sexta-feira, 4 de novembro de 2016

MEMÓRIAS ATUALIZADAS

Tenho 66 anos. Não sou um idoso pronto ou prestes a escrever memórias ou a minha autobiografia. Porém, filho de um jornalista, educador, advogado e político, um Homem Público de prestígio, de muitas ideias e obras; e, como jornalista, iniciando atividades intelectuais na juventude, especialmente como Humorista, com colunas em muitos veículos do País; e, antes disto, desde a infância, com a oportunidade de estar em ambientes do poder, artísticos e culturais – tive, enfim, o privilégio de conhecer e conviver com personalidades da vida brasileira muito cedo, testemunhar episódios marcantes e, até, participar de alguns deles. Abaixo, alguns registros de fatos, hábitos e costumes, de caráter moral, social, histórico e cultural, incluindo as mudanças científicas e tecnológicas, ocorridos durante a minha vida, que, eventualmente, anotei nos últimos anos. Nada de vaidade, cabotinismo ou façanhas de herói. Apenas o exercício da vocação de repórter, crítico e historiador, e alguns milagres ou coincidências. Mas, principalmente, o desejo provocador de levar aos meus leitores à reflexão sobre os contrapontos, as disparidades e diferenças entre o passado recente e a atualidade.



EU SOU DO TEMPO...


que se tomava a bênção aos pais, avós, tios e padrinhos.

que não se sentava à mesa sem camisa.

que se chamava os mais velhos de “senhor” e “senhora”.

que não se tomava banho, se cortava o cabelo ou se fazia a barba depois das refeições.

que cada um tinha a sua escova de dente.

que não se dizia a pai e mãe: “mentira”, “mentiroso” ou “mentirosa”.

que se penteava o cabelo antes de dormir.

que se previa que os achocolatados Kresto e Toddy iriam concorrer no mercado, o que não ocorreu.

que os guardanapos eram de linho.

que as crianças usavam boinas no inverno.

(Foto:http://carissimascatrevagens.blogspot.com.br) 
que existia os produtos de higiene Eucalol, Vale quanto pesa e Odol.

que, quando se pretendia namorar uma garota, a senha era: “Eu quero falar com você”. Estava feito o pedido.

que não se contestava as explicações dos pais quanto a dificuldades financeiras da família.

que não se misturava manga com leite.

que se cedia lugar nos transportes públicos às mulheres, pessoas mais velhas, grávidas e deficientes físicos.

que se respeitavam os professores.

que escuro dava medo.

que não se comia carne bovina da segunda-feira após o Domingo de Ramos até o Sábado de Aleluia.

que se apaixonava, platônica ou sensualmente, por belas mulheres casadas, honestíssimas e impossíveis.

dos excelentes sorvetes da Kibon vendidos em casquinhas ou em potes, nas padarias e mercearias; e das carrocinhas amarelas da Kibon onde se podia comprar os maravilhosos picolés: o imbatível Chica-bon de chocolate, o Já-já de coco, o Kalu de limão, o Ton-bon de abacaxi e o supremo Eski-bon; as guloseimas Ki-Bamba, Ki-Coisa; Ki-Leite, Ki-Coco, Ki-Passas, Lingote, Delicado, Amendoim coberto de chocolate e a Jujuba. Tudo isto são lembranças gustativas impossíveis de serem recuperadas.

que a missa era em latim e eu, como aspirante a coroinha num colégio de padres, tive de decorar as falas do acólito na língua de Cícero em 48 horas, sob pena de ser excluído do grupo de meninos que queriam ajudar na liturgia.

que só se dançava de rosto colado com a namorada ou com alguma garota assanhada.

que garota “galinha” não ia pra cama, mas somente “sarrava”, isto é, era parceira em libidinagens.

que somente as prostitutas, algumas empregadas domésticas e mulheres livres (mal casadas ou solteiras fogosas incontroláveis) transavam com os rapazes.

que se beijava nas faces apenas: pai, mãe, irmãos, avós, tios, primas, professora (primária) e madrinha de batismo. Na boca, namorada e mulheres de aventuras.

que, com caxumba, não se saía da cama e se pisava descalço no chão frio, porque o testículo "subia" e você ficava sexualmente "estéril".

da Casa Neno, que “Serve bem ao grande e ao pequeno” e de À Colegial, loja de uniformes escolares, ambas de Niterói.

