anos, pelos Poderes Públicos. Na foto, ao final da jornada de  três dias
de muito trabalho, a Profa. da UFF Violeta Campofiorito Saldanha da Gama está sentada,
com um violão; o Deputado Câmara Torres, ao seu lado, de camisa branca e de braços para trás;
e o Prefeito de Paraty, Aloysio de Castro, é o terceiro, da esq. p/ dir. na primeira fila
dos que estão de pé. Essas três personalidades organizaram
e lideraram a exitosa Operação.
(Acervo Marcelo Câmara)


A quase totalidade da população era analfabeta, não sabia ler ou escrever, apenas cem crianças frequentavam a escola, o número de eleitores aptos a votar era de apenas uma dezena. Não conheciam a Bandeira do Brasil e nunca haviam ouvido o Hino Nacional, não sabiam que a Seleção Brasileira de Futebol havia conquistado o tricampeonato mundial. Não havia luz elétrica, água encanada ou esgotamento sanitário. Muito menos conheciam rádio e televisão. Toda a população professava a fé protestante. Algumas doenças crônicas e hereditárias foram diagnosticadas. A desnutrição e a ignorância alimentar grassavam. Comuns eram as avitaminoses, como a falta de absorção de vitamina “A” que acometiam vários moradores com deficiência visual, alguns já completamente cegos. Foram encontradas, também, pessoas, crianças, adultos e idosos, com deficiências nutricionais e problemas ortopédicos, alguns destes genéticos, que os impediam de caminhar e ter uma vida normal, ativa, vivendo décadas sobre camas, catres e esteiras. 


Causa genética: avó e neta, ambas com os pés defeituosos, que impediam
que andassem,  problema não raro na Praia da Trindade.
 (Acervo Marcelo Câmara)


Muitos homens, aos quinze, dezesseis anos, embarcavam em barcos de pesca para trabalhar e rumavam para Santos e mares do Sul do País. Outros nasciam e morriam na Trindade, sem nunca ter saído da praia, entre o mar os paredões de pedra e florestas da Serra do Mar. Os mais velhos contavam que seus ancestrais eram mestiços, descendentes do cruzamento dos índios com portugueses (colonizadores, viajantes, piratas e aventureiros) e se alimentavam basicamente de peixes, frutos do mar e caça, principalmente de carnes de macacos, abundantes na região. Alguns, no limiar dos noventa, cem anos, não conheciam sequer a sede do Município, a cidade de Paraty.





Geísa Panaro Ramiro, da cidade de Paraty, cidadã atuante na vida do Município, uma das professoras
que foi à Praia da Trindade, diagnosticar as demandas da população e socorrê-la. Na foto, ela serve
sopa às crianças trinadeiras, a maioria desnutridas e analfabetas. Como consequência da Operação Trindade,
uma nova escola foi construída, novos mestres designados com salários diferenciados; um posto de saúde,
com medicamentos e vacinação em massa foi inaugurado; a pesca e a agricultura foram desenvolvidas,
assim como uma estrada foi aberta; as questões de propriedade e posse de terras, encaminhadas;
o Turismo passou a ser planejado e regulado; inúmeros serviços públicos de assistência social
foram estabelecidos. Enfim, a Praia da Trindade integrou-se a Paraty
e ao Estado, e o seu IDH elevou-se consideravelmente.

(Foto: AFI RJ - Acervo Marcelo Câmara)


Elaborado um consistente e detalhado Relatório da Operação Trindade, que apresentava a realidade humana, antropo-social, cultural e física da Trindade, apontando o que o Estado e o Município podiam fazer para melhorar a qualidade de vida e o desenvolvimento humano da localidade, o Deputado Câmara Torres junto ao Governo do Estado, aos diversos órgãos públicos, promoveram diversas ações, fizeram denúncias junto à Imprensa, executaram amplos e diversificados projetos da Assistência Social em seus diversos campos e caminhos: na Educação Fundamental, na assistência básica à Saúde (vacinação contra a poliomielite e o tétano, medicação antianêmica, seringas, aparelhos médicos, educação e orientação alimentar, assistência odontológica, planejamento familiar), estrada ligando à sede do Município, na organização dos pescadores e apoio à atividade, incluindo a doação de barcos, serviços de Extensão Rural à Agricultura e criação de animais, produção de objetos de trabalho, Artesanato, Artes (música, canto, dança), na valorização das manifestações culturais, materiais e imateriais (literatura oral, modos de pensar e fazer), visando à preservação do Patrimônio Cultural Caiçara então vigente. 



Um cirurgião-dentista da
Operação assiste um trinadeiro. A equipe encontrou
moradores com mais de cem anos que não conheciam uma escova de dentes.

(Foto: AFI RJ - Acervo Marcelo Câmara)


Assim, foram equipadas e contaram com mais recursos a Escola Primária e um Posto de Saúde, com ambulatório e gabinete dentário. A Escola da Trindade, obra de Câmara Torres que teve o apoio da União para a sua construção, então recentemente concluída, recebeu mais e melhor mobiliário, novos e modernos equipamentos didático-pedagógicos. A escola foi ampliada. O Deputado Câmara Torres, durante os seus quatro mandatos de Deputado Estadual sempre foi conhecido como “
O Deputado da Educação Pública”. Era o parlamentar que mais subia à tribuna para falar sobre o tema, que mais legislava sobre o assunto. 