do maravilhoso refrigerante Taí, de sabor indefinido, gosto de recreio escolar; nos anos 1980-90, ressuscita-se a marca, porém bem distante do refrigerante mágico da década de 1960, que nem lembrava aquele líquido neutro, com pouco açúcar, uma magia pré-púbere.

da Niterói, antes da ponte, quase cidade do interior, sem crimes, autossuficiente, da qual você somente precisaria sair dela para uma consulta com um médico de grande fama ou para fazer uma compra extraordinária de uma produto no centro do Rio ou em Copacabana, se Niterói não o possuíse.

do Príncipe, que “veste hoje o homem de amanhã”.

das Rádios Relógio e Mayrink Veiga.

da Casa Santa Branca, da Imperatriz das Sedas e da Tecidos Kalil M. Gebara.

dos inúmeros restaurantes árabes, de comida boa e barata, que povoavam todo o Rio.

da cerveja gélida do Safita, na Glória, com bota-gostos e pratos árabes.

da “VARIG, VARIG, VARIG”.

do antigo Bar Luiz, seu chope, queijo prato e bota-gostos insuperáveis.

da Panair do Brasil,

da banana split das Lojas Americanas.

da noite em Copacabana, com dezenas de casas com música ao vivo, apresentando os maiores astros da Música Brasileira.

da Sloper, da Exposição, da Casa José Silva, da Ducal, da Casa Masson, e das confeitarias Cavé, Manon, Colombo (antiga, não a atual) e Gerbô.

dos cinemas da Tijuca e da Cinelândia.

do Beco da Fome, na Prado Júnior.

das Cantinas Sorrento e La Fiorentina (a falecida).

das Casas Pernambucanas que advertia: "Não adianta bater / Eu não deixo você entrar / As Casas Pernambucanas / É que vão aquecer o meu lar..."

dos Lenços Paramount “... e ainda são perfumados”.

do “Melhoral, Melhoral, é melhor e não faz mal”.

do jingle: “Se lâmpada queimar /não adianta reclamar / nem bater o pé / O que resolve / é ter sempre à mão / lâmpada GE...

que havia “No ar, mais um caravelle da Cruzeiro do Sul / E, a bordo, tudo azul”.

do Banco Irmãos Guimarães – BIG, de portugueses, que distribuíam parte dos lucros da empresa com seus empregados; o escriturário do BIG tinha casa própria e carro.

do Banco Nacional “O banco que está ao seu lado”, e seu jingle do Natal de 1971, criação de Edson Borges, o Passarinho: “Quero ver você não chorar não olhar pra trás / Nem se arrepender do que faz / Quero ver o amor vencer mas se a dor nascer / Você resistir e sorrir / Se você pode ser assim tão enorme assim / Eu vou crer / Que o natal existe, que ninguém é triste / E no mundo há sempre amor / Bom natal um feliz natal / Muito amor e paz pra você”.

dos Programas: PRK-30, com Lauro Borges e Castro Barbosa; Lyra de Xopotó, com Paulo Roberto; César de Alencar; Balança, mas não cai, com Paulo Gracindo e Brandão Filho; das novelas O Anjo; Jerônimo, o herói do sertão e Bianca; e a locutora da Rádio anunciava: “o creme dental Colgate, o criador dos mais belos sorrisos e Palmolive, o sabonete embelezador da mais alta qualidade que existe, apresentam...”

de “Romário – o homem-dicionário”, que não era jogador de futebol, mas sabia, de cor, um dicionário inteiro da Língua Portuguesa e respondia a perguntas em programas de auditório.

dos Trigêmeos Vocalistas que se apresentavam na TV e sopravam flautim com ar saído das narinas.

Angelita Martinez
(Foto: Acervo Marcelo Câmara)
das vedetes, lindas e perfeitas, curvilíneas, sem plásticas e sem academia, com corpos femininos, sólidos e roliços, sem braços de pugilista, nem pernas de zagueiro central: Angelita Martinez e Virgínia Lane.

que “depois do sol, quem ilumina o seu lar é a Galeria Silvestre”.

do Bazar Francês, Rua da Carioca, nº 5: “Brinquedo pra mim e pra vocês”.

do programa Musicas na Passarela, da Rádio Mundial: “música azul”, “música verde”, “música grená” etc.

do programa Hoje é dia de rock, na Mayrink Veiga, com Jair de Taumaturgo.

que a Rádio Jornal do Brasil lançava as vanguardas da MPB, como as composições da Bossa Nova, de Newton Mendonça e Tom Jobim, e, mais tarde, da Tropicália, de Caetano e Gil.

das Estampas Eucalol.

das revistas Seleções (Reader's Digest) e das femininas A Cigarra e Querida.

que Jorge Veiga, Ademilde Fonseca, Ivon Curi, Ângela Maria, Jorge Goulart, Nora Ney, Blecaute, a Orquestra Tabajara, de Severino Araújo, Stelinha Egg, Cauby Peixoto, Dalva de Oliveira, Jackson do Pandeiro e Almira, Vicente Celestino, Elizeth Cardoso, Aracy de Almeida, Bené Nunes, Carolina Cardoso de Menezes, Orlando Silva, as Irmãs Batista (Dircinha e Linda), Sérgio Murilo, Zezé Gonzaga, Nelson Gonçalves, Conjunto Farroupilha, Dilermando Reis, Cely Campelo, Nilo Sérgio, Maysa, Bob Nelson, Leny Eversong, Fafá Lemos, Marinês e sua Turma, Luiz Gonzaga, Adelaide Chiozzo, Luiz Vieira, Marlene, Edu da Gaita, Elza Soares, Dick Farney, Silvinha Telles, Silvio Cesar, Tia Amélia, Altamiro Carrilho, Claudete Soares, Nilo Sérgio, Zezé Gonzaga e Waldir Calmon – tocavam no rádio.

que se rezava pela manhã e ao deitar.

que um padre era facilmente identificável num grupo de leigos ou de rufiões bêbados e descompostos.

que os advogados, promotores e defensores públicos escreviam corretamente e falavam bem, e os juízes, respeitabilíssimos e equilibrados, eram cultos, exibiam erudição.

que se lavavam as mãos antes das refeições e se usava bidê como a melhor higiene.

que os meninos, amigos, caminhavam abraçados, e as meninas, de mãos dadas.

que mulher usava bolero, anágua e combinação, e, formavam pares nos bailes, na falta de cavalheiros.

que levar palmadas dos pais e ficar de castigo não levavam os filhos, mais tarde adultos, a terapias.

que se beijava, pedindo bênção, as mãos dos padres, bispos e cardeais.

que, nos clubes, se levava a dama até a mesa ao final da dança.

que a tulipa do chope tinha a espessura de uma casca de ovo e o queijo prato era saboroso.

que não ganhar um brinquedo que os pais não podiam dar não provocava distúrbios psicanalíticos, nem faziam os filhos sair de casa.

que se dizia “balaustre”, “balaustrada”, 'bureaux"; se fazia rol de roupas para a lavadeira; se areava panelas; as costureiras cerziam e chuleavam; se usava Alginex, Elixir Paregórico, água vegeto mineral, pedra pome; e aos bebês chorosos era dado Luminaleta.

Chocolate surge na capital paulista
em 1888, do empreendedorismo
da Senhora Alwine Sophia Sönksen
(Foto: www.saopauloantiga.com.br)
que o melhor chocolate era o Sönksen e se comprava, em grandes barras, próximo a Itatiaia, na Dutra, no Alemão, na divisa entre o Rio de São Paulo.

que se ia a baile, principalmente, para dançar; e muito; uma garota conquistada era o melhor dos mundos.

que o católico ia à missa aos domingos e dias santos, comungava regularmente, ou, ao menos, uma vez por ano, na Páscoa da Ressurreição, e tinha o seu padre confessor.

da manteiga feita de nata de leite de vaca, batida à mão.

dos chocolates Bebê e balas Tofee, da Bhering, indústria localizada no bairro de Santo Cristo, na Cidade do Rio de Janeiro, a Capital do Brasil.

E do chocolate Refeição, da Neugebauer.

que se convivia com o sentimento de culpa e se administrava a depressão, buscando-se a reflexão através da oração, o diálogo com os mais velhos, especialmente pelos que já passaram por isso, e  se tentava a autoanálise.



EU ALCANCEI...

Ø  escarradeiras nos banheiros domésticos.

Ø  bonde, trólebus e lotação no Rio; e "carro de praça" sem "relógio" em Niterói.

Ø  Emilinha Borba bonita, insinuante, de “tomara que caia”, sem plásticas, de vestido branco rodado, diáfana, com seguranças ao seu redor, recebendo cachês lunáticos.

Ø  a theca Dana de Teffé (nascida Dana Edita Fischerova) e o advogado mineiro Leopoldo Heitor de Andrade Mendes namorando no bar do Hotel Fazenda da Grama, em Rio Claro, RJ, no início dos anos 1960.