O Deputado Câmara Torres, antes do início da Operação Trindade, esteve, em audiência, com o então Governador Geremias Fontes, cuja ida à comunidade estava prevista, mas não se efetivou. O Governador aprovou, apoiou, aplaudiu e incentivou o empreendimento assistencial, prometendo ao Deputado e ao Prefeito de Paraty Aloysio de Castro, “a mobilização e concurso de todas as Secretarias de Estado para resolver os problemas da Trindade, especial e emergencialmente, aos relacionados à Educação e à Saúde”. O Governador examinou, inicialmente, a possibilidade de instalação de um curso de alfabetização de adultos e de uma biblioteca na única escola da Trindade. Autorizou a remessa imediata de medicamentos, vacinas, material sanitário, alimentação escolar e material esportivo visando ao desenvolvimento físico das crianças, além do mobiliário para as duas professoras que estavam dormindo no chão, em esteiras. Praticamente, tudo que foi prometido com a Operação Trindade, foi cumprido. No ano seguinte à Operação Trindade, Câmara Torres exerceu mandato à Assembleia Legislativa até 31 de janeiro, apesar de continuar atuando na Política, dirigindo diretórios partidários municipais, ser um líder político influente, de prestígio e fortes relações políticas e institucionais, e, ainda, com capital eleitoral para contribuir com a eleição de candidatos em vários níveis. As leis que beneficiavam o professorado estadual, primário e médio, na sua maioria, nasceram de projetos seus, no decorrer dos seus quatro mandatos sucessivos, de 1955 a 1971, ou tiveram a sua combativa defesa em dezesseis anos como Deputado, representante, prioritariamente, do Extremo Sul do Estado. Mesmo depois de ter deixado a Assembleia Legislativa, Câmara Torres continuou a influir na edição de leis na área da Educação e da Cultura no Estado. Antes de terminar o seu último mandato, em 1970, ele apresenta o Projeto de Lei nº 204, de 26.11.1970, que transformado na Lei nº 6482, de 1971 (sancionada quando não era mais Deputado), que estabelecia proventos especiais, triplicados nos seus valores, para os professores lotados nas chamadas “escolas oceânicas”, “de difícil acesso”, onde somente se alcançava por mar, aberto e bravio, quando o embarque e o desembarque se tornavam difíceis e perigosos, condenando os professores ao isolamento, quase a um “degredo funcional”. Era o que ocorria, por exemplo, com a Escolas da Trindade, Sono, Laranjeiras, Cajaíba e Mamanguá, em Paraty. A Lei regulava o provimento especial dessas escolas e estabelecia que “o salário da contratação dos professores não seria inferior a quatro vezes o maior salário mínimo mensal do Estado”. Assim, tais professores não teriam apenas as gratificações das “escolas de difícil acesso”. A Lei triplicou os vencimentos professores designados para tais escolas. Em função desse estímulo remuneratório e do apoio do Governo do Estado e da Prefeitura de Paraty, as unidades ganharam muito em seu nível de excelência, eficiência e eficácia, sendo lotadas, a partir de então, por professores, jovens rapazes, preparados profissionalmente, naturais e formados em Paraty, pois não havia interesse de professores residentes em outros municípios, distantes dessas escolas, em ocupá-las. E segundo os critérios de preenchimento das vagas, estabelecidos no Decreto que regulamentou a citada Lei (Decreto nº 15.232, de 19.5.71), havendo empate entre os candidatos, examinados os pré-requisitos e critérios de ocupação, as condições de aptidão e habilitação dos candidatos, tinham preferência os professores diplomados em Paraty. A renovação dos contratos desses professores deveria atender a exigências, igualmente rigorosas, com parecer fundamentado do Chefe da Inspetoria de Ensino com esclarecimentos sobre rendimento pedagógico, assiduidade, pontualidade, disciplina, controle da turma e espírito comunitário. 

A 9.6.1971, os dois professores, diplomados e concursados, designados e em atividade na Escola da Trindade, Lescar José Coelho e Geraldo Vieira Gama, escreveram ao Doutor Câmara, agradecendo o seu trabalho em favor da Educação da Região, especialmente, a “Região Atlântica”, e informando a contratação de ambos. em função daquela Lei, especial e específica, que contemplava a unidade da Trindade. Os dois professores exultavam com os resultados do seu trabalho na Escola da Trindade, com os progressos dos alunos, que se alfabetizavam e prosseguiam no Curso Primário. Um terceiro professor paratyense, igualmente competente e dedicado, também trabalhou, após a Operação, na Trindade, Félix Corrêa, conhecido como Felinho. Enfim, a Operação Trindade resultou em muitos frutos sociais e econômicos, elevando-se o Índice de Desenvolvimento Humano - IDH daquela comunidade de pescadores, antes isolada, estagnada e sem recursos, e para o próprio município, que a integrou definitivamente ao seu mapa institucional.



As mulheres caiçaras, nascidas com o Descobrimento, geralmente

descendentes da união de índios com portugueses, receberam orientações 
para boas práticas com a Operação Trindade: planejamento familiar,
alimentação saudável, tratamento pré-natal, parto assistido, vacinação,
saúde infantil, assistência médica integral.

(Foto: AFI RJ - Acervo Marcelo Câmara)


A Operação Trindade recebeu farta cobertura de sua execução e resultados da Imprensa nacional, especialmente da fluminense e carioca, e foi objeto de reportagem da Revista trilíngue (port./alemão/inglês) Intercâmbio – Economia e Cultura, XXIX nº 1/3, de 1971, edição conjunta da Pro Arte – Sociedade de Artes, Letras e Ciências (Brasil) e pela Bankhaus Trinkaus, Duesseldorf (Alemanha Ocidental), com a publicação em alemão da reportagem Arbeitsgang Trindade – OT.
  • Na Sessão de retorno às atividades da Assembleia Legislativa, a 15.7.1970, após longo recesso da Casa, o Deputado Câmara Torres foi eleito por seus pares para a 1ª Suplência da Mesa Diretora, que passou a ser presidida pelo Deputado Saramago Pinheiro. No mesmo dia, Câmara Torres foi designado um dos quatro Vice-Líderes da ARENA
  • A 16.7.1970, em decorrência de um longo trabalho político do Deputado Câmara Torres junto a órgão públicos federais e estaduais, civis e militares, partiu de Niterói, no contratorpedeiro Parnaíba da Marinha de Guerra do Brasil, com destino a Angra dos Reis, altos executivos do Governo do Estado do Rio de Janeiro e da União, em companhia do Parlamentar, e um grupo de engenheiros e técnicos, a fim de realizar estudos, com o objetivo de realizar reformas e solucionar problemas no Porto da cidade, que não atendiam ao volume de carga e descarga do tráfego e impediam a sua ampliação do ancoradouro e seu desenvolvimento do importante ancoradouro. A iniciativa da viagem partiu do Secretário de Transportes do Estado, Rafael Jacoud, que atendeu apelo do Comandante-em-Chefe da Esquadra Brasileira, Almirante José de Carvalho Jordão, que, há tempos, em diálogo com Câmara Torres, vinha lutando pela efetivação desse trabalho. Concluídos os estudos, tiveram início os trabalhos, que tomaram ritmo intenso, para que o movimento comercial marítimo não sofresse interrupções. Viajaram a Angra dos Reis, além do Deputado Câmara Torres, o Almirante Carvalho Jordão e o Diretor do Departamento de Portos e Vias Navegáveis, Comandante Zaven Boghossian.
  • A 20.7.1970, o Deputado Câmara Torres escreve amigável, grave e detalhada carta ao Deputado Raymundo Padilha, então sabido, futuro Governador do Estado, encarecendo a sua concordância em assumir, no seu governo o seguinte compromisso: o financiamento externo de 3 milhões de dólares, para pagamento em três anos, com um ano de carência, para o DER-RJ, destinado à construção da Estrada Paraty-Cunha; assinar o contrato entre o DER-RJ e a firma vencedora da concorrência realizada em dezembro de 1969; e realizar e concluir a obra há décadas clamada pelo Povo de Paraty e, à época, por mais de um milhão de paulistas e mineiros, ávidos por visitar e investir no Município Monumento Nacional. Na data da carta, o projeto definitivo da Estrada estava pronto e de acordo com ele todos os órgãos federais interessados (IPHAN, IBDF e Planejamento Integrado). A empreiteira, por outro lado, havia conseguido um primeiro financiamento, perdido pelo atraso na assinatura do contrato, e lutava por um segundo.
  • A 25.7.1970, a Coordenação da Operação Trindade, integrada pelo Prefeito Aloysio de Castro, o Deputado Estadual Câmara Torres e a Professora Universitária e Assistente Social, Violeta Campioforito Saldanha da Gama, entregaram ao Governador do Estado, Geremias de Matos Fontes, amplo e detalhado Relatório de providências que cabiam ao Governo do Estado, a fim de integrar definitivamente a localidade de Trindade, em Paraty, ao Município, ao Estado e ao País, elevando a qualidade de vida e o desenvolvimento humano – social, educacional, cultural e econômico – daquela Comunidade. O documento trazia uma série de reivindicações, execução de projetos e ações diversas, umas de responsabilidade direta do Governo Estadual, outras a serem promovidas, efetivadas, em cooperação com órgãos federais, municipais e empresas privadas.
  • A 27.7.1970, o Deputado Câmara Torres ascende à tribuna da Assembleia Legislativa para clamar e exigir, "pela milésima vez", em dezesseis anos de mandatos consecutivos, pela abertura e trafegabilidade, definitiva e permanente, da Estrada Paraty-Cunha, o que, para ele, significava “a libertação econômica do município de Paraty, a sua integração geopolítica e social ao Estado do Rio e ao País, na vida fluminense e nacional”. Narrou que, após três anos e meio de muita pressão junto ao Governador, Secretaria de Transportes e órgãos técnicos, o Deputado conseguiu do Estado a abertura da concorrência em 29 de dezembro de 1969. Uma grande empreiteira venceu o certame. No entanto, o DER-RJ alertou à empresa que o contrato somente seria assinado “se obtivesse financiamento externo”. Câmara Torres trabalhou muito, influiu decisivamente, a nível federal e estadual, para que o financiamento fosse conseguido. E o foi. Mas neste pronunciamento, ele denuncia e lamenta que, até aquela data o financiamento não havia sido legalmente formalizado e, portanto, o contrato não havia sido assinado, por conta da miopia de alguns técnicos do Governo e da burrocracia que paralisara o processo. A 14 de julho de 1970, se