Mário Peixoto, autor do argumento, 
roteiro, cenários, produtor e diretor
  de Limite (1931),  considerado
  "o melhor filme brasileiro
 de todos os tempos".
(Foto: www.adorocinema.com)
Ø  o genial cineasta, crítico e escritor Mário Peixoto (Bruxelas, 1908), criador do clássico Limite, no cais de Angra dos Reis, septuagenário, anonimamente, de bermuda branca, óculos escuros, chapéu de palha, saltando, lépido, para uma baleeira que o deixaria na Praia do Morcego, na Ilha Grande, adquirida por seu pai em 1938, e onde ele passou a viver a partir de 1966, na mesma casa que foi do pirata Juan Lorenzo, no Século XVIII; era amigo de meu pai, Câmara Torres e descendente dos famosos Breves, família de Mangaratiba; Mário vivia solitário, meditando e escrevendo cinema, crítica cinematográfica e poesia; à época, depois de inúmeros projetos inacabados, tendo seus argumentos, roteiros e cenografias inviabilizadas, extraviadas e furtadas, o artista, ignorado pelos governos no propósito de transformar o imóvel em um museu, tentava vendê-lo, o que fez anos depois, indo morar, modestamente, num quarto de hotel no centro de Angra; morre em 1992, aos 83 anos, no seu apartamento em Copacabana, no Rio, também deixado pelo pai.

Ø  Jacy Campos fazendo o primeiro talk show da TV brasileira, na falecida TV Tupi, Canal 6, do Rio, no programa Meio-Dia, que, além das entrevistas e shows ao vivo, transmitia reportagens exclusivas.

Ø  (e adorava) maionese caseira, feita à mão, batida com a mistura de gema de ovo, azeite e sal.

Ø  na década de 1950, em Niterói, RJ, duplas de muares puxando carroças que recolhiam lixos das ruas e das residências.

Ø  o programa Alô Querida!, com a belíssima Eva Wilma e John Herbert, casal na vida e na arte, na extinta TV Tupi, do Rio.

Ø  guardas-noturnos, vigilantes e ativos, soprando apitos, cumprindo rondas nas ruas de Niterói, RJ.

Ø  o ator Orlando Drummond e a atriz Nádia Maria, a Marilinha, abrindo ou fechando o programa de humor Boate do Ali Babá e os quarenta garçons, toda sexta-feira à noite, na falecida TV Tupi, do Rio.

Ø  o compositor e cantor Erasmo Carlos em início de carreira, quase que diariamente, nos alvores dos anos 1960, no programa Rancho do Paulo Bob, nos estúdios da Rádio Federal de Niterói, caitituando o seu primeiro compacto.



GENTE, EU...

Ø  assisti a uma palestra de Fidel Castro, na década de 1980, cinco metros à minha frente, num auditório em Brasília, sobre a realidade de Cuba, História e Política internacional.

Ø   estive ao lado de Adhemar de Barros, em 1954, quando candidato à Presidência, como sempre obeso, alegre e loquaz, sentado na varanda da minha casa em Angra dos Reis.


Ø  eu assistia ao Circo Bom Brill, com Carequinha, Fred, Zumbi e Meio-Quilo, na TV Tupi, Canal 6, às 19h das quartas-feiras; e o Circo do Arrelia, na TV Rio, Canal 13, às segundas. Na Tupi, assistia, também, Clube do Titio Hélio, com Hélio Ribeiro e seus desenhos animados; Clube do Guri, ao meio-dia a cada domingo, apresentado por Collid Filho, que revelou as crianças Sônia Delfino, Wanderléia, Rosemary e Leny Andrade; Aula de Inglês, com Gladys; Grande Teatro da Imperatriz das Sedas, ao vivo, com Procópio Ferreira, Fernanda Montenegro e outros astros de primeira grandeza; Festival Trol de Teatro Infantil, às 14h de cada domingo, com Zilka Salaberry, Paulo Padilha, Ida Gomes, Roberto de Cleto, Edson Silva, Fábio Sabag e outros craques. Na TV Rio, Falando francamente, programa de entrevistas políticas com Arnaldo Nogueira (antes por outro âncora), deputado federal pela UDN, e a Grande Resenha Facit, depois na Globo, apresentada por Luiz Mendes (Botafogo), com Armando Nogueira (idem, de terno e gravata), Nelson Rodrigues (Flu), José Maria Scassa (Fla), Hans Hennigsen (“o marinheiro sueco”), Vitorino Vieira (Vasco), o artilheiro Ademir, o Queixada; depois entrou o americano Achiles Chirol; havia, ainda, um botafoguense de terno e gravata borboleta, de família árabe, do qual o nome não me recordo. Na TV Continental, Canal 9, com sede nas Laranjeiras, das Organizações Rubens Berardo (depois Vice-Governador de Negrão de Lima na GB; morreu assassinado em casa); eu era expectador assíduo do programa de Gilson Amado tratando de temas da Educação e Cultura. 