extinguia o prazo legal do empréstimo externo e, mais uma vez, protestou veementemente. O Povo de Paraty sangrava na esperança, na procrastinação. O Deputado, ao cobrar do Governador e do DER-RJ para a finalização formal do financiamento e o contrato com a firma vencedora, recebeu de ambos a informação, segundo a qual o financiamento só sairia e o contrato da firma vencedora da concorrência só seria assinado, se fosse conseguido, antecipadamente, do futuro Governador, então já definido, Raimundo Padilha, a aquiescência deste em assumir a dívida e executar a obra. No discurso, o Deputado, em resposta a uma longa e contundente carta de 20 de julho de 1970 que fez ao Deputado Raymundo Padilha, lê o telegrama, o qual este lhe respondeu, onde o futuro Governador assenta o compromisso de o seu governo assumir o pagamento do empréstimo estrangeiro e concluir a Estrada Paraty-Cunha. Assim, Câmara Torres informa ao então Governador Geremias Fontes da segurança com a qual pode contrair o empréstimo e contratar a empreiteira, manifestando a sua alegria, após décadas de tantas lutas, promessas, contratos não cumpridos, marchas e contramarchas em relação à construção de rodovia, que representava a redenção econômica, principalmente no que se refere ao Turismo e ao Comércio, para o município de Paraty e região.
  • A 28.7.1970, Câmara Torres denuncia na tribuna da Assembleia Legislativa a falta de professores do Curso Primário na 6ª Região Escolar, que abrangia os Municípios de Angra dos Reis, Rio Claro e Paraty, em virtude de licenças médicas artificiais, ilegítimas, que estariam sido concedidas pela Secretaria Estadual de Saúde.
  • Em agosto de 1970, a Colônia de Pescadores Z-7, localizada em Paraty, agradece ao Deputado Câmara Torres a obtenção de medicamentos para a unidade, a fim de atender aos seus inscritos. 
  • Na sessão da Assembleia Legislativa de 8.9.1970, congratula-se com o historiador e cronista angrense Alípio Mendes pela publicação do seu livro Ouro, Incenso e Mirra. Na mesma sessão, através de Moção de Pesar, registra o seu profundo pesar pelo falecimento do seu correligionário e amigo Salomão Pedro Reseck, vice-prefeito de Angra dos Reis, membro de tradicional família angrense, e ex-prefeito do Município, de 1955 a 1958. O óbito ocorreu a 27 de agosto de 1970 em Angra.
  • A 9.9.1970, o Deputado Câmara Torres, com o Deputado Kalixto Kalil, entre outros, é signatário do Projeto de Lei nº 52, aprovado por unanimidade, que concede o Título Honoris Causa de Cidadão Fluminense ao Deputado Benjamim Ielpo.
  • A 10.9.1970, o Deputado Câmara Torres apresenta à Assembleia Legislativa, que a aprova, Moção de Congratulações à Professora fluminense Doutora Austa Gurgelpela sua magnífica vitória cultural conquistando o 1º lugar no Concurso para a Cátedra de Filosofia da Educação, da Universidade Federal Fluminense”. 
  • A 22 de setembro de 1970, o Deputado Câmara Torres apresentou à Assembleia Legislativa Projeto de Lei que denominou “Maria Hercília Cardoso de Castro a Escola Estadual situada na localidade de Boa Vista, 1º Distrito de Angra dos Reis. Aprovado, a Proposição foi transformada em Lei.
  • A 22.9.1970, o Deputado Câmara Torres apresenta à Assembleia Legislativa Projeto do Lei que denominou “Prefeito Salomão Reseck” a Escola Estadual situada na Praia da Itaorna, 4º Distrito de Angra dos Reis. 
  • A 1º.10.1970, após ingentes esforços do Deputado Câmara Torres, é assinado contrato entre o DER-RJ e a firma construtora Cristo Redentor S.A. com o objetivo de “executar os serviços de construção de obras rodoviárias na Rodovia 130 (RJ-130), trecho Paraty-Divisa com o Estado de São Paulo, sub-trecho Pé da Serra-Divisa com o Estado de São Paulo, numa extensão aproximada de 24 quilômetros”. Os serviços seriam iniciados em dez dias a partir da assinatura do documento contratual e o prazo para conclusão da obra era de 1.100 dias, previstos os casos de prorrogação nos termos do contrato.
  • A 2.10.1970, o Deputado Câmara Torres apresenta à Assembleia Legislativa Moção de Congratulações, aprovada pela Casa, aos Doutores Sérgio Mauro Vargas Belém e Vicente Muler Abrantes, pela designação, respectivamente para Representante da Campanha Nacional de Alimentação Escola no Estado do Rio de Janeiro e Assessor Geral da mesma instituição.
  • A 7.10.1970, o Deputado Câmara Torres apresenta à Assembleia Legislativa Projeto de Lei que faz modificações nas tabelas anexas ao Decreto-Lei 87, de 27.8.1969, corrigindo injustiça e beneficiando servidores da Secretaria Estadual de Finanças
  • A 7.10.1970, o Deputado Câmara Torres apresenta Projeto de Lei, aprovado e transformado em Lei, que denominava “Professora Rita de Cássia Gonçalves a Escola Estadual da Ilha do Araújo, no Município de Paraty"
  • A 7.10.1970, o Deputado Câmara Torres apresenta à Assembleia Legislativa Projeto de Lei que autoriza o aproveitamento, no Magistério Público Primário Estadual, dos concursados que obtiveram nota global igual ou superior a 50 no conjunto das provas do Concurso de Ingresso ao Magistério e foram consideradas “reprovadas” por não terem satisfeito outras exigências da Lei, dando-lhes o direito de concorrer à escolha das vagas em 1971, por Região Escolar, respeitadas os direitos das classificadas.