Ø  tomei a minha primeira pinga aos seis anos, uma Graúna, de Paraty, RJ, marca extinta na década de 1960; nunca mais deixei de beber.

Ø  bebi, e muito, com grandes personalidades da Cultura Brasileira, como o compositor Nelson Cavaquinho; o diretor de teatro Ziembiński; os cineastas Nelson Pereira dos Santos e Walter Lima Júnior; o antropólogo Darcy Ribeiro; os grandes músicos e compositores Codó, Luiz Bandeira, Silveira, (compositor da obra-prima Canção do nosso amor), Carlos Lyra, Roberto Menescal e Juquinha Stockler (o baterista predileto de Newton Mendonça, Tom Jobim e João Gilberto), além do pianista, compositor e maestro Geraldo Mendonça; e o físico nuclear Bautista Vidal, pioneiro das energias alternativas no Brasil.

Ø  cruzei com Nara Leão e Cacá Diegues, em lua-de-mel, namorando nas madrugadas, pelas ruas coloniais de Paraty, RJ.

Ø  fui recebido, com o meu filho, de seis anos, por João Paulo I, em audiência reservada, em 1980, na Nunciatura Apostólica do Vaticano, em Brasília.

Marcelo, aos dez anos, em 1960, numa viagem de lancha,
entre Angra e Paraty, com o Governador Roberto Silveira.
(Foto Acervo Marcelo Câmara)
Ø  participei, aos oito anos, dos comícios das eleições de 1958 para governador do RJ, ao lado do candidato Roberto Silveira (PTB), à época, considerado por muitos o futuro Presidente da República, se não partisse com apenas 37 anos, vítima de desastre aéreo; e, em seguida, integrei suas caravanas oficiais como governador em várias viagens pelo Extremo Sul do Estado do Rio de Janeiro.

Ø  vi Adhemar de Barros Filho, jovem, rico, antes de entrar para a política, atlético, de maillot de bain de lastex, fazendo pesca submarina em Angra dos Reis na década de 1950.


Ø  tive como costureira das minhas camisas de menino, sob medida, até os seis anos, em Angra dos Reis, Dona Zizinha, mãe do grande sambista e cantor carioca Joel de Almeida, da dupla Joel e Gaúcho, que lançou Roberto Carlos em disco pela primeira vez, no final dos anos 1950, cantando Bossa Nova, para competir com João Gilberto. Não deu certo. Roberto partiu pra outra com muito sucesso.

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2 comentários:

  1. Marcelo, Marcelo,
    que maravilhoso artigo. Tudo que vem de você é mesmo uma maravilha. São memórias que deixam saudade para quem viveu aquelas épocas, boas épocas e que não voltam mais. Levam os sensíveis à emoção, à saudade, a reviver, às lágrimas. Minha esposa e eu choramos. Não, lágrimas de tristeza, mas de boas recordações. Que pena que tudo acabou. Aquela sua foto, ainda menino, praticamente no colo do governador Roberto Silveira é uma relíquia. Seu rostinho é de felicidade. O dele, de prazer, de amizade. Um pai, um filho. Assim vimos e sentimos. Você tem mesmo muitas ricas histórias para contar. Estamos encaminhando este seu artigo para muitos amigos daquela época. Enviei para o Paulo Coelho. Paulo vai adorar. Ele é emotivo e metafísico. Também enviei para o Aldir Blanc. Aldir vai adorar. Vou encontrar o e-mail do Hélio Paulo Ferraz para enviar também. Todos foram daquela época. E, por fim, estou enviando para o Papa Francisco, com quem mantenho correspondência desde Buenos Aires. Para Francisco, vou fazer antes uma explicação, relatando nossas vidas no Salesiano de Niterói e contando como era a vida no Rio, no Brasil daquela época.
    Muito obrigado.
    Jorge Béja

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