  • A 9.10.1970, ao ser eleito, indiretamente, Governador do Estado, o Deputado Raymundo Padilha envia carta ao Deputado Câmara Torres, prometendo “plena solução” para a construção da Estrada Paraty-Cunha e, empenho” quanto a questão florestal, aos conflitos entre os programas da União e os interesses dos agricultores de Paraty (Parque Nacional da Serra da Bocaina), contando com a intervenção do Deputado “junto às autoridades federais” e pedindo “aos lavradores das matas de Paraty um crédito de confiança ao futuro Governo do Estado”. A carta de Raimundo Padilha foi impressa como um volante, sob o título Padilha pede um crédito de confiança aos paratyenses e distribuído por todo o Município.
  • Ao final de outubro de 1970, a Imprensa noticiava que haveria veto do Governador Geremias Fontes, e revolta do Ministério Público e da Assistência Judiciária (Defensoria Pública) Estadual à aprovação do Projeto de Lei do Deputado Câmara Torres que tinha por objetivo efetivar 41 Defensores Públicos Substitutos, embora fossem eles demissíveis ad nutum. Os opositores ao Projeto consideravam-no “inconstitucional”. A Justificativa do Projeto somente viabilizava a efetivação de acordo com a realidade de cada Comarca, e mediante o cumprimento de uma série de critérios éticos e profissionais, como a realização imediata de concurso público, o tempo de serviço, a necessidade imperiosa da assistência judiciária etc.
  • A 3.11.1970, o Deputado Câmara Torres apresentou à Assembleia Legislativa Projeto de Lei, que, aprovado, transformou –se em Lei, denominando “Escola Osvaldo Teixeira”, a unidade de Ensino Estadual situada na localidade de Caxito, Município de Maricá
  • A 3.11.1970, o Deputado Câmara Torres apresentou à Assembleia Legislativa Projeto de Lei que considerava de Utilidade Pública o Instituto dos Arquitetos do Brasil – Departamento do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado, foi transformado em Lei. 
  • A 3.11.1970, o Deputado Câmara Torres apresentou à Assembleia Legislativa Projeto de Lei que considerava de Utilidade Pública o Grêmio Recreativo Bloco Carnavalesco Caçadores da Vila, com sede em Niterói. O Projeto foi aprovado e transformado em Lei. 
  • A 4.11.1970, no Plenário da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, o Ministro do Trabalho, Júlio Barata, recebeu o Título de Cidadão Honorário do Estado do Rio de Janeiro, decorrente de Projeto de Lei de autoria do Deputado Câmara Torres.
  • A 26.11.1970, apresenta Projeto de Lei que dispunha sobre a efetivação das professoras contratadas ruralistas formadas pela antiga Escola Normal Rural de Cantagalo, mediante a realização de “concurso especial, de nível equivalente às que possuem”.
  • No segundo semestre de 1970, mesmo sendo um ano eleitoral, no qual o Deputado Estadual Câmara Torres foi o único membro da Assembleia fluminense a disputar uma vaga à Câmara Federal pela ARENA, o parlamentar apresentou quatorze Projetos de Lei, nas mais diferentes áreas, e cinco moções.
  • No seu último mandato, de 1967 a 1971, o Deputado Câmara Torres conseguiu que fosse aprovado o Projeto de Lei que tornou obrigatório o uso de taxímetro (“relógio”) nos táxis de Niterói e São Gonçalo, e em outros municípios fluminenses, nos termos da Proposta original de Câmara Torres, de 1958, luta de mais de uma década. À época da apresentação do Projeto, o Deputado Vasconcelos Torres (PSD) pronunciou-se, radicalmente, contra a Proposta de Câmara Torres. 
  • Na década de 1970, o Deputado Câmara Torres se reuniu com lideranças comunitárias e empresariais dos Distritos barramansenses de Quatis e Floriano e resendense de Porto Real, a fim de discutirem a criação de um novo município integrado por essas três comunidades que somavam, à época, 20 mil habitantes e numerosas indústrias, que permitiriam uma receita tributária de 250 milhões de cruzeiros. Foi a primeira reunião de um Deputado Estadual com essas lideranças, com o objetivo de examinar e discutir a viabilidade jurídica e institucional do projeto, oferecida pelo Ato Institucional nº 2. Em 1995, a  Lei Estadual 2.494, oficializou a criação do Município, após a realização de um plebiscito.
  • A 21.12.1970, o Deputado Câmara Torres apresenta Moção de profundo pesar, em nome do Povo Fluminense, pelo desaparecimento do insigne cientista, pesquisador e professor Lauro Travassos (1890-1970), natural da Fazenda Japuíba, em Angra dos Reis, considerado “o maior helmintologista do mundo”, falecido a 20 de novembro daquele ano. Zoólogo renomado, ictiologista  de prestígio internacional foi  “uma das glórias científicas do Brasil, com centenas de trabalhos científicos publicados em todo o mundo”. O Parlamentar apresentou à Família, “as homenagens da Assembleia do Estado do Rio de Janeiro a quem foi tão digno da Ciência e da Pátria.”.
  • Em vevereiro de 1970, Câmara Torres consegue do Governo do Estado o equipamento moderno e adequado para a iluminação da Quadra de Basquete no Bairro Histórico de Paraty, centro da cidade, ao lado da Matriz.





O Deputado Câmara Torres aciona a chave de energia
que ilumina a quadra de esportes na principal praça de Paraty,
uma reivindicação do Náutico Clube Jabaquara.
(Foto Studio Parati - Acervo Marcelo Câmara)

  • Em 1970, durante das articulações para a eleição indireta do Deputado Federal Raymundo Padilha para Governador do Estado do Rio de Janeiro, foi ventilado, nos meios parlamentares do Partido do Governo, o nome de Câmara Torres para o cargo de Vice-Governador, ideia, de pronto foi rechaçada pelos militares. Raymundo Padilha recebeu dezenas de mensagens de congratulações pela possibilidade, de vários Municípios do Estado. 
  • A 22 de dezembro de 1970, foi diplomado como Primeiro Suplente de Deputado Federal, pela ARENA, por ter obtido nas eleições daquele ano, 20.255 votos. A sua derrota, à época e até hoje, inexplicável para a Câmara Federal, que resultou numa primeira suplência por quatro anos, o desestimulou a disputar eleições, apesar de continuar na Política. Câmara Torres recebeu votos, como em todas as eleições que concorreu, em todos 63 municípios fluminenses. Ele foi mais votado nos seguintes: Niterói, 3.236 votos; Angra dos Reis, 3.152 votos; Piraí, 1.734; Rio Claro, 1.192 votos; e Paraty, 1.064 votos. Trajano de Moraes foi o município onde seu nome foi menos sufragado: obteve 4 votos.
  • A 4 de janeiro de 1971, a Imprensa noticiava que, graças “ao trabalho persistente, de décadas, do Deputado Câmara Torres”, havia sido assinado contrato entre o DER-RJ e uma grande empresa de engenharia rodoviária, vencedora da concorrência pública, e a Estrada Paraty-Cunha estaria concluída em 1 mil e 100 dias, “prazo para entrega do serviço”. O investimento do DER-RJ era de Cr$ 8 milhões. Embargos administrativos da Secretaria, depois de órgãos ambientais estaduais e federais, o trabalho de inimigos de Paraty, traduzido nas ações espúrias asnais de falsos ambientalistas, ecologistas de ocasião e, até mesmo, embargos judiciais, decisões da Justiça, requeridas por tais indivíduos e “entidades protetoras da natureza” retardaram a pavimentação da Estrada, somente concluída em 2016. Câmara Torres, mesmo sem mandato, após 1970, e por toda a vida, trabalhou pela obra, luta que começou em 1942 e foi até 1998, quando partiu.
  • De 21 a 24 de janeiro de 1971, o Deputado Câmara Torres participou do I Encontro Geral de Prefeitos Municipais, realizado no Hotel Quitandinha, Petrópolis, onde se discutiram, articuladamente entre os futuros governos estadual e municipais, os principais temas e questões afetos às unidades administrativas do Estado, se debateram e se analisaram propostas e soluções.

Durante os dezesseis anos que esteve atuou como Deputado Estadual na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, de 1955 a 1970, destinou, incluindo nos orçamentos estaduais, como direito e prerrogativa política da função, milhões de cruzeiros (moeda do período) a mais de uma centena de entidades educacionais, socioculturais, de saúde, assistência social, desportivas e recreativas do Estado, principalmente as sediadas no Extremo Sul Fluminense. Também apresentou e aprovou dezenas de Projetos de Lei considerando de “Utilidade Pública” dezenas de instituições sediadas em vários Municípios fluminenses. Foi o Autor de dezenas de Projetos de Lei e Emendas a Projetos de Lei que beneficiaram servidores públicos estaduais de várias áreas, especialmente no setor da Educação, os quais, em virtude da natureza especial dos seus serviços e das condições excepcionais em que foram criados seus cargos e neles lotados, não podiam ser promovidos funcionalmente, tinham os seus vencimentos defasados, eram injustiçados, sofrendo discriminação e privados de uma série de vantagens regulares e normais que eram dadas a outros funcionários. Também foi o Autor de vários Projetos de Lei que concederam pensões vitalícias a viúvas de servidores que se encontravam em situação de penúria, sem sustento, desamparadas, porque não percebiam o auxílio que tinham direito ou percebiam menos que um salário-mínimo, insuficiente para prover suas necessidades básicas, geralmente requeridas também por seus filhos menores. 

CARGOS E FUNÇÕES EXECUTIVAS
NO PODER LEGISLATIVO


  • Foi eleito Primeiro Secretário da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro no período 1959-1960. O seu desempenho como “o Prefeito da Casa”, como se costuma cognominar o cargo, foi considerado pela unanimidade dos Deputados, como "notável, excelente", tanto nas funções legislativas e parlamentares, de supervisão dos trabalhos das sessões do Plenário e Comissões, da Secretaria Geral da Mesa, como na administração geral da Assembleia. Tanto isto é verdade que, rompendo uma tradição de rodízio entre os Deputados, cabendo na legislatura o cargo ao PSP, a maioria do Partido e do Plenário, insistiu para que Câmara Torres fosse reeleito, o que quase ocorreu. No entanto, o seu companheiro de bancada e amigo fraterno, Deputado Aécio Nanci, ponderou anunciando o seu desejo e objetivo inarredável de ocupar a Primeira Secretaria, argumentando que “o cargo é do Partido e a vez é minha”. Tendo em vista a manifestação do colega, mesmo com o apoio maciço do partido e da Casa, Câmara Torres, político hábil e sempre em busca do diálogo, do entendimento e da convergência, não ofereceu seu nome à reeleição e sustentou a legitimidade da eleição de Nanci.
  • Em agosto de 1967, criado o Instituto de Previdência da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro – IPALERJ, o Deputado Câmara Torres era o preferido pelos seus pares para presidir a entidade, ainda como repercussão do seu trabalho como Primeiro Secretário da Casa. No entanto, apesar de não desejar a Presidência, aceitou a indicação e eleição para ocupar a Tesouraria do IPALERJ, o cargo executivo mais importante depois da Presidência. 
  • A 15 de julho de 1970, o Deputado Câmara Torres foi eleito Primeiro Suplente da Mesa da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de janeiro no período 1970-1971. Para Presidente da Casa naquele ano legislativo, o escolhido foi o Deputado Saramago Pinheiro.
  • A 15 de julho de 1970, o Deputado Câmara Torres foi eleito e assumiu a Primeira Suplência da Mesa da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.
  • Ao final de outubro de 1970, o Deputado José Miguel Olímpio Simões, representante de Mangaratiba e do Sul Fluminense, colega e amigo de Câmara Torres, fez, da tribuna da Assembleia, uma “oração de despedida”, pois não conseguira a reeleição para mais um mandato. Em aparte, o Deputado Câmara Torres exaltou a personalidade de Simões, destacando “os magníficos serviços prestados à Região e ao Estado do Rio de Janeiro” e lamentando a sua ausência no Plenário na próxima legislatura. 
  • A 22 de dezembro de 1970, foi diplomado como Primeiro Suplente de Deputado Federal, pela ARENA, por ter obtido nas eleições daquele ano, 20.255 votos. A sua derrota para a Câmara Federal, à época e até hoje, “inexplicável”, segundo a Imprensa e os historiadores, o fez permanecer nessa primeira suplência por quatro anos, o desestimulou a disputar eleições, apesar de continuar na Política.
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OS MAIORES AMIGOS E INTERLOCUTORES
NA POLÍTICA ESTADUAL E FEDERAL
(Além das formalidades dos cargos e funções)

José Augusto da Câmara Torres sempre teve trato cordial e uma convivência de respeito e companheirismo com todos os parlamentares que seus pares foram na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, bem como com outros políticos em outros fóruns e Estados. Não teve inimigos na Política, dentro ou fora do Parlamento, mas adversários, pessoas que divergiam ideológica e partidariamente.

O maior, o melhor e mais frequente de todos os amigos de Câmara Torres, amigo da vida inteira, se comparação poderá haver, foi, sem dúvida, DAYL DE ALMEIDA (Dayl do Carmo Guimarães de Almeida – *Rio de Janeiro, DF, 16 de julho de 1918 - †Brasília, DF, 29.1.1990), jornalista, escritor, professor universitário, servidor público federal, tribuno, ativista católico, sociólogo, político. Amigo fraterno, muito próximo, leal, incondicional, a partir dos quatorze anos de Dayl e dos quinze de José Augusto, quando se conhecem em Niterói, em março de 1933. Jamais se separaram. Com diferenças e estilos, é claro, há, entre eles, muito mais identidades e convergências do que diferenças e oposições – na Fé, na Ética, na Moral, na Religião, na Filosofia, na Ideologia e na Ação Política; na maneira de ver, apreender, criticar e construir Cultura; na forma de pensar, enunciar e dizer; de como praticar e dar Educação; na Psicologia individual, familiar e social; de ler, aprender e fazer Arte e Ciência. Eram estudiosos, cultos, católicos, nacionalistas, românticos, praticantes do Civismo, tradicionalistas e abertos ao diálogo e aos debates com todas as correntes de pensamento, mas a vida toda anticomunistas. Enfim, como definiu o próprio Dayl, os dois eram irmãos xifópagos. Fora da Política Partidária, outro amigo profundamente identificado em ideias e ações intelectuais e políticas com Câmara Torres foi o jornalista, economista, ensaísta, Consultor Legislativo do Senado Federal, Anselmo Nogueira Macieira (*Campos, RJ, 5.6.1918 - †Niterói, RJ, 15.7.1994). Homem simples, grande personalidade, límpido caráter, tímido, retraído até, de grande inteligência, criatividade e capacidade de trabalho, sua Cultura chegava à Erudição. Seu talento para aprender, apreender e criticar, para iluminar temas e questões em quaisquer áreas do conhecimento e sua vocação para orientar, contribuir, auxiliar, enriquecer ao outro poderíamos denominar de fraternidade intelectual. 

Por ordem alfabética, além de Dayl e Anselmo, na Política estadual e federal, foram seus amigos próximos e interlocutores:

Adhemar de Barros, Aécio Nanci, Álvaro Fernandes, Astério Mendonça, Badger Silveira, Aluísio Alves, Celso Peçanha, Dayl de Almeida, Dinarte Mariz, Durval Gonçalves, Ernani do Amaral Peixoto e Alzira Vargas do Amaral Peixoto (aliados na década de 1940, depois adversários por anos; a partir dos anos 1980, correligionários e seus eleitores no final da vida), Camilo Silva, Celso Peçanha, Badger da Silveira, Dinarte Mariz, Durval Gonçalves, Flávio Palmier da Veiga, Geremias de Matos Fontes, Hermes Barcelos, João José Galindo, Jonas Bahiense Lyra, Jorge Roberto Silveira, José Kezen, José Miguel Olímpio Simões, Márcio Braga, Messias de Moraes Teixeira, Michel Salim Saad, Miguel Couto Filho, Moacyr de Paula Lobo (amigo e correligionário até 1950; após esta data, ferrenho adversário político), Moreira Franco, Nicanor Campanário, Nilo Teixeira Campos, Palmir Silva, Paulo Pfeil, Raul de Oliveira Rodrigues, Roberto Silveira, Roger Malhardes, Saramago Pinheiro, Sebastião Bruno, Togo de Barros, Vasconcelos Torres, Waldenir de Bragança, Walfredo Gurgel, Wilson Frederici. 

O grande amigo de Câmara Torres na Política, talvez o que com ele teve maior identidade e empatia, apesar de uma convivência inferior a dez anos, foi o inesquecível líder trabalhista Roberto Teixeira da Silveira, deputado estadual, Secretário do Interior e Justiça do Estado do Rio de Janeiro, Vice-Governador e Governador do Estado do Rio de Janeiro, Secretário-Geral do Diretório Nacional do PTB. Quando se formava a Coligação PTB-PSP-UDN-PDC-PSB e outros partidos, para as eleições de 1958, Câmara Torres foi um dos artífices dessa vitoriosa aliança, o Vice-Governador Roberto Silveira, do PTB, e o Deputado Federal Celso Peçanha, do PSP, pretendiam se candidatar a Governador. A tentativa de acordo ocorreu na residência de Câmara Torres, tendo este como mediador. Roberto era amigo antigo e muito próximo de Câmara Torres e Celso, amigo de juventude, universidade e seu afilhado de casamento. Câmara Torres se empenhou no entendimento, mas Celso não aceitou ser candidato a Vice-Governador de Roberto, deixando o PSP e se filiando ao PSD preferindo ser o Vice na chapa encabeçada por Getúlio Moura. Roberto Silveira e Câmara Torres eram amigos fraternos. Não ficavam mais de três dias sem se falar. Nas viagens de Roberto a outros Estados e ao exterior, Roberto não deixava de telefonar antes de partir e, quando no estrangeiro, ao menos, um cartão pessoal ou postal, com uma mensagem a Câmara Torres. 

A amizade entre Roberto Silveira e Câmara Torres era tão sólida que, certa vez, em 1960, numa conversa sem fim em de ambos no sítio do Líder do PRT fluminense, Doutor Arino de Matos, o Deputado Daso Coimbra que aguardava para ser recebido pelo Governador, ameaçou, e a Imprensa publicou: “Tua demora me tenta / a ameaçar-te bem fremente: / ou sais de câmara lenta / ou vais pra câmara ardente...”

Em virtude dessa amizade e identidade política, realmente o viés trabalhista das ideias de Câmara Torres aflorou publicamente quando em 1960 a Imprensa e os meios políticos especularam sobre a transferência do Deputado para o PTB de Roberto. Câmara Torres chegou a receber telegramas e telefonemas de “felicitações e aplausos” pela ida para o PTB. Isto despertou um saudável ciúme de muitos trabalhistas também próximos a Roberto, principalmente o do Deputado Federal, com base Angra dos Reis, o Deputado Federal Jonas Bahiense Lyra, professor, advogado, ex-Promotor de Justiça, amigo e correligionário de Câmara Torres em muitas batalhas políticas. Mas o Líder do PSP na Assembleia, Deputado Durval Gonçalves, afirmou, oficialmente, apesar da insistência da Imprensa, que “o Sr. Câmara Torres não é homem de acomodações. Sincero e comedido, se tivesse de deixar o PSP para ingressar numa outra agremiação, comunicaria primeiro a sua decisão à direção regional do nosso partido”. Câmara Torres nunca anunciou a transferência para o PTB, o que, realmente, não aconteceu.

Outros fraternais amigos de Câmara Torres na Política fluminense que também o foram de Marcelo, seu filho: Dayl de Almeida (que foi seu padrinho de casamento), Roberto Silveira, Ewaldo Saramago Pinheiro, Camilo Silva, Aécio Nanci e Flávio Palmier da Veiga.

Os políticos, no âmbito estadual e federal, com os quais Câmara Torres mais se encontrava e convivia, mais correspondência política, oficial ou não, bem como particulares, manteve foram: Adhemar de Barros, Aécio Nanci, Camilo Silva, Dayl de Almeida, Miguel Couto Filho, Roberto Silveira e Saramago Pinheiro.





(foto, em edição)






Marcelo Câmara, aos dez anos, em viagem de barco
com o Governador Roberto Silveira, de Angra a Paraty, em 1960.
(Acervo Marcelo Câmara)


Roberto Silveira foi também um amigo mais velho do menino Marcelo, filho de Câmara Torres, antes e durante a sua fantástica eleição para o Palácio do Ingá. Algumas vezes, Marcelo participou, ao seu lado, da sua vitoriosa campanha eleitoral e, depois, como Governador fizeram algumas viagens juntos. São muitas as fotos que documentam a amizade. Roberto considerava notável a inteligência e a argúcia do garoto, quando se manifestava sobre Política, História e outros assuntos relacionados ao Estado do Rio. Antes da trágica viagem a Petrópolis que vitimou fatalmente Roberto Silveira, a mãe de Marcelo, Dona Tudinha, atendeu telefonema do Gabinete do Governador, transmitindo convite deste para que Marcelo o acompanhasse a Petrópolis. Dona Tudinha agradeceu a distinção do convite e informou que seu filho estava numa fazenda de Rio Claro, RJ, onde costumava passar as férias.
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